De que serve, quisera eu saber, mudar de apartamento,
deixar atrás um porão mais negro
do que minha reputação —o que é dizer muito—,
pôr cortininhas brancas
e contratar empregada,
renunciar à vida de boêmio,
se logo vens tu, seu chato,
embaraçoso hóspede, burro vestido com meus ternos,
zangão de colmeia, inútil, desprezável,
com tuas mãos lavadas,
comer no meu prato e sujar minha casa?
Acompanham-te os balcões dos bares
últimos da noite, os cafetões, as floristas,
as ruas mortas da madrugada
e os elevadores de luz amarela,
quando chegas, embriagado,
e paras para te olhar no espelho
a cara destruída,
com olhos ainda violentos
que não queres fechar. E se te escarneço,
ris, me lembras do passado
e dizes que envelheço.
Poderia recordar-te que já não tens graça.
Que teu estilo casual e que teu desenfado
resultam truculentos
quando se tem mais de trinta anos,
e que teu encantador
sorriso de garoto sonolento
—certo de gostar— é um resto,
um intento patético.
Enquanto tu me olhas com teus olhos
de verdadeiro órfão, e me choras
e me prometes não voltar a fazê-lo.
Se não fosses tão puta!
E se eu soubesse, já faz tempo,
que tu és forte quando eu sou débil
e és débil quando eu me enfureço...
De teus retornos guardo uma impressão confusa
de pânico, de pena e descontento,
e a desesperança
e a impaciência e o ressentimento
de voltar a sofrer, mais uma vez,
a humilhação imperdoável
da excessiva intimidade.
A duras penas te levarei à cama,
como quem vai ao inferno
para dormir contigo.
Morrendo em cada passo de impotência,
esbarrando em móveis
às cegas, atravessaremos a casa
lerdamente abraçados, cambaleando
de álcool e de soluços reprimidos.
Oh ignóbil servidão de amar seres humanos,
e a mais ignóbil
que é amar a si mesmo!
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
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Saturday, September 01, 2012
Tuesday, August 28, 2012
Traduções ao português 16 (Albada, de Jaime Gil de Biedma)
Acorde. A cama está mais fria
e os lençóis sujos no chão.
Pelas frestas da galeria,
chega o amanhecer,
cor de roupa de abrigo de outono
e liga de mulher.
Acorde pensando vagamente
que o porteiro de noite chamou por vocês.
E escute no silêncio: sucedendo-se
para o longe, ouvem-se enrouquecer
os bondes que levam ao trabalho.
É o amanhecer.
Irão amontoando-se as flores
cortadas, nos postos de Las Ramblas,
e assobiarão os pássaros – cabrones –
nos plátanos, enquanto estão a ver
a negra humanidade que vai à cama
depois do amanhecer.
Lembre-se do quarto em que dormiu.
Enterre a cabeça na almofada,
sentindo ainda a irritação e o frio
que dá o amanhecer
junto ao corpo que tanto gostávamos
ao adormecer,
e pense que deveria levantar.
Pense na casa ainda escura
onde entrará para trocar de terno,
e no escritório, com sono para vencer,
e em muitas outras coisas que se anunciam
desde o amanhecer.
Embora ao lado escute o sussurro
de outra respiração. Embora busque
o pouco calor entre suas coxas
meio dormido, que começa a estremecer.
Embora o amor não deixe de ser doce
feito ao amanhecer.
– Junto ao corpo que ontem eu gostava
tanto despido, deixe que acenda
a luz para lhe beijar cara a cara,
no amanhecer.
Porque conheço o dia que me espera,
e não pelo prazer.
e os lençóis sujos no chão.
Pelas frestas da galeria,
chega o amanhecer,
cor de roupa de abrigo de outono
e liga de mulher.
Acorde pensando vagamente
que o porteiro de noite chamou por vocês.
E escute no silêncio: sucedendo-se
para o longe, ouvem-se enrouquecer
os bondes que levam ao trabalho.
É o amanhecer.
Irão amontoando-se as flores
cortadas, nos postos de Las Ramblas,
e assobiarão os pássaros – cabrones –
nos plátanos, enquanto estão a ver
a negra humanidade que vai à cama
depois do amanhecer.
Lembre-se do quarto em que dormiu.
Enterre a cabeça na almofada,
sentindo ainda a irritação e o frio
que dá o amanhecer
junto ao corpo que tanto gostávamos
ao adormecer,
e pense que deveria levantar.
Pense na casa ainda escura
onde entrará para trocar de terno,
e no escritório, com sono para vencer,
e em muitas outras coisas que se anunciam
desde o amanhecer.
Embora ao lado escute o sussurro
de outra respiração. Embora busque
o pouco calor entre suas coxas
meio dormido, que começa a estremecer.
Embora o amor não deixe de ser doce
feito ao amanhecer.
– Junto ao corpo que ontem eu gostava
tanto despido, deixe que acenda
a luz para lhe beijar cara a cara,
no amanhecer.
Porque conheço o dia que me espera,
e não pelo prazer.
Sunday, July 15, 2012
Translate message (It works!)
Já experimentaram o tradutor do Gmail? Eu sempre fechava essa janelinha chata antes de ler qualquer e-mail. Para que ia querer uma tradução do catalão ou português para o inglês? Bem, imagino que deve ser usado para negócios, por pessoas que só falam inglês. Tanto faz. O caso é que, clicando no "translate", a tradução é imediata, bem feita e, quando errada,... ou muito engraçada ou melhor do que o original! Uma amiga me escreve: "ON THE ROAD. The film is strong. The book much better. I read the book two decades ago. Good trip". Adorei. Outro: "In Sanfermines great! That's entertainment. We were quieter than other years Eva was very tired the poor" (adorei o sumiço das vírgulas).
Fui testando com outras mensagens, enviadas e recebidas. Quanto melhor a pessoa escreve, me pareceu, melhor a tradução.
E, no fim, pensei em traduzir umas frases de meu romance, ver no que dava, de um trecho que escrevi e enviei para mim esta semana. Ficou MELHOR. Juro que não modifico nada (só vou riscar). É assim:
However, certainly, and though trained in the best universities in the country, they were insecure, trapped in some sort of fear or anxiety. Fear, perhaps, of disappointing themselves and others, as if forced to be even smarter, more beautiful still, also tougher. There was a lot of apprehension in their gestures,their olhars, their ways of talking and relating. I believe it was less for fun than to withstand the pressure that many of them gathered at parties in the rooms of the residence, parties that began in the afternoon, early, someone arranged for drugs and alcohol, or indulged, taking turns, in the arms of the few male students of the course, showing up in their rooms semi-naked.
Acho que vou "escrever" o romance em inglês.
Fui testando com outras mensagens, enviadas e recebidas. Quanto melhor a pessoa escreve, me pareceu, melhor a tradução.
E, no fim, pensei em traduzir umas frases de meu romance, ver no que dava, de um trecho que escrevi e enviei para mim esta semana. Ficou MELHOR. Juro que não modifico nada (só vou riscar). É assim:
However, certainly, and though trained in the best universities in the country, they were insecure, trapped in some sort of fear or anxiety. Fear, perhaps, of disappointing themselves and others, as if forced to be even smarter, more beautiful still, also tougher. There was a lot of apprehension in their gestures,
Acho que vou "escrever" o romance em inglês.
Sunday, September 04, 2011
Traduções ao português 15 (Transgresiones, de Mario Benedetti)
"Alimentar un gran blog em fa sentir una mica blogger", escreve o Uri, me enviando um link para um vídeo de Loquillo.
Não acho que este seja um grande blog (talvez um dia o foi). Mas aqui vai a música, com a tradução do poema de Benedetti.
Transgressões
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
Por exemplo inventar o bom amor
aprender nos corpos e em teu corpo
Ouvir a noite e não dizer amém
traçar cada um o mapa de sua audácia
Ainda que esqueçamos de esquecer
é certo que a lembrança nos esquece
Obedecer às cegas deixa cego
crescemos somente na ousadia
Só quando transgrido alguma ordem
o futuro se torna respirável
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
PS nada a ver: Corta pero buena: entrevista a Harold Bloom en El País de hoy.
Não acho que este seja um grande blog (talvez um dia o foi). Mas aqui vai a música, com a tradução do poema de Benedetti.
Transgressões
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
Por exemplo inventar o bom amor
aprender nos corpos e em teu corpo
Ouvir a noite e não dizer amém
traçar cada um o mapa de sua audácia
Ainda que esqueçamos de esquecer
é certo que a lembrança nos esquece
Obedecer às cegas deixa cego
crescemos somente na ousadia
Só quando transgrido alguma ordem
o futuro se torna respirável
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
PS nada a ver: Corta pero buena: entrevista a Harold Bloom en El País de hoy.
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Sunday, August 21, 2011
Traduccions de Brasil 63 (Namorados, de Manuel Bandeira)
(Retomo las traducciones del portugués al español o al catalán, que no hacía desde abril de 2010. Este poema lo encontré en un libro de Manuel Bandeira que Isabel tenía en casa, encima del televisor.)
Enamorados
El chico se acercó a la chica y le dijo:
-Antonia, aún no me acostumbro a tu cuerpo, a tu cara.
La chica miró al lado y esperó.
-Recuerdas cuando éramos niños y de repente veíamos una lagartija rayada?
Ella se acordaba:
-Nos quedábamos mirando...
La infancia jugó de nuevo en los ojos de Antonia.
El chico continuó, con mucha ternura:
-Antonia, pareces una lagartija rayada.
La chica abrió mucho los ojos, hizo exclamaciones.
El chico terminó:
-Antonia, eres muy divertida! Pareces loca.
PS: Otra de Kevin Johansen. (Hoy voy al concierto de Pato Fu, de la gira "Música de brinquedo". Habrá títeres también. :)
Enamorados
El chico se acercó a la chica y le dijo:
-Antonia, aún no me acostumbro a tu cuerpo, a tu cara.
La chica miró al lado y esperó.
-Recuerdas cuando éramos niños y de repente veíamos una lagartija rayada?
Ella se acordaba:
-Nos quedábamos mirando...
La infancia jugó de nuevo en los ojos de Antonia.
El chico continuó, con mucha ternura:
-Antonia, pareces una lagartija rayada.
La chica abrió mucho los ojos, hizo exclamaciones.
El chico terminó:
-Antonia, eres muy divertida! Pareces loca.
PS: Otra de Kevin Johansen. (Hoy voy al concierto de Pato Fu, de la gira "Música de brinquedo". Habrá títeres también. :)
Monday, February 07, 2011
Traduções ao português 14 (L'escola dels somiatruites, de Albert Plà)
Albert Plà é um desses personagens geniais, malucos e inclassificáveis, tipo Dalí, que aparecem de tempos em tempos na Catalunha e fazem com que sintamos saudade de um país menos chato que nunca existiu. A música seguinte, "L'escola dels somiatruites", não é das mais malucas dele; é das "bonitinhas" e poéticas. A ouvi pela primeira vez estes dias, no CD Concert a París, que Albert gravou junto com Joan Miquel Oliver. Comprei o CD para o Sérgio, na Fnac de L'Illa, em Barcelona, e três dias depois, antes de eu viajar, meu irmão Uri, sem saber, o comprou para mim. Ainda não há músicas do CD no youTube. A seguinte é a versão original, só de Albert. O título era "Somiatruites", sem "escola". Ser un somiatruites é uma expressão catalã sem tradução. Truita é omelete; um somiatruites é quem vive num contínuo devaneio, quem sonha acordado com coisas impossíveis. Em geral, se usa em sentido depreciativo. A edição do vídeo (linda) é de Sargantania.
L'escola dels somiatruites
Há uma escola perdida
lá no meio do Montseny
onde só estudam as crianças,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
É a escola dos somiatruites,
é a escola dos somiatruites,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
Há o Joan que sonhava
que sua cama ganhava asas
e à meia-noite decolava
e voava e voava e voava,
e a Lídia sonhava
que seu namorado era um lobo
e passavam as noites inteiras
ululando para a lua cheia,
faziam assim:
Auuuuuuu! Auuuuuuuu!
E a Fina sonhava
que respirava embaixo d'água
e nunca se afogava
e fazia uns brincos
com pérolas marinhas.
Ah! E, além do mais,
era amiga íntima dos golfinhos,
e os tubarões e os camarões.
E a Marta que sonhava
que a Terra era quadrada
e ia passar as férias
numa outra galáxia,
e o Fidel que sonhava
que jogava uma pedrada
ao rei da Espanha,
e o Gerard que sonhava
que era um gato que sonhava
que era o Gerard que sonhava.
E a Joana sonhava
que seu pai nunca a surrava,
e a Roser que sonhava
que sua mãe não a repreendia,
e a Cristina que ia
xino-xano* para a China
e falava em chinês da China
xin xinu chinês chau xing.
Xan chau xin choi xin choing...
E o Albert que sonhava e sonhava
e sonhava e sonhava e sonhava
e de tanto sonhar nunca acordava
e à escola, é claro, não se apresentava,
mas a sora nunca lhe dava falta
e ele sempre passava.
Porque o Albert estudar não estudava,
mas sonhar, caramba se sonhava!
Caramba essa sora, que simpática era!,
que sonhava que era uma criancinha
e cantava como uma cigana
nas noites de lua cheia.
Lailo lailo lailo lolai...
Há uma escola perdida
lá no meio do Montseny
onde só estudam as crianças,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
E o Ramon que sonhava
coisas tão estranhas
que é impossível explicar.
E, enfim, sobre as coisas que a Laura sonhava
é melhor não saber.
Até o zelador pintava escolas
sem muros, nem salas, nem grades, nem soras
nem besteiras dessas,
só janelas abertas
por onde faziam corridas os sonhos
dos meninos e meninas,
e enquanto isso a Fina nadava com sereias...
Glu, glu, glu, glu, glu...
*Anar xino-xano: andar devagar, sem pressa.
L'escola dels somiatruites
Há uma escola perdida
lá no meio do Montseny
onde só estudam as crianças,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
É a escola dos somiatruites,
é a escola dos somiatruites,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
Há o Joan que sonhava
que sua cama ganhava asas
e à meia-noite decolava
e voava e voava e voava,
e a Lídia sonhava
que seu namorado era um lobo
e passavam as noites inteiras
ululando para a lua cheia,
faziam assim:
Auuuuuuu! Auuuuuuuu!
E a Fina sonhava
que respirava embaixo d'água
e nunca se afogava
e fazia uns brincos
com pérolas marinhas.
Ah! E, além do mais,
era amiga íntima dos golfinhos,
e os tubarões e os camarões.
E a Marta que sonhava
que a Terra era quadrada
e ia passar as férias
numa outra galáxia,
e o Fidel que sonhava
que jogava uma pedrada
ao rei da Espanha,
e o Gerard que sonhava
que era um gato que sonhava
que era o Gerard que sonhava.
E a Joana sonhava
que seu pai nunca a surrava,
e a Roser que sonhava
que sua mãe não a repreendia,
e a Cristina que ia
xino-xano* para a China
e falava em chinês da China
xin xinu chinês chau xing.
Xan chau xin choi xin choing...
E o Albert que sonhava e sonhava
e sonhava e sonhava e sonhava
e de tanto sonhar nunca acordava
e à escola, é claro, não se apresentava,
mas a sora nunca lhe dava falta
e ele sempre passava.
Porque o Albert estudar não estudava,
mas sonhar, caramba se sonhava!
Caramba essa sora, que simpática era!,
que sonhava que era uma criancinha
e cantava como uma cigana
nas noites de lua cheia.
Lailo lailo lailo lolai...
Há uma escola perdida
lá no meio do Montseny
onde só estudam as crianças,
onde só estudam as crianças
que sonham com truites.
E o Ramon que sonhava
coisas tão estranhas
que é impossível explicar.
E, enfim, sobre as coisas que a Laura sonhava
é melhor não saber.
Até o zelador pintava escolas
sem muros, nem salas, nem grades, nem soras
nem besteiras dessas,
só janelas abertas
por onde faziam corridas os sonhos
dos meninos e meninas,
e enquanto isso a Fina nadava com sereias...
Glu, glu, glu, glu, glu...
*Anar xino-xano: andar devagar, sem pressa.
Sunday, December 05, 2010
Traduções ao português 13 (El sabor de la fresa, cuento zen)
Do livro Cincuenta cuentos Zen, da editora El Barquero, que eu ganhei da Gabriela (presente de conclusão de mestrado :). Tradução espanhola de María Tabuyo e A. López Tobajas.
O sabor do morango
Um homem que atravessava um bosque topou com um tigre. Fugiu, mas o tigre o perseguiu. Um precipício escassamente visível interrompeu sua corrida; esteve a ponto de cair, mas, no último momento, pôde agarrar-se à raiz de uma planta silvestre e ficou balançando no vazio. O tigre estava acima, farejando. Tremendo, o homem olhou para baixo, e viu outro tigre que esperava sua caída para devorá-lo. Só a planta o sustinha. Então, dois ratos, um branco e outro preto, começaram a mordiscar a raiz da planta.
O homem viu então um morango apetecível perto dele. Agarrando-se à planta com uma mão, pegou o morango com a outra. Estava tão bom!
PS nada a ver (e nada zen): Emerson!, ya tardas!!!
O sabor do morango
Um homem que atravessava um bosque topou com um tigre. Fugiu, mas o tigre o perseguiu. Um precipício escassamente visível interrompeu sua corrida; esteve a ponto de cair, mas, no último momento, pôde agarrar-se à raiz de uma planta silvestre e ficou balançando no vazio. O tigre estava acima, farejando. Tremendo, o homem olhou para baixo, e viu outro tigre que esperava sua caída para devorá-lo. Só a planta o sustinha. Então, dois ratos, um branco e outro preto, começaram a mordiscar a raiz da planta.
O homem viu então um morango apetecível perto dele. Agarrando-se à planta com uma mão, pegou o morango com a outra. Estava tão bom!
PS nada a ver (e nada zen): Emerson!, ya tardas!!!
Sunday, June 13, 2010
Traduções ao português 12 (Voir un ami pleurer, de Jacques Brel)
Ver um amigo chorar
(tradução livre)
Claro que há as guerras na Irlanda
E os povos que não cantam mais
Claro que há falta de ternura
Que aquela América sumiu
Claro, o dinheiro não tem cheiro
E esse cheiro sobe ao nariz
Claro que andamos sobre flores
Mas ver um amigo chorar!
Claro que estamos derrotados
Que a morte espera no final
Que os nossos corpos inclinados
Surpreendem-se de estar de pé
Claro, há mulheres que nos deixam
E pássaros que vão morrer
Claro que perdemos as asas
Mas ver um amigo chorar!
Claro que há as cidades gastas
Por crianças que não o são mais
Nossa impotência para ajudá-las
E o nosso amor que se desfaz
Claro que o tempo vai depressa
Que as pessoas se afogam nos trens
E que a verdade nos evita
Mas ver um amigo chorar!
Claro, os espelhos nos refletem
Nem a braveza de ser judeu
Nem a elegância de ser negro
Cremos ser reis, somos bufões
Esses homens são irmãos nossos
Tanto que não espanta ninguém
Que, por amor, nos dilacerem
Mas ver um amigo chorar!
Saturday, April 17, 2010
Traduccions de Brasil 62 (O nada, de Cidadão Instigado)
La nada
Abrid las puertas de vuestras casas
Dejad que entren los ladrones
Intentarán llevarse todo lo que puedan.
Y te sentirás cansado
Y también muy triste
Y te irás a caminar por ahí
Pensando en tus propios pasos
Fluctuantes
Con aquel deseo de desaparecer
Progresivamente.
E irás... irás
E irás... irás
Desapareciendo poco a poco
Y después volviendo a la realidad
Y a la nada.
Y así, cuando sepas seguro que ya no posees nada
Y ya no te pertenezca ni tu propio dolor
Quizá
En algún momento
Te libres de esos pensamientos
Y te sientas
Empezando
Renaciendo
Solitario
Vislumbrando
Un nuevo momento.
Por eso
Abrid las puertas de vuestras casas
Dejad que entren los ladrones
Intentarán llevarse todo lo que puedan.
Sunday, March 28, 2010
Traduccions de Brasil 61 (A emenda & O soneto, de Antonio Brasileiro)
Traduzo um dos poemas de Antonio Brasileiro que a amiga Ana Santos me enviou.
La enmienda y el soneto
1. El soneto
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
Y el cielo estará limpio como estaba.
2. La enmienda
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
No sólo acaba sino que no acaba.
La enmienda y el soneto
1. El soneto
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
Y el cielo estará limpio como estaba.
2. La enmienda
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
No sólo acaba sino que no acaba.
Saturday, March 06, 2010
Traduções ao português 11 (Running to Stand Still, de U2)
Ontem fiquei cantando esta canção, me veio à cabeça depois de muito tempo, mas eu lembrava bem. É uma música do lado B (ou a última do lado A?) do álbum The Joshua Tree (1987), de U2, e eu a escutei, com 15 anos (em 1990), quatro ou cinco vezes seguidas, numa aula de inglês em Dublin, onde passei três verões (três dos verões mais felizes de minha vida) "aprendendo" inglês (não era para aprender inglês que íamos). Depois não a escutei mais, não tocava nas rádios. (Só continuou tocando, até virar chata, de tão repetida, "With or Without You".)
Correr para não sair do lugar
Então ela acordou,
Acordou de onde estava, deitada quieta.
Disse, devo fazer alguma coisa
Sobre aonde estamos indo.
Subir num trem a vapor,
Sair da forte chuva, talvez,
Escapar da escuridão da noite.
Cantar ah, ah la la la de day
Ah la la la de day.
Doce o pecado, amargo o sabor em minha boca.
Vejo sete torres, mas só vejo uma saída.
Deves chorar sem pranto, falar sem palavras,
Gritar sem levantar a voz.
Sabes que tomei o veneno, da corrente de veneno
E então flutuei fora daqui, cantando
Ah la la la de day
Ah la la la de day.
Ela caminha pelas ruas
Com os olhos pintados de vermelho
Sob o estômago preto de uma nuvem, na chuva.
Atravessa uma porta
Me traz pérolas de ouro brancas
Roubadas do mar.
Está ansiosa,
Está ansiosa
E a tempestade explode em seus olhos.
Vai sofrer o arrepio da agulha.
Corre para não sair do lugar.
Thursday, February 04, 2010
Traduções ao português 10 (Cadillac Solitario, de Loquillo y Sabino Méndez)
Loquillo, 30 anos de rock'n'roll barcelonês.
Sempre quis partir para L. A.
deixar um dia esta cidade
cruzar o mar em tua companhia.
Mas já faz tempo que me deixaste,
e provavelmente terás me esquecido,
não sei que aventuras correrei sem ti.
E agora estou aqui sentado
num velho Cadillac segunda mão,
junto ao Mervellé, aos meus pés a cidade.
E agora há pouco tem me deixado,
aqui na ladeira do Tibidabo,
a última loira que veio provar
o assento de trás.
Talvez o Martini me fez recordar,
nena por que não voltaste a chamar?
achei que podia esquecer-te sem mais,
embora às vezes já vês.
E ao ir-se a loira senti-me estranho,
quedei-me sozinho, fumando um cigarro,
eu tenho pensado, nostalgia de ti.
E desde esta curva onde estou parado
tenho me encontrado olhando o teu bairro,
sentido amarrado às luzes da cidade.
O amanhecer me surpreenderá
dormido, bêbado no Cadillac,
sob as palmeiras brilha solitário.
E diz a gente que agora tu és formal
e eu aqui bêbado no Cadillac,
sob as palmeiras brilha solitário
e tu não estás.
Nena!
Sempre quis partir para L. A.
deixar um dia esta cidade
cruzar o mar em tua companhia.
Mas já faz tempo que me deixaste,
e provavelmente terás me esquecido,
não sei que aventuras correrei sem ti.
E agora estou aqui sentado
num velho Cadillac segunda mão,
junto ao Mervellé, aos meus pés a cidade.
E agora há pouco tem me deixado,
aqui na ladeira do Tibidabo,
a última loira que veio provar
o assento de trás.
Talvez o Martini me fez recordar,
nena por que não voltaste a chamar?
achei que podia esquecer-te sem mais,
embora às vezes já vês.
E ao ir-se a loira senti-me estranho,
quedei-me sozinho, fumando um cigarro,
eu tenho pensado, nostalgia de ti.
E desde esta curva onde estou parado
tenho me encontrado olhando o teu bairro,
sentido amarrado às luzes da cidade.
O amanhecer me surpreenderá
dormido, bêbado no Cadillac,
sob as palmeiras brilha solitário.
E diz a gente que agora tu és formal
e eu aqui bêbado no Cadillac,
sob as palmeiras brilha solitário
e tu não estás.
Nena!
Monday, January 11, 2010
Qui perd els origens perd (la) identitat
"Não sou brasileiro / Não sou estrangeiro / Eu não sou de nenhum lugar", canta Arnaldo Antunes. Sempre que volto a Barcelona ou a Porto Alegre, durante uma ou duas semanas me sinto assim, não pertencente a lugar nenhum. É um sentimento meio esquisito, e às vezes dá um pouco de medo, sobretudo ao pensar no longo prazo, no futuro.
(A Ana Kessler, também andarilha, me escreveu que não se sentir de nenhum lugar pode ser bom, equivaler a se sentir de qualquer lugar, de todos eles. Isso eu experimento se pego a mochila e vou para a estrada, mas nem tanto quando fico por seis meses no Brasil, por um em Barcelona, por outros seis no Brasil, etc. Dito de outro modo: ser um mochileiro tem tudo a ver com se sentir de todos os lugares, "do mundo"; porém, se instalar num lugar tendo nascido e crescido em outro, ou à inversa, voltar ao lugar onde a gente nasceu quando se está morando fora... não é sempre tão legal.)
Mas enfim: o que eu queria era comentar o verso de um poeta e músico (cantautor, a gente diz em catalão) bem famoso, Raimon. Um verso que por muitos anos tem sido (e continua sendo) repetido por políticos, personagens conhecidas e gente anônima que compartilham o mesmo sentimento nacionalista catalão. O verso diz: "qui perd els origens perd la identitat". Tradução (desnecessária, eu acho: como o catalão é fácil!): "quem perde as origens perde a identidade". O que acontece? Acontece que, sexta-feira passada, no programa de livros "L'hora del lector", da televisão pública catalã, o convidado foi o próprio Raimon. E em um momento da entrevista fez questão de corrigir esse verso que sempre lhe foi atribuído. Não porque não fosse dele, senão porque tem sido invariavelmente repetido com um pequeno erro; pequeno, ele disse, mas importante, porque muda o sentido da frase. O verso que ele escreveu é o seguinte: "qui perd els origens perd identitat" ("quem perde as origens perde identidade"). Ou seja, ele não escreveu o artigo "la". Quem perde as origens, ele disse no programa, não perde "a identidade": perde somente uma parte, porque a identidade não é feita exclusivamente do lugar (a cultura) de onde a pessoa é, onde a pessoa nasceu. A identidade é múltipla: construída por cada um de nós, imperceptivelmente, por meio das viagens feitas, dos lugares e das pessoas amadas, das experiências vividas, das línguas aprendidas, dos livros lidos, etc. (a lista seria muito longa).
Sendo assim - e no que me diz respeito -, Raimon, no programa, me deixou bem mais tranqüilo :p. Eu não perco a identidade por estar morando no Brasil, por falar e escrever em português, por fazer amigos num lugar a milhares de quilômetros de distância de Barcelona. Eu construo uma identidade nova. Sendo otimista, enriqueço-a. Não deixo de ser catalão, e, ao mesmo tempo, vou sendo muitas mais coisas.
Esta é a canção de Raimon, composta em 1975 (o "silêncio" é o silêncio dos muitos anos de ditadura franquista), com a tradução (literal). Raimon, valenciano, usa o catalão de València, diferente do catalão da Catalunya pelo sotaque e por alguns termos.
Eu venho de um silêncio
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo
de pessoas que se levantam
desde o fundo dos séculos,
de pessoas que são chamadas
de classes subalternas,
eu venho de um silêncio
antigo e muito longo.
Eu venho das praças
e das ruas cheias
de crianças que brincam
e velhos que esperam,
enquanto homens e mulheres
estão trabalhando
nas pequenas oficinas,
em casa ou no campo.
Eu venho de um silêncio
que não é resignado
de onde começa a horta
e termina o seco,
de esforço e blasfêmia
porque tudo vai mal:
quem perde as origens
perde identidade.
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo,
de pessoas sem místicos
nem grandes capitães,
que vivem e morrem
no anonimato,
que em frases solenes
nunca acreditaram.
Eu venho de uma luta
que é surda e constante,
eu venho de um silêncio
que a gente vai quebrar,
que agora quer ser livre
e que ama a vida,
que exige as coisas
que lhe foram negadas.
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo,
eu venho de um silêncio
que não é resignado,
eu venho de um silêncio
que a gente vai quebrar,
eu venho de uma luta
que é surda e constante.
(A Ana Kessler, também andarilha, me escreveu que não se sentir de nenhum lugar pode ser bom, equivaler a se sentir de qualquer lugar, de todos eles. Isso eu experimento se pego a mochila e vou para a estrada, mas nem tanto quando fico por seis meses no Brasil, por um em Barcelona, por outros seis no Brasil, etc. Dito de outro modo: ser um mochileiro tem tudo a ver com se sentir de todos os lugares, "do mundo"; porém, se instalar num lugar tendo nascido e crescido em outro, ou à inversa, voltar ao lugar onde a gente nasceu quando se está morando fora... não é sempre tão legal.)
Mas enfim: o que eu queria era comentar o verso de um poeta e músico (cantautor, a gente diz em catalão) bem famoso, Raimon. Um verso que por muitos anos tem sido (e continua sendo) repetido por políticos, personagens conhecidas e gente anônima que compartilham o mesmo sentimento nacionalista catalão. O verso diz: "qui perd els origens perd la identitat". Tradução (desnecessária, eu acho: como o catalão é fácil!): "quem perde as origens perde a identidade". O que acontece? Acontece que, sexta-feira passada, no programa de livros "L'hora del lector", da televisão pública catalã, o convidado foi o próprio Raimon. E em um momento da entrevista fez questão de corrigir esse verso que sempre lhe foi atribuído. Não porque não fosse dele, senão porque tem sido invariavelmente repetido com um pequeno erro; pequeno, ele disse, mas importante, porque muda o sentido da frase. O verso que ele escreveu é o seguinte: "qui perd els origens perd identitat" ("quem perde as origens perde identidade"). Ou seja, ele não escreveu o artigo "la". Quem perde as origens, ele disse no programa, não perde "a identidade": perde somente uma parte, porque a identidade não é feita exclusivamente do lugar (a cultura) de onde a pessoa é, onde a pessoa nasceu. A identidade é múltipla: construída por cada um de nós, imperceptivelmente, por meio das viagens feitas, dos lugares e das pessoas amadas, das experiências vividas, das línguas aprendidas, dos livros lidos, etc. (a lista seria muito longa).
Sendo assim - e no que me diz respeito -, Raimon, no programa, me deixou bem mais tranqüilo :p. Eu não perco a identidade por estar morando no Brasil, por falar e escrever em português, por fazer amigos num lugar a milhares de quilômetros de distância de Barcelona. Eu construo uma identidade nova. Sendo otimista, enriqueço-a. Não deixo de ser catalão, e, ao mesmo tempo, vou sendo muitas mais coisas.
Esta é a canção de Raimon, composta em 1975 (o "silêncio" é o silêncio dos muitos anos de ditadura franquista), com a tradução (literal). Raimon, valenciano, usa o catalão de València, diferente do catalão da Catalunya pelo sotaque e por alguns termos.
Eu venho de um silêncio
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo
de pessoas que se levantam
desde o fundo dos séculos,
de pessoas que são chamadas
de classes subalternas,
eu venho de um silêncio
antigo e muito longo.
Eu venho das praças
e das ruas cheias
de crianças que brincam
e velhos que esperam,
enquanto homens e mulheres
estão trabalhando
nas pequenas oficinas,
em casa ou no campo.
Eu venho de um silêncio
que não é resignado
de onde começa a horta
e termina o seco,
de esforço e blasfêmia
porque tudo vai mal:
quem perde as origens
perde identidade.
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo,
de pessoas sem místicos
nem grandes capitães,
que vivem e morrem
no anonimato,
que em frases solenes
nunca acreditaram.
Eu venho de uma luta
que é surda e constante,
eu venho de um silêncio
que a gente vai quebrar,
que agora quer ser livre
e que ama a vida,
que exige as coisas
que lhe foram negadas.
Eu venho de um silêncio
antigo e muito longo,
eu venho de um silêncio
que não é resignado,
eu venho de um silêncio
que a gente vai quebrar,
eu venho de uma luta
que é surda e constante.
Saturday, December 12, 2009
Traduções ao português 9 (Cada una de tus cosas, de Andrés Calamaro)
Cada uma de suas coisas
Olhando o rio lhe escrevi
Enquanto lhe esperava,
Com o peitinho inquieto e alegre,
E um andar de não ser de aqui.
De aqui não me movi, de sua vertigem minha,
De seu sorriso vertical, que misteriosa é uma rosa de Hiroshima
E a rumba que há.
A rumba se ri, não sabe se é rumba,
Será um momento só,
De eternidade, de esses que me dá.
Todos os dias, todos os segundos,
Infinitamente, a alegria de viver,
O sentido que dá a vida viver contigo.
No céu, no chão, em cada uma de suas coisas,
No céu, no chão, em cada uma de suas coisas.
Wednesday, November 25, 2009
Traduções ao português 8 (First of the Gang to Die, de Morrissey)
Comprei You are the Quarry, de Morrisey, pensando que era o último álbum dele. (Não é, é de 2004.)
Para a Rose (a melhor música do CD, eu acho), que costumava dançar The Smiths com a mãe, enquanto faziam faxina em casa aos sábados.
Você nunca esteve apaixonado
até que viu as estrelas
refletidas na represa
e você nunca esteve apaixonado
até que viu o sol nascer
atrás da Casa para os Cegos
Somos os Lindos Ladrões Mesquinhos
e você está em nossas ruas
onde Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro da gangue que morreu / oh meu
Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro da gangue que morreu / oh meu
Você nunca esteve apaixonado
até ter visto a luz do sol bater
sobre ossos humanos esmagados
Somos os Lindos Ladrões Mesquinhos
e você está em nossas ruas
onde Hector foi o primeiro da gangue
como uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro do gangue que morreu
oh garoto maluco
Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e uma bala no pescoço
o primeiro Garoto Perdido sob o chão
E ele roubava dos ricos e dos pobres
e dos não muito ricos
e dos muito pobres
e roubou todos os corações
Para a Rose (a melhor música do CD, eu acho), que costumava dançar The Smiths com a mãe, enquanto faziam faxina em casa aos sábados.
Você nunca esteve apaixonado
até que viu as estrelas
refletidas na represa
e você nunca esteve apaixonado
até que viu o sol nascer
atrás da Casa para os Cegos
Somos os Lindos Ladrões Mesquinhos
e você está em nossas ruas
onde Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro da gangue que morreu / oh meu
Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro da gangue que morreu / oh meu
Você nunca esteve apaixonado
até ter visto a luz do sol bater
sobre ossos humanos esmagados
Somos os Lindos Ladrões Mesquinhos
e você está em nossas ruas
onde Hector foi o primeiro da gangue
como uma pistola na mão
e o primeiro em servir na prisão
o primeiro do gangue que morreu
oh garoto maluco
Hector foi o primeiro da gangue
com uma pistola na mão
e uma bala no pescoço
o primeiro Garoto Perdido sob o chão
E ele roubava dos ricos e dos pobres
e dos não muito ricos
e dos muito pobres
e roubou todos os corações
Friday, November 06, 2009
Traduccions de Brasil 60 (A casa é sua, de Arnaldo Antunes e Ortinho)
Saudades do Ronaldo e da Rose, cujas "casas" estão sempre abertas. (E que amam o Arnaldo tanto quanto eu.)
La casa es tuya
No me faltan sillas
No me falta sofá
Sólo me faltas tú sentada en la sala
Sólo me falta verte llegar
No me faltan paredes
Y en ellas la puerta para que puedas entrar
No me faltan alfombras
Para que tus pies las puedan pisar
No me falta cama
Sólo me falta que te vengas a echar
No me falta el sol de mañana
Sólo me falta verte despertar
Que las ventanas se abran para mí
Y el viento juegue en el patio de atrás
Acariciando las flores del jardín
Meciendo la ropa a secar
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
No me falta baño, cuarto,
lámpara, sala de estar,
No me falta cocina
Sólo me falta oír el timbre tocar
No me falta un perro
Ululando porque tú no estás
Parece que esté pidiendo socorro
Como todo aquí en este lugar
No me falta casa
Sólo falta que sea un hogar
No me falta el tiempo que pasa
Pero ya no puedo esperar
Para que los pájaros vuelvan a cantar
Y la nube dibuje un corazón atravesado
Para el suelo volver a su lugar
Y la lluvia repiquetear en el tejado
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
La casa es tuya
No me faltan sillas
No me falta sofá
Sólo me faltas tú sentada en la sala
Sólo me falta verte llegar
No me faltan paredes
Y en ellas la puerta para que puedas entrar
No me faltan alfombras
Para que tus pies las puedan pisar
No me falta cama
Sólo me falta que te vengas a echar
No me falta el sol de mañana
Sólo me falta verte despertar
Que las ventanas se abran para mí
Y el viento juegue en el patio de atrás
Acariciando las flores del jardín
Meciendo la ropa a secar
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
No me falta baño, cuarto,
lámpara, sala de estar,
No me falta cocina
Sólo me falta oír el timbre tocar
No me falta un perro
Ululando porque tú no estás
Parece que esté pidiendo socorro
Como todo aquí en este lugar
No me falta casa
Sólo falta que sea un hogar
No me falta el tiempo que pasa
Pero ya no puedo esperar
Para que los pájaros vuelvan a cantar
Y la nube dibuje un corazón atravesado
Para el suelo volver a su lugar
Y la lluvia repiquetear en el tejado
La casa es tuya
Por qué no vienes ahora?
Hasta el techo está de cabeza baja porque te añora
La casa es tuya
Por qué no corres?
Ni el clavo aguanta ya el peso de los relojes
Saturday, October 31, 2009
La lengua popular
Oba! Oba! Tô feliz! Ganhei da Ana e o Leo o álbum* do Calamaro!!! Obrigadão-ão-ão!

Os caras
Se tu tens que ir lá para cima antes de mim
Porque existe a vida eterna
Leva em meu nome um cucumelo
Por se não chove no céu
E em nome dos 22
Dá ele ao cara, cuartetero,
E dá um longo abraço
Aos meus amigos que se foram primeiro
Também leva alguma das nossas canções
Que vão causar grande posteridade
Suponho que haverá uma cidade inteira
E me serve de consolo se me esperas lá
Muitos amigos se foram antes de mim
E me deixaram só, por isso se no inverno faz frio
Também desço ao inferno um pouco
Suponho que ninguém se vai totalmente
Espero que exista algum lugar
Onde os caras escutem minhas canções
Mesmo que eu não os escute opinar
Pega uma lista dos meus amigos
Quero lhes convencer de voltarem comigo
Se não vão esperar muito, e faz muito
Que os quero ver
*Ilustrado por Liniers!
Os caras
Se tu tens que ir lá para cima antes de mim
Porque existe a vida eterna
Leva em meu nome um cucumelo
Por se não chove no céu
E em nome dos 22
Dá ele ao cara, cuartetero,
E dá um longo abraço
Aos meus amigos que se foram primeiro
Também leva alguma das nossas canções
Que vão causar grande posteridade
Suponho que haverá uma cidade inteira
E me serve de consolo se me esperas lá
Muitos amigos se foram antes de mim
E me deixaram só, por isso se no inverno faz frio
Também desço ao inferno um pouco
Suponho que ninguém se vai totalmente
Espero que exista algum lugar
Onde os caras escutem minhas canções
Mesmo que eu não os escute opinar
Pega uma lista dos meus amigos
Quero lhes convencer de voltarem comigo
Se não vão esperar muito, e faz muito
Que os quero ver
*Ilustrado por Liniers!
Saturday, October 17, 2009
Traduccions de Brasil 59 (L'âge d'or, de Legião Urbana)
Aprendí a esperar, pero no tengo certeza
Ahora que estoy bien, tan poca cosa me interesa
Contra mi voluntad soy tozudo, sincero
E insisto en tener voluntad propia
Si la suerte un día fue ajena a mi sustento
No hubo armonía entre acción y pensamiento
¿Cómo te llamas? ¿Cuál es tu signo?
Me gusta tu cuerpo, tu rostro es bonito
¿Cuál es tu arcano? ¿Tu piedra preciosa?
Es conmovedor que creas en esas cosas
Busqué varias salidas, de heroína a Jesús
Por vanidad hice todo lo que hice
Jesús fue traicionado con un beso
David tuvo un gran amigo
Y ya no sé si sólo es cuestión de suerte
Vi una serpiente entrando en el jardín
Puede que sea verdad esta vez
Mi tobillo escuece, por culpa de un mosquito
Me mojé los cabellos, me siento tan limpio
No hay belleza en la miseria
Ni hay nada que hacer por aquí
Probaremos otro camino
Estamos en peligro, y lo que aún no entiendo
Es que todo tiene sentido
Y ya no sé si sólo es cuestión de suerte
Ya no sé, ya no sé, ya no sé...
Oh, oh
Ahí vienen los gigantes de mármol
Con anzuelos en la palma de la mano
¿No es bello todo y cualquier misterio?
El mayor secreto es no haber misterio alguno
Thursday, October 15, 2009
Traduccions de Brasil 58 (Idade do Céu, de J. Drexler e P. Moska)
(Continuo apático - por isso não escrevo, nem sequer no blog. Ontem à noite, em vez de ler, fiquei ouvindo o CD de Simone e Zélia Duncan, Amigo é casa, bem baixinho. Quase todas as músicas parecem canções de ninar. Mas são tão bonitinhas que ouvi o CD até o final.)
No somos más
Que una gota de luz
Una estrella que cae
Una centella tan sólo
En la edad del cielo...
No somos lo
Que queríamos ser
Somos un breve pulsar
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que un puñado de mar
Una broma de Dios
Un capricho del sol
En el jardín del cielo...
No hacemos pie
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos un grano de sal
En el mar del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo
La misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que una gota de luz
Una estrella que cae
Una centella tan sólo
En la edad del cielo...
No somos lo
Que queríamos ser
Somos un breve pulsar
En un silencio antiguo
Con la edad del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo...
No somos más
Que un puñado de mar
Una broma de Dios
Un capricho del sol
En el jardín del cielo...
No hacemos pie
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos un grano de sal
En el mar del cielo...
Calma!
Todo está en calma
Deja que el beso dure
Deja que el tiempo cure
Deja que el alma
Tenga la misma edad
Que la edad del cielo
La misma edad
Que la edad del cielo...
Tuesday, June 30, 2009
Um irmão em busca de si, parte 3
Lo que más lamento es no haber escrito diarios de mis viajes. Nunca pensé tanto, nunca viví tanto, existí tanto, fui tanto yo mismo, si se puede decir así, como en esos viajes que hice solo y a pie. Ir a pie tiene algo que anima y aviva las ideas. Casi no puedo pensar cuando estoy inmóvil. Es necesario que mi cuerpo se mueva para que mi espíritu lo haga. La vista del campo, la sucesión de aspectos agradables, el aire libre, el gran apetito, la buena salud que adquiero al caminar, la libertad de los albergues, el alejamiento de todo lo que me hace sentir dependiente, de todo lo que me recuerda mi situación, todo eso me desembaraza el alma, me da una mayor audacia de pensar, me pone de un cierto modo dentro de la inmensidad de los seres para combinarlos, escogerlos, apropiarme de ellos a mi voluntad, sin incomodidades y sin recelos. Dispongo, como señor, de la naturaleza entera. Mi corazón, errando de cosa en cosa, se une, se identifica con lo que le agrada, se envuelve de imágenes encantadoras, se embriaga con sentimientos deliciosos.
Uri ya debe de estar llegando a Santiago pero no ha vuelto a escribir. Tal vez tenga llagas también en las manos, de tanto masajear piernas peregrinas. O a lo mejor está tan iluminado, después de tantos días de camino, que no puede expresarse con palabras (el viaje, al fin y al cabo, él lo dijo, es interior). Así que, para continuar la serie de posts sobre la búsqueda de sí, aprovecho para compartir otro fragmento de Rousseau, que escribe mejor que mi hermano (Confissões, Livro quarto). Esta vez en castellano.
Uri ya debe de estar llegando a Santiago pero no ha vuelto a escribir. Tal vez tenga llagas también en las manos, de tanto masajear piernas peregrinas. O a lo mejor está tan iluminado, después de tantos días de camino, que no puede expresarse con palabras (el viaje, al fin y al cabo, él lo dijo, es interior). Así que, para continuar la serie de posts sobre la búsqueda de sí, aprovecho para compartir otro fragmento de Rousseau, que escribe mejor que mi hermano (Confissões, Livro quarto). Esta vez en castellano.
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