
Platja del Bogatell, barri del Poblenou, Barcelona, 13/01/11, 14:30 h.
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O filme começa com a namorada, ou meio namorada, de Mark Zuckerberg, criador do Facebook (achei perfeito o ator Jesse Eisenberg no papel, um nerd nem tão nerd assim), terminando com ele ("You're an asshole"), numa cena de diálogos rápidos e difíceis de acompanhar, num bar barulhento do campus de Harvard (todo o filme é assim; é bom tentar não ler as legendas, que só conseguem capturar a metade do que é dito). (Eu tenho, tinha?, uma amiga formada em Stanford que foi morar em Nova York; lá namorou um ex aluno de Harvard, e ela odiava sair com a turma dele. Porque o "harvardnês" é assim: falar rápido e com a obrigação de ser, ou parecer, sempre brilhante, tudo com a maior nonchalance). A sequência seguinte é linda e fundamental, é a dos créditos de início e mostra Zuckerberg correndo através do campus, à noite, até a sua residência estudantil. É nesse momento que (isto está implícito, o filme é cheio de implícitos), fuelled by (como é "fuelled by", Silvia?, estou com a ressaca do inglês do filme), com a raiva derivada do rompimento e do insulto (para quem gosta de "processos de criação": a raiva pode servir a esse propósito), Zuckerberg cria em sua cabeça uma espécie de site infantilóide, para se vingar da namorada, que será o primeiro embrião do Facebook. A seguir vem a parte para mim mais perturbadora do filme: it's all about sex! Lembram Porky's, essa comédia sobre estudantes de ensino médio obcecados por transar? Pois essa parte do filme é a mesma coisa, só que em Harvard, com protagonistas supostamente brilhantes. (Aliás, vi que os alunos de Harvard são de dois tipos: os realmente brilhantes, de um lado, e os bobalhões com pais que foram alunos da universidade e se tornaram fund-raisers, do outro; este seria o caso de Bush II.) Uma personagem que não é de Harvard é especialmente irritante, a do criador do Napster (que, vi nos créditos, é interpretado pelo tal Justin Timberlake, cantor). Sua única contribuição para o Facebook, que inicialmente era thefacebook é: "Drop the 'the'. [Aí ele faz um movimento irritante com as mãos] It's cleaner". Depois vem o juízo, que não é bem um juízo, são reuniões entre Zuckerberg, o brasileiro Eduardo Saverin (o cara mais legal e sensato), os bobalhões irmãos Winklevoss (atletas que não têm noção alguma de programação, mas querem uma fatia do bolo) e os advogados de todos eles, para chegar a algum acordo. Tem uma mulher, uma mulher que não está com nenhuma das partes em conflito, só assiste porque é da firma que sedia as reuniões, que diz a frase de que eu mais gostei. Quando Mark fica sozinho na sala, ela lhe diz: "You're not an asshole. But you're trying very hard to be one". O fim da história é sabido: Mark Zuckerberg vira milionário (ou zillionaire) e perde o único amigo que teve na vida, o Eduardo. E a última cena é parecida com a de Citizen Kane, só que um pouco patética, pois não é da infância, desse paraíso perdido, que Mark sente absoluta falta. É de... - não vou dizer, mas é meio óbvio. O filme é muuuito bom.





Recuperei a alegria de ler graças ao mesmo autor que, em certo modo, despertou-me um prazer superior pela literatura, na minha idade pré-adulta: o amigo J. D. Salinger. Sempre gostei de ler, inclusive quando criança (os livros do "Barco à Vapor"), mas foi com The Catcher In the Rye que dei um passo além, como o noviço que, depois de um tempo no mosteiro, começa a enxergar que há outros caminhos, superiores aos que ele conhece ou pode imaginar.
Queria escrever sobre este livro porque gostei e o terminei de ler. Antes dele, deixei alguns pela metade, cansado. Como O grande, obra póstuma de Juan José Saer, um dos maiores escritores argentinos (diferente de outros, esse romance é um exercício de estilo, um tour de force, o mais parecido à pintura hiperrealista que eu vi em literatura); ou Leviatán, de Philip Hoare, livro de não ficção sobre baleias e literatura sobre baleias, que fez muito sucesso na Inglaterra; ou o número da revista/livro Granta dedicado aos melhores narradores jovens em espanhol. Não terminei de ler nenhum dos três. O cansaço poderia ser atribuível a mim, mais do que aos livros, mas só relativamente, pois antes li Freedom, com enorme prazer, e agora este, La ira del filósofo, curtindo-o do princípio ao fim. Freedom é uma obra-mestra, um desses clássicos instantâneos (um amigo da faculdade dizia que não se escreviam mais clássicos; acho que esse é um); La ira del filósofo, não. É "só" um baita primeiro romance, do escritor Eduardo Parra Ramírez, nascido em 1970 em Ciudad de México.


I finished reading Franzen's new novel, Freedom. Nothing extraordinary goes on in the story, but every page is extraordinary. Set in New York City, Washington D. C. and some rural counties of "the land of the free" during the Bush administration years, the narrator tells in detail and with psychological incisiveness (which is what makes every page so good, along with the strong dialogues) all about the members of a common, upper-middle-class family, the Berglund's, and a few neighbors, lovers, and friends of theirs; about the mistakes they make, due to too much freedom, while trying to lead their lives and deal with each other's and their own peculiarities. This is a story about nearly ruining everything in one's life, and, eventually, achieving a happiness of some sort. The best book I've read in a long time.



