Eu evito postar textos que não sejam meus (trechos de romances, letras de músicas, citações, etc.), acho que se o fizesse o blog perderia o sentido. E quando o faço, são traduções, que já ficam meio minhas. Mas, desta vez, com este texto de David Foster Wallace que a Gabriela me enviou, vou fazer uma exceção. Quero postá-lo para tê-lo sempre em mente. E porque é lindo (e triste) e merece muito ser lido. Não é literário, OK? Para textos literários tem o conto Good People (e mais dois) na revista New Yorker. Este que eu posto aqui, que saiu na Revista Piauí deste mês (espero que ninguém me obrigue a retirá-lo!), é um discurso de paraninfo que o escritor fez para formandos do Kenyon College (que deve ser um dos lugares onde ele ensinou escrita criativa).
A liberdade de ver os outros
Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:
– Bom dia, meninos. Como está a água?
Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:
– Água? Que diabo é isso?
Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa forma, a frase soa como uma platitude – mas é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.
Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.
Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.
Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.
Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.
Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.
Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.
Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.
Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.
De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.
É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.
Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.
Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.
Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.
Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.
Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.
Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.
Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.
No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.
O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.
O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.
Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.
Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”
É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro.
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Sunday, October 12, 2008
Isto é água, isto é água
Friday, October 10, 2008
Em crise
Na última aula da Oficina de Criação Literária (eu tô assistindo, mesmo que não pareça, pois faz séculos que não posto um conto (pra não dizer não escrevo)) o professor falou em plágios intencionais, paráfrases, paratextos, hipotextos, hipertextos, transex - não, trans, peraí. Transtextualidade, etc.: essas coisas muuudernas (vou escrever muuuderno como a Carol Bensimon - já estou plagiando viu; assim dou uma risada), sabe né?; dá pra adicionar "mise en abîme", en français, que o professor também usou: fica meio antiquado, mas os mudernos podem não saber. Ele, o professor, pediu pra nós fazer uma dessas coisas, mas nos deu exemplos do mundo da pintura (ele gosta, eu também, tudo bem). Projetou três versões do "Concerto Campestre", de... não me lembro quem (não me lembro, sério, um pintor renascentista); essa não é versão, né?, é a original: projetou essa e depois a de Manet; não achou a de Picasso e vimos uma terceira, mas também não sei de quem. E já que estava com Picasso citou "As meninas" (não sei se é com m ou com M). Não, foi um colega que citou "As Meninas". (Aparte: "Las meninas": quadro mais incrível que eu já vi; sério. Ao vivo, tem que ser ao vivo; sério, juro, tem que ir a Madri.) Esse - ou essa (acho que essa, pois tem mais mulher) colega citou "Las Meninas", e foi então que o professor a deu como exemplo (nada demais - sério; essa está em Barcelona, mas tem picassos mais chulos em Paris, à Paris - aliás o museu Picasso de Barcelona, mm, sério). Eu, então, mais... Mais o quê?, não sei, mais espanhol que o professor, pensei na versão do Equipo Crónica. E até fiz uma busca (é né?, não é "um busca") - I googled, iiihh, não agüento essa - no computador, queria mostrar aos colegas como essa versão era divertida, tão colorida e super pop. Mas fiquei quieto, melhor ser prudente (também não sei nada do tal equipo - SÉRIO). Só que em casa I googled anew - iiiihhh. Busquei e achei outra versão muito mais tri legal, só que do Gernika (o professor também falou do Gernika, se não nessa aula, na anterior, também eu não escuto o tempo todo). Adorei, e essa é a que eu vou postar aqui. Sério. Agora sério mesmo, o post vira sério, porque o quadro é pop mas é sério. Que nem a crise. ("El mundo se derrumba y nosotros de rumba": minha irmã escreveu isso, mas também não é dela - plagiou de alguém. Está na África, ela - sério - e não sabe de nada, acho que porque lá não tem Internet, ou porque lá a crise é..., enfim, a vida é f..., a vida é uma crise - e os irmãos também não escrevem pra ela contando.) Tava dizendo que na verdade este post não faz sentido, é mais porque eu não tinha conto pra postar, nem post pra escrever, nada. Mas gostei do quadro do Equipo Crónica, de Madri (na verdade não é nem um equipo, né?, acho que eram dois; e só acho que eram de Madri). Aqui.
Monday, October 06, 2008
Para quem não gosta de ler os clássicos 2
Os clássicos são, segundo os autores do site, livros tijolões tão entediantes quanto "pescar em um lago vazio", e, a metade das vezes, "sem um enredo discernível". Para lembrar.
Mais três:
Esaú e Jacó, de Machado de Assis
Pedro: Pau que nasce torto nunca se endireita.
Paulo: Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto.
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
As pessoas podem ser muito ruins. As pessoas podem ser muito boas.
Late works of Philip Roth
I'd like to fuck with this young, extremely beautiful college girl. And I'll do it, because I'm an old, decrepit, self-obsessed Literature Professor (and she loves it). Oh, and I'm afraid of dying.
Mais três:
Esaú e Jacó, de Machado de Assis
Pedro: Pau que nasce torto nunca se endireita.
Paulo: Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto.
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
As pessoas podem ser muito ruins. As pessoas podem ser muito boas.
Late works of Philip Roth
I'd like to fuck with this young, extremely beautiful college girl. And I'll do it, because I'm an old, decrepit, self-obsessed Literature Professor (and she loves it). Oh, and I'm afraid of dying.
Saturday, October 04, 2008
É tão estranho, os bons morrem jovens*
Hoje recebi uma mensagem bem interessante, longa e divertida (quase escrevi irrefletida) do meu irmão Oriol, mais ou menos relacionada com o post (The World Is an) Infinite Jest, sobre a morte do escritor David Foster Wallace. Publico-a sem pedir-lhe licença (até pensei em traduzi-la, mais eu não tenho o tempo libre que ele tem :) - fica assim então, em catalão), e quase sem modificações. Eu só editei, apaguei, corrigi, censurei, e inventei uns títulos, nada mais.
1. (Por que os melhores escritores se suicidam, e aqueles que deveriam se suicidar, não?) Fa uns dies que una qüestió em ronda el cap: per què els escriptors que se suïciden són els bons, i els dolents, en canvi, segueixen publicant i publicant sense parar fins que la mort natural se'ls emporta (normalment, molt tard), no sense abans haver pogut deixar acabats un parell de llibres que els seus familiars publicaran per treure pasta?
2. (Podemos confiar nos escritores que não têm se suicidado?) Ja sé que el que em pregunto no és nou, però m'ha vingut al cap recentment pel tema de l'amic Foster Wallace. Et diré, primer de tot, que costa molt trobar llibres d'aquest home a Barcelona, però m'he començat a llegir un llibre de contes seu (les seves novel·les no es troben, ni a la Fnac), i, una vegada més, es compleix la norma artística segons la qual "el que se suïcida era bo". D'aquí la meva pregunta: ens podem fiar dels escriptors que no s'han suïcidat?
3. (O que deveria deixar feliz um escritor é escrever bem, não escrever redações escolares.) Res més lluny de la meva intenció que promoure la idea de què si un no se suïcida és perquè no és bon escriptor, però la veritat és que sorprèn veure el talent i la qualitat de tots els autors que, al llarg de la història, s'han anat matant, mentre que homes com l'amic Bucay, que inunden les llibreries de tot el món de paper (arbres tallats), no només no es treuen la vida, sinó que van pel món fent de gurús feliços capaços d'ensenyar la gent a ser feliç.
A veure: si el que hauria de fer feliç un escriptor és escriure bé, i allò que l'hauria de fer sentir desgraciat és escriure redaccions de col·legi (com El niño con el pijama de rayas, que ja només pel títol sembla una redacció),... per què collons es maten els que escriuen millor, i en canvi els dolents no només no s'amarguen amb la seva prosa vulgar, sinó que es tornen més prolífics cada dia?
4. (A grande teoria irrefletida de Oriol.) Sé que això no només passa amb la literatura, sinó també amb la pintura, la música i altres arts. (Per sort meva, amb el cine no passa: el cine és més de morts tràgiques en accidents de cotxe i coses per l'estil, no sé si perquè són més espectaculars cinematogràficament parlant, si perquè el cine no és un art individual, o si, simplement, perquè el cine no és un art, com pensaria qualsevol persona que només hagués vist les pel·lícules fetes els darrers 20 anys.) I, com ja deus haver imaginat, tinc una gran teoria al respecte.
Òbviament la meva opinió va pels camins de l'artista que viu la seva obra; que és conscient de la seva mediocritat fins i tot quan assoleix els nivells més brillants, perquè és justament llavors quan s'adona de la distància que separa el seu talent del poder creatiu de la naturalesa; que s'adona de la futilitat del seu esforç; etc. Però això ja s'ha dit molts cops i no és divertit. Jo avui prefereixo llançar-me al fang del sensacionalisme i l'escriptura lliure i irreflexiva, molt més divertida, i dir coses com que els bons escriptors que encara estan vius són bons perquè encara no s'han suïcidat, però ho faran.
O que si l'amic Paul Auster (a qui admiro) s'hagués suïcidat fa tres llibres, hauria passat a la història com a un escriptor millor del que finalment acabarà sent considerat si continua així. (Tot i que jo tampoc no em mataria si tingués un piset a Nova York, una dona intel·ligent i guapa, reputació mundial, i pogués viure com volgués i fer el que volgués). O dir que el que hauríem de fer tots és no llegir cap llibre de cap escriptor que no s'hagués suïcidat (això, sens dubte, seria mal rebut pels familiars de molts escriptors.) O que els escriptors que després de publicar es queden vius i cobrant els drets de la seva obra són uns hipòcrites pesseters.
5. (O exemplo de Gerard e os mestres da literatura do Japão.) No sé, el Gerard (un gran lector, per cert) durant un temps de la seva vida es va marcar el principi literari de llegir només escriptors que s'haguessin suïcidat, i a poder ser japonesos (el suïcidi es porta més a Orient que aquí). Ara ja no segueix aquesta màxima, però sempre diu que fliparies amb els grans descobriments literaris que va fer (moltes vegades, d'autors que només havien escrit un o dos llibres abans de matar-se).
És clar que això xoca frontalment amb la meva màxima com a lector, segons la qual només llegeixo autors vius (màxima que em salto, però no gaire). Encara que a vegades d'això en resulti que després de llegir unes quantes pàgines pensi "a aquest paio l'haurien de matar".
6. (Justificante da reflexão irrefletida e alguns desvarios.) En definitiva, no sé per què passa (tot i tenir la meva teoria), però feia dies que hi pensava i tenia ganes d'expressar el meu punt de vista sobre el tema dels escriptors suïcides i el perquè sembla que els que se senten més atrets per aquesta pulsió autodestructiva són els que tenen més talent creatiu.
I volia fer-ho d'una manera alegre i divertida, traient ferro a l'assumpte, més que res perquè ets el meu germà, ets *****, crec que ***** i, almenys de moment, no massa prolífic, la qual cosa, segons el meu rànquing de causes que porten un escriptor a suïcidar-se (explicat perfectament al 4t capítol de la meva teoria), et dóna uns quants punts.
Per això et dic que si mai et passa pel cap (després de publicar una gran novel·la, això sí) cometre un acte tan romàntic com un suïcidi literari per situar-te a l'Olimp de la història de la literatura, pensis immediatament en l'amic Auster i t'adonis que hi ha altres camins a la vida i que no només l'escriptura pot fer-te feliç (pensa, de fet, abans que en l'Auster, en ***** ***** *****, sambar als carnavals o banyar-te a Noronha amb les tortugues). A més, si et mates ja no podré llegir els teus llibres (seguint la meva màxima) i això em tocaria molt els *****.
7. (PS:) Grande Foster Wallace. A veure si algú a Barcelona s'anima a reeditar les seves novel·les, prometem no suïcidar-nos en massa després de llegir-les.
PS do Roger: Procurando na Internet a forma correta de escrever "não têm se suicidado", dei-me de cara com a seguinte qüestão: "O capitalismo pode se considerar inocente diante do número alarmante de escritores que têm se suicidado nos últimos 100 anos?". O link leva para o Jornal do Brasil, mas eu não vou ler agora essa reflexão, que deve ser séria em vez de irrefletida que nem a do meu irmão.
*"Love In The Afternoon", Legião Urbana.
*PS: Pode haver mais respostas em uma canção...

NYT
1. (Por que os melhores escritores se suicidam, e aqueles que deveriam se suicidar, não?) Fa uns dies que una qüestió em ronda el cap: per què els escriptors que se suïciden són els bons, i els dolents, en canvi, segueixen publicant i publicant sense parar fins que la mort natural se'ls emporta (normalment, molt tard), no sense abans haver pogut deixar acabats un parell de llibres que els seus familiars publicaran per treure pasta?
2. (Podemos confiar nos escritores que não têm se suicidado?) Ja sé que el que em pregunto no és nou, però m'ha vingut al cap recentment pel tema de l'amic Foster Wallace. Et diré, primer de tot, que costa molt trobar llibres d'aquest home a Barcelona, però m'he començat a llegir un llibre de contes seu (les seves novel·les no es troben, ni a la Fnac), i, una vegada més, es compleix la norma artística segons la qual "el que se suïcida era bo". D'aquí la meva pregunta: ens podem fiar dels escriptors que no s'han suïcidat?
3. (O que deveria deixar feliz um escritor é escrever bem, não escrever redações escolares.) Res més lluny de la meva intenció que promoure la idea de què si un no se suïcida és perquè no és bon escriptor, però la veritat és que sorprèn veure el talent i la qualitat de tots els autors que, al llarg de la història, s'han anat matant, mentre que homes com l'amic Bucay, que inunden les llibreries de tot el món de paper (arbres tallats), no només no es treuen la vida, sinó que van pel món fent de gurús feliços capaços d'ensenyar la gent a ser feliç.
A veure: si el que hauria de fer feliç un escriptor és escriure bé, i allò que l'hauria de fer sentir desgraciat és escriure redaccions de col·legi (com El niño con el pijama de rayas, que ja només pel títol sembla una redacció),... per què collons es maten els que escriuen millor, i en canvi els dolents no només no s'amarguen amb la seva prosa vulgar, sinó que es tornen més prolífics cada dia?
4. (A grande teoria irrefletida de Oriol.) Sé que això no només passa amb la literatura, sinó també amb la pintura, la música i altres arts. (Per sort meva, amb el cine no passa: el cine és més de morts tràgiques en accidents de cotxe i coses per l'estil, no sé si perquè són més espectaculars cinematogràficament parlant, si perquè el cine no és un art individual, o si, simplement, perquè el cine no és un art, com pensaria qualsevol persona que només hagués vist les pel·lícules fetes els darrers 20 anys.) I, com ja deus haver imaginat, tinc una gran teoria al respecte.
Òbviament la meva opinió va pels camins de l'artista que viu la seva obra; que és conscient de la seva mediocritat fins i tot quan assoleix els nivells més brillants, perquè és justament llavors quan s'adona de la distància que separa el seu talent del poder creatiu de la naturalesa; que s'adona de la futilitat del seu esforç; etc. Però això ja s'ha dit molts cops i no és divertit. Jo avui prefereixo llançar-me al fang del sensacionalisme i l'escriptura lliure i irreflexiva, molt més divertida, i dir coses com que els bons escriptors que encara estan vius són bons perquè encara no s'han suïcidat, però ho faran.
O que si l'amic Paul Auster (a qui admiro) s'hagués suïcidat fa tres llibres, hauria passat a la història com a un escriptor millor del que finalment acabarà sent considerat si continua així. (Tot i que jo tampoc no em mataria si tingués un piset a Nova York, una dona intel·ligent i guapa, reputació mundial, i pogués viure com volgués i fer el que volgués). O dir que el que hauríem de fer tots és no llegir cap llibre de cap escriptor que no s'hagués suïcidat (això, sens dubte, seria mal rebut pels familiars de molts escriptors.) O que els escriptors que després de publicar es queden vius i cobrant els drets de la seva obra són uns hipòcrites pesseters.
5. (O exemplo de Gerard e os mestres da literatura do Japão.) No sé, el Gerard (un gran lector, per cert) durant un temps de la seva vida es va marcar el principi literari de llegir només escriptors que s'haguessin suïcidat, i a poder ser japonesos (el suïcidi es porta més a Orient que aquí). Ara ja no segueix aquesta màxima, però sempre diu que fliparies amb els grans descobriments literaris que va fer (moltes vegades, d'autors que només havien escrit un o dos llibres abans de matar-se).
És clar que això xoca frontalment amb la meva màxima com a lector, segons la qual només llegeixo autors vius (màxima que em salto, però no gaire). Encara que a vegades d'això en resulti que després de llegir unes quantes pàgines pensi "a aquest paio l'haurien de matar".
6. (Justificante da reflexão irrefletida e alguns desvarios.) En definitiva, no sé per què passa (tot i tenir la meva teoria), però feia dies que hi pensava i tenia ganes d'expressar el meu punt de vista sobre el tema dels escriptors suïcides i el perquè sembla que els que se senten més atrets per aquesta pulsió autodestructiva són els que tenen més talent creatiu.
I volia fer-ho d'una manera alegre i divertida, traient ferro a l'assumpte, més que res perquè ets el meu germà, ets *****, crec que ***** i, almenys de moment, no massa prolífic, la qual cosa, segons el meu rànquing de causes que porten un escriptor a suïcidar-se (explicat perfectament al 4t capítol de la meva teoria), et dóna uns quants punts.
Per això et dic que si mai et passa pel cap (després de publicar una gran novel·la, això sí) cometre un acte tan romàntic com un suïcidi literari per situar-te a l'Olimp de la història de la literatura, pensis immediatament en l'amic Auster i t'adonis que hi ha altres camins a la vida i que no només l'escriptura pot fer-te feliç (pensa, de fet, abans que en l'Auster, en ***** ***** *****, sambar als carnavals o banyar-te a Noronha amb les tortugues). A més, si et mates ja no podré llegir els teus llibres (seguint la meva màxima) i això em tocaria molt els *****.
7. (PS:) Grande Foster Wallace. A veure si algú a Barcelona s'anima a reeditar les seves novel·les, prometem no suïcidar-nos en massa després de llegir-les.
PS do Roger: Procurando na Internet a forma correta de escrever "não têm se suicidado", dei-me de cara com a seguinte qüestão: "O capitalismo pode se considerar inocente diante do número alarmante de escritores que têm se suicidado nos últimos 100 anos?". O link leva para o Jornal do Brasil, mas eu não vou ler agora essa reflexão, que deve ser séria em vez de irrefletida que nem a do meu irmão.
*"Love In The Afternoon", Legião Urbana.
*PS: Pode haver mais respostas em uma canção...

NYT
Thursday, October 02, 2008
De nuevo los pingüinos

Zero Hora
Hace unos seis meses, estos pingüinos de Magallanes se pasaron de largo en su migración al norte. Muy de largo. Espabilados, en lugar de quedarse en el litoral sin gracia del estado de São Paulo, siguieron viaje hasta las playas de Salvador, donde han pasado el invierno calentitos y disfrutando de la hospitalidad y la comida bahianas. Ahora, cabizbajos, son obligados a desfilar de vuelta. Caminan para subir a un avión que les llevará de Salvador a Pelotas; de Pelotas irán en camión a Rio Grande, y en Rio Grande serán devueltos al mar, para que otra corriente les lleve a pasar el verano a las aguas frías del fin del mundo. Mundo cruel.
Friday, September 26, 2008
Diálogo sobre a função da arte a partir de um texto de Eduardo Galeano
A função da arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: Me ajuda a olhar!
- Peraí. Se o menino ficou mudo de beleza, por que perguntou ao pai?
- Perguntou ao pai para entender por que isso mexeu tanto com ele.
- Pois não precisava. Devia ser um menino superdotado, supersensível.
- Mas se ele entendesse melhor, ia apreciar com mais gosto e mais a fundo.
- Não tinha como apreciar com mais gosto e mais a fundo. Ficou mudo. Queria entender por que isso mexeu com ele? Isso não é o principal.
- Acontece que ninguém disse que era o principal. O menino quis saber depois de ter o primeiro contato. Não acho que isso se sobreponha à sensação.
- Pode ser que se sobreponha à sensação.
- Vou surtar. O mais lindo do poema é a mudez do Diego face à beleza e imensidão do mar, OK? Mas o poema continua, e a segunda parte também é interessante. Olha o título, "A função da arte".
- A arte tem essa função, mas também a função estética. O poema mistura as duas, esse é o problema.
- Chega. Senão isso vira um romance.
- Meu irmão já não sabe ver cinema, estudou demais.
- Hoje eu fui à natação.
- Vá com cuidado com essa teoria.
- Foi tão bom.
- Deve ser questão de medida, como tudo, de equilíbrio.
- Pois é, acho que sim, como tudo na vida, né?
- Que bom que tu foi à natação. Sabe? O menino deve ser um pré-socrático. E quando pergunta ao pai, tudo vai por água abaixo.
- Eu vou dormir. Tu não lê direito.
PS nada a ver: Ontem vi meia hora do debate entre Obama e McCain (foi isso o que eu agüentei). Eles subestimam seu público, ou eles são assim? Tive a mesma sensação de quando vi o debate entre Royal e Sarkozy: o país merece mais do que qualquer um dos dois. Um jornalista brasileiro escreve, sobre o debate: "McCain e Obama são menores do que a crise". Concordo (e ainda bem que eles não estão sozinhos a resolvê-la, porque a crise é f***). E os brasileiros deveriam se orgulhar de seus presidentes, ao menos dos que eu "conheci", FHC e Lula.
PPS:
[Video no longer available.]
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: Me ajuda a olhar!
- Peraí. Se o menino ficou mudo de beleza, por que perguntou ao pai?
- Perguntou ao pai para entender por que isso mexeu tanto com ele.
- Pois não precisava. Devia ser um menino superdotado, supersensível.
- Mas se ele entendesse melhor, ia apreciar com mais gosto e mais a fundo.
- Não tinha como apreciar com mais gosto e mais a fundo. Ficou mudo. Queria entender por que isso mexeu com ele? Isso não é o principal.
- Acontece que ninguém disse que era o principal. O menino quis saber depois de ter o primeiro contato. Não acho que isso se sobreponha à sensação.
- Pode ser que se sobreponha à sensação.
- Vou surtar. O mais lindo do poema é a mudez do Diego face à beleza e imensidão do mar, OK? Mas o poema continua, e a segunda parte também é interessante. Olha o título, "A função da arte".
- A arte tem essa função, mas também a função estética. O poema mistura as duas, esse é o problema.
- Chega. Senão isso vira um romance.
- Meu irmão já não sabe ver cinema, estudou demais.
- Hoje eu fui à natação.
- Vá com cuidado com essa teoria.
- Foi tão bom.
- Deve ser questão de medida, como tudo, de equilíbrio.
- Pois é, acho que sim, como tudo na vida, né?
- Que bom que tu foi à natação. Sabe? O menino deve ser um pré-socrático. E quando pergunta ao pai, tudo vai por água abaixo.
- Eu vou dormir. Tu não lê direito.
PS nada a ver: Ontem vi meia hora do debate entre Obama e McCain (foi isso o que eu agüentei). Eles subestimam seu público, ou eles são assim? Tive a mesma sensação de quando vi o debate entre Royal e Sarkozy: o país merece mais do que qualquer um dos dois. Um jornalista brasileiro escreve, sobre o debate: "McCain e Obama são menores do que a crise". Concordo (e ainda bem que eles não estão sozinhos a resolvê-la, porque a crise é f***). E os brasileiros deveriam se orgulhar de seus presidentes, ao menos dos que eu "conheci", FHC e Lula.
PPS:
[Video no longer available.]
Foto de la Fundació Iberê Camargo, la nova joia de Porto Alegre
... Sobre la qual ja he escrit més d'una vegada, però que encara no he visitat. Enviada per la Gabriela (gràcies!).

Gabriela Floriani
Fundação Iberê Camargo
Gabriela Floriani
Fundação Iberê Camargo
Monday, September 22, 2008
Folklore catalão (respondendo a uma petição)
Meu irmão Ramon, que há tempo diz que não lê nem quer saber nada do meu blog porque escrevo sempre em português (o que não é verdade, mas enfim) mandou ontem esta mensagem (que eu vou ter que traduzir, né, irmãozinho?):
"Hola, ja sé que això no va així i que no admets peticions, però crec que per una vegada ho pots fer. Com que el teu blog necessita parlar una mica més del teu país, dels teus orígens, dels quals sembles renegar, t'adjunto unes imatges fresquetes perquè facis un petit article al blog. Ja sé que no t'agrada tractar el tema de les festes populars nostrades, provincianetes per tu, però un escriptor creatiu com tu sabrà treure-li suc i donar-li la volta. Els teus lectors catalans ho mereixen."
Mais ou menos: "Sei que tu não aceitas petições, mas podias fazê-lo pelo menos uma vez. Como teu blog deve falar um pouco mais de teu país, de tuas origens, das quais tu pareces renegar, adiciono algumas imagens bem recentes para que escrevas um post. Sei que tu não gostas de tratar do assunto das festas populares, tão nossas, para ti provincianas, mas alguém como tu saberá lalalalá [aqui ele esculhamba minha capacidade para escrever]. Teus leitores catalães merecem".
Tuuudo falso. E, em qualquer caso, irmão, meus leitores (amigos, na verdade; leitores, assim, em abstrato, não tenho muitos) brasileiros merecem, não é? Ou vou ter que explicar para os amigos catalães as tradições catalãs? E ainda desde o Brasil? Tu já leu o título do blog? E a frasezinha em inglês?
Bom:
Amigos brasileiros,
Eu respondi que se ele mandava uma foto de um "tres de deu", eu postava, mas ele mandou três fotos: em duas delas, não dá para enxergar nada, e na outra há um dragão jorrando fogo pela boca. Essa eu vou postar, sim. Mas será que é específico da Catalunya, essa coisa de brincar com fogo? Não acho, não. Mais típico seria até ter mandado uma foto de uma catalãzinha bonitinha (o Ronaldo ia gostar). Eis, enfim, a foto, a terceira foto, tirada um dia das festas patronais de Barcelona, que são agora (mas podia ter sido tirada nas festas patronais de cidades como Vilafranca, Sitges, Vilanova, etc.) (Acredito que até no Japão tem isso. Yuji?)

Ramon Cardús
Que eu renego de meu país? Não renego. Mas nunca me importei com "países". Que eu não gosto de provincianismos? Não gosto. (Nem de nacionalismos, bairrismos, etc.) (Mas quem se importa? Com o que eu me importo, quero dizer.)
Ah, e tem outra: meu irmão Ramon foi numa festa em que estava Penélope Cruz, a première (que chique) do filme Vicky, Cristina, Barcelona, de Woody Allen (que chique 2); isso não porque ele seja uma star, mas porque a mulher dele, minha querida Nèlia, organizava o catering. Ele estava lá, com sua (ou suas) super câmera(s), e não tirou nenhuma foto dela (ficou tirando fotos artísticas do veludo vermelho do tapete). Isso, irmão, essa foto, mesmo que a mulher não seja catalã, teria merecido um post enorme (e eu iria até tirar um sarro do sotaque espanhol dela: ninguém é perfeito). Mas tu mandou o dragão.
PS: Um "tres de deu" é isto. (Catalão autêntico, e bom para roubar em andares altos.) (Não, OK: dessa tradição eu gosto mesmo, é legal assistir a "castells".)

PS2: Acho que meu irmão, na verdade, tem medo de me perder porque escrevo nesta língua estranha.
"Hola, ja sé que això no va així i que no admets peticions, però crec que per una vegada ho pots fer. Com que el teu blog necessita parlar una mica més del teu país, dels teus orígens, dels quals sembles renegar, t'adjunto unes imatges fresquetes perquè facis un petit article al blog. Ja sé que no t'agrada tractar el tema de les festes populars nostrades, provincianetes per tu, però un escriptor creatiu com tu sabrà treure-li suc i donar-li la volta. Els teus lectors catalans ho mereixen."
Mais ou menos: "Sei que tu não aceitas petições, mas podias fazê-lo pelo menos uma vez. Como teu blog deve falar um pouco mais de teu país, de tuas origens, das quais tu pareces renegar, adiciono algumas imagens bem recentes para que escrevas um post. Sei que tu não gostas de tratar do assunto das festas populares, tão nossas, para ti provincianas, mas alguém como tu saberá lalalalá [aqui ele esculhamba minha capacidade para escrever]. Teus leitores catalães merecem".
Tuuudo falso. E, em qualquer caso, irmão, meus leitores (amigos, na verdade; leitores, assim, em abstrato, não tenho muitos) brasileiros merecem, não é? Ou vou ter que explicar para os amigos catalães as tradições catalãs? E ainda desde o Brasil? Tu já leu o título do blog? E a frasezinha em inglês?
Bom:
Amigos brasileiros,
Eu respondi que se ele mandava uma foto de um "tres de deu", eu postava, mas ele mandou três fotos: em duas delas, não dá para enxergar nada, e na outra há um dragão jorrando fogo pela boca. Essa eu vou postar, sim. Mas será que é específico da Catalunya, essa coisa de brincar com fogo? Não acho, não. Mais típico seria até ter mandado uma foto de uma catalãzinha bonitinha (o Ronaldo ia gostar). Eis, enfim, a foto, a terceira foto, tirada um dia das festas patronais de Barcelona, que são agora (mas podia ter sido tirada nas festas patronais de cidades como Vilafranca, Sitges, Vilanova, etc.) (Acredito que até no Japão tem isso. Yuji?)

Ramon Cardús
Que eu renego de meu país? Não renego. Mas nunca me importei com "países". Que eu não gosto de provincianismos? Não gosto. (Nem de nacionalismos, bairrismos, etc.) (Mas quem se importa? Com o que eu me importo, quero dizer.)
Ah, e tem outra: meu irmão Ramon foi numa festa em que estava Penélope Cruz, a première (que chique) do filme Vicky, Cristina, Barcelona, de Woody Allen (que chique 2); isso não porque ele seja uma star, mas porque a mulher dele, minha querida Nèlia, organizava o catering. Ele estava lá, com sua (ou suas) super câmera(s), e não tirou nenhuma foto dela (ficou tirando fotos artísticas do veludo vermelho do tapete). Isso, irmão, essa foto, mesmo que a mulher não seja catalã, teria merecido um post enorme (e eu iria até tirar um sarro do sotaque espanhol dela: ninguém é perfeito). Mas tu mandou o dragão.
PS: Um "tres de deu" é isto. (Catalão autêntico, e bom para roubar em andares altos.) (Não, OK: dessa tradição eu gosto mesmo, é legal assistir a "castells".)

PS2: Acho que meu irmão, na verdade, tem medo de me perder porque escrevo nesta língua estranha.
Sunday, September 21, 2008
Tchau anjinho
Hoje, quando uma das moças da Confeitaria Maomé me disse, ao sair, "Tchau anjinho, até a mais", pensei, bom, vou ter que escrever sobre isso, não posso esperar. (Uma hora antes ela já tinha me servido, e inclusive sabia onde eu ia querer sentar, pois ultimamente vou lá aos domingos, com meu jornal, quando os cafés do Centro fecham, mas isso não é relevante.) O que eu quero dizer é que os negros, em Porto Alegre - os negros gaúchos -, costumam ser naturalmente queridos comigo (e, assim como o são comigo, o devem ser com todo o mundo): sorriem para mim, me fazem algum comentário amável, quem sabe alguma pergunta oportuna, ou iniciam algum tipo de conversação (às vezes simplesmente sobre a torta que eu pedi). Me refiro, por exemplo, às moças negras (não são muitas, há mais moças brancas) dos bares da universidade (cafeteria do prédio 8, cafeterias-restaurante dos prédios 40 e 50); às moças e moços de algumas cafeterias do Centro; às cobradoras de ônibus (T1); aos taxistas (poucos; há poucos taxistas negros). Qual é o motivo? Tenho minhas hipóteses (e não sou o primeiro em reparar no fato), mas fica aqui somente a constatação. E, também, mesmo que ninguém o leia, meu agradecimento, porque esse tipo de coisas são as que muitas vezes fazem a diferença, e podem até deixar uma pessoa feliz.
Friday, September 19, 2008
Tortugas en Fernando de Noronha
De la sexta y última etapa del viaje de Uri, Marc y Manu a Brasil. (Vídeo de Uri.)
Uri y sus compinches persiguiendo tortugas. Cuando yo fui, esto no estaba permitido. Estas tortugas vivirán estresadas el resto de sus vidas. Y no pondrán huevos ni nada.
PS: Projeto TAMAR.
Wednesday, September 17, 2008
Delfines en Fernando de Noronha
De la sexta y última etapa del viaje de Uri, Marc y Manu a Brasil. (Vídeo de Uri.)
PS nada a ver (ou alguma coisa a ver com o post de ontem): E os Estados Unidos continuam restatizando tudo, como se fossem a Venezuela. Quem ia dizer. Viver para ver. O livre mercado. Ha. Ha. Cadê os economistas e políticos neocon, com suas teorias? O dinheiro do povo ao resgate de empresas arrasadas por seus donos... Por quê não deixam esses ricaços se foder? Pagar pelo que fizeram? Vergonha de país. Vergonha de sistema. Felizes os golfinhos...
Tuesday, September 16, 2008
(The World Is an) Infinite Jest
Não sei por que, mas me afetou especialmente saber da morte de David Foster Wallace, que se enforcou na sexta-feira passada em sua casa de California. Nunca li ele (se li algum conto na New Yorker, não me lembro). Talvez porque eu sabia que era um grande escritor, que eu ia ler ele algum dia? A Kris me falou nele há pouco (me falou, não me escreveu, pois a gente se viu! :) Me disse que não tinha conseguido terminar de ler Infinite Jest (La Broma Infinita é o título em espanhol) - esse romance cheio de notas de rodapé, de 1.070 páginas. Mas não é por isso. Nem por ele ter só 46 anos (e ser, portanto, apesar de tudo o que já tinha escrito, uma promessa da literatura norte-americana). Acho que a morte trágica dele me afetou sem me surpreender, me impactou, mais que outra coisa, como um - como se diz em inglês - sign of the times. Eu sabia pouco dele. Sabia que seus livros eram bons e difíceis. Intuía que ele era um escritor lúdico, brincalhão. Mas não sabia que seus livros podiam ser, também, lancinantes; nem que ele, a pessoa, era o que a gente chama uma "alma atormentada". E muito menos ainda que ele escrevia graças à força que lhe davam os medicamentos contra a depressão, doença que ele sofria há 20 anos, desde que publicou seu primeiro livro, com quase 30 anos. Só agora fui procurar as críticas, com vontade de saber realmente o que ele escreveu. Gostei de ler este comentário de Michiko Kakutani, do New York Times: "David Foster Wallace é capaz de fazer qualquer coisa que se proponha. Ele pode ser triste, divertido, louco, pungente e absurdo com a mesma facilidade; e ainda tudo isso ao mesmo tempo". Também segundo o NYT, Infinite Jest tem como fundo uma sociedade norte-americana obsessionada em si mesma, obsessionada pelo prazer, e obsessionada pelo entretenimento. Perguntado pela revista Salon sobre o que era para ele ser um norte-americano no fim do século XX, o escritor disse que era alguma coisa triste, mas não em relação com as notícias ou os eventos do momento: "É uma tristeza mais ao nível do estômago. Vejo isso em mim e em meus amigos de diferentes maneiras. Se manifesta como uma espécie de estar ou se sentir perdido". Não relacionei a notícia da morte de DFW com a morte de Kurt Cobain - apesar de existir um parecido físico entre eles - porque eu não "vivi" a morte de Kurt Cobain; mas a relacionei com a tristeza e o desespero quieto, conformado, dos últimos filmes de Gus Van Sant. E, relendo essa frase sobre a tristeza no estômago, penso imediatamente nas personagens de Angels in America, de Tony Kushner, obra, essa sim, que me marcou e que eu conheço bem. (DFW escreveu também dois livros de contos, Brief Interviews With Hideous Men e Oblivion, e dois de ensaios, A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again e Consider the Lobster; em português existe, editado pela Companhia das Letras, Breves entrevistas com homens hediondos.)PS: No sábado, na Folha, em um longo artigo titulado "Obama, o preço de ser negro", traduzido da New York Review of Books, Andrew Hacker expressava seu sentimento persistente de que o fato de Obama ser negro pode virar a eleição contra ele em 4 de novembro (não só pelo fato de os brancos não estar dispostos a votar nele, mas também pelos impedimentos legais que os negros tem, em alguns Estados, para votar). Que Obama possa perder essa eleição por ser negro me deixa imensamente triste. No domingo, um outro artigo, "O impacto da possível derrota de Obama", de Jonhatan Freedland, traduzido do The Guardian pelo Estado de S. Paulo, parecia responder ao primeiro: "Se for determinado que o fator decisivo foi o racial - que Obama foi rejeitado por causa da cor da sua pele -, o veredicto do mundo será severo". E, também - relacionado com aquela "dor de ser" norte-americano hoje: "Os democratas anti-Bush ficarão novamente de luto, sentindo-se alienados no próprio país. Uma geração de jovens americanos - que apóiam Obama em massa - se tornará cínica, concluindo que a política não funciona afinal. E, o mais deprimente, muitos afroamericanos decidirão que se nem Barack Obama - com todas as suas qualidades evidentes - foi capaz de vencer, então nenhum negro jamais conseguirá se eleger presidente".
PS2: Na foto, a fonte Bethesda, em Central Park, Nova York, onde se passa a última cena da peça Angels in America (em que existe ainda um raio de esperança). (Também, meu lugar preferido do parque.)
Friday, September 12, 2008
Angústia, de Graciliano Ramos
Livro bem escrito, muito bem escrito, e chato. Sem densidade, sem quase descrição; nada que permita ao leitor mergulhar na história: é frase só. Frases com um nível de leitura; frases sem nada escondido por trás; frases sem cor, cheiro ou sabor. Cuidado com corrigir em excesso, disse Clarice Lispector, porque isso pode deixar um livro seco. Seria essa a intenção do autor? Mas, qual o motivo? O enredo também não ajuda: o homem rejeitado vê a mulher amada ficar com outro. (Você não viveu isso?) Parte interessante: no final, ele enlouquece (isso está antecipado no início). Mas na página 200 o homem ainda está são.PS: Há tempo, em um vôo para Barcelona, li S. Bernardo, do mesmo autor, que me disseram ser melhor que Vidas secas, e não lembro de nada. Livro bem escrito e seco, também.
PS2: "Não pinga do pano uma só gota".
Thursday, September 11, 2008
Two Parallel Lines
NYT
See The Indelible Imagery of Two Parallel Lines.
PS nada a ver: Cuba:

Zero Hora
Minha querida Clotilde está lá! :(
Sunday, September 07, 2008
El 7 de septiembre (Mecano)
Aproveito a data para dar a conhecer Mecano aos brasileiros que não conheçam. Há umas semanas, no Rio, no primeiro táxi que eu peguei com meu irmão e seus dois amigos estava tocando Legião Urbana no rádio. (E ainda a gente estava indo para o Circo Voador!) Eu falei: "Uri, Legião". E ele disse para seus amigos que Legião era "uma espécie de Mecano do Brasil". Não gostei muito da comparação, porque Mecano é mais pop, Legião mais pop-rock; e, também, porque Legião eu ainda escuto, e Mecano, eu escutei muito, mas já não. Mas o Uri estava certo em uma coisa: assim como nunca houve banda mais popular no Brasil, também não houve banda mais popular na Espanha; as duas são bandas que representam bem os 80; as duas fazem parte da formação sentimental de milhões de jovens; e as canções das duas têm letras inesquecíveis. Nesta, "El 7 de septiembre", sobre um casal que terminou, Ana Torroja canta:
"El 7 de septiembre es nuestro aniversario
Y no sabemos si besarnos en la cara o en los labios."
E:
"Y aunque empeñados en soplar
Hay llamas que ni con el mar."
Feliz 7 de setembro, feriado nacional (Independência do Brasil, 7 de setembro de 1822).
PS: Y para los no brasileños aprovecho para explicar que en días festivos como el de hoy los autobuses en Porto Alegre, y como en Porto Alegre en la mayoría de capitales de Brasil, son gratis, y que esos son los días en que muchos de los pobres que viven en las afueras pueden permitirse venir al centro de la ciudad. Hoy, por ejemplo, aquí en Porto Alegre habrá más gente que nunca en los centros comerciales y hay más gente que nunca viendo la puesta de sol a la orilla del río.
"El 7 de septiembre es nuestro aniversario
Y no sabemos si besarnos en la cara o en los labios."
E:
"Y aunque empeñados en soplar
Hay llamas que ni con el mar."
Feliz 7 de setembro, feriado nacional (Independência do Brasil, 7 de setembro de 1822).
PS: Y para los no brasileños aprovecho para explicar que en días festivos como el de hoy los autobuses en Porto Alegre, y como en Porto Alegre en la mayoría de capitales de Brasil, son gratis, y que esos son los días en que muchos de los pobres que viven en las afueras pueden permitirse venir al centro de la ciudad. Hoy, por ejemplo, aquí en Porto Alegre habrá más gente que nunca en los centros comerciales y hay más gente que nunca viendo la puesta de sol a la orilla del río.
Thursday, September 04, 2008
Mis problemas con la natación
(Este post no tiene nada que ver con Brasil ni con Dublín.)
Desde los 14 hasta los 18 años nadé. Según mi traumatólogo, Dr. Segura, que era contra el uso de fajas, nadar era el único ejercicio que podía hacer que mi escoliosis no se agravara. Tenía, según él, que nadar hasta que terminara mi crecimiento (el crecimiento termina a diferentes edades: puede saberse que alguien ya no crecerá en altura - con una simple radiografía - según la forma de no sé qué hueso de la base de la columna - sacro?). Hasta los 14 nadé en el Colegio Padre Manyanet, de mi barrio. Pero la profesora decía que nadaba poco y lento, así que, confabulada con mi médico, me mandó a nadar a la Piscina Olímpica de Montjuïc (que entonces no era olímpica, pues estoy hablando de antes de los Juegos; era de dimensiones olímpicas, es decir, de 50 metros, no como la del Manyanet y la mayoría de piscinas, que son de 25). Hacía algunos años que el Acuario de Barcelona había quedado pequeño (en realidad, toda Barcelona era un pequeño desastre antes del 92), y el ayuntamiento había trasladado algunos peces grandes a la Piscina Picornell (después, Piscina Olímpica). En esa piscina, en esa época, se hizo entrenar por fuerza a los a los mejores waterpolistas catalanes (y a algunos nadadores profesionales; pero Catalunya nunca fue buena en natación). Y ahí es donde yo nadé, durante cuatro años, de lunes a viernes, tan rápido como nunca he vuelto a nadar. En esa piscina, con esos peces, no había otra opción. (La táctica para que no se acercaran era gritar debajo del agua; no me lo enseñaron, lo aprendí en un manual de la Marina de EE UU.) Pero el tratamiento - sádico - no dio resultado. Esos años de natación forzada me dejaron las espaldas anchas (en sentido literal, no figurado: tengo poca paciencia) para toda la vida pero no hicieron que mi escoliosis dejara de crecer. Es decir, dejó de crecer cuando yo dejé de crecer. Cuando tenía 18 años y mi escoliosis 40º. Entonces, sólo entonces, cuando aquel hueso cuyo nombre no sé ya se había cerrado y yo no había de crecer más en centímetros, pude volver al Padre Manyanet. Pero ya no quise saber nada de la tranquila piscina de 25 metros: fui directamente a la pista de condicionamiento físico, donde Iván, el profesor, fue siempre muy amable conmigo y me trató mucho mejor que los profesores de natación que he tenido. La foto de la Piscina Olímpica es de mi hermano Ramon (que nunca nadó: él jugaba a baloncesto).

Wikipedia

Ramon Cardús
Desde los 14 hasta los 18 años nadé. Según mi traumatólogo, Dr. Segura, que era contra el uso de fajas, nadar era el único ejercicio que podía hacer que mi escoliosis no se agravara. Tenía, según él, que nadar hasta que terminara mi crecimiento (el crecimiento termina a diferentes edades: puede saberse que alguien ya no crecerá en altura - con una simple radiografía - según la forma de no sé qué hueso de la base de la columna - sacro?). Hasta los 14 nadé en el Colegio Padre Manyanet, de mi barrio. Pero la profesora decía que nadaba poco y lento, así que, confabulada con mi médico, me mandó a nadar a la Piscina Olímpica de Montjuïc (que entonces no era olímpica, pues estoy hablando de antes de los Juegos; era de dimensiones olímpicas, es decir, de 50 metros, no como la del Manyanet y la mayoría de piscinas, que son de 25). Hacía algunos años que el Acuario de Barcelona había quedado pequeño (en realidad, toda Barcelona era un pequeño desastre antes del 92), y el ayuntamiento había trasladado algunos peces grandes a la Piscina Picornell (después, Piscina Olímpica). En esa piscina, en esa época, se hizo entrenar por fuerza a los a los mejores waterpolistas catalanes (y a algunos nadadores profesionales; pero Catalunya nunca fue buena en natación). Y ahí es donde yo nadé, durante cuatro años, de lunes a viernes, tan rápido como nunca he vuelto a nadar. En esa piscina, con esos peces, no había otra opción. (La táctica para que no se acercaran era gritar debajo del agua; no me lo enseñaron, lo aprendí en un manual de la Marina de EE UU.) Pero el tratamiento - sádico - no dio resultado. Esos años de natación forzada me dejaron las espaldas anchas (en sentido literal, no figurado: tengo poca paciencia) para toda la vida pero no hicieron que mi escoliosis dejara de crecer. Es decir, dejó de crecer cuando yo dejé de crecer. Cuando tenía 18 años y mi escoliosis 40º. Entonces, sólo entonces, cuando aquel hueso cuyo nombre no sé ya se había cerrado y yo no había de crecer más en centímetros, pude volver al Padre Manyanet. Pero ya no quise saber nada de la tranquila piscina de 25 metros: fui directamente a la pista de condicionamiento físico, donde Iván, el profesor, fue siempre muy amable conmigo y me trató mucho mejor que los profesores de natación que he tenido. La foto de la Piscina Olímpica es de mi hermano Ramon (que nunca nadó: él jugaba a baloncesto).

Wikipedia

Ramon Cardús
Tuesday, September 02, 2008
Calentamiento global
Mi hermano Ramon, además de un hombre casado, es un hombre muy generoso, y se ha traído de la Patagonia un grupo de pingüinos emperadores amenazados por el deshielo polar. No sé qué dirá Nelia de las tendencias écolo de Ramon. De momento parece tomárselo bien, viendo la tele (bien abrigada, eso sí).

Ramon Cardús
PS: Para quienes quieran imitar a Ramon (ahora que los pingüinos están llegando a las costas de Brasil), atención a esta nota de El País (03/07/2008): "Las autoridades avisan a quienes encuentran pingüinos que no los metan en agua helada. Algunos llegan a meterlos en la nevera y muchos acaban muriendo". Los pingüinos quieren frío, pero no demasiado.

Ramon Cardús
PS: Para quienes quieran imitar a Ramon (ahora que los pingüinos están llegando a las costas de Brasil), atención a esta nota de El País (03/07/2008): "Las autoridades avisan a quienes encuentran pingüinos que no los metan en agua helada. Algunos llegan a meterlos en la nevera y muchos acaban muriendo". Los pingüinos quieren frío, pero no demasiado.
Monday, September 01, 2008
Volta à vagabundagem
"Quando, no intento de harmonizar trabalho e festa, os que encontram nos livros motivo de prazer cedem à tentação de ensinar o que, neles, leitores, é menos um saber que uma vivência, estão perdidos".
Tem razão. O magistério, para ser devidamente exercido, implica o estabelecimento de sistemas, condena o vago e o intuitivo, reclama estudos metódicos, leva enfim a um tipo de conhecimento útil, ordenado, sólido, funcional, respeitável - e falto de alegria. Ora, há na freqüentação aos textos literários algo de errante, e não me arrependo de haver preservado em mim essa vagabundagem afortunada.
Osman Lins, A Rainha dos Cárceres da Grécia
PS: Eu, que não gosto de metaficção, adorei este livro.
Tem razão. O magistério, para ser devidamente exercido, implica o estabelecimento de sistemas, condena o vago e o intuitivo, reclama estudos metódicos, leva enfim a um tipo de conhecimento útil, ordenado, sólido, funcional, respeitável - e falto de alegria. Ora, há na freqüentação aos textos literários algo de errante, e não me arrependo de haver preservado em mim essa vagabundagem afortunada.
Osman Lins, A Rainha dos Cárceres da Grécia
PS: Eu, que não gosto de metaficção, adorei este livro.
Sunday, August 31, 2008
Mientras tanto, en España, o mejor, en Espiells...
... mi otro hermano, Ramon, se casó con una linda mujer, Nelia. (Eu estava lá, e eu vi... :)

PS: Él es fotógrafo, y hace más de dos meses de la ceremonia, y hoy por fin ya tenemos... ¡una (1) foto! :o)
PS 2: Una boda no es para reírse, amigos. Y ellos se están cachondeando. Por eso, porque se ríen, creo, todavía están juntos. :)

PS: Él es fotógrafo, y hace más de dos meses de la ceremonia, y hoy por fin ya tenemos... ¡una (1) foto! :o)
PS 2: Una boda no es para reírse, amigos. Y ellos se están cachondeando. Por eso, porque se ríen, creo, todavía están juntos. :)
Segunda etapa del viaje (sin mí)
Do Ronaldo:
"De manhã cedo, mingau quente numa mão, rosto amassado pelo vento que vem la de Mar Grande e eu do lado do Elevador Lacerda vendo as pequenas pessoas flutuando nas águas calmas da baía, o vai e vem apressado-lento dos barcos, o estresse dos automóveis 'novos' e num sei pq 'grandes' e sempre engolindo aqueles pontos negros-coloridos de gentes tão apressadas q neeeem notam a Dona Primavera chegando, bem ali batendo nas árvores marrom-verdes (poucas pela cidade), e aquele fabuloso sobe e desce, entra e sai, para e vai das pessoas do Lacerda. Ahhh por alguns belos minutos a Bahia fica maaais gostosa... que nem essas negras bem da terra, com a cintura grande e forte, porém cheia de remelexo, cheia de swing, transando capoeira, negro, olha o Mercado, sol, amigos, nuvens esquisitas, 'dá uma esmola aê', pombos, passos corridos, cocó de pombo onde ñ devia, vento, ilha, prédio, mendigo, risadas, chuvinha, 'vai um menorzinho aí', suor (aliás só na Bahia o sol das 7h te deixa bronzeado), triste Bahia, te amo terrinha."
O Uri, o Marc e o Manu estão agora em Morro de São Paulo, e já curtiram Salvador com a Rose, a Rosa e o Ronaldo: as três R.
E a Rose!, que gravou três CD com músicas de algumas cantoras brasileiras (Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Rita Ribeiro, Maria Rita, etc.) para os três espanhóis! :)
"De manhã cedo, mingau quente numa mão, rosto amassado pelo vento que vem la de Mar Grande e eu do lado do Elevador Lacerda vendo as pequenas pessoas flutuando nas águas calmas da baía, o vai e vem apressado-lento dos barcos, o estresse dos automóveis 'novos' e num sei pq 'grandes' e sempre engolindo aqueles pontos negros-coloridos de gentes tão apressadas q neeeem notam a Dona Primavera chegando, bem ali batendo nas árvores marrom-verdes (poucas pela cidade), e aquele fabuloso sobe e desce, entra e sai, para e vai das pessoas do Lacerda. Ahhh por alguns belos minutos a Bahia fica maaais gostosa... que nem essas negras bem da terra, com a cintura grande e forte, porém cheia de remelexo, cheia de swing, transando capoeira, negro, olha o Mercado, sol, amigos, nuvens esquisitas, 'dá uma esmola aê', pombos, passos corridos, cocó de pombo onde ñ devia, vento, ilha, prédio, mendigo, risadas, chuvinha, 'vai um menorzinho aí', suor (aliás só na Bahia o sol das 7h te deixa bronzeado), triste Bahia, te amo terrinha."
O Uri, o Marc e o Manu estão agora em Morro de São Paulo, e já curtiram Salvador com a Rose, a Rosa e o Ronaldo: as três R.
E a Rose!, que gravou três CD com músicas de algumas cantoras brasileiras (Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Rita Ribeiro, Maria Rita, etc.) para os três espanhóis! :)
Friday, August 29, 2008
Ilusión
Achei esta maravilha no blog do Pedro, que ele tirou do ar, não sei por que. :(
Mis cuatro días en Rio, primera etapa del viaje a Brasil de Uri, Marc y Manu (Parte y III)
RDía 4, lunes. Primer día que desayunamos los cuatro en el albergue! Nada del otro mundo (nada parecido con el HI Laranjeiras, de Salvador). Aprovecho para puntuar el albergue Copa Hostel, como hice al salir. Del 1 al 3: Atención al cliente, 1; Desayuno, 1; Habitaciones, 3; Limpieza, 3; Internet, 3; Zonas comunes, 2; Localización, 3.
Cogemos el metro hasta Cinelândia y paseamos por la avenida Rio Branco, entre la multitud de trabajadores. Uri, Marc y Manu coinciden conmigo en que el Centro de Rio se parece a la parte baja de Manhattan. Les impresionan los edificios, su altura y sus formas rectas. Andamos hasta el final de la avenida (por error, porque no encuentro la entrada a la Travessa do Comércio). Vuelta atrás. Paseamos por la Travessa do Comércio y bajo el Arco de Telles; por la rua do Ouvidor y la rua do Carmo (es decir, la parte más antigua del centro de Rio). Y, con cierta dificultad (preguntando), llegamos a la Confeitaria Colombo: flipante, tío:

Marc está flipando y no sabe qué decir (foto de Uri).

Foto dedicada a mi madre, que cuando estuvo en Porto Alegre
se comió la mitad de los quindins de la ciudad.
Aprovechamos que las oficinas de TAM están en la misma avenida Rio Branco para confirmar todos los billetes de avión que los tres fantásticos compraron en Barcelona. Y Uri aprovecha que las oficinas están en el piso 36 (otra vez Nueva York: desde 2000 no había subido tan alto) para hacer esta super panorámica con su nueva super cámara:

Bahía de Guanabara desde el trigésimo sexto piso
de un rascacielos de la avenida Rio Branco (foto de Uri).
Rápido, porque queremos subir al Cristo antes de las cinco, cogemos el tranvía de Santa Teresa. El tranvía nos deja demasiado lejos, demasiado arriba del morro (yo aquí no me bajo, dice Uri), así que volvemos un poquito atrás con el mismo tranvía. Hasta encontrar un restaurantecito para reponer fuerzas (restaurante gay, parece: en las tres únicas mesas ocupadas hay tres parejas de homosexuales: dos hombres maduros; dos chicos; dos chicas).


Qué cerdos.
La carne ao sol da tanta fuerza a Marc que el tío se carga un vaso:

Y se queda tan panxo. Y encima dice que la culpa
es que es cristal de Bohemia. (Bohemia es la marca
de cerveza, Marc!)
Y llegamos al esperado Cristo Redentor. Abajo: a la estación del trenecito, o funicular (los cariocas lo llaman tren: trem ao Corcovado; bueno, tanto faz, es un "cremallera"). Y en la estación hay al menos 200 niños de entre 3 y 8 años, con algunas (pocas) madres de no más de 20. Un follón. Nos cargamos de paciencia, nos reímos con los niños. Una niña no deja de mirarnos. Hablo con ella. Sigue mirándonos. Al final, la madre dice que la niña quiere hacernos una foto con el móvil; dice que le sorprende la lengua rara que hablamos (yo creo, simplemente, que nos encuentra muy guapos :p).
Los niños son unos demonios: corremos tanto como podemos, pero ellos son más rápidos y más p****: no conseguimos lugar en el lado derecho del tren, que es el mejor. Por fin, llegamos arriba, a una de las nuevas maravillas del mundo.

Uri dice que el Cristo está cachas (foto de Uri).

Lagoa Rodrigo de Freitas (foto de Uri).
Mientras esperamos el tren de bajada, Marc se fija en dos chicas muy guapas, y muy jóvenes (convenimos que son muy jóvenes), maquilladas, con dos cintas iguales en el pelo, chupando muy conscientemente dos piruletas, y dice, emocionado, la frase del día: "Estas dos, antes de subir, estaban abajo". A lo que todos ponemos cara de "No me digas".

Manu flipando con
la frase de Marc.
Manu, que no quiere ser menos, al ver que, ya de noche, cogemos el último tren, y que también suben los vigilantes y los ascensoristas, dice, queriendo o sin querer, no lo sé: "Aquí ya no queda ni Cristo". (Otra para enmarcar.)
Por la noche vamos a bailar otra vez a Lapa, a un local al que no hay que dejar de ir, la casa de samba Carioca da Gema. Hoy es el día de Richah, músico que, según O Globo, "já defendeu escolas como Mangueira e Portela, e solta a voz em um repertório de sambas clássicos e sambas-enredos". Petiscamos barritas de queso frito, escondidinho de camarão (gambas con queso fundido), salsichinhas, etc., bebemos tres caipirinhas cada uno, y cuando vemos un grupito de chicas dejamos nuestra mesa para ponernos a sambar.
PS: El día 5 "foi de tristeza para mim". Fuimos a la Livraria da Travessa para ver CD. Entramos en alguna otra tienda de la rua Visconde de Pirajá. Comimos rápido en el restaurante Fazendola de la plaza General Osório. Subimos al apartamento de Bel, donde yo me despedí y ella tuvo tiempo de conocer a mi hermano Oriol. Y luego yo me fui hacia el aeropuerto y ellos, afortunados, a subir al Pão de Açúcar, pasear por el barrio de Urca y, al día siguiente, coger un avión rumbo a Salvador.
Cogemos el metro hasta Cinelândia y paseamos por la avenida Rio Branco, entre la multitud de trabajadores. Uri, Marc y Manu coinciden conmigo en que el Centro de Rio se parece a la parte baja de Manhattan. Les impresionan los edificios, su altura y sus formas rectas. Andamos hasta el final de la avenida (por error, porque no encuentro la entrada a la Travessa do Comércio). Vuelta atrás. Paseamos por la Travessa do Comércio y bajo el Arco de Telles; por la rua do Ouvidor y la rua do Carmo (es decir, la parte más antigua del centro de Rio). Y, con cierta dificultad (preguntando), llegamos a la Confeitaria Colombo: flipante, tío:
Marc está flipando y no sabe qué decir (foto de Uri).
Foto dedicada a mi madre, que cuando estuvo en Porto Alegre
se comió la mitad de los quindins de la ciudad.
Aprovechamos que las oficinas de TAM están en la misma avenida Rio Branco para confirmar todos los billetes de avión que los tres fantásticos compraron en Barcelona. Y Uri aprovecha que las oficinas están en el piso 36 (otra vez Nueva York: desde 2000 no había subido tan alto) para hacer esta super panorámica con su nueva super cámara:
Bahía de Guanabara desde el trigésimo sexto piso
de un rascacielos de la avenida Rio Branco (foto de Uri).
Rápido, porque queremos subir al Cristo antes de las cinco, cogemos el tranvía de Santa Teresa. El tranvía nos deja demasiado lejos, demasiado arriba del morro (yo aquí no me bajo, dice Uri), así que volvemos un poquito atrás con el mismo tranvía. Hasta encontrar un restaurantecito para reponer fuerzas (restaurante gay, parece: en las tres únicas mesas ocupadas hay tres parejas de homosexuales: dos hombres maduros; dos chicos; dos chicas).
Qué cerdos.
La carne ao sol da tanta fuerza a Marc que el tío se carga un vaso:
Y se queda tan panxo. Y encima dice que la culpa
es que es cristal de Bohemia. (Bohemia es la marca
de cerveza, Marc!)
Y llegamos al esperado Cristo Redentor. Abajo: a la estación del trenecito, o funicular (los cariocas lo llaman tren: trem ao Corcovado; bueno, tanto faz, es un "cremallera"). Y en la estación hay al menos 200 niños de entre 3 y 8 años, con algunas (pocas) madres de no más de 20. Un follón. Nos cargamos de paciencia, nos reímos con los niños. Una niña no deja de mirarnos. Hablo con ella. Sigue mirándonos. Al final, la madre dice que la niña quiere hacernos una foto con el móvil; dice que le sorprende la lengua rara que hablamos (yo creo, simplemente, que nos encuentra muy guapos :p).
Los niños son unos demonios: corremos tanto como podemos, pero ellos son más rápidos y más p****: no conseguimos lugar en el lado derecho del tren, que es el mejor. Por fin, llegamos arriba, a una de las nuevas maravillas del mundo.
Uri dice que el Cristo está cachas (foto de Uri).
Lagoa Rodrigo de Freitas (foto de Uri).
Mientras esperamos el tren de bajada, Marc se fija en dos chicas muy guapas, y muy jóvenes (convenimos que son muy jóvenes), maquilladas, con dos cintas iguales en el pelo, chupando muy conscientemente dos piruletas, y dice, emocionado, la frase del día: "Estas dos, antes de subir, estaban abajo". A lo que todos ponemos cara de "No me digas".
Manu flipando con
la frase de Marc.
Manu, que no quiere ser menos, al ver que, ya de noche, cogemos el último tren, y que también suben los vigilantes y los ascensoristas, dice, queriendo o sin querer, no lo sé: "Aquí ya no queda ni Cristo". (Otra para enmarcar.)
Por la noche vamos a bailar otra vez a Lapa, a un local al que no hay que dejar de ir, la casa de samba Carioca da Gema. Hoy es el día de Richah, músico que, según O Globo, "já defendeu escolas como Mangueira e Portela, e solta a voz em um repertório de sambas clássicos e sambas-enredos". Petiscamos barritas de queso frito, escondidinho de camarão (gambas con queso fundido), salsichinhas, etc., bebemos tres caipirinhas cada uno, y cuando vemos un grupito de chicas dejamos nuestra mesa para ponernos a sambar.
PS: El día 5 "foi de tristeza para mim". Fuimos a la Livraria da Travessa para ver CD. Entramos en alguna otra tienda de la rua Visconde de Pirajá. Comimos rápido en el restaurante Fazendola de la plaza General Osório. Subimos al apartamento de Bel, donde yo me despedí y ella tuvo tiempo de conocer a mi hermano Oriol. Y luego yo me fui hacia el aeropuerto y ellos, afortunados, a subir al Pão de Açúcar, pasear por el barrio de Urca y, al día siguiente, coger un avión rumbo a Salvador.
Thursday, August 28, 2008
Mis cuatro días en Rio, primera etapa del viaje a Brasil de Uri, Marc y Manu (Parte II, revisada y aumentada)
Día 3, domingo. Ellos, que fueron a dormir pronto, desayunan en el albergue; yo, que me quedé a ver el baloncesto, me despierto demasiado tarde y desayuno un bikini (un misto) en la (probablemente) mejor casa de sucos de Copacabana, en la esquina de Nossa Senhora de Copacabana y Miguel Lemos. Uri y Manu toman un zumo de sandía (melancia); Marc se atreve con el de acerola. Zumos que seguirán tomando los siguientes días (se convierten en unos fanáticos del lugar). (Yo tomo el de kiwi por motivos fisiológicos.)

Uri probando el suco de acerola de Marc; Marc probando
el suco de melancia de Uri (foto de Manu).
Cargados de vitaminas, andamos hasta la playa de Arpoador, entrando por el jardín Garota de Ipanema. Nos acercamos a la Praia do Diabo (donde no se baña nadie), subimos a las rocas de Arpoador y Uri tira un montón de fotos de los surfistas. Y ésta (disimuladamente):

Clicar para ampliar.
Pasamos frente al hotel Arpoador Inn, donde estuve con mis padres en 2006. Bebemos agua de coco para no deshidratarnos, y, ya como auténticos cariocas, seguimos caminando por la playa de Ipanema. Medio Rio está paseando como nosotros, porque es domingo y la avenida Vieira Souto está cerrada al tráfico (de coches: ha ha qué chiste). Admiramos a las chicas, vemos cangas y tangas (Uri y Manu quieren comprar algunas cangas), charlamos, comentamos todo lo que vemos. Hay ganas de meterse en el mar, vamos preparados, en bañador, pero el mar está muy bravo.

Canga sin tanga (foto: anónimo). (Disculpen por los estereotipos.
Además, esta foto ni siquiera es de Rio...)
Llegamos al canal que viene de la Lagoa y divide Ipanema y Leblon (a pesar de estar sucia, a veces hay niños tirándose al agua; hoy no). En la playa de Leblon, pisamos por primera vez la arena. Pero ya no hay posibilidad de bañarse: cerca del morro Dois Irmãos, el cielo está cubierto de nubes. Y la playa se ha ido vaciando.

Favela Chácara do Céu, a la izquierda del morro Dois Irmãos (foto de Uri).
Es la hora de comer. Me acuerdo de que quiero impresionar a los tres fantásticos llevándolos a la churrascaria Porcão, porque 1) nunca han estado en una churrascaria, 2) su viaje seguirá hacia el nordeste, no hacia el sur, donde se come el mejor churrasco, y 3) tengo buenos recuerdos de ese lugar, donde cené (ella dice que almorcé) con Isabel en 2003. Vamos en taxi hasta el Aterro do Flamengo: sigue habiendo gente paseando, y jugando, y ya no hay nubes, aquí brilla el sol (Rio es muy grande). Y yo digo: 1) no nos va a costar más de unos 50 reales a cada uno; y 2) de cualquier modo, llevo la Visa, no os preocupéis. Bien. La realidad será un poco distinta, pero esto me pidió Uri que se lo dejara contar a él, así que le guardo un espacio.
No se reirán tanto después del café.
Para sobreponernos del amago de ataque de nervios, vamos al Fuerte de Copacabana (mismo lugar en que estuve con Bel y Carol, y uno de los preferidos de mis padres), área militar donde se está tranquilito y se pueden tirar fotos a vontade. Hoy la cafetería está llenísima (hay lista de espera), y el museo militar ya está cerrado, así que nos limitamos a pasear por la parte superior del fuerte, acercándonos (con cuidado porque no se ve un pijo) a las cúpulas de los dos cañones (que a mí, de tanto ver y hablar de mujeres, hasta me parecen eróticas). Manu y Uri tiran muchas fotos de Copacabana de noche:

Mar de Copacabana (al fondo, luces de la favela Morro dos Cabritos).
Nos duchamos y ponemos guapos en el albergue (por si acaso), salimos a comer unos petiscos (tapas) y beber unas caipirinhas en la Academia da Cachaça, Leblon (Marc no se termina su segunda, de fresa: demasiados tropezones),... y volvemos a casita. Domingo por la noche parece que en Rio no hay marcha. Y, además, estamos agotados.
PS: Foto poética de Uri: el cielo desde la terraza del albergue:

Clicar para ver las estrellas.
(Continuará.)
Uri probando el suco de acerola de Marc; Marc probando
el suco de melancia de Uri (foto de Manu).
Cargados de vitaminas, andamos hasta la playa de Arpoador, entrando por el jardín Garota de Ipanema. Nos acercamos a la Praia do Diabo (donde no se baña nadie), subimos a las rocas de Arpoador y Uri tira un montón de fotos de los surfistas. Y ésta (disimuladamente):
Clicar para ampliar.
Pasamos frente al hotel Arpoador Inn, donde estuve con mis padres en 2006. Bebemos agua de coco para no deshidratarnos, y, ya como auténticos cariocas, seguimos caminando por la playa de Ipanema. Medio Rio está paseando como nosotros, porque es domingo y la avenida Vieira Souto está cerrada al tráfico (de coches: ha ha qué chiste). Admiramos a las chicas, vemos cangas y tangas (Uri y Manu quieren comprar algunas cangas), charlamos, comentamos todo lo que vemos. Hay ganas de meterse en el mar, vamos preparados, en bañador, pero el mar está muy bravo.

Canga sin tanga (foto: anónimo). (Disculpen por los estereotipos.
Además, esta foto ni siquiera es de Rio...)
Llegamos al canal que viene de la Lagoa y divide Ipanema y Leblon (a pesar de estar sucia, a veces hay niños tirándose al agua; hoy no). En la playa de Leblon, pisamos por primera vez la arena. Pero ya no hay posibilidad de bañarse: cerca del morro Dois Irmãos, el cielo está cubierto de nubes. Y la playa se ha ido vaciando.
Favela Chácara do Céu, a la izquierda del morro Dois Irmãos (foto de Uri).
Es la hora de comer. Me acuerdo de que quiero impresionar a los tres fantásticos llevándolos a la churrascaria Porcão, porque 1) nunca han estado en una churrascaria, 2) su viaje seguirá hacia el nordeste, no hacia el sur, donde se come el mejor churrasco, y 3) tengo buenos recuerdos de ese lugar, donde cené (ella dice que almorcé) con Isabel en 2003. Vamos en taxi hasta el Aterro do Flamengo: sigue habiendo gente paseando, y jugando, y ya no hay nubes, aquí brilla el sol (Rio es muy grande). Y yo digo: 1) no nos va a costar más de unos 50 reales a cada uno; y 2) de cualquier modo, llevo la Visa, no os preocupéis. Bien. La realidad será un poco distinta, pero esto me pidió Uri que se lo dejara contar a él, así que le guardo un espacio.
No se reirán tanto después del café.
Para sobreponernos del amago de ataque de nervios, vamos al Fuerte de Copacabana (mismo lugar en que estuve con Bel y Carol, y uno de los preferidos de mis padres), área militar donde se está tranquilito y se pueden tirar fotos a vontade. Hoy la cafetería está llenísima (hay lista de espera), y el museo militar ya está cerrado, así que nos limitamos a pasear por la parte superior del fuerte, acercándonos (con cuidado porque no se ve un pijo) a las cúpulas de los dos cañones (que a mí, de tanto ver y hablar de mujeres, hasta me parecen eróticas). Manu y Uri tiran muchas fotos de Copacabana de noche:
Mar de Copacabana (al fondo, luces de la favela Morro dos Cabritos).
Nos duchamos y ponemos guapos en el albergue (por si acaso), salimos a comer unos petiscos (tapas) y beber unas caipirinhas en la Academia da Cachaça, Leblon (Marc no se termina su segunda, de fresa: demasiados tropezones),... y volvemos a casita. Domingo por la noche parece que en Rio no hay marcha. Y, además, estamos agotados.
PS: Foto poética de Uri: el cielo desde la terraza del albergue:
Clicar para ver las estrellas.
(Continuará.)
Morir de tristeza
La hospitalización de Stella Caymmi en abril de este año fue uno de los motivos que llevaron al cantante y compositor Dorival Caymmi, que murió el día 16, a perder las ganas de vivir. Ayer, once días después de la muerte del marido, la mujer inspiradora de sus canciones, que estuvo los últimos veinte días en coma, murió a los 86 años.
(Zero Hora, 28/08/08)
(Zero Hora, 28/08/08)
Wednesday, August 27, 2008
Mis cuatro días en Rio, primera etapa del viaje a Brasil de Uri, Marc y Manu (Parte I)
Día 1, viernes. Llego a casa de mi amiga Isabel a las seis de la tarde, con la intención de charlar un rato antes de salir con ella a cenar, y acabamos charlando "por horas e horas e horas", hasta la una de la noche, sin salir, bebiendo cerveza y comiendo cacahuetes, jamón y pedacitos de pizza. No hace falta nada más. Vuelvo al albergue (Copa Hostel, un HI, Copacabana) feliz.
Día 2, sábado. Desayuno en la cafetería Cafeína, en Copacabana, y cojo el metro hasta Cinelândia para ir a ver la exposición sobre Machado de Assis en la Academia Brasileira de Letras. Cerrada. P*** que pariu. No me fijé en los horarios, que estaban en el periódico del viernes que me dio Isabel. Frente a la ABL hay un restaurante llamado Bon Profit. Me acerco para ver la carta, pero no hay nada parecido a algún plato catalán. Ni pa amb tomaquet, ni crema catalana, ni nada. Vuelvo al albergue, cojo la lista de libros que tengo que leer en el segundo semestre, y voy en autobús hasta Ipanema. En la Livraria da Travessa encuentro dos de los libros. Tampoco hubiera podido comprar más: me he dejado la Visa en el albergue (esto de dejarme la Visa tendrá continuación).
Por la tarde, me encuentro con Isabel y con Carol en la cafetería Colombo del Fuerte de Copacabana. Carol está tan linda y tan simpática y tan divertida como la última vez que la vi, hace casi dos años. Tomamos tres cafés (oba!), una caipirinha y una agua por cabeza, y charlamos y reímos hasta que oscurece. Nos lo pasamos tan bien que llego tarde al albergue: Uri, Marc y Manu ya han llegado... y ya se han ido!

Isabel y yo, en el Fuerte de Copacabana (foto de Carol).
Hice una foto a Carol (em que você está linda!)
que Carol no me mandó (me mande!).
Carol me envió una foto! :)

Carol y yo, en el coche de Carol (foto de Isabel).
Un poco más tarde, aparecen en el albergue los tres fantásticos. No están cansados, o eso dicen: han dormido en el avión. Cogemos un taxi y nos vamos a Lapa.
Lapa ha cambiado un poco estos últimos años. Hay más bares, y más llenos. Ya no es una zona tan degradada: se puede pasear, no es necesario bajar del taxi justo delante del local al que se va. El taxi, de hecho, nos deja en un callejón oscuro, cerca de las escaleras de la ladeira de Santa Teresa. Entramos en un boteco (taberna) de los más originalmente sucios, donde ni siquiera hay mesas, sólo una barra con tres o cuatro personas bebiendo y hablando alto. Pedimos cervezas, y yo me como un platillo de carne asada con cebolla (ellos ya han cenado, en un restaurante de comida ao peso frente al albergue). Uri empieza a flipar (todos flipan, pero Uri especialmente): "Joder, no tenemos sitios tan auténticos para filmar en Barcelona. Joder, ya tengo todos los planos en la cabeza. De aquí saldría un cortometraje del copón".

Escada Selarón, que comunica Santa Teresa (arriba) con Lapa (abajo).
(Foto del álbum Picasa de "Ana", vecina de Santa Teresa.)
(Nosotros fuimos de noche y sin cámara.)
Estamos en Lapa para ir al concierto del Monobloco en el Circo Voador, pero todavía es pronto. Paseamos bajo los Arcos, buscamos un lugar menos cutre para beber unas caipirinhas. La calle está llena de gente, y el lugar donde nos sentamos también. Gente dentro, gente en el primer piso, gente en las mesas de la acera. Gente guapa. Los chicos (yo también) continúan flipando, ahora al ver que no hay ninguna chica que no sea muy guapa. Y que, a diferencia de Barcelona, aquí hay más chicas que chicos. "Y nos están mirando, tío!". "Joder, joder, joder!". Lapa está (Isabel y Carol me lo confirman), como se dice en portugués, bombando.
A partir de aquí, las chicas serán la atracción permanente. Culos, piernas, pechos a derecha e izquierda y arriba y abajo. Entramos en el Circo Voador, el más mítico de los espacios para conciertos de Rio de Janeiro, una enorme carpa semicircular justo debajo de los Arcos. Y empiezan a tocar los teloneros, percusionistas de la vieja guardia, treinta o cuarenta músicos de entre 60 y 80 años que tocan como veinteañeros: A Bateria do Mestre André.* (Tanto esta banda como Monobloco son grupos famosos porque desfilan por las calles durante el Carnaval.)
Lo bueno de los conciertos, en la era digital, es que no hace falta grabar nada, siempre hay alguien que lo hace por ti (y a veces hasta te ves en el vídeo). Éste es un vídeo de un tal krolzitchac 3.
Bailamos más con Mestre André y compañía que con el Monobloco. La percusión de Monobloco era más hard, más de pegar saltos, y la pista se llenó demasiado, y ya estábamos todos sudados, y nos quedamos sin espacio vital. Y los fantásticos estaban maravillados, flipados,... pero empezaban a sentir el cansancio.
Estaban tan cansados que Manu se tiró a la cama nada más llegar al albergue (creo que vestido); Uri vio un ratito la final de voley masculino (Brasil - Estados Unidos), pero pronto se retiró; Marc estuvo conmigo más tiempo, en un enorme diván, pero sólo yo veía el partido: él se giró de lado y se durmió en el acto. Y sólo quedaba yo cuando empezó la final de baloncesto. Luego, a mediados del segundo cuarto, un tío apareció y se sentó a mi lado. Era español, claro, pero tampoco se quedó mucho rato. Menos mal, porque empezó a preguntarme de dónde éramos, y qué hacíamos, y por qué Nadal no ganó nada en dobles. Y yo qué sé, tío, no me jodas, que estoy vibrando, que estoy emocionado, que Rudy y Ricky están jugando contra los yanquis! Déjame! (Ya sé que mi actitud va contra las normas del buen alberguista, pero coño, es la p*** final!!!!)
(Aquí vendría el vídeo del vuelo de Rudy, con mate y tiro libre adicional; o el del triple del mismo Rudy que nos puso a dos puntos en el último cuarto e hizo que a los americanos se les encogieran las p******; pero deben de ser imágenes protegidas por las TV. Además: a quien no se quedó despierto hasta las cinco para ver uno de los mejores partidos de baloncesto de la historia, que se la p**** un p****.)
PS: Uri aprovechó para opinar sobre algunos países, posando frente a algunas de las puertas del albergue:




*Isabel escreveu: A Bateria do Mestre André deve ser um grupo de remanescentes da bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel (Padre Miguel é um bairro do subúrbio do Rio), do tempo em que era comandada pelo mítico mestre André. O samba que eu tentei cantar para vocês dizia assim:
Lá vem a bateria da Mocidade Independente,
Não existe mais quente, não existe mais quente.
É o festival do povo, a alegria da cidade.
Salve a mocidade, salve a mocidade!
Mestre André sempre diz, todo dia:
'Ninguém segura a nossa bateria'.
Padre Miguel é a capital da escola de samba
que bate melhor no carnaval!
(Continuará.)
Día 2, sábado. Desayuno en la cafetería Cafeína, en Copacabana, y cojo el metro hasta Cinelândia para ir a ver la exposición sobre Machado de Assis en la Academia Brasileira de Letras. Cerrada. P*** que pariu. No me fijé en los horarios, que estaban en el periódico del viernes que me dio Isabel. Frente a la ABL hay un restaurante llamado Bon Profit. Me acerco para ver la carta, pero no hay nada parecido a algún plato catalán. Ni pa amb tomaquet, ni crema catalana, ni nada. Vuelvo al albergue, cojo la lista de libros que tengo que leer en el segundo semestre, y voy en autobús hasta Ipanema. En la Livraria da Travessa encuentro dos de los libros. Tampoco hubiera podido comprar más: me he dejado la Visa en el albergue (esto de dejarme la Visa tendrá continuación).
Por la tarde, me encuentro con Isabel y con Carol en la cafetería Colombo del Fuerte de Copacabana. Carol está tan linda y tan simpática y tan divertida como la última vez que la vi, hace casi dos años. Tomamos tres cafés (oba!), una caipirinha y una agua por cabeza, y charlamos y reímos hasta que oscurece. Nos lo pasamos tan bien que llego tarde al albergue: Uri, Marc y Manu ya han llegado... y ya se han ido!

Isabel y yo, en el Fuerte de Copacabana (foto de Carol).
Hice una foto a Carol (em que você está linda!)
que Carol no me mandó (me mande!).
Carol me envió una foto! :)

Carol y yo, en el coche de Carol (foto de Isabel).
Un poco más tarde, aparecen en el albergue los tres fantásticos. No están cansados, o eso dicen: han dormido en el avión. Cogemos un taxi y nos vamos a Lapa.
Lapa ha cambiado un poco estos últimos años. Hay más bares, y más llenos. Ya no es una zona tan degradada: se puede pasear, no es necesario bajar del taxi justo delante del local al que se va. El taxi, de hecho, nos deja en un callejón oscuro, cerca de las escaleras de la ladeira de Santa Teresa. Entramos en un boteco (taberna) de los más originalmente sucios, donde ni siquiera hay mesas, sólo una barra con tres o cuatro personas bebiendo y hablando alto. Pedimos cervezas, y yo me como un platillo de carne asada con cebolla (ellos ya han cenado, en un restaurante de comida ao peso frente al albergue). Uri empieza a flipar (todos flipan, pero Uri especialmente): "Joder, no tenemos sitios tan auténticos para filmar en Barcelona. Joder, ya tengo todos los planos en la cabeza. De aquí saldría un cortometraje del copón".

Escada Selarón, que comunica Santa Teresa (arriba) con Lapa (abajo).
(Foto del álbum Picasa de "Ana", vecina de Santa Teresa.)
(Nosotros fuimos de noche y sin cámara.)
Estamos en Lapa para ir al concierto del Monobloco en el Circo Voador, pero todavía es pronto. Paseamos bajo los Arcos, buscamos un lugar menos cutre para beber unas caipirinhas. La calle está llena de gente, y el lugar donde nos sentamos también. Gente dentro, gente en el primer piso, gente en las mesas de la acera. Gente guapa. Los chicos (yo también) continúan flipando, ahora al ver que no hay ninguna chica que no sea muy guapa. Y que, a diferencia de Barcelona, aquí hay más chicas que chicos. "Y nos están mirando, tío!". "Joder, joder, joder!". Lapa está (Isabel y Carol me lo confirman), como se dice en portugués, bombando.
A partir de aquí, las chicas serán la atracción permanente. Culos, piernas, pechos a derecha e izquierda y arriba y abajo. Entramos en el Circo Voador, el más mítico de los espacios para conciertos de Rio de Janeiro, una enorme carpa semicircular justo debajo de los Arcos. Y empiezan a tocar los teloneros, percusionistas de la vieja guardia, treinta o cuarenta músicos de entre 60 y 80 años que tocan como veinteañeros: A Bateria do Mestre André.* (Tanto esta banda como Monobloco son grupos famosos porque desfilan por las calles durante el Carnaval.)
Lo bueno de los conciertos, en la era digital, es que no hace falta grabar nada, siempre hay alguien que lo hace por ti (y a veces hasta te ves en el vídeo). Éste es un vídeo de un tal krolzitchac 3.
Bailamos más con Mestre André y compañía que con el Monobloco. La percusión de Monobloco era más hard, más de pegar saltos, y la pista se llenó demasiado, y ya estábamos todos sudados, y nos quedamos sin espacio vital. Y los fantásticos estaban maravillados, flipados,... pero empezaban a sentir el cansancio.
Estaban tan cansados que Manu se tiró a la cama nada más llegar al albergue (creo que vestido); Uri vio un ratito la final de voley masculino (Brasil - Estados Unidos), pero pronto se retiró; Marc estuvo conmigo más tiempo, en un enorme diván, pero sólo yo veía el partido: él se giró de lado y se durmió en el acto. Y sólo quedaba yo cuando empezó la final de baloncesto. Luego, a mediados del segundo cuarto, un tío apareció y se sentó a mi lado. Era español, claro, pero tampoco se quedó mucho rato. Menos mal, porque empezó a preguntarme de dónde éramos, y qué hacíamos, y por qué Nadal no ganó nada en dobles. Y yo qué sé, tío, no me jodas, que estoy vibrando, que estoy emocionado, que Rudy y Ricky están jugando contra los yanquis! Déjame! (Ya sé que mi actitud va contra las normas del buen alberguista, pero coño, es la p*** final!!!!)
(Aquí vendría el vídeo del vuelo de Rudy, con mate y tiro libre adicional; o el del triple del mismo Rudy que nos puso a dos puntos en el último cuarto e hizo que a los americanos se les encogieran las p******; pero deben de ser imágenes protegidas por las TV. Además: a quien no se quedó despierto hasta las cinco para ver uno de los mejores partidos de baloncesto de la historia, que se la p**** un p****.)
PS: Uri aprovechó para opinar sobre algunos países, posando frente a algunas de las puertas del albergue:
*Isabel escreveu: A Bateria do Mestre André deve ser um grupo de remanescentes da bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel (Padre Miguel é um bairro do subúrbio do Rio), do tempo em que era comandada pelo mítico mestre André. O samba que eu tentei cantar para vocês dizia assim:
Lá vem a bateria da Mocidade Independente,
Não existe mais quente, não existe mais quente.
É o festival do povo, a alegria da cidade.
Salve a mocidade, salve a mocidade!
Mestre André sempre diz, todo dia:
'Ninguém segura a nossa bateria'.
Padre Miguel é a capital da escola de samba
que bate melhor no carnaval!
It really feels alright
Quem me dera seguir viajando desse jeito, continuar com eles, de albergue em albergue, com a casa às costas e em boa companhia...
(Mañana, crónica y más fotos! :)
Monday, August 25, 2008
A un par de pasos
"El 24 de agosto de 2008 pervivirá en el recuerdo del baloncesto español. Un 11 de agosto de 1984 en que España entera dejó de dormir para atender al televisor, la selección se batió con la galaxia estadounidense en otra final olímpica y perdió por 96-65. El entrañable seleccionador de aquel equipo, Antonio Díaz Miguel, dijo entonces: 'Tal vez no volvamos a vivir este hecho'. El bueno de Antonio debió admitir desde el cielo que se equivocó. 24 años después la selección española volvió a jugar la final ante toda la joyería de la NBA y estuvo a un par de pasos de conquistar el título olímpico."
(Robert Álvarez, El País.)
Hace 24 años - yo tenía 9 -, me quedé despierto con mi padre buscando, en un cámping, a las 3 de la mañana, a alguien que tuviera televisión para ver ese partido. Y ayer volví a quedarme despierto, después de un concierto, esta vez en un albergue de Rio de Janeiro, y volvió a ser maravilloso.
(Robert Álvarez, El País.)
Hace 24 años - yo tenía 9 -, me quedé despierto con mi padre buscando, en un cámping, a las 3 de la mañana, a alguien que tuviera televisión para ver ese partido. Y ayer volví a quedarme despierto, después de un concierto, esta vez en un albergue de Rio de Janeiro, y volvió a ser maravilloso.
Thursday, August 21, 2008
Quem vem para o Carnaval 2009?
Notícia do jornal A Tarde enviada hoje pela Rose:
Os 100 anos da cantora Carmem Miranda será o tema do carnaval 2009 de Salvador. A escolha foi feita nesta quarta-feira, 20, pelo Conselho do Carnaval, que tem a participação de 25 entidades ligadas à festa de Momo. A decisão será divulgada no Diário Oficial do Município desta quinta-feira, 21. Este ano, a folia homenageou a capoeira.
A artista nasceu no Portugal, mas com menos de um ano veio com os pais para o Brasil e não mais voltou. A cantora marcou com roupas de babado e coloridas e frutas na cabeça. Ela fez sucesso cantando músicas como "Alô...Alô?", "Chica-Chica-Bum-Chic", "No Tabuleiro da Baiana" e "o Que É Que a Baiana Tem?", composição do baiano Dorival Caymmi.
Os 100 anos da cantora Carmem Miranda será o tema do carnaval 2009 de Salvador. A escolha foi feita nesta quarta-feira, 20, pelo Conselho do Carnaval, que tem a participação de 25 entidades ligadas à festa de Momo. A decisão será divulgada no Diário Oficial do Município desta quinta-feira, 21. Este ano, a folia homenageou a capoeira.
A artista nasceu no Portugal, mas com menos de um ano veio com os pais para o Brasil e não mais voltou. A cantora marcou com roupas de babado e coloridas e frutas na cabeça. Ela fez sucesso cantando músicas como "Alô...Alô?", "Chica-Chica-Bum-Chic", "No Tabuleiro da Baiana" e "o Que É Que a Baiana Tem?", composição do baiano Dorival Caymmi.
Wednesday, August 20, 2008
Agora Madri
Voar se democratizou, agora todo o mundo voa, o que é ótimo, mas há mais catástrofes do que nunca, porque as companhias - privatizadas - fizeram o quê?, investir em pessoal, sistemas de segurança, aeronaves?, não parece, mais parece que, em vez disso, reduziram custos, porque são geridas por bons empresários, ótimo, o avião da Spanair tinha 15 anos - qual carro tem 15 anos? -, vão para puta que os pariu.
PS: Ou como diz outro no Huffington Post: "Those MD-82's are junk, but they just keep flying them. Why? Profit."
PS: Ou como diz outro no Huffington Post: "Those MD-82's are junk, but they just keep flying them. Why? Profit."
Tuesday, August 19, 2008
Aulão Mega Show no Quadrilátero (q porra é isso?)
Eu, Roger, vagabundo iniciado, não duvido que este novo curso será um grande sucesso. (Isto que é um curso, e não os organizados pela PUCRS.) Só não vou poder assistir porque estou em POA. (Puta merda.) E posto o programa completo para uma mais ampla divulgação entre os vagabundandos (já que o Profeta - vagabundo - não possui blog).
AULÃO MEGA SHOW NO QUADRILÁTERO (q porra é isso?)
Os vagabundandos contam, este mês, com mais uma Aulão Mega Show no Quadrilátero (q porra é isso?) da Biblioteca Púta do Estado Barris, com a presença de professores das variadas disciplinas. As aulas acontecem das 13h às 13:01h, são gratuitas e é necessário fazer inscrição.
18/08 (ki é hoje) - História da Vagabundagem: Profeta Ronaldo;
Geografia dos Vagabundos: Profeta R.;
Literatura, ki é coisa di Vagabundo: Profeta Ronaldo Luiz;
19/08 (ki é amanhã) - Física Absoluta da Vagabundagem: Profeta R. Luiz;
20/08 (ki é despois di amanhã) - Redação-Com o tema: Como Se Tornar Um Vagabundo: Profeta RLSM;
Matemática...? - NÃO, pois isso faz pensar muito e pensar é coisa de NÃO Vagabundo: SEM PROFETA
21/08 (ki é despois de um amanhã ai) - Física Nua e Crua dos Vagabundos: Profeta R. Machado
FINALIZANDO
22/08 (ki é uma dessas amanhã ai, q num chegou) - Biologia (com muita aula de SEXO para os Vagabundos Soteropolitanos): Profeta Eu, é claro, junto com todas as minhas Amigas
Os vagabundandos contam, este mês, com mais uma Aulão Mega Show no Quadrilátero (q porra é isso?) da Biblioteca Púta do Estado Barris, com a presença de professores das variadas disciplinas. As aulas acontecem das 13h às 13:01h, são gratuitas e é necessário fazer inscrição.
18/08 (ki é hoje) - História da Vagabundagem: Profeta Ronaldo;
Geografia dos Vagabundos: Profeta R.;
Literatura, ki é coisa di Vagabundo: Profeta Ronaldo Luiz;
19/08 (ki é amanhã) - Física Absoluta da Vagabundagem: Profeta R. Luiz;
20/08 (ki é despois di amanhã) - Redação-Com o tema: Como Se Tornar Um Vagabundo: Profeta RLSM;
Matemática...? - NÃO, pois isso faz pensar muito e pensar é coisa de NÃO Vagabundo: SEM PROFETA
21/08 (ki é despois de um amanhã ai) - Física Nua e Crua dos Vagabundos: Profeta R. Machado
FINALIZANDO
22/08 (ki é uma dessas amanhã ai, q num chegou) - Biologia (com muita aula de SEXO para os Vagabundos Soteropolitanos): Profeta Eu, é claro, junto com todas as minhas Amigas
Monday, August 18, 2008
Murió Dorival Caymmi
El sábado murió en Copacabana, Rio de Janeiro, en un apartamento con vistas al mar, el compositor bahiano Dorival Caymmi. En Bahia y en Rio fueron declarados tres días de luto.
Caymmi es el autor, entre otras, de "Balada do rei das sereias", "Coqueiro de Itapuã", "Doralice", "É doce morrer no mar", "Maracangalha", "Modinha para Gabriela", "Nunca mais", "O bem do mar", "O mar", "O que é que a baiana tem?", "Rosa morena", "Saudade da Bahia", "Só louco", "Você já foi à Bahia?", e "Canção da partida" (no clipe aqui abaixo, homenagem de www.irregular.com.br). :'(
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Más: blog de Pedro.
Caymmi es el autor, entre otras, de "Balada do rei das sereias", "Coqueiro de Itapuã", "Doralice", "É doce morrer no mar", "Maracangalha", "Modinha para Gabriela", "Nunca mais", "O bem do mar", "O mar", "O que é que a baiana tem?", "Rosa morena", "Saudade da Bahia", "Só louco", "Você já foi à Bahia?", e "Canção da partida" (no clipe aqui abaixo, homenagem de www.irregular.com.br). :'(
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Más: blog de Pedro.
Thursday, August 14, 2008
Huahauahuahua
Estoy resfriado y hoy me he quedado en casa, y ahora, esperando para ver el baloncesto, me he puesto a ver fotos en el ordenador. Y he pensado: ésta tiene que ser pública. Autora: Gabriela. Soy yo, con mi Folha y mi café. Tan nerd que el ladrón me deja pasar.
Wednesday, August 13, 2008
Da Folha para vocês 9 (Ueba! Brasil é ouro em bronze!)
(Partes del artículo de hoy de J. Simão, el reportero más dicharachero de la Folha de São Paulo.)
BOMBA! BOMBA! Macaco Simão Urgente! Directo de Pekín! Mecagüen los chinos! "China usa una cantante falsa en la ceremonia de apertura." Y es que la niña cantante era feíta, y decidieron sustituirla por una niña bonita que cantó en playback! Piratean hasta a los cantantes! HAHAHAH!
Y saben qué dijo Lula cuando vio el Nido de Pájaro? "Coño, inauguraron el estadio todavía con los andamios!" HAHAHA!
Y Brasil en Pekín? Sólo ganamos A HOSTIAS! Tercera medalla en judo. BRONCE! Siempre bronce. Basta de bronce! Bronce ya tomamos en Ipanema! Ya estamos bronceados!
Brasil, oro en bronce! Y las judocas tienen dos problemas: primero, demostrar que son mujeres; segundo, en el tatami, demostrar que son machos! HAHAHAHAH!
Y no aguanto más ver a atletas llorando! Pierde, llora! Gana, llora! Se cae, llora! Oro en LLORO ATLÉTICO!
Y el fenómeno Michael Phelps? Tiene orejas de Dumbo! Nada a golpe de oreja! Hahahah! Y ha ganado tanto oro que podría fundirlo y vivir de renta! Y saben por qué los americanos arrasan en la piscina? Porque fueron los inventores de la piscina en casa! Cualquier americano tiene piscina!
HAHAHA! Id tirando, que yo no voy! Voy a ponerme mi colirio alucinógeno! En la picha! Para ver si me llega al techo!
BOMBA! BOMBA! Macaco Simão Urgente! Directo de Pekín! Mecagüen los chinos! "China usa una cantante falsa en la ceremonia de apertura." Y es que la niña cantante era feíta, y decidieron sustituirla por una niña bonita que cantó en playback! Piratean hasta a los cantantes! HAHAHAH!
Y saben qué dijo Lula cuando vio el Nido de Pájaro? "Coño, inauguraron el estadio todavía con los andamios!" HAHAHA!
Y Brasil en Pekín? Sólo ganamos A HOSTIAS! Tercera medalla en judo. BRONCE! Siempre bronce. Basta de bronce! Bronce ya tomamos en Ipanema! Ya estamos bronceados!
Brasil, oro en bronce! Y las judocas tienen dos problemas: primero, demostrar que son mujeres; segundo, en el tatami, demostrar que son machos! HAHAHAHAH!
Y no aguanto más ver a atletas llorando! Pierde, llora! Gana, llora! Se cae, llora! Oro en LLORO ATLÉTICO!
Y el fenómeno Michael Phelps? Tiene orejas de Dumbo! Nada a golpe de oreja! Hahahah! Y ha ganado tanto oro que podría fundirlo y vivir de renta! Y saben por qué los americanos arrasan en la piscina? Porque fueron los inventores de la piscina en casa! Cualquier americano tiene piscina!
HAHAHA! Id tirando, que yo no voy! Voy a ponerme mi colirio alucinógeno! En la picha! Para ver si me llega al techo!
Saturday, August 09, 2008
On arriving
That feeling of not belonging. Not here, not there. All and nothing.
Wednesday, August 06, 2008
Pato Fu, 30.000 pés
Amanhã eu vou voar. (Pode acreditar.)
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