Divulgando. (Después escribo más. Vi este documental porque me dijeron que explicaba el llamado Súnion Disorder. En la primera media hora, que es lo que he visto de momento, no lo explica. Aunque qué sunionita no fue impactado por el mito de la caverna!)
Sinopsis:
(...) Desde su origen, la institución escolar ha estado caracterizada por estructuras y prácticas que hoy se consideran mayormente obsoletas y anacrónicas. Decimos que no acompañan las necesidades del Siglo XXI. Su principal falencia se encuentra en un diseño que no considera la naturaleza del aprendizaje, la libertad de elección o la importancia que tienen el amor y los vínculos humanos en el desarrollo individual y colectivo.
(...) Han surgido, a lo largo de los años, propuestas y prácticas que pensaron y piensan la educación de una forma diferente. La Educación Prohibida es una película documental que propone recuperar muchas de ellas, explorar sus ideas y visibilizar aquellas experiencias que se han atrevido a cambiar las estructuras del modelo educativo de la escuela tradicional.
Más de 90 entrevistas a educadores, académicos, profesionales, autores, madres y padres; un recorrido por 8 países de Iberoamérica pasando por 45 experiencias educativas no convencionales; más de 25.000 seguidores en las redes sociales antes de su estreno y un total de 704 coproductores que participaron en su financiación colectiva, convirtieron a La Educación Prohibida en un fenómeno único. Un proyecto totalmente independiente de una magnitud inédita, que da cuenta de la necesidad latente del crecimiento y surgimiento de nuevas formas de educación.
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
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Thursday, November 15, 2012
La educación prohibida
Wednesday, October 31, 2012
Ruby Sparks, written by Zoe Kazan
Very worth seeing. Apart from what it shows about the old "trying to find the perfect girl/boy" thing, the movie tells a lot about creating characters in fiction.
I loved the part at the end when Calvin, trying to explain to an audience how Ruby became real, talks about the Catcher in the Rye and says that Holden Caulfield was real too. In a way, he was, he is. As many other characters are, for lots of readers. How could they not be for the writers themselves?
I loved the part at the end when Calvin, trying to explain to an audience how Ruby became real, talks about the Catcher in the Rye and says that Holden Caulfield was real too. In a way, he was, he is. As many other characters are, for lots of readers. How could they not be for the writers themselves?
Wednesday, October 24, 2012
Recién vi la que llaman "mejor escena del cine argentino"
Es muy buena y sigue siendo actual. Ahora vale para países como España y Catalunya*.
*Los amigos brasileños no me creen cuando digo que la tasa de pobreza en Catalunya está en el 29,5%.
*Los amigos brasileños no me creen cuando digo que la tasa de pobreza en Catalunya está en el 29,5%.
Friday, October 05, 2012
Um pouco de tietagem...
Thursday, July 05, 2012
To Rome With Love, by Woody Allen
Com preguiça de escrever minha própria crítica, seguem algumas frases que acabei de ler e se correspondem com o que eu vi. "Amusing little picture" (A. O. Scott). "It's all rather sweet but instantly evanescent" (um crítico que não sei quem é). "It generates no particular excitement or surprise, but it provides the sort of pleasure Allen seems able to generate almost on demand" (Roger Ebert). No filme há uma personagem interessante, o da Ellen Page no papel de uma jovem atriz: "Page gives a restrained but brilliantly satirical performance as an intellectual and emotional faker" (D. Denby). Gostei porque, sendo de Letras, rapidamente reconheci o tipo.
E meu irmão Uri dirá que as transições são de mestre. Entre uma história e outra, entre a comédia e a sátira e o absurdo, Woody se move como ninguém, é incrível a economia narrativa do filme. Isso mesmo bem escrito: "How casually it blends the plausible and the surreal, how unabashedly it revels in pure silliness" (Denby). OK.
Tuesday, May 29, 2012
Toujours grand Jean-Louis Trintignant
Dans Ma nuit chez Maud, d'Eric Rohmer, 1969, le film préféré de mon père.
Dans Amour, de Michael Haneke, Palme d'Or à Cannes 2012, attribuée hier. Avec Isabelle Huppert.
Dans Amour, de Michael Haneke, Palme d'Or à Cannes 2012, attribuée hier. Avec Isabelle Huppert.
Wednesday, May 02, 2012
En la ciudad de Sylvia
O Sérgio me enviou esta mini crítica ditirâmbica do filme de José Luis Guerín, de 2007:
A Pilar López de Ayala é a jeune-fille mais linda do mundo!
O Xavier Lafitte é o jeune-homme mais lindo do mundo!
A fotografia do filme é um delírio de beleza.
A música é ótima.
O filme é especial, requer paciência e tranquilidade, é cool, é lindo!
A Pilar López de Ayala é a jeune-fille mais linda do mundo!
O Xavier Lafitte é o jeune-homme mais lindo do mundo!
A fotografia do filme é um delírio de beleza.
A música é ótima.
O filme é especial, requer paciência e tranquilidade, é cool, é lindo!
Tuesday, April 24, 2012
Hope There's Someone, de Antony and the Johnsons + "People like being clean"
BREAKING NEWS: BYE BYE Bar$a, Er Millor Ekip derr Món. Bar$a (jogando com 12) 2 - Chelsea (jogando com 10) 2. Nem Liga, nem Champions. Sempre RCDE.
Andava revisando coisas da Isabel Coixet e ouvi esta música no trailer de The Secret Life of Words. Este Antony Hegarty é mais esquisito que o Daniel Johnston. (Além de que se parece demais com a própria Coixet: inquietante.) (No trailer, gostei da declaração de amor de Tim Robbins, quando ele diz, em tradução minha ao espanhol, que fica mais garrula: "Creo que ahora que me sujetas la polla y meo delante de ti, podríamos llamarnos por nuestros nombres, o hasta empezar una nueva vida juntos".)
Também de The Secret Life of Words, revi esta cena, que eu não lembrava. Lembro pouco desse filme, não o achei bem acabado (talvez não o entendi); gostei mais de My Life Without Me. Mas a cena, revista agora, mesmo na telinha do iPhone, me fez chorar. (Como é difícil escutar, pensei também. Inclusive no cinema. Porque Sarah Polley está esplêndida no monólogo, mas Tim Robbins está com cara de tijolo. Não reparem.) (P.S. ao parêntese: Reparem, antes, na burrice do espetador: a personagem de Tim Robbins é cega, ou parcialmente cega. Duh, Roger!)
Andava revisando coisas da Isabel Coixet e ouvi esta música no trailer de The Secret Life of Words. Este Antony Hegarty é mais esquisito que o Daniel Johnston. (Além de que se parece demais com a própria Coixet: inquietante.) (No trailer, gostei da declaração de amor de Tim Robbins, quando ele diz, em tradução minha ao espanhol, que fica mais garrula: "Creo que ahora que me sujetas la polla y meo delante de ti, podríamos llamarnos por nuestros nombres, o hasta empezar una nueva vida juntos".)
Também de The Secret Life of Words, revi esta cena, que eu não lembrava. Lembro pouco desse filme, não o achei bem acabado (talvez não o entendi); gostei mais de My Life Without Me. Mas a cena, revista agora, mesmo na telinha do iPhone, me fez chorar. (Como é difícil escutar, pensei também. Inclusive no cinema. Porque Sarah Polley está esplêndida no monólogo, mas Tim Robbins está com cara de tijolo. Não reparem.) (P.S. ao parêntese: Reparem, antes, na burrice do espetador: a personagem de Tim Robbins é cega, ou parcialmente cega. Duh, Roger!)
Sunday, April 01, 2012
So proud of Uri!
SÉRGIO: Alguém desta família tinha que ser famoso!
EU: Pois é! Antes de meus pais morrerem!
SÉRGIO: Não fala isso, que eles são muito jovens e falar isso dá azar.
EU: É verdade.
http://www.imeldafilms.com/ <-- Este é o site da produtora pela que o Uri começou a trabalhar, depois de realizar muitos comerciais para uma outra. A produtora dele e do Gerard, sinparpadear, para projetos criativos de ficção (Emerson e outros), continua, mas agora ele vai trabalhar aqui também. Quem saiba de cinema vai entender porque o passo que ele deu me orgulha tanto, vai ver com quem ele "se associou".
Aqui um dos muitos comerciais que o Uri fez, que eu não conhecia e adorei: http://www.imeldafilms.com/?portfolio=match-com
EU: Pois é! Antes de meus pais morrerem!
SÉRGIO: Não fala isso, que eles são muito jovens e falar isso dá azar.
EU: É verdade.
http://www.imeldafilms.com/ <-- Este é o site da produtora pela que o Uri começou a trabalhar, depois de realizar muitos comerciais para uma outra. A produtora dele e do Gerard, sinparpadear, para projetos criativos de ficção (Emerson e outros), continua, mas agora ele vai trabalhar aqui também. Quem saiba de cinema vai entender porque o passo que ele deu me orgulha tanto, vai ver com quem ele "se associou".
Aqui um dos muitos comerciais que o Uri fez, que eu não conhecia e adorei: http://www.imeldafilms.com/?portfolio=match-com
Saturday, March 24, 2012
Restless, by Gus Van Sant
Gus Van Sant doesn't make bad movies. Por isso achei estranho que no site Rottentomatoes seu novo filme aparecesse com só 36% de críticas positivas, ou seja, como "rotten". Como isso simplesmente não podia ser, procurei a crítica de A. O. Scott, do New York Times. Ela é positiva. Mas ainda mais positiva é a de Richard Brody, na New Yorker.
Não sei se o filme vai estrear ou se já passou pelos cinemas em POA. Lembrei dele hoje, folheando por acaso uma revista bobinha de novembro ou dezembro de 2011, onde era recomendado. Gosto de escrever as "críticas" eu mesmo, mas como não sei se vou poder ver o filme, posto o trailer e a crítica de Brody aqui, para quem tiver a chance de assistir.
"Restless" in Peace and War
Richard Brody, The New Yorker
To summarize Gus Van Sant’s new film, “Restless,” which opens tomorrow (and which David Denby wrote about in the magazine this week), is to invite laughter: Enoch (Henry Hopper), a teen-age boy who is obsessed with death, meets, at one of the many funerals he crashes, Annabel (Mia Wasikowska), a mortally ill girl, and they begin a relationship. Yet the backstory gives the young man a good reason to be death-obsessed—his parents both died in a car accident that also left him momentarily dead, and then in a three-month coma. And though the movie (like so many these days) runs on the emotional tangle and expressive frustration that results from not having gotten therapy at once, Van Sant extracts something wonderful from his somewhat contrived setup. All couples meet by a seeming miracle, and what brings this young pair together is less the way they think about death than the way they live. His real subject is the theatre of daily life—the mask and the costume, the assumed identity—as a formative and defining teen-age experience.
“I’ve always wanted you to admire my suffering” (as Kafka knew) is the fallback position for the adolescent not-quite-alpha male whose powers of invention get channelled instead into an elaborate (or, as Nietzsche might have said, priestly) ritual of abnegation, a theatre of self-denial that aims nonetheless at achieving the usual gratification (unless—and there’s another story—he internalizes his performance and takes its means as its ends: the portrait of the artist as a young dogmatist). Enoch is a type, but realized with a tender specificity. When he talks about death, he’s been there, and declares, with a roughly-earned existential anguish, that what awaits is indeed “nothing,” and the artificial fullness of his experience, or, rather, the filling-up of his existence with artifice, is his response to the void.
Enoch and Annabel share a love of role-play. They have thrift-shop Victorian wardrobes to die for, and their dress-up games and intricately scripted and staged playacting (done for their own pleasure, without spectators—except for Halloween) seem at one with the film’s Portland setting. As photographed by Harris Savides, it seems draped with Gothic vines and yet serene with a soft, enveloping light. Capturing a pair of smart and original kids in an ordinary town (i.e., not in the high-culture pressure cooker of New York or the hip milieu of Hollywood), Van Sant suggests that the unpopulated expanses, the proximity of nature’s sublime otherness, offer them a richer and stranger cauldron of fantasy, a larger and more malleable inner stage for it. He’s after nothing less than the very nature of the American imagination, its source in the land—and its morbid, violent roots.
There’s a strange sidebar to the action, and trouble in paradise—Hiroshi (Ryo Case), the living image of a gentle, ironic Japanese kamikaze pilot from the Second World War whose presence Enoch conjures. (What’s next, a musical twist on the Bataan Death March?) Van Sant’s view of him is startlingly benign and ahistorical (though a brief atomic-bomb montage suggests that, by comparison, he finds the Imperial Army’s suicide fighters unexceptionable); in any case, the boy’s fascination with martial ritual (purged of politics and nationalism) reflects his own struggles with violence and, for that matter, his own methods of auto-therapy.
Whether Hiroshi is Enoch’s imaginary friend or, for that matter, imaginary lover is never clarified; the suggestion is enough. Van Sant’s forthright approach to gender continuity, free-ranging desire, and possible exploration—amplified by the casting and the costuming that give Enoch and Annabel the same short and floppy haircuts and the same slender physiques—is all the more relevant to his vision of malleable identity.
The subject is in the air. Some of the best films of the year to date, such as “The Future,” “Bellflower,” “The Ballad of Genesis and Lady Jaye,” and even “Certified Copy” have confronted it, as does the forthcoming “Silver Bullets,” which I’ll revisit later. (It’s worth adding now that it shares something else with “Restless”: the fascinating presence, in a supporting role, of Jane Adams.)
Não sei se o filme vai estrear ou se já passou pelos cinemas em POA. Lembrei dele hoje, folheando por acaso uma revista bobinha de novembro ou dezembro de 2011, onde era recomendado. Gosto de escrever as "críticas" eu mesmo, mas como não sei se vou poder ver o filme, posto o trailer e a crítica de Brody aqui, para quem tiver a chance de assistir.
"Restless" in Peace and War
Richard Brody, The New Yorker
To summarize Gus Van Sant’s new film, “Restless,” which opens tomorrow (and which David Denby wrote about in the magazine this week), is to invite laughter: Enoch (Henry Hopper), a teen-age boy who is obsessed with death, meets, at one of the many funerals he crashes, Annabel (Mia Wasikowska), a mortally ill girl, and they begin a relationship. Yet the backstory gives the young man a good reason to be death-obsessed—his parents both died in a car accident that also left him momentarily dead, and then in a three-month coma. And though the movie (like so many these days) runs on the emotional tangle and expressive frustration that results from not having gotten therapy at once, Van Sant extracts something wonderful from his somewhat contrived setup. All couples meet by a seeming miracle, and what brings this young pair together is less the way they think about death than the way they live. His real subject is the theatre of daily life—the mask and the costume, the assumed identity—as a formative and defining teen-age experience.
“I’ve always wanted you to admire my suffering” (as Kafka knew) is the fallback position for the adolescent not-quite-alpha male whose powers of invention get channelled instead into an elaborate (or, as Nietzsche might have said, priestly) ritual of abnegation, a theatre of self-denial that aims nonetheless at achieving the usual gratification (unless—and there’s another story—he internalizes his performance and takes its means as its ends: the portrait of the artist as a young dogmatist). Enoch is a type, but realized with a tender specificity. When he talks about death, he’s been there, and declares, with a roughly-earned existential anguish, that what awaits is indeed “nothing,” and the artificial fullness of his experience, or, rather, the filling-up of his existence with artifice, is his response to the void.
Enoch and Annabel share a love of role-play. They have thrift-shop Victorian wardrobes to die for, and their dress-up games and intricately scripted and staged playacting (done for their own pleasure, without spectators—except for Halloween) seem at one with the film’s Portland setting. As photographed by Harris Savides, it seems draped with Gothic vines and yet serene with a soft, enveloping light. Capturing a pair of smart and original kids in an ordinary town (i.e., not in the high-culture pressure cooker of New York or the hip milieu of Hollywood), Van Sant suggests that the unpopulated expanses, the proximity of nature’s sublime otherness, offer them a richer and stranger cauldron of fantasy, a larger and more malleable inner stage for it. He’s after nothing less than the very nature of the American imagination, its source in the land—and its morbid, violent roots.
There’s a strange sidebar to the action, and trouble in paradise—Hiroshi (Ryo Case), the living image of a gentle, ironic Japanese kamikaze pilot from the Second World War whose presence Enoch conjures. (What’s next, a musical twist on the Bataan Death March?) Van Sant’s view of him is startlingly benign and ahistorical (though a brief atomic-bomb montage suggests that, by comparison, he finds the Imperial Army’s suicide fighters unexceptionable); in any case, the boy’s fascination with martial ritual (purged of politics and nationalism) reflects his own struggles with violence and, for that matter, his own methods of auto-therapy.
Whether Hiroshi is Enoch’s imaginary friend or, for that matter, imaginary lover is never clarified; the suggestion is enough. Van Sant’s forthright approach to gender continuity, free-ranging desire, and possible exploration—amplified by the casting and the costuming that give Enoch and Annabel the same short and floppy haircuts and the same slender physiques—is all the more relevant to his vision of malleable identity.
The subject is in the air. Some of the best films of the year to date, such as “The Future,” “Bellflower,” “The Ballad of Genesis and Lady Jaye,” and even “Certified Copy” have confronted it, as does the forthcoming “Silver Bullets,” which I’ll revisit later. (It’s worth adding now that it shares something else with “Restless”: the fascinating presence, in a supporting role, of Jane Adams.)
Friday, March 16, 2012
Thursday, January 05, 2012
Le Havre, de Aki Kaurismäki
Hoje assisti ao filme Le Havre com meus pais - ou, melhor, levei meus pais para assistir ao filme. Junto a La piel que habito e, sobretudo, Melancholia, é o que de melhor vi nos últimos (muitos) meses. (El cine está fatal, diria o Uri. Sim, mas ainda temos esses grandes mestres em atividade.) Esta história de pessoas boas e generosas (e pobres: acho que isso tem a ver com sua maneira de ser e agir), que atuam desprovidas de qualquer interesse em si mesmas, moradoras de um bairro popular dessa cidade portuária da Normandia, devolve um pouco a fé nas pessoas, as mesmas pessoas que Lars Von Trier, carregado de motivos, chama em seu filme de essencialmente más; uma fé mais necessária do que nunca pelo rumo que estão tomando as coisas na Europa. A escritora Mercè Ibarz escreveu hoje sobre o filme, no El País: "Un filme lleno de bondad, concepto y palabra difíciles de usar hoy. Qué atrevimiento del finés Kaurismäki. Con la que está cayendo, es más que un consuelo". Eu retive minhas lágrimas só porque estava com meus pais; lágrimas que não teriam sido de tristeza, muito pelo contrário. Não percam. (Filme cheio de homenagens, também, e de curiosidades, como a de assistir a uma canção do velho rocker Roberto Piazza, uma das pessoas que circulam por esse bairro; ou, num pequeno papel, ao ator que foi o inesquecível menino de Les 400 coups.)
PS: A cena da música de Roberto Piazza e o grupo Little Bob:
PS: A cena da música de Roberto Piazza e o grupo Little Bob:
Tuesday, December 06, 2011
Mary Poppins e Destino
Meu irmão Uri gosta de colaborar no blog, e eu gosto de que ele goste e colabore (as pessoas gostam também, o Sérgio é fã). Só que às vezes me manda umas coisas nada a ver. Sobre a penúltima que mandou, por exemplo, eu lhe disse que era bonita mas não tinha a cara do blog (e expliquei o que era isso de "a cara"): é isto aqui, uma viagem pelo nosso belo planeta, "a time lapse sequences of photographs taken by the crew of expeditions 28 & 29 onboard the International Space Station from August to October, 2011" de uma altura de uns 350 km. ("Que bonic que és tot de lluny.")
Sobre a última (objeto deste post), eu lhe disse que não curtia muito Walt Disney nem Dalí. De Walt Disney, adoro The Jungle Book, e de Dalí gosto pouco, blame it on Súnion ICC again, nossa escola de 2º grau. (Mas não, retifico: se existe algum consenso entre ex sunionitas, ou sunionitas full stop, uma vez sunionita, sunionita para sempre, é que tivemos a melhor formação em história da arte. Inclusive os que tinham algum tipo de rancor da pessoa, adoravam o professor de arte - que... não gostava muito de Dalí, fazer o quê.) (Lembrando: um post sobre Súnion ICC foi um sucesso aqui no blog, sobretudo pelo debate que gerou, em "Comentários". Ainda hoje, vez por outra alguém entra no blog procurando no Google "brasileño que habla mal de Súnion" ou coisas semelhantes: aqui. Pode ser que nunca mais me deixem visitar minha querida ex escola.) Voltando: essa última contribuição do Uri é o curta-metragem Destino, que os dois artistas - Walt Disney e Dalí - fizeram juntos, que a mim quase não me diz nada, mas vou ter que postar, posto abaixo. Isto porque meu irmão, diante de minha indiferença, reivindicou a genialidade de Walt Disney com um e-mail surpreendente e desmesurado (como sempre) sobre... Mary Poppins (!), e esse sim, eu devo compartilhar. Está em catalão, não faço a tradução porque as "grandes palavras" que ele emprega se entendem muito bem (se são ou não apropriadas, não sei dizer). (Está ficando confuso, este post...)
"L'amic Walt Disney no només era un gran creador i un gran 'il·lusionista', sinó també un gran 'rojillo', usease un tio d'esquerres i idealista, i com a mostra et diré que Mary Poppins sempre m'ha semblat una pel·lícula socialista i anticapitalista (que no comunista), una peli avançada al seu temps que proposa una societat millor i més justa (amb valors com l'ecologia, la solidaritat, el reciclatge i la felicitat per crear un món més sa) i denuncia, per exemple, la fragilitat del sistema financer, que estem veient avui dia i que els amics argentins, entre altres, ja van viure en sus carnes fa uns anys. Ah, sí, i amb una gran defensa del que parlàvem fa uns dies: que la follia no és sempre un símptoma de malaltia, sinó sovint un sistema de defensa de la gent intel·ligent davant l'absurd de la societat actual. A més, la peli va ser feta de manera tan brillant que l'home la va colar davant la cara de tothom, en plena caça de bruixes ianqui, i va fer que els putos pre-neoliberals portessin els seus fills a veure-la com bojos. És una gran peli i una gran mostra d'intel·ligència per saltar-se la censura. Si vols un dia t'explico fil per randa en què baso aquesta teoria i et prometo que mai més veuràs Mary Poppins com l'havies vist fins ara. Open your eyes bro, open your eyes."
Para eu não ficar preocupado, o Uri termina o ditirambo com o PS "não estou louco". E tudo isso (já disse) para defender Walt Disney e Destino, não Mary Poppins (que, provavelmente, não terei a chance de rever, sorry bro), porque o link que ele mandou foi o do curta-metragem de Disney e Dalí. Curtam os gênios: (<-- sério.)
PS: Mais interessante para mim é que o Uri me informa que está reformando um pouco seu apartamento e instalando uma "follidutxa", "(...) d'aquestes amb chorros de massatge que donen moooooooolt de joc!". Follidutxa = folladucha = em português não fica bonito, seria chuveiro para tre###, mas acho que também não precisa de tradução, porque só vai poder ser curtida (a follidutxa) pelas amigas catalãs do Uri que possam estar lendo este blog e que estejam interessadas em a) meu irmão e b) os experimentos aquaginásticos (se bem que ele tem algumas amigas mineiras aí em BCN, o malvado).
PPS: Ready?
Sobre a última (objeto deste post), eu lhe disse que não curtia muito Walt Disney nem Dalí. De Walt Disney, adoro The Jungle Book, e de Dalí gosto pouco, blame it on Súnion ICC again, nossa escola de 2º grau. (Mas não, retifico: se existe algum consenso entre ex sunionitas, ou sunionitas full stop, uma vez sunionita, sunionita para sempre, é que tivemos a melhor formação em história da arte. Inclusive os que tinham algum tipo de rancor da pessoa, adoravam o professor de arte - que... não gostava muito de Dalí, fazer o quê.) (Lembrando: um post sobre Súnion ICC foi um sucesso aqui no blog, sobretudo pelo debate que gerou, em "Comentários". Ainda hoje, vez por outra alguém entra no blog procurando no Google "brasileño que habla mal de Súnion" ou coisas semelhantes: aqui. Pode ser que nunca mais me deixem visitar minha querida ex escola.) Voltando: essa última contribuição do Uri é o curta-metragem Destino, que os dois artistas - Walt Disney e Dalí - fizeram juntos, que a mim quase não me diz nada, mas vou ter que postar, posto abaixo. Isto porque meu irmão, diante de minha indiferença, reivindicou a genialidade de Walt Disney com um e-mail surpreendente e desmesurado (como sempre) sobre... Mary Poppins (!), e esse sim, eu devo compartilhar. Está em catalão, não faço a tradução porque as "grandes palavras" que ele emprega se entendem muito bem (se são ou não apropriadas, não sei dizer). (Está ficando confuso, este post...)
"L'amic Walt Disney no només era un gran creador i un gran 'il·lusionista', sinó també un gran 'rojillo', usease un tio d'esquerres i idealista, i com a mostra et diré que Mary Poppins sempre m'ha semblat una pel·lícula socialista i anticapitalista (que no comunista), una peli avançada al seu temps que proposa una societat millor i més justa (amb valors com l'ecologia, la solidaritat, el reciclatge i la felicitat per crear un món més sa) i denuncia, per exemple, la fragilitat del sistema financer, que estem veient avui dia i que els amics argentins, entre altres, ja van viure en sus carnes fa uns anys. Ah, sí, i amb una gran defensa del que parlàvem fa uns dies: que la follia no és sempre un símptoma de malaltia, sinó sovint un sistema de defensa de la gent intel·ligent davant l'absurd de la societat actual. A més, la peli va ser feta de manera tan brillant que l'home la va colar davant la cara de tothom, en plena caça de bruixes ianqui, i va fer que els putos pre-neoliberals portessin els seus fills a veure-la com bojos. És una gran peli i una gran mostra d'intel·ligència per saltar-se la censura. Si vols un dia t'explico fil per randa en què baso aquesta teoria i et prometo que mai més veuràs Mary Poppins com l'havies vist fins ara. Open your eyes bro, open your eyes."
Para eu não ficar preocupado, o Uri termina o ditirambo com o PS "não estou louco". E tudo isso (já disse) para defender Walt Disney e Destino, não Mary Poppins (que, provavelmente, não terei a chance de rever, sorry bro), porque o link que ele mandou foi o do curta-metragem de Disney e Dalí. Curtam os gênios: (<-- sério.)
PS: Mais interessante para mim é que o Uri me informa que está reformando um pouco seu apartamento e instalando uma "follidutxa", "(...) d'aquestes amb chorros de massatge que donen moooooooolt de joc!". Follidutxa = folladucha = em português não fica bonito, seria chuveiro para tre###, mas acho que também não precisa de tradução, porque só vai poder ser curtida (a follidutxa) pelas amigas catalãs do Uri que possam estar lendo este blog e que estejam interessadas em a) meu irmão e b) os experimentos aquaginásticos (se bem que ele tem algumas amigas mineiras aí em BCN, o malvado).
PPS: Ready?
Saturday, December 03, 2011
Monday, November 28, 2011
O céu sobre os ombros
Não vi ainda, mas acho que é muito bom. A Camila também acha. Já está em cartaz.
Sunday, November 06, 2011
La piel que habito, de Pedro Almodóvar
Tá, vou dar minha opinião sobre o filme de Almodóvar, tentando não estragar a história a quem não o assistiu, sem me puxar muito (porque daqui a pouco começa o jogo do Espanyol, que quero ver) e sem nenhuma intenção de irritar meu irmão Uri (que, mesmo assim, talvez fique irritado). O filme não é uma obra mestra, mas é a obra de um mestre. Não é uma obra mestra, nem ganhará prêmios, porque é um filme de gênero: como filme de gênero (de suspense) é uma obra mestra (as poucas críticas positivas veem no filme uma reflexão sobre a identidade individual, ou a identidade sexual, etc., grandes conceitos: mas não, eu acho que é "só" uma história de suspense, ou terror psicológico). [Escrito dois dias depois, com o filme deixando pouso: ele é, sim, também, sobre a identidade individual e sexual.] Em Álmodovar eu confio, sempre; com ele eu me deixo levar onde ele quer. Por isso eu me senti angustiado, por isso esqueci que estava assistindo a um filme e esqueci, inclusive, que estava numa sala cinema. A amiga com quem assisti não conseguiu: talvez porque pensou demais, ou por querer se defender do que via, manteve uma distância, e na saída me disse: "isso [que a história conta] ainda não é possível" (esse "ainda" também me angustiou, hehe); entretanto, ela conseguiu pensar sobre o estar num outro corpo. Os críticos espanhóis não têm a boa fé da minha amiga, ou a minha: eles, simplesmente, não toleram, não suportam o sucesso internacional de seu conterrâneo, e parece que vão ao cinema não de olhos e mente abertos, senão com uma caderneta e uma caneta, prestes a anotar o primeiro erro que consigam enxergar.
O caso de Carlos Boyero, crítico de cinema do El País, é patológico. Ele tem fobia a Almodóvar, ou almodovaritis; talvez seja um homossexual não assumido, ou teve alguma experiência traumática na adolescência com algum travesti, sei lá. Em 2009 já escreveu (ou já fez, porque ele nem sabe escrever - desconfiem de qualquer crítico de cinema ou literário que não saiba escrever) uma crítica destrutiva de Los abrazos rotos. Almodóvar não dá mais bola, mas esse ano escreveu uma carta ao jornal lamentando que tivesse um crítico tão ruim; pedindo críticas cinematográficas não necessariamente positivas, é claro, mas sim inteligentes, razoadas, escritas sem preconceitos. (El País tinha o melhor crítico de cinema da Espanha, Ángel Fernández Santos, mas ele morreu; depois houve mudanças, colocaram um tal Borja Hermoso, muito inepto, como editor de Cultura, e esse Hermoso colocou seu amigo Boyero, outro inepto, como crítico.) Boyero não só tem preconceitos, quanto os expõe sem nenhum pudor no próprio texto. A crítica de La piel que habito começa assim: "En la estratégica, sofisticada y abrumadora campaña de promoción con la que Pedro Almodóvar arropa cada una de sus pretendidamente trascendentes películas, desde que surge el proyecto hasta su estreno comercial, sin prisas y sin pausas, administrando implacablemente el tipo de publicidad que necesita en cada momento su mimada criatura...". Mais adiante, escreve: "No he tenido oportunidad de revisar esta película desde que la padecí hace varios meses en la última edición de Cannes. Recurro por ello a la hastiada memoria". E finalmente se refere ao diretor com a expressão "este hombre" ("las últimas obras de este hombre"). Enfim, eles passarão, eu passarinho.
Antonio Banderas está perfeito em seu papel de cirurgião plástico, e Elena Anaya, como vítima, também. A crítica espanhola viu neles (especialmente, nele) inexpressividade, hieratismo, atuações ruins; a crítica norte-americana, mais inteligente, percebeu que "Mr. Banderas and Ms. Anaya are excellent, though neither has been directed to seduce like some of the director’s past memorable characters". É claro que não. Ele não vai seduzir ninguém: é um cirurgião louco, obsessivo; e ela também não, pois está sofrendo a pior tortura. A casa onde tudo acontece, uma mansão linda, decorada com obras de arte, com a mobília de que Almodóvar gosta, muito colorida e tal, é mais angustiante (OK, talvez eu me angustiei demais: a crítica do NYT fala em "an air of unease", "an unsettling vibe", algo mais leve que a angústia), por exemplo, do que o casarão gótico de Los Otros, de Amenábar, e isso só um mestre do cinema consegue (entretanto, o filme remete ao melhor Amenábar, o de Abre los ojos). Como também só um mestre consegue mexer com o espectador com um simples plano de umas mãos abrindo o envelope onde estão as luvas de látex de um cirurgião e colocando-as (não há cenas do cirurgião cortando em fatias a carne da mulher, não precisa). (O mais incrível que ele consegue eu não posso dizer sem entregar o filme - é muito sutil, está nos olhos e o movimento do corpo de Elena.) O Tigrinho, uma personagem (brasileira!) que aparece na primeira parte, é um fofo, um cara engraçado e, ao mesmo tempo... o mais violento da história. Há muitos tipos de violência no filme. Mas a história também tem momentos de humor, frases para rir ("quiere un coño!"; "es que la tiene muy grande"), cenas muito engraçadas (a dos vibradores) e até slapstick, necessários para o espectador não sufocar. E logo há frases daquelas típicas dos filmes de Almodóvar, que ficam ressoando enquanto a história é contada, dando-lhe um sentido ainda não desvelado (e que depois ficam para sempre na memória): em Todo sobre mi madre era aquele "Un tranvía llamado deseo ha marcado mi vida", dito por Cecilia Roth no início; aqui é "La has hecho demasiado parecida con ella", dito por Marisa Paredes quando o espectador ainda não sabe a quem esse "ella" se refere. O filme tem várias cenas inesquecíveis (eu vou lembrar deste filme, bem mais do que de Los abrazos rotos ou inclusive Volver), como a do estupro terrorífico da filha do cirurgião, ou essa da preparação da cirurgia que já contei, ou a cena final. O final é um happy end terrível (e com isso não estrago nada, porque quem já viu um happy end terrível?). Por último, mesmo para quem não goste de Almodóvar, ou para quem não se deixe levar pela história, o filme é uma aula de cinema: o diretor usa todos os recursos da arte, montagem, fotografia, música, saltos no tempo (com o tempo ele faz o que quer), etc. com uma naturalidade assombrosa. Os únicos defeitos que eu vi estão em algumas cenas em que o cirurgião fala, fora de sua mansão, com seus colegas, que são filmadas sem muita preocupação, com diálogos simples e uma fotografia que difere da do resto do filme; é uma pena, parece que Almodóvar não está nem aí para essas cenas, mas é que o interesse da história também não passa por elas.
PS: Ah, esqueci de dizer e é importante (surpreendente, eu diria): nos filmes de Almodóvar, e neste também, as personagens TRANSAM. Não como nos de quase todos os diretores do cinema atual, onde eles ficam um em cima do outro e só.
O caso de Carlos Boyero, crítico de cinema do El País, é patológico. Ele tem fobia a Almodóvar, ou almodovaritis; talvez seja um homossexual não assumido, ou teve alguma experiência traumática na adolescência com algum travesti, sei lá. Em 2009 já escreveu (ou já fez, porque ele nem sabe escrever - desconfiem de qualquer crítico de cinema ou literário que não saiba escrever) uma crítica destrutiva de Los abrazos rotos. Almodóvar não dá mais bola, mas esse ano escreveu uma carta ao jornal lamentando que tivesse um crítico tão ruim; pedindo críticas cinematográficas não necessariamente positivas, é claro, mas sim inteligentes, razoadas, escritas sem preconceitos. (El País tinha o melhor crítico de cinema da Espanha, Ángel Fernández Santos, mas ele morreu; depois houve mudanças, colocaram um tal Borja Hermoso, muito inepto, como editor de Cultura, e esse Hermoso colocou seu amigo Boyero, outro inepto, como crítico.) Boyero não só tem preconceitos, quanto os expõe sem nenhum pudor no próprio texto. A crítica de La piel que habito começa assim: "En la estratégica, sofisticada y abrumadora campaña de promoción con la que Pedro Almodóvar arropa cada una de sus pretendidamente trascendentes películas, desde que surge el proyecto hasta su estreno comercial, sin prisas y sin pausas, administrando implacablemente el tipo de publicidad que necesita en cada momento su mimada criatura...". Mais adiante, escreve: "No he tenido oportunidad de revisar esta película desde que la padecí hace varios meses en la última edición de Cannes. Recurro por ello a la hastiada memoria". E finalmente se refere ao diretor com a expressão "este hombre" ("las últimas obras de este hombre"). Enfim, eles passarão, eu passarinho.
Antonio Banderas está perfeito em seu papel de cirurgião plástico, e Elena Anaya, como vítima, também. A crítica espanhola viu neles (especialmente, nele) inexpressividade, hieratismo, atuações ruins; a crítica norte-americana, mais inteligente, percebeu que "Mr. Banderas and Ms. Anaya are excellent, though neither has been directed to seduce like some of the director’s past memorable characters". É claro que não. Ele não vai seduzir ninguém: é um cirurgião louco, obsessivo; e ela também não, pois está sofrendo a pior tortura. A casa onde tudo acontece, uma mansão linda, decorada com obras de arte, com a mobília de que Almodóvar gosta, muito colorida e tal, é mais angustiante (OK, talvez eu me angustiei demais: a crítica do NYT fala em "an air of unease", "an unsettling vibe", algo mais leve que a angústia), por exemplo, do que o casarão gótico de Los Otros, de Amenábar, e isso só um mestre do cinema consegue (entretanto, o filme remete ao melhor Amenábar, o de Abre los ojos). Como também só um mestre consegue mexer com o espectador com um simples plano de umas mãos abrindo o envelope onde estão as luvas de látex de um cirurgião e colocando-as (não há cenas do cirurgião cortando em fatias a carne da mulher, não precisa). (O mais incrível que ele consegue eu não posso dizer sem entregar o filme - é muito sutil, está nos olhos e o movimento do corpo de Elena.) O Tigrinho, uma personagem (brasileira!) que aparece na primeira parte, é um fofo, um cara engraçado e, ao mesmo tempo... o mais violento da história. Há muitos tipos de violência no filme. Mas a história também tem momentos de humor, frases para rir ("quiere un coño!"; "es que la tiene muy grande"), cenas muito engraçadas (a dos vibradores) e até slapstick, necessários para o espectador não sufocar. E logo há frases daquelas típicas dos filmes de Almodóvar, que ficam ressoando enquanto a história é contada, dando-lhe um sentido ainda não desvelado (e que depois ficam para sempre na memória): em Todo sobre mi madre era aquele "Un tranvía llamado deseo ha marcado mi vida", dito por Cecilia Roth no início; aqui é "La has hecho demasiado parecida con ella", dito por Marisa Paredes quando o espectador ainda não sabe a quem esse "ella" se refere. O filme tem várias cenas inesquecíveis (eu vou lembrar deste filme, bem mais do que de Los abrazos rotos ou inclusive Volver), como a do estupro terrorífico da filha do cirurgião, ou essa da preparação da cirurgia que já contei, ou a cena final. O final é um happy end terrível (e com isso não estrago nada, porque quem já viu um happy end terrível?). Por último, mesmo para quem não goste de Almodóvar, ou para quem não se deixe levar pela história, o filme é uma aula de cinema: o diretor usa todos os recursos da arte, montagem, fotografia, música, saltos no tempo (com o tempo ele faz o que quer), etc. com uma naturalidade assombrosa. Os únicos defeitos que eu vi estão em algumas cenas em que o cirurgião fala, fora de sua mansão, com seus colegas, que são filmadas sem muita preocupação, com diálogos simples e uma fotografia que difere da do resto do filme; é uma pena, parece que Almodóvar não está nem aí para essas cenas, mas é que o interesse da história também não passa por elas.
PS: Ah, esqueci de dizer e é importante (surpreendente, eu diria): nos filmes de Almodóvar, e neste também, as personagens TRANSAM. Não como nos de quase todos os diretores do cinema atual, onde eles ficam um em cima do outro e só.
Friday, November 04, 2011
Saturday, October 15, 2011
A Beautiful Prisoner
La piel que habito, New York Times Movie Review.
Para Uri. :p
Monday, September 26, 2011
True love will find you in the end, by Daniel Johnston
Essa é a música que estava procurando ontem. Está no filme Medianeras (não percam, isso eu já disse num post anterior, agora digo com mais propriedade, depois de assisti-lo :), é escutada e cantada pelos protagonistas, Mariana (Pilar López de Ayala, falando porteño e mais linda do que nunca) e Martín (o argentino Javier Drolas, ótimo); cantada pelos dois ao mesmo tempo, mas de diferentes lugares. A música é de Daniel Johnston, músico e artista plástico norte-americano, e as imagens do vídeo são do documentário sobre a vida dele, The Devil and Daniel Johnston, não de Medianeras.
Eu não sabia nada de Daniel Johnston, procurei na Wikipedia e achei o seguinte:
Daniel Dale Johnston (born January 22, 1961) is an American singer, songwriter, musician, and artist.
Johnston was the subject of the 2006 documentary The Devil and Daniel Johnston. He currently lives in Waller, Texas.
Johnston has been diagnosed with bipolar disorder, which has been a recurring problem throughout his life.
He began recording Beatles-inspired music in the late 1970s on a $59 Sanyo monaural Boombox, singing and playing piano and chord organ.
Johnston's musical work gained some notoriety when he moved to Austin, Texas. Johnston began to attract the attention of the local press and gain a following augmented in numbers by his habit of handing out tapes to people he met. Live performances were well-attended and hotly anticipated.
In 1988, Johnston visited New York City and recorded 1990 with producer Kramer at his Noise New York studio. It was released in 1990 on Kramer's Shimmy-Disc label. This was Johnston's first experience in a professional recording environment after a decade of releasing home-made cassette recordings. His mental health further deteriorated during the making of 1990.
Interest in Johnston increased when Kurt Cobain was frequently photographed wearing a T-shirt featuring the cover image of Johnston's album Hi, How Are You which music journalist Everett True gave him. In spite of Johnston being resident in a mental hospital at the time, a bidding war to sign him ensued. He refused to sign a multi-album deal with Elektra Records because Metallica was on the label's roster and he was convinced that they were possessed by Satan and would hurt him. He also dropped his manager who brokered the deal, because Johnston believed he too was possessed by Satan. Ultimately he signed with Atlantic Records and released Fun, produced by Paul Leary of Butthole Surfers in 1994.
In 1990, Johnston played at a music festival in Austin, Texas. On the way back to West Virginia on a small, private two-seater plane piloted by his father Bill, Johnston had a hypomanic episode believing he was Casper The Friendly Ghost and removed the key from the planes ignition and threw it out of the plane. His father, a former Air Force pilot, managed to successfully crash-land the plane, even though "there was nothing down there but trees". Although the plane was destroyed, Johnston and his father emerged with only minor injuries. As a result of this episode, Johnston was involuntarily committed to a mental hospital.
In 2004, he released The Late Great Daniel Johnston: Discovered Covered, a two-disc compilation. The first disc featured many artists, such as Tom Waits, Beck, TV on the Radio, Jad Fair, Eels, Bright Eyes, Calvin Johnson, Death Cab for Cutie, Sparklehorse, Mercury Rev and The Flaming Lips covering songs written by Johnston. The second disc featured Johnston's original recordings of the songs.
His artwork is shown in galleries such as in London's Aquarium Gallery and New York's Clementine Gallery, and both in the 2006 and the 2008 Liverpool Biennial. Currently his work is being exhibited as "The Museum of Love" at Verge Gallery in Sacramento, California.
Eu não sabia nada de Daniel Johnston, procurei na Wikipedia e achei o seguinte:
Daniel Dale Johnston (born January 22, 1961) is an American singer, songwriter, musician, and artist.
Johnston was the subject of the 2006 documentary The Devil and Daniel Johnston. He currently lives in Waller, Texas.
Johnston has been diagnosed with bipolar disorder, which has been a recurring problem throughout his life.
He began recording Beatles-inspired music in the late 1970s on a $59 Sanyo monaural Boombox, singing and playing piano and chord organ.
Johnston's musical work gained some notoriety when he moved to Austin, Texas. Johnston began to attract the attention of the local press and gain a following augmented in numbers by his habit of handing out tapes to people he met. Live performances were well-attended and hotly anticipated.
In 1988, Johnston visited New York City and recorded 1990 with producer Kramer at his Noise New York studio. It was released in 1990 on Kramer's Shimmy-Disc label. This was Johnston's first experience in a professional recording environment after a decade of releasing home-made cassette recordings. His mental health further deteriorated during the making of 1990.
Interest in Johnston increased when Kurt Cobain was frequently photographed wearing a T-shirt featuring the cover image of Johnston's album Hi, How Are You which music journalist Everett True gave him. In spite of Johnston being resident in a mental hospital at the time, a bidding war to sign him ensued. He refused to sign a multi-album deal with Elektra Records because Metallica was on the label's roster and he was convinced that they were possessed by Satan and would hurt him. He also dropped his manager who brokered the deal, because Johnston believed he too was possessed by Satan. Ultimately he signed with Atlantic Records and released Fun, produced by Paul Leary of Butthole Surfers in 1994.
In 1990, Johnston played at a music festival in Austin, Texas. On the way back to West Virginia on a small, private two-seater plane piloted by his father Bill, Johnston had a hypomanic episode believing he was Casper The Friendly Ghost and removed the key from the planes ignition and threw it out of the plane. His father, a former Air Force pilot, managed to successfully crash-land the plane, even though "there was nothing down there but trees". Although the plane was destroyed, Johnston and his father emerged with only minor injuries. As a result of this episode, Johnston was involuntarily committed to a mental hospital.
In 2004, he released The Late Great Daniel Johnston: Discovered Covered, a two-disc compilation. The first disc featured many artists, such as Tom Waits, Beck, TV on the Radio, Jad Fair, Eels, Bright Eyes, Calvin Johnson, Death Cab for Cutie, Sparklehorse, Mercury Rev and The Flaming Lips covering songs written by Johnston. The second disc featured Johnston's original recordings of the songs.
His artwork is shown in galleries such as in London's Aquarium Gallery and New York's Clementine Gallery, and both in the 2006 and the 2008 Liverpool Biennial. Currently his work is being exhibited as "The Museum of Love" at Verge Gallery in Sacramento, California.
Tuesday, September 06, 2011
Medianeras (Buenos Aires na era do amor virtual), de Gustavo Taretto
Não percam. Já está em sessões de pré-estreia no Moinhos e no Bourbon Country, acredito que logo estará em cartaz.
Este é o trailer, mas não é um trailer convencional, mais parece um trecho do filme, ou o início - não sei, ainda não assisti. Um trecho muitíssimo bom. (Melhor ver em tela cheia.)
Este é o trailer, mas não é um trailer convencional, mais parece um trecho do filme, ou o início - não sei, ainda não assisti. Um trecho muitíssimo bom. (Melhor ver em tela cheia.)
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