Saturday, June 30, 2012

Para os amigos quietos

(E para os não quietos também.)

Não estamos sós. Mas a batalha está perdida há muito tempo.

Da Zero Hora de hoje.



































O Sérgio declamando o texto. (Numa pausa
para dar uma tragada no cigarro apagado.) 








A Ângela escutando com atenção.
(Numa pausa para sair bem no retrato.)






















A palestra citada no artigo: Susan Cain no TED.




E um pouco de música.



Monday, June 25, 2012

Perguntas repetidas

Mais ouvidas nestes últimos anos, por ordem:

1. Crédito ou débito?

2. Açúcar ou adoçante?

3. Com ou sem gás?

4. De Barcelona? E o que tu tá fazendo em Porto Alegre???


Crédito, açúcar, sem, foi por amor.

Sunday, June 24, 2012

Marta, Sebas, Guille y los demás, de Amaral

OK, Sérgio, vai a música de novo. A tirei porque não é nada demais. (O popirocki :p espanhol nunca foi nada demais, tirando alguns grupos dos anos 80 e alguns anteriores, de "la movida madrileña"). O que eu gosto é de algumas partes da letra, que mexem comigo: "Marta me llamó a las seis hora española / sólo para hablar, sólo se sentía sola / porque Sebas se marchó de vuelta a Buenos Aires / el dinero se acabó, ya no hay sitio para nadie" (uma amiga me disse uma vez: tu podes me ligar sempre, qualquer dia, qualquer hora); "Dónde empieza y dónde acabará / el destino que nos une y que nos separará" (amizades também terminam, ai!); "Yo estoy sola en el hotel, estoy viendo amanecer, Santiago de Chile..." (saudade de Santiago); "Alicia fue a vivir a Barcelona / y hoy ha venido a mi memoria" (me emociona como ela diz "Barcelona", com carinho e sem sotaque catalão, exatamente como minhas amigas do sul e do norte da Espanha que moram lá; e sempre achei lindo e esquisito quando amigos que pareciam esquecidos "vienen a la memoria", do nada, às vezes nos sonhos); "Son mis amigos / por encima de todas las cosas".

   

Tuesday, June 19, 2012

Fotos diversas de Porto Alegre

Hoje vi que no blog havia um rascunho: estas fotos diversas.

















Um bom almoço chez Sérgio. 

Menina no terraço da Usina do Gasômetro.
















Céu do bairro da Floresta.
















Chez moi.
















As bruschettas do HI Porto Alegre.

Sobradinhos lindos no bairro da Floresta.





















No Café da Oca, no Bom Fim. (O cara estava com um moletom de Bedford Ave., Brooklyn.)
















A Bethesda Fountain do Central Park de Porto Alegre.
















Homens assistindo ao apaixonante jogo da bocha.
















Um periquito (acho) no bar onde eu às vezes tomava o café da manhã, no Centro.
















O largo em frente ao mercado e a Praça XV. (Tinha uma instalação, na última Bienal, que não era nada demais mas permitia subir até o topo do prédio da Prefeitura e ter essa vista.)

Saturday, June 16, 2012

Bloomsday

Hoje, no caderno cultural (sigh) da Zero Hora, o Ulysses, de Joyce, é chamado de "o melhor romance da história". Só para quem não leu Don Quijote. Mais adiante, o jornalista se controla é o chama de "o melhor romance do século XX". Só para quem não leu Proust.

Falta uma coisa importante ao Ulysses: vida.

Literature is made of language. But it is by no means just made of language.

Thursday, June 14, 2012

Cá ou lá (agonia)

Almoço com um amigo daqui
e dá vontade de ficar.
Me escreve uma amiga de lá
e dá vontade de voltar.


(Acho que vou
para a

P
A
T
A
G
O
N
I
A
.)

Wednesday, June 13, 2012

Cais, de Mallu Magalhães



De onde eu vim
Não tem mar
Onde eu vim parar?

Atraquei
Nesse cais
Por amor demais

Friday, June 08, 2012

Tuesday, June 05, 2012

De novo a PUC (última vez)

Ontem meu projeto para dar uma oficina de escrita criativa na PUC (que eu nem sequer pedi, me foi proposto) foi vetado pela senhora professora doutora Maria Eunice Moreira, diretora da Faculdade de Letras; isto apesar dos esforços do Assis Brasil, amigo e orientador, e da Ana Mello, coordenadora da Fale, que me contou tudo, e mais, com lágrimas nos olhos.*

*Esqueci de deixar registro do cinismo ou desvergonha da diretora, cujo argumento foi: "Nesse horário essa sala está ocupada". A Ana Mello já pediu esse argumento por escrito.

Mais ou menos foi isso o que eu escrevi em mensagens ao Sérgio e à Marinella, que acompanharam o processo. Eles são dois dos meus melhores amigos aqui (se não os melhores, sem dúvida os mais presentes), e logo se disponibilizaram para falar comigo hoje. O Assis quer falar comigo também. Então, os outros amigos e pessoas queridas que leem este blog que não se preocupem, estou muito bem assistido. Também, o dano que a senhora Maria Eunice pode ter me causado (a mim, euzinho) é relativo, nada em comparação com o que já causou a pessoas importantes - essa mulher não para.

...

Hoje de manhã a Mara, querida, funcionária no hostel, me disse:

-Vou sentir saudade.
-Eu também.
-Tu é legal.
-Tu também.
-Tu é uma pessoa boa.
-É.

Lembrei-me, então, de uma coisa que a Ana Mello me disse ontem: "As pessoas são más, aqui dentro e em todo lugar, Roger". Ela me pediu para não desistir, mas eu estou cansado. (Parece que ontem mesmo, com o veto já decidido antes da reunião, o Assis repetiu à Ana Mello que eu era "um escritor brilhante" e por isso devia fazer o doutorado em Escrita. Não sei o que eu sou. Só não quero ser burro.)

Este blog vai continuar, com outro nome, virando talvez uma espécie de crônica da crise ou quebra da Europa, ou vai ficar por aqui (não sei). E das pessoas mais queridas já vou me despedir como eu desejo e elas merecem.


PS: Meus amigos, como sempre, dificultam a decisão de me mandar de vez para Barcelona. :( :) (:

Friday, June 01, 2012

As águas do Arpoador

Que coisa linda...

Foto destes últimos dias. 















Fabio Minduim

Thursday, May 31, 2012

L'allocution de Baudot, au livre d'Emmanuel Carrère

Estou marcando muitos trechos do romance, Outras vidas que não a minha, de Emmanuel Carrère, que leio aos trancos e barrancos. No fim vai merecer uns quatro coraçõezinhos, e no início quase fui trocá-lo na loja (até fui; por sorte, sem a nota fiscal). Em meu "deve", a impaciência; em meu "haver" uma estranha intuição para encontrar o livro adequado no momento adequado.

Hoje quero postar um trecho sobre a justiça, que adorei. E comentar, também, que poderia ler-se nas escolas o capítulo sobre as financeiras, agências ou estabelecimentos de crédito fácil (têm vários nomes) e sobre as audiências de inadimplência (p. 113 a 133). Nem todo o mundo sabe - e é melhor a leitura de um romance do que a das páginas de um jornal para entendê-lo - como essas empresas funcionam, e elas formam parte do tripé que provocou a crise, junto com os bancos de investimento e as imobiliárias.

Mas o que eu quero compartilhar é o seguinte: fazer justiça não é aplicar a lei, OK?

"Étienne, a essa crítica, respondia como Florès: não faço senão aplicar a lei. Aplicava-a, com efeito, mas à sua maneira, e lembrando-se de um texto que o impressionara na ENM, a alocução de Baudot. Esse Baudot, um dos inspiradores nos anos setenta do Sindicato da Magistratura, fora punido pelo ministro da Justiça, na época Jean Lecanuet, por ter feito este discurso para jovens juízes: 'Sejam parciais. Para manter o equilíbrio entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre que não pesam o mesmo peso, façam a balança pender mais para um dos lados. Mostrem uma predisposição pela mulher contra o homem, pelo devedor contra o credor, pelo operário contra o patrão, pelo escorchado contra a companhia de seguros do escorchador, pelo ladrão contra a polícia, pelo réu contra a justiça. A lei é interpretável, ela lhes dirá o que quiserem que ela diga. Entre o ladrão e a vítima do roubo, não hesitem em punir a vítima'."


... Encontrei agora, procurando informação sobre "esse Baudot", a alocução em vídeo. Essa alocução ou discurso ou arenga virou "La profession de foi du syndicate de la magistrature" na França. Baudot diz mais do que no trecho citado por Carrère e o que diz é igualmente importante.

Tuesday, May 29, 2012

Toujours grand Jean-Louis Trintignant

Dans Ma nuit chez Maud, d'Eric Rohmer, 1969, le film préféré de mon père.



Dans Amour, de Michael Haneke, Palme d'Or à Cannes 2012, attribuée hier. Avec Isabelle Huppert.

Monday, May 28, 2012

Mais coisas loucas (A mulher do café)

Deveria estar começando a traduzir um livro que me enviaram de Barcelona. Ou começando a traduzir umas coisas lindas sobre jewelry que me pediu por favor a Maria (querida), afilhada do meu pai. Ou respondendo um e-mail da Cristina, que por fim curtiu o presente que lhe fizemos os amigos em janeiro (!), um fim de semana fora de Barcelona com o marido e sem a filha.

Mas antes queria postar mais uma(s) coisa(s) louca(s). Desta vez não se trata de algo que escutei de uma pessoa desconhecida. Ela é desconhecida, mas a Marinella e eu cada vez sabemos mais coisas dela, e as que não sabemos as intuímos ou, em última instância, inventamos. Não fosse a preguiça, já teríamos escrito a história dessa mulher misteriosa que encontramos sempre onde tomamos café nas quintas-feiras. Não vou dizer o nome do café. Às vezes nem me lembro desse nome (não é um nome comum) e digo por mensagem à Marinella "a tal horas no café da maluca", o que é injusto, porque a maluquice da mulher ainda não é clara - a referência é para que a Marinella não vá para outro lugar. A mulher é misteriosa, bela, de olhar absorto, calada, com origens (nós achamos) no Leste europeu. E, isso sim, vítima de rituais compulsivos que envolvem o café e os cigarros, mais não posso dizer. Bom, talvez em outros posts (um dia deixei a Marinella lá sentada e segui a mulher, feito um Pepe Carvalho; "me dá 15 min.", lhe disse; teria precisado de mais). O único que queria postar aqui é o seguinte. Quinta-feira passada havia um senhor sentado à mesa ao lado da dela. Coisa estranha, estabeleceu-se uma conversação. A Marinella estava atrasada (ela sabe quem é o senhor: alguém graúdo: silêncio), eu estava lendo umas coisas, sinto-me mal por não ter prestado atenção (a Marinella me encheu de perguntas que eu não soube responder). Mas uma frase eu ouvi com clareza, anotei-a inteirinha no celular, mostrei-a à Marinella com orgulho. A mulher disse, assim, do nada:

-Seria bom que os psiquiatras lessem mais literatura. Não literatura médica, não. Mais literatura tipo romances.

Pode parecer pouco, mas, para a nossa investigação, a frase é importante. Como deveria sê-lo para qualquer leitor. Pois não é uma maluquice qualquer. Não é, de fato, propriamente uma frase maluca. É uma frase interessante. Mais do que isso: a nosso ver, carrega uma certa verdade, uma forma de clarividência característica de algumas mentes insensatas. Enfim: uma frase a considerar.

Depois de proferi-la, a mulher falou alguma coisa sobre sexo livre. E foi por isso, basicamente, que a Marinella, quando chegou, não parou de fazer perguntas e ficou chateada comigo. Ela teria querido saber, com toda a razão, mais sobre as opiniões sobre sexo ou, quem sabe, sobre a própria vida sexual da mulher. Que disse (foi só o que eu ouvi):

-O sexo livre.
(O homem não disse nada; ou se assentiu, foi quase imperceptível.)
-... Mas não todo o mundo está preparado.

Thursday, May 24, 2012

Situações raras

Do romance Outras vidas que não a minha, de Emmanuel Carrère, que estou lendo.

"É uma situação bem rara alguém ver-se dizendo não apenas o que viveu, mas quem é, o que faz com que ele seja ele e nenhum outro, a alguém que não conhece. Isso acontece nos primeiros momentos de um encontro amoroso e de um tratamento psicanalítico, isso acontecia agora."

É. Uma situação rara, difícil. Angustiante, meio paralisante, até; em função da autoconfiança que esse alguém tem no momento e de maneira diretamente proporcional ao desejo que ele sente pelo outro, no caso do encontro amoroso.

Sunday, May 13, 2012

Coisas loucas

Seguido escuto coisas engraçadas ou surpreendentes de pessoas que falam ao meu redor ou se dirigem a mim. Esta eu vou registrar.

HOMEM se levanta de sua mesa na calçada e se aproxima de mim:

Uma pergunta, já que tu é novo [sic]. A Isabel Allende... está viva ou está morta?

EU:

Está viva.

HOMEM, voltando à sua mesa, falando a uma mulher:

Está viva.

MULHER, olhando para o céu:

Ah, graças a Deus!

Come Healing, by Leonard Cohen

Hoje pensei em Leonard Cohen, não sei por quê, e lembrei que não comprei ainda nem tinha escutado seu novo CD. Ouvi as músicas e escolhi esta para o blog, "Come Healing".

O solitude of longing
Where love has been confined
Come healing of the body
Come healing of the mind
...





Da Rolling Stone US: "When Cohen calls this album Old Ideas, he means not just that these are the thoughts of a septuagenarian, but that he's been turning over these cards for a long while: sex, love, God, and the way the three can be shuffled to relieve the pain of existence. A Jew who disappeared up a mountaintop to ponder Zen Buddhist koans, Cohen has sought rapture anywhere and everywhere he can find it – prayer, LSD, the thighs of a woman – and tried to unite the spiritual and the physical since he first made a sensation with a song about a girl named Suzanne, who touches your perfect body with her mind".

(Essa última frase me emocionou, mas acho que não é preciso postar "Suzanne".)

Thursday, May 10, 2012

Em resposta ao comment do Sérgio no post anterior

Sérgio, querido, podría escribir los versos más tristes esta noche, escribir, por ejemplo, el cielo está estrellado y bla bla bla. O los más alegres, como my mistress' eyes are nothing like the sun. Si este fuera un blog íntimo y personal, no me faltarían asuntos. Pero hay cosas buenas sobre las que no quiero escribir, amores incipientes, por ejemplo, y cosas menos buenas sobre las que debo callar, no voy a morder la mano que me da de comer, ensaios de teatro. Podría hablar de Laura, que me escribió después de tantos años, el infierno de Facebook se puede humanizar un poco, tiene esas cosas, o sobre lo que hizo Marinella el domingo por mí. Podría postar un cuento suyo, em que uma mulher suspira e diz: "por aí, pelo mundo", sem acreditar muito, como um dormir, talvez sonhar. O hablar de los libros que leí, pero a veces me cansa escribir, más ahora que escribo todo el día. Os capítulos do romance, poderia, mas o romance não cabe mais aqui. Anunciar uma palestra próxima, dia 31, Ivan Izquierdo, a quien le está permitido, y cómo no, mezclar ciencia y literatura, ou um show do Fito, no tan próximo, en que el pibe cantará lo de las margaritas em Madri. Hablar de España y de Europa me da tristeza, ni siquiera me alegra la victoria de Hollande, qué poco podemos hacer. Não fui ao cinema, não tenho filme para esculhambar. De Porto Alegre ya no sé qué decir, en esta puta ciudad, todo se incendia y se va?, sete são muitos anos. E o que tu vai fazer em Barcelona, disse a amiga, chateada. Não sei, querida. Encher de beijos minha sobrinha e meus pais, bota a culpa em Philip Roth. A Piauí está ficando ruim, vou reler Cortázar, então terei saudades de Paris. Outro dia num café, um cara de moletom: Bedford Ave., saudades também, mesmo sem ter sido feliz a última vez, mas meu narrador mora lá. Ontem no outro café, três velhos recitando, um Pessoa, outro Quintana, outro Drummond, todos os versos inexatos, achei bonito. No celular tenho fotos para postar, vistas da cidade acumuladas, talvez o faça. Falar bem disto e mal daquilo, ótimo, gostaria, pero no quiero crearme enemigos, ya me los creo cuando no aguanto más. Murió la profesora Remédios Ritzel, pero qué voy a decir, que la recordaré?, que no había nadie como ella en la facultad? Ana habría escrito un bello epitafio, no la conoció ni la conocerá. Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos bla bla. No sé lo que Clotilde est en train de faire, no escribí a Julia y a Jorge, nem à Bel.

Wednesday, May 02, 2012

En la ciudad de Sylvia

O Sérgio me enviou esta mini crítica ditirâmbica do filme de José Luis Guerín, de 2007:

A Pilar López de Ayala é a jeune-fille mais linda do mundo!
O Xavier Lafitte é o jeune-homme mais lindo do mundo!
A fotografia do filme é um delírio de beleza.
A música é ótima.
O filme é especial, requer paciência e tranquilidade, é cool, é lindo!


Friday, April 27, 2012

Tuesday, April 24, 2012

Hope There's Someone, de Antony and the Johnsons + "People like being clean"

BREAKING NEWS: BYE BYE Bar$a, Er Millor Ekip derr Món. Bar$a (jogando com 12) 2 - Chelsea (jogando com 10) 2. Nem Liga, nem Champions. Sempre RCDE.


Andava revisando coisas da Isabel Coixet e ouvi esta música no trailer de The Secret Life of Words. Este Antony Hegarty é mais esquisito que o Daniel Johnston. (Além de que se parece demais com a própria Coixet: inquietante.) (No trailer, gostei da declaração de amor de Tim Robbins, quando ele diz, em tradução minha ao espanhol, que fica mais garrula: "Creo que ahora que me sujetas la polla y meo delante de ti, podríamos llamarnos por nuestros nombres, o hasta empezar una nueva vida juntos".)




Também de The Secret Life of Words, revi esta cena, que eu não lembrava. Lembro pouco desse filme, não o achei bem acabado (talvez não o entendi); gostei mais de My Life Without Me. Mas a cena, revista agora, mesmo na telinha do iPhone, me fez chorar. (Como é difícil escutar, pensei também. Inclusive no cinema. Porque Sarah Polley está esplêndida no monólogo, mas Tim Robbins está com cara de tijolo. Não reparem.) (P.S. ao parêntese: Reparem, antes, na burrice do espetador: a personagem de Tim Robbins é cega, ou parcialmente cega. Duh, Roger!)