Muito novinho, este Porto dos Casais. : )
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Friday, April 27, 2012
Tuesday, April 24, 2012
Hope There's Someone, de Antony and the Johnsons + "People like being clean"
BREAKING NEWS: BYE BYE Bar$a, Er Millor Ekip derr Món. Bar$a (jogando com 12) 2 - Chelsea (jogando com 10) 2. Nem Liga, nem Champions. Sempre RCDE.
Andava revisando coisas da Isabel Coixet e ouvi esta música no trailer de The Secret Life of Words. Este Antony Hegarty é mais esquisito que o Daniel Johnston. (Além de que se parece demais com a própria Coixet: inquietante.) (No trailer, gostei da declaração de amor de Tim Robbins, quando ele diz, em tradução minha ao espanhol, que fica mais garrula: "Creo que ahora que me sujetas la polla y meo delante de ti, podríamos llamarnos por nuestros nombres, o hasta empezar una nueva vida juntos".)
Também de The Secret Life of Words, revi esta cena, que eu não lembrava. Lembro pouco desse filme, não o achei bem acabado (talvez não o entendi); gostei mais de My Life Without Me. Mas a cena, revista agora, mesmo na telinha do iPhone, me fez chorar. (Como é difícil escutar, pensei também. Inclusive no cinema. Porque Sarah Polley está esplêndida no monólogo, mas Tim Robbins está com cara de tijolo. Não reparem.) (P.S. ao parêntese: Reparem, antes, na burrice do espetador: a personagem de Tim Robbins é cega, ou parcialmente cega. Duh, Roger!)
Andava revisando coisas da Isabel Coixet e ouvi esta música no trailer de The Secret Life of Words. Este Antony Hegarty é mais esquisito que o Daniel Johnston. (Além de que se parece demais com a própria Coixet: inquietante.) (No trailer, gostei da declaração de amor de Tim Robbins, quando ele diz, em tradução minha ao espanhol, que fica mais garrula: "Creo que ahora que me sujetas la polla y meo delante de ti, podríamos llamarnos por nuestros nombres, o hasta empezar una nueva vida juntos".)
Também de The Secret Life of Words, revi esta cena, que eu não lembrava. Lembro pouco desse filme, não o achei bem acabado (talvez não o entendi); gostei mais de My Life Without Me. Mas a cena, revista agora, mesmo na telinha do iPhone, me fez chorar. (Como é difícil escutar, pensei também. Inclusive no cinema. Porque Sarah Polley está esplêndida no monólogo, mas Tim Robbins está com cara de tijolo. Não reparem.) (P.S. ao parêntese: Reparem, antes, na burrice do espetador: a personagem de Tim Robbins é cega, ou parcialmente cega. Duh, Roger!)
Saturday, April 21, 2012
Friday, April 20, 2012
Um contra o outro, de Deolinda
Um pouco de música portuguesa. (É a trilha dos créditos finais de Muito Giro, novo programa do Fernando Caruso no Multishow - novo para mim, que vi um capítulo agora no YouTube, estou sem Net.)
Wednesday, April 04, 2012
Rubem Fonseca e o que um escritor deve ser/ter
A Marinella me enviou o vídeo de uma palestra que Rubem Fonseca deu em Portugal, agora em fevereiro. Nela ele fala das cinco coisas que um escritor tem que ser ou ter. (Só cinco. A mim me falta uma, às vezes: a motivação, que é a mais volúvel.) E demonstra algo que eu não sabia: ele é um showman. (Sérgio, tu vai adorar sua movimentação, seu uso do corpo no palco, isso que tantos professores e palestrantes esquecem que é fundamental.)
Segundo alguns comentários no YouTube, o som está ruim, mas com fones de ouvido se escuta tudo muito bem.
Segundo alguns comentários no YouTube, o som está ruim, mas com fones de ouvido se escuta tudo muito bem.
Sunday, April 01, 2012
So proud of Uri!
SÉRGIO: Alguém desta família tinha que ser famoso!
EU: Pois é! Antes de meus pais morrerem!
SÉRGIO: Não fala isso, que eles são muito jovens e falar isso dá azar.
EU: É verdade.
http://www.imeldafilms.com/ <-- Este é o site da produtora pela que o Uri começou a trabalhar, depois de realizar muitos comerciais para uma outra. A produtora dele e do Gerard, sinparpadear, para projetos criativos de ficção (Emerson e outros), continua, mas agora ele vai trabalhar aqui também. Quem saiba de cinema vai entender porque o passo que ele deu me orgulha tanto, vai ver com quem ele "se associou".
Aqui um dos muitos comerciais que o Uri fez, que eu não conhecia e adorei: http://www.imeldafilms.com/?portfolio=match-com
EU: Pois é! Antes de meus pais morrerem!
SÉRGIO: Não fala isso, que eles são muito jovens e falar isso dá azar.
EU: É verdade.
http://www.imeldafilms.com/ <-- Este é o site da produtora pela que o Uri começou a trabalhar, depois de realizar muitos comerciais para uma outra. A produtora dele e do Gerard, sinparpadear, para projetos criativos de ficção (Emerson e outros), continua, mas agora ele vai trabalhar aqui também. Quem saiba de cinema vai entender porque o passo que ele deu me orgulha tanto, vai ver com quem ele "se associou".
Aqui um dos muitos comerciais que o Uri fez, que eu não conhecia e adorei: http://www.imeldafilms.com/?portfolio=match-com
Thursday, March 29, 2012
Show de luz no prédio da prefeitura de Barcelona, fevereiro de 2012
Ontem tomei café com a Camila (não: cerveja) no Chalé da Praça XV. Na praça tinha um show de música, e pela megafonia foi anunciado um show de luz na fachada do mercado, às 20h. Então lembrei do show de luz na fachada da prefeitura de Barcelona, ao que assisti o dia do meu aniversário (depois de um baita almoço e uma baita surpresa que os amigos me deram em casa da querida Roser), em ocasião das Festas de Santa Eulàlia, segunda padroeira da cidade (a primeira é a Mercè). Pensei que talvez este seria igual ao de Barcelona, inclusive poderia ser produzido pela mesma empresa. Não foi: foi bonitinho, mas nada a ver com aquele. Aquele foi espetacular, e se na hora não postei nenhum vídeo foi porque também o achei, vai saber por quê, um pouco brega. O vídeo (de "salchimurri") não produz o mesmo efeito que o show ao vivo, mas dá para se ter uma ideia. A parte que mais me impressionou começa no minuto 7 (e, antes, as explosões de pintura).
Mais tarde vou postar um vídeo que eu fiz, essa mesma tarde, do correfoc infantil. Achei mais lindo que o correfoc de La Mercè, que ocorre em setembro na Via Laietana, porque este passa pelas ruazinhas estreitas e antiquíssimas do Barri Gòtic. Os diabos mais novos, nos disseram, têm apenas 5 anos de idade. E eu quase me queimei, filmei de muito perto.
Monday, March 26, 2012
Saturday, March 24, 2012
Restless, by Gus Van Sant
Gus Van Sant doesn't make bad movies. Por isso achei estranho que no site Rottentomatoes seu novo filme aparecesse com só 36% de críticas positivas, ou seja, como "rotten". Como isso simplesmente não podia ser, procurei a crítica de A. O. Scott, do New York Times. Ela é positiva. Mas ainda mais positiva é a de Richard Brody, na New Yorker.
Não sei se o filme vai estrear ou se já passou pelos cinemas em POA. Lembrei dele hoje, folheando por acaso uma revista bobinha de novembro ou dezembro de 2011, onde era recomendado. Gosto de escrever as "críticas" eu mesmo, mas como não sei se vou poder ver o filme, posto o trailer e a crítica de Brody aqui, para quem tiver a chance de assistir.
"Restless" in Peace and War
Richard Brody, The New Yorker
To summarize Gus Van Sant’s new film, “Restless,” which opens tomorrow (and which David Denby wrote about in the magazine this week), is to invite laughter: Enoch (Henry Hopper), a teen-age boy who is obsessed with death, meets, at one of the many funerals he crashes, Annabel (Mia Wasikowska), a mortally ill girl, and they begin a relationship. Yet the backstory gives the young man a good reason to be death-obsessed—his parents both died in a car accident that also left him momentarily dead, and then in a three-month coma. And though the movie (like so many these days) runs on the emotional tangle and expressive frustration that results from not having gotten therapy at once, Van Sant extracts something wonderful from his somewhat contrived setup. All couples meet by a seeming miracle, and what brings this young pair together is less the way they think about death than the way they live. His real subject is the theatre of daily life—the mask and the costume, the assumed identity—as a formative and defining teen-age experience.
“I’ve always wanted you to admire my suffering” (as Kafka knew) is the fallback position for the adolescent not-quite-alpha male whose powers of invention get channelled instead into an elaborate (or, as Nietzsche might have said, priestly) ritual of abnegation, a theatre of self-denial that aims nonetheless at achieving the usual gratification (unless—and there’s another story—he internalizes his performance and takes its means as its ends: the portrait of the artist as a young dogmatist). Enoch is a type, but realized with a tender specificity. When he talks about death, he’s been there, and declares, with a roughly-earned existential anguish, that what awaits is indeed “nothing,” and the artificial fullness of his experience, or, rather, the filling-up of his existence with artifice, is his response to the void.
Enoch and Annabel share a love of role-play. They have thrift-shop Victorian wardrobes to die for, and their dress-up games and intricately scripted and staged playacting (done for their own pleasure, without spectators—except for Halloween) seem at one with the film’s Portland setting. As photographed by Harris Savides, it seems draped with Gothic vines and yet serene with a soft, enveloping light. Capturing a pair of smart and original kids in an ordinary town (i.e., not in the high-culture pressure cooker of New York or the hip milieu of Hollywood), Van Sant suggests that the unpopulated expanses, the proximity of nature’s sublime otherness, offer them a richer and stranger cauldron of fantasy, a larger and more malleable inner stage for it. He’s after nothing less than the very nature of the American imagination, its source in the land—and its morbid, violent roots.
There’s a strange sidebar to the action, and trouble in paradise—Hiroshi (Ryo Case), the living image of a gentle, ironic Japanese kamikaze pilot from the Second World War whose presence Enoch conjures. (What’s next, a musical twist on the Bataan Death March?) Van Sant’s view of him is startlingly benign and ahistorical (though a brief atomic-bomb montage suggests that, by comparison, he finds the Imperial Army’s suicide fighters unexceptionable); in any case, the boy’s fascination with martial ritual (purged of politics and nationalism) reflects his own struggles with violence and, for that matter, his own methods of auto-therapy.
Whether Hiroshi is Enoch’s imaginary friend or, for that matter, imaginary lover is never clarified; the suggestion is enough. Van Sant’s forthright approach to gender continuity, free-ranging desire, and possible exploration—amplified by the casting and the costuming that give Enoch and Annabel the same short and floppy haircuts and the same slender physiques—is all the more relevant to his vision of malleable identity.
The subject is in the air. Some of the best films of the year to date, such as “The Future,” “Bellflower,” “The Ballad of Genesis and Lady Jaye,” and even “Certified Copy” have confronted it, as does the forthcoming “Silver Bullets,” which I’ll revisit later. (It’s worth adding now that it shares something else with “Restless”: the fascinating presence, in a supporting role, of Jane Adams.)
Não sei se o filme vai estrear ou se já passou pelos cinemas em POA. Lembrei dele hoje, folheando por acaso uma revista bobinha de novembro ou dezembro de 2011, onde era recomendado. Gosto de escrever as "críticas" eu mesmo, mas como não sei se vou poder ver o filme, posto o trailer e a crítica de Brody aqui, para quem tiver a chance de assistir.
"Restless" in Peace and War
Richard Brody, The New Yorker
To summarize Gus Van Sant’s new film, “Restless,” which opens tomorrow (and which David Denby wrote about in the magazine this week), is to invite laughter: Enoch (Henry Hopper), a teen-age boy who is obsessed with death, meets, at one of the many funerals he crashes, Annabel (Mia Wasikowska), a mortally ill girl, and they begin a relationship. Yet the backstory gives the young man a good reason to be death-obsessed—his parents both died in a car accident that also left him momentarily dead, and then in a three-month coma. And though the movie (like so many these days) runs on the emotional tangle and expressive frustration that results from not having gotten therapy at once, Van Sant extracts something wonderful from his somewhat contrived setup. All couples meet by a seeming miracle, and what brings this young pair together is less the way they think about death than the way they live. His real subject is the theatre of daily life—the mask and the costume, the assumed identity—as a formative and defining teen-age experience.
“I’ve always wanted you to admire my suffering” (as Kafka knew) is the fallback position for the adolescent not-quite-alpha male whose powers of invention get channelled instead into an elaborate (or, as Nietzsche might have said, priestly) ritual of abnegation, a theatre of self-denial that aims nonetheless at achieving the usual gratification (unless—and there’s another story—he internalizes his performance and takes its means as its ends: the portrait of the artist as a young dogmatist). Enoch is a type, but realized with a tender specificity. When he talks about death, he’s been there, and declares, with a roughly-earned existential anguish, that what awaits is indeed “nothing,” and the artificial fullness of his experience, or, rather, the filling-up of his existence with artifice, is his response to the void.
Enoch and Annabel share a love of role-play. They have thrift-shop Victorian wardrobes to die for, and their dress-up games and intricately scripted and staged playacting (done for their own pleasure, without spectators—except for Halloween) seem at one with the film’s Portland setting. As photographed by Harris Savides, it seems draped with Gothic vines and yet serene with a soft, enveloping light. Capturing a pair of smart and original kids in an ordinary town (i.e., not in the high-culture pressure cooker of New York or the hip milieu of Hollywood), Van Sant suggests that the unpopulated expanses, the proximity of nature’s sublime otherness, offer them a richer and stranger cauldron of fantasy, a larger and more malleable inner stage for it. He’s after nothing less than the very nature of the American imagination, its source in the land—and its morbid, violent roots.
There’s a strange sidebar to the action, and trouble in paradise—Hiroshi (Ryo Case), the living image of a gentle, ironic Japanese kamikaze pilot from the Second World War whose presence Enoch conjures. (What’s next, a musical twist on the Bataan Death March?) Van Sant’s view of him is startlingly benign and ahistorical (though a brief atomic-bomb montage suggests that, by comparison, he finds the Imperial Army’s suicide fighters unexceptionable); in any case, the boy’s fascination with martial ritual (purged of politics and nationalism) reflects his own struggles with violence and, for that matter, his own methods of auto-therapy.
Whether Hiroshi is Enoch’s imaginary friend or, for that matter, imaginary lover is never clarified; the suggestion is enough. Van Sant’s forthright approach to gender continuity, free-ranging desire, and possible exploration—amplified by the casting and the costuming that give Enoch and Annabel the same short and floppy haircuts and the same slender physiques—is all the more relevant to his vision of malleable identity.
The subject is in the air. Some of the best films of the year to date, such as “The Future,” “Bellflower,” “The Ballad of Genesis and Lady Jaye,” and even “Certified Copy” have confronted it, as does the forthcoming “Silver Bullets,” which I’ll revisit later. (It’s worth adding now that it shares something else with “Restless”: the fascinating presence, in a supporting role, of Jane Adams.)
Tuesday, March 20, 2012
Ficar em albergue é...
Ainda não saí e já estou com saudade do hostel. Como deve ser lindo ter um albergue - pensei hoje - e como deve ser triste. Pessoas queridas, por quem a gente se afeiçoa, logo vão embora e em geral não voltam mais. Depois de um mês, sinto um grande carinho pela Viviana, a Flávia, o Edilson e os outros empregados. O Edilson (um dos dois seguranças que se alternam às noites) me perguntou quanto custa e quanto demoraria em receber pelo correio uma camiseta do Espanyol. Ele sabe que Dátolo, agora no Inter, seu time, jogou no meu, assim como Costa, do Grêmio; sabe que Coutinho, selecionado pelo Brasil para a Olimpíada, está triunfando em Cornellà-El Prat (eu lhe disse que hoje fez mais um golaço).
-Quantas pessoas queridas tu não conheceu aqui, né? - ele vem de me perguntar agora, quando saí à calçada para fumar -. De todo o Brasil e do mundo.
-Muitas, quase todas. Só aquele **** era meio chato - eu disse (a nacionalidade não é difícil de adivinhar; por que tantos **** são assim?).
-Sim, ele era louco.
Senti-me muito querido pelas pessoas que trabalham aqui, que me tratam como se fosse da casa (isso é porque tu é como tu é, pensa bem, disse meu psicólogo); ajudaram-me em tudo, inclusive a procurar apartamento para alugar, e voltarei muitas vezes para vê-los e conversar. A bruschetteria, aberta ao público, começa a funcionar a semana que vem.
Hoje me deixou triste que o Ferras (o australiano, de origem palestina), fosse embora, para o Pantanal. 35 anos, aventureiro, interessado por tudo, bem-humorado, disposto a fazer rir qualquer um - em especial as gurias, comprovei estas últimas noites. Sem ele, por exemplo, o argentino Fernando e eu não teríamos sentado à mesa de três moças lindas e simpáticas, ontem, num restaurante da Cidade Baixa; nos divertido até altas horas. Sem ele, na sexta, Marta, a gaúcha italiana, não teria deixado suas amigas patricinhas no tedioso Dhomba e ido sambar com nós dois. Marta, a da beleza incomparável, "che fa tremar di chiaritate l'are", sambando se soltou ("como eu precisava disto!", disse), deixou de parecer um afresco para se tornar mais bela ainda, e real. Mas nem tudo foi noite e mulheres. Ontem à tarde, ele e o argentino (que hoje foi para Bento Gonçalves dar umas palestras sobre lógica computacional, seja isso o que for) me pediram para ir "naquele lugar onde se vê o pôr-do-sol"; eu voltava de um almoço com a Marinella e pretendia ler e descansar, mas fui passear com eles à beira do rio, antes de voltar para o Gasômetro e sentar na grama. Deu tempo até de jogar um pouco de basquete com um brasileiro que estava na quadra sozinho e - casualidade - morou em Sidney por dois anos e quer voltar lá para ficar. Meu inglês melhorou um monte (ontem fiz de tradutor simultâneo com essas três gurias); minha perna machucada, não - o médico pediu repouso, mas eu não quis perder a chance de fazer uns arremessos, muito menos de sambar. "Você é a gaúcha mais linda que eu já conheci. Não é cantada, é fato".
Todas essas pessoas, também o inglês Richard (sua história não cabe aqui, além de que não terminou, espero acompanhar a continuação, ele fica em POA), ou a Hellen, carioca que mora em Niterói, ou a nova empregada que a Viviana contratou, haitiana (numa janta a Viviana me contou uma parte de sua história, de seu inferno) me deixam seus e-mails e perfis no Facebook. Já andei pensando em voltar para esse mundo de amizades virtuais, para manter o contato, mas não o farei, seria absurdamente pouco em comparação com o vivido no mundinho real.
-Quantas pessoas queridas tu não conheceu aqui, né? - ele vem de me perguntar agora, quando saí à calçada para fumar -. De todo o Brasil e do mundo.
-Muitas, quase todas. Só aquele **** era meio chato - eu disse (a nacionalidade não é difícil de adivinhar; por que tantos **** são assim?).
-Sim, ele era louco.
Senti-me muito querido pelas pessoas que trabalham aqui, que me tratam como se fosse da casa (isso é porque tu é como tu é, pensa bem, disse meu psicólogo); ajudaram-me em tudo, inclusive a procurar apartamento para alugar, e voltarei muitas vezes para vê-los e conversar. A bruschetteria, aberta ao público, começa a funcionar a semana que vem.
Hoje me deixou triste que o Ferras (o australiano, de origem palestina), fosse embora, para o Pantanal. 35 anos, aventureiro, interessado por tudo, bem-humorado, disposto a fazer rir qualquer um - em especial as gurias, comprovei estas últimas noites. Sem ele, por exemplo, o argentino Fernando e eu não teríamos sentado à mesa de três moças lindas e simpáticas, ontem, num restaurante da Cidade Baixa; nos divertido até altas horas. Sem ele, na sexta, Marta, a gaúcha italiana, não teria deixado suas amigas patricinhas no tedioso Dhomba e ido sambar com nós dois. Marta, a da beleza incomparável, "che fa tremar di chiaritate l'are", sambando se soltou ("como eu precisava disto!", disse), deixou de parecer um afresco para se tornar mais bela ainda, e real. Mas nem tudo foi noite e mulheres. Ontem à tarde, ele e o argentino (que hoje foi para Bento Gonçalves dar umas palestras sobre lógica computacional, seja isso o que for) me pediram para ir "naquele lugar onde se vê o pôr-do-sol"; eu voltava de um almoço com a Marinella e pretendia ler e descansar, mas fui passear com eles à beira do rio, antes de voltar para o Gasômetro e sentar na grama. Deu tempo até de jogar um pouco de basquete com um brasileiro que estava na quadra sozinho e - casualidade - morou em Sidney por dois anos e quer voltar lá para ficar. Meu inglês melhorou um monte (ontem fiz de tradutor simultâneo com essas três gurias); minha perna machucada, não - o médico pediu repouso, mas eu não quis perder a chance de fazer uns arremessos, muito menos de sambar. "Você é a gaúcha mais linda que eu já conheci. Não é cantada, é fato".
Todas essas pessoas, também o inglês Richard (sua história não cabe aqui, além de que não terminou, espero acompanhar a continuação, ele fica em POA), ou a Hellen, carioca que mora em Niterói, ou a nova empregada que a Viviana contratou, haitiana (numa janta a Viviana me contou uma parte de sua história, de seu inferno) me deixam seus e-mails e perfis no Facebook. Já andei pensando em voltar para esse mundo de amizades virtuais, para manter o contato, mas não o farei, seria absurdamente pouco em comparação com o vivido no mundinho real.
Friday, March 16, 2012
Wednesday, March 14, 2012
... E segue sendo muuuito bom (ficar em albergue)
Pena que já me restam poucos dias (mas vou para um lugar melhor). Aqui cada dia é festa, cada dia é carnaval. Estou sem tempo para contar as histórias que ouvi, falar nas pessoas que conheci ou estou conhecendo. A última, uma italiana. Bom, ela é gaúcha, mas está há cinco anos na Itália e pretende ficar lá. É de uma beleza inacreditável. (Um dos caras da recepção se cobre o rosto quando ela passa.) Hoje fomos comer pastéis e beber cerveja, com ela e uma amiga, quinta vamos dançar. E mais nada, é só para ser admirada (boa de conversa, também, e boa de risada). Já nem me preocupo com o português do blog, desculpem, está difícil, com todo esse pessoal estrangeiro. Hoje estou no quarto com um argentino e um australiano. O australiano me convidou para uma festa sexta, toca uma dj amiga dele. A festa não para.
Sunday, March 11, 2012
Sempre Espanyol
Hoje é um bom dia para postar estas imagens do 11 de fevereiro, quando, antes de ir almoçar com meus amigos (era o meu aniversário, daí o capacete: o Uri me levou em moto, se não não ia chegar a tempo), fomos ao estádio de Cornellà-El Prat assistir ao jogo do Espanyol contra o Zaragoza. Quis levar o Uri e, sobretudo, meu pai, que não gosta muito de ir porque sempre sofre, e esse dia perdemos, e fiquei triste por meu pai (ainda mais porque o Espanyol ganhou os outros três jogos aos que assisti esses dois meses passados em Barcelona). Hoje é um bom dia porque acabei de assistir, pela internet (às 8h da manhã, meio-dia em Barcelona; as gurias aqui do albergue ficaram surpresas de que acordasse tão cedo :), à vitória por 5-1 contra o Rayo Vallecano, importante depois da derrota da semana passada contra o Real Madrid (5-0). Estamos de novo na luta para jogar na Europa o ano que vem.
Na primeira foto, o Uri e eu diante da estátua recém inaugurada do falecido Dani Jarque, nosso capitão. Na segunda, a camiseta que Iniesta mostrou quando fez o gol que deu o título a Espanha na final da Copa de 2010 (presente de Iniesta ao Espanyol); já escrevi aqui que essa é a memória que guardarei para sempre dessa Copa. Na terceira, uma torcedora.
Na primeira foto, o Uri e eu diante da estátua recém inaugurada do falecido Dani Jarque, nosso capitão. Na segunda, a camiseta que Iniesta mostrou quando fez o gol que deu o título a Espanha na final da Copa de 2010 (presente de Iniesta ao Espanyol); já escrevi aqui que essa é a memória que guardarei para sempre dessa Copa. Na terceira, uma torcedora.
Friday, March 09, 2012
Felicitats, Ana! (Quatre mesos!)
Post muuuito atrasado, porque nunca carrego comigo o cabo do celular. A foto é do dia 21 de fevereiro (bem, de uns dias antes, porque eu viajei o 16), quando a Ana fez... quatro meses! Tenho um vídeo incrível, onde ela dá muita risada e se despede de mim, o tio do Brasil, haciendo la ola; mas vídeos não pode (la ola é o que se faz nos estádios de futebol, quando o público vai ficando de pé e levantando os braços).
PS nada a ver (ou alguma coisa a ver, porque a Ana veio a este presente "de mierda pestilente que trepa por nuestros pies"): Meus pais me enviaram este vídeo recente de Luis Pastor, em que ele responde, em verso, à pergunta de onde estão os cantautores espanhóis nestes tempos de crise. Eles estão aqui, nunca se foram.
PS nada a ver (ou alguma coisa a ver, porque a Ana veio a este presente "de mierda pestilente que trepa por nuestros pies"): Meus pais me enviaram este vídeo recente de Luis Pastor, em que ele responde, em verso, à pergunta de onde estão os cantautores espanhóis nestes tempos de crise. Eles estão aqui, nunca se foram.
Thursday, March 08, 2012
Freedom, de Jonathan Franzen. Crítica de Uri Scissorhands
Recebi do Uri uma crítica de Freedom, que ele acabou de ler. Vou postá-la a seguir, traduzida (assim vou recuperando meu português) e editada, porque ele se enrola demais. (Sim, irmão: tu terias gostado de um editor melhor para esse romance, de alguém sem medo de usar a tesoura, e ao mesmo tempo não te dás conta de como tu te enrolas; isto, em espanhol, é "ver la paja en el ojo ajeno y no la viga en el propio".) (Eu fiz uma mini resenha do romance em outubro de 2010; não me pareceu que ao livro lhe sobrasse ou faltasse nada, nem páginas, nem personagens, me encantaram todos eles; achei dez. Mas o Uri toca em pontos importantes em que eu, tão encantado, nem reparei.) O texto a seguir, então é dele. Eu faço comentários entre colchetes.Finalmente, terminei de ler Freedom, levei dois meses para ler esse tijolão. E para não perder a tradição vou escrever uma breve crítica. Primeiro, direi que o livro é bom, senão nem louco teria dedicado tanto tempo a ler tudo isso. De fato, diria que tem momentos brilhantes, alguns até mais brilhantes do que qualquer coisa que eu tenha lido recentemente (sobretudo no início e nas partes autobiográficas da Patty), mas também direi que, para mim, é longo demais e tem trechos que algum editor bondoso poderia ter cortado ou eliminado sem nenhum prejuízo. O livro é um grande retrato não só social, senão vital/individual das mudanças que uma pessoa pode experimentar ao longo da vida. Acredito que é um dos livros que melhor retratam as evoluções pessoais, essas mudanças que as pessoas vivem e que fazem com que passem de querer ser tudo o contrário de seus pais a terminar entendendo eles, além de muitas outras: sonhos quebrados, idealismos jogados no lixo, situações inesperadas que deixam a gente de cabeça para baixo, coisas que a gente faz e nunca teria acreditado ser capaz de fazer, etc. O melhor é que o romance não só ensina isso: faz com que se entenda, às vezes até com que se sinta, o que é realmente muito bom. Provavelmente, isto é assim porque o romance tem mais de autobiografia do que é reconhecido. As partes autobiográficas são de uma mulher, mas acredito que nelas temos muito do amigo Franzen e de sua vida. Nesse sentido, entendo que o livro tenha se destacado como um dos grandes romances dos últimos anos, porque não me lembro de nenhum outro tão profundo e exaustivo na recriação dessas mudanças (da adolescência da Patty até seus cinquenta e tantos anos, mais ou menos). O problema, o único problema que para mim o livro tem, como digo, é que, se bem é ótimo por tudo isso, seria ainda melhor se o leitor tivesse sido poupado de algumas partes, como essas histórias secundárias dos tios e das tias que, sobretudo no final, aparecem sem ter tido nenhum papel importante na vida dos protagonistas e não contribuem com nada de especial (pior: por momentos aproximam o romance de uma telenovela). Os protagonistas são a Patty (sobretudo ela) e o Walter Berglund, e entendo o papel que têm seus respectivos pais, os filhos e os amigos/amantes. Mas, sinceramente, a família longínqua não somente não aporta nada quanto me importa uma merda.
[Eu, já disse, fiquei empolgado com as vidas de todas as personagens, uma a uma, por serem complexas, interessantes e "reais". Talvez esse foi meu erro e a leitura do Uri foi mais inteligente. Escapou-me algo que agora, lendo sua crítica, entendo como essencial. A liberdade do título, isto é claro, é um conceito negativo, ou usado com ironia, e Franzen é ousado ao tratá-la assim, por ser nos Estados Unidos ("the land of the free") o que há de mais venerado (junto com o dinheiro). Mas as personagens não estão perdidas em suas vidas, à deriva, por serem livres demais, terem excessivas opções entre as quais escolher - ou não só (esse foi um preconceito meu, devido a algo que Franzen disse em alguma entrevista). Elas não são livres devido a certas inter-relações não positivas com pessoas emocionalmente próximas, amadas ou odiadas, ou amadas e odiadas ao mesmo tempo. Simplificando muito: Joey é quem é porque seus pais são quem são (ele tenta ser o oposto deles); Walter parece um homem bem-sucedido, mas no fundo inveja Richard, o ex músico de sucesso reconvertido em construtor de decks; Patty não consegue não se sentir atraída por Richard, um dos melhores amigos de Walter; etc. (btw, Uri: tem mais de Franzen em Walter). Grandes afetos e desafetos vão definindo vidas e as fazem descarrilar - sem importar que algumas das personagens que se influenciam de tal maneira não se encontrem num mesmo espaço por muitos capítulos (esse é um dos méritos de Franzen).]
[Numa palestra sobre o romance à que assisti com a Marinella, o palestrante, não lembro o nome, disse que o maior defeito do romance era a voz de Patty (exatamente aquilo que meu irmão, com bom critério, mais gostou, e que Franzen demorou, segundo disse, mais de sete anos em encontrar). Patty rejeitou o mundo acadêmico e de envolvimento político dos pais, liberais cultos da costa leste, dedicou-se ao basquete desde o colégio e quis casar e ser mãe tão cedo quanto possível; e, portanto, disse o teórico e palestrante (haja paciência para os grandes escritores), "não poderia falar e escrever tão bem, sua voz soa falsa". Lembro que eu, chocado, falei na hora (às vezes preciso superar minha timidez e falar) que Patty odiava seus pais, rebelava-se contra tudo o que eles significavam e o que para eles era importante, mas, por esse movimento de rebeldia ser consciente, seguia falando como a liberal democrata e culta que era e que não poderia nunca deixar de ser.]
Tu vai me dizer, "muito bem, bro", muito bonito, mas aonde tu queres chegar com essa conversa toda? Como tu sabes, não sou homem de palavras gratuitas e faço tudo com uma intenção. E essa não é outra que a de insistir, mais uma vez, em que desenhes um esquema, mesmo que seja mental, do teu romance, para evitar que esse tipo de coisas aconteça. Mesmo que o amigo Franzen escreva bem, houve momentos em que estive tentado de abandonar Freedom por achar que ele estava se enrolando e me enrolando, e se não o fiz foi em parte porque ele recuperava os temas principais antes que eu cansasse e em parte porque, devido às boas críticas, eu lhe dava mais crédito do habitual. Mas isso não sempre será assim. É um pouco o que acontece com alguns diretores de cinema, que, porque sabem filmar, fazem filmes longos demais que acabam virando uma bosta. Por sorte, no cinema existe a figura do montador (nunca suficientemente valorizada), que pega e dá cabo de tudo o que sobra (quando lhe é permitido) e o manda direto para os extras do DVD. O que sobra, tu já sabes, é aquilo que, se eliminado, não muda NADA da obra. Infelizmente, não tenho certeza de se essa figura existe na literatura: é o editor?, deveria ser? [Existia e era o editor, nos tempos dourados da edição literária: o mesmo editor que, hoje, ou já faz muitos anos, nem sequer lê o que publica.] Por isso insisto sempre no mesmo, na importância de ter claro aonde se vai e o que se explica, e de não ficar perdido por ali. Como ontem acabei de ler este romance pensando que se eu tivesse sido o editor teria lhe amputado 150 páginas, e assim não só o teria deixado melhor e feito com que menos pessoas o largassem pela metade, como teria salvado a vida de algumas árvores e, com eles, de alguns desses pássaros cantores tão caros a Walter, pois aproveitei para tocar no assunto. [Obrigado irmão. Por enquanto, tu sabes, feliz ou infelizmente não tenho muito que cortar nesse romance meu. Adoraria ter um baita manuscrito de 600 páginas e umas tesouras, mas não escrevo assim.] [Vai ler O rei pálido. Wallace se enrola pelo prazer do leitor.]
Sunday, March 04, 2012
Ficar em albergue segue sendo muito bom
O HI de POA está bombando, lotou e agora é internacional mesmo. Além de cariocash (Hellen, muito querida), cearenses (Tarso-alguma coisa, nome difícil), paulistanas, etc., agora temos australianas, um francês, um alemão, um croata-porteño e mais. E, tirando que meu inglês está péssimo e meu francês pior (a gente acha que fala tal e tal idioma, porque um dia o/os falou e segue lendo-os, mas na hora de falar de novo vê como, sem prática, apodrecem), tirando isso, tudo é muito engraçado. Ontem ia sair de novo, ir para o Ocidente como sábado passado, quando fui sozinho e conheci a V. (eu, que, na noite, desde os tempos de Dublin, não conheci ninguém, ou ninguém que não fosse amiga ou amiga de amiga, e isso não é conhecer, conhece-se uma desconhecida), mas no fim não saí sozinho, fomos numa turminha. Eu disse "agora temos" porque já sou como da casa, tornei-me amigo até da dona, a Viviana (a mesma que me meteu bronca logo que cheguei, por fumar no quarto), que ontem também saiu, resolveu ir para a noite quando um grupo já havia se formado e me eleito guia e anfitrião (!). A boa é o Ocidente mesmo, pensei (com a V. me rondando a cabeça, mas também porque era um lugar que eles iam gostar); só que ontem era sexta. Imaginem o baita anfitrião, já numa mesinha (chegamos cedo), com a carioca e o cearense dando risada, olhando disfarçadamente para a Viviana: E agora como eu digo para este Je me suis trompé, hoje aqui é GLS!? Mas a noite, terminada no Opinião (que, quando não tem show, é uma chinelagem, como diz o P.), foi bem divertida. E sempre se aprendem coisas. A Viviana, além de dona daqui, é CEO da HI Brasil, esteve em albergues do mundo todo. Segundo ela, o melhor de Baires é o Florida. Sobre o Milhouse, tem a mesma opinião que eu, aliás parece que a rede trata o Milhouse como àquele filho que se perdeu. Um dos melhores que ela conheceu? O de Mendoza, Argentina. Os responsáveis de que na Argentina os quartos coletivos não sejam mais mistos (excetuando o Milhouse, que é uma orgia)?: as brasileiras. Os responsáveis da colocação em todos os quartos de espelhos de corpo inteiro?: as brasileiras, é claro. São só algumas das coisas que a Viviana me contou. Hoje íamos sair numa turma maior; mas a paulista disse que o Beto era uma creche, um cara que trabalha aqui disse que a Balonê, que hoje é no Ocidente, era para playboys, etc. (eu fiquei quieto); e nesse vamos não vamos acabamos ficando, bebendo cerveja e aprendendo coisas sobre the Great Barrier Reef.
PS: Tem esses colegas de quarto e albergue qui viennent et vont, mas as maiores alegrias destes dias vêm dos reencontros com os amigos e amigas gaúchos. E com meu orientador e a coordenadora da FALE. Vou ter que pensar no que escrevo a respeito disto em futuros posts. Que eles gostem tanto de mim como dizem e mostram não deveria mudar minha opinião geral, e atual, sobre a faculdade, acho. ... E agora vou dormir, que amanhã tem futebol com o Leo. Sonhar com a Ana (num próximo post, vai uma foto dela de quatro meses, estou demorando, o "aníver" foi dia 21): Ana, teu tio preferido está no Brasil, que é muito longe, e morre de saudade de ti.
PS: Tem esses colegas de quarto e albergue qui viennent et vont, mas as maiores alegrias destes dias vêm dos reencontros com os amigos e amigas gaúchos. E com meu orientador e a coordenadora da FALE. Vou ter que pensar no que escrevo a respeito disto em futuros posts. Que eles gostem tanto de mim como dizem e mostram não deveria mudar minha opinião geral, e atual, sobre a faculdade, acho. ... E agora vou dormir, que amanhã tem futebol com o Leo. Sonhar com a Ana (num próximo post, vai uma foto dela de quatro meses, estou demorando, o "aníver" foi dia 21): Ana, teu tio preferido está no Brasil, que é muito longe, e morre de saudade de ti.
Friday, March 02, 2012
Saturday, February 25, 2012
Adiós a la universidad: el eclipse de las humanidades, de Jordi Llovet
Pela primeira vez, vou dar estrelinhas (coraçõezinhos, cinco!) para um livro que ainda não li (a partir de uma crítica sui generis que o Sérgio fez). Dei-o de presente à minha irmã, no aniversário, e ela... leu! :) Leu e achou extraordinário. Extraordinário é mesmo que minha irmã leia um livro que ganha de mim, ou dos nossos pais: ela está sempre lendo livros que nem estão nas livrarias tradicionais, livros (não sei se ela usa essa expressão) de fora do sistema; panfletos, digo-lhe eu, brincando. Eu imaginei que o livro seria bom, pelo autor, pelo assunto, pelas frases na faixa da capa: "En un país normal, este libro provocaría un terremoto" (Xavier Antich), "Es una enjundiosa reflexión sobre la cultura y la educación superior de hoy. Su anecdotario, lleno de humor y perspicacia, es una auténtica delicia" (Fernando Savater). Jordi Llovet foi catedrático de Estética, de Crítica literária, de Teoria da literatura e de Literatura comparada, sempre na Universidade de Barcelona (UB); eu, da UPF (formado em Humanidades, ai!), não o conheci, conheço-o indiretamente, pelas recomendações de clássicos da literatura que ele faz cada quinta-feira no Quadern, caderno em catalão do El País. Ele é um dos maiores especialistas espanhóis em literatura clássica e catalã, além de tradutor ao catalão de Hölderlin, Kafka, Rilke, Musil, Thomas Mann, Flaubert, Baudelaire, etc. Mas deixou de ser professor.
Na contracapa do livro, explica-se o porque do título: em 2008, ele aceitou um plano de pré-aposentadoria pensado pelos chefões da UB, que ele não teria aceito "si las circunstancias de la vida académica que se explican en el libro no le hubieran invitado a tomar esa decisión".
Mais, da contracapa: "Durante todos estos años el autor ha vivido experiencias y momentos de una gran belleza, de aprovechamiento y de mucha dignidad, pero también ha vivido otras que caen de lleno en el malestar y la consternación, si no en el horror. El autor intenta que todas y cada una de las situaciones narradas vayan acompañadas de una reflexión pedagógica, política, pero también moral, para hacer de este libro algo útil para las generaciones presentes de estudiantes, profesores y directores de enseñanza secundaria y de las universidades de Cataluña y de toda España, y también para las generaciones de estudiantes de Humanidades -que el autor ya comienza a llorar- que vendrán". Pior: "En El eclipse de las humanidades se describe el sobrecogedor panorama del hundimiento de la cultura en España".
Vendo a empolgação de minha irmã com a leitura, quis comprar o livro para mim. Não o fiz. Em vez disso, comprei-o para o Sérgio, que, além de ator, é professor na Faculdade de Educação da UFRGS e se interessa muito por tudo aquilo relacionado com as formas, os métodos de e a qualidade do ensino. E agora ele não quer me emprestá-lo!!! Eu lhe disse que, se é tão bom, poderia doar o livro à biblioteca da FACED, mas ele, muito possessivo, respondeu: "Por favor! No doy este libro a ninguna biblioteca!, lo estimo demasiado como mío!". (Tudo bem, mas eu acho, Sérgio, que ele deveria estar nas bibliotecas das faculdades de Letras e Ciências sociais...) Não quer doar o livro à biblioteca, nem me emprestá-lo ("tu iria te deprimir"), e ao mesmo tempo me provoca dizendo que dorme e acorda lendo o Llovet.
Bom, depois deste preâmbulo, vai aqui sua crítica, a que fez com que eu não duvidasse na hora de dar ao livro todos os corações:
"Por fin miro el reloj: son las cinco. Agarro lo que no puedo dejar: el eclipse de las humanidades. Parte de mi desgarro se traduce con tanta precisión y con tan buen humor, a parte de la envidiosa vida y experiencia del autor, que no puedo dejar de leer. Como dijo algun Foix Moix o Comas Ribas, en un país serio ese libro sería un terremoto. Y me sirve. Me terremotea las ideas y las sensaciones. Agradecemos a Rosa, tu hermana, la lectura previa y a ti, por la elección. No podría haber llegado en mejor 'enhorabuena' este libro. Son las 07:19, tengo ganas de tomar un café". Em outro e-mail, ele escreve: "Olha que sincronia com o livro do Llovet: 'ADUFRGS abre o debate sobre o futuro da UFRGS: A ADUFRGS-Sindical, representante dos professores - responsáveis pelas atividades e fins da Universidade (ensino, pesquisa e extensão) e detentores de experiência e conhecimento para definir os objetivos da instituição e escolher seus dirigentes - conclama os filiados a uma profunda reflexão, tendo por base o nosso passado e o que queremos para o futuro da UFRGS, e a uma participação ativa nas discussões e elaboração de programas sobre o que queremos dos próximos gestores desta importante Instituição'". Por último, ele diz que talvez assista, como ouvinte (talvez eu também) à disciplina "Cinema, Literatura e Educação, é tudo verdade?", da professora Rosa Maria Bueno Fischer, "um primor de intelectual"... "tudo por culpa do Llovet, que não para de me incomodar: anda, sal de tu inercia, vete a estudiar".





PS: Este post é também sobre política (daí a etiqueta "Sobre política"). São os políticos os que estão acabando com as Humanidades: os que dirigem o país (no caso, Catalunya e España) e os que dirigem as universidades. Ou então é o mercado, que acredita não precisar de pessoas com esse tipo de formação. Mas são os polícos os que poderiam/deveriam resistir a essas "forças".
Na contracapa do livro, explica-se o porque do título: em 2008, ele aceitou um plano de pré-aposentadoria pensado pelos chefões da UB, que ele não teria aceito "si las circunstancias de la vida académica que se explican en el libro no le hubieran invitado a tomar esa decisión".
Mais, da contracapa: "Durante todos estos años el autor ha vivido experiencias y momentos de una gran belleza, de aprovechamiento y de mucha dignidad, pero también ha vivido otras que caen de lleno en el malestar y la consternación, si no en el horror. El autor intenta que todas y cada una de las situaciones narradas vayan acompañadas de una reflexión pedagógica, política, pero también moral, para hacer de este libro algo útil para las generaciones presentes de estudiantes, profesores y directores de enseñanza secundaria y de las universidades de Cataluña y de toda España, y también para las generaciones de estudiantes de Humanidades -que el autor ya comienza a llorar- que vendrán". Pior: "En El eclipse de las humanidades se describe el sobrecogedor panorama del hundimiento de la cultura en España".
Vendo a empolgação de minha irmã com a leitura, quis comprar o livro para mim. Não o fiz. Em vez disso, comprei-o para o Sérgio, que, além de ator, é professor na Faculdade de Educação da UFRGS e se interessa muito por tudo aquilo relacionado com as formas, os métodos de e a qualidade do ensino. E agora ele não quer me emprestá-lo!!! Eu lhe disse que, se é tão bom, poderia doar o livro à biblioteca da FACED, mas ele, muito possessivo, respondeu: "Por favor! No doy este libro a ninguna biblioteca!, lo estimo demasiado como mío!". (Tudo bem, mas eu acho, Sérgio, que ele deveria estar nas bibliotecas das faculdades de Letras e Ciências sociais...) Não quer doar o livro à biblioteca, nem me emprestá-lo ("tu iria te deprimir"), e ao mesmo tempo me provoca dizendo que dorme e acorda lendo o Llovet.
Bom, depois deste preâmbulo, vai aqui sua crítica, a que fez com que eu não duvidasse na hora de dar ao livro todos os corações:
"Por fin miro el reloj: son las cinco. Agarro lo que no puedo dejar: el eclipse de las humanidades. Parte de mi desgarro se traduce con tanta precisión y con tan buen humor, a parte de la envidiosa vida y experiencia del autor, que no puedo dejar de leer. Como dijo algun Foix Moix o Comas Ribas, en un país serio ese libro sería un terremoto. Y me sirve. Me terremotea las ideas y las sensaciones. Agradecemos a Rosa, tu hermana, la lectura previa y a ti, por la elección. No podría haber llegado en mejor 'enhorabuena' este libro. Son las 07:19, tengo ganas de tomar un café". Em outro e-mail, ele escreve: "Olha que sincronia com o livro do Llovet: 'ADUFRGS abre o debate sobre o futuro da UFRGS: A ADUFRGS-Sindical, representante dos professores - responsáveis pelas atividades e fins da Universidade (ensino, pesquisa e extensão) e detentores de experiência e conhecimento para definir os objetivos da instituição e escolher seus dirigentes - conclama os filiados a uma profunda reflexão, tendo por base o nosso passado e o que queremos para o futuro da UFRGS, e a uma participação ativa nas discussões e elaboração de programas sobre o que queremos dos próximos gestores desta importante Instituição'". Por último, ele diz que talvez assista, como ouvinte (talvez eu também) à disciplina "Cinema, Literatura e Educação, é tudo verdade?", da professora Rosa Maria Bueno Fischer, "um primor de intelectual"... "tudo por culpa do Llovet, que não para de me incomodar: anda, sal de tu inercia, vete a estudiar".





PS: Este post é também sobre política (daí a etiqueta "Sobre política"). São os políticos os que estão acabando com as Humanidades: os que dirigem o país (no caso, Catalunya e España) e os que dirigem as universidades. Ou então é o mercado, que acredita não precisar de pessoas com esse tipo de formação. Mas são os polícos os que poderiam/deveriam resistir a essas "forças".
Wednesday, February 22, 2012
Ficar em albergue é tudo de bom... (ou sobre universidades e outras baixarias)
... E se o albergue é novinho e/ou charmoso, ainda mais - este HI de Porto Alegre é novo, abriu em dezembro. E se o albergue esta numa zona, no caso, numa rua de prostitutas e travestis, pode ser muito engraçado. (Nota: Conheci mais pessoas em quatro dias aqui, de Curitiba, BH, São Paulo,... do que em anos no apart-hotel da Demétrio.) Ontem foi noite de cerveja e bate-papo na calçada, na porta do albergue (não tem botecos na São Carlos, nem na Farrapos/Gaspar Martins, na Cristóvão estava tudo fechado): conversa sobre as universidades brasileiras, sobre a Europa afundando, sobre os travestis. Com destaque para um cara de Brasilia, colega de quarto, muito inteligente e engraçado. Primeiro, quando soube o que aconteceu comigo na seleção ao doutorado, deu-me uma lição de como funcionam as coisas nas universidades do país (ele trabalha na UnB; fala com as inflexões de voz e a rapidez de um Renato Russo mas com um timbre agudo, como de criança). Não disse quase nada que eu não soubesse pelas pessoas com quem já falei. Tipo: projeto inovador, não passa; projeto ousado, ambicioso, complexo, etc., não pode (ou também, por exemplo: se na UnB o candidato não fala em Darcy Ribeiro, se ferrou). Falou sobre como funcionam as pós-graduações, usando muitos palavrões; sobre o sistema universitário brasileiro (mais xingamentos), sobre os professores (maaais xingamentos). Disse que ele recomendava aos alunos que se mandassem para outros lugares, como o Canadá, onde "os estudantes que se destacam são recebidos de pernas abertas". E contou o caso de uma moça de Brasília que ficou dois anos preparando seu projeto de doutorado, não foi aceita e tentou se suicidar.
-Agora você chorou, mas já aprendeu.
-Não chorei, mas aprendi.
Depois o assunto foi a Grécia, o euro, a crise que pode acabar com a UE, e ele falou, assim me pareceu, com mais conhecimento do que os economistas que escrevem nas páginas cor salmão do El País.
Enquanto isso, outro colega que tomava cerveja conosco, de São Paulo, foi investigar os travestis. Voltou com a informação de que uma, a que rebolava mais perto de nós, era curitibana, veio a Porto Alegre para se operar e ficou ("cobra 50, deve ser uma rapidinha"). Então apareceu (entre muitos outros carros: a demanda é grande) um carrão (não vou descrever o carro: é que em Barcelona, ir à procura de prostitutas na rua, ou, pior, travestis, não é coisa que se faça abertamente; lá o cara teria usado boina, óculos de sol e bigode postiço; por isso achei o diálogo surpreendente, fiquei pasmo; "aqui é o Brasil!", explicou o brasiliense cabeça). O carro para à nossa frente, o homem assoma a cabeça (um homem bem vestido e penteado; pai de família?):
-É aqui a rua dos travecos?
-É, tudo reto. Tá vendo?
E ele:
-Cê indica alguma?
(Como Cê indica alguma? Pensei: ele está zoando de nós???)
-Cê acha que a gente experimentou todas?!? Hahaha!
Eeenfim. Ele dirigiu mais uns metros e parou ao lado da curitibana, não estava zoando, queria mesmo uma recomendação. Uns 45 minutos mais tarde, passou de novo, fazendo OK. Nós já estávamos rindo de outro assunto - o assunto não era para rir, mas o clima era de festa. É que um taxista parou, estava exausto, pediu uma cerveja no albergue: uma argentina, contou, acabava de ter um ataque epiléptico no táxi, "um horror".
-E ela não pagou.
-Pagou sim!
Uma hora depois, volta a passar o carrão (ó cara insaciável).
-O que ele quer é comer vocês - disse o brasiliense.
Subi ao quarto, li por meia hora, desci para fumar o último cigarro, encontrei ele cantando, sentado no meio-fio, com o paulistano de pé, como fazendo de guarda-costas.
Nota: Não contei sobre o tipo que também esteve no quarto, sarado, safado, professor de musculação (isto é inexato, não quero problemas). Ele foi no Sofazão (não conheço esses lugares, faço constar) e me disse feliz que pagou 100 e comeu três.
Nota 2: Esse HI não é para putanheiros, OK? Esses colegas de ontem, e outros, são mochileiros, estão fazendo turismo (sim, é possível) em Porto Alegre. A questão seria se sua localização é a mais adequada.
PS: Caetano:
"Três travestis
três colibris de raça
deixam o país
e enchem París de graça"
-Agora você chorou, mas já aprendeu.
-Não chorei, mas aprendi.
Depois o assunto foi a Grécia, o euro, a crise que pode acabar com a UE, e ele falou, assim me pareceu, com mais conhecimento do que os economistas que escrevem nas páginas cor salmão do El País.
Enquanto isso, outro colega que tomava cerveja conosco, de São Paulo, foi investigar os travestis. Voltou com a informação de que uma, a que rebolava mais perto de nós, era curitibana, veio a Porto Alegre para se operar e ficou ("cobra 50, deve ser uma rapidinha"). Então apareceu (entre muitos outros carros: a demanda é grande) um carrão (não vou descrever o carro: é que em Barcelona, ir à procura de prostitutas na rua, ou, pior, travestis, não é coisa que se faça abertamente; lá o cara teria usado boina, óculos de sol e bigode postiço; por isso achei o diálogo surpreendente, fiquei pasmo; "aqui é o Brasil!", explicou o brasiliense cabeça). O carro para à nossa frente, o homem assoma a cabeça (um homem bem vestido e penteado; pai de família?):
-É aqui a rua dos travecos?
-É, tudo reto. Tá vendo?
E ele:
-Cê indica alguma?
(Como Cê indica alguma? Pensei: ele está zoando de nós???)
-Cê acha que a gente experimentou todas?!? Hahaha!
Eeenfim. Ele dirigiu mais uns metros e parou ao lado da curitibana, não estava zoando, queria mesmo uma recomendação. Uns 45 minutos mais tarde, passou de novo, fazendo OK. Nós já estávamos rindo de outro assunto - o assunto não era para rir, mas o clima era de festa. É que um taxista parou, estava exausto, pediu uma cerveja no albergue: uma argentina, contou, acabava de ter um ataque epiléptico no táxi, "um horror".
-E ela não pagou.
-Pagou sim!
Uma hora depois, volta a passar o carrão (ó cara insaciável).
-O que ele quer é comer vocês - disse o brasiliense.
Subi ao quarto, li por meia hora, desci para fumar o último cigarro, encontrei ele cantando, sentado no meio-fio, com o paulistano de pé, como fazendo de guarda-costas.
Nota: Não contei sobre o tipo que também esteve no quarto, sarado, safado, professor de musculação (isto é inexato, não quero problemas). Ele foi no Sofazão (não conheço esses lugares, faço constar) e me disse feliz que pagou 100 e comeu três.
Nota 2: Esse HI não é para putanheiros, OK? Esses colegas de ontem, e outros, são mochileiros, estão fazendo turismo (sim, é possível) em Porto Alegre. A questão seria se sua localização é a mais adequada.
PS: Caetano:
"Três travestis
três colibris de raça
deixam o país
e enchem París de graça"
Tuesday, February 21, 2012
A Linguagem Não Presta Department
Qual é o antónimo de "odiável"?
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