... E se o albergue é novinho e/ou charmoso, ainda mais - este HI de Porto Alegre é novo, abriu em dezembro. E se o albergue esta numa zona, no caso, numa rua de prostitutas e travestis, pode ser muito engraçado. (Nota: Conheci mais pessoas em quatro dias aqui, de Curitiba, BH, São Paulo,... do que em anos no apart-hotel da Demétrio.) Ontem foi noite de cerveja e bate-papo na calçada, na porta do albergue (não tem botecos na São Carlos, nem na Farrapos/Gaspar Martins, na Cristóvão estava tudo fechado): conversa sobre as universidades brasileiras, sobre a Europa afundando, sobre os travestis. Com destaque para um cara de Brasilia, colega de quarto, muito inteligente e engraçado. Primeiro, quando soube o que aconteceu comigo na seleção ao doutorado, deu-me uma lição de como funcionam as coisas nas universidades do país (ele trabalha na UnB; fala com as inflexões de voz e a rapidez de um Renato Russo mas com um timbre agudo, como de criança). Não disse quase nada que eu não soubesse pelas pessoas com quem já falei. Tipo: projeto inovador, não passa; projeto ousado, ambicioso, complexo, etc., não pode (ou também, por exemplo: se na UnB o candidato não fala em Darcy Ribeiro, se ferrou). Falou sobre como funcionam as pós-graduações, usando muitos palavrões; sobre o sistema universitário brasileiro (mais xingamentos), sobre os professores (maaais xingamentos). Disse que ele recomendava aos alunos que se mandassem para outros lugares, como o Canadá, onde "os estudantes que se destacam são recebidos de pernas abertas". E contou o caso de uma moça de Brasília que ficou dois anos preparando seu projeto de doutorado, não foi aceita e tentou se suicidar.
-Agora você chorou, mas já aprendeu.
-Não chorei, mas aprendi.
Depois o assunto foi a Grécia, o euro, a crise que pode acabar com a UE, e ele falou, assim me pareceu, com mais conhecimento do que os economistas que escrevem nas páginas cor salmão do El País.
Enquanto isso, outro colega que tomava cerveja conosco, de São Paulo, foi investigar os travestis. Voltou com a informação de que uma, a que rebolava mais perto de nós, era curitibana, veio a Porto Alegre para se operar e ficou ("cobra 50, deve ser uma rapidinha"). Então apareceu (entre muitos outros carros: a demanda é grande) um carrão (não vou descrever o carro: é que em Barcelona, ir à procura de prostitutas na rua, ou, pior, travestis, não é coisa que se faça abertamente; lá o cara teria usado boina, óculos de sol e bigode postiço; por isso achei o diálogo surpreendente, fiquei pasmo; "aqui é o Brasil!", explicou o brasiliense cabeça). O carro para à nossa frente, o homem assoma a cabeça (um homem bem vestido e penteado; pai de família?):
-É aqui a rua dos travecos?
-É, tudo reto. Tá vendo?
E ele:
-Cê indica alguma?
(Como Cê indica alguma? Pensei: ele está zoando de nós???)
-Cê acha que a gente experimentou todas?!? Hahaha!
Eeenfim. Ele dirigiu mais uns metros e parou ao lado da curitibana, não estava zoando, queria mesmo uma recomendação. Uns 45 minutos mais tarde, passou de novo, fazendo OK. Nós já estávamos rindo de outro assunto - o assunto não era para rir, mas o clima era de festa. É que um taxista parou, estava exausto, pediu uma cerveja no albergue: uma argentina, contou, acabava de ter um ataque epiléptico no táxi, "um horror".
-E ela não pagou.
-Pagou sim!
Uma hora depois, volta a passar o carrão (ó cara insaciável).
-O que ele quer é comer vocês - disse o brasiliense.
Subi ao quarto, li por meia hora, desci para fumar o último cigarro, encontrei ele cantando, sentado no meio-fio, com o paulistano de pé, como fazendo de guarda-costas.
Nota: Não contei sobre o tipo que também esteve no quarto, sarado, safado, professor de musculação (isto é inexato, não quero problemas). Ele foi no Sofazão (não conheço esses lugares, faço constar) e me disse feliz que pagou 100 e comeu três.
Nota 2: Esse HI não é para putanheiros, OK? Esses colegas de ontem, e outros, são mochileiros, estão fazendo turismo (sim, é possível) em Porto Alegre. A questão seria se sua localização é a mais adequada.
PS: Caetano:
"Três travestis
três colibris de raça
deixam o país
e enchem París de graça"
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
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Wednesday, February 22, 2012
Tuesday, December 06, 2011
Mary Poppins e Destino
Meu irmão Uri gosta de colaborar no blog, e eu gosto de que ele goste e colabore (as pessoas gostam também, o Sérgio é fã). Só que às vezes me manda umas coisas nada a ver. Sobre a penúltima que mandou, por exemplo, eu lhe disse que era bonita mas não tinha a cara do blog (e expliquei o que era isso de "a cara"): é isto aqui, uma viagem pelo nosso belo planeta, "a time lapse sequences of photographs taken by the crew of expeditions 28 & 29 onboard the International Space Station from August to October, 2011" de uma altura de uns 350 km. ("Que bonic que és tot de lluny.")
Sobre a última (objeto deste post), eu lhe disse que não curtia muito Walt Disney nem Dalí. De Walt Disney, adoro The Jungle Book, e de Dalí gosto pouco, blame it on Súnion ICC again, nossa escola de 2º grau. (Mas não, retifico: se existe algum consenso entre ex sunionitas, ou sunionitas full stop, uma vez sunionita, sunionita para sempre, é que tivemos a melhor formação em história da arte. Inclusive os que tinham algum tipo de rancor da pessoa, adoravam o professor de arte - que... não gostava muito de Dalí, fazer o quê.) (Lembrando: um post sobre Súnion ICC foi um sucesso aqui no blog, sobretudo pelo debate que gerou, em "Comentários". Ainda hoje, vez por outra alguém entra no blog procurando no Google "brasileño que habla mal de Súnion" ou coisas semelhantes: aqui. Pode ser que nunca mais me deixem visitar minha querida ex escola.) Voltando: essa última contribuição do Uri é o curta-metragem Destino, que os dois artistas - Walt Disney e Dalí - fizeram juntos, que a mim quase não me diz nada, mas vou ter que postar, posto abaixo. Isto porque meu irmão, diante de minha indiferença, reivindicou a genialidade de Walt Disney com um e-mail surpreendente e desmesurado (como sempre) sobre... Mary Poppins (!), e esse sim, eu devo compartilhar. Está em catalão, não faço a tradução porque as "grandes palavras" que ele emprega se entendem muito bem (se são ou não apropriadas, não sei dizer). (Está ficando confuso, este post...)
"L'amic Walt Disney no només era un gran creador i un gran 'il·lusionista', sinó també un gran 'rojillo', usease un tio d'esquerres i idealista, i com a mostra et diré que Mary Poppins sempre m'ha semblat una pel·lícula socialista i anticapitalista (que no comunista), una peli avançada al seu temps que proposa una societat millor i més justa (amb valors com l'ecologia, la solidaritat, el reciclatge i la felicitat per crear un món més sa) i denuncia, per exemple, la fragilitat del sistema financer, que estem veient avui dia i que els amics argentins, entre altres, ja van viure en sus carnes fa uns anys. Ah, sí, i amb una gran defensa del que parlàvem fa uns dies: que la follia no és sempre un símptoma de malaltia, sinó sovint un sistema de defensa de la gent intel·ligent davant l'absurd de la societat actual. A més, la peli va ser feta de manera tan brillant que l'home la va colar davant la cara de tothom, en plena caça de bruixes ianqui, i va fer que els putos pre-neoliberals portessin els seus fills a veure-la com bojos. És una gran peli i una gran mostra d'intel·ligència per saltar-se la censura. Si vols un dia t'explico fil per randa en què baso aquesta teoria i et prometo que mai més veuràs Mary Poppins com l'havies vist fins ara. Open your eyes bro, open your eyes."
Para eu não ficar preocupado, o Uri termina o ditirambo com o PS "não estou louco". E tudo isso (já disse) para defender Walt Disney e Destino, não Mary Poppins (que, provavelmente, não terei a chance de rever, sorry bro), porque o link que ele mandou foi o do curta-metragem de Disney e Dalí. Curtam os gênios: (<-- sério.)
PS: Mais interessante para mim é que o Uri me informa que está reformando um pouco seu apartamento e instalando uma "follidutxa", "(...) d'aquestes amb chorros de massatge que donen moooooooolt de joc!". Follidutxa = folladucha = em português não fica bonito, seria chuveiro para tre###, mas acho que também não precisa de tradução, porque só vai poder ser curtida (a follidutxa) pelas amigas catalãs do Uri que possam estar lendo este blog e que estejam interessadas em a) meu irmão e b) os experimentos aquaginásticos (se bem que ele tem algumas amigas mineiras aí em BCN, o malvado).
PPS: Ready?
Sobre a última (objeto deste post), eu lhe disse que não curtia muito Walt Disney nem Dalí. De Walt Disney, adoro The Jungle Book, e de Dalí gosto pouco, blame it on Súnion ICC again, nossa escola de 2º grau. (Mas não, retifico: se existe algum consenso entre ex sunionitas, ou sunionitas full stop, uma vez sunionita, sunionita para sempre, é que tivemos a melhor formação em história da arte. Inclusive os que tinham algum tipo de rancor da pessoa, adoravam o professor de arte - que... não gostava muito de Dalí, fazer o quê.) (Lembrando: um post sobre Súnion ICC foi um sucesso aqui no blog, sobretudo pelo debate que gerou, em "Comentários". Ainda hoje, vez por outra alguém entra no blog procurando no Google "brasileño que habla mal de Súnion" ou coisas semelhantes: aqui. Pode ser que nunca mais me deixem visitar minha querida ex escola.) Voltando: essa última contribuição do Uri é o curta-metragem Destino, que os dois artistas - Walt Disney e Dalí - fizeram juntos, que a mim quase não me diz nada, mas vou ter que postar, posto abaixo. Isto porque meu irmão, diante de minha indiferença, reivindicou a genialidade de Walt Disney com um e-mail surpreendente e desmesurado (como sempre) sobre... Mary Poppins (!), e esse sim, eu devo compartilhar. Está em catalão, não faço a tradução porque as "grandes palavras" que ele emprega se entendem muito bem (se são ou não apropriadas, não sei dizer). (Está ficando confuso, este post...)
"L'amic Walt Disney no només era un gran creador i un gran 'il·lusionista', sinó també un gran 'rojillo', usease un tio d'esquerres i idealista, i com a mostra et diré que Mary Poppins sempre m'ha semblat una pel·lícula socialista i anticapitalista (que no comunista), una peli avançada al seu temps que proposa una societat millor i més justa (amb valors com l'ecologia, la solidaritat, el reciclatge i la felicitat per crear un món més sa) i denuncia, per exemple, la fragilitat del sistema financer, que estem veient avui dia i que els amics argentins, entre altres, ja van viure en sus carnes fa uns anys. Ah, sí, i amb una gran defensa del que parlàvem fa uns dies: que la follia no és sempre un símptoma de malaltia, sinó sovint un sistema de defensa de la gent intel·ligent davant l'absurd de la societat actual. A més, la peli va ser feta de manera tan brillant que l'home la va colar davant la cara de tothom, en plena caça de bruixes ianqui, i va fer que els putos pre-neoliberals portessin els seus fills a veure-la com bojos. És una gran peli i una gran mostra d'intel·ligència per saltar-se la censura. Si vols un dia t'explico fil per randa en què baso aquesta teoria i et prometo que mai més veuràs Mary Poppins com l'havies vist fins ara. Open your eyes bro, open your eyes."
Para eu não ficar preocupado, o Uri termina o ditirambo com o PS "não estou louco". E tudo isso (já disse) para defender Walt Disney e Destino, não Mary Poppins (que, provavelmente, não terei a chance de rever, sorry bro), porque o link que ele mandou foi o do curta-metragem de Disney e Dalí. Curtam os gênios: (<-- sério.)
PS: Mais interessante para mim é que o Uri me informa que está reformando um pouco seu apartamento e instalando uma "follidutxa", "(...) d'aquestes amb chorros de massatge que donen moooooooolt de joc!". Follidutxa = folladucha = em português não fica bonito, seria chuveiro para tre###, mas acho que também não precisa de tradução, porque só vai poder ser curtida (a follidutxa) pelas amigas catalãs do Uri que possam estar lendo este blog e que estejam interessadas em a) meu irmão e b) os experimentos aquaginásticos (se bem que ele tem algumas amigas mineiras aí em BCN, o malvado).
PPS: Ready?
Friday, February 25, 2011
Vamos falar de sexo (cientificamente), e 2
Vou citar mais alguns trechos que me fizeram rir, ou sorrir (às vezes nem tanto pelo dito, quanto pela forma usada para dizer), e outros que achei curiosos do livro El cerebro erótico, do neurocientista Adolf Tobeña.
Mas antes, como no post anterior, vou citar um livro, desta vez só um. Voltei às leituras em português e recomendo Confissões de Ralfo (subtítulo: Uma autobiografia imaginária), de Sérgio Sant'Anna, que está me deixando maravilhado. É um romance realmente fantástico no sentido literal (poderia dizer, também, fantasticamente real). Inclassificável, como Armadilha para Lamartine ou A Rainha dos Cárceres da Grécia; segundo os críticos, "insólito", "anárquico", "caótico". O "descobri", mesmo que indiretamente, graças à Anna, pois é objeto de uma das dissertações e teses que ela um dia procurou para mim. E o encontrei num sebo, não sei se não está fora de catálogo.

O mais famoso fotograma do filme Jamón, jamón, de Bigas Luna.
(Quem ia dizer, hein? Vinte anos depois e ó, casados e com um filho.)
3. Sexo é na praia
(Talvez quem passou estas férias no litoral gaúcho ou catarinense se sinta identificado.)
Los seductores actuales deben residir necesariamente junto al mar. Los manuales de costumbres imponen unas temporadas marítimas tan inexcusables que los mujeriegos dedicados han de plegarse a la cultura de club náutico aunque no tengan ninguna inclinación por las velas o el agua salada. Hoy en día es literalmente inimaginable un donjuán sin un bronceado impecable y con un dominio cuando menos tentativo de la navegación de bajura. Las revistas del corazón lo tienen clarísimo: un playboy que se precie requiere la cubierta blanquísima de un yate bajo los pies y el torso desnudo, contrastando con el azul rutilante de la mar. Ya no valen los refugios en casonas o en aldeas remotas mientra se espera, tranquilamente, el regreso de unas presas fatigadas de salobre y sol pertinaz. No valen porque esos retiros no son tolerados por las señoras al coincidir con el período donde pueden llevar el ritual del sacrificio solar al apogeo de la exposición voluptuosa en las terrazas nocturnas o en las fiestas galantes.
4. Moda esportiva
No capítulo dedicado à neurologia do tédio amoroso e aos incentivos para combatê-lo, Tobeña cita o escritor Josep Pla, que dizia que uma mulher de salto alto não podia ser uma boa cozinheira. Uma das metas principais do sistema monogâmico, diz o neurocientista, aquela que pretende combinar numa mesma pessoa a elegância sedutora com "el trato irreprochable del estómago", não é atingível. Porém...
Los usos actuales han venido a poner remedio a esa flagrante incompatibilidad. Así, me ha parecido observar que el vestuario deportivo aplicado a la cocina tiene un gran rendimiento seductor. Las oportunidades estrenadas con la incorporación de los shorts y las zapatillas de deporte son absolutamente extraordinarias sin traicionar, para nada, la atención a los fogones. Lo mismo vale para el otro bando si lo medimos por la tendencia masculina a deambular por la cocina con camiseta holgada, jeans y náuticos para redondear un aspecto fresco y jovial.
5. Sincronização menstrual
Este é um simples fato curioso que eu ignorava. Sem muita repercussão (acho).
Martha McClintock [...] demostró, hace ya unos treinta años, que los ciclos menstruales de las compañeras de habitación, en las residencias de estudiantes, o los de las amigas que comparten vivienda, tienden a sincronizarse con el tiempo. Es decir, que acaban menstruando prácticamente al unísono aunque partan de unas asincronías flagrantes en los ciclos respectivos.
(A explicação tem a ver com a comunicação olfativa, inconsciente, via feromonas.)
6. A agenda oculta das revistas femininas
Viene siendo habitual que publicaciones como Elle, Marie Claire, Cosmopolitan, Vogue o similares elaboren reportajes sobre las estrategias y procedimientos más convenientes para la práctica de los enredos extraconyugales con seguridad y eficiencia. El objetivo no es impulsar la independencia femenina en materia de decisiones amorosas (faltaría más, en revistas tan delicadamente conservadoras), sino el muy benemérito de dinamizar unas relaciones de pareja fatigadas o desgastadas.
(Compro a Marie Claire para comprovar. A "Carta da editora" me parece mais ou menos liberal. Na capa vem em destaque uma dessas reportagens de que fala Tobeña: "Amigos que transam: isso dá certo?". Leio com atenção o texto, segundo o qual ter um "Pau Amigo" só traz vantagens. Não descubro uma agenda oculta.)
7. Beleza e inteligência
Los sabios más sublimes y las sabias más eminentes no suelen destacar por sus atributos físicos. Ése es el tópico que hay que completar con la constatación de que los guapos y las guapas de gran cotización tampoco sobresalen por su agudeza o perspicacia. Hay que reconocer que ocasiones para robustecer ese estereotipo no faltan. Para ilustrarlo basta con comparar el ramillete de individuos que se reúne en Estocolmo, en la ceremonia anual de adjudicación de los Premios Nobel, con el que se da cita cada primavera en Los Ángeles al otorgar los Oscar de la academia americana de cine. Mientras que el primero lo forman unos personajes anodinos que han hecho cosas aparentemente extraordinarias que nadie consigue entender, en Hollywood se produce un estallido de lo mejorcito que produce la especie en cuanto a los rasgos visibles y a los añadidos por la industria cosmética y reparadora.
e 8. O enigma do orgasmo feminino
La función más obvia del orgasmo sexual es pasarlo bien, evidentemente. Proporcionar clímax placenteros. Pero los biólogos evolutivos tienen la mala costumbre de no conformarse con las explicaciones inmediatas y se dedican a buscar "porqués" ocultos bajo los fenómenos aparentemente más diáfanos. La insistencia indagadora sobre las funciones últimas del orgasmo femenino ha generado no pocas discusiones y quebraderos de cabeza al gremio. [...]
[...] En las mujeres es harto conocido que puede existir un enorme desfase entre la capacidad procreadora y la frecuencia y el entusiasmo orgásmico. [...] A pesar de ese curioso divorcio entre orgasmo y rendimientos, el clímax femenino se ha mantenido enérgico y sin mengua con unas manifestaciones tanto o más aparatosas y rotundas, si cabe, que el masculino. Ése es el enigma que ha tenido entretenidos a algunos espíritus inquietos durante mucho tiempo.
A hipótese 1, citada no livro, é chocante: o orgasmo feminino seria uma "relíquia" biológica, sem função, tipo os mamilos dos homens. Essa hipótese foi descartada... e eu não vou dar a explicação, quem quiser que pesquise.
Boa vida sexual!
Mas antes, como no post anterior, vou citar um livro, desta vez só um. Voltei às leituras em português e recomendo Confissões de Ralfo (subtítulo: Uma autobiografia imaginária), de Sérgio Sant'Anna, que está me deixando maravilhado. É um romance realmente fantástico no sentido literal (poderia dizer, também, fantasticamente real). Inclassificável, como Armadilha para Lamartine ou A Rainha dos Cárceres da Grécia; segundo os críticos, "insólito", "anárquico", "caótico". O "descobri", mesmo que indiretamente, graças à Anna, pois é objeto de uma das dissertações e teses que ela um dia procurou para mim. E o encontrei num sebo, não sei se não está fora de catálogo.

O mais famoso fotograma do filme Jamón, jamón, de Bigas Luna.
(Quem ia dizer, hein? Vinte anos depois e ó, casados e com um filho.)
3. Sexo é na praia
(Talvez quem passou estas férias no litoral gaúcho ou catarinense se sinta identificado.)
Los seductores actuales deben residir necesariamente junto al mar. Los manuales de costumbres imponen unas temporadas marítimas tan inexcusables que los mujeriegos dedicados han de plegarse a la cultura de club náutico aunque no tengan ninguna inclinación por las velas o el agua salada. Hoy en día es literalmente inimaginable un donjuán sin un bronceado impecable y con un dominio cuando menos tentativo de la navegación de bajura. Las revistas del corazón lo tienen clarísimo: un playboy que se precie requiere la cubierta blanquísima de un yate bajo los pies y el torso desnudo, contrastando con el azul rutilante de la mar. Ya no valen los refugios en casonas o en aldeas remotas mientra se espera, tranquilamente, el regreso de unas presas fatigadas de salobre y sol pertinaz. No valen porque esos retiros no son tolerados por las señoras al coincidir con el período donde pueden llevar el ritual del sacrificio solar al apogeo de la exposición voluptuosa en las terrazas nocturnas o en las fiestas galantes.
4. Moda esportiva
No capítulo dedicado à neurologia do tédio amoroso e aos incentivos para combatê-lo, Tobeña cita o escritor Josep Pla, que dizia que uma mulher de salto alto não podia ser uma boa cozinheira. Uma das metas principais do sistema monogâmico, diz o neurocientista, aquela que pretende combinar numa mesma pessoa a elegância sedutora com "el trato irreprochable del estómago", não é atingível. Porém...
Los usos actuales han venido a poner remedio a esa flagrante incompatibilidad. Así, me ha parecido observar que el vestuario deportivo aplicado a la cocina tiene un gran rendimiento seductor. Las oportunidades estrenadas con la incorporación de los shorts y las zapatillas de deporte son absolutamente extraordinarias sin traicionar, para nada, la atención a los fogones. Lo mismo vale para el otro bando si lo medimos por la tendencia masculina a deambular por la cocina con camiseta holgada, jeans y náuticos para redondear un aspecto fresco y jovial.
5. Sincronização menstrual
Este é um simples fato curioso que eu ignorava. Sem muita repercussão (acho).
Martha McClintock [...] demostró, hace ya unos treinta años, que los ciclos menstruales de las compañeras de habitación, en las residencias de estudiantes, o los de las amigas que comparten vivienda, tienden a sincronizarse con el tiempo. Es decir, que acaban menstruando prácticamente al unísono aunque partan de unas asincronías flagrantes en los ciclos respectivos.
(A explicação tem a ver com a comunicação olfativa, inconsciente, via feromonas.)
6. A agenda oculta das revistas femininas
Viene siendo habitual que publicaciones como Elle, Marie Claire, Cosmopolitan, Vogue o similares elaboren reportajes sobre las estrategias y procedimientos más convenientes para la práctica de los enredos extraconyugales con seguridad y eficiencia. El objetivo no es impulsar la independencia femenina en materia de decisiones amorosas (faltaría más, en revistas tan delicadamente conservadoras), sino el muy benemérito de dinamizar unas relaciones de pareja fatigadas o desgastadas.
(Compro a Marie Claire para comprovar. A "Carta da editora" me parece mais ou menos liberal. Na capa vem em destaque uma dessas reportagens de que fala Tobeña: "Amigos que transam: isso dá certo?". Leio com atenção o texto, segundo o qual ter um "Pau Amigo" só traz vantagens. Não descubro uma agenda oculta.)
7. Beleza e inteligência
Los sabios más sublimes y las sabias más eminentes no suelen destacar por sus atributos físicos. Ése es el tópico que hay que completar con la constatación de que los guapos y las guapas de gran cotización tampoco sobresalen por su agudeza o perspicacia. Hay que reconocer que ocasiones para robustecer ese estereotipo no faltan. Para ilustrarlo basta con comparar el ramillete de individuos que se reúne en Estocolmo, en la ceremonia anual de adjudicación de los Premios Nobel, con el que se da cita cada primavera en Los Ángeles al otorgar los Oscar de la academia americana de cine. Mientras que el primero lo forman unos personajes anodinos que han hecho cosas aparentemente extraordinarias que nadie consigue entender, en Hollywood se produce un estallido de lo mejorcito que produce la especie en cuanto a los rasgos visibles y a los añadidos por la industria cosmética y reparadora.
e 8. O enigma do orgasmo feminino
La función más obvia del orgasmo sexual es pasarlo bien, evidentemente. Proporcionar clímax placenteros. Pero los biólogos evolutivos tienen la mala costumbre de no conformarse con las explicaciones inmediatas y se dedican a buscar "porqués" ocultos bajo los fenómenos aparentemente más diáfanos. La insistencia indagadora sobre las funciones últimas del orgasmo femenino ha generado no pocas discusiones y quebraderos de cabeza al gremio. [...]
[...] En las mujeres es harto conocido que puede existir un enorme desfase entre la capacidad procreadora y la frecuencia y el entusiasmo orgásmico. [...] A pesar de ese curioso divorcio entre orgasmo y rendimientos, el clímax femenino se ha mantenido enérgico y sin mengua con unas manifestaciones tanto o más aparatosas y rotundas, si cabe, que el masculino. Ése es el enigma que ha tenido entretenidos a algunos espíritus inquietos durante mucho tiempo.
A hipótese 1, citada no livro, é chocante: o orgasmo feminino seria uma "relíquia" biológica, sem função, tipo os mamilos dos homens. Essa hipótese foi descartada... e eu não vou dar a explicação, quem quiser que pesquise.
Boa vida sexual!
Saturday, February 19, 2011
Vamos falar de sexo (cientificamente)
Sim, quero falar de sexo. Na verdade, citar trechos engraçadas do livro El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, que acabei de ler. (A trabalho.) (Sério.)

Brain World.
Mas antes queria citar alguns livros que li este início de ano, pois foram bastantes, não comentei nenhum e todos são recomendáveis (desta vez acertei nas compras na Fnac e os que ganhei também foram bons). Li, no voo POA-BCN (ainda em 2010), um livro que há muito queria ler, já que é considerado o melhor da autora: Stupeur et tremblements, de Amélie Nothomb, emprestado pela Gabriela. E, na volta a Porto Alegre (a Salvador, para ser exato), Hygiène de l'assassin, também d'Amélie e também da Gabriela (que é fã). Leituras prazerosas, as duas (se não não teria conseguido ler no avião). Porém, se alguém não conhece e está interessado em conhecer a obra de Nothomb, e confia em minha opinião, meu livro preferido dela continua sendo Métaphysique des tubes, livro que eu emprestei à Gabriela :), que fala da infância da autora no Japão e que não é nada metafísico (lembro perfeitamente de onde o li: deitado na areia da praia de Platja d'Aro, com o mar, tão presente no romance, à minha frente). Terminando com Amélie: acabei de saber que ela não é francesa!, ela é belga! Esses franceses, sempre querendo se apropriar de tudo!!!
Li La bicicleta estàtica, livro de contos de Sergi Pàmies (por enquanto, só em catalão; vai sair em espanhol pela editora Anagrama. Pensei em traduzir um dos contos ao português aqui, mas estou sem tempo.) Esse eu tive que ler, pois meu irmão Ramon e meu amigo Sérgio me pediram o livro de presente, e eu não gosto de presentear qualquer coisa. Me surpreendeu: é bom. Parece que Pàmies, assim como Monzó, talvez pela idade que eles já têm, cansaram de fazer literatura frívola, de hihihi, e estão escrevendo coisas mais sérias, sem perder o senso de humor. Também li, em espanhol, La conciencia de Zeno, de Italo Svevo, um desses clássicos que na faculdade esqueceram de incluir nas listas. (Depois a gente tem que ir atrás, preencher lacunas.) Muitíssimo bom (e engraçado). É um relato psicanalítico, pura literatura do eu. Zeno aceita escrever sobre si quando seu psicanalista sai de férias. (Capítulo 1: O tabaco. Capítulo 2: A morte do meu pai. Capítulo 3: Minha esposa e minha amante. E por aí vai.) (Parentese: comentei com meu irmão Uri que é legal, talvez até necessário, continuar lendo clássicos porque obrigam a pensar, pedem um esforço de leitura muito maior do que outros livros bons; esforço recompensado, claro.) E li, presente do Uri, El curioso incidente del perro a medianoche, de Mark Haddon, uma história dura, de iniciação, narrada por um menino autista (O estranho caso do cachorro morto, pela Record).
Também li quadrinhos, adoro ler quadrinhos, faço isso sobretudo em época de férias. Li o Macanudo 5, do genial Liniers. Liniers é o mais parecido com Charles M. Schulz que eu já encontrei, que é como dizer de um pintor que o mais parecido com Pablo Picasso. Na Espanha saiu até o número 5, mas na Argentina já estão no Macanudo 9. (Se alguém for a Buenos Aires, pode me trazer o 6, 7, 8 e 9? Pago em dobro!) E li duas novelas gráficas (Liniers é autor de comic strips), duas obras mestras que sem dúvida serão publicadas no Brasil: Tamara Drewe, de Posy Simmonds, sobre um retiro de escritores numa casa rural na França (obra inspirada num romance de Thomas Hardy e que virou um filme de Stephen Frears), e Asterios Polyp, de David Mazzucchelli, sobre um arquitecto que vê seu mundo desmoronar.
E agora o sexo.
Curti muito e tirei muito proveito de El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, neurocientista catalão, catedrático de neuropsiquiatria na Universitat Autònoma de Barcelona. Segundo conta ele mesmo no prefácio, o livro, originalmente em catalão, estava há anos fora de catálogo, mas era um dos que mais circulavam, em xerox, pelas faculdades de psicologia e medicina, por isso foi reeditado e atualizado, agora em tradução ao espanhol. O texto é científico, porém acessível, e inclui anedotas, comentários, apontamentos muito engraçados. (Pelo que vou sabendo sobre neurocientistas, neuropsiquiatras e similares, todos eles são engraçados e obcecados por sexo, não perdem uma chance.) A parte científica do livro fica para mim, para os meus "trabalhos confidenciais". Mas quero compartilhar algumas dessas partes que me fizeram rir. (Comento em itálico e cito em espanhol.)
1. California Boys
Tobeña conta que cientistas franceses escanearam cérebros de jovens aos que eram apresentadas não só imagens de pessoas amadas (namorados, namoradas), com numa época se fazia, senão cenas de sexo explícito. "Dado el bien ganado prestigio de los franceses en las sofisticaciones lascivas", ele escreve, "cabia esperar que en este tipo de empresas investigadoras se adelantaran a los voraces estadounidenses". Os resultados foram ótimos, com áreas identificáveis do cérebro aparecendo estimuladas nas imagens, etc. E então uns cientistas estadunidenses, chateados, reagiram, anunciando um experimento quase igual.
Los estadounidenses anunciaron un neuroescaneado de muchachos californianos, de la misma edad y en una tesitura muy parecida a la francesa, pero que debía ofrecer mucha mayor resolución que los datos TEP lioneses al usar una fMRI de gran potencia. Pero no fue así. Aunque presentaron imágenes eróticas mas hard que las francesas (para asegurar el tiro, cabe presumir), cometieron la imprudencia de usar como imágenes-control escenas deportivas. Todo el mundo sabe que los muchachos californianos pierden la chaveta ante el deporte, y en los contrastes entre las escenas culminantes de un match o las igualmente culminantes de una interacción sexual no se obtuvo ninguna diferencia cerebral digna de reseñar.
2. O efeito Coolidge
O efeito Coolidge é contado num capítulo que tenta explicar o porquê do "desinterés amoroso" num casal, o tédio, que Tobeña atribui, em parte, à "difuminación del misterio". "El tedio se instaura al desaparecer el enigma: cuando del amante lo sabemos todo o así lo creemos". É interessante isto que ele diz: "En general eso acostumbra a concretarse en un instante preciso: un día, una hora y un minuto perfectamente delimitables, quiero decir". Mas eu estou yéndome por las ramas, ou agarrando para el lado de los tomates, como se diz na Argentina. Voltando: o efeito Coolidge se usa para explicar as diferenças na suscetibilidade à saturação amorosa entre os homens e as mulheres; isto é, as diferenças na constância amorosa ou sexual.
John Calvin Coolidge fue un presidente estadounidense del período de entreguerras del siglo pasado que dejó un anecdotario muy sabroso. Era un republicano que gobernó durante los felices veinte [...]. Aunque no ha habido manera de certificar la verosimilitud del episodio que sirvió para dar nombre al famoso "efecto", tanto da porque se ha impuesto para siempre. [...] Durante una visita a una explotación avícola avanzadísima, en su época, la primera dama que acompañaba al presidente y lo precedía en el recorrido por las instalaciones se detuvo, admirada, ante un gallo magnífico que mostraba un entusiasmo copulador infatigable ante una gallina aparentemente feliz. La señora Coolidge preguntó a los técnicos si aquel rendimiento era habitual y éstos asintieron glosándole las virtudes de aquel ejemplar. Entonces les pidió, con un punto de picardía, que cuando el presidente llegara a aquel lugar se lo hicieran notar. Así lo hicieron al acercarse el mandatario y éste, sin inmutarse, les preguntó si al gallo siempre le ponían la misma gallina o las cambiaban a menudo. Los técnicos replicaron diciendo que era el ejemplar con el harén más nutrido de toda la granja. El presidente se alejó, satisfecho, después de indicar a los granjeros que le explicaran esa minucia a su distinguida esposa cuando acabara el recorrido.
(Continuará.)
(Acabei de incluir uma nova etiqueta, ou label, no blog: Sexo. Sabia que faltava alguma!)

Brain World.
Mas antes queria citar alguns livros que li este início de ano, pois foram bastantes, não comentei nenhum e todos são recomendáveis (desta vez acertei nas compras na Fnac e os que ganhei também foram bons). Li, no voo POA-BCN (ainda em 2010), um livro que há muito queria ler, já que é considerado o melhor da autora: Stupeur et tremblements, de Amélie Nothomb, emprestado pela Gabriela. E, na volta a Porto Alegre (a Salvador, para ser exato), Hygiène de l'assassin, também d'Amélie e também da Gabriela (que é fã). Leituras prazerosas, as duas (se não não teria conseguido ler no avião). Porém, se alguém não conhece e está interessado em conhecer a obra de Nothomb, e confia em minha opinião, meu livro preferido dela continua sendo Métaphysique des tubes, livro que eu emprestei à Gabriela :), que fala da infância da autora no Japão e que não é nada metafísico (lembro perfeitamente de onde o li: deitado na areia da praia de Platja d'Aro, com o mar, tão presente no romance, à minha frente). Terminando com Amélie: acabei de saber que ela não é francesa!, ela é belga! Esses franceses, sempre querendo se apropriar de tudo!!!
Li La bicicleta estàtica, livro de contos de Sergi Pàmies (por enquanto, só em catalão; vai sair em espanhol pela editora Anagrama. Pensei em traduzir um dos contos ao português aqui, mas estou sem tempo.) Esse eu tive que ler, pois meu irmão Ramon e meu amigo Sérgio me pediram o livro de presente, e eu não gosto de presentear qualquer coisa. Me surpreendeu: é bom. Parece que Pàmies, assim como Monzó, talvez pela idade que eles já têm, cansaram de fazer literatura frívola, de hihihi, e estão escrevendo coisas mais sérias, sem perder o senso de humor. Também li, em espanhol, La conciencia de Zeno, de Italo Svevo, um desses clássicos que na faculdade esqueceram de incluir nas listas. (Depois a gente tem que ir atrás, preencher lacunas.) Muitíssimo bom (e engraçado). É um relato psicanalítico, pura literatura do eu. Zeno aceita escrever sobre si quando seu psicanalista sai de férias. (Capítulo 1: O tabaco. Capítulo 2: A morte do meu pai. Capítulo 3: Minha esposa e minha amante. E por aí vai.) (Parentese: comentei com meu irmão Uri que é legal, talvez até necessário, continuar lendo clássicos porque obrigam a pensar, pedem um esforço de leitura muito maior do que outros livros bons; esforço recompensado, claro.) E li, presente do Uri, El curioso incidente del perro a medianoche, de Mark Haddon, uma história dura, de iniciação, narrada por um menino autista (O estranho caso do cachorro morto, pela Record).
Também li quadrinhos, adoro ler quadrinhos, faço isso sobretudo em época de férias. Li o Macanudo 5, do genial Liniers. Liniers é o mais parecido com Charles M. Schulz que eu já encontrei, que é como dizer de um pintor que o mais parecido com Pablo Picasso. Na Espanha saiu até o número 5, mas na Argentina já estão no Macanudo 9. (Se alguém for a Buenos Aires, pode me trazer o 6, 7, 8 e 9? Pago em dobro!) E li duas novelas gráficas (Liniers é autor de comic strips), duas obras mestras que sem dúvida serão publicadas no Brasil: Tamara Drewe, de Posy Simmonds, sobre um retiro de escritores numa casa rural na França (obra inspirada num romance de Thomas Hardy e que virou um filme de Stephen Frears), e Asterios Polyp, de David Mazzucchelli, sobre um arquitecto que vê seu mundo desmoronar.
E agora o sexo.
Curti muito e tirei muito proveito de El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, neurocientista catalão, catedrático de neuropsiquiatria na Universitat Autònoma de Barcelona. Segundo conta ele mesmo no prefácio, o livro, originalmente em catalão, estava há anos fora de catálogo, mas era um dos que mais circulavam, em xerox, pelas faculdades de psicologia e medicina, por isso foi reeditado e atualizado, agora em tradução ao espanhol. O texto é científico, porém acessível, e inclui anedotas, comentários, apontamentos muito engraçados. (Pelo que vou sabendo sobre neurocientistas, neuropsiquiatras e similares, todos eles são engraçados e obcecados por sexo, não perdem uma chance.) A parte científica do livro fica para mim, para os meus "trabalhos confidenciais". Mas quero compartilhar algumas dessas partes que me fizeram rir. (Comento em itálico e cito em espanhol.)
1. California Boys
Tobeña conta que cientistas franceses escanearam cérebros de jovens aos que eram apresentadas não só imagens de pessoas amadas (namorados, namoradas), com numa época se fazia, senão cenas de sexo explícito. "Dado el bien ganado prestigio de los franceses en las sofisticaciones lascivas", ele escreve, "cabia esperar que en este tipo de empresas investigadoras se adelantaran a los voraces estadounidenses". Os resultados foram ótimos, com áreas identificáveis do cérebro aparecendo estimuladas nas imagens, etc. E então uns cientistas estadunidenses, chateados, reagiram, anunciando um experimento quase igual.
Los estadounidenses anunciaron un neuroescaneado de muchachos californianos, de la misma edad y en una tesitura muy parecida a la francesa, pero que debía ofrecer mucha mayor resolución que los datos TEP lioneses al usar una fMRI de gran potencia. Pero no fue así. Aunque presentaron imágenes eróticas mas hard que las francesas (para asegurar el tiro, cabe presumir), cometieron la imprudencia de usar como imágenes-control escenas deportivas. Todo el mundo sabe que los muchachos californianos pierden la chaveta ante el deporte, y en los contrastes entre las escenas culminantes de un match o las igualmente culminantes de una interacción sexual no se obtuvo ninguna diferencia cerebral digna de reseñar.
2. O efeito Coolidge
O efeito Coolidge é contado num capítulo que tenta explicar o porquê do "desinterés amoroso" num casal, o tédio, que Tobeña atribui, em parte, à "difuminación del misterio". "El tedio se instaura al desaparecer el enigma: cuando del amante lo sabemos todo o así lo creemos". É interessante isto que ele diz: "En general eso acostumbra a concretarse en un instante preciso: un día, una hora y un minuto perfectamente delimitables, quiero decir". Mas eu estou yéndome por las ramas, ou agarrando para el lado de los tomates, como se diz na Argentina. Voltando: o efeito Coolidge se usa para explicar as diferenças na suscetibilidade à saturação amorosa entre os homens e as mulheres; isto é, as diferenças na constância amorosa ou sexual.
John Calvin Coolidge fue un presidente estadounidense del período de entreguerras del siglo pasado que dejó un anecdotario muy sabroso. Era un republicano que gobernó durante los felices veinte [...]. Aunque no ha habido manera de certificar la verosimilitud del episodio que sirvió para dar nombre al famoso "efecto", tanto da porque se ha impuesto para siempre. [...] Durante una visita a una explotación avícola avanzadísima, en su época, la primera dama que acompañaba al presidente y lo precedía en el recorrido por las instalaciones se detuvo, admirada, ante un gallo magnífico que mostraba un entusiasmo copulador infatigable ante una gallina aparentemente feliz. La señora Coolidge preguntó a los técnicos si aquel rendimiento era habitual y éstos asintieron glosándole las virtudes de aquel ejemplar. Entonces les pidió, con un punto de picardía, que cuando el presidente llegara a aquel lugar se lo hicieran notar. Así lo hicieron al acercarse el mandatario y éste, sin inmutarse, les preguntó si al gallo siempre le ponían la misma gallina o las cambiaban a menudo. Los técnicos replicaron diciendo que era el ejemplar con el harén más nutrido de toda la granja. El presidente se alejó, satisfecho, después de indicar a los granjeros que le explicaran esa minucia a su distinguida esposa cuando acabara el recorrido.
(Continuará.)
(Acabei de incluir uma nova etiqueta, ou label, no blog: Sexo. Sabia que faltava alguma!)
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