Sem som. Depois comento o que a "câmera" mostra.
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Thursday, March 31, 2011
Tuesday, March 29, 2011
Os "cafés con piernas" de Santiago de Chile
Os cafés com pernas do centro histórico de Santiago foram uma das muitíssimas coisas que me impressionaram na viagem que a Gabriela e eu fizemos pela América do Sul, em 2005. (Sobre essa viagem quase não escrevi nada; só, de um cibercafé em Cusco, um e-mail contando da cidade e da ida ao Machu Picchu, eu nem tinha blog.) Mas me dei conta do porquê me impressionaram tarde demais, provavelmente quando já estávamos em Valparaíso, e talvez por isso não tirei fotos dos cafés (ou então foi por vergonha, ou "respeito"). O fato é que os lembrava muito bem, e a prova é que quando a Marinella me disse que ia para lá, do primeiro que eu lhe falei foi desses cafés, e lhe pedi que tirasse alguma foto para mim. Encomendei-lhe, por assim dizer, esse pequeno "trabalho sujo"; e ela, que, além de querida, é mais despachada do que eu (não é difícil), o fez, não sem algum constrangimento (por isso alguma foto está tremida: obrigadão, Marinella, e desculpa).
Não é para ficar incomodado com a existência desses cafés, pensei então (em 2005). Nem para enxergar neles a relíquia de um passado machista - mais do que o presente. Descrevo para quem não conheça: nos "cafés con piernas" só trabalham mulheres, e essas mulheres são todas jovens, lindas, altas e, sobretudo, de pernas compridas e torneadas. (Escritas em algum lugar ou não, imagino que essas devam ser as "exigências"; não são as únicas.) A graça é que nesses cafés o balcão não chega ao chão, consiste unicamente da barra de aço e, assim, deixa as pernas das garçonetes, que usam vestido curto ou minissaia, à vista dos homens que as querem olhar (há clientes mulheres, mas poucas). Esse é motivo suficiente para algumas das pessoas que frequentam os locais: sentar numa mesa e, entre goles de café (não sei se é permitido fumar), sem medo de se sentirem recriminados, deleitar-se com a visão das pernas expostas, belas como as de uma modelo ou atriz. E talvez fantasiar.
Mas essa é só a graça aparente. Os cafés têm outra função, e outro tipo de clientes que me interessaram mais: aqueles que ficam de pé no balcão, conversando com as moças. Não sei se eu mesmo percebi, ou a Gabriela comentou, ou li no guia Lonely Planet (lonely), mas essa "outra função" me pareceu a principal, e de grande valor - encomiável. As mulheres (eu devo ter lido mesmo no guia) não estão lá somente para mostrar as pernas enquanto servem cafés: elas são contratadas, também - e é de se esperar que bem pagas -, para escutar.
O centro histórico de Santiago (como o do Rio, por exemplo) também é o centro de negócios, onde estão os maiores escritórios (bem pertinho do Café Caribe que a Marinella fotografou está a bolsa de valores), e essas ruas, como tantas de tantas grandes cidades, fervem de pessoas apressadas, estressadas, dedicadas quase por inteiro ao trabalho. Somado a isso o fato de que, nas cidades, as pessoas são cada vez mais solitárias (50% dos habitantes de Manhattan moram sozinhos; em São Paulo o número não deve ser muito menor), e que o ritmo de vida urbano deixa muitas pessoas insatisfeitas e frustradas, o que melhor do que poder desabafar com alguém, e que esse alguém seja uma mulher linda! (Claro, deveria haver cafés para mulheres também.) Poder falar dos problemas laborais, pessoais, maritais, ou do próprio sentimento de solidão! Querendo ou não, os atendentes dos bares sempre aceitaram, cumpriram esse papel: o de escutar e - os mais amáveis - dialogar e até dar conselhos aos "solitários e aflitos" (isso não é coisa de filme; basta passear pelos bares nas horas adequadas, quando o tráfego de pessoas é menor). Pareceu-me, assim, que em Santiago não fizeram mais do que "regulamentar", "oficializar" essa função, esse serviço tão antigo, anterior à existência de qualquer bar e da bebida tão necessária que é o café.
Essas garçonetes seriam, dizem os críticos, um tipo especial de prostitutas, seu trabalho uma forma light de prostituição. Pode ser. Também há quem diga isso dos psicólogos (prostituta/o é o xingamento que eles têm de aguentar mais; o preferido de seus pacientes mais exaltados, quando ficam fora de si). Mas se se trata de fazer comparações, para mim essas mulheres seriam isso, psicólogas. Psicólogas de pernas, seios e rostos lindos - além de mais acessíveis e menos caras (o preço de um café). Outros críticos argumentam que as pessoas que vão lá contar seus problemas se iludem, pois recebem uma atenção falsa. Mas a ilusão é uma sensação, real como qualquer outra, capaz de trazer benefícios. Esses homens não precisam de prostitutas, de sexo; precisam de algo ainda mais essencial. No fundo é puro Freud (ou é Lacan?): querem que alguém os escute, porque não é só do olhar do outro que a gente precisa para existir; é do olhar e da compreensão e do afeto, que muita gente não tem.
PS: Nessa viagem de 2005, eu estive por uma hora e meia num desses cafés. Não no Café Caribe, num menos cêntrico, no bairro que os santiaguenses chamam "dos cabeleireiros" porque muitos têm suas lojas lá. Fui para ver um jogo da Copa da Europa de futebol, que passava pela TV paga. Espero não ter ofendido a garçonete (só havia uma, o café era pequeno) com minha desatenção prolongada...
Obrigadão à Marinella pelas fotos. Tem mais Santiago aqui.
Não é para ficar incomodado com a existência desses cafés, pensei então (em 2005). Nem para enxergar neles a relíquia de um passado machista - mais do que o presente. Descrevo para quem não conheça: nos "cafés con piernas" só trabalham mulheres, e essas mulheres são todas jovens, lindas, altas e, sobretudo, de pernas compridas e torneadas. (Escritas em algum lugar ou não, imagino que essas devam ser as "exigências"; não são as únicas.) A graça é que nesses cafés o balcão não chega ao chão, consiste unicamente da barra de aço e, assim, deixa as pernas das garçonetes, que usam vestido curto ou minissaia, à vista dos homens que as querem olhar (há clientes mulheres, mas poucas). Esse é motivo suficiente para algumas das pessoas que frequentam os locais: sentar numa mesa e, entre goles de café (não sei se é permitido fumar), sem medo de se sentirem recriminados, deleitar-se com a visão das pernas expostas, belas como as de uma modelo ou atriz. E talvez fantasiar.
Mas essa é só a graça aparente. Os cafés têm outra função, e outro tipo de clientes que me interessaram mais: aqueles que ficam de pé no balcão, conversando com as moças. Não sei se eu mesmo percebi, ou a Gabriela comentou, ou li no guia Lonely Planet (lonely), mas essa "outra função" me pareceu a principal, e de grande valor - encomiável. As mulheres (eu devo ter lido mesmo no guia) não estão lá somente para mostrar as pernas enquanto servem cafés: elas são contratadas, também - e é de se esperar que bem pagas -, para escutar.
O centro histórico de Santiago (como o do Rio, por exemplo) também é o centro de negócios, onde estão os maiores escritórios (bem pertinho do Café Caribe que a Marinella fotografou está a bolsa de valores), e essas ruas, como tantas de tantas grandes cidades, fervem de pessoas apressadas, estressadas, dedicadas quase por inteiro ao trabalho. Somado a isso o fato de que, nas cidades, as pessoas são cada vez mais solitárias (50% dos habitantes de Manhattan moram sozinhos; em São Paulo o número não deve ser muito menor), e que o ritmo de vida urbano deixa muitas pessoas insatisfeitas e frustradas, o que melhor do que poder desabafar com alguém, e que esse alguém seja uma mulher linda! (Claro, deveria haver cafés para mulheres também.) Poder falar dos problemas laborais, pessoais, maritais, ou do próprio sentimento de solidão! Querendo ou não, os atendentes dos bares sempre aceitaram, cumpriram esse papel: o de escutar e - os mais amáveis - dialogar e até dar conselhos aos "solitários e aflitos" (isso não é coisa de filme; basta passear pelos bares nas horas adequadas, quando o tráfego de pessoas é menor). Pareceu-me, assim, que em Santiago não fizeram mais do que "regulamentar", "oficializar" essa função, esse serviço tão antigo, anterior à existência de qualquer bar e da bebida tão necessária que é o café.
Essas garçonetes seriam, dizem os críticos, um tipo especial de prostitutas, seu trabalho uma forma light de prostituição. Pode ser. Também há quem diga isso dos psicólogos (prostituta/o é o xingamento que eles têm de aguentar mais; o preferido de seus pacientes mais exaltados, quando ficam fora de si). Mas se se trata de fazer comparações, para mim essas mulheres seriam isso, psicólogas. Psicólogas de pernas, seios e rostos lindos - além de mais acessíveis e menos caras (o preço de um café). Outros críticos argumentam que as pessoas que vão lá contar seus problemas se iludem, pois recebem uma atenção falsa. Mas a ilusão é uma sensação, real como qualquer outra, capaz de trazer benefícios. Esses homens não precisam de prostitutas, de sexo; precisam de algo ainda mais essencial. No fundo é puro Freud (ou é Lacan?): querem que alguém os escute, porque não é só do olhar do outro que a gente precisa para existir; é do olhar e da compreensão e do afeto, que muita gente não tem.
PS: Nessa viagem de 2005, eu estive por uma hora e meia num desses cafés. Não no Café Caribe, num menos cêntrico, no bairro que os santiaguenses chamam "dos cabeleireiros" porque muitos têm suas lojas lá. Fui para ver um jogo da Copa da Europa de futebol, que passava pela TV paga. Espero não ter ofendido a garçonete (só havia uma, o café era pequeno) com minha desatenção prolongada...
Obrigadão à Marinella pelas fotos. Tem mais Santiago aqui.
Saturday, March 26, 2011
A. I.: Ten Years Passed By...
Só porque hoje um amigo me fez lembrar do filme, que eu amo. E até mesmo entendê-lo melhor.
PS nada a ver: Hoje eu vi o mais inesperado: ratos de laboratório, desses brancos com olhos vermelhos. Graças à Lorena, que encontrei por acaso (ela me encontrou) e foi muito gentil (obrigadão). Vi machos, fêmeas, fêmeas prenhes, crias de duas semanas e crias de dois dias. (Não segurei nenhum, nem toquei; a próxima vez vou ter mais coragem.) Vou acabar virando neurocientista mesmo! Só não gostei de saber que nos experimentos só se usam machos, e que então, as crias fêmeas são... "eutanasiadas" no nascimento. Isso é crime e discriminação no trabalho...
PS 2: A querida Marinella, que acabou de voltar do Chile, viu bichos bem maiores, na sua viagem. Vejam.
PS nada a ver: Hoje eu vi o mais inesperado: ratos de laboratório, desses brancos com olhos vermelhos. Graças à Lorena, que encontrei por acaso (ela me encontrou) e foi muito gentil (obrigadão). Vi machos, fêmeas, fêmeas prenhes, crias de duas semanas e crias de dois dias. (Não segurei nenhum, nem toquei; a próxima vez vou ter mais coragem.) Vou acabar virando neurocientista mesmo! Só não gostei de saber que nos experimentos só se usam machos, e que então, as crias fêmeas são... "eutanasiadas" no nascimento. Isso é crime e discriminação no trabalho...
PS 2: A querida Marinella, que acabou de voltar do Chile, viu bichos bem maiores, na sua viagem. Vejam.
Wednesday, March 23, 2011
Pel meu pare, que avui fa anys
E esta é para o Uri, porque hoje é o dia do seu santo. Santo a gente comemora menos do que aniversário, mas também comemora. Então para ti, bro, amante da música brasileira, uma canção do melhor CD de 2010, segundo a Rolling Stone (Efêmera, de Tulipa Ruiz, daqui a pouco nas lojas de Barcelona).
Tuesday, March 22, 2011
Mar no muro 2
O mar não era só um mar.

Campus central da UFRGS, 16/03/11.
PS nada a ver: Sobre criação literária, de Annie Proulx, em entrevista sábado no Estadão: "Estou sempre atenta às diferenças entre o que as pessoas esperavam, o que elas pensavam sobre si mesmas e o que de fato lhes ocorreu".

Campus central da UFRGS, 16/03/11.
PS nada a ver: Sobre criação literária, de Annie Proulx, em entrevista sábado no Estadão: "Estou sempre atenta às diferenças entre o que as pessoas esperavam, o que elas pensavam sobre si mesmas e o que de fato lhes ocorreu".
Sunday, March 20, 2011
Porto Alegre blanc-i-blava
Ahir al matí vaig tenir una sorpresa, que no sé si sabré explicar bé. (Com s'explica una sorpresa, si passa en un instant?) Va ser al Café Chaves, de la Galeria Chaves, al Centre. És una cafeteria que vaig conèixer el juny de l'any passat i de seguida em va agradar: un lloc acollidor, amb cambrers i cambreres simpàtics i amb taules on es podia fumar - i que obria (obre) els dissabtes. Allà vaig conèixer el Roberto, un dels cambrers, que també és professor de castellà i, més important, parla català, perquè va estudiar un temps a Barcelona. L'únic que em va desagradar, i que aquell primer dia ell em va ensenyar orgullós, entre altres coses que té al cafè de Catalunya (tasses, fotos), va ser una bufanda del Bar$a. Això està massa a la vista, li vaig dir, no em deixarà concentrar per escriure. Vaig explicar-li que jo era de l'Espanyol i ell, molt amable, em va dir que si li portava una bufanda la penjaria.
-Més amunt que aquesta del Bar$a?
-I tant!
Ara per Nadal vaig comprar la bufanda, però ahir, que vaig anar al cafè, encara no l'havia portat. Vaig passar-hi només per saludar el Roberto i dir que li portaria un dia d'aquests. Llavors ell em va fer entrar (ahir el cafè estava tancat, per un dinar) i em va ensenyar això:
Vaig quedar encantat. Qui no sàpiga què significa ser de l'Espanyol a Barcelona segurament no ho entendrà, però la sorpresa va ser gran. Un amic seu brasiler, que fa poc va estar a Catalunya, se m'havia avançat: la bufanda ja estava penjada, i ben amunt! El Roberto li havia demanat! Vaig comentar que aquella era més maca que la meva, però ell em va dir que li portés igualment, que també la penjaria. No seria mala idea, vaig pensar, que la pengés al damunt de la del Bar$a... Però no, no siguem mesquins. Deixem els culés que hi pugui haver a Porto Alegre en pau. El que faré serà regalar-li, com vaig prometre. Perquè se la quedi ell o, si té algun amic en algun altre bar, li regali per decorar un altre local - engrandir-lo, tornar-lo especial. Moltes gràcies, Roberto. Sàpigues que des d'ara seré un client fidel. (Som el RCD Espanyol, mai no oblidem.)
PS ENORME: Avui he tingut una sorpresa molt més gran. M'han donat la millor notícia en anys. Però aquesta no la puc explicar al blog (no encara).
-Més amunt que aquesta del Bar$a?
-I tant!
Ara per Nadal vaig comprar la bufanda, però ahir, que vaig anar al cafè, encara no l'havia portat. Vaig passar-hi només per saludar el Roberto i dir que li portaria un dia d'aquests. Llavors ell em va fer entrar (ahir el cafè estava tancat, per un dinar) i em va ensenyar això:
Vaig quedar encantat. Qui no sàpiga què significa ser de l'Espanyol a Barcelona segurament no ho entendrà, però la sorpresa va ser gran. Un amic seu brasiler, que fa poc va estar a Catalunya, se m'havia avançat: la bufanda ja estava penjada, i ben amunt! El Roberto li havia demanat! Vaig comentar que aquella era més maca que la meva, però ell em va dir que li portés igualment, que també la penjaria. No seria mala idea, vaig pensar, que la pengés al damunt de la del Bar$a... Però no, no siguem mesquins. Deixem els culés que hi pugui haver a Porto Alegre en pau. El que faré serà regalar-li, com vaig prometre. Perquè se la quedi ell o, si té algun amic en algun altre bar, li regali per decorar un altre local - engrandir-lo, tornar-lo especial. Moltes gràcies, Roberto. Sàpigues que des d'ara seré un client fidel. (Som el RCD Espanyol, mai no oblidem.)
PS ENORME: Avui he tingut una sorpresa molt més gran. M'han donat la millor notícia en anys. Però aquesta no la puc explicar al blog (no encara).
Thursday, March 17, 2011
The Night of the Iguana (excerpt and poem)
I finished reading The Night of the Iguana, by Tennessee Williams. I won't try to comment the play, but I'll type a part of a scene, the one I found most intense and significant (for myself to keep a record and for whoever may want to read it). It's a dialogue between two of the main characters, from Act Three. Shannon is a man of about thirty-five, a tour guide who has lost his party of tourists and presumably his job. Hannah, of less than thirty, is a painter and sketch artist who travels with her moribund grandfather (a poet). They are alone at the verandah of a small hotel in Mexico, where the play is set. Until this scene, they barely know each other. They talk about love, though not of the usual kind. And they refer to their respective traumatic wounds - Shannon has just had a panic attack.
HANNAH: Liquor isn't your problem, Mr. Shannon.
SHANNON: What is my problem, Ms. Jelkes?
HANNAH: The oldest one in the world - the need to believe in something or in someone - almost anyone - almost anything... something.
SHANNON: Your voice sounds hopeless about it.
HANNAH: No, I'm not hopeless about it. In fact, I've discovered something to believe in.
SHANNON: Something like... God?
HANNAH: No.
SHANNON: What?
HANNAH: Broken gates between people so they can reach each other, even if it's just for one night only.
SHANNON: One night stands, huh?
HANNAH: One night... communication between them on a verandah outside their... separate cubicles, Mr. Shannon.
SHANNON: You don't mean physically, do you?
HANNAH: No.
SHANNON: I didn't think so. Then what?
HANNAH: A little understanding exchanged between them, a wanting to help each other through nights like this.
SHANNON: Who was the someone you told the widow you'd helped long ago to get through a crack-up like this one I'm going through?
HANNAH: Oh... that. Myself.
SHANNON: You?
HANNAH: Yes. I can help you because I've been through what you are going through now. I had something like your spook - I just had a different name for him. I called him the blue devil, and... oh... we had quite a battle, quite a contest between us.
SHANNON: Which you obviously won.
HANNAH: I couldn't afford to lose.
SHANNON: How'd you beat your blue devil?
HANNAH: I showed him that I could endure him and I made him respect my endurance.
SHANNON: How?
HANNAH: Just by, just by... enduring. Endurance is something that spooks and blue devils respect. And they respect all the tricks that panicky people use to outlast and outwit their panic.
SHANNON: Like poppy-seed tea?
HANNAH: Poppy-seed tea or rum-cocos or just a few deep breaths. Anything, everything, that we take to give them the slip, and so keep on going.
SHANNON: To where?
HANNAH: To somewhere like this, perhaps. This verandah over the rain forest and the still-water beach, after long, difficult travels. And I don't mean just travels about the world, the earth's surface. I mean... subterranean travels, the... journeys that the spooked and bedeviled people are forced to take through the... the unlighted sides of their natures.
SHANNON: Don't tell me you have a dark side to your nature.
HANNAH: I'm sure I don't have to tell a man as experienced and knowledgeable as you, Mr. Shannon, that everything has its shadowy side?
Hannah's grandfather's last poem:
PS: My mom is learning English and asked me for the text:
How calmly does the olive branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
Sometime while night obscures the tree
The zenith of its life will be
Gone past forever, and from thence
A second history will commence.
A chronicle no longer gold,
A bargaining with mist and mould,
And finally the broken stem
The plummeting to earth; and then
An intercourse not well designed
For beings of a golden kind
Whose native green must arch above
The earth's obscene, corrupting love.
And still the ripe fruit and the branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
O Courage, could you not as well
Select a second place to dwell,
Not only in that golden tree
But in the frightened heart of me?
HANNAH: Liquor isn't your problem, Mr. Shannon.
SHANNON: What is my problem, Ms. Jelkes?
HANNAH: The oldest one in the world - the need to believe in something or in someone - almost anyone - almost anything... something.
SHANNON: Your voice sounds hopeless about it.
HANNAH: No, I'm not hopeless about it. In fact, I've discovered something to believe in.
SHANNON: Something like... God?
HANNAH: No.
SHANNON: What?
HANNAH: Broken gates between people so they can reach each other, even if it's just for one night only.
SHANNON: One night stands, huh?
HANNAH: One night... communication between them on a verandah outside their... separate cubicles, Mr. Shannon.
SHANNON: You don't mean physically, do you?
HANNAH: No.
SHANNON: I didn't think so. Then what?
HANNAH: A little understanding exchanged between them, a wanting to help each other through nights like this.
SHANNON: Who was the someone you told the widow you'd helped long ago to get through a crack-up like this one I'm going through?
HANNAH: Oh... that. Myself.
SHANNON: You?
HANNAH: Yes. I can help you because I've been through what you are going through now. I had something like your spook - I just had a different name for him. I called him the blue devil, and... oh... we had quite a battle, quite a contest between us.
SHANNON: Which you obviously won.
HANNAH: I couldn't afford to lose.
SHANNON: How'd you beat your blue devil?
HANNAH: I showed him that I could endure him and I made him respect my endurance.
SHANNON: How?
HANNAH: Just by, just by... enduring. Endurance is something that spooks and blue devils respect. And they respect all the tricks that panicky people use to outlast and outwit their panic.
SHANNON: Like poppy-seed tea?
HANNAH: Poppy-seed tea or rum-cocos or just a few deep breaths. Anything, everything, that we take to give them the slip, and so keep on going.
SHANNON: To where?
HANNAH: To somewhere like this, perhaps. This verandah over the rain forest and the still-water beach, after long, difficult travels. And I don't mean just travels about the world, the earth's surface. I mean... subterranean travels, the... journeys that the spooked and bedeviled people are forced to take through the... the unlighted sides of their natures.
SHANNON: Don't tell me you have a dark side to your nature.
HANNAH: I'm sure I don't have to tell a man as experienced and knowledgeable as you, Mr. Shannon, that everything has its shadowy side?
Hannah's grandfather's last poem:
PS: My mom is learning English and asked me for the text:
How calmly does the olive branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
Sometime while night obscures the tree
The zenith of its life will be
Gone past forever, and from thence
A second history will commence.
A chronicle no longer gold,
A bargaining with mist and mould,
And finally the broken stem
The plummeting to earth; and then
An intercourse not well designed
For beings of a golden kind
Whose native green must arch above
The earth's obscene, corrupting love.
And still the ripe fruit and the branch
Observe the sky begin to blanch
Without a cry, without a prayer,
With no betrayal of despair.
O Courage, could you not as well
Select a second place to dwell,
Not only in that golden tree
But in the frightened heart of me?
Monday, March 14, 2011
Para os amigos
Enviado dias atrás por uma amiga querida.
L'amitié
Françoise Hardy
Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la Terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi, tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d’autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois
L'amitié
Françoise Hardy
Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la Terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi, tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d’autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois
Wednesday, March 09, 2011
Funny Little Things From Rather Stupid Magazines
Da revista Época desta semana. "A antropóloga Mirian Goldenberg pesquisou 835 mulheres e homens para o livro Por que os homens e as mulheres traem. Um de seus estudos perguntou sobre o modelo ideal dos brasileiros e das brasileiras". É interessante ver que as mulheres gostariam de seu homem com mais alguma coisa, enquanto os homens gostariam de sua mulher com menos alguma coisa.
Elas gostariam que seu homem fosse mais...
Fiel
Sincero
Honesto
Corajoso
Alegre
Rico
Sensual
Magro
Tarado*
Culto
A revista não especifica se a lista é hierárquica. Se assim fosse, acharia péssimo esse "culto" em último lugar. Também acho esquisito que não apareçam "inteligente" ou "compreensivo" (já nem digo "sábio"). Gostei da inclusão de "tarado". E eu não incluiria a característica "rico" ou "rica" em lista nenhuma. Mas gostei da lista, achei inteligente.
Eles gostariam que sua mulher (na verdade a revista faz uma distinção: onde na lista anterior dizia homem, aqui diz "companheira") fosse menos...
Ciumenta
Chata
Exigente
Carente
Dependente
Insegura
Complicada
Mal-humorada
Histérica
Gorda
Se a lista é hierárquica, acho hipócrita esse "gorda" em último lugar... Menos "complicada", por quê? As pessoas somos complicadas! E se isso é sinônimo de "complexa", por exemplo, pode até ser algo positivo. De resto, todo o mundo é tudo isso em algum grau (menos "histérico" ou "histérica", talvez**). Lista menos inteligente, enfim, como os homens.
*Pels lectors catalans que no ho sàpiguen: "tarado" és un false friend, no vol dir boig. Vol dir (tret directament del diccionari) "sexualment degenerat". Perquè veieu com se les gasten al Brasil.
PS: Post escrito sem refletir, OK? It's just a "Funny Little Thing...".
PS2: Li o artigo completo. As listas são hierárquicas. Era óbvio, né?, com esse "fiel" em primeiro lugar?
**Esqueçam. Histeria sim. Estou lendo The Night of The Iguana, de Tennessee Williams, e lá está o seguinte, dito pela personagem principal:
SHANNON: Hank, hysteria is a natural phenomenon, the common denominator of the female nature. It's the big female weapon, and the test of a man is his ability to cope with it, and I can't believe you can't.
Me falta muito para aprender...
Elas gostariam que seu homem fosse mais...
Fiel
Sincero
Honesto
Corajoso
Alegre
Rico
Sensual
Magro
Tarado*
Culto
A revista não especifica se a lista é hierárquica. Se assim fosse, acharia péssimo esse "culto" em último lugar. Também acho esquisito que não apareçam "inteligente" ou "compreensivo" (já nem digo "sábio"). Gostei da inclusão de "tarado". E eu não incluiria a característica "rico" ou "rica" em lista nenhuma. Mas gostei da lista, achei inteligente.
Eles gostariam que sua mulher (na verdade a revista faz uma distinção: onde na lista anterior dizia homem, aqui diz "companheira") fosse menos...
Ciumenta
Chata
Exigente
Carente
Dependente
Insegura
Complicada
Mal-humorada
Histérica
Gorda
Se a lista é hierárquica, acho hipócrita esse "gorda" em último lugar... Menos "complicada", por quê? As pessoas somos complicadas! E se isso é sinônimo de "complexa", por exemplo, pode até ser algo positivo. De resto, todo o mundo é tudo isso em algum grau (menos "histérico" ou "histérica", talvez**). Lista menos inteligente, enfim, como os homens.
*Pels lectors catalans que no ho sàpiguen: "tarado" és un false friend, no vol dir boig. Vol dir (tret directament del diccionari) "sexualment degenerat". Perquè veieu com se les gasten al Brasil.
PS: Post escrito sem refletir, OK? It's just a "Funny Little Thing...".
PS2: Li o artigo completo. As listas são hierárquicas. Era óbvio, né?, com esse "fiel" em primeiro lugar?
**Esqueçam. Histeria sim. Estou lendo The Night of The Iguana, de Tennessee Williams, e lá está o seguinte, dito pela personagem principal:
SHANNON: Hank, hysteria is a natural phenomenon, the common denominator of the female nature. It's the big female weapon, and the test of a man is his ability to cope with it, and I can't believe you can't.
Me falta muito para aprender...
Monday, March 07, 2011
Butlletí Oficial de l'Ambaixada de Catalunya a Porto Alegre, 07/03/11
Reunits el passat 5 de març de 2011 a casa l'Excel·lentíssim Ambaixador de Catalunya a Porto Alegre, el Senyor Ambaixador i el Secretari de l'Ambaixada vam acordar el següent, que recollim i fem públic en aquest butlletí.
Porto Alegre, a 7 de març de 2011, el Secretari.
- Que en el nou any laboral que comença el proper 15 de març queda obert el període d'inscripció per participar a les reunions de l'Ambaixada i a les seves nombroses activitats relacionades amb la llengua i la cultura catalanes. L'Ambaixada convida, especialment, persones del sexe femení, que hauran de presentar el seu CV. (A l'Ambaixada, fins ara, tots som homes - gentlemen.) Per participar a les reunions i activitats no cal tenir experiència prèvia en la llengua (a l'Ambaixada sovint es parla anglès). Per tant, tampoc no és imperatiu presentar cap CV.
- Ja no hi ha crisi interna sobre el posicionament de l'Ambaixada en relació amb la crisi actual al món àrab, que de Tunísia es va estendre a Egipte, Líbia i un reguitzell de països més. La posició de l'Ambaixada és ferma però no radical, i demana una mediació entre les parts implicades en el conflicte, en pro de l'equilibri i l'harmonia, a través del diàleg, la tolerància i l'establiment d'acords.
- La vella nova casa del Senyor Ambaixador, reformada, fa goig. La decoració és refinada i el cafè és excel·lent, així com les atencions que el propietari dispensa a tots els seus convidats. Pel que fa a les seus de l'Ambaixada a la ciutat de Porto Alegre, fins ara escampades per diversos bars, l'Ambaixador continua lluitant per trobar un espai ampli i propi (com lluita la mateixa Catalunya des de fa segles, val a dir).
- L'Ambaixada de Catalunya vol donar la benvinguda a la nova Presidenta de la República Federativa do Brasil, l'Honorabilíssima Dilma Vana Rousseff, i desitjar-li un govern ple d'èxits i realitzacions. I no cal dir que accepta la seva voluntat de ser anomenada "Presidenta", i no "Presidente" (encara que certs mitjans conservadors li retreguin un suposat feminisme i una interpretació sui generis, mai més ben dit, de les regles gramaticals del portuguès).
- L'Ambaixada obre places per a un proper viatge cultural per la Catalunya romànica i la Catalunya gòtica, amb escapades a les costes Brava o Daurada (temps d'oci). Haurien de formar-se dos grups de 15 persones. L'Ambaixador nega que les agències de viatges ofereixin promocions 15+1. (El Secretari, titllat de desconfiat pel Sr. Ambaixador, respon que fa la seva feina i ha de vetllar per la transparència de totes les activitats de l'Ambaixada. Es produeix un moment tens en la reunió.)
- L'Ambaixador expressa el seu desencís, gairebé enuig, pel fet d'encara no haver estat rebut pel rector de la Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, el Sr. Joaquim Clotet, nascut a Catalunya però fins ara absolutament desentès de les activitats de l'Ambaixada. Una implicació més gran, o fins i tot un simple reconeixement, facilitaria l'obtenció d'sponsorships, que ajudarien a eixugar el dèficit pressupostari de l'Ambaixada i alhora a programar noves activitats lúdico-culturals. Clar i català: VOLEM parlar amb el Sr. Clotet.
- L'Ambaixada es mostra preocupada per la situació a la Xina. No obstant, no ha arribat a un posicionament clar derivat d'aquesta preocupació, persistent, com un mar de fons, a totes les ambaixades dels països occidentals.(Qüestió pendent.)
- L'Ambaixada estableix com a possibles temes de debat per a les properes trobades culturals els següents:
- L'Empordà, terra de genis. Sobre l'efecte de la tramuntana, o vent del nord, en artistes universals d'aquesta comarca, com Salvador Dalí i altres. (Es produeix un intercanvi d'idees sobre si els genis estan tocats de l'ala i/o viceversa. El Sr. Ambaixador lamenta que no hi hagi, fins avui, cap estudi científic que demostri o no l'efecte trastornador de la tramuntana, però recorda un viatge per aquelles bandes en què ell mateix va sentir el cap "una mica ennuvolat". El Secretari afirma que a Ses Illes, on es coneix com a "es vent d'es nord" i bufa amb igual força, la tramuntana també ha creat genis, de la mida, ni més ni menys, de Miquel Barceló o Rafael Nadal. El Sr. Ambaixador i el Secretari es pregunten sobre la catalanitat dels habitants de Ses Illes. Tema per a un altre debat.)
- Sobre el col·laboracionisme de l'escriptor Josep Pla amb el règim franquista i la influència d'aquest passat tèrbol en la recepció posterior de l'obra del "primer entre tots els escriptors catalans" (també empordanès, però del Baix Empordà o, com ell preferia, Empordanet o Empordà petit). Es recomanen les lectures d'El quadern gris i d'articles planians sobre l'Orient Mitjà, com ara "Jueus i àrabs" (per parlar, també, de la crisi actual, i així "matar dos pájarus d'un tiru" - amb perdó pels castellanismes i la poc escaient expressió bel·licosa).
- Joan Manuel Serrat: traïdor a la llengua? Discussió de la contribució del "nano del Poble Sec" a la difusió de la música i la cultura catalanes arreu del món, i especialment a la seva estimada Amèrica Llatina. Acompanyada d'audicions de peces de la seva autoria (com "Penélope", "Fa vint anys que tinc vint anys" o "Mediterráneo") i de peces d'autoria de cantautors sempre fidels a la llengua, com Raimon ("Veles e vents", "Jo vinc d'un silenci", "Al vent") o Lluís Llach ("Laura", "Que tinguem sort", "País petit"). I, també, d'alguna cançó d'Albert Plà, cantautor d'una generació posterior, conegut per les lletres plenes d'obscenitats, que serveixi per a l'aprofundiment en la llengua dels nous membres de l'Ambaixada.
- Capítol de recomanacions literàries. El Sr. Ambaixador recomana als futurs membres de l'Ambaixada (i cedeix, en préstec, al Secretari) la lectura de la novel·la El tercer Reich, de Roberto Bolaño, català d'adopció ("Bolaño: català d'adopció?"). L'acció transcorre en un poblet de la Costa Brava, on dues parelles d'alemanys passen les vacances d'estiu fornicant, bevent i relacionant-se amb joves autòctons d'allò més estranys. (Breu intercanvi d'opinions sobre la possibilitat d'incloure un tercer viatge cultural als ja anunciats de la Catalunya romànica i la Catalunya gòtica. Un recorregut per les platges, hotels, bars i discoteques de la Costa Brava on l'eminent escriptor xilè va viure durant la seva dura i solitària joventut. "Seria més divertit", en opinió del Secretari.)
- Finalment, per fer-se perdonar unes paraules dites sense pensar sobre Catalunya i enteses pel Sr. Ambaixador com a paraules "contra" Catalunya, i per això haver estat advertit (justament o no) d'un possible acomiadament, el Secretari s'ofereix a traduir qualsevol dels articles anteriors a la llengua que qualsevol lector desconeixedor del català desitgi (fins i tot al japonès). Per sobre de tot, com es desprèn del conjunt del butlletí i de la feina feta, l'Ambaixada treballa per a la bona entesa, el diàleg i les expressions d'afecte entre tots els pobles.
Porto Alegre, a 7 de març de 2011, el Secretari.
Friday, March 04, 2011
Por quê NÃO escrevo? (E mais uma!)
A resposta de Umberto Eco:
Você é vítima da "neurose do romance": o deixa de lado, o retoma, sente-se irrealizado, entra num estado de depressão, vale-se do romance como álibi para muitas covardias, não o termina nunca.
PS nada a ver: E olha só o Carnaval em Recife! "Alternando músicas de seus próprios repertórios com versões de canções pernambucanas, ao todo subiram ao palco 12 cantoras. O show começou com Marina Lima, seguida por Karina Buhr, Pitty, Céu, Roberta Sá, Isaar, Fernanda Takai, Zélia Duncan, Nena Queiroga, Maria Gadú, Mariana Aydar e Elba Ramalho."
Você é vítima da "neurose do romance": o deixa de lado, o retoma, sente-se irrealizado, entra num estado de depressão, vale-se do romance como álibi para muitas covardias, não o termina nunca.
PS nada a ver: E olha só o Carnaval em Recife! "Alternando músicas de seus próprios repertórios com versões de canções pernambucanas, ao todo subiram ao palco 12 cantoras. O show começou com Marina Lima, seguida por Karina Buhr, Pitty, Céu, Roberta Sá, Isaar, Fernanda Takai, Zélia Duncan, Nena Queiroga, Maria Gadú, Mariana Aydar e Elba Ramalho."
Thursday, March 03, 2011
Por quê escrevo? (Mais uma série inédita no blog!)
Adorei a "resposta" de Sérgio Sant'Anna a essa eterna pergunta. Está no primeiro parágrafo do "Prólogo" de Confissões de Ralfo, e como está no prólogo, antes do início do livro, pode ser considerada do próprio autor, não da personagem protagonista (as Confissões de Ralfo começam duas páginas depois). O autor, porém, como Ralfo, escreve com senso de humor e um certo e saudável desleixo.
Como todos aqueles que sofrem de uma inquietação crônica, um tipo de peste dentro da alma, que os impede de serem felizes ou de simplesmente desfrutar de uma tranqüila mediocridade, pensei um dia em exorcizar-me. Transcender a mim próprio através da "arte". A oportunidade não só de gozar de uma efémera glória imortal como de expulsar os morcegos que habitavam meu cérebro, talvez me libertando deles para sempre. Tornei-me, então, um escritor. Escrever um romance, cuja elaboração seria iniciada imediatamente.
[...]
PS nada a ver: Uma música linda, com letra linda, de um cantautor queridíssimo na Catalunha e na Espanha (e na Argentina, no Chile e outros países da América Latina), com imagens lindas de uma costa linda (a Costa Brava).
Como todos aqueles que sofrem de uma inquietação crônica, um tipo de peste dentro da alma, que os impede de serem felizes ou de simplesmente desfrutar de uma tranqüila mediocridade, pensei um dia em exorcizar-me. Transcender a mim próprio através da "arte". A oportunidade não só de gozar de uma efémera glória imortal como de expulsar os morcegos que habitavam meu cérebro, talvez me libertando deles para sempre. Tornei-me, então, um escritor. Escrever um romance, cuja elaboração seria iniciada imediatamente.
[...]
PS nada a ver: Uma música linda, com letra linda, de um cantautor queridíssimo na Catalunha e na Espanha (e na Argentina, no Chile e outros países da América Latina), com imagens lindas de uma costa linda (a Costa Brava).
Friday, February 25, 2011
Vamos falar de sexo (cientificamente), e 2
Vou citar mais alguns trechos que me fizeram rir, ou sorrir (às vezes nem tanto pelo dito, quanto pela forma usada para dizer), e outros que achei curiosos do livro El cerebro erótico, do neurocientista Adolf Tobeña.
Mas antes, como no post anterior, vou citar um livro, desta vez só um. Voltei às leituras em português e recomendo Confissões de Ralfo (subtítulo: Uma autobiografia imaginária), de Sérgio Sant'Anna, que está me deixando maravilhado. É um romance realmente fantástico no sentido literal (poderia dizer, também, fantasticamente real). Inclassificável, como Armadilha para Lamartine ou A Rainha dos Cárceres da Grécia; segundo os críticos, "insólito", "anárquico", "caótico". O "descobri", mesmo que indiretamente, graças à Anna, pois é objeto de uma das dissertações e teses que ela um dia procurou para mim. E o encontrei num sebo, não sei se não está fora de catálogo.

O mais famoso fotograma do filme Jamón, jamón, de Bigas Luna.
(Quem ia dizer, hein? Vinte anos depois e ó, casados e com um filho.)
3. Sexo é na praia
(Talvez quem passou estas férias no litoral gaúcho ou catarinense se sinta identificado.)
Los seductores actuales deben residir necesariamente junto al mar. Los manuales de costumbres imponen unas temporadas marítimas tan inexcusables que los mujeriegos dedicados han de plegarse a la cultura de club náutico aunque no tengan ninguna inclinación por las velas o el agua salada. Hoy en día es literalmente inimaginable un donjuán sin un bronceado impecable y con un dominio cuando menos tentativo de la navegación de bajura. Las revistas del corazón lo tienen clarísimo: un playboy que se precie requiere la cubierta blanquísima de un yate bajo los pies y el torso desnudo, contrastando con el azul rutilante de la mar. Ya no valen los refugios en casonas o en aldeas remotas mientra se espera, tranquilamente, el regreso de unas presas fatigadas de salobre y sol pertinaz. No valen porque esos retiros no son tolerados por las señoras al coincidir con el período donde pueden llevar el ritual del sacrificio solar al apogeo de la exposición voluptuosa en las terrazas nocturnas o en las fiestas galantes.
4. Moda esportiva
No capítulo dedicado à neurologia do tédio amoroso e aos incentivos para combatê-lo, Tobeña cita o escritor Josep Pla, que dizia que uma mulher de salto alto não podia ser uma boa cozinheira. Uma das metas principais do sistema monogâmico, diz o neurocientista, aquela que pretende combinar numa mesma pessoa a elegância sedutora com "el trato irreprochable del estómago", não é atingível. Porém...
Los usos actuales han venido a poner remedio a esa flagrante incompatibilidad. Así, me ha parecido observar que el vestuario deportivo aplicado a la cocina tiene un gran rendimiento seductor. Las oportunidades estrenadas con la incorporación de los shorts y las zapatillas de deporte son absolutamente extraordinarias sin traicionar, para nada, la atención a los fogones. Lo mismo vale para el otro bando si lo medimos por la tendencia masculina a deambular por la cocina con camiseta holgada, jeans y náuticos para redondear un aspecto fresco y jovial.
5. Sincronização menstrual
Este é um simples fato curioso que eu ignorava. Sem muita repercussão (acho).
Martha McClintock [...] demostró, hace ya unos treinta años, que los ciclos menstruales de las compañeras de habitación, en las residencias de estudiantes, o los de las amigas que comparten vivienda, tienden a sincronizarse con el tiempo. Es decir, que acaban menstruando prácticamente al unísono aunque partan de unas asincronías flagrantes en los ciclos respectivos.
(A explicação tem a ver com a comunicação olfativa, inconsciente, via feromonas.)
6. A agenda oculta das revistas femininas
Viene siendo habitual que publicaciones como Elle, Marie Claire, Cosmopolitan, Vogue o similares elaboren reportajes sobre las estrategias y procedimientos más convenientes para la práctica de los enredos extraconyugales con seguridad y eficiencia. El objetivo no es impulsar la independencia femenina en materia de decisiones amorosas (faltaría más, en revistas tan delicadamente conservadoras), sino el muy benemérito de dinamizar unas relaciones de pareja fatigadas o desgastadas.
(Compro a Marie Claire para comprovar. A "Carta da editora" me parece mais ou menos liberal. Na capa vem em destaque uma dessas reportagens de que fala Tobeña: "Amigos que transam: isso dá certo?". Leio com atenção o texto, segundo o qual ter um "Pau Amigo" só traz vantagens. Não descubro uma agenda oculta.)
7. Beleza e inteligência
Los sabios más sublimes y las sabias más eminentes no suelen destacar por sus atributos físicos. Ése es el tópico que hay que completar con la constatación de que los guapos y las guapas de gran cotización tampoco sobresalen por su agudeza o perspicacia. Hay que reconocer que ocasiones para robustecer ese estereotipo no faltan. Para ilustrarlo basta con comparar el ramillete de individuos que se reúne en Estocolmo, en la ceremonia anual de adjudicación de los Premios Nobel, con el que se da cita cada primavera en Los Ángeles al otorgar los Oscar de la academia americana de cine. Mientras que el primero lo forman unos personajes anodinos que han hecho cosas aparentemente extraordinarias que nadie consigue entender, en Hollywood se produce un estallido de lo mejorcito que produce la especie en cuanto a los rasgos visibles y a los añadidos por la industria cosmética y reparadora.
e 8. O enigma do orgasmo feminino
La función más obvia del orgasmo sexual es pasarlo bien, evidentemente. Proporcionar clímax placenteros. Pero los biólogos evolutivos tienen la mala costumbre de no conformarse con las explicaciones inmediatas y se dedican a buscar "porqués" ocultos bajo los fenómenos aparentemente más diáfanos. La insistencia indagadora sobre las funciones últimas del orgasmo femenino ha generado no pocas discusiones y quebraderos de cabeza al gremio. [...]
[...] En las mujeres es harto conocido que puede existir un enorme desfase entre la capacidad procreadora y la frecuencia y el entusiasmo orgásmico. [...] A pesar de ese curioso divorcio entre orgasmo y rendimientos, el clímax femenino se ha mantenido enérgico y sin mengua con unas manifestaciones tanto o más aparatosas y rotundas, si cabe, que el masculino. Ése es el enigma que ha tenido entretenidos a algunos espíritus inquietos durante mucho tiempo.
A hipótese 1, citada no livro, é chocante: o orgasmo feminino seria uma "relíquia" biológica, sem função, tipo os mamilos dos homens. Essa hipótese foi descartada... e eu não vou dar a explicação, quem quiser que pesquise.
Boa vida sexual!
Mas antes, como no post anterior, vou citar um livro, desta vez só um. Voltei às leituras em português e recomendo Confissões de Ralfo (subtítulo: Uma autobiografia imaginária), de Sérgio Sant'Anna, que está me deixando maravilhado. É um romance realmente fantástico no sentido literal (poderia dizer, também, fantasticamente real). Inclassificável, como Armadilha para Lamartine ou A Rainha dos Cárceres da Grécia; segundo os críticos, "insólito", "anárquico", "caótico". O "descobri", mesmo que indiretamente, graças à Anna, pois é objeto de uma das dissertações e teses que ela um dia procurou para mim. E o encontrei num sebo, não sei se não está fora de catálogo.

O mais famoso fotograma do filme Jamón, jamón, de Bigas Luna.
(Quem ia dizer, hein? Vinte anos depois e ó, casados e com um filho.)
3. Sexo é na praia
(Talvez quem passou estas férias no litoral gaúcho ou catarinense se sinta identificado.)
Los seductores actuales deben residir necesariamente junto al mar. Los manuales de costumbres imponen unas temporadas marítimas tan inexcusables que los mujeriegos dedicados han de plegarse a la cultura de club náutico aunque no tengan ninguna inclinación por las velas o el agua salada. Hoy en día es literalmente inimaginable un donjuán sin un bronceado impecable y con un dominio cuando menos tentativo de la navegación de bajura. Las revistas del corazón lo tienen clarísimo: un playboy que se precie requiere la cubierta blanquísima de un yate bajo los pies y el torso desnudo, contrastando con el azul rutilante de la mar. Ya no valen los refugios en casonas o en aldeas remotas mientra se espera, tranquilamente, el regreso de unas presas fatigadas de salobre y sol pertinaz. No valen porque esos retiros no son tolerados por las señoras al coincidir con el período donde pueden llevar el ritual del sacrificio solar al apogeo de la exposición voluptuosa en las terrazas nocturnas o en las fiestas galantes.
4. Moda esportiva
No capítulo dedicado à neurologia do tédio amoroso e aos incentivos para combatê-lo, Tobeña cita o escritor Josep Pla, que dizia que uma mulher de salto alto não podia ser uma boa cozinheira. Uma das metas principais do sistema monogâmico, diz o neurocientista, aquela que pretende combinar numa mesma pessoa a elegância sedutora com "el trato irreprochable del estómago", não é atingível. Porém...
Los usos actuales han venido a poner remedio a esa flagrante incompatibilidad. Así, me ha parecido observar que el vestuario deportivo aplicado a la cocina tiene un gran rendimiento seductor. Las oportunidades estrenadas con la incorporación de los shorts y las zapatillas de deporte son absolutamente extraordinarias sin traicionar, para nada, la atención a los fogones. Lo mismo vale para el otro bando si lo medimos por la tendencia masculina a deambular por la cocina con camiseta holgada, jeans y náuticos para redondear un aspecto fresco y jovial.
5. Sincronização menstrual
Este é um simples fato curioso que eu ignorava. Sem muita repercussão (acho).
Martha McClintock [...] demostró, hace ya unos treinta años, que los ciclos menstruales de las compañeras de habitación, en las residencias de estudiantes, o los de las amigas que comparten vivienda, tienden a sincronizarse con el tiempo. Es decir, que acaban menstruando prácticamente al unísono aunque partan de unas asincronías flagrantes en los ciclos respectivos.
(A explicação tem a ver com a comunicação olfativa, inconsciente, via feromonas.)
6. A agenda oculta das revistas femininas
Viene siendo habitual que publicaciones como Elle, Marie Claire, Cosmopolitan, Vogue o similares elaboren reportajes sobre las estrategias y procedimientos más convenientes para la práctica de los enredos extraconyugales con seguridad y eficiencia. El objetivo no es impulsar la independencia femenina en materia de decisiones amorosas (faltaría más, en revistas tan delicadamente conservadoras), sino el muy benemérito de dinamizar unas relaciones de pareja fatigadas o desgastadas.
(Compro a Marie Claire para comprovar. A "Carta da editora" me parece mais ou menos liberal. Na capa vem em destaque uma dessas reportagens de que fala Tobeña: "Amigos que transam: isso dá certo?". Leio com atenção o texto, segundo o qual ter um "Pau Amigo" só traz vantagens. Não descubro uma agenda oculta.)
7. Beleza e inteligência
Los sabios más sublimes y las sabias más eminentes no suelen destacar por sus atributos físicos. Ése es el tópico que hay que completar con la constatación de que los guapos y las guapas de gran cotización tampoco sobresalen por su agudeza o perspicacia. Hay que reconocer que ocasiones para robustecer ese estereotipo no faltan. Para ilustrarlo basta con comparar el ramillete de individuos que se reúne en Estocolmo, en la ceremonia anual de adjudicación de los Premios Nobel, con el que se da cita cada primavera en Los Ángeles al otorgar los Oscar de la academia americana de cine. Mientras que el primero lo forman unos personajes anodinos que han hecho cosas aparentemente extraordinarias que nadie consigue entender, en Hollywood se produce un estallido de lo mejorcito que produce la especie en cuanto a los rasgos visibles y a los añadidos por la industria cosmética y reparadora.
e 8. O enigma do orgasmo feminino
La función más obvia del orgasmo sexual es pasarlo bien, evidentemente. Proporcionar clímax placenteros. Pero los biólogos evolutivos tienen la mala costumbre de no conformarse con las explicaciones inmediatas y se dedican a buscar "porqués" ocultos bajo los fenómenos aparentemente más diáfanos. La insistencia indagadora sobre las funciones últimas del orgasmo femenino ha generado no pocas discusiones y quebraderos de cabeza al gremio. [...]
[...] En las mujeres es harto conocido que puede existir un enorme desfase entre la capacidad procreadora y la frecuencia y el entusiasmo orgásmico. [...] A pesar de ese curioso divorcio entre orgasmo y rendimientos, el clímax femenino se ha mantenido enérgico y sin mengua con unas manifestaciones tanto o más aparatosas y rotundas, si cabe, que el masculino. Ése es el enigma que ha tenido entretenidos a algunos espíritus inquietos durante mucho tiempo.
A hipótese 1, citada no livro, é chocante: o orgasmo feminino seria uma "relíquia" biológica, sem função, tipo os mamilos dos homens. Essa hipótese foi descartada... e eu não vou dar a explicação, quem quiser que pesquise.
Boa vida sexual!
Tuesday, February 22, 2011
Emerson. Cap. 4. Todos dicen I love you
Nota na margem
Isto não é um post. É um poema que quero compartilhar com quem goste de escrever (ou de ler, só que isso é cada vez mais difícil) notas nas margens dos livros. Também quero compartilhá-lo com os amantes de um livro especial. O poema aparece citado na matéria do New York Times "Book Lovers Fear Dim Future for Notes in the Margins" - por isso dei com ele.
Marginalia
Billy Collins
Sometimes the notes are ferocious,
skirmishes against the author
raging along the borders of every page
in tiny black script.
If I could just get my hands on you,
Kierkegaard, or Conor Cruise O'Brien,
they seem to say,
I would bolt the door and beat some logic into your head.
Other comments are more offhand, dismissive -
"Nonsense." "Please!" "HA!!" -
that kind of thing.
I remember once looking up from my reading,
my thumb as a bookmark,
trying to imagine what the person must look like
why wrote "Don't be a ninny"
alongside a paragraph in The Life of Emily Dickinson.
Students are more modest
needing to leave only their splayed footprints
along the shore of the page.
One scrawls "Metaphor" next to a stanza of Eliot's.
Another notes the presence of "Irony"
fifty times outside the paragraphs of A Modest Proposal.
Or they are fans who cheer from the empty bleachers,
Hands cupped around their mouths.
"Absolutely," they shout
to Duns Scotus and James Baldwin.
"Yes." "Bull's-eye." "My man!"
Check marks, asterisks, and exclamation points
rain down along the sidelines.
And if you have managed to graduate from college
without ever having written "Man vs. Nature"
in a margin, perhaps now
is the time to take one step forward.
We have all seized the white perimeter as our own
and reached for a pen if only to show
we did not just laze in an armchair turning pages;
we pressed a thought into the wayside,
planted an impression along the verge.
Even Irish monks in their cold scriptoria
jotted along the borders of the Gospels
brief asides about the pains of copying,
a bird signing near their window,
or the sunlight that illuminated their page-
anonymous men catching a ride into the future
on a vessel more lasting than themselves.
And you have not read Joshua Reynolds,
they say, until you have read him
enwreathed with Blake's furious scribbling.
Yet the one I think of most often,
the one that dangles from me like a locket,
was written in the copy of Catcher in the Rye
I borrowed from the local library
one slow, hot summer.
I was just beginning high school then,
reading books on a davenport in my parents' living room,
and I cannot tell you
how vastly my loneliness was deepened,
how poignant and amplified the world before me seemed,
when I found on one page
A few greasy looking smears
and next to them, written in soft pencil-
by a beautiful girl, I could tell,
whom I would never meet-
"Pardon the egg salad stains, but I'm in love."
Marginalia
Billy Collins
Sometimes the notes are ferocious,
skirmishes against the author
raging along the borders of every page
in tiny black script.
If I could just get my hands on you,
Kierkegaard, or Conor Cruise O'Brien,
they seem to say,
I would bolt the door and beat some logic into your head.
Other comments are more offhand, dismissive -
"Nonsense." "Please!" "HA!!" -
that kind of thing.
I remember once looking up from my reading,
my thumb as a bookmark,
trying to imagine what the person must look like
why wrote "Don't be a ninny"
alongside a paragraph in The Life of Emily Dickinson.
Students are more modest
needing to leave only their splayed footprints
along the shore of the page.
One scrawls "Metaphor" next to a stanza of Eliot's.
Another notes the presence of "Irony"
fifty times outside the paragraphs of A Modest Proposal.
Or they are fans who cheer from the empty bleachers,
Hands cupped around their mouths.
"Absolutely," they shout
to Duns Scotus and James Baldwin.
"Yes." "Bull's-eye." "My man!"
Check marks, asterisks, and exclamation points
rain down along the sidelines.
And if you have managed to graduate from college
without ever having written "Man vs. Nature"
in a margin, perhaps now
is the time to take one step forward.
We have all seized the white perimeter as our own
and reached for a pen if only to show
we did not just laze in an armchair turning pages;
we pressed a thought into the wayside,
planted an impression along the verge.
Even Irish monks in their cold scriptoria
jotted along the borders of the Gospels
brief asides about the pains of copying,
a bird signing near their window,
or the sunlight that illuminated their page-
anonymous men catching a ride into the future
on a vessel more lasting than themselves.
And you have not read Joshua Reynolds,
they say, until you have read him
enwreathed with Blake's furious scribbling.
Yet the one I think of most often,
the one that dangles from me like a locket,
was written in the copy of Catcher in the Rye
I borrowed from the local library
one slow, hot summer.
I was just beginning high school then,
reading books on a davenport in my parents' living room,
and I cannot tell you
how vastly my loneliness was deepened,
how poignant and amplified the world before me seemed,
when I found on one page
A few greasy looking smears
and next to them, written in soft pencil-
by a beautiful girl, I could tell,
whom I would never meet-
"Pardon the egg salad stains, but I'm in love."
Saturday, February 19, 2011
Vamos falar de sexo (cientificamente)
Sim, quero falar de sexo. Na verdade, citar trechos engraçadas do livro El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, que acabei de ler. (A trabalho.) (Sério.)

Brain World.
Mas antes queria citar alguns livros que li este início de ano, pois foram bastantes, não comentei nenhum e todos são recomendáveis (desta vez acertei nas compras na Fnac e os que ganhei também foram bons). Li, no voo POA-BCN (ainda em 2010), um livro que há muito queria ler, já que é considerado o melhor da autora: Stupeur et tremblements, de Amélie Nothomb, emprestado pela Gabriela. E, na volta a Porto Alegre (a Salvador, para ser exato), Hygiène de l'assassin, também d'Amélie e também da Gabriela (que é fã). Leituras prazerosas, as duas (se não não teria conseguido ler no avião). Porém, se alguém não conhece e está interessado em conhecer a obra de Nothomb, e confia em minha opinião, meu livro preferido dela continua sendo Métaphysique des tubes, livro que eu emprestei à Gabriela :), que fala da infância da autora no Japão e que não é nada metafísico (lembro perfeitamente de onde o li: deitado na areia da praia de Platja d'Aro, com o mar, tão presente no romance, à minha frente). Terminando com Amélie: acabei de saber que ela não é francesa!, ela é belga! Esses franceses, sempre querendo se apropriar de tudo!!!
Li La bicicleta estàtica, livro de contos de Sergi Pàmies (por enquanto, só em catalão; vai sair em espanhol pela editora Anagrama. Pensei em traduzir um dos contos ao português aqui, mas estou sem tempo.) Esse eu tive que ler, pois meu irmão Ramon e meu amigo Sérgio me pediram o livro de presente, e eu não gosto de presentear qualquer coisa. Me surpreendeu: é bom. Parece que Pàmies, assim como Monzó, talvez pela idade que eles já têm, cansaram de fazer literatura frívola, de hihihi, e estão escrevendo coisas mais sérias, sem perder o senso de humor. Também li, em espanhol, La conciencia de Zeno, de Italo Svevo, um desses clássicos que na faculdade esqueceram de incluir nas listas. (Depois a gente tem que ir atrás, preencher lacunas.) Muitíssimo bom (e engraçado). É um relato psicanalítico, pura literatura do eu. Zeno aceita escrever sobre si quando seu psicanalista sai de férias. (Capítulo 1: O tabaco. Capítulo 2: A morte do meu pai. Capítulo 3: Minha esposa e minha amante. E por aí vai.) (Parentese: comentei com meu irmão Uri que é legal, talvez até necessário, continuar lendo clássicos porque obrigam a pensar, pedem um esforço de leitura muito maior do que outros livros bons; esforço recompensado, claro.) E li, presente do Uri, El curioso incidente del perro a medianoche, de Mark Haddon, uma história dura, de iniciação, narrada por um menino autista (O estranho caso do cachorro morto, pela Record).
Também li quadrinhos, adoro ler quadrinhos, faço isso sobretudo em época de férias. Li o Macanudo 5, do genial Liniers. Liniers é o mais parecido com Charles M. Schulz que eu já encontrei, que é como dizer de um pintor que o mais parecido com Pablo Picasso. Na Espanha saiu até o número 5, mas na Argentina já estão no Macanudo 9. (Se alguém for a Buenos Aires, pode me trazer o 6, 7, 8 e 9? Pago em dobro!) E li duas novelas gráficas (Liniers é autor de comic strips), duas obras mestras que sem dúvida serão publicadas no Brasil: Tamara Drewe, de Posy Simmonds, sobre um retiro de escritores numa casa rural na França (obra inspirada num romance de Thomas Hardy e que virou um filme de Stephen Frears), e Asterios Polyp, de David Mazzucchelli, sobre um arquitecto que vê seu mundo desmoronar.
E agora o sexo.
Curti muito e tirei muito proveito de El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, neurocientista catalão, catedrático de neuropsiquiatria na Universitat Autònoma de Barcelona. Segundo conta ele mesmo no prefácio, o livro, originalmente em catalão, estava há anos fora de catálogo, mas era um dos que mais circulavam, em xerox, pelas faculdades de psicologia e medicina, por isso foi reeditado e atualizado, agora em tradução ao espanhol. O texto é científico, porém acessível, e inclui anedotas, comentários, apontamentos muito engraçados. (Pelo que vou sabendo sobre neurocientistas, neuropsiquiatras e similares, todos eles são engraçados e obcecados por sexo, não perdem uma chance.) A parte científica do livro fica para mim, para os meus "trabalhos confidenciais". Mas quero compartilhar algumas dessas partes que me fizeram rir. (Comento em itálico e cito em espanhol.)
1. California Boys
Tobeña conta que cientistas franceses escanearam cérebros de jovens aos que eram apresentadas não só imagens de pessoas amadas (namorados, namoradas), com numa época se fazia, senão cenas de sexo explícito. "Dado el bien ganado prestigio de los franceses en las sofisticaciones lascivas", ele escreve, "cabia esperar que en este tipo de empresas investigadoras se adelantaran a los voraces estadounidenses". Os resultados foram ótimos, com áreas identificáveis do cérebro aparecendo estimuladas nas imagens, etc. E então uns cientistas estadunidenses, chateados, reagiram, anunciando um experimento quase igual.
Los estadounidenses anunciaron un neuroescaneado de muchachos californianos, de la misma edad y en una tesitura muy parecida a la francesa, pero que debía ofrecer mucha mayor resolución que los datos TEP lioneses al usar una fMRI de gran potencia. Pero no fue así. Aunque presentaron imágenes eróticas mas hard que las francesas (para asegurar el tiro, cabe presumir), cometieron la imprudencia de usar como imágenes-control escenas deportivas. Todo el mundo sabe que los muchachos californianos pierden la chaveta ante el deporte, y en los contrastes entre las escenas culminantes de un match o las igualmente culminantes de una interacción sexual no se obtuvo ninguna diferencia cerebral digna de reseñar.
2. O efeito Coolidge
O efeito Coolidge é contado num capítulo que tenta explicar o porquê do "desinterés amoroso" num casal, o tédio, que Tobeña atribui, em parte, à "difuminación del misterio". "El tedio se instaura al desaparecer el enigma: cuando del amante lo sabemos todo o así lo creemos". É interessante isto que ele diz: "En general eso acostumbra a concretarse en un instante preciso: un día, una hora y un minuto perfectamente delimitables, quiero decir". Mas eu estou yéndome por las ramas, ou agarrando para el lado de los tomates, como se diz na Argentina. Voltando: o efeito Coolidge se usa para explicar as diferenças na suscetibilidade à saturação amorosa entre os homens e as mulheres; isto é, as diferenças na constância amorosa ou sexual.
John Calvin Coolidge fue un presidente estadounidense del período de entreguerras del siglo pasado que dejó un anecdotario muy sabroso. Era un republicano que gobernó durante los felices veinte [...]. Aunque no ha habido manera de certificar la verosimilitud del episodio que sirvió para dar nombre al famoso "efecto", tanto da porque se ha impuesto para siempre. [...] Durante una visita a una explotación avícola avanzadísima, en su época, la primera dama que acompañaba al presidente y lo precedía en el recorrido por las instalaciones se detuvo, admirada, ante un gallo magnífico que mostraba un entusiasmo copulador infatigable ante una gallina aparentemente feliz. La señora Coolidge preguntó a los técnicos si aquel rendimiento era habitual y éstos asintieron glosándole las virtudes de aquel ejemplar. Entonces les pidió, con un punto de picardía, que cuando el presidente llegara a aquel lugar se lo hicieran notar. Así lo hicieron al acercarse el mandatario y éste, sin inmutarse, les preguntó si al gallo siempre le ponían la misma gallina o las cambiaban a menudo. Los técnicos replicaron diciendo que era el ejemplar con el harén más nutrido de toda la granja. El presidente se alejó, satisfecho, después de indicar a los granjeros que le explicaran esa minucia a su distinguida esposa cuando acabara el recorrido.
(Continuará.)
(Acabei de incluir uma nova etiqueta, ou label, no blog: Sexo. Sabia que faltava alguma!)

Brain World.
Mas antes queria citar alguns livros que li este início de ano, pois foram bastantes, não comentei nenhum e todos são recomendáveis (desta vez acertei nas compras na Fnac e os que ganhei também foram bons). Li, no voo POA-BCN (ainda em 2010), um livro que há muito queria ler, já que é considerado o melhor da autora: Stupeur et tremblements, de Amélie Nothomb, emprestado pela Gabriela. E, na volta a Porto Alegre (a Salvador, para ser exato), Hygiène de l'assassin, também d'Amélie e também da Gabriela (que é fã). Leituras prazerosas, as duas (se não não teria conseguido ler no avião). Porém, se alguém não conhece e está interessado em conhecer a obra de Nothomb, e confia em minha opinião, meu livro preferido dela continua sendo Métaphysique des tubes, livro que eu emprestei à Gabriela :), que fala da infância da autora no Japão e que não é nada metafísico (lembro perfeitamente de onde o li: deitado na areia da praia de Platja d'Aro, com o mar, tão presente no romance, à minha frente). Terminando com Amélie: acabei de saber que ela não é francesa!, ela é belga! Esses franceses, sempre querendo se apropriar de tudo!!!
Li La bicicleta estàtica, livro de contos de Sergi Pàmies (por enquanto, só em catalão; vai sair em espanhol pela editora Anagrama. Pensei em traduzir um dos contos ao português aqui, mas estou sem tempo.) Esse eu tive que ler, pois meu irmão Ramon e meu amigo Sérgio me pediram o livro de presente, e eu não gosto de presentear qualquer coisa. Me surpreendeu: é bom. Parece que Pàmies, assim como Monzó, talvez pela idade que eles já têm, cansaram de fazer literatura frívola, de hihihi, e estão escrevendo coisas mais sérias, sem perder o senso de humor. Também li, em espanhol, La conciencia de Zeno, de Italo Svevo, um desses clássicos que na faculdade esqueceram de incluir nas listas. (Depois a gente tem que ir atrás, preencher lacunas.) Muitíssimo bom (e engraçado). É um relato psicanalítico, pura literatura do eu. Zeno aceita escrever sobre si quando seu psicanalista sai de férias. (Capítulo 1: O tabaco. Capítulo 2: A morte do meu pai. Capítulo 3: Minha esposa e minha amante. E por aí vai.) (Parentese: comentei com meu irmão Uri que é legal, talvez até necessário, continuar lendo clássicos porque obrigam a pensar, pedem um esforço de leitura muito maior do que outros livros bons; esforço recompensado, claro.) E li, presente do Uri, El curioso incidente del perro a medianoche, de Mark Haddon, uma história dura, de iniciação, narrada por um menino autista (O estranho caso do cachorro morto, pela Record).
Também li quadrinhos, adoro ler quadrinhos, faço isso sobretudo em época de férias. Li o Macanudo 5, do genial Liniers. Liniers é o mais parecido com Charles M. Schulz que eu já encontrei, que é como dizer de um pintor que o mais parecido com Pablo Picasso. Na Espanha saiu até o número 5, mas na Argentina já estão no Macanudo 9. (Se alguém for a Buenos Aires, pode me trazer o 6, 7, 8 e 9? Pago em dobro!) E li duas novelas gráficas (Liniers é autor de comic strips), duas obras mestras que sem dúvida serão publicadas no Brasil: Tamara Drewe, de Posy Simmonds, sobre um retiro de escritores numa casa rural na França (obra inspirada num romance de Thomas Hardy e que virou um filme de Stephen Frears), e Asterios Polyp, de David Mazzucchelli, sobre um arquitecto que vê seu mundo desmoronar.
E agora o sexo.
Curti muito e tirei muito proveito de El cerebro erótico, de Adolf Tobeña, neurocientista catalão, catedrático de neuropsiquiatria na Universitat Autònoma de Barcelona. Segundo conta ele mesmo no prefácio, o livro, originalmente em catalão, estava há anos fora de catálogo, mas era um dos que mais circulavam, em xerox, pelas faculdades de psicologia e medicina, por isso foi reeditado e atualizado, agora em tradução ao espanhol. O texto é científico, porém acessível, e inclui anedotas, comentários, apontamentos muito engraçados. (Pelo que vou sabendo sobre neurocientistas, neuropsiquiatras e similares, todos eles são engraçados e obcecados por sexo, não perdem uma chance.) A parte científica do livro fica para mim, para os meus "trabalhos confidenciais". Mas quero compartilhar algumas dessas partes que me fizeram rir. (Comento em itálico e cito em espanhol.)
1. California Boys
Tobeña conta que cientistas franceses escanearam cérebros de jovens aos que eram apresentadas não só imagens de pessoas amadas (namorados, namoradas), com numa época se fazia, senão cenas de sexo explícito. "Dado el bien ganado prestigio de los franceses en las sofisticaciones lascivas", ele escreve, "cabia esperar que en este tipo de empresas investigadoras se adelantaran a los voraces estadounidenses". Os resultados foram ótimos, com áreas identificáveis do cérebro aparecendo estimuladas nas imagens, etc. E então uns cientistas estadunidenses, chateados, reagiram, anunciando um experimento quase igual.
Los estadounidenses anunciaron un neuroescaneado de muchachos californianos, de la misma edad y en una tesitura muy parecida a la francesa, pero que debía ofrecer mucha mayor resolución que los datos TEP lioneses al usar una fMRI de gran potencia. Pero no fue así. Aunque presentaron imágenes eróticas mas hard que las francesas (para asegurar el tiro, cabe presumir), cometieron la imprudencia de usar como imágenes-control escenas deportivas. Todo el mundo sabe que los muchachos californianos pierden la chaveta ante el deporte, y en los contrastes entre las escenas culminantes de un match o las igualmente culminantes de una interacción sexual no se obtuvo ninguna diferencia cerebral digna de reseñar.
2. O efeito Coolidge
O efeito Coolidge é contado num capítulo que tenta explicar o porquê do "desinterés amoroso" num casal, o tédio, que Tobeña atribui, em parte, à "difuminación del misterio". "El tedio se instaura al desaparecer el enigma: cuando del amante lo sabemos todo o así lo creemos". É interessante isto que ele diz: "En general eso acostumbra a concretarse en un instante preciso: un día, una hora y un minuto perfectamente delimitables, quiero decir". Mas eu estou yéndome por las ramas, ou agarrando para el lado de los tomates, como se diz na Argentina. Voltando: o efeito Coolidge se usa para explicar as diferenças na suscetibilidade à saturação amorosa entre os homens e as mulheres; isto é, as diferenças na constância amorosa ou sexual.
John Calvin Coolidge fue un presidente estadounidense del período de entreguerras del siglo pasado que dejó un anecdotario muy sabroso. Era un republicano que gobernó durante los felices veinte [...]. Aunque no ha habido manera de certificar la verosimilitud del episodio que sirvió para dar nombre al famoso "efecto", tanto da porque se ha impuesto para siempre. [...] Durante una visita a una explotación avícola avanzadísima, en su época, la primera dama que acompañaba al presidente y lo precedía en el recorrido por las instalaciones se detuvo, admirada, ante un gallo magnífico que mostraba un entusiasmo copulador infatigable ante una gallina aparentemente feliz. La señora Coolidge preguntó a los técnicos si aquel rendimiento era habitual y éstos asintieron glosándole las virtudes de aquel ejemplar. Entonces les pidió, con un punto de picardía, que cuando el presidente llegara a aquel lugar se lo hicieran notar. Así lo hicieron al acercarse el mandatario y éste, sin inmutarse, les preguntó si al gallo siempre le ponían la misma gallina o las cambiaban a menudo. Los técnicos replicaron diciendo que era el ejemplar con el harén más nutrido de toda la granja. El presidente se alejó, satisfecho, después de indicar a los granjeros que le explicaran esa minucia a su distinguida esposa cuando acabara el recorrido.
(Continuará.)
(Acabei de incluir uma nova etiqueta, ou label, no blog: Sexo. Sabia que faltava alguma!)
Elegância brancusiana (desta vez o Google se puxou)
Friday, February 18, 2011
Thursday, February 17, 2011
Mar no muro

Estudante pintando, campus central da UFRGS, 17/02/11.
PS: A Gabriela me envia uma frase. É sobre a arte e os cafés. No contexto da Segunda Guerra e do exílio de muitos artistas para os Estados Unidos, Max Ernst fala da diferença do ambiente entre Paris e Nova York:
"Nos faltaba la vida del café. En Nueva York teníamos artistas, pero no arte. Uno solo no puede crear arte. El arte depende en buena medida del intercambio de ideas con los demás."
E eu me lembro de uma frase de Cae la noche tropical, romance de Manuel Puig. Uma das protagonistas, mulher velha, exilada argentina, se lamenta com sua irmã, moradora há anos no Rio, dizendo mais ou menos assim:
"Sabés lo que extraño más, acá en Río? Los cafés. Acá no tenés cafés..."
E eu me lembro de uma frase de Cae la noche tropical, romance de Manuel Puig. Uma das protagonistas, mulher velha, exilada argentina, se lamenta com sua irmã, moradora há anos no Rio, dizendo mais ou menos assim:
"Sabés lo que extraño más, acá en Río? Los cafés. Acá no tenés cafés..."
Wednesday, February 16, 2011
A escola das flores
Há quase um mês meu irmão Uri me enviou um e-mail dizendo que seu colega na produtora Sin parpadear e no seriado "Emerson", ou seja, seu amigo Gerard, queria colaborar comigo e com meu blog e tinha encontrado na Internet um artigo que podia me parecer interessante e eu poderia incluir aqui. Gostei muito do artigo e dessa vontade do amigo Gerard. :)
Brasil ensaya la alfabetización con flores y poesía
Una experiencia piloto se convierte en modelo de educación ecológica
JUAN ARIAS - Río de Janeiro
El País, 25/01/2011
La escuela municipal Hermann Müller, situada en un área rural de Joinville, en el Estado brasileño de Santa Catarina, se ha convertido en modelo de educación ecológica, con una experiencia piloto para alfabetizar a través de la naturaleza.
En el centro se utilizan métodos revolucionarios que nadie se atreve a criticar, porque los alumnos obtienen altas puntuaciones en los índices de comprensión de lectura y escritura.
La joven directora de la escuela, Silvane Aparecida da Silva, ha sabido conjugar con éxito educación infantil y medio ambiente con un método para alfabetizar a los niños, de procedencia campesina, con flores y poesía.
En un jardín plantado y cultivado por los alumnos bajo la dirección profesional de expertos jardineros, cada letra corresponde a una flor. Y en cada macizo de flores, los profesores cuelgan una poesía.
Este Jardín Encantado está construido con materiales procedentes de demoliciones. El alfabeto de las flores es un camino de piedra que desemboca en una miniatura de la casa de Monet.
Los niños aprenden matemáticas con la construcción de una zona para cultivar orquídeas, que devuelven a la naturaleza cuando llegan a su estado adulto. También cultivan flores y cuidan de la huerta, cuyos frutos van directamente a la cocina de la escuela.
Cuando Aparecida ocupó el cargo de directora de la escuela rural, en 2003, el centro estaba desprestigiado, con apenas 20 alumnos desmotivados que no conseguían aprender a escribir ni su propio nombre. Hoy, la escuela está abarrotada y los alumnos estudian todas las asignaturas a través de la naturaleza, que aprenden a amar, respetar y disfrutar.
Este proyecto innovador, que ha recibido el apoyo de la Secretaría de Educación, tiene el objetivo, como ha confirmado la directora de la escuela a EL PAÍS, de alfabetizar "en un clima de educación ambiental, conduciendo a los alumnos a la observación, la contemplación y el respeto a la naturaleza, experimentando e interiorizando su preservación".
Para los profesores, la finalidad de esta escuela piloto es "promover proyectos y vivencias a través de un aprendizaje dirigido a la ecología, la cultura y la afectividad".
Da Silva se emociona cuando cuenta la transformación de los niños pobres, llegados del campo, ante la unión de naturaleza y poesía. "Es increíble cómo los niños entienden la poesía y consiguen transformar sus vidas con ella. Mejor que los adultos. A ellos no les dan miedo las imágenes y metáforas más osadas. Cuando leen, por ejemplo, el verso 'aquí plantaremos árboles y sombras': para ellos plantar también sombras es algo normal. Su fantasía trabaja mejor que la de los adultos, a quienes la poesía suele crearles miedo porque desbarata sus seguridades. A los niños, no. Ellos están siempre abiertos a la paradoja y a lo inesperado".
Una particularidad y genialidad de la escuela de Joinville es la complicidad de los alumnos con sus padres y familiares, gente del campo. Da Silva cuenta cómo los niños, con su amor por los pájaros como símbolos de libertad, consiguen convencer a sus padres de que abran las jaulas para dejar libres a los pájaros y de que abandonen la caza, entregando las escopetas y trampas a la escuela.
"Los niños, cuando entienden y aman el lugar en que nacen, al crecer se vuelven ciudadanos comprometidos con el lugar de sus raíces", afirman los maestros.
Entre jardines, huertas y pájaros en libertad, los alumnos reflejan una alegría difícil de advertir en las severas escuelas formales. Una experiencia digna de reflexión en la compleja búsqueda de nuevas formas de enseñar.
Brasil ensaya la alfabetización con flores y poesía
Una experiencia piloto se convierte en modelo de educación ecológica
JUAN ARIAS - Río de Janeiro
El País, 25/01/2011
La escuela municipal Hermann Müller, situada en un área rural de Joinville, en el Estado brasileño de Santa Catarina, se ha convertido en modelo de educación ecológica, con una experiencia piloto para alfabetizar a través de la naturaleza.
En el centro se utilizan métodos revolucionarios que nadie se atreve a criticar, porque los alumnos obtienen altas puntuaciones en los índices de comprensión de lectura y escritura.
La joven directora de la escuela, Silvane Aparecida da Silva, ha sabido conjugar con éxito educación infantil y medio ambiente con un método para alfabetizar a los niños, de procedencia campesina, con flores y poesía.
En un jardín plantado y cultivado por los alumnos bajo la dirección profesional de expertos jardineros, cada letra corresponde a una flor. Y en cada macizo de flores, los profesores cuelgan una poesía.
Este Jardín Encantado está construido con materiales procedentes de demoliciones. El alfabeto de las flores es un camino de piedra que desemboca en una miniatura de la casa de Monet.
Los niños aprenden matemáticas con la construcción de una zona para cultivar orquídeas, que devuelven a la naturaleza cuando llegan a su estado adulto. También cultivan flores y cuidan de la huerta, cuyos frutos van directamente a la cocina de la escuela.
Cuando Aparecida ocupó el cargo de directora de la escuela rural, en 2003, el centro estaba desprestigiado, con apenas 20 alumnos desmotivados que no conseguían aprender a escribir ni su propio nombre. Hoy, la escuela está abarrotada y los alumnos estudian todas las asignaturas a través de la naturaleza, que aprenden a amar, respetar y disfrutar.
Este proyecto innovador, que ha recibido el apoyo de la Secretaría de Educación, tiene el objetivo, como ha confirmado la directora de la escuela a EL PAÍS, de alfabetizar "en un clima de educación ambiental, conduciendo a los alumnos a la observación, la contemplación y el respeto a la naturaleza, experimentando e interiorizando su preservación".
Para los profesores, la finalidad de esta escuela piloto es "promover proyectos y vivencias a través de un aprendizaje dirigido a la ecología, la cultura y la afectividad".
Da Silva se emociona cuando cuenta la transformación de los niños pobres, llegados del campo, ante la unión de naturaleza y poesía. "Es increíble cómo los niños entienden la poesía y consiguen transformar sus vidas con ella. Mejor que los adultos. A ellos no les dan miedo las imágenes y metáforas más osadas. Cuando leen, por ejemplo, el verso 'aquí plantaremos árboles y sombras': para ellos plantar también sombras es algo normal. Su fantasía trabaja mejor que la de los adultos, a quienes la poesía suele crearles miedo porque desbarata sus seguridades. A los niños, no. Ellos están siempre abiertos a la paradoja y a lo inesperado".
Una particularidad y genialidad de la escuela de Joinville es la complicidad de los alumnos con sus padres y familiares, gente del campo. Da Silva cuenta cómo los niños, con su amor por los pájaros como símbolos de libertad, consiguen convencer a sus padres de que abran las jaulas para dejar libres a los pájaros y de que abandonen la caza, entregando las escopetas y trampas a la escuela.
"Los niños, cuando entienden y aman el lugar en que nacen, al crecer se vuelven ciudadanos comprometidos con el lugar de sus raíces", afirman los maestros.
Entre jardines, huertas y pájaros en libertad, los alumnos reflejan una alegría difícil de advertir en las severas escuelas formales. Una experiencia digna de reflexión en la compleja búsqueda de nuevas formas de enseñar.
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