De que serve, quisera eu saber, mudar de apartamento,
deixar atrás um porão mais negro
do que minha reputação —o que é dizer muito—,
pôr cortininhas brancas
e contratar empregada,
renunciar à vida de boêmio,
se logo vens tu, seu chato,
embaraçoso hóspede, burro vestido com meus ternos,
zangão de colmeia, inútil, desprezável,
com tuas mãos lavadas,
comer no meu prato e sujar minha casa?
Acompanham-te os balcões dos bares
últimos da noite, os cafetões, as floristas,
as ruas mortas da madrugada
e os elevadores de luz amarela,
quando chegas, embriagado,
e paras para te olhar no espelho
a cara destruída,
com olhos ainda violentos
que não queres fechar. E se te escarneço,
ris, me lembras do passado
e dizes que envelheço.
Poderia recordar-te que já não tens graça.
Que teu estilo casual e que teu desenfado
resultam truculentos
quando se tem mais de trinta anos,
e que teu encantador
sorriso de garoto sonolento
—certo de gostar— é um resto,
um intento patético.
Enquanto tu me olhas com teus olhos
de verdadeiro órfão, e me choras
e me prometes não voltar a fazê-lo.
Se não fosses tão puta!
E se eu soubesse, já faz tempo,
que tu és forte quando eu sou débil
e és débil quando eu me enfureço...
De teus retornos guardo uma impressão confusa
de pânico, de pena e descontento,
e a desesperança
e a impaciência e o ressentimento
de voltar a sofrer, mais uma vez,
a humilhação imperdoável
da excessiva intimidade.
A duras penas te levarei à cama,
como quem vai ao inferno
para dormir contigo.
Morrendo em cada passo de impotência,
esbarrando em móveis
às cegas, atravessaremos a casa
lerdamente abraçados, cambaleando
de álcool e de soluços reprimidos.
Oh ignóbil servidão de amar seres humanos,
e a mais ignóbil
que é amar a si mesmo!
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
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Saturday, September 01, 2012
Tuesday, August 28, 2012
Traduções ao português 16 (Albada, de Jaime Gil de Biedma)
Acorde. A cama está mais fria
e os lençóis sujos no chão.
Pelas frestas da galeria,
chega o amanhecer,
cor de roupa de abrigo de outono
e liga de mulher.
Acorde pensando vagamente
que o porteiro de noite chamou por vocês.
E escute no silêncio: sucedendo-se
para o longe, ouvem-se enrouquecer
os bondes que levam ao trabalho.
É o amanhecer.
Irão amontoando-se as flores
cortadas, nos postos de Las Ramblas,
e assobiarão os pássaros – cabrones –
nos plátanos, enquanto estão a ver
a negra humanidade que vai à cama
depois do amanhecer.
Lembre-se do quarto em que dormiu.
Enterre a cabeça na almofada,
sentindo ainda a irritação e o frio
que dá o amanhecer
junto ao corpo que tanto gostávamos
ao adormecer,
e pense que deveria levantar.
Pense na casa ainda escura
onde entrará para trocar de terno,
e no escritório, com sono para vencer,
e em muitas outras coisas que se anunciam
desde o amanhecer.
Embora ao lado escute o sussurro
de outra respiração. Embora busque
o pouco calor entre suas coxas
meio dormido, que começa a estremecer.
Embora o amor não deixe de ser doce
feito ao amanhecer.
– Junto ao corpo que ontem eu gostava
tanto despido, deixe que acenda
a luz para lhe beijar cara a cara,
no amanhecer.
Porque conheço o dia que me espera,
e não pelo prazer.
e os lençóis sujos no chão.
Pelas frestas da galeria,
chega o amanhecer,
cor de roupa de abrigo de outono
e liga de mulher.
Acorde pensando vagamente
que o porteiro de noite chamou por vocês.
E escute no silêncio: sucedendo-se
para o longe, ouvem-se enrouquecer
os bondes que levam ao trabalho.
É o amanhecer.
Irão amontoando-se as flores
cortadas, nos postos de Las Ramblas,
e assobiarão os pássaros – cabrones –
nos plátanos, enquanto estão a ver
a negra humanidade que vai à cama
depois do amanhecer.
Lembre-se do quarto em que dormiu.
Enterre a cabeça na almofada,
sentindo ainda a irritação e o frio
que dá o amanhecer
junto ao corpo que tanto gostávamos
ao adormecer,
e pense que deveria levantar.
Pense na casa ainda escura
onde entrará para trocar de terno,
e no escritório, com sono para vencer,
e em muitas outras coisas que se anunciam
desde o amanhecer.
Embora ao lado escute o sussurro
de outra respiração. Embora busque
o pouco calor entre suas coxas
meio dormido, que começa a estremecer.
Embora o amor não deixe de ser doce
feito ao amanhecer.
– Junto ao corpo que ontem eu gostava
tanto despido, deixe que acenda
a luz para lhe beijar cara a cara,
no amanhecer.
Porque conheço o dia que me espera,
e não pelo prazer.
Thursday, September 15, 2011
Beginning of the final countdown: 23 days to go
Hoje eu fui de Homero a Safo de Lesbos.
Coisas que eu posso compartilhar...
Um poema de Safo, em brilhante tradução ao inglês (sorry, não sei o autor). (Pena que não vou poder usá-la e que das que encontrei ao português não gostei muito.)
O pema não tem título, só é endereçado "A uma mulher querida". Para ler e reler.
That man seems to me peer of gods,
who sits in thy presence,
and hears close to him
thy sweet speech and lovely laughter;
that indeed makes my heart flutter in my bosom.
For when I see thee but a little
I have no utterance left,
my tongue is broken down,
and straightway a subtle fire has run under my skin.
With my eyes I have no sight,
my ears ring,
sweat bathes me, and a trembling
seizes all my body; I am paler than grass,
and seem in my madness little better than one dead.
But I must dare all, since one so poor...
PS nada a ver: E hoje é o dia do meu santo! Acabei de lembrar porque meus pais ligaram. ... Seria bom comemorar só o dia do santo, em vez do aniversário - mesmo os não crentes. Assim a gente poderia esquecer da idade, e não teria que cantar o "Happy Birthday". Aliás, está na hora de alguém inventar uma outra musiquinha. Essa fica bem para as crianças de menos de 10, mas estou achando cada vez mais esquisito e constrangedor cantá-la em aniversários de pessoas com 60, 70, 80 anos.
Coisas que eu posso compartilhar...
Um poema de Safo, em brilhante tradução ao inglês (sorry, não sei o autor). (Pena que não vou poder usá-la e que das que encontrei ao português não gostei muito.)
O pema não tem título, só é endereçado "A uma mulher querida". Para ler e reler.
That man seems to me peer of gods,
who sits in thy presence,
and hears close to him
thy sweet speech and lovely laughter;
that indeed makes my heart flutter in my bosom.
For when I see thee but a little
I have no utterance left,
my tongue is broken down,
and straightway a subtle fire has run under my skin.
With my eyes I have no sight,
my ears ring,
sweat bathes me, and a trembling
seizes all my body; I am paler than grass,
and seem in my madness little better than one dead.
But I must dare all, since one so poor...
PS nada a ver: E hoje é o dia do meu santo! Acabei de lembrar porque meus pais ligaram. ... Seria bom comemorar só o dia do santo, em vez do aniversário - mesmo os não crentes. Assim a gente poderia esquecer da idade, e não teria que cantar o "Happy Birthday". Aliás, está na hora de alguém inventar uma outra musiquinha. Essa fica bem para as crianças de menos de 10, mas estou achando cada vez mais esquisito e constrangedor cantá-la em aniversários de pessoas com 60, 70, 80 anos.
Sunday, September 04, 2011
Traduções ao português 15 (Transgresiones, de Mario Benedetti)
"Alimentar un gran blog em fa sentir una mica blogger", escreve o Uri, me enviando um link para um vídeo de Loquillo.
Não acho que este seja um grande blog (talvez um dia o foi). Mas aqui vai a música, com a tradução do poema de Benedetti.
Transgressões
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
Por exemplo inventar o bom amor
aprender nos corpos e em teu corpo
Ouvir a noite e não dizer amém
traçar cada um o mapa de sua audácia
Ainda que esqueçamos de esquecer
é certo que a lembrança nos esquece
Obedecer às cegas deixa cego
crescemos somente na ousadia
Só quando transgrido alguma ordem
o futuro se torna respirável
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
PS nada a ver: Corta pero buena: entrevista a Harold Bloom en El País de hoy.
Não acho que este seja um grande blog (talvez um dia o foi). Mas aqui vai a música, com a tradução do poema de Benedetti.
Transgressões
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
Por exemplo inventar o bom amor
aprender nos corpos e em teu corpo
Ouvir a noite e não dizer amém
traçar cada um o mapa de sua audácia
Ainda que esqueçamos de esquecer
é certo que a lembrança nos esquece
Obedecer às cegas deixa cego
crescemos somente na ousadia
Só quando transgrido alguma ordem
o futuro se torna respirável
Todo mandato é minucioso e cruel
eu gosto das frugais transgressões
PS nada a ver: Corta pero buena: entrevista a Harold Bloom en El País de hoy.
Etiquetas:
Música,
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Sobre política,
Traduções
Friday, August 26, 2011
A veces es mejor callar
O Sérgio me enviou este poema de Carlos Skliar, que foi seu orientador de doutorado.
"... La distancia mínima entre dos cuerpos no es la palabra obvia, sino el más tímido de los silencios. Por eso a veces es mejor callar, no para decir amor, sino para escuchar..."
E os amigos Eli y Josep, com quem passei dias felizes no Rio, me enviaram estas fotos de Chapada Diamantina, Bahia.
"... La distancia mínima entre dos cuerpos no es la palabra obvia, sino el más tímido de los silencios. Por eso a veces es mejor callar, no para decir amor, sino para escuchar..."
E os amigos Eli y Josep, com quem passei dias felizes no Rio, me enviaram estas fotos de Chapada Diamantina, Bahia.
Sunday, August 21, 2011
Traduccions de Brasil 63 (Namorados, de Manuel Bandeira)
(Retomo las traducciones del portugués al español o al catalán, que no hacía desde abril de 2010. Este poema lo encontré en un libro de Manuel Bandeira que Isabel tenía en casa, encima del televisor.)
Enamorados
El chico se acercó a la chica y le dijo:
-Antonia, aún no me acostumbro a tu cuerpo, a tu cara.
La chica miró al lado y esperó.
-Recuerdas cuando éramos niños y de repente veíamos una lagartija rayada?
Ella se acordaba:
-Nos quedábamos mirando...
La infancia jugó de nuevo en los ojos de Antonia.
El chico continuó, con mucha ternura:
-Antonia, pareces una lagartija rayada.
La chica abrió mucho los ojos, hizo exclamaciones.
El chico terminó:
-Antonia, eres muy divertida! Pareces loca.
PS: Otra de Kevin Johansen. (Hoy voy al concierto de Pato Fu, de la gira "Música de brinquedo". Habrá títeres también. :)
Enamorados
El chico se acercó a la chica y le dijo:
-Antonia, aún no me acostumbro a tu cuerpo, a tu cara.
La chica miró al lado y esperó.
-Recuerdas cuando éramos niños y de repente veíamos una lagartija rayada?
Ella se acordaba:
-Nos quedábamos mirando...
La infancia jugó de nuevo en los ojos de Antonia.
El chico continuó, con mucha ternura:
-Antonia, pareces una lagartija rayada.
La chica abrió mucho los ojos, hizo exclamaciones.
El chico terminó:
-Antonia, eres muy divertida! Pareces loca.
PS: Otra de Kevin Johansen. (Hoy voy al concierto de Pato Fu, de la gira "Música de brinquedo". Habrá títeres también. :)
Thursday, March 17, 2011
The Night of the Iguana (excerpt and poem)
I finished reading The Night of the Iguana, by Tennessee Williams. I won't try to comment the play, but I'll type a part of a scene, the one I found most intense and significant (for myself to keep a record and for whoever may want to read it). It's a dialogue between two of the main characters, from Act Three. Shannon is a man of about thirty-five, a tour guide who has lost his party of tourists and presumably his job. Hannah, of less than thirty, is a painter and sketch artist who travels with her moribund grandfather (a poet). They are alone at the verandah of a small hotel in Mexico, where the play is set. Until this scene, they barely know each other. They talk about love, though not of the usual kind. And they refer to their respective traumatic wounds - Shannon has just had a panic attack.
HANNAH: Liquor isn't your problem, Mr. Shannon.
SHANNON: What is my problem, Ms. Jelkes?
HANNAH: The oldest one in the world - the need to believe in something or in someone - almost anyone - almost anything... something.
SHANNON: Your voice sounds hopeless about it.
HANNAH: No, I'm not hopeless about it. In fact, I've discovered something to believe in.
SHANNON: Something like... God?
HANNAH: No.
SHANNON: What?
HANNAH: Broken gates between people so they can reach each other, even if it's just for one night only.
SHANNON: One night stands, huh?
HANNAH: One night... communication between them on a verandah outside their... separate cubicles, Mr. Shannon.
SHANNON: You don't mean physically, do you?
HANNAH: No.
SHANNON: I didn't think so. Then what?
HANNAH: A little understanding exchanged between them, a wanting to help each other through nights like this.
SHANNON: Who was the someone you told the widow you'd helped long ago to get through a crack-up like this one I'm going through?
HANNAH: Oh... that. Myself.
SHANNON: You?
HANNAH: Yes. I can help you because I've been through what you are going through now. I had something like your spook - I just had a different name for him. I called him the blue devil, and... oh... we had quite a battle, quite a contest between us.
SHANNON: Which you obviously won.
HANNAH: I couldn't afford to lose.
SHANNON: How'd you beat your blue devil?
HANNAH: I showed him that I could endure him and I made him respect my endurance.
SHANNON: How?
HANNAH: Just by, just by... enduring. Endurance is something that spooks and blue devils respect. And they respect all the tricks that panicky people use to outlast and outwit their panic.
SHANNON: Like poppy-seed tea?
HANNAH: Poppy-seed tea or rum-cocos or just a few deep breaths. Anything, everything, that we take to give them the slip, and so keep on going.
SHANNON: To where?
HANNAH: To somewhere like this, perhaps. This verandah over the rain forest and the still-water beach, after long, difficult travels. And I don't mean just travels about the world, the earth's surface. I mean... subterranean travels, the... journeys that the spooked and bedeviled people are forced to take through the... the unlighted sides of their natures.
SHANNON: Don't tell me you have a dark side to your nature.
HANNAH: I'm sure I don't have to tell a man as experienced and knowledgeable as you, Mr. Shannon, that everything has its shadowy side?
Hannah's grandfather's last poem:
PS: My mom is learning English and asked me for the text:
How calmly does the olive branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
Sometime while night obscures the tree
The zenith of its life will be
Gone past forever, and from thence
A second history will commence.
A chronicle no longer gold,
A bargaining with mist and mould,
And finally the broken stem
The plummeting to earth; and then
An intercourse not well designed
For beings of a golden kind
Whose native green must arch above
The earth's obscene, corrupting love.
And still the ripe fruit and the branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
O Courage, could you not as well
Select a second place to dwell,
Not only in that golden tree
But in the frightened heart of me?
HANNAH: Liquor isn't your problem, Mr. Shannon.
SHANNON: What is my problem, Ms. Jelkes?
HANNAH: The oldest one in the world - the need to believe in something or in someone - almost anyone - almost anything... something.
SHANNON: Your voice sounds hopeless about it.
HANNAH: No, I'm not hopeless about it. In fact, I've discovered something to believe in.
SHANNON: Something like... God?
HANNAH: No.
SHANNON: What?
HANNAH: Broken gates between people so they can reach each other, even if it's just for one night only.
SHANNON: One night stands, huh?
HANNAH: One night... communication between them on a verandah outside their... separate cubicles, Mr. Shannon.
SHANNON: You don't mean physically, do you?
HANNAH: No.
SHANNON: I didn't think so. Then what?
HANNAH: A little understanding exchanged between them, a wanting to help each other through nights like this.
SHANNON: Who was the someone you told the widow you'd helped long ago to get through a crack-up like this one I'm going through?
HANNAH: Oh... that. Myself.
SHANNON: You?
HANNAH: Yes. I can help you because I've been through what you are going through now. I had something like your spook - I just had a different name for him. I called him the blue devil, and... oh... we had quite a battle, quite a contest between us.
SHANNON: Which you obviously won.
HANNAH: I couldn't afford to lose.
SHANNON: How'd you beat your blue devil?
HANNAH: I showed him that I could endure him and I made him respect my endurance.
SHANNON: How?
HANNAH: Just by, just by... enduring. Endurance is something that spooks and blue devils respect. And they respect all the tricks that panicky people use to outlast and outwit their panic.
SHANNON: Like poppy-seed tea?
HANNAH: Poppy-seed tea or rum-cocos or just a few deep breaths. Anything, everything, that we take to give them the slip, and so keep on going.
SHANNON: To where?
HANNAH: To somewhere like this, perhaps. This verandah over the rain forest and the still-water beach, after long, difficult travels. And I don't mean just travels about the world, the earth's surface. I mean... subterranean travels, the... journeys that the spooked and bedeviled people are forced to take through the... the unlighted sides of their natures.
SHANNON: Don't tell me you have a dark side to your nature.
HANNAH: I'm sure I don't have to tell a man as experienced and knowledgeable as you, Mr. Shannon, that everything has its shadowy side?
Hannah's grandfather's last poem:
PS: My mom is learning English and asked me for the text:
How calmly does the olive branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
Sometime while night obscures the tree
The zenith of its life will be
Gone past forever, and from thence
A second history will commence.
A chronicle no longer gold,
A bargaining with mist and mould,
And finally the broken stem
The plummeting to earth; and then
An intercourse not well designed
For beings of a golden kind
Whose native green must arch above
The earth's obscene, corrupting love.
And still the ripe fruit and the branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
O Courage, could you not as well
Select a second place to dwell,
Not only in that golden tree
But in the frightened heart of me?
Tuesday, February 22, 2011
Nota na margem
Isto não é um post. É um poema que quero compartilhar com quem goste de escrever (ou de ler, só que isso é cada vez mais difícil) notas nas margens dos livros. Também quero compartilhá-lo com os amantes de um livro especial. O poema aparece citado na matéria do New York Times "Book Lovers Fear Dim Future for Notes in the Margins" - por isso dei com ele.
Marginalia
Billy Collins
Sometimes the notes are ferocious,
skirmishes against the author
raging along the borders of every page
in tiny black script.
If I could just get my hands on you,
Kierkegaard, or Conor Cruise O'Brien,
they seem to say,
I would bolt the door and beat some logic into your head.
Other comments are more offhand, dismissive -
"Nonsense." "Please!" "HA!!" -
that kind of thing.
I remember once looking up from my reading,
my thumb as a bookmark,
trying to imagine what the person must look like
why wrote "Don't be a ninny"
alongside a paragraph in The Life of Emily Dickinson.
Students are more modest
needing to leave only their splayed footprints
along the shore of the page.
One scrawls "Metaphor" next to a stanza of Eliot's.
Another notes the presence of "Irony"
fifty times outside the paragraphs of A Modest Proposal.
Or they are fans who cheer from the empty bleachers,
Hands cupped around their mouths.
"Absolutely," they shout
to Duns Scotus and James Baldwin.
"Yes." "Bull's-eye." "My man!"
Check marks, asterisks, and exclamation points
rain down along the sidelines.
And if you have managed to graduate from college
without ever having written "Man vs. Nature"
in a margin, perhaps now
is the time to take one step forward.
We have all seized the white perimeter as our own
and reached for a pen if only to show
we did not just laze in an armchair turning pages;
we pressed a thought into the wayside,
planted an impression along the verge.
Even Irish monks in their cold scriptoria
jotted along the borders of the Gospels
brief asides about the pains of copying,
a bird signing near their window,
or the sunlight that illuminated their page-
anonymous men catching a ride into the future
on a vessel more lasting than themselves.
And you have not read Joshua Reynolds,
they say, until you have read him
enwreathed with Blake's furious scribbling.
Yet the one I think of most often,
the one that dangles from me like a locket,
was written in the copy of Catcher in the Rye
I borrowed from the local library
one slow, hot summer.
I was just beginning high school then,
reading books on a davenport in my parents' living room,
and I cannot tell you
how vastly my loneliness was deepened,
how poignant and amplified the world before me seemed,
when I found on one page
A few greasy looking smears
and next to them, written in soft pencil-
by a beautiful girl, I could tell,
whom I would never meet-
"Pardon the egg salad stains, but I'm in love."
Marginalia
Billy Collins
Sometimes the notes are ferocious,
skirmishes against the author
raging along the borders of every page
in tiny black script.
If I could just get my hands on you,
Kierkegaard, or Conor Cruise O'Brien,
they seem to say,
I would bolt the door and beat some logic into your head.
Other comments are more offhand, dismissive -
"Nonsense." "Please!" "HA!!" -
that kind of thing.
I remember once looking up from my reading,
my thumb as a bookmark,
trying to imagine what the person must look like
why wrote "Don't be a ninny"
alongside a paragraph in The Life of Emily Dickinson.
Students are more modest
needing to leave only their splayed footprints
along the shore of the page.
One scrawls "Metaphor" next to a stanza of Eliot's.
Another notes the presence of "Irony"
fifty times outside the paragraphs of A Modest Proposal.
Or they are fans who cheer from the empty bleachers,
Hands cupped around their mouths.
"Absolutely," they shout
to Duns Scotus and James Baldwin.
"Yes." "Bull's-eye." "My man!"
Check marks, asterisks, and exclamation points
rain down along the sidelines.
And if you have managed to graduate from college
without ever having written "Man vs. Nature"
in a margin, perhaps now
is the time to take one step forward.
We have all seized the white perimeter as our own
and reached for a pen if only to show
we did not just laze in an armchair turning pages;
we pressed a thought into the wayside,
planted an impression along the verge.
Even Irish monks in their cold scriptoria
jotted along the borders of the Gospels
brief asides about the pains of copying,
a bird signing near their window,
or the sunlight that illuminated their page-
anonymous men catching a ride into the future
on a vessel more lasting than themselves.
And you have not read Joshua Reynolds,
they say, until you have read him
enwreathed with Blake's furious scribbling.
Yet the one I think of most often,
the one that dangles from me like a locket,
was written in the copy of Catcher in the Rye
I borrowed from the local library
one slow, hot summer.
I was just beginning high school then,
reading books on a davenport in my parents' living room,
and I cannot tell you
how vastly my loneliness was deepened,
how poignant and amplified the world before me seemed,
when I found on one page
A few greasy looking smears
and next to them, written in soft pencil-
by a beautiful girl, I could tell,
whom I would never meet-
"Pardon the egg salad stains, but I'm in love."
Saturday, December 11, 2010
Computador
Hoje, às 9 h 30, eu tomava um café numa mesa na calçada, num boteco da rua da Praia, e escutei um homem velho, sentado à minha direita, e que nessa hora já estava bêbado, falando só para si.
Ele disse, baixinho e meio cantarolando:
- Computador. Computador com música.
E, em voz mais alta, escandiu a palavra, tornando-a uma espécie de poema:
-Computa
A
Dor.
(Se bem que ele enfatizou o "puta", ou seja, também pode ter querido dizer:
-Com puta
A dor.)
PS: E essa moda das gurias no Centro? Essas camisetas de listras horizontais cinzas + uma cor (rosa, azul, verde, amarelo) fluorescente? É muito brega!
Ele disse, baixinho e meio cantarolando:
- Computador. Computador com música.
E, em voz mais alta, escandiu a palavra, tornando-a uma espécie de poema:
-Computa
A
Dor.
(Se bem que ele enfatizou o "puta", ou seja, também pode ter querido dizer:
-Com puta
A dor.)
PS: E essa moda das gurias no Centro? Essas camisetas de listras horizontais cinzas + uma cor (rosa, azul, verde, amarelo) fluorescente? É muito brega!
Monday, November 15, 2010
A Vaca Cega
Esta é a vaca que eu mais gostei das poucas que vi no Cow Parade de Porto Alegre, a "Vaca Cega". O autor só pintou os cílios dela (além de colocar um pequeno texto em braille em suas costas). Como era um dia de muito sol quando a vi e tirei a foto, logo pensei nos versos de Maragall, e em como esta vaca podia bem ser a do poema.
"[...]
i abaixa el cap a l'aigua i beu calmosa."
"[...] parpelleja
damunt les mortes nines, i se'n torna
orfe de llum, sota del sol que crema,
[...]"

PS nada a ver: This could be my soundtrack for these days. (I was listening to The Smiths last night, while trying to sleep.)
"[...]
i abaixa el cap a l'aigua i beu calmosa."
"[...] parpelleja
damunt les mortes nines, i se'n torna
orfe de llum, sota del sol que crema,
[...]"

PS nada a ver: This could be my soundtrack for these days. (I was listening to The Smiths last night, while trying to sleep.)
Monday, June 14, 2010
Sensation, de Rimbaud
(Um poema de Rimbaud que a Anna recitou para mim, praticando antes de fazê-lo em sua aula de francês. É lindo, e é bom porque dá para entender - não como outros poemas dele :p)Sensation
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue:
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien.
Mais l'amour infini me montera dans l'âme;
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature -- heureux comme avec une femme.
Tuesday, May 04, 2010
Ciudad sin sueño
O disco Omega, do cantaor Enrique Morente e o grupo de rock Lagartija Nick, revolucionou o flamenco (tantas vezes revolucionado, apesar dos puristas) em 1996. Nele, Morente musicou poemas do livro Poeta en Nueva York, de Federico García Lorca, e aflamencou músicas de Leonard Cohen (uma delas, "Take This Waltz", por sua vez, criada a partir do "Pequeño vals vienés", também de Poeta en Nueva York).
Para a Ana Santos, que gosta de F. G. Lorca e de L. Cohen:
Ciudad sin sueño (Nocturno del Brooklyn Bridge)
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan las cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.
No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y el que teme la muerte la llevará sobre los hombros.
Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.
Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aun andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.
Para a Ana Santos, que gosta de F. G. Lorca e de L. Cohen:
Ciudad sin sueño (Nocturno del Brooklyn Bridge)
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan las cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.
No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y el que teme la muerte la llevará sobre los hombros.
Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.
Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aun andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.
Sunday, March 28, 2010
Traduccions de Brasil 61 (A emenda & O soneto, de Antonio Brasileiro)
Traduzo um dos poemas de Antonio Brasileiro que a amiga Ana Santos me enviou.
La enmienda y el soneto
1. El soneto
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
Y el cielo estará limpio como estaba.
2. La enmienda
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
No sólo acaba sino que no acaba.
La enmienda y el soneto
1. El soneto
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
Y el cielo estará limpio como estaba.
2. La enmienda
Durante el temporal, sepamos ser
el tallo pequeñito que se dobla.
Pues una cosa es cierta: todo acaba.
No sólo acaba sino que no acaba.
Friday, January 22, 2010
Poemas no Ônibus (e Lula!)
Gostei deste simples "Poema no Ônibus", de Gabriela Cantergi.
Do coração
Sentou-se, no ônibus, ao lado
de um desconhecido
E foram felizes para sempre.
Ah! Antes de que eu esqueça! Adorei o editorial sobre o Lula que saiu hoje na Zero Hora! Por fim um jornal do Brasil falando muito bem dele! Os corresponsais no Brasil fazem isso sempre para os melhores jornais internacionais, mas acho em falta esse tipo de elogios nos jornais daqui!
... E a Folha, pelo que vejo, continua dando pau nele (sigh!). De maneira ridícula, aliás. Clovis Rossi, jornalista supostamente prestigioso, escreve, hoje: "Vejamos: quando candidato, Lula dizia que a economia brasileira teria que criar 10 milhões de empregos no período 2003-2007. Pois bem, o balanço ontem divulgado pelo Ministério do Trabalho mostra que, nos sete anos do governo Lula, foram criados 8,725 milhões de empregos. Ou seja, nem somando os dois mandatos de Lula terão sido criados os 10 milhões de empregos que o candidato dizia que..." Agggggh! Não sigo! É cada dia assim!!!!
Do coração
Sentou-se, no ônibus, ao lado
de um desconhecido
E foram felizes para sempre.
Ah! Antes de que eu esqueça! Adorei o editorial sobre o Lula que saiu hoje na Zero Hora! Por fim um jornal do Brasil falando muito bem dele! Os corresponsais no Brasil fazem isso sempre para os melhores jornais internacionais, mas acho em falta esse tipo de elogios nos jornais daqui!
... E a Folha, pelo que vejo, continua dando pau nele (sigh!). De maneira ridícula, aliás. Clovis Rossi, jornalista supostamente prestigioso, escreve, hoje: "Vejamos: quando candidato, Lula dizia que a economia brasileira teria que criar 10 milhões de empregos no período 2003-2007. Pois bem, o balanço ontem divulgado pelo Ministério do Trabalho mostra que, nos sete anos do governo Lula, foram criados 8,725 milhões de empregos. Ou seja, nem somando os dois mandatos de Lula terão sido criados os 10 milhões de empregos que o candidato dizia que..." Agggggh! Não sigo! É cada dia assim!!!!
Monday, August 31, 2009
Poema
Desprezo
Desprezo as pessoas que só escrevem bem,
por terem falta de talento ou ambição.
Desprezo as pessoas que escrevem muito bem,
porque serão e viverão desgraçadas.
Desprezo as pessoas que só escrevem bem,
por terem falta de talento ou ambição.
Desprezo as pessoas que escrevem muito bem,
porque serão e viverão desgraçadas.
Saturday, August 29, 2009
Poema
Poema encontrado em uma velha caderneta. (É sério, estou mexendo em velhas cadernetas.)
Escribir será, para mí, un juego.
No voy a pararme a pensar en los adjetivos.
Escribir será, para mí, un juego.
Escribiré sin pensar una historia de miedo.
PS nada a ver: Ontem, sexta-feira, na loja da esquina uma mulher pequenina, com a pele curtida e o cabelo estragado, comprou à minha frente dez maços de cigarros. Pensei: Puta, como fuma esta mulher! E depois: Não pode ser; puta, como fuma esta família! Foi logo indo para casa que caiu a ficha. Não eram para ela. Eram para o marido preso. Sábado ou domingo é dia de visita...
PS 2: Maravilha (da época da minha avó; minha avó Montserrat canta esta música - não que ela fume, nem que espere al hombre que ella quiere: esse homem já foi, e nunca esperou um outro):
PS 3: Maravilha 2, tudo a ver com o post de ontem, porque a Céu a cantou, disse que a ouvia em casa quando criança e nunca parou de ouvi-la:
Escribir será, para mí, un juego.
No voy a pararme a pensar en los adjetivos.
Escribir será, para mí, un juego.
Escribiré sin pensar una historia de miedo.
PS nada a ver: Ontem, sexta-feira, na loja da esquina uma mulher pequenina, com a pele curtida e o cabelo estragado, comprou à minha frente dez maços de cigarros. Pensei: Puta, como fuma esta mulher! E depois: Não pode ser; puta, como fuma esta família! Foi logo indo para casa que caiu a ficha. Não eram para ela. Eram para o marido preso. Sábado ou domingo é dia de visita...
PS 2: Maravilha (da época da minha avó; minha avó Montserrat canta esta música - não que ela fume, nem que espere al hombre que ella quiere: esse homem já foi, e nunca esperou um outro):
PS 3: Maravilha 2, tudo a ver com o post de ontem, porque a Céu a cantou, disse que a ouvia em casa quando criança e nunca parou de ouvi-la:
Wednesday, May 13, 2009
Depois que a onda...
Depois que a onda
Lambe a areia
E se retira
Cada grão - cada grãozinho
Separadamente
- ocre, amarelo
branco, preto, gris, vermelho -
Vira star.
Lambe a areia
E se retira
Cada grão - cada grãozinho
Separadamente
- ocre, amarelo
branco, preto, gris, vermelho -
Vira star.
Tuesday, April 21, 2009
É tão estranho
É tão estranho
Esses amores que vão ficando pelo caminho
Quando os amores anteriores
Ainda não foram esquecidos.
PS: Definição de Renato Russo para 'homens' (1994):
- Bobos, que nem cachorro.
Esses amores que vão ficando pelo caminho
Quando os amores anteriores
Ainda não foram esquecidos.
PS: Definição de Renato Russo para 'homens' (1994):
- Bobos, que nem cachorro.
Thursday, April 16, 2009
Divulgando a literatura em catalão 4
Encontrei este poema de Gabriel Ferrater (1922-1972) em uma caderneta velha.
Ídols
Aleshores, quan jèiem
abraçats davant la finestra
oberta al pendís d'oliveres (dues
llavors nues dins un fruit que l'estiu
ha badat violent, i que s'omple
d'aire) no teníem records. Érem
el record que tenim ara. Érem
aquesta imatge. Els ídols de nosaltres,
per la submissa fe de després.
Ídolos
Então, quando jazíamos
abraçados em frente à janela
aberta à encosta de oliveiras (duas
sementes nuas dentro de um fruto que o verão
fendeu violento, e que se cheia
de ar) não tínhamos lembranças. Éramos
a lembrança que temos agora. Éramos
esta imagem. Os ídolos de nós,
para a submissa fé de depois.
Ídols
Aleshores, quan jèiem
abraçats davant la finestra
oberta al pendís d'oliveres (dues
llavors nues dins un fruit que l'estiu
ha badat violent, i que s'omple
d'aire) no teníem records. Érem
el record que tenim ara. Érem
aquesta imatge. Els ídols de nosaltres,
per la submissa fe de després.
Ídolos
Então, quando jazíamos
abraçados em frente à janela
aberta à encosta de oliveiras (duas
sementes nuas dentro de um fruto que o verão
fendeu violento, e que se cheia
de ar) não tínhamos lembranças. Éramos
a lembrança que temos agora. Éramos
esta imagem. Os ídolos de nós,
para a submissa fé de depois.
Wednesday, March 11, 2009
Um poema
menina assanhada
de saia rodada
o vento passa...
calcinha rendada
desavergonhada
(De minha amiga Anna Faedrich.)
de saia rodada
o vento passa...
calcinha rendada
desavergonhada
(De minha amiga Anna Faedrich.)
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