ao menos para mim, lidas dias atrás no jornal, onde é raro encontrar ideias novas. São de Tyler Brûlé, canadense, criador de revistas como Wallpaper e Monocle, que, segundo a Folha, "se tornaram bússolas da classe AAA no mundo". Eu não sei, nunca comprei a Wallpaper e nem sabia da existência da Monocle. Mas ele, Tyler Brûlé, não me parece um filho típico dessa classe social, pelas suas ideias e sua experiência de vida. Em 95, antes de se tornar editor, ele era repórter free-lancer; fazendo uma reportagem sobre os Médicos sem fronteiras no Afeganistão, seu jipe foi atacado e ele perdeu a mobilidade num braço. [Alguns comentários meus entre colchetes.]
Sobre o luxo hoje
"Nunca tanta gente viajou, comprou e usufruiu do luxo na história. Como as grifes estão por todos os lados [é triste ver, no centro de Roma, as mesmas lojas que em Barcelona], as pessoas querem algo único, exclusivo. Acho que o luxo tem a ver com o artesanal, com o que não pode ser feito em série em uma fábrica chinesa. Há profissões artesanais, ofícios que você já não encontra mais em Londres. Se você for a Beirute, vai achar marceneiros, alfaiates, chapeleiros que ainda guardam as técnicas e a sabedoria de séculos."
Sobre os japoneses e o pós-luxo
"O que me interessa é o pós-luxo, que o Japão já vive. Por três décadas, eles compraram, usaram e se desfizeram de todas as grandes marcas, dos produtos mais caros, já não se impressionam com qualquer coisa. Deram a volta ao mundo, como turistas. [Adoro esse interesse dos japoneses pelo resto do mundo, que conheço de perto, pois eles fazem parte da paisagem da Barcelona turística desde sempre.] Imagina quem está acostumado com aquelas lojas de arquitetura delirante em Ginza e chega a Londres ou a Paris? Deus proíba que eles vejam o horror do varejo nos Estados Unidos [, o país mais brega da face da terra]."
Sobre o Brasil
"O Brasil tem um 'soft power' muito além da ONU ou da OMC. [Lula sabe disso, faz bom uso disso, é criticado por isso.] Colocar vocês com os Brics é injusto. Quem quer ter casa de veraneio na China, na Índia ou na Rússia? [Hehehe. Na Rússia! Vai indo que eu não vou!] Vocês tem comunidade libanesa, japonesa, do mundo todo, sem a culpa do passado colonialista da Inglaterra."
Marcas brasileiras
"Petrobras e Vale não chegam ao consumidor final europeu ou americano. E muita gente deve achar que a Embraer é alemã. Vocês precisam de marcas além das Havaianas. [Até porque um dia inclusive o Uri vai se cansar delas...] Por que não existe uma rede de hotéis brasileira, uma Marriott tropical? No Brasil, vocês têm gente amável [depende do Estado, mas tá bão], o que é 50% no negócio da hospitalidade. Na Europa não se acha 'staff' que sorria. [Vão num hotel na França para ver...]"
Mídia míope
"Meus leitores não são homens das cavernas [só são um pouco alienados], são conectados. Mas acho que a mídia tradicional está repetindo os erros da década passada, quando torrou milhões com a internet sem ter testado o meio, sem saber como faturar com ele. O mesmo se repete com o iPad. Há investimentos milionários sem foco. Jornais e revistas estão desviando dinheiro que deveria estar em escritórios no exterior, boas reportagens, grandes fotógrafos. Oferecer notícias de graça foi outro grande erro."
O futuro do papel
"Aprendo muito quando paro em uma banca de jornais no Japão ou em Taiwan. Há revistas de vários formatos, tamanhos e papéis, com belos suplementos especiais. Os japoneses passaram pela febre digital muito antes que o Ocidente, já estão em outra. As revistas do Japão têm sites bem pobrinhos. O coração deles está no papel."
Patéticos
"Acabo de lançar uma edição especial em formato jornal, a Monocle Mediterraneo. O jornal suporta areia, sol, não reflete a luz e é à prova de protetor solar. [Ki awesome! Mas um jornal qualquer ou um livro também!]. Nada é mais patético que tentar ler no iPad na praia ou na piscina, tendo que cobrir a cabeça para evitar reflexos no visor." [Há coisas ainda mais patéticas no uso de celulares e derivados, mas essa é muito patética mesmo.]
PS nada a ver: Mais uma sobre o nosso "sistema vampiro", capítulo empresas privadas ou privatizadas vs. empresas públicas ou estatais. Do jornal Zero Hora de hoje: "A companhia proprietária da mina [onde 33 mineiros chilenos ficaram presos a 700 m de profundidade e deverão esperar quatro meses pelo resgate], San Esteban, informou que deve pedir falência e não poderá pagar os salários dos mineiros. A estatal chilena do setor de mineração escavará o túnel para retirar os homens, a um custo de US$ 1,7 milhão".
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Saturday, August 28, 2010
Monday, August 23, 2010
Dois, de Tiê
Ontem assisti com a Anna ao show de Tiê, que se apresentou pela primeira vez em Porto Alegre, no Santander Cultural (um espaço lindo que eu não conhecia; talvez demasiado moderno e frio, mas com uma abóbada de cristal que deixa ver o céu). Há tempo postei aqui minha música preferida do CD Sweet Jardim; a preferida da Anna (e acho que também do Ronaldo) é Assinado eu; e ontem gostei muito, também, de "Dois", de Tiê e Thiago Pethit. O segundo CD de Tiê, ela disse, sai no início do ano que vem.
Sunday, August 22, 2010
Instantànies de Porto Alegre (en català!) 4
Quart capítol de la sèrie de fotos fetes amb el mòbil! Aquestes em van costar molt de passar a l'ordinador... Ho va aconseguir, després de moltes temptatives, una noia de la llibreria-cibercafè del shopping Praia de Belas.

Un poeta a la rua da Praia.
A canvi d'una moneda, un poema.

La policia muntada a la plaça
del Mercat.

Art de carrer.

"Medialunas calentitas". Prenent
cafè en una cafeteria del barri
Moinhos de Vento.

Espelma i roses a la taula d'un bistrô
(très parisien) del barri Moinhos de Vento.

La botiga on sempre compro havaianas per l'Uri,
que no em deixa mai tornar a Barcelona
si no n'hi porto un parell. (En té unes 10
però en vol més "per combinar".)

La sopa de capeletti que prepara
sovint el João (amb un sofregit, patates,
capeletti de pollastre, pollastre bullit
i formatge).

Gall d'indi de casa els veïns de la Gabriela.

Autoretrat.

Un portinari. En català, "Nen amb estel".





Art de carrer. "Ramon / siempre en el corazón".

Un poeta a la rua da Praia.
A canvi d'una moneda, un poema.

La policia muntada a la plaça
del Mercat.

Art de carrer.

"Medialunas calentitas". Prenent
cafè en una cafeteria del barri
Moinhos de Vento.

Espelma i roses a la taula d'un bistrô
(très parisien) del barri Moinhos de Vento.

La botiga on sempre compro havaianas per l'Uri,
que no em deixa mai tornar a Barcelona
si no n'hi porto un parell. (En té unes 10
però en vol més "per combinar".)

La sopa de capeletti que prepara
sovint el João (amb un sofregit, patates,
capeletti de pollastre, pollastre bullit
i formatge).

Gall d'indi de casa els veïns de la Gabriela.

Autoretrat.

Un portinari. En català, "Nen amb estel".





Art de carrer. "Ramon / siempre en el corazón".
Tuesday, August 17, 2010
Sobre política brasileira (interrogantes)
Segundo a última pesquisa eleitoral, Dilma Rousseff (PT) tem 43% de intenções de voto e Serra (PSDB), 32%. Esses 11 pontos de vantagem levariam Dilma a ganhar as eleições no primeiro turno.
Segundo a pesquisa, "Serra lidera apenas entre o grupo de renda acima de 10 salários mínimos por mês - que representa 4% do eleitorado".
Esse 4% de ricos... é o mesmo 4% que acha o Governo Lula péssimo ou ruim? Corresponde aos leitores da Folha, o Estado, O Globo e a Veja somados?
"Esquerda" e "direita" já não existem, como dizem esses jornais? Então por que estão tão irritados com a vantagem de Dilma? De repente a Dilma é de esquerda e eles de direita... e não sabem!
O voto em Dilma é "conservador", como os jornais também dizem? Conservador não é quem quer manter o statu quo social? Agora é quem quer manter um partido no governo?
Esse 4% de brasileiros que ganham acima de 10 salários mínimos por mês (20, 40 salários mínimos por mês ou mais, aqui no Brasil ou em paraísos fiscais), por que não gostam do governo Lula? Querem mais?
A famosa elite econômica brasileira corresponde somente a 4% dos brasileiros? (Então acorda, Brasil!)
Por que a desigualdade social não está na lista dos 10 maiores problemas dos brasileiros da pesquisa da TV Globo? (É que, lá em casa, no estrangeiro, quando se fala no Brasil, todo mundo diz que o problema do Brasil é esse!)
Se o Brasil é um dos países do mundo com maior desigualdade social, por que os pobres pagam, na percentagem sobre os ganhos mensais, mais impostos do que os ricos? É que eu acho isso meio obsceno!
A famosa elite econômica brasileira corresponde somente a 4% dos brasileiros? (Então acorda, Brasil!)
Por que a desigualdade social não está na lista dos 10 maiores problemas dos brasileiros da pesquisa da TV Globo? (É que, lá em casa, no estrangeiro, quando se fala no Brasil, todo mundo diz que o problema do Brasil é esse!)
Se o Brasil é um dos países do mundo com maior desigualdade social, por que os pobres pagam, na percentagem sobre os ganhos mensais, mais impostos do que os ricos? É que eu acho isso meio obsceno!
Saturday, August 14, 2010
O fundamentalista relutante, de Mohsin Hamid
Terminei de ler O fundamentalista relutante, de Mohsin Hamid, que a Anna me recomendou. Muito bom. O livro aborda fatos mais ou menos conhecidos da atualidade de um outro ponto de vista, o que não é pouco. Num monólogo, sentado à mesa com um norte-americano num restaurante de Lahore, um jovem paquistanês conta sua vida nos Estados Unidos pré e pós-11 de setembro: sua formação na universidade de Princeton, seu trabalho como avaliador de empresas para uma firma do setor financeiro, em Nova York; sua paixão por uma norte-americana, Erica - que, por sua vez, vive presa a uma extraordinária história de amor (eu queria ter lido mais sobre essa história dela...).O romance daria uma perfeita peça de teatro. Isto, se algum ator fosse capaz de memorizar as 171 páginas. Outro ator só deveria ficar sentado à mesa, fazendo caretas. E um terceiro (me ofereço para o papel) faria de garçom, só deveria ir levando à dupla delícias da gastronomia do Paquistão.
(Em espanhol: El fundamentalista reticente, Tusquets Editores.)


Tuesday, August 10, 2010
Emerson. Cap. 1. Uno de los nuestros*
Ver mucho mejor en YouTube.
*Goodfellas.
Vocês ficam depois do mar
O mês passado, a Anna assistiu ao IV Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)biográfica, na Universidade de São Paulo. Era um congresso sobre "a construção da subjetividade", "o espaço autobiográfico", "a vida como obra de arte", "a memória individual e coletiva", etc.: tudo o que interessa à "Anna doutoranda". Falaram António Nóvoa, Luiz Felipe Pondé, Serge Lapointe, Ana Maria Melo, Paulo Caruso, Ruy Castro, Bia Lessa e muitos outros, e a "Anna doutoranda" adorou. Só houve um problema: o mini-curso da manhã que a Anna escolheu. Ministrado por pedagogas, era para ser "uma discussão sobre as inúmeras possibilidades de expressão de si", "sobre teóricos do imaginário como Gaston Bachelard e Gilbert Durand", e acabou sendo um cursinho bobo em que os alunos viraram crianças, fizeram exercícios de cortar e colar, desenharam, etc.; em vez de Bachelard, por exemplo, perguntas como: "Ao longo de sua vida, você lembra quem foram os professores ou as pessoas que lhe ensinaram e mais lhe marcaram?". A Anna me contou isso chateada. Mas acontece que, num desses exercícios, escreveu um breve diálogo que eu adorei - e que lhe pedi como presente, para postar aqui no blog. Tratava-se de evocar algum fato dos tempos da escola, e ela lembrou de quando fazia teatro e sua turma encenou uma peça sobre o Descobrimento de América, com Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral, Américo Vespúcio. (Ela ganhou o "óscar" de "atriz coadjuvante".) Eis o diálogo.

-Luz, câmera, ação!
-Cooorta! Cadê o Cristóvão Colombo?
-Sora, eu vi o Colombo indo no banheiro.
-Não dá pra começar sem o Colombo, gente!
-E nós, onde ficamos?
-Nós, quem?
-Os índios, sora!
-Vocês ficam depois do mar.
-O plástico do mar tá rasgando.
-Então não sacudam tão rápido!
-Mas o mar tava agitado, sora!
-O Colombo chegou! Com uma índia!
(Risos.)
-OK, vamos recomeçar.
-Luz, câmera, ação!
-Cooorta! Cadê o Cristóvão Colombo?
-Sora, eu vi o Colombo indo no banheiro.
-Não dá pra começar sem o Colombo, gente!
-E nós, onde ficamos?
-Nós, quem?
-Os índios, sora!
-Vocês ficam depois do mar.
-O plástico do mar tá rasgando.
-Então não sacudam tão rápido!
-Mas o mar tava agitado, sora!
-O Colombo chegou! Com uma índia!
(Risos.)
-OK, vamos recomeçar.
Sunday, August 08, 2010
Promoting Porto Alegre
Vídeo enviado pelo João (que sempre me envia e-mails anti-Lula... que eu nem leio :o) :). "Gosto da nossa cidade." Eu também. "Porto Alegre é demais." (Eu também ;p)
Saturday, August 07, 2010
Friday, August 06, 2010
Wednesday, August 04, 2010
Parece que foi escrito hoje...
Trecho de Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa (foto tirada por Anna no Museu da Língua Portuguesa, São Paulo):

Trechos do artigo "A internet está deixando você burro?", da revista Galileu (agosto de 2010):
Afinal, o que a web está fazendo conosco? Essa é a reflexão que o americano Nicholas Carr, um dos polêmicos pensadores da era digital, propõe em The Shallows: What Internet is Doing to Our Brains (Os rasos: o que a internet está fazendo com o nosso cérebro). Segundo Carr, "estudos mostram que, quando estamos conectados, entramos em um ambiente que promove a leitura apressada, o pensamento corrido, distraído, o aprendizado superficial. Ler na internet está nos deixando mais rasos e com menor capacidade de pensamento crítico".
Para Michael Merzenich, neurocientista, pioneiro em estudos de como o cérebro se remodela por conta de estímulos externos, "tentar resolver qualquer problema por basicamente olhar sua resposta é algo muito diferente do que tentar resolvê-lo usando a inteligência e o raciocínio". É o que acontece, por exemplo, quando procuramos uma resposta no Google antes mesmo de refletirmos sobre a pergunta. "Certamente envolve uma manipulação de informações muito mais suave no uso de suas habilidades cognitivas".
O uso "mais suave" do cérebro pode "destreiná-lo" em atividades relacionadas, fundamentalmente, à inteligência. É isso o que argumenta um artigo publicado na revista Science pela psicóloga Patricia Greenfield, da Universidade da Califórnia, que analisa 52 estudos sobre o aumento do uso da internet, do videogame e da TV. Patricia, pesquisadora da área há 15 anos, conclui que as novas mídias trouxeram um desenvolvimento sofisticado de habilidades visuais-espaciais. Mas, ao mesmo tempo, reduziram a capacidade de lidarmos com vocabulário abstrato, reflexão, pensamento crítico e imaginação.
Trechos do artigo "A internet está deixando você burro?", da revista Galileu (agosto de 2010):
Afinal, o que a web está fazendo conosco? Essa é a reflexão que o americano Nicholas Carr, um dos polêmicos pensadores da era digital, propõe em The Shallows: What Internet is Doing to Our Brains (Os rasos: o que a internet está fazendo com o nosso cérebro). Segundo Carr, "estudos mostram que, quando estamos conectados, entramos em um ambiente que promove a leitura apressada, o pensamento corrido, distraído, o aprendizado superficial. Ler na internet está nos deixando mais rasos e com menor capacidade de pensamento crítico".
Para Michael Merzenich, neurocientista, pioneiro em estudos de como o cérebro se remodela por conta de estímulos externos, "tentar resolver qualquer problema por basicamente olhar sua resposta é algo muito diferente do que tentar resolvê-lo usando a inteligência e o raciocínio". É o que acontece, por exemplo, quando procuramos uma resposta no Google antes mesmo de refletirmos sobre a pergunta. "Certamente envolve uma manipulação de informações muito mais suave no uso de suas habilidades cognitivas".
O uso "mais suave" do cérebro pode "destreiná-lo" em atividades relacionadas, fundamentalmente, à inteligência. É isso o que argumenta um artigo publicado na revista Science pela psicóloga Patricia Greenfield, da Universidade da Califórnia, que analisa 52 estudos sobre o aumento do uso da internet, do videogame e da TV. Patricia, pesquisadora da área há 15 anos, conclui que as novas mídias trouxeram um desenvolvimento sofisticado de habilidades visuais-espaciais. Mas, ao mesmo tempo, reduziram a capacidade de lidarmos com vocabulário abstrato, reflexão, pensamento crítico e imaginação.
Tuesday, July 27, 2010
Leituras mais ou menos recentes

"Llueve". Desenho de Raquel Marín,
que ilustrou Una barca, un riu.
Nos últimos meses li vários romances (alguns por prazer, outros por terem alguma coisa a ver com minha dissertação) que não cheguei a comentar aqui, talvez por preguiça, talvez porque não achei nenhum deles "maravilhoso" (o último que amei, Indignação, de Philip Roth, já comentei). Mas quero continuar falando em livros, imitando a blogueira Maria (de "Maria e seus livros"). Desta vez não vou dar corações, como ela; só dizer alguma coisinha de cada um, em ordem inversa, começando pelo último que li.
Invisível é um grande Paul Auster, ou ao menos bem melhor do que os últimos. O autor inova, não repete fórmulas (se é que ele estava usando fórmulas). E o enredo empolga, a história tem muita força (talvez a primeira parte seja mais fraca, mas... cheguem à segunda!). Formalmente, também não um Auster daqueles, mas o estilo pouco depurado está justificado, já que o narrador não é escritor. Com boas descrições de sexo entre... não vou dizer quem.
Lowboy (ou Afluentes de um rio silencioso) é o terceiro romance de John Wray, nascido em 1971. Narra alguns dias na vida do adolescente William Heller, que sofre de esquizofrenia e está obcecado com o aquecimento global. Ele foge com uma amiga (grande parte da fugida e pelos túneis do metrô de Nova York), enquanto é perseguido pela mãe e um detetive. O melhor (que encontrei em poucos romances) é que o autor transmite o transtorno mental do protagonista a partir do que ele vê, o que ele ouve, o que ele fala. Segundo a orelha da edição da Cia. das Letras, "o leitor invade a psique perturbada e erotizada do garoto". O romance chega a ser perturbador. (Curiosidade: Wray escreveu o livro em estações de metrô.)
Sob a pele, de Michel Faber. Realmente perturbador, de dar medo. (Quem leu Pétala escarlate, flor branca, uma obra-prima sobre a Inglaterra vitoriana, pode esquecer, este romance, anterior àquele, parece de um outro autor.) Mulher de grandes seios dirige pelas ruas do norte da Escócia para oferecer carona a homens... que devem ser jovens e fortes. (É bom não ler a orelha.) (E é bom, também, aguentar a monotonia inicial.)
Satolep, de Vitor Ramil. Me pareceu um romance bem escrito, interessante, para refletir... porém chatinho (terminei querendo chegar logo ao final). Sobre um homem que se reencontra a si mesmo em sua cidade natal - em seus habitantes, em suas ruas, em seus prédios - depois de correr meio mundo. Interessante, digo, e até surpreendente, porque o narrador (o autor?) faz o descobrimento de si não se voltando para dentro, como de costume, senão abrangendo, incorporando quase literalmente o que encontra ao seu redor.
Desilusões de um americano, de Siri Hustvedt. Quarto romance da mulher de Paul Auster. Sobre um psicanalista, Erik, e seus pacientes, e sua vizinha de apartamento, Miranda, e seu ex-marido psicótico. Com outras personagens importantes, como a mãe e a irma de Erik e a filha de Miranda, Eglantine. O romance é bom, muito bom, até, intrigante e denso. (Só me irritaram as descrições de Eglantine: cada gesto, cada careta, cada mudança na voz da criança é registrada como se disso dependesse a história.) Mas não descobri essa tão grande escritora de que alguns críticos falaram depois do terceiro romance, O que eu amava. Eles diziam que ela não era "a mulher de"; que o correto seria dizer que ele era o marido de Siri Hustvedt. Eu não sabia se era verdade ou simples esnobismo de crítico literário (agora sei).
Tenho algo a te dizer, de Hanif Kureishi. Outro protagonista psicanalista. Mas se Hustvedt dá espaço aos pacientes de Erik, Kureishi se importa bem pouco com os de Jamal Khan. Talvez porque a mulher, a ex-mulher, a filha, o melhor amigo, a irmã e o resto de familiares de Khan já sejam suficientemente malucos. O tom da história é leve. Há pouca descrição e muito (bom) diálogo (Kureishi é roteirista). Desilusões... se passa em Nova York, Tenho algo a te dizer, em Londres. E serve para ver até que ponto os ingleses são sexualmente inibidos (esse é o assunto que um grande autor poderia ter explorado mais). Eles têm suas fantasias sexuais, só que não podem realizá-las em lugares "normais", nem com a mulher/marido, nem com a/o amante. Existem uma série de antros escondidos, cada um mais sórdido do que o outro, para esse propósito, ou então eles marcam encontros com estranhos pela Internet.
Monday, July 26, 2010
Em São Paulo
Coincidindo com a passagem da Anninha por São Paulo, transcrevo uma mini entrevista publicada hoje no Estadão com o DJ norte-americano Larry Tee, fã da cidade. (Eu, eu Roger, quero cada vez mais conhecer São Paulo...)
Natural de Seattle, o DJ Larry Tee esteve no Brasil pela primeira vez há 15 anos. São Paulo foi uma das primeiras cidades onde tocou fora de casa. Hospedou-se na Bela Vista e ficou impressionado com o centro da cidade. "Percebi que era um lugar que eu naturalmente gostaria de visitar, não só a trabalho". Por isso, tratou de fazer amigos e volta à metrópole sempre que sai em turnê internacional.
Point. "O Brasil está pegando fogo lá fora. É o lugar da moda, todo mundo quer vir para cá", diz Larry. O lado ruim? "Tudo ficou mais caro também. O câmbio já não é mais tão favorável assim!"
Compras. Mesmo reclamando dos preços, o DJ vai passar a semana fazendo compras. "Adoro as lojas dessa cidade. Sempre que uso minhas camisetas compradas aqui, perguntam de onde é e eu esnobo: 'Ah, comprei em São Paulo!'. Todos ficam com cara de 'Oooh!'", diverte-se.
Paulistanos. "Paulistanos, nova-iorquinos e londrinos são parecidos. Têm um ponto de vista diferente." E, para Larry, os paulistanos "estão sempre um passo à frente do resto do mundo". "Tudo que meus amigos americanos descobrem, os paulistanos sabem há um ano!"
Natural de Seattle, o DJ Larry Tee esteve no Brasil pela primeira vez há 15 anos. São Paulo foi uma das primeiras cidades onde tocou fora de casa. Hospedou-se na Bela Vista e ficou impressionado com o centro da cidade. "Percebi que era um lugar que eu naturalmente gostaria de visitar, não só a trabalho". Por isso, tratou de fazer amigos e volta à metrópole sempre que sai em turnê internacional.
Point. "O Brasil está pegando fogo lá fora. É o lugar da moda, todo mundo quer vir para cá", diz Larry. O lado ruim? "Tudo ficou mais caro também. O câmbio já não é mais tão favorável assim!"
Compras. Mesmo reclamando dos preços, o DJ vai passar a semana fazendo compras. "Adoro as lojas dessa cidade. Sempre que uso minhas camisetas compradas aqui, perguntam de onde é e eu esnobo: 'Ah, comprei em São Paulo!'. Todos ficam com cara de 'Oooh!'", diverte-se.
Paulistanos. "Paulistanos, nova-iorquinos e londrinos são parecidos. Têm um ponto de vista diferente." E, para Larry, os paulistanos "estão sempre um passo à frente do resto do mundo". "Tudo que meus amigos americanos descobrem, os paulistanos sabem há um ano!"
Saturday, July 24, 2010
Rayuela, de Gotan Project (+ Pato Fu)
Mais música!
Do CD Tango 3.0, a música "Rayuela".
Com a voz de Julio Cortázar recitando Rayuela (O jogo da amarelinha) e "Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj", e um coro de crianças cantando:
UN, DOS, TRES, CUATRO, TIERRA, CIELO
CINCO, SEIS, PARAÍSO, INFIERNO
SIETE, OCHO, NUEVE, DIEZ, HAY QUE SABER MOVER LOS PIES
En la rayuela o en la vida
vós podés elegir un día
por qué costado, de qué lado
saltarás
PS: Como dice mi abuela Montserrat:
La vida es un tango
Y el que no lo baila
Es un burrango
PS2: E mais música! Está quase pronto o novo CD de Pato Fu! Uhú! O título é Música de brinquedo, esta é a capa

e este um vídeo lindo, o making of da música "Primavera". Com a sempre linda e maravilhosa (ai!) Fernanda Takai.
Do CD Tango 3.0, a música "Rayuela".
Com a voz de Julio Cortázar recitando Rayuela (O jogo da amarelinha) e "Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj", e um coro de crianças cantando:
UN, DOS, TRES, CUATRO, TIERRA, CIELO
CINCO, SEIS, PARAÍSO, INFIERNO
SIETE, OCHO, NUEVE, DIEZ, HAY QUE SABER MOVER LOS PIES
En la rayuela o en la vida
vós podés elegir un día
por qué costado, de qué lado
saltarás
PS: Como dice mi abuela Montserrat:
La vida es un tango
Y el que no lo baila
Es un burrango
PS2: E mais música! Está quase pronto o novo CD de Pato Fu! Uhú! O título é Música de brinquedo, esta é a capa

e este um vídeo lindo, o making of da música "Primavera". Com a sempre linda e maravilhosa (ai!) Fernanda Takai.
Friday, July 23, 2010
Encontro no café com um desconhecido
Hoje conheci um cara no café da rua Uruguai. Foi engraçado como aconteceu. E é bem inusual, lá poucas vezes falei com alguém, só digo que sim quando alguém pergunta se uma cadeira está livre, e uma vez conversei brevemente com uma guria que me perguntou por que eu não lia a Zero Hora (eu estava com a Folha ou o Estado, e ela era do departamento de marketing da Zero Hora). De manhã me pareceu vê-lo, mas nem tenho certeza se era ele. Se era, estava com o que me pareceu um MacBook branco. À tarde estava sentado ao meu lado, e só reparei nele quando se dirigiu a mim, ele ainda estava sentado mas quase indo embora. "Filosofia?", perguntou. Parece que leu "Rousseau" na página que eu estava revisando, deve ter se puxado, porque a página estava toda cheia de anotações, coisas riscadas, eu estava revisando-a. "Literatura", eu disse. "Ah, é que eu li aí Rousseau...". Acho que então fui eu quem lhe perguntou se estudava Filosofia. Disse que sim, que estava no último ano na universidade de Santa Maria. Eu contei que estava fazendo o mestrado em Literatura da PUC. Ele quis saber sobre o meu trabalho, eu disse que era um romance e que aquilo ali era a parte teórica. Antes ou depois disso, ele me disse que gostava dos românticos (por isso o interesse por Rousseau), mas que os havia deixado de lado porque estavam levando ele para a literatura, e o que ele queria mesmo era focar em filosofia pura. Metafísica, também disse. Estava se preparando para o mestrado. Eu perguntei se a faculdade de Santa Maria era boa, ele disse que sim, falou num professor alemão que teve. Eu, devo confessar, não falei bem da Filosofia na PUC, por influência de um amigo que estudou lá. Daí ele perguntou se eu podia lhe contar algo do enredo do romance. Tudo isso com muita educação, com muita naturalidade. Ele, não falei ainda, era um guri de cabelo loiro, longo e crespo, e vestia uma roupa elegante cinza. O enredo... Eu não teria sabido contar-lhe o enredo, nem teria tido tempo, ele já estava de pé, com sua namorada ou amiga ao lado, que voltou do banheiro. Lhe disse que era sobre amor e loucura. Antes ou depois, ele disse que tinha encontrado o café por acaso. "Muito bom trabalhar aqui, né? Eu não estava conseguindo começar meu trabalho de conclusão...". Eu disse, "sim, especialmente para fumantes"... Provavelmente falamos algumas coisas mais que agora não lembro. Espero encontrá-lo de novo, me pareceu um cara legal. E esse tipo de encontro, assim, tão casual e cordial, me pareceu muito legal também, por isso quis contá-lo aqui. Mas escrevi sem parar, nem revisar, daí o estilo ruim e os possíveis erros... :)
Thursday, July 22, 2010
Instantànies de Porto Alegre (en català!) 3
(Continuo fent fotos amb el mòbil poderós.) (Cliqueu per veure-les bé.)

Primer partit del Brasil, vist dins d'un taxi.

Segon partit del Brasil, 16 h, no vist.
Avinguda Getúlio Vargas deserta.

Tercer partit del Brasil, vist en un bar de
la Rua da Praia.

Quart partit del Brasil, vist amb la multitud,
a la plaça davant del mercat.

Cinquè partit del Brasil, 11:30 h, botigues
de la Rua da Praia tancades, vist al cafè
de la rua Uruguai. Brasil perd
contra Holanda ("agora deu, acabou, chega,
vamos trabalhar", diu una cambrera).

Un dels cafès on escric. L'amo, o potser és
un cambrer, parla català. (Llàstima de la bufanda.)

El mateix cafè. Vaig aixecar la vista
del quadern i el primer que vaig veure
va ser el Renato Russo. Va ser com si
em digués: "força, nen!".

Un dels cafès on llegeixo el diari els
diumenges, quan al Centre tanca tot.




Parc d'atraccions del Parque da Redenção, un diumenge al matí.


Patinant sobre rodes al Parque da Redenção.


L'arbre de les punxes, a la Praça da Alfândega.

La Gabriela, amb la seva nova
gel·lava (chilava, jalaba),
abraçant la Flora i la Lúcia
(despentinada de la nit anterior).

I el Max! :)

Primer partit del Brasil, vist dins d'un taxi.

Segon partit del Brasil, 16 h, no vist.
Avinguda Getúlio Vargas deserta.

Tercer partit del Brasil, vist en un bar de
la Rua da Praia.

Quart partit del Brasil, vist amb la multitud,
a la plaça davant del mercat.

Cinquè partit del Brasil, 11:30 h, botigues
de la Rua da Praia tancades, vist al cafè
de la rua Uruguai. Brasil perd
contra Holanda ("agora deu, acabou, chega,
vamos trabalhar", diu una cambrera).

Un dels cafès on escric. L'amo, o potser és
un cambrer, parla català. (Llàstima de la bufanda.)

El mateix cafè. Vaig aixecar la vista
del quadern i el primer que vaig veure
va ser el Renato Russo. Va ser com si
em digués: "força, nen!".

Un dels cafès on llegeixo el diari els
diumenges, quan al Centre tanca tot.




Parc d'atraccions del Parque da Redenção, un diumenge al matí.


Patinant sobre rodes al Parque da Redenção.


L'arbre de les punxes, a la Praça da Alfândega.

La Gabriela, amb la seva nova
gel·lava (chilava, jalaba),
abraçant la Flora i la Lúcia
(despentinada de la nit anterior).

I el Max! :)
Sunday, July 18, 2010
Pra você guardei o amor, de Nando Reis
Faltava música no blog. Ontem ouvi esta no rádio e gostei muito. Gosto de como a voz de Ana Cañas corre por baixo, ou segue um pouco atrás da voz de Nando Reis (contraponto?).
Wednesday, July 14, 2010
Do bem e do mal

Arte de rua em Porto Alegre. (En català:
Existeix un blau més bonic que el meu?)

Capa da Veja, a revista mais retrógrada do país,
sobre o partido de Lula e Dilma Rousseff.
Monday, July 12, 2010
Notícias da Copa do Mundo e 9

Isto é o que ficará para mim desta Copa. Uma espécie de aprendizagem. No fim do jogo me perguntaram se não ia chorar. Provavelmente teria chorado (sem, na hora, saber bem por quê), mas não consegui ler isso ao vivo. Na verdade pensei: será?; não, não pode ser. Pois era. Talvez nunca aprenda.
... E as fotos do dia! =)







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