"Clarence Clemons, E-Street Band saxophonist, dies at 69."
Hoje acordei com essa triste notícia.
No vídeo, "Jungleland", com o famoso solo (minutos 4 a 6 e 30'').
Eu ficava arrepiado com esse solo. Escutava as músicas de Born to Run e The River num walkman, em fita cassete pirata, antes de dormir, deitado na cama de um quarto de uma família em Dublin, quando tinha quinze, dezesseis anos. (Às vezes chorando. Mas de felicidade, por me sentir "independente" e "no mundo".)
Alguns comments:
The biggest, baddest, most blistering sax solo in the history of Rock and Roll. RIP Clarence.
Things sure are sadder down on E Street today--RIP Big Man and thanks so fucking much!
Clarence is now showing Gabrielle how to blow that horn. RIP Big Man, you will be missed.
What a wonderful combo the E Street Band was in those days. Clarence made "an honest stand" and defined the sound of the band. I have the cover picture of Born to Run, with a cool CC, burned in my brain. Rest among the stars, Clarence.
RIP Clarence, thank you for all your wonderful heart playing. God bless you.
You might as well throw this song away, because Jungleland = Clarence Clemons.
Eres el puto amo. Hasta siempre Big Man.
Ciao Clarence, ci mancherai tantissimo, ma il tuo sax continua a suonare!!!
RIP, Clarence. We'll meet beneath the giant Exxon sign that brings this fair city LIGHT.
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Sunday, June 19, 2011
Saturday, June 18, 2011
"Don't believe half of what you see and none of what you hear" (Lou Reed)
Este post não é sobre a crise econômica. (Mas o verso de Lou Reed se aplica ao que estamos vivendo.)
A foto acima, de Rich Lam, não é sobre a crise. Foi tomada antes de ontem em Vancouver, Canadá, e a confusão nas ruas é pela derrota dos Vancouver Canucks frente aos Boston Bruins, na Stanley Cup (final da NHL, hóquei no gelo). Parece que os torcedores canadenses não gostaram da derrota por 4 a 0 e foram às ruas, onde houve confronto violento com a polícia. Mas esses dois não estavam nem aí. Não se importaram com a derrota nem com a violência policial. :)) Baita foto. Foi publicada por Ramon Lobo em seu blog "Aguas Internacionales", do jornal espanhol El País.
...
Depois um leitor enviou a Ramon Lobo uma segunda foto, do mesmo fotógrafo, que parece contar uma história diferente.
O jornalista corrigiu no blog sua primeira interpretação, e escreveu que o guri talvez estivesse socorrendo a guria, que teria recebido um golpe, talvez da polícia.
Num outro blog, aparece a explicação de alguém que presenciou a cena, um torcedor chamado William: "The girl who was knocked over landed head first on the pavement with her boyfriend landed partially on top of her. She was in visible pain, crying, but the two officers gave them a parting shove and moved on. Bystanders went to make sure she was OK". ... Junto com mais uma foto (esta, de um cidadão, não do fotógrafo).
A primeira foto, a do "beijo", fez sucesso na Internet (isto é fato ;). Então uma garota, da Austrália (!), disse reconhecer nela seu irmão. O nome do guri, parece, é Scott Jones, ele é australiano, tem 29 anos e está em Vancouver por seis meses, à trabalho. E o próprio Scott teria escrito, no facebook da irmã (a Alex da frase é a guria, suposta namorada dele): "Classic! This was shortly after the riot police run over the top of us and naturally Alex needed some comforting, ha-ha!".
Desculpas pela confusão na escrita do post. A história é confusa mesmo, mas dá para entender "a moral".
PS: Vai a música de Lou Reed, que eu adoro e lembrei ao ver as fotos.
They say things are done for the majority
don't believe half of what you see and none of what you hear
It's like what my painter friend Donald said to me
"Stick a fork in their ass and turn them over, they're done"
A foto acima, de Rich Lam, não é sobre a crise. Foi tomada antes de ontem em Vancouver, Canadá, e a confusão nas ruas é pela derrota dos Vancouver Canucks frente aos Boston Bruins, na Stanley Cup (final da NHL, hóquei no gelo). Parece que os torcedores canadenses não gostaram da derrota por 4 a 0 e foram às ruas, onde houve confronto violento com a polícia. Mas esses dois não estavam nem aí. Não se importaram com a derrota nem com a violência policial. :)) Baita foto. Foi publicada por Ramon Lobo em seu blog "Aguas Internacionales", do jornal espanhol El País.
...
Depois um leitor enviou a Ramon Lobo uma segunda foto, do mesmo fotógrafo, que parece contar uma história diferente.
O jornalista corrigiu no blog sua primeira interpretação, e escreveu que o guri talvez estivesse socorrendo a guria, que teria recebido um golpe, talvez da polícia.
Num outro blog, aparece a explicação de alguém que presenciou a cena, um torcedor chamado William: "The girl who was knocked over landed head first on the pavement with her boyfriend landed partially on top of her. She was in visible pain, crying, but the two officers gave them a parting shove and moved on. Bystanders went to make sure she was OK". ... Junto com mais uma foto (esta, de um cidadão, não do fotógrafo).
A primeira foto, a do "beijo", fez sucesso na Internet (isto é fato ;). Então uma garota, da Austrália (!), disse reconhecer nela seu irmão. O nome do guri, parece, é Scott Jones, ele é australiano, tem 29 anos e está em Vancouver por seis meses, à trabalho. E o próprio Scott teria escrito, no facebook da irmã (a Alex da frase é a guria, suposta namorada dele): "Classic! This was shortly after the riot police run over the top of us and naturally Alex needed some comforting, ha-ha!".
Desculpas pela confusão na escrita do post. A história é confusa mesmo, mas dá para entender "a moral".
PS: Vai a música de Lou Reed, que eu adoro e lembrei ao ver as fotos.
They say things are done for the majority
don't believe half of what you see and none of what you hear
It's like what my painter friend Donald said to me
"Stick a fork in their ass and turn them over, they're done"
Wednesday, June 15, 2011
We really should do these things NOW 4
Às vezes (poucas) sinto orgulho de ser catalão.
Os deputados entram no Parlamento catalão (Parc de la Ciutadella) de helicóptero, hoje, dia da votação do orçamento 2011, cheio de cortes em gastos sociais. Fotogaleria.
Também na Grécia, hoje:
PS: O Uri me envia este vídeo, de hoje de manhã. Isto não aparece na televisão catalã (TV3). Policiais fantasiados de manifestantes para "arrebentar" a manifestação pacífica, isto é, provocar a própria ação policial. Nada novo, mas dá medo, e nunca o vi assim, tão claramente filmado (no final do vídeo, os policiais têm que proteger seus colegas travestidos...).
O vídeo, que em poucas horas foi visto por mais de 300.000 pessoas, está sendo apagado de YouTube. É triste ver até que ponto chega (ou quer chegar, em tempos de Internet, sigh!) o monopólio do uso da força, a informação e a mentira pelo Estado. Enfim, o governo catalão é tão lerdo quanto esses policiais, e o vídeo é carregado uma e outra vez por muitos usuários. Por enquanto está aqui, ou aqui, ou aqui...
PS 2: Um pouco de alegria entre tanta indignação. O Uri também me enviou este vídeo de Andreu Buenafuente, o melhor humorista/showman catalão, que tem programa há anos em rede nacional. Como ele tem prestígio, fãs, dignidade e sua própria produtora :p, é um dos poucos que fala na TV o que ele quer. (Ele não é um rapper, isto é só um gag.)
Os deputados entram no Parlamento catalão (Parc de la Ciutadella) de helicóptero, hoje, dia da votação do orçamento 2011, cheio de cortes em gastos sociais. Fotogaleria.
Também na Grécia, hoje:
PS: O Uri me envia este vídeo, de hoje de manhã. Isto não aparece na televisão catalã (TV3). Policiais fantasiados de manifestantes para "arrebentar" a manifestação pacífica, isto é, provocar a própria ação policial. Nada novo, mas dá medo, e nunca o vi assim, tão claramente filmado (no final do vídeo, os policiais têm que proteger seus colegas travestidos...).
O vídeo, que em poucas horas foi visto por mais de 300.000 pessoas, está sendo apagado de YouTube. É triste ver até que ponto chega (ou quer chegar, em tempos de Internet, sigh!) o monopólio do uso da força, a informação e a mentira pelo Estado. Enfim, o governo catalão é tão lerdo quanto esses policiais, e o vídeo é carregado uma e outra vez por muitos usuários. Por enquanto está aqui, ou aqui, ou aqui...
PS 2: Um pouco de alegria entre tanta indignação. O Uri também me enviou este vídeo de Andreu Buenafuente, o melhor humorista/showman catalão, que tem programa há anos em rede nacional. Como ele tem prestígio, fãs, dignidade e sua própria produtora :p, é um dos poucos que fala na TV o que ele quer. (Ele não é um rapper, isto é só um gag.)
Tuesday, June 14, 2011
Rogerito em: Teoria da conspiração
Estou com blogger's block. Mas a Gabi fez este desenho bonitinho tirando sarro de mim (da minha gripe, não do block). :)
Minha teoria é que os remédios só "bloqueiam" a gripe, que reaparece uma ou duas semanas depois (a mesma, não uma segunda!), até que o corpo a elimina por si só.
(Ainda bem que daqui a pouco estou na Costa Brava, que cura tudo...)
Minha teoria é que os remédios só "bloqueiam" a gripe, que reaparece uma ou duas semanas depois (a mesma, não uma segunda!), até que o corpo a elimina por si só.
(Ainda bem que daqui a pouco estou na Costa Brava, que cura tudo...)
Thursday, June 09, 2011
The Pale King, by David Foster Wallace
Inicialmente previsto para 2010, já está à venda, desde abril, The Pale King, o livro póstumo de David Foster Wallace, editado por Michael Pietsch, da Little Brown, a partir de 250 páginas datilografadas que Wallace deixou em cima da mesa de seu escritório antes de se suicidar e de pilhas e pilhas de cadernetas escritas à mão e vários disquetes - a versão final tem quase 600 páginas. Pietsch diz que mergulhou (achei isso bonito) "into folders and spiral-bound notebooks, including one with a Rugrats character on the cover and another called 'Cuddly Cuties,' with a photograph of kittens. Inside were pages and pages of notes and drafts in Wallace's tiny, spidery handwriting. A ledger contained some pasted-in notebook pages, several of them decorated with small smiley-face stickers, little signs of encouragement that the author had apparently awarded himself, impersonating a grammar-school teacher" (The New York Times). The Pale King tem como cenário principal uma agência tributária do meio oeste dos Estados Unidos e retrata uma América monótona e sem sentido, escrava do consumismo míope; uns cidadãos à beira de morrer de tédio e incapazes de se comunicar. Mesmo sendo sobre o tédio, alguns críticos acharam o romance engraçado ao extremo ("pants-pissingly hilarious"). E Michiko Kakutani (a "rainha dos críticos", do NYT) não vê contradição em que o livro seja, ao mesmo tempo, profundamente triste: "just as this lumpy but often stirring new novel emerges as a kind of bookend to Infinite Jest, so it demonstrates that being amused to death and bored to death are, in Wallace’s view, flip sides of the same coin". No próprio romance, Wallace escreve: "Dullness is associated with psychic pain because something that's dull or opaque fails to provide enough stimulation to distract people from some other, deeper type of pain that is always there".
Mais um trecho, sobre "o inferno": "He felt in a position to say he knew now that hell had nothing to do with fires or frozen troops. Lock a fellow in a windowless room to perform rote tasks just tricky enough to make him have to think, but still rote, tasks involving numbers that connected to nothing he’d ever see or care about, a stack of tasks that never went down, and nail a clock to the wall where he can see it, and just leave the man there to his mind’s own devices". E mais um, descritivo: "the flannel plains [and] the tobacco-brown river overhung with weeping trees and coins of sunlight, [an] arrow of starlings fired from the windbreak’s thatch, [a] sunflower, four more, one bowed, and horses in the distance standing rigid and still as toys. All nodding".
Para Zadie Smith, Wallace foi o escritor mais talentoso de sua geração (da geração dela), um gênio. Para Jonathan Franzen, foi o amigo íntimo, o melhor parceiro, o autor da obra ao lado da qual ele avaliava a sua própria. (Franzen só conseguiu terminar Freedom quando Wallace se matou; a raiva o tirou do bloqueio em que esteve por cinco anos. Uma das personagens mais fascinantes de Freedom, Richard Katz, está inspirada no amigo.) Quem nunca leu Foster Wallace, pode se maravilhar com seus contos (Brief Interviews with Hideous Men; Breves entrevistas com homens hediondos, Cia. das Letras; meus preferidos são "Forever Overhead" e "The Depressed Person") ou seus "ensaios", que se leem como ficções (Consider the Lobster; Hablemos de langostas, em espanhol, Mondadori). Eu nunca me atrevi com o romance Infinite Jest (1.000 páginas; acho que já escrevi aqui que minha amiga Kris, norte-americana e boa leitora, não conseguiu terminá-lo, e portanto eu nem tentei), mas um exemplar de The Pale King já deve estar voando para Barcelona. Só vou poder lê-lo e comentar no Natal, então, deixo neste post os montes de elogios que encontrei na Amazon, em nota de rodapé, letra pequeninha e abundância, bem à la Wallace*.
*"One hell of a document and a valiant tribute to the late Wallace...Stretches of this are nothing short of sublime--the first two chapters are a real put-the-reader-on-notice charging bull blitz, and the David Foster Wallace sections...are tiny masterpieces of that whole self-aware po-mo thing of his that's so heavily imitated...often achingly funny...pants-pissingly hilarious...Yet, even in its incomplete state...the book is unmistakably a David Foster Wallace affair. You get the sense early on that he's trying to cram the whole world between two covers. As it turns out, that would actually be easier to than what he was up to here, because then you could gloss over the flyover country that this novel fully inhabits, finding, among the wigglers, the essence of our fundamental human struggles." (Publishers Weekly) "The final, beautiful act of an unwilling icon...one of the saddest, most lovely books I've ever read...Let's state this clearly: You should read THE PALE KING...You'll be [kept up at night] because D.F.W. writes sentences and sometimes whole pages that make you feel like you can't breathe...because again and again he invites you to consider some very heavy things...Through some function of his genius, he causes us to ask these questions of ourselves." (Benjamin Alsup, Esquire) "Deeply sad, deeply philosophical...breathtakingly brilliant...funny, maddening and elegiac...[David Foster Wallace's] most emotionally immediate work...It was in trying to capture the hectic, chaotic reality--and the nuanced, conflicted, ever-mutating thoughts of his characters--that Wallace's synesthetic prose waxed so prolix, his sentences unspooling into tangled skeins of words, replete with qualifying phrases and garrulous footnotes...because in almost everything Wallace wrote, including THE PALE KING, he aimed to use words to lasso and somehow subdue the staggering, multifarious, cacophonous predicament that is modern American life." (Michiko Kakutani, The New York Times) "The overture to Wallace's unfinished last novel is a rhapsodic evocation of the subtle vibrancy of the midwestern landscape, a flat, wind-scoured place of potentially numbing sameness that is, instead, rife with complex drama....feverishly encompassing, sharply comedic, and haunting...this is not a novel of defeat but, rather, of oddly heroic persistence.... electrifying in its portrayal of individuals seeking unlikely refuge in a vast, absurd bureaucracy. In the spirit of Borges, Gaddis, and Terry Gilliam's Brazil (1985), Wallace conducts a commanding and ingenious inquiry into monumental boredom, sorrow, the deception of appearances, and the redeeming if elusive truth that any endeavor, however tedious, however impossible, can become a conduit to enlightenment, or at least a way station in a world where 'everything is on fire, slow fire.'" (Donna Seaman, Booklist) "THE PALE KING represents Wallace's finest work as a novelist...Wallace made a career out of rushing in where other writers feared to tread or wouldn't bother treading. He had an outsize, hypertrophied talent...THE PALE KING is an attempt to stare directly into the blind spot and face what's there...His ability to render the fine finials and fractals and flourishes of a mind acting upon itself, from moment to moment, using only the blunt, numb instruments of language, has few if any equals in American literature..this we see him do at full extension." (Lev Grossman, TIME) "To read THE PALE KING is in part to feel how much Wallace had changed as a writer, compressed and deepened himself...It's easy to make the book sound heavy, but it's often very funny, and not politely funny, either...Contains what's sure to be some of the finest fiction of the year." (John Jeremiah Sullivan, GQ) "A thrilling read, replete with the author's humor, which is oftentimes bawdy and always bitingly smart...The notion that this book is 'unfinished' should not be given too much weight. The Pale King is, in many ways, quite complete: its core characters are fully drawn, each with a defining tic, trait, or backstory...Moreover, the book is far from incomplete in its handling of a host of themes, most of them the same major issues, applicable to all of us, with which Wallace also grappled in Infinite Jest: unconquerable boredom, the quest for satisfaction in work, the challenge of really knowing other people and the weight of sadness...The experience to be had from reading The Pale King feels far more weighty and affecting than a nicely wrapped story. Its reach is broad, and its characters stay with you." (Daniel Roberts, National Public Radio) "The four-word takeaway: You should read it!" (New York Magazine) "An astonishment, unfinished not in the way of splintery furniture but in the way of Kafka's Castle or the Cathedral of St. John the Divine...What's remarkable about The Pale King is its congruity with Wallace's earlier ambitions... The Pale King treats its central subject--boredom itself--not as a texture (as in Fernando Pessoa), or a symptom (as in Thomas Mann), or an attitude (as in Bret Easton Ellis), but as the leading edge of truths we're desperate to avoid. It is the mirror beneath entertainment's smiley mask, and The Pale King aims to do for it what Moby-Dick did for the whale...Watching [Foster Wallace] loosed one last time upon the fields of language, we're apt to feel the way he felt at the end of his celebrated essay on Federer at Wimbledon: called to attention, called out of ourselves." (Garth Risk Hallberg, New York Magazine) "Wallace's gift for language, especially argot of all sorts, his magical handling of masses of detail...[these] talents are on display again in The Pale King." (Jeffrey Burke, Bloomberg) "An incomplete, complex, confounding, brilliant novel...Reading THE PALE KING is strangely intimate...it also comes with a note of grace." (Sam Anderson, New York Times Magazine) "The most anticipated posthumous American novel of the last century...[Wallace was] America's most-gifted writer...American literature will rarely, if ever, give us another mind like Wallace's...ferociously written...richly imagined...a deep panoply of lives and the post-modern awareness of how this all was constructed, both the work and the vortex of current life." (John Freeman, Boston Globe) "THE PALE KING represents Wallace's effort, through humor, digression and old-fashioned character study, to represent IRS agents...as not merely souled, but complexly so. He succeeds, profoundly, and the rest of the book's intellectual content is gravy. Yes, parts are difficult, but 'boring' never comes into it. And it's very, very funny." (Sam Thielman, Newsday) "It may be unfinished, but the reviews-cum-retrospectives all soundly agree: It's still a book to be read." (The Miami Herald) "A fully imagined, often exquisitely fleshed-out novel about a dreary Midwestern tax-return processing center that he has caused to swarm with life...a series of bravura literary performances--soliloquies; dialogues; video interview fragments; short stories with the sweep and feel of novellas...This is what 360-degree storytelling looks like, and if it doesn't come to a climax or end, exactly, that may not be a defect." (Judith Shulevitz, Slate) "It could hardly be more engaging. The Pale King is by turns funny, shrewd, suspenseful, piercing, smart, terrifying and rousing." (Laura Miller, Salon) "Strange, entertaining, not-at-all boring...Wallace transforms this driest of settings into a vivid alternate IRS universe, full of jargon and lore and elaborately behatted characters, many of them with weird afflictions and/or puzzling supernatural abilities...hilarious...brilliant and bizarre, another dispatch from Wallace's...endlessly fascinating brain." (Rob Brunner, Entertainment Weekly) "Exhilarating." (Hillel Italie, Associated Press) "Heroic and humbling...sad, breathtakingly rigorous and searching, ultimately hysterically funny." (Matt Feeney, Slate)
Tuesday, June 07, 2011
Sobre "o drama de ser escritor"
A Gabriela tem um amigo formado em direito que decidiu escrever um romance. Ela não quis desanimá-lo, mas lhe advertiu sobre "o drama de ser escritor".
"O fiz me baseando na tua experiência. Ilustrei a situação em duas linhas com algumas frases inspiradas em ti e que são/poderiam ser tuas. Olha aí:
Guardei o livro. Dentro de uma caixa no fundo do armário. Voltei a fumar. Parei de fumar. Peguei a caixa. Hoje escrevi bem. Tive uma manhã produtiva. Tudo o que eu escrevi até agora me parece muito ruim. Não sei como continuar. Tive uma ideia para seguir hoje. Isso tá uma porcaria. Vou pra Bahia. Por que eu escrevo? Reli algumas partes do que está feito e gostei muito. Fiz alguns ajustes, pouca coisa. Por que eu não consigo escrever?"
Adorei (é bem isso aí). Sobretudo esse "Vou pra Bahia", hehehe.
"O fiz me baseando na tua experiência. Ilustrei a situação em duas linhas com algumas frases inspiradas em ti e que são/poderiam ser tuas. Olha aí:
Guardei o livro. Dentro de uma caixa no fundo do armário. Voltei a fumar. Parei de fumar. Peguei a caixa. Hoje escrevi bem. Tive uma manhã produtiva. Tudo o que eu escrevi até agora me parece muito ruim. Não sei como continuar. Tive uma ideia para seguir hoje. Isso tá uma porcaria. Vou pra Bahia. Por que eu escrevo? Reli algumas partes do que está feito e gostei muito. Fiz alguns ajustes, pouca coisa. Por que eu não consigo escrever?"
Adorei (é bem isso aí). Sobretudo esse "Vou pra Bahia", hehehe.
Friday, June 03, 2011
Per tu, Sérgio, Sergi, Serge. Moltes felicitats
Perquè passegis una estona per una de les teves platges estimades (panoràmica total, dreta, esquerra, cel i terra!). Aqui!
Da verdade
Hoje li este koan num livro de Roland Barthes (esta versão do relato é atribuída por Barthes a Severo Sarduy):
Um koan budista diz: "O mestre segura a cabeça do discípulo debaixo da água, durante muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas começam a se rarefazer; no último momento, o mestre tira o discípulo, reanima-o: quando você desejar a verdade como desejou o ar, então saberá o que ela é".
E essa historinha me fez pensar numa outra, que o meu mestre :p me contou um tempo atrás (mas acredito que é bem conhecida):
Um homem bêbado volta a casa à noite e perde as chaves ao tentar abrir o portão. Um amigo encontra o homem na calçada, olhando o chão sob um poste de luz. "Procuro as chaves de casa", explica o homem. "As perdeste aqui?", pergunta o amigo. "Não, mas é que aqui tem luz."
Um koan budista diz: "O mestre segura a cabeça do discípulo debaixo da água, durante muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas começam a se rarefazer; no último momento, o mestre tira o discípulo, reanima-o: quando você desejar a verdade como desejou o ar, então saberá o que ela é".
E essa historinha me fez pensar numa outra, que o meu mestre :p me contou um tempo atrás (mas acredito que é bem conhecida):
Um homem bêbado volta a casa à noite e perde as chaves ao tentar abrir o portão. Um amigo encontra o homem na calçada, olhando o chão sob um poste de luz. "Procuro as chaves de casa", explica o homem. "As perdeste aqui?", pergunta o amigo. "Não, mas é que aqui tem luz."
Thursday, June 02, 2011
És una nena! :)))
(Foto reproduïda amb permís de la mestressa de la panxolina. No puc dir qui és! :o)
(Ramon :p, fotògraf: espero fotos més sexys, OK? Tipus Vanity Fair!)
Wednesday, June 01, 2011
Per tu, Gabi. Moltes felicitats, che
Adão Iturrusgarai
SuperCinema
Rommulo Vieira Conceição
Instalação
2010
Sim, agora o átrio do Santander Cultural é ocupado por um supermercado-cinema. Dá para comprar os produtos (tem até Toddynho) e ver um filme. Filmes (essa é uma das leituras) mais perecíveis do que muito do que se encontra nas prateleiras - hoje estava passando Avatar. (Foto ruim porque um segurança estava por perto!)
Túnel
Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti
Instalação cinética
2011
Quando a gente anda pelo túnel, essas molduras metálicas se mexem. Vistas de fora, as pessoas aparecem como coupées, frame by frame.
A mostra, Agora Ágora (tem muita coisa interativa aí!*), vai até o 7 de agosto. Tu ainda consegue vê-la!
*Te apresenta? "Esse é um espaço para receber e disseminar ideias criativas com potencial de gerar transformação social. Sua ideia entra no fluxo e poderá ser conhecida e votada por todo o mundo. As mais efervescentes ganham uma consultoria especializada em empreendedorismo social e mais um dia de apresentação oficial! E então, qual a sua ideia?"
Sunday, May 29, 2011
"Liking Is for Cowards. Go for What Hurts", by Jonathan Franzen
- What hurts is love (esta não era difícil)
Ou (outro título possível, que aparece no texto): The contrast between the narcissistic tendencies of technology and the problem of actual love
Ou (este é o melhor, de Alice Sebold, citada por Franzen no discurso): Getting down in the pit and loving somebody
Este texto, parecido - sobretudo no tom, mas não só - ao famoso "This is Water", de D. Foster Wallace, é uma adaptação do discurso inaugural que o escritor Jonathan Franzen fez o dia 21 deste mês no Kenyon College, em Ohio - o mesmo college onde Wallace falou. Como o New York Times adaptou/editou o discurso, eu me sinto livre para editá-lo também (isto é, ficar com o que me atinge mais, ou o que eu quero guardar)*. O discurso completo em áudio está aqui (vale a pena escutá-lo, já que no texto não aparecem nem o amor de Franzen por sua mulher, hoje ex-mulher, nem o amor pela criação literária; dá a falsa impressão de que ele ama "só" os pássaros).
*Acabei guardando quase tudo.
A couple of weeks ago, I replaced my three-year-old BlackBerry Pearl with a much more powerful BlackBerry Bold. (...) I wanted to keep fondling my new Bold. (...) I was, in short, infatuated with my new device. I’d been similarly infatuated with my old device, of course; but over the years the bloom had faded from our relationship. I’d developed trust issues with my Pearl, accountability issues, compatibility issues and even, toward the end, some doubts about my Pearl’s very sanity, until I’d finally had to admit to myself that I’d outgrown the relationship.
Do I need to point out that — absent some wild, anthropomorphizing projection in which my old BlackBerry felt sad about the waning of my love for it — our relationship was entirely one-sided? Let me point it out anyway.
(...)
Let me toss out the idea that, as our markets discover and respond to what consumers most want, our technology has become extremely adept at creating products that correspond to our fantasy ideal of an erotic relationship, in which the beloved object asks for nothing and gives everything, instantly, and makes us feel all powerful, and doesn’t throw terrible scenes when it’s replaced by an even sexier object and is consigned to a drawer.
To speak more generally, the ultimate goal of technology, the telos of techne, is to replace a natural world that’s indifferent to our wishes — a world of hurricanes and hardships and breakable hearts, a world of resistance — with a world so responsive to our wishes as to be, effectively, a mere extension of the self.
Let me suggest, finally, that the world of techno-consumerism is therefore troubled by real love, and that it has no choice but to trouble love in turn.
(...)
A related phenomenon is the transformation, courtesy of Facebook, of the verb “to like” from a state of mind to an action that you perform with your computer mouse, from a feeling to an assertion of consumer choice. And liking, in general, is commercial culture’s substitute for loving. The striking thing about all consumer products — and none more so than electronic devices and applications — is that they’re designed to be immensely likable. This is, in fact, the definition of a consumer product, in contrast to the product that is simply itself and whose makers aren’t fixated on your liking it. (I’m thinking here of jet engines, laboratory equipment, serious art and literature.)
But if you consider this in human terms, and you imagine a person defined by a desperation to be liked, what do you see? You see a person without integrity, without a center. In more pathological cases, you see a narcissist — a person who can’t tolerate the tarnishing of his or her self-image that not being liked represents, and who therefore either withdraws from human contact or goes to extreme, integrity-sacrificing lengths to be likable.
If you dedicate your existence to being likable, however, and if you adopt whatever cool persona is necessary to make it happen, it suggests that you’ve despaired of being loved for who you really are. And if you succeed in manipulating other people into liking you, it will be hard not to feel, at some level, contempt for those people, because they’ve fallen for your shtick. You may find yourself becoming depressed, or alcoholic, or, if you’re Donald Trump, running for president (and then quitting).
Consumer technology products would never do anything this unattractive, because they aren’t people. They are, however, great allies and enablers of narcissism. Alongside their built-in eagerness to be liked is a built-in eagerness to reflect well on us. Our lives look a lot more interesting when they’re filtered through the sexy Facebook interface. We star in our own movies, we photograph ourselves incessantly, we click the mouse and a machine confirms our sense of mastery.
And, since our technology is really just an extension of ourselves, we don’t have to have contempt for its manipulability in the way we might with actual people. It’s all one big endless loop. We like the mirror and the mirror likes us. To friend a person is merely to include the person in our private hall of flattering mirrors.
I may be overstating the case, a little bit. Very probably, you’re sick to death of hearing social media disrespected by cranky 51-year-olds. My aim here is mainly to set up a contrast between the narcissistic tendencies of technology and the problem of actual love. My friend Alice Sebold likes to talk about “getting down in the pit and loving somebody.” She has in mind the dirt that love inevitably splatters on the mirror of our self-regard.
The simple fact of the matter is that trying to be perfectly likable is incompatible with loving relationships. Sooner or later, for example, you’re going to find yourself in a hideous, screaming fight, and you’ll hear coming out of your mouth things that you yourself don’t like at all, things that shatter your self-image as a fair, kind, cool, attractive, in-control, funny, likable person. Something realer than likability has come out in you, and suddenly you’re having an actual life.
Suddenly there’s a real choice to be made, not a fake consumer choice between a BlackBerry and an iPhone, but a question: Do I love this person? And, for the other person, does this person love me?
There is no such thing as a person whose real self you like every particle of. This is why a world of liking is ultimately a lie. But there is such a thing as a person whose real self you love every particle of. And this is why love is such an existential threat to the techno-consumerist order: it exposes the lie.
This is not to say that love is only about fighting. Love is about bottomless empathy, born out of the heart’s revelation that another person is every bit as real as you are. And this is why love, as I understand it, is always specific. Trying to love all of humanity may be a worthy endeavor, but, in a funny way, it keeps the focus on the self, on the self’s own moral or spiritual well-being. Whereas, to love a specific person, and to identify with his or her struggles and joys as if they were your own, you have to surrender some of your self.
The big risk here, of course, is rejection. We can all handle being disliked now and then, because there’s such an infinitely big pool of potential likers. But to expose your whole self, not just the likable surface, and to have it rejected, can be catastrophically painful. The prospect of pain generally, the pain of loss, of breakup, of death, is what makes it so tempting to avoid love and stay safely in the world of liking.
And yet pain hurts but it doesn’t kill. When you consider the alternative — an anesthetized dream of self-sufficiency, abetted by technology — pain emerges as the natural product and natural indicator of being alive in a resistant world. To go through a life painlessly is to have not lived. Even just to say to yourself, “Oh, I’ll get to that love and pain stuff later, maybe in my 30s” is to consign yourself to 10 years of merely taking up space on the planet and burning up its resources. Of being (and I mean this in the most damning sense of the word) a consumer.
When I was in college, and for many years after, I liked the natural world. Didn’t love it, but definitely liked it. It can be very pretty, nature. And since I was looking for things to find wrong with the world, I naturally gravitated to environmentalism, because there were certainly plenty of things wrong with the environment. And the more I looked at what was wrong — an exploding world population, exploding levels of resource consumption, rising global temperatures, the trashing of the oceans, the logging of our last old-growth forests — the angrier I became.
Finally, in the mid-1990s, I made a conscious decision to stop worrying about the environment. There was nothing meaningful that I personally could do to save the planet, and I wanted to get on with devoting myself to the things I loved. I still tried to keep my carbon footprint small, but that was as far as I could go without falling back into rage and despair.
BUT then a funny thing happened to me. It’s a long story, but basically I fell in love with birds. I did this not without significant resistance, because it’s very uncool to be a birdwatcher, because anything that betrays real passion is by definition uncool. But little by little, in spite of myself, I developed this passion, and although one-half of a passion is obsession, the other half is love.
And so, yes, I kept a meticulous list of the birds I’d seen, and, yes, I went to inordinate lengths to see new species. But, no less important, whenever I looked at a bird, any bird, even a pigeon or a robin, I could feel my heart overflow with love. And love, as I’ve been trying to say today, is where our troubles begin.
Because now, not merely liking nature but loving a specific and vital part of it, I had no choice but to start worrying about the environment again. The news on that front was no better than when I’d decided to quit worrying about it — was considerably worse, in fact — but now those threatened forests and wetlands and oceans weren’t just pretty scenes for me to enjoy. They were the home of animals I loved.
And here’s where a curious paradox emerged. My anger and pain and despair about the planet were only increased by my concern for wild birds, and yet, as I began to get involved in bird conservation and learned more about the many threats that birds face, it became easier, not harder, to live with my anger and despair and pain.
How does this happen? I think, for one thing, that my love of birds became a portal to an important, less self-centered part of myself that I’d never even known existed. Instead of continuing to drift forward through my life as a global citizen, liking and disliking and withholding my commitment for some later date, I was forced to confront a self that I had to either straight-up accept or flat-out reject.
Which is what love will do to a person. Because the fundamental fact about all of us is that we’re alive for a while but will die before long. This fact is the real root cause of all our anger and pain and despair. And you can either run from this fact or, by way of love, you can embrace it.
When you stay in your room and rage or sneer or shrug your shoulders, as I did for many years, the world and its problems are impossibly daunting. But when you go out and put yourself in real relation to real people, or even just real animals, there’s a very real danger that you might love some of them.
And who knows what might happen to you then?
Ou (outro título possível, que aparece no texto): The contrast between the narcissistic tendencies of technology and the problem of actual love
Ou (este é o melhor, de Alice Sebold, citada por Franzen no discurso): Getting down in the pit and loving somebody
Este texto, parecido - sobretudo no tom, mas não só - ao famoso "This is Water", de D. Foster Wallace, é uma adaptação do discurso inaugural que o escritor Jonathan Franzen fez o dia 21 deste mês no Kenyon College, em Ohio - o mesmo college onde Wallace falou. Como o New York Times adaptou/editou o discurso, eu me sinto livre para editá-lo também (isto é, ficar com o que me atinge mais, ou o que eu quero guardar)*. O discurso completo em áudio está aqui (vale a pena escutá-lo, já que no texto não aparecem nem o amor de Franzen por sua mulher, hoje ex-mulher, nem o amor pela criação literária; dá a falsa impressão de que ele ama "só" os pássaros).
*Acabei guardando quase tudo.
A couple of weeks ago, I replaced my three-year-old BlackBerry Pearl with a much more powerful BlackBerry Bold. (...) I wanted to keep fondling my new Bold. (...) I was, in short, infatuated with my new device. I’d been similarly infatuated with my old device, of course; but over the years the bloom had faded from our relationship. I’d developed trust issues with my Pearl, accountability issues, compatibility issues and even, toward the end, some doubts about my Pearl’s very sanity, until I’d finally had to admit to myself that I’d outgrown the relationship.
Do I need to point out that — absent some wild, anthropomorphizing projection in which my old BlackBerry felt sad about the waning of my love for it — our relationship was entirely one-sided? Let me point it out anyway.
(...)
Let me toss out the idea that, as our markets discover and respond to what consumers most want, our technology has become extremely adept at creating products that correspond to our fantasy ideal of an erotic relationship, in which the beloved object asks for nothing and gives everything, instantly, and makes us feel all powerful, and doesn’t throw terrible scenes when it’s replaced by an even sexier object and is consigned to a drawer.
To speak more generally, the ultimate goal of technology, the telos of techne, is to replace a natural world that’s indifferent to our wishes — a world of hurricanes and hardships and breakable hearts, a world of resistance — with a world so responsive to our wishes as to be, effectively, a mere extension of the self.
Let me suggest, finally, that the world of techno-consumerism is therefore troubled by real love, and that it has no choice but to trouble love in turn.
(...)
A related phenomenon is the transformation, courtesy of Facebook, of the verb “to like” from a state of mind to an action that you perform with your computer mouse, from a feeling to an assertion of consumer choice. And liking, in general, is commercial culture’s substitute for loving. The striking thing about all consumer products — and none more so than electronic devices and applications — is that they’re designed to be immensely likable. This is, in fact, the definition of a consumer product, in contrast to the product that is simply itself and whose makers aren’t fixated on your liking it. (I’m thinking here of jet engines, laboratory equipment, serious art and literature.)
But if you consider this in human terms, and you imagine a person defined by a desperation to be liked, what do you see? You see a person without integrity, without a center. In more pathological cases, you see a narcissist — a person who can’t tolerate the tarnishing of his or her self-image that not being liked represents, and who therefore either withdraws from human contact or goes to extreme, integrity-sacrificing lengths to be likable.
If you dedicate your existence to being likable, however, and if you adopt whatever cool persona is necessary to make it happen, it suggests that you’ve despaired of being loved for who you really are. And if you succeed in manipulating other people into liking you, it will be hard not to feel, at some level, contempt for those people, because they’ve fallen for your shtick. You may find yourself becoming depressed, or alcoholic, or, if you’re Donald Trump, running for president (and then quitting).
Consumer technology products would never do anything this unattractive, because they aren’t people. They are, however, great allies and enablers of narcissism. Alongside their built-in eagerness to be liked is a built-in eagerness to reflect well on us. Our lives look a lot more interesting when they’re filtered through the sexy Facebook interface. We star in our own movies, we photograph ourselves incessantly, we click the mouse and a machine confirms our sense of mastery.
And, since our technology is really just an extension of ourselves, we don’t have to have contempt for its manipulability in the way we might with actual people. It’s all one big endless loop. We like the mirror and the mirror likes us. To friend a person is merely to include the person in our private hall of flattering mirrors.
I may be overstating the case, a little bit. Very probably, you’re sick to death of hearing social media disrespected by cranky 51-year-olds. My aim here is mainly to set up a contrast between the narcissistic tendencies of technology and the problem of actual love. My friend Alice Sebold likes to talk about “getting down in the pit and loving somebody.” She has in mind the dirt that love inevitably splatters on the mirror of our self-regard.
The simple fact of the matter is that trying to be perfectly likable is incompatible with loving relationships. Sooner or later, for example, you’re going to find yourself in a hideous, screaming fight, and you’ll hear coming out of your mouth things that you yourself don’t like at all, things that shatter your self-image as a fair, kind, cool, attractive, in-control, funny, likable person. Something realer than likability has come out in you, and suddenly you’re having an actual life.
Suddenly there’s a real choice to be made, not a fake consumer choice between a BlackBerry and an iPhone, but a question: Do I love this person? And, for the other person, does this person love me?
There is no such thing as a person whose real self you like every particle of. This is why a world of liking is ultimately a lie. But there is such a thing as a person whose real self you love every particle of. And this is why love is such an existential threat to the techno-consumerist order: it exposes the lie.
This is not to say that love is only about fighting. Love is about bottomless empathy, born out of the heart’s revelation that another person is every bit as real as you are. And this is why love, as I understand it, is always specific. Trying to love all of humanity may be a worthy endeavor, but, in a funny way, it keeps the focus on the self, on the self’s own moral or spiritual well-being. Whereas, to love a specific person, and to identify with his or her struggles and joys as if they were your own, you have to surrender some of your self.
The big risk here, of course, is rejection. We can all handle being disliked now and then, because there’s such an infinitely big pool of potential likers. But to expose your whole self, not just the likable surface, and to have it rejected, can be catastrophically painful. The prospect of pain generally, the pain of loss, of breakup, of death, is what makes it so tempting to avoid love and stay safely in the world of liking.
And yet pain hurts but it doesn’t kill. When you consider the alternative — an anesthetized dream of self-sufficiency, abetted by technology — pain emerges as the natural product and natural indicator of being alive in a resistant world. To go through a life painlessly is to have not lived. Even just to say to yourself, “Oh, I’ll get to that love and pain stuff later, maybe in my 30s” is to consign yourself to 10 years of merely taking up space on the planet and burning up its resources. Of being (and I mean this in the most damning sense of the word) a consumer.
When I was in college, and for many years after, I liked the natural world. Didn’t love it, but definitely liked it. It can be very pretty, nature. And since I was looking for things to find wrong with the world, I naturally gravitated to environmentalism, because there were certainly plenty of things wrong with the environment. And the more I looked at what was wrong — an exploding world population, exploding levels of resource consumption, rising global temperatures, the trashing of the oceans, the logging of our last old-growth forests — the angrier I became.
Finally, in the mid-1990s, I made a conscious decision to stop worrying about the environment. There was nothing meaningful that I personally could do to save the planet, and I wanted to get on with devoting myself to the things I loved. I still tried to keep my carbon footprint small, but that was as far as I could go without falling back into rage and despair.
BUT then a funny thing happened to me. It’s a long story, but basically I fell in love with birds. I did this not without significant resistance, because it’s very uncool to be a birdwatcher, because anything that betrays real passion is by definition uncool. But little by little, in spite of myself, I developed this passion, and although one-half of a passion is obsession, the other half is love.
And so, yes, I kept a meticulous list of the birds I’d seen, and, yes, I went to inordinate lengths to see new species. But, no less important, whenever I looked at a bird, any bird, even a pigeon or a robin, I could feel my heart overflow with love. And love, as I’ve been trying to say today, is where our troubles begin.
Because now, not merely liking nature but loving a specific and vital part of it, I had no choice but to start worrying about the environment again. The news on that front was no better than when I’d decided to quit worrying about it — was considerably worse, in fact — but now those threatened forests and wetlands and oceans weren’t just pretty scenes for me to enjoy. They were the home of animals I loved.
And here’s where a curious paradox emerged. My anger and pain and despair about the planet were only increased by my concern for wild birds, and yet, as I began to get involved in bird conservation and learned more about the many threats that birds face, it became easier, not harder, to live with my anger and despair and pain.
How does this happen? I think, for one thing, that my love of birds became a portal to an important, less self-centered part of myself that I’d never even known existed. Instead of continuing to drift forward through my life as a global citizen, liking and disliking and withholding my commitment for some later date, I was forced to confront a self that I had to either straight-up accept or flat-out reject.
Which is what love will do to a person. Because the fundamental fact about all of us is that we’re alive for a while but will die before long. This fact is the real root cause of all our anger and pain and despair. And you can either run from this fact or, by way of love, you can embrace it.
When you stay in your room and rage or sneer or shrug your shoulders, as I did for many years, the world and its problems are impossibly daunting. But when you go out and put yourself in real relation to real people, or even just real animals, there’s a very real danger that you might love some of them.
And who knows what might happen to you then?
Friday, May 27, 2011
Per tu, Uri. Moltes felicitats
(Els regals, com ara aquest segon CD de Tiê i altres, al juliol. :)
La Marisa Monte està trigant molt (s'està "columpiant", diria jo, els últims CD són de 2006!). Però acabo de llegir això al seu site: "Oi gente, tenho acompanhado a movimentação que vocês estão promovendo na internet. Quero agradecer muito e dizer que fico muito satisfeita com o carinho. Estou no momento dedicada à gravação do novo álbum que será lançado no segundo semestre de 2011, mas ainda sem data marcada. Já já estarei pronta para dar mais detalhes. Aguardem. Mil beijos". És a dir que, anant bé, per Nadal. Esperarem.
I una altra, va. Perquè estic sentimental. Una relíquia, t'agradarà:
La Marisa Monte està trigant molt (s'està "columpiant", diria jo, els últims CD són de 2006!). Però acabo de llegir això al seu site: "Oi gente, tenho acompanhado a movimentação que vocês estão promovendo na internet. Quero agradecer muito e dizer que fico muito satisfeita com o carinho. Estou no momento dedicada à gravação do novo álbum que será lançado no segundo semestre de 2011, mas ainda sem data marcada. Já já estarei pronta para dar mais detalhes. Aguardem. Mil beijos". És a dir que, anant bé, per Nadal. Esperarem.
I una altra, va. Perquè estic sentimental. Una relíquia, t'agradarà:
Divulgando!
Começa sábado.
(Cadê O pequeno príncipe!?)
(E quem é que fez o cartaz? Parece de manifestação sindical.)
Esse é o primeiro de dois módulos. Vai ter mais oito livros, mais quatro sábados.
(Cadê O pequeno príncipe!?)
(E quem é que fez o cartaz? Parece de manifestação sindical.)
Esse é o primeiro de dois módulos. Vai ter mais oito livros, mais quatro sábados.
Wednesday, May 25, 2011
Midnight in Paris, by Woody Allen
El meu germà Uri m'envia (gràcies per la primícia) una crítica al·lucinada sobre l'última pel·lícula del Woody Allen. Més que una crítica, és un ditirambe. Potser va anar al cine havent-se pres alguna cosa o potser té raó, però em costa de creure. (Jo et dono el benefici del dubte, Uri, però ets un exagerat. I el que dius sobre el món manifesta el teu Súnion Disorder.)
El tràiler:
La crítica:
Jo també tinc un mestre, però el meu no és un matasanos drugstore cowboy que ho arregla tot a pastillassos, sinó l'únic, el gran, el que ens queda, l'amic Woody Allen. Saps què? Amb aquest home passa una cosa ben curiosa de la que ja em vaig adonar fa onze anys quan feia un treball sobre ell a l'ESCAC (si algú no em creu, segur que encara podria trobar el treball on el meu jo del passat ho explica). El Woody Allen és possiblement l'únic mestre del cine contemporani nord-americà. Probablement sigui el director (i guionista i actor) no només més prolífic del panorama actual, sinó l'únic artista de veritat que queda en aquesta "indústria de merda" (després de la mort del Rohmer). Per molt que hagin fet bones pelis, ni l'Scorsese, ni el Coppola ni cap d'aquests li arriba al taló, per no dir que no he vist cap peli de cap director menor de 45 anys més moderna que les seves (antigues i actuals) des de fa almenys una dècada. I tot i així què fa la gent? Diu: "bueno, no està mal", "la típica peli del Woody Allen", "no és de les millors que ha fet", etc. I jo només puc plorar, tallar-me les venes o, simplement, ignorar que visc en un món estúpid i ignorant on ja no només no es valora la intel·ligència i l'art, sinó que no se saben apreciar ni quan es tenen davant dels nassos i escopint-te a la cara mentre t'estiren l'escrot. No diré més. Només que Midnight in Paris és sublim (i detesto aquesta paraula), tan sublim com els toros i els coloms que el Picasso dibuixava d'un sol traç, com les taques del Miró. Potser la majoria de la gent no ho entén (com no sap apreciar el mateix Picasso o altres), i el mestre ho sap. De fet la seva peli té aquest missatge clarament escrit en neó: que vivim en un món on l'art i la intel·ligència han mort per inanició, on la sensibilitat és allò que tenen les càmeres digitals i on ja ningú entén el més essencial, un món trist, inhumà, fred, desesperant de tan ple d'estupidesa. Malgrat tot, el mestre, com el Bogart, té una esperança (i ens intenta esperançar, perquè, a més de brillant, resulta ser ingenu i optimista), sempre li quedarà París. Potser sí que París és per a un new yorker com un oasi en el desert estúpid de Nord-amèrica. A mi, que sóc d'aquí, ja no em queda ni això...
El tràiler:
La crítica:
Jo també tinc un mestre, però el meu no és un matasanos drugstore cowboy que ho arregla tot a pastillassos, sinó l'únic, el gran, el que ens queda, l'amic Woody Allen. Saps què? Amb aquest home passa una cosa ben curiosa de la que ja em vaig adonar fa onze anys quan feia un treball sobre ell a l'ESCAC (si algú no em creu, segur que encara podria trobar el treball on el meu jo del passat ho explica). El Woody Allen és possiblement l'únic mestre del cine contemporani nord-americà. Probablement sigui el director (i guionista i actor) no només més prolífic del panorama actual, sinó l'únic artista de veritat que queda en aquesta "indústria de merda" (després de la mort del Rohmer). Per molt que hagin fet bones pelis, ni l'Scorsese, ni el Coppola ni cap d'aquests li arriba al taló, per no dir que no he vist cap peli de cap director menor de 45 anys més moderna que les seves (antigues i actuals) des de fa almenys una dècada. I tot i així què fa la gent? Diu: "bueno, no està mal", "la típica peli del Woody Allen", "no és de les millors que ha fet", etc. I jo només puc plorar, tallar-me les venes o, simplement, ignorar que visc en un món estúpid i ignorant on ja no només no es valora la intel·ligència i l'art, sinó que no se saben apreciar ni quan es tenen davant dels nassos i escopint-te a la cara mentre t'estiren l'escrot. No diré més. Només que Midnight in Paris és sublim (i detesto aquesta paraula), tan sublim com els toros i els coloms que el Picasso dibuixava d'un sol traç, com les taques del Miró. Potser la majoria de la gent no ho entén (com no sap apreciar el mateix Picasso o altres), i el mestre ho sap. De fet la seva peli té aquest missatge clarament escrit en neó: que vivim en un món on l'art i la intel·ligència han mort per inanició, on la sensibilitat és allò que tenen les càmeres digitals i on ja ningú entén el més essencial, un món trist, inhumà, fred, desesperant de tan ple d'estupidesa. Malgrat tot, el mestre, com el Bogart, té una esperança (i ens intenta esperançar, perquè, a més de brillant, resulta ser ingenu i optimista), sempre li quedarà París. Potser sí que París és per a un new yorker com un oasi en el desert estúpid de Nord-amèrica. A mi, que sóc d'aquí, ja no em queda ni això...
Tuesday, May 24, 2011
Reiniciando... (Isso demora: paciência)
Capa do caderno Link de ontem, do jornal Estado de S. Paulo.
Domingo, na Espanha, a direita arrasou com tudo (a maioria de espanhóis se absteve, votou em branco ou votou nulo). "O Partido Popular obteve o 37% dos votos, 10 pontos porcentuais a mais do que os socialistas, a maior diferença já registrada desde o fim da ditadura de Franco" (Estado de S. Paulo). E a partir de junho, também pela primeira vez desde o fim da ditadura, Barcelona não terá um governo de esquerda; será governada em minoria pela direita nacionalista catalã, com o apoio da direita nacionalista espanhola. (Nada surpreendente ou novo: direita é direita, grana é grana e nacionalismo é só discurso.) Mas a cidade não vai mudar (a maioria de cidadãos, que não votamos nesses partidos, não vamos deixar); isto é, vai continuar mudando, como até agora. Sendo uma cidade progressista e inovadora, multicultural e voltada para o mundo, de imigrantes, sempre em transformação,... "la chulidad".
A Nelia, minha cunhada, ontem me contou que esteve, com meu irmão Ramon, na concentração/acampamento da Plaça Catalunya e se emocionou com o que viu: com a multidão organizada, discutindo e debatendo assuntos importantes; com a presença não só de jovens, senão também de casais, os mais novos com seus bebês, os mais velhos com crianças, de velhinhos, avós... (Minha amiga Montse também foi, me mandou um e-mail querido.)
Eu tinha a intenção de postar aqui algumas opiniões do crítico cultural norte-americano Fredric Jameson, entrevistado domingo na Folha de S. Paulo, mas joguei o jornal fora. Ele defende o surgimento de novas ideias políticas para o mundo globalizado*. Acha que uma mudança de sistema virá, que é questão de tempo. Falta saber em que lugar, ele diz, ver em quais regiões, país ou países a situação é mais propícia para que isso aconteça primeiro, e logo se espalhe.
*Isso, lido friamente, me parece algo tão óbvio! Nem se trata de defender ou não. Se o mundo mudou e agora é global, o anormal seria que o sistema, as regras, a organização,... não o fizessem.
Sunday, May 22, 2011
Copie conforme, de Abbas Kiarostami (com debate, no Santander Cultural)
Ontem assisti a Copie conforme, o filme de Abbas Kiarostami com Juliette Binoche. O Sérgio me disse para ir, fomos com o João e um grupo de amigos deles, convidados pelo Glênio, o programador do cinema. O filme é bom. Como a Ana Santos já tinha me dito, chato na primeira metade, quando os dois protagonistas (ela comerciante de arte, ele escritor e historiador da arte) discutem sobre o que é um original e o que é uma cópia, qual é o seu valor, etc. (chato porque o diálogo é cheio do que os franceses chamam "idées reçues", e porque o diretor enjoa o espectador com planos nada naturais, e longos, dos dois andando de carro, que enjoam o olhar), e muito melhor na segunda metade, quando eles passam a encenar um matrimônio fracassado depois de 15 anos (eles não são casados entre si, mas têm seus respectivos marido e mulher, seus respectivos matrimônios-fracasso). O filme é bom por essa discussão e porque mexe com o espectador, desconforta. A gente se vê, em maior ou menor grau, identificado em algumas coisas do homem, ou da mulher, ou do relacionamento. E não é agradável se reconhecer num homem-fracasso, numa mulher-fracasso, num matrimônio-fracasso. (O fato de que esses fracassos sejam humanos, fruto das misérias que homens e mulheres carregamos, todos, não alivia, ou a mim não me aliviou; ainda não aprendi a gostar dessas misérias, ao contrário do meu pai, que diz que gosta delas cada vez mais.) Filme surpreendente, para mim, também, porque nele vi, perfeitamente retratado, um casal que conheço (bem, conheço a mulher), mas disso não vou falar. Cinematograficamente, o filme não é tão bom: longe do naturalismo e da simplicidade dos últimos filmes de Oliveira ou de Rohmer, que eu adoro, é um artefato, um construto, vem-se todas suas costuras, a arquitetura por trás. Mas enfim, como a história é boa, humana e tocante, isso pouco importa.
Chato mesmo foi o debate posterior, com uma psicanalista da UFRGS e um filósofo da PUCRS. Seus comentários se repartiram entre, eu diria, 50% bobos e 50% interessantes (pensando bem, não é tão ruim). Nesses momentos, eu disse ao Sérgio na saída, é bom ficar meio escutando, meio sem escutar, usando algumas observações como isca para a gente pensar por si mesma. Eles falaram do filme como um filme sobre "o desencontro", "a dificuldade de se comunicar com o outro", "o que leva as pessoas a estarem sós". Para mim, o tema central do filme é o matrimônio (inclusive o título, ninguém disse, pode se referir a isso: copie conforme, documento oficial, fotocopiado e assinado, contrato entre duas partes, contrato matrimonial), e está na linha de Cenas de um matrimônio e outros filmes sobre o tema. Aqui o matrimônio, repito, é um fracasso total, com três contrapontos de matrimônios felizes (ainda bem): um que aparece na história, dialogando com os protagonistas; outro que aparece mas não fala, composto por dois velhinhos que, por como agem, vê-se que se amam e se amaram toda a vida; e um terceiro que é o mais importante e feliz, ausente no filme, só referido: o da irmã da protagonista, de quem esta (Juliette Binoche, chatinha) sente inveja. Há um outro matrimônio que adorei: esse aparece só num plano (longo o suficiente, perfeito), representado unicamente pela mulher: numa igreja, a câmera (no filme a câmera se enxerga sempre, e isso dá um filme "do diretor", e isso é ruim) foca uma noiva, uma garota com cara de quem vai ver um morto em vez de se casar.
O Sérgio, na saída, quis picar o Glênio (imitando os protagonistas, que implicam o tempo todo). "Não é para se debater nada depois de um filme", ele disse, mais ou menos, "isso estraga tudo". Eu disse: "Sérgio, ele é o programador, organizador dos debates...". "Eu sei", ele sorriu, "por isso que eu falo". O Sérgio é genial, muito fera e muito palhaço, mas o Glênio não foi tão bem-humorado: "Então não vem, pô!". "Então não me convida!" "Então tá, não te convido mais. ... As pessoas gostam!, quando tem debate é que a sala lota!" O sangue não chegou ao rio, eles se deram um abração. (Mas o Glênio ficou meio magoado, fomos jantar e ele ainda estava meio assim; bom, pior para ele.) Concordo com o Sérgio. Quando um filme é bom, ou um romance (saudade de esculhambar romances e escritores na faculdade, sobretudo com o Josep, também com o Francesc e o Carles, mas o Josep era mais danado), ou qualquer outra obra de arte (pintura, etc.), melhor não falar nada, essa experiência não é compartilhável. Outra coisa é quando um filme, romance, etc. é muito ruim. Então sim, nada melhor, é muito prazeroso ter amigos perto com quem conversar, sentar num banquinho e falar do mal, esculachar, dar risada.
PS: Na terça às 19 h o filme passa de novo, com debate em francês. Vale a pena, recomendo. (Ah!, e o Glênio é um cara legal! ;)
PS nada a ver: Sergi, aquest és el Quim Monzó tal i com l'imiten al "Polònia" (en un programa de llibres, amb el Pere Gimferrer i la Maruja Torres):
Saturday, May 21, 2011
Directo desde la Puerta del Sol, Madrid
La Plaça Catalunya, a Barcelona, està igual (suposo que l'Uri hi és). I València, Zaragoza, Sevilla, etc. - més de 300 ciutats.
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Informe de l'Uri:
Avui, jornada de reflexió, tot i la prohibició de la Junta Electoral central les protestes i les acampades segueixen, i sembla que seguiran demà. Com jo creia, sembla que cap polític es vol posar en el pollastre de provocar un desallotjament violent el dia abans de les eleccions, que, segons com acabés, els podria passar factura. Això sí, la prohibició ha fet que les protestes siguin neutrals, és a dir, que no es demani el vot per ningú ni per res (tampoc en blanc), per evitar problemes. Simplement, diuen que estan reflexionant lliurement sobre temes socials però sense entrar en política. La poli diu que, en aquest cas, no intervindrà si no és perquè hi ha aldarulls, i per això a les acampades s'està atent per evitar que vingui el típic grup a rebentar el tema i provocar aldarulls que justifiquin una intervenció policial. De moment sembla que no passarà, entre altres coses perquè avui encara ha sortit més gent al carrer a recolzar la protesta, i molta d'aquesta és gent més gran (pares amb fills, avis, etc.), que entre que estan indignats i que és dissabte poden participar. Jo ahir no hi vaig anar, però segurament aquest vespre hi aniré. Ara bé, segueixo sent escèptic. Em sembla molt bé que la gent es queixi, però no tinc clar que d'aquí surti res concret. Es fan moltes assemblees, però es concreten poques coses i, a més, són més aviat "ajustos" que canvis reals. I si la cosa segueix així, crec que a poc a poc, quan passin les eleccions i les teles i els partits comencin a perdre interès pel tema, això s'anirà desfent, el futbol i la realitat tornaran... i fins a la pròxima. No sé, it's my opinion. En qualsevol cas he de dir que anar allà i veure el tema motiva i aixeca una mica els ànims i l'esperança, tot i la poca fe (I may say). Seguirem informant...
Segon informe de l'Uri:
Estic d'acord, no hi ha cap club a Catalunya més antisistema que l'Espanyol. Però ara no és hora de parlar de futbol (i en parles tu, que al primer informe et queixes que a partir de dilluns el futbol tornarà a ser el més important!). OK, som l'Espanyol, mai no oblidem. Iván, gràcies pel 1-2 al camp del "millor equip del món", hehe; gràcies pel 3 a 1 contra el mateix equip a Montjuïc, que vam veure en directe l'Uri, el Ramon, el meu pare i jo; gràcies per la Copa del Rei; gràcies per tot.
PS: Uri! Tenies molt amagat que havies d'anar a una taula electoral, hahaha! Quina p####! No podies fer res? Al·legar objecció de consciència? Pagar la multa? Qualsevol cosa, abans que participar a la farsa?
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Informe de l'Uri:
Avui, jornada de reflexió, tot i la prohibició de la Junta Electoral central les protestes i les acampades segueixen, i sembla que seguiran demà. Com jo creia, sembla que cap polític es vol posar en el pollastre de provocar un desallotjament violent el dia abans de les eleccions, que, segons com acabés, els podria passar factura. Això sí, la prohibició ha fet que les protestes siguin neutrals, és a dir, que no es demani el vot per ningú ni per res (tampoc en blanc), per evitar problemes. Simplement, diuen que estan reflexionant lliurement sobre temes socials però sense entrar en política. La poli diu que, en aquest cas, no intervindrà si no és perquè hi ha aldarulls, i per això a les acampades s'està atent per evitar que vingui el típic grup a rebentar el tema i provocar aldarulls que justifiquin una intervenció policial. De moment sembla que no passarà, entre altres coses perquè avui encara ha sortit més gent al carrer a recolzar la protesta, i molta d'aquesta és gent més gran (pares amb fills, avis, etc.), que entre que estan indignats i que és dissabte poden participar. Jo ahir no hi vaig anar, però segurament aquest vespre hi aniré. Ara bé, segueixo sent escèptic. Em sembla molt bé que la gent es queixi, però no tinc clar que d'aquí surti res concret. Es fan moltes assemblees, però es concreten poques coses i, a més, són més aviat "ajustos" que canvis reals. I si la cosa segueix així, crec que a poc a poc, quan passin les eleccions i les teles i els partits comencin a perdre interès pel tema, això s'anirà desfent, el futbol i la realitat tornaran... i fins a la pròxima. No sé, it's my opinion. En qualsevol cas he de dir que anar allà i veure el tema motiva i aixeca una mica els ànims i l'esperança, tot i la poca fe (I may say). Seguirem informant...
Segon informe de l'Uri:
He estat a la Plaça Catalunya i la protesta segueix, tot i que em comença a semblar evident que no servirà de res (i juro que m'agradaria equivocar-me!!!). A part d'això, avui s'ha retirat el De la Peña i crec que es mereix una menció!!!! A la merda el sistema i visca l'Espanyol (que és antisistema, en la trista mesura en què ho pot ser un club de futbol... jejeje).
Estimat Uri: Aquest segon no és un informe ni és res. Però no t'ho tinc en compte, t'entenc molt bé, suposo que jo tindria la mateixa impressió si hagués estat en alguna d'aquestes concentracions. Però no perdis la fe, això no ha fet més que començar. Entre altres coses, perquè la crisi durarà molt més. Estats Units i Europa encara no han tocat fons, Europa encara no ha rescatat Espanya i Itàlia (i això passarà); ha rescatat Grècia però l'haurà de rescatar una segona vegada, etc. Els canvis vindran, tard o d'hora, per activa (perquè la gent no aguantarà més) o per passiva (perquè no hi haurà una altra opció, "no habrá más huevos").
Estic d'acord, no hi ha cap club a Catalunya més antisistema que l'Espanyol. Però ara no és hora de parlar de futbol (i en parles tu, que al primer informe et queixes que a partir de dilluns el futbol tornarà a ser el més important!). OK, som l'Espanyol, mai no oblidem. Iván, gràcies pel 1-2 al camp del "millor equip del món", hehe; gràcies pel 3 a 1 contra el mateix equip a Montjuïc, que vam veure en directe l'Uri, el Ramon, el meu pare i jo; gràcies per la Copa del Rei; gràcies per tot.
PS: Uri! Tenies molt amagat que havies d'anar a una taula electoral, hahaha! Quina p####! No podies fer res? Al·legar objecció de consciència? Pagar la multa? Qualsevol cosa, abans que participar a la farsa?
Friday, May 20, 2011
Para descontrair (o Brasil é demais)
Enviado pelo Sérgio. (Que, comentário nada a ver, ontem me ensinou a dizer "bom dia" e "qual é o teu nome?" em linguagem de sinais.)
Esta mulher, de Caruaru, Pernambuco, constrói e vende nas ruas, cantando (e como canta!), seus tamboretes (tamborets, taburetes).
Esta mulher, de Caruaru, Pernambuco, constrói e vende nas ruas, cantando (e como canta!), seus tamboretes (tamborets, taburetes).
Thursday, May 19, 2011
We really should do these things NOW 3 (+ About Súnion ICC)
(Nota nada a ver: O Yuji traduziu o trailer de Norwegian Wood, nos comments, num post abaixo. Leiam, é linda. Bé, això ho hauria d'haver escrit en català, que és la llengua que el Yuji ha fet servir, una de les seves estimades llengües d'adopció.)
Mi hermano Uri me pide algo así como que sea un líder mundial. Uri: Súnion ha hecho mucho daño, pero no tanto. Súnion (pero eso Uri lo podrá contar mejor) fue el instituto adonde fuimos mis hermanos y yo, y nuestros mejores amigos hasta hoy. Un instituto catalanista y laico, creado tras la dictadura para, supuestamente (aunque esto sólo lo supimos años después), "formar a los nuevos talentos" políticos, intelectuales, científicos, etc. de nuestro petit país, Catalunya. Los resultados nunca fueron nada buenos. Como a los amigos de Uri les gusta recordar (cuando se reencuentran y se emborrachan por las fiestas de la Mercè), más bien fueron desastrosos, dejando a buena parte de los ex alumnos totalmente perdidos, sin saber qué hacer con sus vidas, cómo hacerlo, dónde hacerlo. Uri colecciona ejemplos, yo sólo recuerdo algunos. Una amiga suya, después de trabajar de directora de fotografía de un buen director de cine español, se fue a Washington D.C. a limpiar váteres y estudiar psicología (sigue allí). Otro montó un camping en el Empordà, ganó un buen dinero y luego lo dejó (creo que le llamaron recientemente para abrir un restaurante en el litoral de São Paulo). Otro dio la vuelta al mundo ocho veces como "fotógrafo de a bordo" de cruceros de lujo, hasta que se cansó (no sé qué está haciendo ahora). Mi hermana está en Mali bañándose en el Níger y aprendiendo la lengua bambara (me mandó un e-mail hace poco que un día traduciré). Yo, que no quiero incluirme en el grupo de los talentosos pero estoy, sin duda, en el de los perdidos para la causa, estoy en Porto Alegre sin saber muy bien por qué, haciendo aproximadamente nada. Uno de los que se dieron mejor es actor, hace varios papeles en un programa satírico político de televisión. Una amiga mía que escribía de maravilla montó una librería en un pueblo de Girona y no escribió más. Otro se fue a Estambul a aprender turco y enseñar español, se casó, se separó y no volvió. Otra se fue a la China porque no podía ir más lejos. Súnion! Cierto, tuvimos mejores profesores de arte, literatura y filosofía en Secundaria que años después en la universidad. Y nos hacían cocinar, cultivar un huerto, organizar el horario de clases, evaluar a nuestros compañeros, casi casi hasta llevar las cuentas de la escuela. Hasta teníamos nuestro espacio para fumar (y experimentar otras sustancias, sobre todo los que eran amigos del profesor de arte). Eso fue Súnion, más o menos (no sé si sigue siendo). Nosotros nos perdimos y las supuestas élites del país continuaron saliendo de los salesianos, carmelitas, maristas y demás (que siempre nos ganaban al baloncesto).
Y ahora Uri me dice que qué estoy haciendo yo, en estos momentos en que (cito y traduzco) "están empezando a pasar cosas. La gente empieza a protestar también aquí, en muchas ciudades, en calles y plazas. Gente de todas las edades y perfiles, estudiantes, parados, trabajadores y jubilados, gente cabreada con el sistema y con el robo que estamos sufriendo delante de nuestras narices. Mientras el sistema, claro, empieza a contraatacar, utilizando argumentos de desprestigio, llamando a todos de anti-sistema (y no alter-sistema), dibujándolos como freaks o violentos o anarquistas (aunque no estaría nada mal, digo yo, lo de anarquistas), usando las herramientas creadas por el sistema para destruir todo aquello que se le oponga, lo critique o simplemente moleste, aunque esto signifique caer en las peores y más básicas contradicciones y estupideces (cómo pueden prohibir una protesta que llama al voto responsable, diciendo que esto puede influir en la libertad de voto?). Lo único positivo es que, justamente porque faltan cuatro días para las elecciones, nadie, de ninguna ciudad o comunidad, se atreve a ordenar la entrada de los anti-disturbios (como harían en cualquier otro momento y como harán, sin duda, a partir del lunes, si las protestas siguen), y de momento se toman medidas más suaves, que permiten que los manifestantes, los acampados por ejemplo en la Puerta del Sol, sigan allí".
"Ni un comentario en tu blog", dice Uri, "ni un artículo, ni una foto. Tío, espabila. Primero, porque estoy seguro de que compartes la indignación y también protestarías, segundo porque hace falta difusión mundial, y tercero porque este movimiento necesita voces inteligentes y no vendidas en vez de la pandilla de vendidos desgraciados que tenemos como periodistas en este país, que llevan tres días haciendo campaña a favor del sistema o intentando reconvertir todas estas protestas en formas favorables al sistema o asimilables por este (sea para sacar provecho electoral, sea para convertirlo todo en un simple ruido de fondo), siempre usando las artimañas más viles".
Bueno Uri, vale! Dentro vídeo!
Me he equivocado (aunque tú podrías venir a Brasil, y los de la Puerta del Sol, si quisieran, también). El vídeo que vi estos días era este:
Pongo este vídeo ("estoy hasta la polla", se oye al principio, pero no es por eso) porque me gusta este chico y me identifico con lo que dice. Especialmente, con ese "No sabemos qué hacer, pero sabemos que tenemos que hacer algo" (me gusta también el "se han pasado, esta vez han ido demasiado lejos"). En serio: ese "no sé qué, pero algo tenemos que hacer" es lo único que podría decir, que yo subscribiría. Diría, además, que aunque cueste imaginar ese algo debe venir de fuera del sistema. El vídeo es del primer día de acampada en la Puerta del Sol de Madrid (el día anterior, 15 de mayo, fue el de la gran manifestación).
Y el siguiente es un vídeo de hoy, tercer día, 18 de mayo, 9 de la noche, con (según se lee en la noticia más abajo) la acampada prohibida por la Junta Electoral y 500 policías en la zona, de momento sin hacer nada. (Impresionante: Uri, vete a Madrid ya. "The times they are a-changin'"?, preguntas. I think they are.)
Tengo más para contar, pero será en otro post. Hay una chica en Francia que, sin discursos, está intentando vivir tan al margen cuanto puede del sistema (a ejemplo de gente que está haciendo lo mismo en grandes ciudades de Estados Unidos). Algo de lo que hace me da pistas sobre lo que podría ser un buen futuro... (Es de Porto Alegre, que por algo fue la sede y la ciudad donde nació el Forum Social Mundial.) Otro mundo es posible. Bueno, un adelanto, en dos palabras, aunque se trata más de una cuestión de actitud que de movimientos (y ella lo explica mejor): freeganism y couchsurfing.
"Una abraçada tan indignada com curiosa com esperançada (bueno, no ens enganyem, més indignada i curiosa que esperançada...)."
Una altra per tu, Uri.
PS: Mi hermano también me manda esta noticia. En ella se lee que las protestas son en todas partes de España :) y se ve de que lado están los medios :( - incluido el que la publica, El País.
Mi hermano Uri me pide algo así como que sea un líder mundial. Uri: Súnion ha hecho mucho daño, pero no tanto. Súnion (pero eso Uri lo podrá contar mejor) fue el instituto adonde fuimos mis hermanos y yo, y nuestros mejores amigos hasta hoy. Un instituto catalanista y laico, creado tras la dictadura para, supuestamente (aunque esto sólo lo supimos años después), "formar a los nuevos talentos" políticos, intelectuales, científicos, etc. de nuestro petit país, Catalunya. Los resultados nunca fueron nada buenos. Como a los amigos de Uri les gusta recordar (cuando se reencuentran y se emborrachan por las fiestas de la Mercè), más bien fueron desastrosos, dejando a buena parte de los ex alumnos totalmente perdidos, sin saber qué hacer con sus vidas, cómo hacerlo, dónde hacerlo. Uri colecciona ejemplos, yo sólo recuerdo algunos. Una amiga suya, después de trabajar de directora de fotografía de un buen director de cine español, se fue a Washington D.C. a limpiar váteres y estudiar psicología (sigue allí). Otro montó un camping en el Empordà, ganó un buen dinero y luego lo dejó (creo que le llamaron recientemente para abrir un restaurante en el litoral de São Paulo). Otro dio la vuelta al mundo ocho veces como "fotógrafo de a bordo" de cruceros de lujo, hasta que se cansó (no sé qué está haciendo ahora). Mi hermana está en Mali bañándose en el Níger y aprendiendo la lengua bambara (me mandó un e-mail hace poco que un día traduciré). Yo, que no quiero incluirme en el grupo de los talentosos pero estoy, sin duda, en el de los perdidos para la causa, estoy en Porto Alegre sin saber muy bien por qué, haciendo aproximadamente nada. Uno de los que se dieron mejor es actor, hace varios papeles en un programa satírico político de televisión. Una amiga mía que escribía de maravilla montó una librería en un pueblo de Girona y no escribió más. Otro se fue a Estambul a aprender turco y enseñar español, se casó, se separó y no volvió. Otra se fue a la China porque no podía ir más lejos. Súnion! Cierto, tuvimos mejores profesores de arte, literatura y filosofía en Secundaria que años después en la universidad. Y nos hacían cocinar, cultivar un huerto, organizar el horario de clases, evaluar a nuestros compañeros, casi casi hasta llevar las cuentas de la escuela. Hasta teníamos nuestro espacio para fumar (y experimentar otras sustancias, sobre todo los que eran amigos del profesor de arte). Eso fue Súnion, más o menos (no sé si sigue siendo). Nosotros nos perdimos y las supuestas élites del país continuaron saliendo de los salesianos, carmelitas, maristas y demás (que siempre nos ganaban al baloncesto).
Y ahora Uri me dice que qué estoy haciendo yo, en estos momentos en que (cito y traduzco) "están empezando a pasar cosas. La gente empieza a protestar también aquí, en muchas ciudades, en calles y plazas. Gente de todas las edades y perfiles, estudiantes, parados, trabajadores y jubilados, gente cabreada con el sistema y con el robo que estamos sufriendo delante de nuestras narices. Mientras el sistema, claro, empieza a contraatacar, utilizando argumentos de desprestigio, llamando a todos de anti-sistema (y no alter-sistema), dibujándolos como freaks o violentos o anarquistas (aunque no estaría nada mal, digo yo, lo de anarquistas), usando las herramientas creadas por el sistema para destruir todo aquello que se le oponga, lo critique o simplemente moleste, aunque esto signifique caer en las peores y más básicas contradicciones y estupideces (cómo pueden prohibir una protesta que llama al voto responsable, diciendo que esto puede influir en la libertad de voto?). Lo único positivo es que, justamente porque faltan cuatro días para las elecciones, nadie, de ninguna ciudad o comunidad, se atreve a ordenar la entrada de los anti-disturbios (como harían en cualquier otro momento y como harán, sin duda, a partir del lunes, si las protestas siguen), y de momento se toman medidas más suaves, que permiten que los manifestantes, los acampados por ejemplo en la Puerta del Sol, sigan allí".
"Ni un comentario en tu blog", dice Uri, "ni un artículo, ni una foto. Tío, espabila. Primero, porque estoy seguro de que compartes la indignación y también protestarías, segundo porque hace falta difusión mundial, y tercero porque este movimiento necesita voces inteligentes y no vendidas en vez de la pandilla de vendidos desgraciados que tenemos como periodistas en este país, que llevan tres días haciendo campaña a favor del sistema o intentando reconvertir todas estas protestas en formas favorables al sistema o asimilables por este (sea para sacar provecho electoral, sea para convertirlo todo en un simple ruido de fondo), siempre usando las artimañas más viles".
Bueno Uri, vale! Dentro vídeo!
Me he equivocado (aunque tú podrías venir a Brasil, y los de la Puerta del Sol, si quisieran, también). El vídeo que vi estos días era este:
Pongo este vídeo ("estoy hasta la polla", se oye al principio, pero no es por eso) porque me gusta este chico y me identifico con lo que dice. Especialmente, con ese "No sabemos qué hacer, pero sabemos que tenemos que hacer algo" (me gusta también el "se han pasado, esta vez han ido demasiado lejos"). En serio: ese "no sé qué, pero algo tenemos que hacer" es lo único que podría decir, que yo subscribiría. Diría, además, que aunque cueste imaginar ese algo debe venir de fuera del sistema. El vídeo es del primer día de acampada en la Puerta del Sol de Madrid (el día anterior, 15 de mayo, fue el de la gran manifestación).
Y el siguiente es un vídeo de hoy, tercer día, 18 de mayo, 9 de la noche, con (según se lee en la noticia más abajo) la acampada prohibida por la Junta Electoral y 500 policías en la zona, de momento sin hacer nada. (Impresionante: Uri, vete a Madrid ya. "The times they are a-changin'"?, preguntas. I think they are.)
Tengo más para contar, pero será en otro post. Hay una chica en Francia que, sin discursos, está intentando vivir tan al margen cuanto puede del sistema (a ejemplo de gente que está haciendo lo mismo en grandes ciudades de Estados Unidos). Algo de lo que hace me da pistas sobre lo que podría ser un buen futuro... (Es de Porto Alegre, que por algo fue la sede y la ciudad donde nació el Forum Social Mundial.) Otro mundo es posible. Bueno, un adelanto, en dos palabras, aunque se trata más de una cuestión de actitud que de movimientos (y ella lo explica mejor): freeganism y couchsurfing.
"Una abraçada tan indignada com curiosa com esperançada (bueno, no ens enganyem, més indignada i curiosa que esperançada...)."
Una altra per tu, Uri.
PS: Mi hermano también me manda esta noticia. En ella se lee que las protestas son en todas partes de España :) y se ve de que lado están los medios :( - incluido el que la publica, El País.
Wednesday, May 18, 2011
O caderno rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst
Se pretende ser literatura: ruim. Se pretende ser erótico (ou pornográfico?): ruim. Se pretende chocar: ruim também (li as últimas 20 páginas em diagonal). A voz da criança de 8 anos (Lori, a narradora) está bem recriada, mas isso não é difícil, esse tipo de voz narrativa infantil até virou clichê. (Lembro de uma personagem da mesma idade, no romance The Sorrows of an American, de Siri Hustvedt, que fala e ganha vida de um modo mais original, além de seduzir e perturbar sem mostrar sua boceta.) Enfim, por tudo junto: ridículo.*
*Outra possibilidade é que o livro seja "a bandalheira que o Lalau quer". Lalau é o editor do pai de Lori, que está escrevendo um romance. O pai chama esse editor de f.d.p. que só quer um texto para agradar aos "leitores ANARFABETOS" e assim vender muito. Mas isso mais parece uma desculpa do que uma motivação real da escritora Hilda Hilst.

PS: Com respeito ao meu projeto de doutorado, ler esse tipo de livros me deprime. Me fazem lembrar de Edna O'Brien, que disse de Chico Buarque que não era um escritor. Ou da crítica de arte que relativizou o valor das obras de Tarsila de Amaral. E então duvido se vou encontrar na literatura brasileira do XX os exemplos que eu procuro... :(
PS2: Já encontrei um (mais um), num sebo. Verão no aquário, da Lygia Fagundes Telles. :))
*Outra possibilidade é que o livro seja "a bandalheira que o Lalau quer". Lalau é o editor do pai de Lori, que está escrevendo um romance. O pai chama esse editor de f.d.p. que só quer um texto para agradar aos "leitores ANARFABETOS" e assim vender muito. Mas isso mais parece uma desculpa do que uma motivação real da escritora Hilda Hilst.

PS: Com respeito ao meu projeto de doutorado, ler esse tipo de livros me deprime. Me fazem lembrar de Edna O'Brien, que disse de Chico Buarque que não era um escritor. Ou da crítica de arte que relativizou o valor das obras de Tarsila de Amaral. E então duvido se vou encontrar na literatura brasileira do XX os exemplos que eu procuro... :(
PS2: Já encontrei um (mais um), num sebo. Verão no aquário, da Lygia Fagundes Telles. :))
Sunday, May 15, 2011
Reunião de 1/6 da OEC + C27 (?) (Mistério!)

Com a metade do rosto (de suas vidas, também?) na sombra... ah!, como são misteriosos, esses escritores!
... E essas mulheres na meia-luz,... pixeladas por quê? É um mistério!

(Él lo observa todo, impertérrito. ¿Qué estarás pensando, Misterioso Hombre de Negro?)
PS nada a ver: Já está no cinema, na Espanha e nos Estados Unidos, ainda não no Brasil, Norwegian Wood (Tokio Blues), baseado no romance de Haruki Murakami (é o primeiro dos seus romances filmado, se não me engano). Não dá para entender nada, mas posto aqui o trailer japonês, que achei o mais lindo.
Wednesday, May 11, 2011
Amar não é pecado (e a música brega também pode fazer bem)
Luan Santana é um fenômeno teen, e essa música é famosa por ser a da novela (em espanhol da Espanha, "culebrón") das sete. Um amigo (que pediu sigilo) me disse que gostava - me avisando que era brega (o gênero é "romântico-sertanejo"). Bom, amigo X: eu também gosto, "e não tô nem ligando pro que vão dizer" (ou, como na música de Mecano*, "y lo que opinen los demás está de más").
Ó, a letra, para fazer karaokê:
Eu não sei de onde vem / Essa força que me leva pra você / Eu só sei que faz bem / Mas confesso que no fundo eu duvidei / Tive medo, em segredo / Guardei o sentimento e me sufoquei / Mas agora é a hora / Vou gritar pra todo mundo de uma vez... / Eu tô apaixonado / Eu tô contando tudo / E não tô nem ligando pro que vão dizer / Amar não é pecado / E se eu tiver errado / Que se dane o mundo / Eu só quero você...
*Agora deu uma saudade da Laura Rochera, amiga do instituto, linda e cabeça, que via nas letras de J. M. Cano o que o resto de nós ainda não conseguíamos ver (ela lia Proust, com 18 anos...).
Ó, a letra, para fazer karaokê:
Eu não sei de onde vem / Essa força que me leva pra você / Eu só sei que faz bem / Mas confesso que no fundo eu duvidei / Tive medo, em segredo / Guardei o sentimento e me sufoquei / Mas agora é a hora / Vou gritar pra todo mundo de uma vez... / Eu tô apaixonado / Eu tô contando tudo / E não tô nem ligando pro que vão dizer / Amar não é pecado / E se eu tiver errado / Que se dane o mundo / Eu só quero você...
*Agora deu uma saudade da Laura Rochera, amiga do instituto, linda e cabeça, que via nas letras de J. M. Cano o que o resto de nós ainda não conseguíamos ver (ela lia Proust, com 18 anos...).
Tuesday, May 10, 2011
Cada dia m'agraden menys els humans i més els ximpanzés
Esse é o título de um e-mail que recebi hoje do Uri (qué me vas a decir, hermano; no estás solo, no estamos solos), com a seguinte entrevista publicada em La Vanguardia. (Sérgio: essa mulher deu uma palestra no CosmoCaixa sobre "cómo la lengua de los signos borra la separación entre chimpancés y humanos".) (A tu també t'agradarà, Mercè. Petons.)
"Gracias, contenta, abrazo, te quiero"
Entrevista a Deborah Fouts publicada en La Contra del periódico La Vanguardia, 09/05/11
Deborah Fouts y su marido, Roger Fouts, cumplen 68 años. Tienen 3 hijos, 5 nietos, y viven 3 de los 5 chimpancés que criaron. Deborah es psicóloga y dirige el Instituto de Comunicación entre chimpancés y humanos de la Central Washington University.
-Estábamos recién casados (1964) y Roger quiso hacer su doctorado, por casualidad contactamos con otra pareja de psicólogos, los doctores Garner, que se convirtieron en sus profesores de doctorado.
-Los primeros en enseñar a una chimpancé el lenguaje de los sordomudos.
-Washoe era una chimpancé muy jovencita y los Garner querían rodearla de personas que fueran sus amigos, que hablaran entre sí la lengua de signos americana (ASL) y lo hablaran con ella, así que todos fuimos a la entrevista, incluido mi hijo de cinco meses.
-Curiosos los Garner.
-En cuanto nos vio, Washoe abrazó a Roger, y ese abrazo cambió nuestra vida, las de mis hijos y las de mis nietos. Washoe se convirtió en una más de la familia.
-¿Washoe vivía con más chimpancés?
-En el refugio vivían 30 chimpancés, pero Washoe estaba siempre con nosotros. No se sentía parte de sus congéneres a los que llamaba bichos negros. Al proyecto Garner se sumaron Loui, hijo adoptivo de Washoe, y la joven Moja. Pero ocurrió algo terrible.
-No me asuste.
-El director del Instituto de Estudios con Primates de la Universidad de Oklahoma donde trabajábamos se dedicaba a vender chimpancés para la investigación biomédica.
-Los vendió.
-A todos salvo a Washoe, Louis y Moja que no eran suyos. Tuvimos pesadillas durante meses y decidimos irnos a una universidad menos prestigiosa, a la Central Washigton.
-¿Cómo se llevaban sus hijos y los chimpancés?
-Cuando falleció Washoe cada uno de mis tres hijos habló en la ceremonia de despedida y se refirieron a ella como “mi hermana”.
-Volvamos al recién inaugurado Instituto de Comunicación entre Humanos y Chimpancés.
-Por fin arranqué mi proyecto con la familia de chimpancés que ya había crecido a cinco miembros: coloqué cámaras en su recinto para espiarlos cuando estaban solos.
-Cuénteme.
-Utilizaban el lenguaje de signos entre ellos sin necesidad de que hubiera presencia humana, sin que nadie les estimulara. Y también lo utilizaban para hablar consigo mismos. Tienen cultura y la pasan de padres a hijos. De hecho fue Washoe la que enseñó el lenguaje de signos a su hijo, a la joven Moja, a Dar y a Tatu.
-¿Qué fue lo que más le sorprendió?
-Para poder grabarlos a solas yo pedía cada día a todos los humanos que se fueran. Un día Washoe se acercó a la cámara que estaba escondida, y dijo con signos: “Devi, sucia, Devi”. Estaba enfadada conmigo porque me había llevado a sus amigos humanos.
-¿Cuáles son sus conclusiones?
-Entre ellos hablan a menudo y su conversación es la que tendría cualquier familia, lo que demuestra que somos muy parecidos. De hecho cuando hablas con ellos y te vas por las ramas –es uno de nuestros estudios– ellos reconducen la conversación.
-¿De qué hablan entre ellos?
-De juegos, de sus estados de ánimo, mienten… Si están mirando una revista y ven un helado, hacen el signo del helado o van a enseñarle a otro la foto y explicarle lo que es un helado.
-Hábleme de sus estados de ánimo.
-Son muy empáticos. Si Washoe te veía triste, hacía el signo de abrazo, y si te veía contenta, te decía que ella también lo estaba. La Navidad les gusta mucho y te lo hacen saber: “Gracias, contenta, abrazo, te quiero”.
-¿Diferentes personalidades?
-Washoe se encargaba de todos los demás, era la patriarca; Moja era muy presumida, le gustaba ponerse pendientes y pintalabios; Tatu es la que controla el tiempo, cuando van a llegar las primeras nevadas nos dice “árbol dulce”; se refiere al árbol de Navidad que decoramos con dulces, también nos indica la hora de comer, la de dormir…
-Prácticamente humanos.
-A Dar le encantan las mujeres embarazadas, en cuanto ve a una le dice: “Bebé dentro”. Y cada uno tiene sus preferencias, miran revistas y nos piden lo que les gusta: zapatos, un vestido rojo o un sombrero, y les encanta mirar revistas gastronómicas.
-¿Saben lo que es la muerte?
-Cuando a Washoe se le murió una cría, repetía: “Bebé fin”. Y cuando una colaboradora tuvo un aborto y le explicó que su bebé había muerto, Washoe le dijo: “Yo llorar y abrazo”. Tienen ética, saben lo que es justo y lo que no, si un humano favorece a uno más que a otro se enfadan mucho.
-Dígame qué le ha enternecido.
-Cuando Washoe estaba ya muy enferma sólo quería que yo le diera la mano. Cuando murió todos los demás chimpancés se acercaron muy despacio y la acariciaron.
-¿Cuál es el gesto más inteligente que les ha visto realizar?
-Más allá del lenguaje de signos me impresiona su capacidad de compasión. En una ocasión Washoe, cuando vivía con los que consideraba bichos negros despreciables, vio que un chimpancé se caía al agua. No saben nadar y Washoe se agarró a unos matorrales y estiró el brazo para salvarlo; es decir arriesgó su vida por un chimpancé que no conocía de nada.
-¿Cuál es su conclusión fundamental?
-Cuan cercanos somos, nosotros somos seres humanos y ellos seres chimpancés y lo único que importa es el sustantivo, el ser.
"Gracias, contenta, abrazo, te quiero"
Entrevista a Deborah Fouts publicada en La Contra del periódico La Vanguardia, 09/05/11
Deborah Fouts y su marido, Roger Fouts, cumplen 68 años. Tienen 3 hijos, 5 nietos, y viven 3 de los 5 chimpancés que criaron. Deborah es psicóloga y dirige el Instituto de Comunicación entre chimpancés y humanos de la Central Washington University.
-Estábamos recién casados (1964) y Roger quiso hacer su doctorado, por casualidad contactamos con otra pareja de psicólogos, los doctores Garner, que se convirtieron en sus profesores de doctorado.
-Los primeros en enseñar a una chimpancé el lenguaje de los sordomudos.
-Washoe era una chimpancé muy jovencita y los Garner querían rodearla de personas que fueran sus amigos, que hablaran entre sí la lengua de signos americana (ASL) y lo hablaran con ella, así que todos fuimos a la entrevista, incluido mi hijo de cinco meses.
-Curiosos los Garner.
-En cuanto nos vio, Washoe abrazó a Roger, y ese abrazo cambió nuestra vida, las de mis hijos y las de mis nietos. Washoe se convirtió en una más de la familia.
-¿Washoe vivía con más chimpancés?
-En el refugio vivían 30 chimpancés, pero Washoe estaba siempre con nosotros. No se sentía parte de sus congéneres a los que llamaba bichos negros. Al proyecto Garner se sumaron Loui, hijo adoptivo de Washoe, y la joven Moja. Pero ocurrió algo terrible.
-No me asuste.
-El director del Instituto de Estudios con Primates de la Universidad de Oklahoma donde trabajábamos se dedicaba a vender chimpancés para la investigación biomédica.
-Los vendió.
-A todos salvo a Washoe, Louis y Moja que no eran suyos. Tuvimos pesadillas durante meses y decidimos irnos a una universidad menos prestigiosa, a la Central Washigton.
-¿Cómo se llevaban sus hijos y los chimpancés?
-Cuando falleció Washoe cada uno de mis tres hijos habló en la ceremonia de despedida y se refirieron a ella como “mi hermana”.
-Volvamos al recién inaugurado Instituto de Comunicación entre Humanos y Chimpancés.
-Por fin arranqué mi proyecto con la familia de chimpancés que ya había crecido a cinco miembros: coloqué cámaras en su recinto para espiarlos cuando estaban solos.
-Cuénteme.
-Utilizaban el lenguaje de signos entre ellos sin necesidad de que hubiera presencia humana, sin que nadie les estimulara. Y también lo utilizaban para hablar consigo mismos. Tienen cultura y la pasan de padres a hijos. De hecho fue Washoe la que enseñó el lenguaje de signos a su hijo, a la joven Moja, a Dar y a Tatu.
-¿Qué fue lo que más le sorprendió?
-Para poder grabarlos a solas yo pedía cada día a todos los humanos que se fueran. Un día Washoe se acercó a la cámara que estaba escondida, y dijo con signos: “Devi, sucia, Devi”. Estaba enfadada conmigo porque me había llevado a sus amigos humanos.
-¿Cuáles son sus conclusiones?
-Entre ellos hablan a menudo y su conversación es la que tendría cualquier familia, lo que demuestra que somos muy parecidos. De hecho cuando hablas con ellos y te vas por las ramas –es uno de nuestros estudios– ellos reconducen la conversación.
-¿De qué hablan entre ellos?
-De juegos, de sus estados de ánimo, mienten… Si están mirando una revista y ven un helado, hacen el signo del helado o van a enseñarle a otro la foto y explicarle lo que es un helado.
-Hábleme de sus estados de ánimo.
-Son muy empáticos. Si Washoe te veía triste, hacía el signo de abrazo, y si te veía contenta, te decía que ella también lo estaba. La Navidad les gusta mucho y te lo hacen saber: “Gracias, contenta, abrazo, te quiero”.
-¿Diferentes personalidades?
-Washoe se encargaba de todos los demás, era la patriarca; Moja era muy presumida, le gustaba ponerse pendientes y pintalabios; Tatu es la que controla el tiempo, cuando van a llegar las primeras nevadas nos dice “árbol dulce”; se refiere al árbol de Navidad que decoramos con dulces, también nos indica la hora de comer, la de dormir…
-Prácticamente humanos.
-A Dar le encantan las mujeres embarazadas, en cuanto ve a una le dice: “Bebé dentro”. Y cada uno tiene sus preferencias, miran revistas y nos piden lo que les gusta: zapatos, un vestido rojo o un sombrero, y les encanta mirar revistas gastronómicas.
-¿Saben lo que es la muerte?
-Cuando a Washoe se le murió una cría, repetía: “Bebé fin”. Y cuando una colaboradora tuvo un aborto y le explicó que su bebé había muerto, Washoe le dijo: “Yo llorar y abrazo”. Tienen ética, saben lo que es justo y lo que no, si un humano favorece a uno más que a otro se enfadan mucho.
-Dígame qué le ha enternecido.
-Cuando Washoe estaba ya muy enferma sólo quería que yo le diera la mano. Cuando murió todos los demás chimpancés se acercaron muy despacio y la acariciaron.
-¿Cuál es el gesto más inteligente que les ha visto realizar?
-Más allá del lenguaje de signos me impresiona su capacidad de compasión. En una ocasión Washoe, cuando vivía con los que consideraba bichos negros despreciables, vio que un chimpancé se caía al agua. No saben nadar y Washoe se agarró a unos matorrales y estiró el brazo para salvarlo; es decir arriesgó su vida por un chimpancé que no conocía de nada.
-¿Cuál es su conclusión fundamental?
-Cuan cercanos somos, nosotros somos seres humanos y ellos seres chimpancés y lo único que importa es el sustantivo, el ser.
Monday, May 09, 2011
Neurociência em casa
(From "The Possibilian", profile of David Eagleman written by Burkhard Bilger, The New Yorker, April, 25.)
Querem fazer um experimento misterioso?
"Try this exercice. Go look in a mirror. Now move your eyes back and forth, so that you're looking at your left eye, then at your right eye, then at your left eye again. When your eyes shift from one position to the other, they take time to move and land on the other location. But here's the kicker: you never see your eyes move. Your eyes stare straight ahead. Where did the missing moments go?"
Are there missing moments?, eu me perguntei. E, com meu novo espírito científico, fui para o espelho fazer o experimento. No, my eyes didn't move. But, Eagleman was implying that they did. Então pensei em deixar o experimento para o dia seguinte, para um amigo olhar meus olhos enquanto o fazia. Só que, impaciente, não quis esperar, e meus neurônios me deram a solução: pega o iPhone e te filma, cabeça. Foi o que eu fiz. Não vou postar aqui o que a câmera viu. Podem fazer vocês mesmos.
"'What else are we missing?', Eagleman said."
PS: Este ejercicio es muy básico. En Barcelona, haré que mi hermano Uri sienta un miembro que no tiene (sin bromita sexual, OK?). Se va a cagar de miedo.
Querem fazer um experimento misterioso?
"Try this exercice. Go look in a mirror. Now move your eyes back and forth, so that you're looking at your left eye, then at your right eye, then at your left eye again. When your eyes shift from one position to the other, they take time to move and land on the other location. But here's the kicker: you never see your eyes move. Your eyes stare straight ahead. Where did the missing moments go?"
Are there missing moments?, eu me perguntei. E, com meu novo espírito científico, fui para o espelho fazer o experimento. No, my eyes didn't move. But, Eagleman was implying that they did. Então pensei em deixar o experimento para o dia seguinte, para um amigo olhar meus olhos enquanto o fazia. Só que, impaciente, não quis esperar, e meus neurônios me deram a solução: pega o iPhone e te filma, cabeça. Foi o que eu fiz. Não vou postar aqui o que a câmera viu. Podem fazer vocês mesmos.
"'What else are we missing?', Eagleman said."
PS: Este ejercicio es muy básico. En Barcelona, haré que mi hermano Uri sienta un miembro que no tiene (sin bromita sexual, OK?). Se va a cagar de miedo.
Sunday, May 08, 2011
Misterioso
A Marinella me achava misterioso... Não! Misterioso de verdade... é El misterioso hombre de negro!

(Uma das minhas personagens preferidas do Liniers...)
PS: E adorei a camiseta que o sábado estava usando o Luís:
Me disse que podia contar com ele para secar o Bar$a na final de Wembley, dia 28. É isso aí! Tots UNITS contra el Bar$a! (Ai, culés!; antes, "Més que un club"; agora, "El millor equip del món"; sempre tão humildes, vocês.)

(Uma das minhas personagens preferidas do Liniers...)
PS: E adorei a camiseta que o sábado estava usando o Luís:
Me disse que podia contar com ele para secar o Bar$a na final de Wembley, dia 28. É isso aí! Tots UNITS contra el Bar$a! (Ai, culés!; antes, "Més que un club"; agora, "El millor equip del món"; sempre tão humildes, vocês.)
Saturday, May 07, 2011
Coisas lindas que me acontecem em Porto Alegre
... Além de almoçar com o Sérgio na Faced ou no Ocidente, tomar café com a Marinella na Padre Chagas, ir ao cinema com a Camila, conversar com a Ana, etc. Aqui me refiro a coisas que me acontecem com desconhecidos ("sempre confiei na bondade dos desconhecidos" <-- frase plagiada).

Ontem um taxista me chamou de Clark Kent. "Sabe", ele disse, "o Superman? Tu te parece. Com os óculos...". "Ah, é?". Pensei em dizer: "Ninguém tinha me dito isso antes", mas calei, teria parecido que estávamos de paquera. Então o homem, de uns 60 anos, me contou que gostava do Superman, do Spiderman e outros, mas que o seu preferido era "o Fantasma". Eu nem sei quem é o Fantasma, tô nem aí para os quadrinhos da DC e a Marvel (vou ter que contar o que me aconteceu em Buenos Aires ao respeito)*, mas ele me explicou que era um super-herói com não sei que anéis nos dedos, com forma de caveira, que deixavam marcas nos rostos dos criminosos. "Mas tu não é dessa geração, né?", ele disse: "tu deve ser da geração dos smurfs, que nem meu filho". "Sim, mais ou menos", eu disse. "Eles até eram engraçadinhos. Não sei o que foi deles...". Resumo: fui chamado de Clark Kent.
Hoje, no café À Brasileira da rua Uruguai, onde costumo escrever, uma das moças, a mais velha, protagonizou um outro desses momentos. Lá se paga na entrada; a gente ganha uma ficha, senta e o café é servido na mesa. Geralmente eu pago um primeiro café, fico escrevendo e fumando e tomando o café por uma hora, mais ou menos (quem me conhece sabe: eu tomo o café à maneira europeia, devagarzinho, aos golinhos, mesmo que esfrie), e, se estou escrevendo bem, peço mais um, que pago depois, na saída. Pois hoje eu estava mergulhado na escrita, com o primeiro café já no fim, e apareceu uma xícara de café nova ao lado dos meus papéis. Olhei e era essa moça mais velha, que, diante da minha surpresa, abanou as mãos e mexeu os olhos como dizendo: "Não paga, não". Foi um detalhe e tanto. Uma daquelas pequenas coisas que alegram o dia da gente.
*Tá, vou contar agora. Eu estava à procura de uns quadrinhos do Liniers. Na livraria El Ateneo, surpreendentemente, só tinham um ou dois exemplares. Então procurei uma livraria especializada em HQ (histórias em quadrinhos, comics). Andei um monte pela calle Juncal, ou Arenales, não lembro, até o Club del Comic (achei o endereço na internet). Pela vitrine já vi que estava no lugar errado: só havia bonecos, figurinhas de super-heróis de todos os tamanhos, trecos de Star Wars e Star Trek, caveiras, também. Mas, como tinha caminhado muito, entrei mesmo assim. O dono ou atendente tinha a minha idade, ou era mais velho, uns 40, com rabo de cavalo; e ao seu lado havia um único cliente, mais novo, de uns 30, com uma listinha cheia de números de revistas que lhe deviam faltar na coleção. Fui covarde, confesso. Porque eu disse: "Estoy buscando unos Macanudos que unos amigos me pidieron...". O cara me olhou como querendo me assassinar: "No tenemos Macanudos. No trabajamos con eso". Logo pegou um pouco mais leve e explicou: "A Liniers lo encontrás en cualquier parte. Pero además es política de la casa. Tampoco tenemos mafaldas" (bota itálico na maneira como ele falou). E talvez com pena de mim, me assinalou uma caixa: "Aquí hay algo de comic europeo". Era uma caixinha que eu quase nem olhei, com algum Hugo Pratt e pouco mais. O resto da loja era tudo caixinhas com, bem ordenadinhos, os números de todas as séries de todos os super-heróis da Marvel e a DC. Putz, como me senti mal. É muito esquisito, muito duro que uns freaks façam a gente se sentir freak. "Gracias", eu disse, querendo sair logo dali. E de novo fui covarde, porque antes de sair minha maior vontade (eu já estava com a frase na cabeça) foi dizer: "Si te pregunto si sabés de una tienda de comics normal no me lo dirás, verdad?"; ou "no hay una tienda de comics que no sea para freaks?". Mas não falei nada e até saí como quem pede desculpas. (No dia seguinte encontrei todos os números de Macanudo expostos ao lado dos caixas da enorme Libraria Cúspide, na calle Florida.)
PS: Hoje peguei um outro táxi. Adivinhem. "Eu te conheço. ... Tu é o Batman!, não, o Superman! Eu não te carreguei ontem? Hahaha! Puta que pariu! Sou um fisionomista do caralho!".
PS2: Acho que devo dedicar este post a umas amigas, as irmãs Huguet, que me chamavam de Harry Potta.

Ontem um taxista me chamou de Clark Kent. "Sabe", ele disse, "o Superman? Tu te parece. Com os óculos...". "Ah, é?". Pensei em dizer: "Ninguém tinha me dito isso antes", mas calei, teria parecido que estávamos de paquera. Então o homem, de uns 60 anos, me contou que gostava do Superman, do Spiderman e outros, mas que o seu preferido era "o Fantasma". Eu nem sei quem é o Fantasma, tô nem aí para os quadrinhos da DC e a Marvel (vou ter que contar o que me aconteceu em Buenos Aires ao respeito)*, mas ele me explicou que era um super-herói com não sei que anéis nos dedos, com forma de caveira, que deixavam marcas nos rostos dos criminosos. "Mas tu não é dessa geração, né?", ele disse: "tu deve ser da geração dos smurfs, que nem meu filho". "Sim, mais ou menos", eu disse. "Eles até eram engraçadinhos. Não sei o que foi deles...". Resumo: fui chamado de Clark Kent.
Hoje, no café À Brasileira da rua Uruguai, onde costumo escrever, uma das moças, a mais velha, protagonizou um outro desses momentos. Lá se paga na entrada; a gente ganha uma ficha, senta e o café é servido na mesa. Geralmente eu pago um primeiro café, fico escrevendo e fumando e tomando o café por uma hora, mais ou menos (quem me conhece sabe: eu tomo o café à maneira europeia, devagarzinho, aos golinhos, mesmo que esfrie), e, se estou escrevendo bem, peço mais um, que pago depois, na saída. Pois hoje eu estava mergulhado na escrita, com o primeiro café já no fim, e apareceu uma xícara de café nova ao lado dos meus papéis. Olhei e era essa moça mais velha, que, diante da minha surpresa, abanou as mãos e mexeu os olhos como dizendo: "Não paga, não". Foi um detalhe e tanto. Uma daquelas pequenas coisas que alegram o dia da gente.
*Tá, vou contar agora. Eu estava à procura de uns quadrinhos do Liniers. Na livraria El Ateneo, surpreendentemente, só tinham um ou dois exemplares. Então procurei uma livraria especializada em HQ (histórias em quadrinhos, comics). Andei um monte pela calle Juncal, ou Arenales, não lembro, até o Club del Comic (achei o endereço na internet). Pela vitrine já vi que estava no lugar errado: só havia bonecos, figurinhas de super-heróis de todos os tamanhos, trecos de Star Wars e Star Trek, caveiras, também. Mas, como tinha caminhado muito, entrei mesmo assim. O dono ou atendente tinha a minha idade, ou era mais velho, uns 40, com rabo de cavalo; e ao seu lado havia um único cliente, mais novo, de uns 30, com uma listinha cheia de números de revistas que lhe deviam faltar na coleção. Fui covarde, confesso. Porque eu disse: "Estoy buscando unos Macanudos que unos amigos me pidieron...". O cara me olhou como querendo me assassinar: "No tenemos Macanudos. No trabajamos con eso". Logo pegou um pouco mais leve e explicou: "A Liniers lo encontrás en cualquier parte. Pero además es política de la casa. Tampoco tenemos mafaldas" (bota itálico na maneira como ele falou). E talvez com pena de mim, me assinalou uma caixa: "Aquí hay algo de comic europeo". Era uma caixinha que eu quase nem olhei, com algum Hugo Pratt e pouco mais. O resto da loja era tudo caixinhas com, bem ordenadinhos, os números de todas as séries de todos os super-heróis da Marvel e a DC. Putz, como me senti mal. É muito esquisito, muito duro que uns freaks façam a gente se sentir freak. "Gracias", eu disse, querendo sair logo dali. E de novo fui covarde, porque antes de sair minha maior vontade (eu já estava com a frase na cabeça) foi dizer: "Si te pregunto si sabés de una tienda de comics normal no me lo dirás, verdad?"; ou "no hay una tienda de comics que no sea para freaks?". Mas não falei nada e até saí como quem pede desculpas. (No dia seguinte encontrei todos os números de Macanudo expostos ao lado dos caixas da enorme Libraria Cúspide, na calle Florida.)
PS: Hoje peguei um outro táxi. Adivinhem. "Eu te conheço. ... Tu é o Batman!, não, o Superman! Eu não te carreguei ontem? Hahaha! Puta que pariu! Sou um fisionomista do caralho!".
PS2: Acho que devo dedicar este post a umas amigas, as irmãs Huguet, que me chamavam de Harry Potta.
Thursday, May 05, 2011
We really should do these things NOW 2
Meus pais me repassaram esta mensagem.
É verdade que as notícias sobre o que aconteceu/está acontecendo na Islândia não foram nem são muito divulgadas, mas, ao menos aqui no Brasil, já li nos jornais ou ouvi na TV sobre o caso (ou então estou enganado e tudo o que sei é pelo filme Inside Job). Seja como for, colo a seguir o artigo, que também traz coisas que não sabia e algumas em que não sei se acreditar (banqueiros detidos?).
SIN NOTICIAS DE ISLANDIA
Si alguien cree que no hay censura en la actualidad, que me diga por qué, así como se ha sabido todo lo que pasaba en Egipto, los periódicos no han dicho nada sobre lo que pasaba en Islandia.
En Islandia, el pueblo hizo dimitir a un gobierno al completo, se nacionalizaron los principales bancos, se decidió no pagar la deuda que estos habían contraído con Gran Bretaña y Holanda a causa de su mala política financiera. Y se creó una asamblea popular para reescribir la constitución. Todo ello de forma pacífica, una revolución contra el poder que ha conducido hasta la situación actual.
¿Por qué no se han dado a conocer los hechos de estos dos años? ¿Qué pasaría si el resto de ciudadanos europeos tomara ejemplo?
Ésta es, brevemente, la historia de lo sucedido hasta hoy:
2008. Se nacionaliza el principal banco del país. La moneda se desploma, la bolsa suspende su actividad. El país está en bancarrota.
2009. Las protestas ciudadanas frente al parlamento logran que se convoquen elecciones anticipadas y provocan la dimisión del Primer Ministro y de todo su gobierno en bloque. Continúa la pésima situación económica del país.
Mediante una ley, se propone la devolución de la deuda a Gran Bretaña y Holanda mediante el pago de 3.500 millones de euros, suma a pagar por todos las familias islandesas mensualmente, durante 15 años y al 5,5% de interés.
2010. La gente se vuelve a echar a la calle y solicita someter la ley a referéndum.
En enero el Presidente se niega a ratificarla y anuncia que habrá consulta popular.
En marzo se celebra el referéndum y el NO al pago de la deuda arrasa con un 93% de los votos.
A todo esto, el gobierno inicia una investigación para dirimir jurídicamente las responsabilidades de la crisis. Comienzan las detenciones de varios banqueros y altos ejecutivos. La Interpol dicta una orden, y todos los banqueros implicados abandonan el país.
En este contexto de crisis, se elige una asamblea para redactar una nueva constitución que recoja las lecciones aprendidas de la crisis y que sustituya a la actual, una copia de la constitución danesa.
Para ello, se recurre directamente al pueblo soberano. Se eligen 25 ciudadanos sin filiación política entre los 522 que presentan sus candidaturas, para lo que sólo es necesario ser mayor de edad y tener el apoyo de 30 personas.
La asamblea constitucional empieza su trabajo en febrero de 2011 y presenta un proyecto de carta magna a partir de las recomendaciones consensuadas en distintas asambleas que se celebran por todo el país.
La nueva constitución deberá ser aprobada por el actual parlamento y por el que se constituya tras las próximas elecciones legislativas.
Ésta es la breve historia de la revolución islandesa: dimisión de todo un gobierno en bloque, nacionalización de la banca, referéndum para que el pueblo decida sobre las decisiones económicas trascendentales, encarcelación de responsables de la crisis y reescritura de la constitución por los ciudadanos.
El pueblo islandés ha sabido dar una lección democrática a toda Europa, plantar cara al sistema y enviar un mensaje sobre la crisis al resto del mundo.
PS: Enquanto isso, em Portugal, cujos cidadãos também não têm culpa nenhuma, "la UE y el FMI imponen drásticos recortes sociales. El acuerdo con el gobierno en funciones reduce las pensiones, las prestaciones por desempleo y el gasto en educación y sanidad. Subirá el IRPF, el IVA, el impuesto de sociedades y los tributos especiales". (El País)
É verdade que as notícias sobre o que aconteceu/está acontecendo na Islândia não foram nem são muito divulgadas, mas, ao menos aqui no Brasil, já li nos jornais ou ouvi na TV sobre o caso (ou então estou enganado e tudo o que sei é pelo filme Inside Job). Seja como for, colo a seguir o artigo, que também traz coisas que não sabia e algumas em que não sei se acreditar (banqueiros detidos?).
SIN NOTICIAS DE ISLANDIA
Si alguien cree que no hay censura en la actualidad, que me diga por qué, así como se ha sabido todo lo que pasaba en Egipto, los periódicos no han dicho nada sobre lo que pasaba en Islandia.
En Islandia, el pueblo hizo dimitir a un gobierno al completo, se nacionalizaron los principales bancos, se decidió no pagar la deuda que estos habían contraído con Gran Bretaña y Holanda a causa de su mala política financiera. Y se creó una asamblea popular para reescribir la constitución. Todo ello de forma pacífica, una revolución contra el poder que ha conducido hasta la situación actual.
¿Por qué no se han dado a conocer los hechos de estos dos años? ¿Qué pasaría si el resto de ciudadanos europeos tomara ejemplo?
Ésta es, brevemente, la historia de lo sucedido hasta hoy:
2008. Se nacionaliza el principal banco del país. La moneda se desploma, la bolsa suspende su actividad. El país está en bancarrota.
2009. Las protestas ciudadanas frente al parlamento logran que se convoquen elecciones anticipadas y provocan la dimisión del Primer Ministro y de todo su gobierno en bloque. Continúa la pésima situación económica del país.
Mediante una ley, se propone la devolución de la deuda a Gran Bretaña y Holanda mediante el pago de 3.500 millones de euros, suma a pagar por todos las familias islandesas mensualmente, durante 15 años y al 5,5% de interés.
2010. La gente se vuelve a echar a la calle y solicita someter la ley a referéndum.
En enero el Presidente se niega a ratificarla y anuncia que habrá consulta popular.
En marzo se celebra el referéndum y el NO al pago de la deuda arrasa con un 93% de los votos.
A todo esto, el gobierno inicia una investigación para dirimir jurídicamente las responsabilidades de la crisis. Comienzan las detenciones de varios banqueros y altos ejecutivos. La Interpol dicta una orden, y todos los banqueros implicados abandonan el país.
En este contexto de crisis, se elige una asamblea para redactar una nueva constitución que recoja las lecciones aprendidas de la crisis y que sustituya a la actual, una copia de la constitución danesa.
Para ello, se recurre directamente al pueblo soberano. Se eligen 25 ciudadanos sin filiación política entre los 522 que presentan sus candidaturas, para lo que sólo es necesario ser mayor de edad y tener el apoyo de 30 personas.
La asamblea constitucional empieza su trabajo en febrero de 2011 y presenta un proyecto de carta magna a partir de las recomendaciones consensuadas en distintas asambleas que se celebran por todo el país.
La nueva constitución deberá ser aprobada por el actual parlamento y por el que se constituya tras las próximas elecciones legislativas.
Ésta es la breve historia de la revolución islandesa: dimisión de todo un gobierno en bloque, nacionalización de la banca, referéndum para que el pueblo decida sobre las decisiones económicas trascendentales, encarcelación de responsables de la crisis y reescritura de la constitución por los ciudadanos.
El pueblo islandés ha sabido dar una lección democrática a toda Europa, plantar cara al sistema y enviar un mensaje sobre la crisis al resto del mundo.
PS: Enquanto isso, em Portugal, cujos cidadãos também não têm culpa nenhuma, "la UE y el FMI imponen drásticos recortes sociales. El acuerdo con el gobierno en funciones reduce las pensiones, las prestaciones por desempleo y el gasto en educación y sanidad. Subirá el IRPF, el IVA, el impuesto de sociedades y los tributos especiales". (El País)
Sunday, May 01, 2011
Art Gallery 4
Fui plagiado.
Não sei se me sentir honrado ou denunciar.
A Gabriela diz assim: "Copiei uma obra tua. (...) Acabei de abrir uma conta no youTube só pra te passar a minha obra. (...) Nada se cria, tudo se copia". Com toda a cara de pau.
Rideaux beiges
Gabriela (Brazilian, born 1985)
2011
Soundtrack: 3055, Ólafur Arnalds, Eulogy for Evolution
Não sei se me sentir honrado ou denunciar.
A Gabriela diz assim: "Copiei uma obra tua. (...) Acabei de abrir uma conta no youTube só pra te passar a minha obra. (...) Nada se cria, tudo se copia". Com toda a cara de pau.
Rideaux beiges
Gabriela (Brazilian, born 1985)
2011
Soundtrack: 3055, Ólafur Arnalds, Eulogy for Evolution
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