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Sunday, October 07, 2012

Friday, October 05, 2012

Um pouco de tietagem...

... no set de filmagem.

Só um pouco porque não tirei foto com a Fernanda, não quis atrapalhar.


Wednesday, August 29, 2012

Tom Zé no POA em Cena (o dia ainda é um mistério)

Segunda-feira comprei ingressos para cinco peças do POA em Cena. Agora só falta o Tom Zé. Disseram-me que ao longo da semana anunciariam a data e o lugar do show, mas, por enquanto, nada. Eu nem ouvi o novo CD, e por ter assistido a shows dele em Salvador e aqui em POA (na turnê daquele CD que, ele disse, "não tem nem uma palavra porque uma das respostas da juventude quando perguntaram sobre letra de música foi: 'não gostamos'"), pensei, tá bom, se não consigo ingressos não vou me estressar. Mas isso foi antes de ouvir "Tropicalea jacta Est", que é uma baita canção, estupenda, com participação da Mallu Magalhães (ela canta em outras músicas também). Não precisei ouvir mais, não vou deixar passar, estou atrás do ingresso – mesmo que aqui no Sul, ele contou naquele show, esta terra de opulência, ele cobre mais: eu pago.

Friday, August 24, 2012

Pingo à soja, de Vitor Ramil

Estou ouvindo muito, antes de dormir, Délibáb, de Vitor Ramil. Esta é a última música do CD, a letra é um poema de João da Cunha Vargas.

Saturday, June 30, 2012

Para os amigos quietos

(E para os não quietos também.)

Não estamos sós. Mas a batalha está perdida há muito tempo.

Da Zero Hora de hoje.



































O Sérgio declamando o texto. (Numa pausa
para dar uma tragada no cigarro apagado.) 








A Ângela escutando com atenção.
(Numa pausa para sair bem no retrato.)






















A palestra citada no artigo: Susan Cain no TED.




E um pouco de música.



Tuesday, June 19, 2012

Fotos diversas de Porto Alegre

Hoje vi que no blog havia um rascunho: estas fotos diversas.

















Um bom almoço chez Sérgio. 

Menina no terraço da Usina do Gasômetro.
















Céu do bairro da Floresta.
















Chez moi.
















As bruschettas do HI Porto Alegre.

Sobradinhos lindos no bairro da Floresta.





















No Café da Oca, no Bom Fim. (O cara estava com um moletom de Bedford Ave., Brooklyn.)
















A Bethesda Fountain do Central Park de Porto Alegre.
















Homens assistindo ao apaixonante jogo da bocha.
















Um periquito (acho) no bar onde eu às vezes tomava o café da manhã, no Centro.
















O largo em frente ao mercado e a Praça XV. (Tinha uma instalação, na última Bienal, que não era nada demais mas permitia subir até o topo do prédio da Prefeitura e ter essa vista.)

Tuesday, June 05, 2012

De novo a PUC (última vez)

Ontem meu projeto para dar uma oficina de escrita criativa na PUC (que eu nem sequer pedi, me foi proposto) foi vetado pela senhora professora doutora Maria Eunice Moreira, diretora da Faculdade de Letras; isto apesar dos esforços do Assis Brasil, amigo e orientador, e da Ana Mello, coordenadora da Fale, que me contou tudo, e mais, com lágrimas nos olhos.*

*Esqueci de deixar registro do cinismo ou desvergonha da diretora, cujo argumento foi: "Nesse horário essa sala está ocupada". A Ana Mello já pediu esse argumento por escrito.

Mais ou menos foi isso o que eu escrevi em mensagens ao Sérgio e à Marinella, que acompanharam o processo. Eles são dois dos meus melhores amigos aqui (se não os melhores, sem dúvida os mais presentes), e logo se disponibilizaram para falar comigo hoje. O Assis quer falar comigo também. Então, os outros amigos e pessoas queridas que leem este blog que não se preocupem, estou muito bem assistido. Também, o dano que a senhora Maria Eunice pode ter me causado (a mim, euzinho) é relativo, nada em comparação com o que já causou a pessoas importantes - essa mulher não para.

...

Hoje de manhã a Mara, querida, funcionária no hostel, me disse:

-Vou sentir saudade.
-Eu também.
-Tu é legal.
-Tu também.
-Tu é uma pessoa boa.
-É.

Lembrei-me, então, de uma coisa que a Ana Mello me disse ontem: "As pessoas são más, aqui dentro e em todo lugar, Roger". Ela me pediu para não desistir, mas eu estou cansado. (Parece que ontem mesmo, com o veto já decidido antes da reunião, o Assis repetiu à Ana Mello que eu era "um escritor brilhante" e por isso devia fazer o doutorado em Escrita. Não sei o que eu sou. Só não quero ser burro.)

Este blog vai continuar, com outro nome, virando talvez uma espécie de crônica da crise ou quebra da Europa, ou vai ficar por aqui (não sei). E das pessoas mais queridas já vou me despedir como eu desejo e elas merecem.


PS: Meus amigos, como sempre, dificultam a decisão de me mandar de vez para Barcelona. :( :) (:

Monday, May 28, 2012

Mais coisas loucas (A mulher do café)

Deveria estar começando a traduzir um livro que me enviaram de Barcelona. Ou começando a traduzir umas coisas lindas sobre jewelry que me pediu por favor a Maria (querida), afilhada do meu pai. Ou respondendo um e-mail da Cristina, que por fim curtiu o presente que lhe fizemos os amigos em janeiro (!), um fim de semana fora de Barcelona com o marido e sem a filha.

Mas antes queria postar mais uma(s) coisa(s) louca(s). Desta vez não se trata de algo que escutei de uma pessoa desconhecida. Ela é desconhecida, mas a Marinella e eu cada vez sabemos mais coisas dela, e as que não sabemos as intuímos ou, em última instância, inventamos. Não fosse a preguiça, já teríamos escrito a história dessa mulher misteriosa que encontramos sempre onde tomamos café nas quintas-feiras. Não vou dizer o nome do café. Às vezes nem me lembro desse nome (não é um nome comum) e digo por mensagem à Marinella "a tal horas no café da maluca", o que é injusto, porque a maluquice da mulher ainda não é clara - a referência é para que a Marinella não vá para outro lugar. A mulher é misteriosa, bela, de olhar absorto, calada, com origens (nós achamos) no Leste europeu. E, isso sim, vítima de rituais compulsivos que envolvem o café e os cigarros, mais não posso dizer. Bom, talvez em outros posts (um dia deixei a Marinella lá sentada e segui a mulher, feito um Pepe Carvalho; "me dá 15 min.", lhe disse; teria precisado de mais). O único que queria postar aqui é o seguinte. Quinta-feira passada havia um senhor sentado à mesa ao lado da dela. Coisa estranha, estabeleceu-se uma conversação. A Marinella estava atrasada (ela sabe quem é o senhor: alguém graúdo: silêncio), eu estava lendo umas coisas, sinto-me mal por não ter prestado atenção (a Marinella me encheu de perguntas que eu não soube responder). Mas uma frase eu ouvi com clareza, anotei-a inteirinha no celular, mostrei-a à Marinella com orgulho. A mulher disse, assim, do nada:

-Seria bom que os psiquiatras lessem mais literatura. Não literatura médica, não. Mais literatura tipo romances.

Pode parecer pouco, mas, para a nossa investigação, a frase é importante. Como deveria sê-lo para qualquer leitor. Pois não é uma maluquice qualquer. Não é, de fato, propriamente uma frase maluca. É uma frase interessante. Mais do que isso: a nosso ver, carrega uma certa verdade, uma forma de clarividência característica de algumas mentes insensatas. Enfim: uma frase a considerar.

Depois de proferi-la, a mulher falou alguma coisa sobre sexo livre. E foi por isso, basicamente, que a Marinella, quando chegou, não parou de fazer perguntas e ficou chateada comigo. Ela teria querido saber, com toda a razão, mais sobre as opiniões sobre sexo ou, quem sabe, sobre a própria vida sexual da mulher. Que disse (foi só o que eu ouvi):

-O sexo livre.
(O homem não disse nada; ou se assentiu, foi quase imperceptível.)
-... Mas não todo o mundo está preparado.

Sunday, May 13, 2012

Coisas loucas

Seguido escuto coisas engraçadas ou surpreendentes de pessoas que falam ao meu redor ou se dirigem a mim. Esta eu vou registrar.

HOMEM se levanta de sua mesa na calçada e se aproxima de mim:

Uma pergunta, já que tu é novo [sic]. A Isabel Allende... está viva ou está morta?

EU:

Está viva.

HOMEM, voltando à sua mesa, falando a uma mulher:

Está viva.

MULHER, olhando para o céu:

Ah, graças a Deus!

Thursday, May 10, 2012

Em resposta ao comment do Sérgio no post anterior

Sérgio, querido, podría escribir los versos más tristes esta noche, escribir, por ejemplo, el cielo está estrellado y bla bla bla. O los más alegres, como my mistress' eyes are nothing like the sun. Si este fuera un blog íntimo y personal, no me faltarían asuntos. Pero hay cosas buenas sobre las que no quiero escribir, amores incipientes, por ejemplo, y cosas menos buenas sobre las que debo callar, no voy a morder la mano que me da de comer, ensaios de teatro. Podría hablar de Laura, que me escribió después de tantos años, el infierno de Facebook se puede humanizar un poco, tiene esas cosas, o sobre lo que hizo Marinella el domingo por mí. Podría postar un cuento suyo, em que uma mulher suspira e diz: "por aí, pelo mundo", sem acreditar muito, como um dormir, talvez sonhar. O hablar de los libros que leí, pero a veces me cansa escribir, más ahora que escribo todo el día. Os capítulos do romance, poderia, mas o romance não cabe mais aqui. Anunciar uma palestra próxima, dia 31, Ivan Izquierdo, a quien le está permitido, y cómo no, mezclar ciencia y literatura, ou um show do Fito, no tan próximo, en que el pibe cantará lo de las margaritas em Madri. Hablar de España y de Europa me da tristeza, ni siquiera me alegra la victoria de Hollande, qué poco podemos hacer. Não fui ao cinema, não tenho filme para esculhambar. De Porto Alegre ya no sé qué decir, en esta puta ciudad, todo se incendia y se va?, sete são muitos anos. E o que tu vai fazer em Barcelona, disse a amiga, chateada. Não sei, querida. Encher de beijos minha sobrinha e meus pais, bota a culpa em Philip Roth. A Piauí está ficando ruim, vou reler Cortázar, então terei saudades de Paris. Outro dia num café, um cara de moletom: Bedford Ave., saudades também, mesmo sem ter sido feliz a última vez, mas meu narrador mora lá. Ontem no outro café, três velhos recitando, um Pessoa, outro Quintana, outro Drummond, todos os versos inexatos, achei bonito. No celular tenho fotos para postar, vistas da cidade acumuladas, talvez o faça. Falar bem disto e mal daquilo, ótimo, gostaria, pero no quiero crearme enemigos, ya me los creo cuando no aguanto más. Murió la profesora Remédios Ritzel, pero qué voy a decir, que la recordaré?, que no había nadie como ella en la facultad? Ana habría escrito un bello epitafio, no la conoció ni la conocerá. Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos bla bla. No sé lo que Clotilde est en train de faire, no escribí a Julia y a Jorge, nem à Bel.

Friday, April 27, 2012

Tuesday, March 20, 2012

Ficar em albergue é...

Ainda não saí e já estou com saudade do hostel. Como deve ser lindo ter um albergue - pensei hoje - e como deve ser triste. Pessoas queridas, por quem a gente se afeiçoa, logo vão embora e em geral não voltam mais. Depois de um mês, sinto um grande carinho pela Viviana, a Flávia, o Edilson e os outros empregados. O Edilson (um dos dois seguranças que se alternam às noites) me perguntou quanto custa e quanto demoraria em receber pelo correio uma camiseta do Espanyol. Ele sabe que Dátolo, agora no Inter, seu time, jogou no meu, assim como Costa, do Grêmio; sabe que Coutinho, selecionado pelo Brasil para a Olimpíada, está triunfando em Cornellà-El Prat (eu lhe disse que hoje fez mais um golaço).
-Quantas pessoas queridas tu não conheceu aqui, né? - ele vem de me perguntar agora, quando saí à calçada para fumar -. De todo o Brasil e do mundo.
-Muitas, quase todas. Só aquele **** era meio chato - eu disse (a nacionalidade não é difícil de adivinhar; por que tantos **** são assim?).
-Sim, ele era louco.
Senti-me muito querido pelas pessoas que trabalham aqui, que me tratam como se fosse da casa (isso é porque tu é como tu é, pensa bem, disse meu psicólogo); ajudaram-me em tudo, inclusive a procurar apartamento para alugar, e voltarei muitas vezes para vê-los e conversar. A bruschetteria, aberta ao público, começa a funcionar a semana que vem.

Hoje me deixou triste que o Ferras (o australiano, de origem palestina), fosse embora, para o Pantanal. 35 anos, aventureiro, interessado por tudo, bem-humorado, disposto a fazer rir qualquer um - em especial as gurias, comprovei estas últimas noites. Sem ele, por exemplo, o argentino Fernando e eu não teríamos sentado à mesa de três moças lindas e simpáticas, ontem, num restaurante da Cidade Baixa; nos divertido até altas horas. Sem ele, na sexta, Marta, a gaúcha italiana, não teria deixado suas amigas patricinhas no tedioso Dhomba e ido sambar com nós dois. Marta, a da beleza incomparável, "che fa tremar di chiaritate l'are", sambando se soltou ("como eu precisava disto!", disse), deixou de parecer um afresco para se tornar mais bela ainda, e real. Mas nem tudo foi noite e mulheres. Ontem à tarde, ele e o argentino (que hoje foi para Bento Gonçalves dar umas palestras sobre lógica computacional, seja isso o que for) me pediram para ir "naquele lugar onde se vê o pôr-do-sol"; eu voltava de um almoço com a Marinella e pretendia ler e descansar, mas fui passear com eles à beira do rio, antes de voltar para o Gasômetro e sentar na grama. Deu tempo até de jogar um pouco de basquete com um brasileiro que estava na quadra sozinho e - casualidade - morou em Sidney por dois anos e quer voltar lá para ficar. Meu inglês melhorou um monte (ontem fiz de tradutor simultâneo com essas três gurias); minha perna machucada, não - o médico pediu repouso, mas eu não quis perder a chance de fazer uns arremessos, muito menos de sambar. "Você é a gaúcha mais linda que eu já conheci. Não é cantada, é fato".

Todas essas pessoas, também o inglês Richard (sua história não cabe aqui, além de que não terminou, espero acompanhar a continuação, ele fica em POA), ou a Hellen, carioca que mora em Niterói, ou a nova empregada que a Viviana contratou, haitiana (numa janta a Viviana me contou uma parte de sua história, de seu inferno) me deixam seus e-mails e perfis no Facebook. Já andei pensando em voltar para esse mundo de amizades virtuais, para manter o contato, mas não o farei, seria absurdamente pouco em comparação com o vivido no mundinho real.

Wednesday, March 14, 2012

... E segue sendo muuuito bom (ficar em albergue)

Pena que já me restam poucos dias (mas vou para um lugar melhor). Aqui cada dia é festa, cada dia é carnaval. Estou sem tempo para contar as histórias que ouvi, falar nas pessoas que conheci ou estou conhecendo. A última, uma italiana. Bom, ela é gaúcha, mas está há cinco anos na Itália e pretende ficar lá. É de uma beleza inacreditável. (Um dos caras da recepção se cobre o rosto quando ela passa.) Hoje fomos comer pastéis e beber cerveja, com ela e uma amiga, quinta vamos dançar. E mais nada, é só para ser admirada (boa de conversa, também, e boa de risada). Já nem me preocupo com o português do blog, desculpem, está difícil, com todo esse pessoal estrangeiro. Hoje estou no quarto com um argentino e um australiano. O australiano me convidou para uma festa sexta, toca uma dj amiga dele. A festa não para.

Sunday, March 04, 2012

Ficar em albergue segue sendo muito bom

O HI de POA está bombando, lotou e agora é internacional mesmo. Além de cariocash (Hellen, muito querida), cearenses (Tarso-alguma coisa, nome difícil), paulistanas, etc., agora temos australianas, um francês, um alemão, um croata-porteño e mais. E, tirando que meu inglês está péssimo e meu francês pior (a gente acha que fala tal e tal idioma, porque um dia o/os falou e segue lendo-os, mas na hora de falar de novo vê como, sem prática, apodrecem), tirando isso, tudo é muito engraçado. Ontem ia sair de novo, ir para o Ocidente como sábado passado, quando fui sozinho e conheci a V. (eu, que, na noite, desde os tempos de Dublin, não conheci ninguém, ou ninguém que não fosse amiga ou amiga de amiga, e isso não é conhecer, conhece-se uma desconhecida), mas no fim não saí sozinho, fomos numa turminha. Eu disse "agora temos" porque já sou como da casa, tornei-me amigo até da dona, a Viviana (a mesma que me meteu bronca logo que cheguei, por fumar no quarto), que ontem também saiu, resolveu ir para a noite quando um grupo já havia se formado e me eleito guia e anfitrião (!). A boa é o Ocidente mesmo, pensei (com a V. me rondando a cabeça, mas também porque era um lugar que eles iam gostar); só que ontem era sexta. Imaginem o baita anfitrião, já numa mesinha (chegamos cedo), com a carioca e o cearense dando risada, olhando disfarçadamente para a Viviana: E agora como eu digo para este Je me suis trompé, hoje aqui é GLS!? Mas a noite, terminada no Opinião (que, quando não tem show, é uma chinelagem, como diz o P.), foi bem divertida. E sempre se aprendem coisas. A Viviana, além de dona daqui, é CEO da HI Brasil, esteve em albergues do mundo todo. Segundo ela, o melhor de Baires é o Florida. Sobre o Milhouse, tem a mesma opinião que eu, aliás parece que a rede trata o Milhouse como àquele filho que se perdeu. Um dos melhores que ela conheceu? O de Mendoza, Argentina. Os responsáveis de que na Argentina os quartos coletivos não sejam mais mistos (excetuando o Milhouse, que é uma orgia)?: as brasileiras. Os responsáveis da colocação em todos os quartos de espelhos de corpo inteiro?: as brasileiras, é claro. São só algumas das coisas que a Viviana me contou. Hoje íamos sair numa turma maior; mas a paulista disse que o Beto era uma creche, um cara que trabalha aqui disse que a Balonê, que hoje é no Ocidente, era para playboys, etc. (eu fiquei quieto); e nesse vamos não vamos acabamos ficando, bebendo cerveja e aprendendo coisas sobre the Great Barrier Reef.


PS: Tem esses colegas de quarto e albergue qui viennent et vont, mas as maiores alegrias destes dias vêm dos reencontros com os amigos e amigas gaúchos. E com meu orientador e a coordenadora da FALE. Vou ter que pensar no que escrevo a respeito disto em futuros posts. Que eles gostem tanto de mim como dizem e mostram não deveria mudar minha opinião geral, e atual, sobre a faculdade, acho. ... E agora vou dormir, que amanhã tem futebol com o Leo. Sonhar com a Ana (num próximo post, vai uma foto dela de quatro meses, estou demorando, o "aníver" foi dia 21): Ana, teu tio preferido está no Brasil, que é muito longe, e morre de saudade de ti.

Wednesday, February 22, 2012

Ficar em albergue é tudo de bom... (ou sobre universidades e outras baixarias)

... E se o albergue é novinho e/ou charmoso, ainda mais - este HI de Porto Alegre é novo, abriu em dezembro. E se o albergue esta numa zona, no caso, numa rua de prostitutas e travestis, pode ser muito engraçado. (Nota: Conheci mais pessoas em quatro dias aqui, de Curitiba, BH, São Paulo,... do que em anos no apart-hotel da Demétrio.) Ontem foi noite de cerveja e bate-papo na calçada, na porta do albergue (não tem botecos na São Carlos, nem na Farrapos/Gaspar Martins, na Cristóvão estava tudo fechado): conversa sobre as universidades brasileiras, sobre a Europa afundando, sobre os travestis. Com destaque para um cara de Brasilia, colega de quarto, muito inteligente e engraçado. Primeiro, quando soube o que aconteceu comigo na seleção ao doutorado, deu-me uma lição de como funcionam as coisas nas universidades do país (ele trabalha na UnB; fala com as inflexões de voz e a rapidez de um Renato Russo mas com um timbre agudo, como de criança). Não disse quase nada que eu não soubesse pelas pessoas com quem já falei. Tipo: projeto inovador, não passa; projeto ousado, ambicioso, complexo, etc., não pode (ou também, por exemplo: se na UnB o candidato não fala em Darcy Ribeiro, se ferrou). Falou sobre como funcionam as pós-graduações, usando muitos palavrões; sobre o sistema universitário brasileiro (mais xingamentos), sobre os professores (maaais xingamentos). Disse que ele recomendava aos alunos que se mandassem para outros lugares, como o Canadá, onde "os estudantes que se destacam são recebidos de pernas abertas". E contou o caso de uma moça de Brasília que ficou dois anos preparando seu projeto de doutorado, não foi aceita e tentou se suicidar.
-Agora você chorou, mas já aprendeu.
-Não chorei, mas aprendi.
Depois o assunto foi a Grécia, o euro, a crise que pode acabar com a UE, e ele falou, assim me pareceu, com mais conhecimento do que os economistas que escrevem nas páginas cor salmão do El País.
Enquanto isso, outro colega que tomava cerveja conosco, de São Paulo, foi investigar os travestis. Voltou com a informação de que uma, a que rebolava mais perto de nós, era curitibana, veio a Porto Alegre para se operar e ficou ("cobra 50, deve ser uma rapidinha"). Então apareceu (entre muitos outros carros: a demanda é grande) um carrão (não vou descrever o carro: é que em Barcelona, ir à procura de prostitutas na rua, ou, pior, travestis, não é coisa que se faça abertamente; lá o cara teria usado boina, óculos de sol e bigode postiço; por isso achei o diálogo surpreendente, fiquei pasmo; "aqui é o Brasil!", explicou o brasiliense cabeça). O carro para à nossa frente, o homem assoma a cabeça (um homem bem vestido e penteado; pai de família?):
-É aqui a rua dos travecos?
-É, tudo reto. Tá vendo?
E ele:
-Cê indica alguma?
(Como Cê indica alguma? Pensei: ele está zoando de nós???)
-Cê acha que a gente experimentou todas?!? Hahaha!
Eeenfim. Ele dirigiu mais uns metros e parou ao lado da curitibana, não estava zoando, queria mesmo uma recomendação. Uns 45 minutos mais tarde, passou de novo, fazendo OK. Nós já estávamos rindo de outro assunto - o assunto não era para rir, mas o clima era de festa. É que um taxista parou, estava exausto, pediu uma cerveja no albergue: uma argentina, contou, acabava de ter um ataque epiléptico no táxi, "um horror".
-E ela não pagou.
-Pagou sim!
Uma hora depois, volta a passar o carrão (ó cara insaciável).
-O que ele quer é comer vocês - disse o brasiliense.
Subi ao quarto, li por meia hora, desci para fumar o último cigarro, encontrei ele cantando, sentado no meio-fio, com o paulistano de pé, como fazendo de guarda-costas.

Nota: Não contei sobre o tipo que também esteve no quarto, sarado, safado, professor de musculação (isto é inexato, não quero problemas). Ele foi no Sofazão (não conheço esses lugares, faço constar) e me disse feliz que pagou 100 e comeu três.

Nota 2: Esse HI não é para putanheiros, OK? Esses colegas de ontem, e outros, são mochileiros, estão fazendo turismo (sim, é possível) em Porto Alegre. A questão seria se sua localização é a mais adequada.


PS: Caetano:
"Três travestis
três colibris de raça
deixam o país
e enchem París de graça"

Monday, February 20, 2012

Carnaval 2012 na cidade fantasma

Diálogo por sms:

-Como está de carnaval? O meu está pacato mas relaxante.

-Meu carnaval está triste, mas estou aguentando o tranco.

-Aguenta firme, que já está acabando. Carnaval é sempre assim, por isso que fujo.

Tuesday, December 20, 2011

Sobre a Faculdade de Letras da PUCRS, 2

Nota: Apaguei alguns trechos deste post porque tive a mais esclarecedora e linda conversa possível com a professora e coordenadora Ana Mello. Só sinto não tê-la tido meses atrás. Me refiro a uma segunda conversa, de hoje, dia 21. Na primeira, ontem, ela me disse, entre outras coisas, que meu projeto era "muito abrangente e requeria amplos conhecimentos de várias áreas". Como na letra de Tom Zé, parece que estejam me explicando para me confundir, me confundindo para me esclarecer. Algo assim devo estar fazendo eu, também, com quem lê o blog. Portanto, o assunto fica por aqui, não haverá mais posts - até porque não foi nada agradável escrever estes - e já vou escrever e-mails pessoais para explicar tudo um pouco melhor aos amigos e amigas.



Não costumo responder comentários anônimos - é esquisito não saber com quem se fala. Mas seu comentário ao post anterior, senhor ou senhora anonymous, pareceu-me inteligente, me fez pensar e achei que devia respondê-lo. (O outro comentário anônimo sei mais ou menos de quem é; não sei exatamente, não sou bom para adivinhar essas coisas, mas seu autor ou autora deve estar entre três ou quatro pessoas muito queridas que conheço.)

Não sei se meu ego precisa ser "amansado", como você diz. Nem sei como ele está, se alto demais ou baixo demais. Ele oscila muito, hehe. E uma "perda" ou um fracasso como esse, assim como a frustração e a raiva, poderiam (espero que possam) me servir para ir em frente com mais força, sim.

Também não tenho grandes objetivos acadêmicos (não vou me tornar um PhD triste, pode deixar). Queria fazer o doutorado para ganhar uma bolsa integral (sim, confesso), já que, sendo estrangeiro, é difícil encontrar um trabalho para me sustentar no Brasil; queria fazê-lo para, no futuro, ser professor, poder passar meus conhecimentos de literatura, e minha paixão pela literatura, aos alunos; e queria realmente realizar meu projeto, quem me conhece sabe como chegou a me empolgar. Não quero me sentir nenhum "Super Acadêmico" (Deus me livre) e não tinha certeza de ficar entre os primeiros na seleção, mas tinha essa esperança, sim, achei que tinha chances: além de pelo próprio projeto, por minha boa colocação e minha nota média no mestrado e por ser o único candidato que o escritor e professor Assis Brasil, que se afastou um pouco da PUCRS ao se tornar secretário de Cultura, quis orientar, empolgado com o projeto também. Por tudo isso, não estar entre os doze aprovados me deixou triste e confuso (meu ego sobe e desce, mas não virei burro de um dia para o outro). Mais uma vez para não comprometer ninguém: um professor da faculdade me disse, no mestrado: "Teu lugar não é na PUC". Mas eu queria que fosse.

Para deixar você menos triste, querido anônimo: ontem tomei café com uma amiga francesa, formada em história da arte em Paris e casada com um catedrático que dá aulas na França há trinta anos e ela me disse: "Na França é exatamente igual". Essa coisa "triste" e "ridícula" não é exclusiva da academia brasileira, é uma característica da academia em geral, um mundo fechado, estanque, conservador, muitas vezes dominado por professores medianos e seu instinto de auto-preservação (isso vale para muitos outros "mundos", eu sei). Então, não: não pretendo ir para a USP ou para os Estados Unidos como me pareceu estar sugerindo esse alguém da PUC, nem voltar para a Europa. Além do que, gosto demais do Brasil. Ubi bene ibi patria, diz o professor Assis.

Meu ego está "ferido", certo, pode-se dizer assim. Mas a ferida não é somente pessoal. Há um pouco de sangue quixotesco em minhas veias, no sentido de que gosto de "desfacer agravios, enderezar entuertos [y proteger doncellas :)]". Se as pessoas às que acontecem coisas como a que aconteceu agora comigo, ou que percebem como uma faculdade não é suficientemente boa, calam, como as coisas poderão melhorar? Havia alunos muito inteligentes no mestrado. Alguns colegas se indignavam tanto ou mais do que eu quando, por exemplo, uma professora dava aula sobre a vida de Nélida Piñon sem ter lido nunca um romance dela (é o único exemplo que darei, há muitos mais, pode acreditar). Alguns colegas se indignavam tanto ou mais do que eu quando alunos mais fracos (não culpados de nada, "they haven't had the advantages that you've had") apresentavam textos - textos que todos os outros alunos, supostamente, também tínhamos lido - limitando-se a ler trechos ou parafrasear, sem aportar nada de sua leitura pessoal, sem dar início a nenhuma discussão. Dos trabalhos destes vinte alunos, disse-me certa vez uma professora, só dois são publicáveis.

Nessa época do mestrado cheguei à conclusão de que deveria aguentar, ficar na minha, focar na dissertação. Afinal de contas, eu era (sou) formado numa boa universidade européia, eu era (sou) europeu; e como mais de um professor me disse, não devia exigir muito à universidade. Por que não? De novo: se ninguém exige mais, quando é que as coisas vão mudar? Mas depois soube que isso não era exato, eu não me sentia desapontado por ser europeu. Um bom amigo gaúcho, formado em filosofia na PUCRS, era muito mais crítico do que eu com respeito à sua faculdade, e uma amiga formada em psicologia também. Eles fizeram com que eu, o europeu, o catalão da Faculdade de Letras, me sentisse mais legitimado para criticar minha faculdade brasileira.

Se tivessem me dado a chance, eu teria gostado de fazer alguma coisa, não importa quão mínima, para que o nível da faculdade melhorasse. Acho que os alunos (os doze que foram aprovados para o doutorado, por exemplo) poderiam, deveriam fazê-lo. (Lembro-me agora de uma colega que estava triste porque sabia que escrevesse o que escrevesse, pesquisasse mais ou pesquisasse menos, teria sua dissertação aprovada: para que me puxar, dizia.) "O que acontece na PUCRS", você diz, anônimo, "é exatamente o que acontece em outras grandes universidades brasileiras e que a certa pessoa escreveu pra você. É triste. Mas é verdade, cara. Aliás, chega a ser ridículo". Mas a universidade vai se construindo, não tem porque permanecer como está, não tem porque ficar tudo igual.

Publiquem, diziam os professores mais graúdos nas reuniões dos alunos da pós-graduação: publiquem tudo, publiquem muito, qualquer coisa, e não esqueçam de colocar logo o que publicarem em seus currículos lattes. O objetivo era conseguir mais bolsas da Capes e do CNPq. Ao sair dessas reuniões, eu dizia aos amigos: mas por que "qualquer coisa", por que "muito"? O mais importante não é a qualidade do que se publica? Mais bolsas para fazer o quê?

Saturday, December 17, 2011

Sobre a Faculdade de Letras da PUCRS, 1

Aprovados Doutorado em Teoria da Literatura 2012 (Por ordem de classificação)

1.Camila Canali Doval
2.Alexandre Costi Pandolfo
3.Fernanda Borges Pinto
4.Milena Hoffmann Kunrath
5.Cátia Rosana Dias Goulart
6.Sara Hartmann
7.Giselle Molon Cecchini
8.Lilian Ramos da Silva
9.Aline Conceição Job da Silva
10.Adriana Emerin Borges
11.Joseane Camargo
12.Taiane Porto Basgalupp


A lista saiu ontem e eu não estou nela :( Nem bolsa integral, nem parcial, nem nada (nem sequer meu nome numa listinha de suplentes). Sinto raiva, frustração e tristeza. Já falei com uma das pessoas que acompanharam de perto a preparação de meu projeto. Quando tenha falado com as outras, vou postar suas opiniões aqui.

Por enquanto, escrevo algo que certa pessoa (não quero comprometer ninguém) me disse tempo atrás, de utilidade para alunos que pensem em fazer doutorado nessa faculdade: não dá para apresentar nenhum projeto cujo conteúdo possa estar acima da capacidade intelectual dos professores, porque isso os coloca numa posiçao desconfortável, os "ameaça"; para ser aceito é preciso "baixar o nível", fazer concessões, etc. Naquele momento, saber isso (que me foi confirmado por outras pessoas depois) me deixou triste, pois as universidades, na maioria de países, tendem a procurar a excelência (inclusive vão à procura de alunos estrangeiros, quando necessário), mas resolvi seguir, até certo ponto, esses conselhos. Pelo visto, estavam muito bem fundamentados; e, pelo visto, era para serem seguidos ao pé da letra.

Enfim, parabéns aos alunos medíocres que foram aprovados e parábens, sobretudo, aos não medíocres (tenho certeza de que há alguns - que eu conheça, a Camila, por exemplo).


PS: Obrigado à Anninha por me escutar neste momento difícil. (Te peço desculpas.)


PS2: "Eles passarão, eu passarinho", me escreveu a Bel: "Adiante! O romance!". :) Pois é, e no hay mal que por bien no venga, Bel, querida.

Sunday, December 11, 2011

Despedida em grande estilo

Assistindo, em Canoas, à peça Os náufragos da louca esperança, do Théâtre du Soleil, em companhia do Sérgio, o João, a Marinella e a Noemia. Com sarau posterior, em que o ator Maurice Durozier cantou até uma rumba catalana. :)