Saturday, April 14, 2007

Cacau

Imitando a Maria, brasileira que mora na Suécia (tem o link ao seu blog na coluna à direita), resolvi fazer breves resenhas dos livros brasileiros que eu leio. Assim como as dicas ou traduções de músicas, acho que podem ser de interesse para alguém. Se não, vou fazê-lo mesmo para me divertir.

Cacau é de 1933. É um dos mal chamados "romances comunistas" de Jorge Amado. Romances que são, na verdade, realistas e engajados. E é o segundo romance do escritor. Nele dá para ver, em alguns detalhes, que Amado ainda não é o grande escritor que depois será (em Capitães da Areia, de 1936, ou em Gabriela, cravo e canela, de 1958, por exemplo: os outros dois livros dele que eu li). Mas mesmo assim é um livro bom. E, mais importante, serve para entender como era a vida dos negros que, nessa época, trabalhavam nas roças de cacau em regime de semi-escravidão. Até serve para entender declarações como as da atual Ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que achou compreensível que um negro não gostasse de um branco. ("Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou", a ministra falou; e a imprensa não demorou em se jogar em cima dela. Claro que é ministra, e ainda da igualdade racial; mas também é pessoa...)

Meu trecho preferido do livro é aquele em que o negro Osório tem ordens de matar um companheiro porque o tal companheiro (esqueci o nome) esfaqueou o filho do fazendeiro (a quem achou transando com sua namorada). Aí Osório diz: Pega tudo e vá embora. E abraça o companheiro. O companheiro vai embora, e Osório dispara pro mato. O narrador, que é o único branco que trabalha na roça, presencia a cena e fica comovido. Osório diz: Capataz até eu mato, mas trabalhador eu não mato. O narrador fica pensando nos motivos de Osório. Osório gostava do outro? Gostava, sim, mas não foi por isso que não o matou. Então pensa que foi por generosidade. E finalmente diz: Só quando cheguei no Rio aprendi o que era aquela generosidade. Uma palavra bonita: consciência de classe.

O Ronaldo, que foi, junto com a Rose e a Rosa, quem me deu o livro de presente, guarda na sua casa em Salvador um recipiente de vidro cheio de papelzinhos dobrados; papelzinhos com frases que ele mesmo procura e digita no computador. Os amigos podem pegar esses papelzinhos, e eu guardo dois deles em casa, correspondentes às duas visitas que lhe fiz (guardo eles inapropriadamente, num cinzeiro onde deixo as moedas de 5 e 10 centavos). A Gabriela copiou essa idéia, e tem agora um recipiente desses em casa, e pouco a pouco vai enchendo-o de papéis. A primeira frase que eu ganhei dela foi a seguinte, bem relacionada com o livro de Amado. Frase de Dom Helder Câmara, religioso cearense, arcebispo emérito do Recife e Olinda:

"Se dou comida aos pobres, chamam-me de santo; se pergunto por que pobres não têm comida, chamam-me de comunista."

Nas imagens, colheita de cacau e trabalho nas barcaças.

Mais sobre este tema em Fazendas de cacau na ficção amadiana.



Wednesday, April 11, 2007

Un poema i una cita

Als vidres dels autobusos de Porto Alegre hi ha poemes com aquest:

Al entrar en el bus y sentarme a tu lado
Eternicé mi presente
Olvidé mi pasado
Imaginé mi futuro
Contigo de amada
Y me pasé de parada

I als llibres hi ha frases com aquesta:

"Todo me parecía fantástico, era completamente feliz y libre porque no tenía ningún sueño" (Sal Paradise a On the Road)

I aquest és el meu post número 100.

Tuesday, April 10, 2007

Traduccions de Brasil 20 (Love in the afternoon, de R. Russo)

Es tan extraño
Los buenos mueren jóvenes
Parece ser así
Cuando me acuerdo de ti
Que al final te fuiste
Demasiado pronto

Cuando yo te decía
"Me enamoro cada día
Y es siempre la persona equivocada"
Tú sonreíste y dijiste:
"A mí también me gustas tú"

Sólo que tú te fuiste demasiado pronto

Yo continuo aquí
Con mi trabajo y mis amigos
Y me acuerdo de ti en días así
Un día de lluvia, un día de sol
Y no sé decir qué siento

Ve con los ángeles! Ve en paz
Era así cada día por la tarde
El descubrimiento de la amistad
Hasta la próxima vez

Es tan extraño
Los buenos mueren antes
Me acuerdo de ti
Y de tanta gente que se fue
Demasiado pronto

Es demasiado pronto
Yo aprendí a tener todo lo que siempre quise
Pero no aprendí a perder
Y yo, que tuve un comienzo feliz
Del resto no sé qué decir

Recuerdo las tardes que pasamos juntos
No es siempre pero sé
Que tú estás bien ahora
Sólo que este año
El verano acabó
Demasiado pronto

Sunday, April 08, 2007

Douglas Silva

Douglas Silva (a la foto, a la dreta, amb Darlan Cunha) va viure la seva infància i adolescència a la favela Kelson, la més pobre del conjunt de faveles més gran de Rio de Janeiro, el Complexo da Maré, tocant a la badia de Guanabara. Després es va fer famós, primer per la seva participació a la pel·lícula Cidade de Deus, i després com a protagonista (feia de pare despistat; massa jove per saber cuidar el seu fill) de la sèrie de televisió Cidade dos homens (totes de la productora O2, una de les més innovadores de Brasil). Però abans va passar molts anys a la favela, cuidant la seva mare i els seus cinc germans, tots de diferents pares. Entrevistat a "Central da Periferia", un programa dedicat a ensenyar la cara amable de les faveles (que en general només surten als mitjans en relació amb casos d'assassinats o narcotràfic), Douglas parlava dels seus amics d'infància, ensenyava la casa on va néixer (que ja no existia: els carrers i parets de les faveles estan en constant mutació), el camp de futbol de terra on jugava, el lloc on s'estirava a veure aterrar els avions. La periodista va preguntar-li si alguna vegada s'havia imaginat volant en un d'aquells aparells (al mateix temps, es veien imatges de Douglas passejant per la Cinquena Avinguda de Nova York, on va anar a promocionar Cidade de Deus), i Douglas li deia que no amb un somriure tímid, ensenyant les grans dents blanques. Com si encara no s'ho cregués. O com si no s'ho mereixés. Llavors la periodista li va preguntar si, ja famós, encara era víctima de "preconceito" ("prejudicis"; no va fer servir la paraula "racisme"). I ell va dir que sí. Que encara ara, a vegades, passejant per la zona sud de Rio (la més rica), sentia el klek dels seguros dels cotxes tancant-se quan ell s'apropava. I va explicar que aquell so, el klek, klek, klek dels seguros dels cotxes, l'havia acompanyat durant tota la seva infància i li havia quedat gravat per sempre.

Això últim, que em va deixar molt trist, li vaig explicar a la meva amiga Rose de Salvador en un e-mail. I ella em va contestar el següent:

"Isso que você comenta sobre o Douglas Silva... Acontece tanto. Uma pena, mas é assim ou pior que o negro é visto nesse país. Aí eu me pergunto: como é que se pode melhorar a imagem do negro no nosso país, se é aqui mesmo que ele começa a ser ainda mais mal visto? As novelas revelam isso, as notícias de jornais, etc. Que loucura..."

I miss...

I miss my old time friends.

(Representats aquí -TOTS- per la Cristina.)


Saturday, April 07, 2007

Da Zero Hora para vocês 2 (Não existe a bossa nova, de R. Silvestrin)

Fue lo que dicen que João Gilberto dijo. Para João Gilberto, todo lo que él hace es samba. No es bossa nova. En uno de los encuentros del Sarau Elétrico, el músico y profesor Carlo Pianta mostró con la guitarra cuál fue la invención del cantante e instrumentista bahiano que fundó el género llamado bossa nova. Es la siguiente: en vez de marcar el tempo fuerte de la samba en la cuerda grave, que da aquel peso de la percusión, João lo marca en las cuerdas agudas, aquellas tres de debajo. El resultado es que la samba suena más suave, y con su voz se hace melodiosa, ligera. Pero João Gilberto no está equivocado cuando dice que eso, amigos míos, es samba. Sólo que tocada de un modo algo diferente. Es como el psicoanalista francés Jaques Lacan. Lacan dijo que no era lacaniano. Que no sabía qué era eso. Aunque muchos lo fueran. Dijo que era freudiano. Lo que él formuló es una visión de lo que Freud descubrió.

Fui a ver a Paulinho da Viola al Teatro do Sesi. (...) Paulinho es hijo de la música brasileña, del choro y la samba. Paulinho compone y toca canciones de ambos géneros. Siempre con los arreglos más elegantes. La ligereza que João sólo pudo alcanzar cambiando de lugar el compás, Paulinho la obtiene sin cambiar nada. Sus letras muchas veces hablan de una cierta melancolía. Com bien cantó Vinicius: "Fazer samba não é fazer piada / quem faz samba assim não é de nada / o samba é uma forma de oração / porque o samba é a tristeza que balança / e a tristeza tem sempre uma esperança / de um dia não ser mais triste não".

(...)

Paulinho no necesita más que samba para hacer grande su arte. Así como João Gilberto. Así como Lacan no necesita más que a Freud.

Friday, April 06, 2007

Da Folha para vocês 2 (Deus feito pão, de Frei Betto)

El fraile Betto, de 62 años, es uno de los teólogos de la liberación -como Leonardo Boff o Jon Sobrino- silenciados, castigados y perseguidos por Roma.

(...)

Ya no tenemos las largas guerras que inquietaron a escritores como Tolstoi o Camus; lo que vemos, de Bagdad a Guantánamo, es escabroso comparado con la ingeniería marcial de los ejércitos de antaño: el camino hacia el futuro está cubierto de cuerpos degradados y hambrientos. Hoy, tropezamos en la calle con seres con la dignidad descuartizada. Todos los discursos oficiales y los ajustes fiscales ofenden a la condición humana por exaltar la concentración del lucro e ignorar el reparto de vida. En su hipocresía, el sistema salva su aura cristiana y excluye el pan. La metafísica monetaria estabiliza monedas y desestabiliza familias; reduce la inflación y aumenta la miseria; socorre bancos y multiplica el desempleo; abraza el mercado y desprecia el derecho a la vida -y vida en abundancia, para todos.

La globalización despolitiza, el esoterismo desculpabiliza y el consumismo individualiza. Libres de ideologías mesiánicas, culpas aterrorizadoras y altruismo colectivo, vamos a la deriva en este nuevo siglo, cuyas pitonisas proclaman que "la historia acabó".

La Pascua es travesía -también hacia una ética política, que haga el pan accesible a cada boca y, el vino, alegría en cada alma. Somos nosotros quienes, en vida, debemos resucitar las potencialidades del espíritu, premisas y promesas de una verdadera dignidad humana. En una mezcla de Proust y En busca del arca perdida, debemos retomar urgentemente la búsqueda de la conciencia perdida, donde la solidaria indignación frente a las injusticias huela a magdalenas apetitosas. En caso contrario, seremos engullidos por esos simulacros de pirámides -shopping centers- que ni siquiera tienen estructura para mostrar a la posteridad lo grande que fue la pobreza de espíritu de una generación que tenía, como suprema ambición, media docena de aparatejos electrónicos.


I would like to express my extreme point of view
I am not a Christian and I am not a Jew
I am just living out the American dream
And I just realised that nothing
Is what it seems

Wednesday, April 04, 2007

Liberté, égalité, fraternité

(Faig servir aquest dibuix tret del blog de l'Adão Iturrasgarai, que és un dibuixant que m'agrada molt, per felicitar la Clotilde. Felicitats, Clo! Ja sé que no és un dibuix gaire apropiat per a un aniversari, but then, we live in a fucked up world.)

El meu colega i amic Zou em va convidar a participar en un llibre de dibuixos contra la brutalitat de la policia francesa. Laerte també hi participa, i Crumb, Gilbert Shelton, Hunt Emerson. Bé, en matèria de brutalitat, la policia brasilera dóna mil voltes a la francesa. Suggereixo que la policia francesa vingui a fer unes pràctiques aquí... Aquest és el dibuix que vaig fer.


MENTRESTANT, AL BRASIL...*
*Però França ja hi arribarà...

Traduccions de Brasil 19 (Ai de ti, Copacabana, de Rubem Braga)

1. Ay de ti, Copacabana, porque ya di la señal clara de que ha llegado la víspera de tu día, y no la viste; pero mi voz penetrará hasta tus entrañas.
2. Ay de ti, Copacabana, porque a ti te llamaron Princesa del Mar, y ciñeron tu frente con una corona de mentiras; y diste carcajadas ebrias y vanas en el seno de la noche.
3. Ya moví el mar de un lado y de otro, y sus olas tomaron Leme y Arpoador, y tú no viste la señal; estás perdida y ciega en medio de tus iniquidades y de tu malicia.
4. Sin Leme, ¿quién te gobernará? Fuiste inicua delante del océano, y el océano mandará sobre ti la multitud de sus olas.
5. Grandes son tus edificios de hormigón, y se yerguen delante del mar como una muralla desafiante; pero serán abatidos.
6. Y los oscuros peces nadarán en tus calles y la fétida marea cubrirá tu faz; y el septentrión lanzará las olas sobre ti en un rehervir de espuma cual rebaño de carneros en pánico, hasta morder la base de tus cerros; y todas las murallas caerán.
7. Y los pulpos habitarán tus sótanos y las negras jamantas tus tiendas de decoración; y los meros se ocultarán en tus galerías, desde Menescal hasta Alaska.
8. ¿Quién entonces especulará con el metro cuadrado de tu terreno? Si en realidad no habrá terreno alguno.
9. Ay de aquellos que duermen en lechos de marfil en las habitaciones refrigeradas y desprecian el viento y el aire del Señor, y no obedecen la ley del verano.
10. Ay de aquellos que pasan con sus cadillacs tocando la bocina, pues no tendrán tanta prisa cuando vean enfrente la hora de la prueba.
11. Tus doncellas se tienden en la arena y pasan por su cuerpo óleos odoríferos para tostar la tez, y tus mancebos hacen de las motos instrumentos de concupiscencia.
12. Ululad, mancebos, y clamad, mocitas, y bambolearos en la ceniza, porque ya se cumplieron vuestros días, y yo os quebrantaré.
13. Ay de ti, Copacabana, porque los abadejos y las garopas estarán en los fosos de los ascensores, y los niños del cerro, cuando llegue el tiempo de las sardinas, lanzarán atarrayas al Canal de Cantagalo; o lanzarán sus hilos desde los altos del cerro de Babilônia.
14. Y los pequeños peces que habitan los acuarios de vidrio serán liberados por todas las generaciones.
15. ¿Por qué rezáis en vuestros templos, fariseos de Copacabana, y lleváis flores a Yemanjá en medio de la noche? ¿Acaso no conozco la multitud de vuestros pecados?
16. Antes de perderte agravaré tu demencia -¡ay de ti, Copacabana! Los gentíos de tus morros bajarán ululando sobre ti, y los cañones de tu propio Fuerte se volverán contra tu cuerpo, y tronarán; pero el agua salada llevará milenios para lavar tus pecados de un sólo verano.
17. Y tú, Oscar, hijo de Ornstein, escucha mi orden: reserva para Yemanjá los más espaciosos aposentos de tu palacio, porque allí, entre algas, ella habitará.
18. Y en el Petit Club los calamares comerán cabezas de hombre fritas en su cáscara; y Sacha, el hombre rana, tocará el piano submarino para los fantasmas de las mujeres silenciosas y verdes, cuyos nombres estuvieron muchos años en las columnas de los cronistas, en el tiempo en que había columnas y había cronistas.
19. Pues grande fue tu vanidad, Copacabana, y hondas fueron tus heridas; ya se incendió el Vogue, y no viste la señal, y ya mandé tragar las arenas de Leme y todavía no ves la señal. Pues el fuego y el agua te consumirán.
20. La rapiña de tus mercaderes y la libación de tus perdidos; y la ostentación de la hetaria del Puesto Cinco, en cuyos diamantes se coagularon las lágrimas de mil niñas miserables -todo pasará.
21. Así cual oscuro alfanje la aleta de los inmensos cazones pasará al lado de tus antenas de televisión; aunque muchos peces morirán al bañarse en el whisky falso de tus bares.
22. Píntate cual mujer pública y ponte todas tus joyas, y aviva el barniz de tus uñas y canta tu última canción pecaminosa, pues ya es tarde para plegarias; y que se estremezca tu cuerpo fino y lleno de máculas, desde el edificio Olinda hasta la sede de los Marimbás porque es sobre él que va mi furia, y lo destruirá. Canta tu última canción, Copacabana.


Río, enero, 1958

Tuesday, April 03, 2007

Chico Buarque y una historia de amor

(Per l'Elvi i tothom que estigui interessat en la música brasilera -"Brasil é o país mais musical do mundo", R. Russo dixit.)

(D'un reportatge publicat al diari Zero Hora, de Porto Alegre.)


Gabriela Milani Leal y Guilherme Forni Barcelos, ambos de 16 años, son novios desde hace nueve meses. Y adivinen la banda sonora de su relación. No es ninguna balada emo: es "Eu te amo", de Tom Jobim y Chico Buarque, escrita en 1980, antes de que ellos nacieran.

Gabriela y Guilherme se dirigieron a Zero Hora el miércoles, después de pasar por varios hoteles de Porto Alegre en busca del ídolo Chico Buarque, sin encontrarlo. Ni siquiera comieron, pero cuentan que mataron el hambre cantando "Feijoada completa" (compuesta por Chico en 1977).

"En el colegio a nuestros colegas les extraña que nos guste tanto Chico Buarque. Algunos llegan a decirme que parezco una abuela, o que nuestra relación está en crisis. Pero no les hago ni caso", dice divertida Gabriela.

Los dos se conocieron también por causa de Chico. Gabriela era monitora de literatura, y Guilherme la buscó para discutir las letras del compositor.

"Yo ya había tocado 'A pesar de você' con la guitarra, el año anterior, en un trabajo sobre la dictadura militar, y me gustó mucho. Pero no entendía bien las letras. Gabriela me las explicó."

Gabriela empezó volviéndose fan de las letras de Chico Buarque
-llegaba a declamarlas delante del espejo. Después, descubrió las melodías escuchando los CD que Guilherme le prestó.

"Es dificil decir cuál es más bonita. En mi lista están 'O meu guri', 'Morena de Angola', 'Construção', 'Olê Olá', 'Quem te viu, quem te vê', 'Meu caro amigo', 'Mambembe', 'Samba de Orly'...", enumera Gabriela, mientras Guilherme apuesta por el ritmo y escoge dos: "Feijoada completa" y "Apesar de você".

Gabriela, que también es fan de Legião Urbana y de Cazuza, y Guilherme, a quien le gustan los Beatles, Raul Seixas, Led Zeppelin, pero también Paulinho da Viola y João Bosco, tienen otra cosa en común además de Chico Buarque.

"Crecí escuchando a mi padre tocar con la guitarra esas músicas antiguas. Y él siempre me enseñó que hay que poner atención en la melodía, antes que en la letra. Y Chico es un crack en las dos cosas", dice Guilherme.

"A mi padre le encanta buscar en los mercadillos discos de artistas de antes. Le gustan Lulu Santos y Legião, pero también Demônios da Garoa (famoso grupo de samba paulista de la década de los 50). ¿Qué artista de hoy es capaz de componer una letra como la de 'Samba de Orly', en que Chico habla del exilio, o de 'Meu guri', en que se coloca en el papel de una madre lamentando la muerte de su hijo? Chico es tan bueno que no tiene edad."

Sunday, April 01, 2007

Madame Rucki, el mundo de la moda y la gente rica

(Traducción de parte de un reportaje escrito por Mônica Bergamo en la Folha de São Paulo.)

Pedro Lourenço se coloca los auriculares para oír la traducción, Reinaldo Lourenço toma notas en una libretita, André Lima levanta la mano para hacer una pregunta. Son las cinco de la tarde del martes y los estilistas del primer equipo de la moda nacional están en un aula escuchando los consejos de la francesa Marie Rucki, directora del Studio Berçot, una de las más importantes escuelas de moda del mundo. Madame Rucki pasó una semana en Brasil para dar conferencias en el centro comercial Iguatemi y un curso intensivo en la Escuela São Paulo. La agenda para los alumnos: recherche de moda, creación de una colección y -tarea sorpresa- compras en la calle 25 de Marzo.

¿¿¿Veinticinco de Marzo??? "Es la Meca de los estilistas", dice Rucki, que fue profesora de nombres como Christian Lacroix, Jefferson Kulig y Lorenzo Merlino. "Id allá, comprad 10 cm de tejido. Ni más ni menos." El grupo -casi 40 alumnos que pagaron 2.900 reales por el curso- tuerce la nariz. "¿Tiene que ser en la 25?", pregunta André Lima. "Sí. Es barato. Detesto gastar", dice Rucki, que viste una tiara roja de la marca italiana Miu Miu y un vestido comprado en unos grandes almacenes franceses (ella ciertamente no gastaría un duro en las caras creaciones de sus alumnos brasileños). "Personal, ésta no sabe como tengo la agenda", se queja Natalia Klein, heredera de las Casas Bahia y dueña de la NK Store. "Veré si consigo ir, pero no lo garantizo."

"Un estilista tiene que ver cosas bonitas", dice Madame Rucki a esta reportera. "En Brasil, no las he visto. Todos los días, cuando llego al centro comercial [Iguatemi], veo esa decoración tan horrible, con conejos gigantes. Es un insulto." Por la tarde, pasa del centro comercial a la calle Oscar Freire -"la calle esnob de São Paulo"-, donde da el curso. "No lo vale, no lo vale, no lo vale", repite, cuando la actriz Tuna Dwek, su traductora en SP, le informa de los precios (en dólares) de los vestidos de los escaparates. Pasa por tiendas como Isabela Capeto, Maria Bonita, Cori, Melissa y... ¡basta! Pide que la lleven a una tienda de la red Marisa, allí cerca, en la calle Augusta. "¡Es mejor que Fendi!", dice, sujetando un vestido de viscolycra de 59,90 reales. Y sigue hasta la caja de la tienda popular. "No es importante si está bien hecho o no. Hace calor y necesito algo ligero."

"Los brasileños son muy elegantes. No comen mucho y, por eso, son naturalmente delgados. Son pobres y visten sólo lo indispensable", considera Rucki, tras las compras en Marisa. "El 'nouveau riche' es el que es gordo y siempre feo. Es demasiado estúpido para ser elegante", dice.

"¿Lula no es el nombre del presidente?", pregunta, apuntando un plato de la carta del restaurante del hotel Emiliano. "Así es. Pero también es un fruto del mar", explica Tuna. "¡Qué divertido! Brasil es divertido." Y continúa: "Las mujeres brasileñas son lindas, mucho más que las francesas. Son mestizas, tienen las piernas largas y los dientes bonitos".

Por la tarde del día siguiente, miércoles, un grupo encogido -poco más de la mitad de los 40 alumnos brasileños de Madame Rucki- aparece para ir a la calle 25 de Marzo. "Un estilista es una mente inquieta."

Los vendedores ambulantes se aglomeran alrededor del grupo. "¿Es la reina de Inglaterra, verdad?", pregunta uno de ellos. Madame Rucki, seca, grita al grupo: "¡Muévanse!". Y desaparece entre las tiendas de tejidos. "J'adore, j'adore", dice, sujetando un pedazo de indiana. En otra tienda compra dos toallas de baño a 13,90 reales cada una, para regalar a amigos. Luego compra algodón para bordar -9,90 reales el metro- y se sienta en un bar. "¡Qué calor hace!", dice, tomando agua con una pajita, al lado de la modelo y estilista Chiara Gadaleta. "Esa cosa de querer ser estilista por el glamour tiene corta vida. No se escoge ser estilista. Se es o no se es", dice Chiara, que estudió en el Studio Berçot en 1997. Allí, el curso que da la especialista llega a valer 8.000 euros y dura dos años. "La selección es muy dura. Madame es realista. No anima a quien no tiene talento."

El grupo que asiste a la conferencia en el centro comercial Iguatemi llega a 300 personas. Es gente "in", como Patricia Gasparian, nuera de Carlos Jereissati, presidente del centro comercial. "Ay, estoy muerta de sueño", dice, al acabar la conferencia. "Adoro ir a cursos. Lo encuentro súuuuperinteresante. Ya he ido a cursos de business, arquitectura, psicología...", dice. "En realidad, mi mente está sieeeempre trabajando."

Otra asistente a la conferencia, Carla Barros, se prepara para abrir una tienda en el centro comercial. "Estoy aprendiendo a ver tendencias para mi tienda, totalmente de lujo", dice. "Pero estoy de acuerdo con Madame: es posible entrar en C&A y salir bien vestido." ¿Y ella qué lleva puesto? "Tejanos Daslu, bolso Balenciaga y una camisa de una marca cualquiera. La etiqueta no importa, o sea." Dentro de la sala de conferencias, Madame Rucki repite: "La moda no es para gente rica. No lo es. Es para quien sabe inventar personajes. Estoy harta de moda, de quien hace cualquier cosa y dice que es moda. Espero que alguien me sorprenda".

Saturday, March 31, 2007

Dia de raiva

Só as pessoas sábias e as pessoas "burras" são humildes. As pessoas no meio, medíocres, não têm essa graça. Nesse aspecto são, no sentido literal, umas desgraçadas.

Moms and moms (daughters and daughters)

En una de les postals amb secrets de diumenge passat, una persona escriu:

"When my Mum calls my cellphone I know it's her since I set the ringtone to sound like a cuckoo clock!"

I una altra persona respon:

"Me and my siblings all have our phones set to play Darth Vader's Empiral March when Mom calls."


(Which mom would you rather have?)

(Which daughter would you rather marry?)

Friday, March 30, 2007

Traduccions de Brasil 18 (Eduardo e Mônica, de R. Russo)

Història d'una cançó/traducció

La primera cantant brasilera que vaig conèixer a través d'algú de Brasil va ser la Marisa Monte. La vaig conèixer a Barcelona, quan la Isabel em va enviar el CD Mais. El primer grup de música brasiler que vaig conèixer a través d'algú de Brasil va ser Legião Urbana. El vaig conèixer quan vaig estar per primera vegada a casa de la Isabel, a Rio. La primera cançó que la Isabel em va fer escoltar va ser "Faroeste caboclo", una cançó de 179 versos (9 minuts) que molts brasilers se saben de dalt a baix. La segona va ser "Eduardo e Mônica". "Eduardo e Mônica" és tan o més coneguda que "Faroeste caboclo", i és part de la formació sentimental de molta gent, no només dels que eren joves als anys 80, també dels joves d'ara. Des de llavors jo he escoltat moltes cançons del Renato Russo. M'he tornat un fan del Renato Russo. Un entre milions. Ell era el portaveu dels joves de Brasil. Vaig llegir la seva biografia, escrita per un periodista de Rio. I la majoria de traduccions que he fet pel blog són d'ell.

Però encara no havia traduït "Eduardo e Mônica". Feia temps que ho intentava, però no em sortien les rimes. Altres cançons les he traduït sense preocupar-me gaire, però amb aquesta no ho volia fer. Tenia ganes de traduir-la bé, perquè és una de les millors. I també perquè una vegada vaig viure una història semblant. I també perquè li volia dedicar al Pedro. El Pedro és un amic de la Gabriela que una vegada em va dir que "Eduardo e Mônica" era l'única cançó de Legiâo que li agradava. No me'l vaig creure. Sigui com sigui, va ser pensant en ell que la vaig començar a traduir. Després ho vaig deixar estar. Fins avui. Avui estava escrivint un e-mail, en un cybercafè, i a la carpeta on l'he guardat he vist que hi havia un arxiu amb aquest nom, "Eduardo e Mônica". Era un examen: la cançó i sis preguntes sobre la cançó. I com que tenia temps, m'he posat a traduir-la. I m'ha sortit. He escrit sense parar, i la traducció "ha fluït". Encara hi ha versos que no rimen, potser alguna cosa estranya. Però en general m'ha quedat bé. Ara buscaré una bona versió a youtube, la posaré aquí sota, i ja estarà. Una cançó pels amics. Sobre l'amor. "Forza sempre."



Eduardo y Mónica

¿Y quién un día irá a decir que existe
razón en las cosas hechas por el
corazón?
¿Y quién irá a decir que no existe razón?

Eduardo abrió los ojos y no se quiso
levantar: se quedó echado y vio
qué hora era
mientras Mónica tomaba un coñac
al otro lado de la ciudad, como ellos dijeron
Eduardo y Mónica un día se encontraron
sin querer y conversaron un buen rato
para poderse conocer
Fue un colega del cursillo de Eduardo quien
habló:
-Hay una fiesta legal, nos vamos a divertir!
Fiesta extraña con gente muy
poco normal:
-No me encuentro muy bien,
no aguanto más bebida...
Y Mónica se rió y quiso saber un poco
más
Sobre el chiquito que intentaba
impresionar
Y Eduardo medio tonto sólo pensaba
en regresar
-Ya son casi las dos, me voy a largar!
Eduardo y Mónica se dieron los
teléfonos, después se llamaron y
decidieron quedar
Eduardo sugirió una lanchonete
Pero Mónica quería ver el film de Godard
Se encontraron, así, en el parque de la
ciudad
Mónica en moto y Eduardo en bicicleta
Eduardo encontró extraño y prefirió no
comentar
que la chica tenía tinta en el cabello
Eduardo y Mónica no eran nada
parecidos
Ella era Leo y él tenía dieciséis
Ella estudiaba medicina y hablaba alemán
y él todavía con las clases de inglés
A ella le gustaban Bandeira y la Bauhaus
Van Gogh, los Mutantes, Caetano y
Rimbaud
Eduardo sólo veía culebrones y jugaba
a fútbol chapas con su abuelo
Ella contaba cosas sobre el Planalto Central,
y sobre magia y meditación
Y Eduardo aún estaba en el rollo
"escuela-cine-bar-televisión"
Y a pesar de ser tan diferentes sentían
de repente muchas ganas de verse
Y los dos se encontraban todo el día y el
deseo crecía como tenía que ser
Eduardo y Mónica hicieron natación,
fotografía, teatro, artesanía y fueron
a viajar
Mónica explicaba a Eduardo cosas sobre
el cielo, la tierra, el aire y el mar
Él aprendió a beber, dejó el cabello
crecer y decidió trabajar
Y ella se licenció el mismo mes que él
pasó la selectividad
Y los dos lo celebraron juntos y también
pelearon juntos muchas veces después
Y todo el mundo dice que él la completa
y viceversa, como el feijão y el arroz
Construyeron una casa unos dos años
atrás
Más o menos cuando llegaron los gemelos
Batallaron mucho para tener dinero
superaron los dificultades que tuvieron
Eduardo y Mónica volvieron a Brasilia
y en verano los amigos les echamos
de menos
Pero estas vacaciones no van a viajar
porque el hijito de Eduardo tiene
recuperación

¿Y quién un día irá a decir que existe
razón en las cosas hechas por el
corazón?
¿Y quién irá a decir que no existe razón?

Violència 2

El puto disparo que vaig sentir.

Dilluns li dic a la portera, la Madalena:

-Você sabe que é que aconteceu na sexta (sexta=divendres)?

-Ai, seu Roger (seu=senyor; ella em diu així, hehe). Desculpe, foi meu filho, que chegou em casa bêbado (=begut)!

-O Que???

Puta que pariu, el fill de la portera arriba borratxo i es fot a disparar pel carrer??????? Putopsychokiller, el FILL de la PORTERA?????

En fi, la dona no havia sentir res. Li vaig haver d'explicar tot, no em va aclarir res, i vaig saber que el seu fill era un borratxo.

Thursday, March 29, 2007

Twin Towers


© Ramon Cardús


I still can't believe it.

I still close my eyes when those images appear on TV.

Saturday, March 24, 2007

Violència

Segurament no hauria d'escriure sobre això, perquè no tinc ganes de preocupar ningú, i menys els meus pares i germans, però la vida és així i és una cosa interessant.

Ahir a la nit, quan anava a preparar el meu plat de pasta per sopar, vaig veure que no em quedaven mistos. Podia haver-los anat a comprar, o podia haver trucat a la portera, que viu al mateix bloc, i demanar-n'hi. Però no vaig fer res d'això per diversos motius: faltaven deu minuts per les nou i vaig pensar que segurament la botiga ja estaria tancada; em feia mandra; no tenia gana; tot i que el meu carrer és segur, prefereixo no sortir quan és fosc. El que vaig fer va ser acabar-me un paquet de galetes i menjar-me un iogurt. Després vaig encendre la tele i em vaig estirar al sofà a llegir el diari.

Mitja hora més tard vaig sentir el crit d'una dona. Va ser un crit tan llarg que primer vaig pensar que era algú que jugava i després que era algú que s'intentava defensar. I llavors vaig sentir un tret. No va ser un soroll sec (com diuen que sonen els trets de pistola); va ressonar una mica, com un petard. Em vaig quedar quiet com un mort al sofà. Vaig allargar el braç per apagar la tele i vaig seguir escoltant. No se sentia res. Quan vaig començar a sentir moviment, vaig obrir el porticó i vaig sortir al balcó. Hi havia un grup de gent a la calçada, a l'alçada de la porta de l'edifici del davant. També hi havia gent als balcons i finestres, com jo. I cada vegada sortia més gent de les cases i s'afegia al grup. A terra em va semblar que hi havia el cos d'algú, però era una samarreta blanca (més tard un home la va agafar i la va tirar a la vorera, no sé què hi feia una samarreta blanca al mig del carrer). Em va semblar que al mig del grup hi havia una dona molt espantada, i que algú deia no sé què d'un atracament ("assalto"). Al grup també s'hi van afegir uns nens que jugaven a pilota (i que al cap de poc van continuar jugant). La policia no va aparèixer, segurament ningú no la va trucar. Jo vaig tornar a tancar els porticons, i des de la finestra de l'habitació encara vaig estar escoltant una mica, sense entendre res. Després, quan la Gabriela em va trucar, li vaig explicar. I em va dir, burleta: "No deies que el teu carrer era tan segur?". Ho continuo pensant, perquè al meu carrer, fins a mitjanit, hi ha gent passejant el gos, jugant a futbol o bevent chimarrão (mate) asseguda als portals (i en canvi, els carrers com el seu, o els dels barris rics, sempre estan deserts, són més perillosos). Però el cas és que hi va haver aquest atracament (haig de preguntar a la portera què va ser exactament) i que aquesta nit he somiat que m'entraven a robar a l'apartament. He somiat que preguntava a la portera si havien entrat alguna vegada, i que ella em deia que no, que els "bandidos" sabien que allà només hi vivia gent de passada i no hi havia coses de valor.

Flashback

Ahir el meu pare va fer 59 anys. Va superar l'edat del meu avi, que va morir de càncer als 58, i -d'això ja fa molt temps- la del seu millor amic, que també va morir de càncer quan no en tenia més de 45.

A la cafeteria, mentre esperava l'esmorzar, em vaig netejar les ulleres i em va semblar que al mocador hi havia taques de sang -sense ulleres no hi veig ni a un pam. Eren forats, estava veient la meva mà a través d'uns forats. Els mocadors que faig servir són del casament del meu pare, ja tenen uns quants anys. I a tots hi ha cosides les lletres J.C. Llavors vaig pensar que, per molts forats que tinguessin, sempre els faria servir. Com a homenatge o alguna cosa així. Però, a més a més, immediatament vaig pensar una cosa que té a veure amb la consciència de la violència que tots els que vivim aquí tenim. Vaig pensar que si algun dia em tocava alguna bala perduda, aquelles inicials servirien perquè la policia m'identifiqués.

Sóc conscient que, al món, la majoria de gent viu molts menys anys que els "afortunats" del Primer Món, i suposo que és per això que la mort no em preocupa gaire. A les faveles de Rio, per exemple, la majoria dels nens no arriben a fer 18 anys (la majoria: no estic exagerant). Arribar als 20 se celebra com una proesa, perquè els qui hi arriben ja tenen moltes probabilitats d'arribar als 50. Però primer has d'arribar als 20. L'any passat van fer un reportatge sobre els nens del tràfic, nens de 8 a 12 anys que es dediquen a vigilar i avisar quan la policia s'acosta a les boques de les faveles (els hi diuen "falcons"). I al final del documental, gravat mig any abans, es deia que dels sis nens entrevistats, cinc ja eren morts.

End of flashback

Anyway. Fa unes setmanes al Jornal do Centro van demanar a la Katia Suman, una locutora de ràdio que participa cada setmana al "Sarau elétrico", una trobada literària, que definís l'habitant del centre de Porto Alegre. I ella va dir que era "experto" (llest). Perquè el centre és més bonic, va dir, més tranquil i més segur que els barris "nobles" de la ciutat. Que ho continuï sent!

PS: Escrivint això de la bella Katia Suman, he recordat el que va passar fa tres setmanes a Moinhos de Vento, barri ric. Un grup de lladres professionals va "buidar" tot un edifici de pisos. Un home i una dona van entrar fent-se passar per repartidors de FedEx. Van reduir el porter i la criada que va baixar a buscar el paquet; van obrir el garatge perquè entrés una furgoneta. Mentrestant, uns altres es quedaven al carrer, en dos cotxes. Tots comunicats per ràdio. Els "repartidors" van entrar al pis de la parella que esperava el paquet. A punta de pistola, van obligar-los a anar trucant a les portes de tots els veïns. El seu dormitori es va convertir en una presó provisional, hi va arribar a haver fins a vint persones tancades. El "show" va durar tres hores i mitja. Els lladres es van endur joies, electrodomèstics i diners, i no van matar ningú.

Friday, March 23, 2007

Arnaldo Antunes, Essa mulher



Una cançó molt boja d'un dels cantants més bojos de Brasil. És de São Paulo, però jo el vaig veure en un concert a Salvador. I anava mooooolt flipat. I va ser mooooolt flipant.

Per l'Elvi, que fa temps em va demanar que li fes una llista de cantants i músics brasilers...

... i encara no li he fet :/

El lavabo i la cuina que surten al videoclip són molt típics de Rio, clavats als de la meva amiga Isabel. I aquest tipus de dutxa és el que faig servir jo.

Atenció a la lletra!:

Ela goza com o sabonete
Não precisa de você
Ela goza com a mão
Não precisa do seu pau

Ela quer viver sozinha
Sem a sua companhia
E você ainda quer essa mulher

:)))

Thursday, March 22, 2007

"Manies" de pobre

(D'una presentació PowerPoint -aquesta plaga- que em va enviar un amic.)
(No fa gràcia.)

-Beure cervesa en vas de plàstic.
-Escalfar la punta del bic per veure si torna a funcionar.
-Anar penjat a la porta de l'autobús.
-Llepar la tapa metàl·lica del iogurt.
-Posar-se el banyador o biquini i sortir al pati o pujar a la teulada a prendre el sol.
-Anar de botiga en botiga mirant els preus i dient: "Estic mirant".
-Anar al camp de futbol, entrar a la general i saltar a les cadires.
-Jugar a futbol equip amb samarreta contra equip sense samarreta.
-Moure la bombeta cremada per veure si torna a funcionar.
-Anar a la feina amb bicicleta i dir que és per estar en forma.
-Aprofitar ampolles de plàstic de coca-cola per guardar aigua a la nevera.
-Encendre una llauneta amb alcohol al lavabo els dies de fred.
-Assecar les bambes darrera la nevera.
-Decorar la torreta amb una flor de plàstic.
-Lligar el gos amb un cable d'electricitat.
-Fer servir agulles d'estendre per tancar els paquets d'arròs, sucre, pasta, etc.
-Tirar cotó fluix a l'arbre de Nadal perquè sembli nevat.
-Passar-se saliva pel colze perquè no es ressequi.
-Guardar les restes de les pastilles de sabó per fer-ne una bola.
-Convidar els amics a una festa d'aniversari i dir que cadascú porti alguna cosa.
-Arreglar la tira de la sandàlia havaiana amb una grapa.
-Decorar la sala d'estar amb records del casament.
-Passar-se fil dental i després olorar per veure si la dent està corcada.
-Treure's cera de les orelles amb les claus del cotxe o el tap d'un bolígraf.
-Pujar a la teulada i moure l'antena cridant: "Es veu bé?"
-I moltes, moltes més...

Wednesday, March 21, 2007

Traduccions de Brasil 17 (O Teatro dos Vampiros, de R. Russo)



Siempre precisé de un poco de atención
Creo que no sé quien soy
Sólo sé qué no me gusta
De estos días tan extraños
Queda el polvo escondiéndose en los cantos

Éste es nuestro mundo
Lo que es mucho nunca es bastante
Y la primera vez es siempre la última chance
Nadie ve donde llegamos:
Los asesinos están libres, nosotros no lo estamos

Vamos a salir -pero ya no tenemos dinero
Mis amigos están todos buscando empleo
Volvemos a vivir como diez años atrás
Y cada hora que pasa
Envejecemos diez semanas

Venga vamos, está bien -sólo me quiero divertir
Olvidar, esta noche tener un buen lugar donde ir
Ya entregamos el blanco y la artillería
Acercamos nuestras vidas
Y esperamos que un día
Nuestras vidas se puedan encontrar

Cuando me vi teniendo que vivir sólo conmigo
Y con el mundo
Tú viniste con tus sueños
Y me asusté
No soy perfecto
No olvido
La riqueza que tenemos
Nadie la consigue ver
Y al pensar en todo esto, yo, hombre hecho
Tuve miedo y no conseguí dormir

Vamos a salir -pero ya no tenemos dinero
Mis amigos están todos buscando empleo
Volvemos a vivir como diez años atrás
Y cada hora que pasa
Envejecemos diez semanas

Venga vamos, está bien -sólo me quiero divertir
Olvidar, esta noche tener un buen lugar donde ir
Ya entregamos el blanco y la artillería
Acercamos nuestras vidas
Y aun así
No tengo pena de nadie

Monday, March 19, 2007

Traduções ao português 1 (do romance Old School, de Tobias Wolff)

"Que que mais? Não fales do que escreves. Se falas do que escreves tocarás algo que não deves tocar e isso se fará em pedaços e não terás nada. Levanta-te com as primeiras luzes e trabalha como um demônio. Deixa que durma tua mulher, isso te compensará mais tarde. Controla tua pressão arterial. Lê. Lê James Joyce, Bill Faulkner e Isak Dinesen, essa bela escritora. Lê Scott Fitzgerald. Apóia-te em teus amigos. Trabalha como um demônio e ganha dinheiro suficiente para ir a outro lugar, a outro país onde os federais não te possam pegar.

Disse que conservaras teus amigos? Conserva teus amigos, aferra-te aos teus amigos. Não fica sem amigos."


(Quem fala é, supostamente, o velho Ernest Hemingway, que teria visitado o jovem Tobias Wolff quando ele estudava na faculdade para se tornar escritor. Daí a referência aos "federais": nos últimos anos da sua vida, Hemingway virou paranóico.)

(A Gabriela me ajudou na tradução. :)

Thursday, March 15, 2007

Traduccions de Brasil 16 (O desejo castigado, de Sergio Faraco)

El último día de enero, a las ocho de la mañana, vi a una pareja fornicando en el asiento trasero de un coche. Es algo normal, ya no causa o al menos no debería causar espanto a nadie, y a mí ni siquiera me habría despertado la curiosidad, de no ser por un pormenor de cierta importancia, de un pormayor, diríase: bajo el exuberante sol matinal, fornicaban delante de mi casa.

¡Magnífico panorama!

Venían de alguna fiesta, me imagino, y allí habrían practicado los juegos de seducción que aproximan al hombre y a la mujer. Impulsados por un urgente deseo, no lograron ir adelante y sucumbieron a la vorágine de esos instintos tan profundos, tan intensos, tan bellos, que llevan a los humanos a retomar su fogosa y primitiva naturaleza.

Miren, yo estaba cortando el césped y, parando la máquina, me senté en un tronco para presenciar aquella maravilla, diciéndome que la juventud es una bendición. Infelizmente, no pensaba lo mismo el vecino que llamó a la Brigada. Vinieron los soldados e interrumpieron el acto amoroso, obligando a la pareja a desembarcar.

Qué barbaridad.

No oí lo que dijeron, pero vi que el coche pertenecía a la chica y que llamaron a la grúa para que se lo llevara. La pareja se quedó allí en la acera, el chico atónito, la chica sollozando. Sin duda se estarían preguntando qué mal habrían hecho a la sociedad para merecer tal humillación.

Era en la calle, pero nadie estaba obligado a mirar, ¿verdad? Quien mira es que quiere ver, y quien quiere ver no se puede quejar. Alguien preguntará: ¿por qué no se fueron a un motel? Bien, un valor más alto se interponía: tenían prisa. ¿No es suficiente? Si esperaban, ya no tendrían las mismas ganas, el mismo delirio. Eso sin hablar de que a nadie le es lícito gobernar sobre la concha y el nabo ajenos.

Además, ¿lo que hacían no es lo que hacen todos, si bien ocultos, como si estuvieran cometiendo un delito?

¿No es lo que hace usted a todas horas?

¿No es lo que hago yo?

Bueno, yo, sólo de vez en cuando.

Lejos de mí la intención de condenar a los soldados, que respondieron a una denuncia de la vecindad ofendida, pero convengamos que no era necesario mandar retirar el automóvil, aunque eventualmente estuviera con la documentación irregular. Un cuerpo de policía evolucionado no deja a una bella dama de pie en un barrio de las afueras, y menos cuando se encuentra en medio de los transportes de la pasión.

Sunday, March 11, 2007

Da Zero Hora para vocês 1 (Entrevista a Marina Maggessi)

Contra quienes piden la reducción de la mayoría de edad penal de los 18 a los 16 años; contra quienes piden un endurecimiento de las penas de prisión; contra quienes levantan su voz a favor de una solución policial para el problema de la violencia en las ciudades; contra el catedrático de ética (!) Janine Ribeiro, de la Universidad de São Paulo, que en un polémico artículo en la Folha de São Paulo deseaba el sufrimiento y la muerte de los jóvenes (uno de ellos menor de edad) que arrastraron en coche durante siete kilómetros y mataron al niño João Hélio, de seis años, en Río de Janeiro; contra el filósofo Ferreira Gullar, que relativiza la causa social del problema; contra toda esa corriente, una entrevista a la que fue, durante 17 años, jefe del Departamento de Inteligencia de la Policía Civil y de la Delegación contra el Tráfico de Drogas de Río de Janeiro, Marina Maggessi, hoy diputada federal.

Zero Hora - ¿Sabe que en Rio Grande do Sul también se están registrando crímenes violentos con participación de adolescentes?
Marina Maggessi - Sí, desgraciadamente lo que sólo sucedía en Río se está diseminando por todo el país. Son cajas de resonancia. Y por ahí dicen que sólo se resuelve matando. No se resuelve. El problema no es cómo esos niños mueren, el problema es cómo nacen y se multiplican en progresión geométrica. Río tiene millones de adolescentes iguales a los que mataron a Jõao Hélio.

ZH - ¿Entonces qué se puede hacer?
Marina - Nada de lo que se ha hecho en Río en los últimos años: sólo reprimir. Hemos estado 20 años deteniendo, matando y muriendo. Es necesario denunciar lo que se presenta como verdad, que todo eso continúa siendo cosa del crimen organizado. He sido 17 años policía. Lo que sucede ahora es que el traficante de hoy es una chiquillada viciada en crack y cocaína. No están ligados al crimen organizado. Son hormiguitas. Ya no hay, como se cree, un jefe todopoderoso.

ZH - ¿Pero hay un jefe?
Marina - Hoy el jefe tiene como máximo 24 años. Pero ya no existe el traficante número 1. Están todos presos o muertos. Quedó esa chiquillada. No hay inteligencia policial que pueda ser eficaz en esos casos. La represión sola no ha funcionado. Tenemos que impedir la formación del delincuente.

ZH - ¿Qué se puede hacer para salvar a esos adolescentes?
Marina - Copiar lo que hacen las ONG y no hace el Estado. Hay muchos buenos ejemplos que han dado resultado. Esos niños no tienen familia, no van a la escuela, no reciben nada del gobierno. Su única posibilidad de inserción es adherirse al tráfico. Enloquecen con las drogas, son carcomidos por ellas y salen por ahí matando porque su vida y la vida de los demás no tienen valor.

ZH - ¿Cuál es el perfil de ese adolescente?
Marina - Dicen en Río que se les va a someter a una junta psiquiátrica para conocer su edad mental. No es necesario. Cualquier test psicológico mostrará que su edad mental es de unos cinco años. No saben articular una frase. Tienen un vocabulario de 20 palabras. No son ni animales, porque los animales tienen entidades que los defienden. Están en la frontera entre el animal y el ser humano.

ZH - ¿Por eso dejó usted de ser policía?
Marina - Me cansé. Detuvimos a muchos criminales de verdad. Pero me cansé al darme cuenta de que últimamente estábamos deteniendo a niños corrompidos y ver que eso no resolvía nada. No me daba ningún placer. Pasé a cuestionarme la utilidad de mi trabajo.

ZH - ¿Es el consumidor de drogas quien viabiliza todo eso?
Marina - El consumidor de drogas sabe que la cocaína que esnifa está llena de sangre. Pero el de la droga funciona como cualquier mercado. Si pararan de consumir pan, el panadero iría a la ruina. Pero no paran de consumir cocaína. Hay mucho papá de consumidor de coca pidiendo la pena de muerte para los niños del tráfico, o la reducción de la mayoría de edad penal. Eso no resuelve nada. Deberían escuchar una canción de MV Bill (músico y realizado del documental Falcões, Meninos do Tráfico), que se refiere a otra canción de Marina Lima, en que un niño traficante canta al consumidor hijo de papá: "te toca rapaz, meu mundo é você quem faz".

Wednesday, March 07, 2007

Pescadors d'Imbé (litoral nord de Rio Grande do Sul)

Avui he anat amb bicicleta a veure els pescadors que treballen cada tarda a tots dos costats de l'entrada del mar, entre Imbé i Tramandaí, costa nord de Rio Grande do Sul. He fet fotos dels pescadors que, amb l'aigua fins a la cintura, llancen les xarxes enlaire perquè es despleguin al vol i caiguin a l'aigua en cercles perfectes (pesca amb atarraya, es diu). També n'he fet dels qui pesquen amb canyes tradicionals -la majoria de canya, literalment. I n'he fet dels qui, des del moll, escombren l'aigua amb xarxes muntades en cercles de metall, xarxes-colador, d'un metre de diàmetre. Un home que pescava amb canya ha tret un peix que devia pesar vint kilos. No s'ha aturat, no li he pogut preguntar quin peix era; ha anat directe cap al cotxe, agafant el peix per les brànquies amb la mà dreta, el ventre blanc i lluent regalimant sang. Després, en una peixateria, he vist que venien, acabats de pescar, tainhas, sardines, anxoves i violinhas. A l'altra banda, a la vora del mar que pertany a Tramandaí, hi ha els mateixos pescadors llançant xarxes enlaire. Però com que l'aigua és menys fonda -no és un moll, és més aviat una platja-, el que hi ha més és nens banyant-se. Nens negres pobres. Per filmar la gent que passejava per la platja i els nens que jugaven a la sorra o es llançaven a l'aigua fent salts mortals, he encaixat la càmera a un costat del manillar, fent pressió amb els dits, i he anat pedalant a poc a poc i tan a prop de l'aigua i de la gent com he pogut.





Exagerant: jo no puc viure sense veure el mar. No necessito banyar-m'hi, ni navegar (tot i que m'agradaria, i ho faria si no fos per les hores que després t'has de passar netejant). Però l'haig de tenir a prop i anar-lo a veure. A Nova York, per exemple, la ciutat m'asfixiava, i cada dos o tres dies m'escapava a Battery Park, només per veure el riu Hudson (seia en un banc o em quedava inclinat sobre la barana, mirant els reflexos de l'aigua com atontat). I aquí a Porto Alegre vaig sovint a veure el riu Guaíba, que per a alguns és un llac (és un riu molt ample, una llacuna, i només troba el mar cent kilòmetres més a l'est i tres-cents més al sud; i està contaminat, teòricament no t'hi pots banyar, tot i que els pobres s'hi banyen, i més d'un s'hi ha ofegat). Hi ha gent que prefereix la muntanya. Suposo que és gent d'esperit curiós. La muntanya és més diversa. Però a mi la muntanya només m'ha agradat quan, a molta altitud (al cim de l'estació d'esquí del Puigmal, per exemple), he vist vastos camps de neu, ondulacions suaus i llises cobrint-ho tot fins a l'horitzó -sense deixar rastre d'arbres. La muntanya m'ha agradat quan s'ha assemblat al mar. En anglès existeix aquesta expressió, "a sea of white". Barcelona és una ciutat privilegiada; París i Dublín no tenen tanta sort.

Thursday, March 01, 2007

Da Folha para vocês 1 (Pecados íntimos, de Contardo Calligaris)

(Abans, un paràgraf del José Simão, que escriu articles molt divertits cada dia a la Folha de São Paulo. "I el príncep Charles vol prohibir els McDonald's a Anglaterra! Per una alimentació més sana! Ha! Es menja la Camilla Cara de Cavall i defensa l'alimentació sana?! En represàlia, el McDonald's hauria de llançar el McCamilla. Carn de foca! Carn del monstre del Llac Ness!!!")





Cuando enseñaba "Cultural Studies" en la New School, empezaba diciendo a mis estudiantes que eran libres de sacar tantas notas A como quisieran, pero que, para entender la subjetividad moderna, tendrían que pasar por tres B: Brummel, Byron y Bovary. No era sólo una boutade de profesor: las tres figuras en cuestión, a fin de cuentas, hablan todas de nuestra imposibilidad de conseguir, en la vida, la nota máxima. Una B ya está bastante bien.

Brummel (el primer dandy, de finales del siglo XVIII) nos recuerda que la nobleza no viene de la cuna; es fruto de la "elegancia" (no tanto de las maneras y el vestir, sino del espíritu). El hábito, en la modernidad, hace al monje, y somos libres de escogerlo. Pero esa libertad tiene un coste: la incomodidad de sólo parecer lo que somos, y, claro, la aflicción de parecer lo que no somos o no queremos ser. El hábito hace y aprisiona al monje.

Byron (el poeta romántico) nos recuerda que, en la vida moderna, lo que importa es la intensidad y la variedad de las experiencias. El hambre de vivir y el ansia de aventuras llevan a algunos a luchar por la independencia de Grecia, a saltar en skate cuando apenas saben andar o a perderse por las cunetas del mundo. Y nos llevan a soñar con lo que no osamos emprender.

Emma Bovary (la heroína de la novela de Flaubert) nos recuerda que el amor es el gran motor moderno del cambio. Descubrimos que podíamos inventar nuestra vida cuando empezamos a casarnos por amor (y no para preservar la casta, la familia y el patrimonio). Por lo tanto, esperamos del amor que nos transforme y nos lleve hacia "otra" vida (y toda vida tiene "otra" vida con la que soñar).

En una escena de Juegos secretos, un grupo de mujeres comenta Madame Bovary. Esas mujeres descubren (con disgusto) que todas son, de un modo u otro, Emma Bovary: inconformadas con su vida y deseosas de un amor que las salve.

Pero Juegos secretos es más que una adaptación de Madame Bovary: es un pequeño "tratado" de la subjetividad moderna. Incluso porque, precisamente, Emma Bovary sentía que era mucho más de lo que su "rutina" vital podía dar a pensar. Y sus sueños de amor eran sueños de experiencia y aventura. Es decir, las tres B están siempre juntas, dentro de nosotros.

Es difícil salir del cine sin preguntarse por qué misterio somos condescendientes con nuestros impulsos (el pedófilo y la protagonista no son los únicos que no saben resistirse a las tentaciones) y, al mismo tiempo, inertes cuando se trata de cambiar de vida. El deseo sólo se consigue expresar por sobresaltos. Es como si, contra nuestro deseo, hubiéramos erigido un dique inútil: el agua irrumpe, fuerte, por las pequeñas grietas, pero su masa no se transforma en energía para inventar la vida.

Esa incapacidad de cambiar es el gran tema de la película. Está la madre del pedófilo, que espera que el hijo se vuelva "normal", pero, atención, colecciona figuritas de niños. Está la mujer que no quiere perder al marido, pero que mete al hijo en medio de la cama y vigila a su esposo como si fuera su madre. Está la mujer que se muere de hastío y hace el amor con el marido cada martes a las 19:30, aunque sueña con conseguir el teléfono del tipo joven y guapo.

El título original de la película es Little Children (chiquillos). En materia de deseo, somos todos chiquillos, incapaces de encontrar el coraje para hacer lo que deseamos, pero siempre (y sólo) tentados por tarros de mermelada.

Saturday, February 24, 2007

Reasons Why I Love Salvador de Bahia

Fa temps un amic em va demanar que fes love lists en lloc de hate lists. Here goes one. (Esse amigo também me pediu para levar o Alegre para o Roger em vez de levar o Roger para o Alegre. Bom, parece que o Roger está mais alegre quando está no exterior.) (Rubem Braga: "Como sempre, no fundo do velho coração cigano, sinto aquela estranha, indefinível, amarga volúpia de partir".)

- A Rose.
- O Ronaldo.
- A amizade, a generosidade, a bondade, a transparência, tantas coisas desses dois aí.
- Os beijos apaixonados. (Els petons "de pel·lícula" són "piquitos" al costat dels que he vist aquests dies; no només a les desfilades i concerts, també al carrer o a l'autobús. "Pois é", diu la Rose, "bahiano beija apaixonadamente"; però no m'ho ha demostrat.)
- As criancinhas pretas.
- O Largo de Santana, no Rio Vermelho, com sua igrejinha branca. Uma das pracinhas mais animadas da cidade, na beira da praia da Paciência, onde o pai do Ronaldo tinha um barco.
- A saída do sol vista desde a praia da Pituba depois de uma noite de folia.
- A naturalidade com que os pretos tratam os brancos. Ao contrário do que acontece em New York, aqui os brothers não olham com ressentimento ninguém.
- Os paralelepípedos das ruas do centro histórico.
- O Museu Udo Knoff.
- A fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
- A fachada da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.
- O novo local para shows e atividades culturais criado por Carlinhos Brown no antigo Mercado do Ouro, na Cidade Baixa.
- Os bares com mesas na calçada.
- O grupo de japoneses que cada ano assiste ao Carnaval para fazer uma batucada (timbalada) tipo Olodum.
- Os colares de múltiplas cores.
- L'argentí propietari del cybercafè del Minas Center (Pituba), que es passa el dia llegint el Marca i altres diaris per saber què fan els argentins que juguen als equips de futbol d'Espanya.
- O balançar dos barcos velhos e gastos na praia da Paciência, em dia de chuva.
- Jorge Amado, é claro.
- O Triste fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto), A hora da estrela (Clarice Lispector), o Dicionário de Baianês, Cacau (Jorge Amado), O menino no espelho (Fernando Sabino), Salvador Negroamor e mais cinco livros que eu ganhei da Rose, o Ronaldo e a Rosa.
- O telhado da casa do Ronaldo, onde ele se deita a ver as estrelas.
- O Cruzeiro do Sul (que o Ronaldo me ensinou a identificar).
- As frases (aforismos) que a Rose escreve nos cartões que dá ao Ronaldo. (Ela dignifica esse gênero ruim.)
- Quando um grandalhão preto quis avançar no meio da folia entre a Rose e eu, eu me afastei para deixar ele passar, o cara falou "Não tenha medo, não vou lhe fazer nada!", e a Rose imediatamente corrigiu seu preconceito racial: "Ele não tem medo, não!".
- Os cabelos da Rose :oP
- E tantas outras coisas.

Friday, February 23, 2007

Tinc un germà anticulé (hehe)

oh brother where are you

sí, ja sé que ara mateix encara et deus estar recuperant de la juerga del carnaval, del desmadre, el bailoteo, les mulates, els culs dansaires i el carnaval més gran del món!!!!! que has viscut moments de gran joia i disbauxa i que tot te la pela, però jo t'escric igualment per dir-te que aquí, tot i que menys, també hem tingut moments d'alegria i joia recentment gràcies als nostres estimats equips de futbol. Com tu vas demanar, t'escric per posar-te al corrent de les últimes gestes de l'espanyol i la penya...
però primer lo primer: el barça s'enfonsa!!!!!!!!!
sí estimat germà, sembla mentida però és cert, el barça se'n va a pique a la mateixa velocitat que el titanic a la teva estimada i sobrevalorada peli.
primer va caure en el partit d'anada de la copa del rei contra el saragossa al camp nou, després contra el recre va empatar, aquest finde va caure contra el valència i ahir, ai ahir, m'emociono només de recordar-ho, va caure també al camp nou contra el liverpool en el partit d'anada de la champions. La cosa es complica... i en les pròximes dues setmanes es juguen la copa del rei (partit de tornada contra el saragossa), la champions (partit de tornada) i la dignitat i el futur a la lliga contra el madrid (i pel camí aquest finde ens poden fer un favor als pericos si guanyen al bilbao perquè no ens apreti per darrera). A més en les tres últimes jornades han desaprofitat dues oportunitats per allunyar-se en solitari com a líders de la lliga (el madrid i el sevilla no paren de punxar) i al perdre ara resulta que estan empatats amb el sevilla i tenen el madrid i el valència allà mateix!!!!!! la cosa està que trina i els culés es posen nerviosos i per si fos poc el tonto de l'etoó es va rebotar amb el rijkard i el ronaldinho perquè vol jugar i el rijkard només el deixa jugar ratets des que va tornar de la lesió... total que el barça s'enfons i ja sembla el madrid!!!!!
ah per cert, i ahir a més de la derrota davant del liverpool el barça de basket va perdre amb el panathinaikos. It was a sad sad day yesterday...

Monday, February 19, 2007

O meu peito é do contra



(...) La primera nit va ser una mica agobiant, perquè vam estar molta estona esperant uns amics de la Rose i el Ronaldo que no apareixien, i perquè la música era bastant desastre, axé, una música de Carnaval molt hortera que és la que agrada més a la majoria (l'equivalent a una música de festa major). Això era al circuit de la platja. Hi ha tres circuits, el de la platja i dos al centre històric. Al centre històric, ahir, va ser molt diferent. És un Carnaval més autèntic, més tradicional i amb gent de totes les edats. I la música que predomina és la samba, amb això està tot dit. Vaig estar "sambando" sense parar tres o quatre hores, i anàvem movent-nos d'una plaça a una altra quan els concerts s'acabaven. Els nens petits són els que ballen millor, jo els hi mirava els peus i els intentava imitar. I també hi havia parelles de gent gran, els homes vestits de blanc i amb barrets panamà. I ties molt espectaculars, és clar. A elles també les intentava imitar. I gent que no ballava, només es morrejava. La primera nit, abans de sortir, vaig estar a casa de la Rose, vaig conèixer les seves germanes. (...) Em van regalar un munt de llibres (el Ronaldo treballa en una llibreria) i un collar amb centenes de pedretes molt petites i de tots colors que representen tots els orixàs, els déus del candomblé. I avui tornarem al circuit de la platja perquè passen els "trios elétricos" (camions) del Gilberto Gil, el Carlinhos Brown, la Daniela Mercury i altres. Nosaltres som "pipoca" (palomitas): no paguem, veiem els camions passar des de les bandes, amb la gent del poble, el "povão". Els qui paguen porten uns petos de colors i acompanyen els trios, ballant al darrere i al davant dels camions, dins unes cordes aguantades per "cordeiros", gent que vol seguir els trios però no pot pagar. I els qui paguen més (entre els quals hi ha els famosos) ho veuen tot des dels "camarotes", uns palcos que hi ha tot al llarg del circuit. Tot això de les cordes i aquesta exclusió dels pobres és molt criticat a Rio, on als "blocos" o grups que desfilen pel carrer s'hi pot apuntar tothom (al Sambódromo no: s'ha de pagar, i molt). Ser pipoca està molt bé. I al centre històric tots els concerts són gratuïts, i és on m'ho he passat més bé. Hi ha més opcions, gent més diversa. No ets a la vora del mar, però estàs envoltat dels colors i les esglesies de la meravellosa Bahia barroca.

A continuació, una samba del "carioquíssima" Aldir Blanc. Me la va enviar la Isabel, que també és carioquíssima, i li vaig prometre que la posaria al blog perquè els meus amics sabessin que el Carnaval de Rio també és popular, no consisteix només en les desfilades de les escoles de samba del Sambódromo.


Não põe corda no meu bloco nem vem com teu carro chefe
Não dá ordem ao pessoal
Não traz lema nem divisa que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval
Não sou candidato a nada, meu negócio é batucada
Mas meu coração não se conforma
O meu peito é do contra e por isso mete bronca
Nesse samba plataforma
Por um bloco que derrube esse coreto
Por passistas à vontade, que não dancem o minueto
Por um bloco sem bandeira ou fingimento
Que balance e abagunce o desfile e o julgamento
Por um bloco que aumente o movimento
Que sacuda e arrebente o cordão de isolamento

Saturday, February 17, 2007

Salvador capital da folia



Desenrole as palavras como se fossem veste sobre a pele e escreva suas frases como se alisasse um rosto (assim como nesta hora fazem os negros melhor do que os brancos). Saiba traduzir o silêncio na face angustiada de quem está dentro ou fora das cordas. Escute o sussurro das mãos ébrias de luz, cor e afagos; não apenas a voz, mas também o sotaque rascante do asfalto. Fale a língua do chão. Percorra praças, avenidas, ruas, mas também vielas, camarotes. Apare o suor do folião pipoca e o dos que saracoteiam, à força de uísque, vinho e espumantes. Tenha olhos para ver o que sonha o som, o gemido das guitarras, mas também os seus gritos, a luta ancestral dos tambores. Liberte-se da mornança displicente. Descomplique-se. Na ponta dos dedos, nas teclas, no "mouse", onde olhos são acentos, digite almas, gestos, alegrias, dores. Seque a veia das drogas, extraia seiva dos murmúrios. Desenrole com os sentidos o turbante dos Filhos de Ghandy, o brilho das contas de seus colares, desvende a trama da trança rastafari. Leve para o texto esta verdade: gestos pensados, maciez e doçuras proclamam Salvador capital da folia e da paz nos corações aflitos.

(Este texto foi escrito pelo editor-chefe do jornal A Tarde, Florisvaldo Mattos, para servir de guia dos repórteres na cobertura do Carnaval.)

Monday, February 12, 2007

Traduccions de Brasil 15 (A Via Láctea, de R. Russo)

Per la Mercè i la seva germana (força sempre)

Cuando todo está perdido
Siempre existe un camino
Cuando todo está perdido
Siempre existe una luz
Pero no, no me digas eso
Hoy la tristeza no es pasajera
Hoy tuve fiebre la tarde entera
Y cuando llegue la noche
Cada estrella parecerá una lágrima
Querría ser como los otros
Y reír de las desgracias de la vida
O fingir estar siempre bien
Ver la levedad de las cosas con humor
Pero no, no me digas eso
Es sólo hoy... y todo pasará
Sólo déjame aquí quieto
Eso pasará...
Mañana será otro día, tal vez...
Yo no sé por qué me siento así
Hay de repente un ángel triste cerca de mí
Y esa fiebre que no pasa
Y mi sonrisa sin gracia
No me prestes atención
Pero gracias por pensar en mí
Cuando todo está perdido
Siempre existe un camino
Cuando todo está perdido
Yo me siento tan solito
Cuando todo está perdido
Ya no quiero ser quien soy
Pero no, no me digas eso
No me prestes atención
Y gracias por pensar en mí

Monday, February 05, 2007

Traduccions de Brasil 14 (Cordilheira, de Rubem Braga)

Desde agosto no caía una gota de lluvia en Santiago. Menos mal que el agua de los grifos -oh, lector carioca, mi prójimo, mi hermano- es abundante y limpia, y mana a voluntad para que por la tarde todo honesto ciudadano pueda regar sus plantas. Sólo en Inglaterra hay campos de hierba como los de Chile, tan verdes, tan suaves, tan perfectos y bonitos; el chileno trata el césped como si fuera una flor.
Una tarde ociosa de sábado andé paseando por el parque Balmaceda, lleno de árboles, niños, flores y enamorados. No está prohibido, felizmente, pisar el césped. Está prohibido coger flores y jugar a pelota, pero eso representa más una opinión de las placas del Ayuntamiento que una realidad humana. Aquí y allí tres chicos juegan a pelota y una chica coge flores sin que el guardia, por ese motivo, pierda su buen humor. También fumé un par de veces en el autobús, ignorando el aviso, y nadie me llamó la atención; Chile, gracias a Dios, es un buen país latino.
Pero hablábamos de la lluvia; llovió. Llovió por la tarde y la noche entera, y el día amaneció nublado. Después el cielo se fue limpiando -y hace tres días, mientras la luna crece, que está azul, espléndido, sin una nube. Así llegó el frío, todavía moderado, sin bajar de los 7 grados. Pero, con la lluvia, el aire se hizo más fino y la alta cima de la Cordillera se cubrió de nieve.
Es difícil explicar este lado del paisaje, este alto horizonte, esta inmensa muralla azul tocada de nieve que brilla al sol. Cuando el sol va muriendo por el otro lado del horizonte, la Cordillera empieza a cambiar de color -la montaña se vuelve violeta, la nieve a veces tiene reflejos purpúreos o rosáceos, el azul del cielo se va haciendo más grave en el crepúsculo alto y solemne.
Santiago no tiene mar; pero tiene, al este, esa presencia de abismo y de infinito, ese paisaje de extraña fuerza, pureza y paz -de una oceánica belleza.

Santiago, abril, 1955

Sunday, February 04, 2007

A two-line poem

Everybody sometimes wants to be
Somebody other than he or she.

Friday, January 19, 2007

32



Happy Birthday, Cristina.
Happy Birthday, Laia.
Happy Birthday, Kris.

I hope you are not too worried about it...
You still look pretty.
And, in the world we're living in,
who cares about being 32, 22, 12 or 2?

(In the picture, my favourite sportsman.)

Thursday, January 18, 2007

Traduccions de Brasil 13 (Soneto 11, de Luís de Camões)

El amor es fuego que arde y no se ve,
es herida que duele y no se siente;
es una satisfacción insatisfecha,
es un dolor que desatina sin doler.

Es un no querer sino el bien querer;
es un andar solitario entre la gente;
es nunca contentarse de contento;
es un pensar que se gana al perder.

Es querer estar preso por voluntad;
es servir a quien vence, el vencedor;
es mostrar a quien nos mata lealtad.

¿Pero cómo causar puede su favor
en los corazones humanos tanto gozo,
si tan contrario a sí es el mismo amor?

Wednesday, January 17, 2007

Traduccions de Brasil 12 (Leila, de R. Russo)

Estoy pensando en ti
Tengo ganas de verte
Pero a estas horas debes estar
Recogiendo a los críos en el colegio
Luego llegar a casa
Ver cómo está todo
Y cuando se haga el silencio
Fumar un pitillo y oír a Coltrane
Ya no hago esto pero lo entiendo muy bien

Adoro tus cabellos
Adoro oír tu voz
Adoro tu estilo
Adoro tu paz de espíritu

El fontanero sigue sin venir
Hay reunión de vecinos
El teléfono no da línea
Y la ducha está dando choques
Hay una cucaracha voladora en el cuarto de los niños
Y los monstruitos están gritando alucinados
Para ellos todo es diversión
Pero tú sabes qué es tener pavor, pavor, pavor
de las cucarachas voladoras

Y dices de aquella manera
"¡Ay, necesito un hombre!"
Y yo digo: "¡Ah, Leila, yo también!"
Y nos reímos

Montas tus fotos para la exposición
Prometes trabajar más con el ordenador
Y terminar tu vídeo en septiembre
Hay que recoger el coche en el taller
Ver la cuenta del banco, tarjeta, IPTU
El sábado hay comida en casa de Analú
Y domingo, bocadillos con los niños en casa
de Fernanda

Adoro tu mirada
Adoro tu coraje
Y adoro decir tu nombre: Leila
A veces las cosas son difíciles, mi amiga
Pero tú sabes enfrentar la belleza de esta vida
Adoro decir tu nombre:
Lei.....la, Leila

Sunday, January 14, 2007

RCD Espanyol de Barcelona

Um dia antes:

Amanhã eu vou ver o jogo Espanyol-Bar$a com meu pai, em Montjuïc, o estádio olímpico da cidade, alugado pelo Espanyol. No início desta semana pensei que seria bom convidar ele para ir. Meu avô costumava ir, num outro estádio que não existe mais, mas desde que ele morreu, em 1975, ano em que eu nasci, acho que meu pai só foi uma ou duas vezes, há muitos anos, com minha mãe. Quando falei para ele, ele falou um não rápido; falou que, se eu queria, ele pagava meu ingresso, mas que ele não ia. Ele sofre muito, nem quer ver os jogos que passam na TV. Mas logo quando acabam ele busca urgentemente o resultado, e fica triste ou feliz, só que não dá para ver (ele se prepara mentalmente para a derrota). No fundo, continua amando esse time, que nem meu vô. Por isso que eu fiz esse oferecimento, como homenagem a ele, ao meu vô (homenagem do meu pai). Então, ele falou que não ia. Mas depois, no outro dia, ele perguntou para mim: "A que horas é o jogo?". E eu falei com um sorriso: "Vamos!". E ele: "Mais eu não quero sofrer". Imediatamente liguei para o Uri e o Ramon, meus irmãos, torcedores também (o Uri mais do que o Ramon), e pedi para eles nos acompanharem, e eles ficaram mais do que felizes. Eu pensei que assim, com o apoio de três em vez de um, meu pai ia ficar mais tranqüilo, ia sofrer menos no estádio. (Se meu amigo Jorge estivesse aqui, a gente também teria ido com ele, como eu tenho feito nos últimos tempos pelo menos uma vez por ano, mais para estar com o amigo do que para ver o jogo de futebol, mas ele foi morar longe). Vamos os quatro homens da família. E acho que vai ser genial. O estádio vai estar lotado; vamos ver o nosso time, que este ano não é tão fraco; vamos tentar ganhar dos poderosos, o que sempre é legal; vamos ver o Ronaldinho Gaúcho, que joga muito bem mas não dá bola para seu clube. E se o nosso time ganha, vamos ficar com um sorrisão, mas isso não é o importante.

Um dia depois:



Espanyol 3 - Barça 1

Do jornal La Vanguardia: "Por su agresividad, Luis García parecía estar jugando el último partido de la historia, Iván de la Peña se vaciaba como un juvenil. Y Montjuïc, la montaña mágica, a mediados de enero y cerca de medianoche, florecía, vibraba, creía vivir una eterna primavera."

Três vezes as endorfinas inundaram a minha cabeça.

Saturday, January 06, 2007

Día de Reyes

El inicio de la película Derecho de familia, de Daniel Burman, me dejó con una sonrisa en los labios.

Buenos Aires. Cruce de calles. Exterior. Día. Un hombre mayor elegantemente vestido con traje, abrigo y bufanda cruza por un paso de peatones. Corte. Interior. Bar. El mismo hombre está sentado en la barra desayunando un café con leche y una medialuna y leyendo el periódico. Alguien (un vendedor ambulante: sólo se le ve el brazo) le ofrece una baratija. Voz en off:

Éste es Perelman Padre. Abogado. Mi papá dice que un hombre no es verdaderamente libre si no puede ir al bar a desayunar y leer todo el periódico sin tener que hablar con nadie. A lo sumo comprar alguna cosita.


¿Qué tal?

:))))))

Sunday, December 24, 2006

Traduccions de Brasil 11 (Cuando yo esté cantando, de Cazuza)



















(Ésta creo que poca gente la conoce. Es la última canción, del último lado, del último disco, de Cazuza. Se llama "Cuando yo esté cantando".)

Hay gente que recibe a Dios cuando canta
Hay gente que canta buscando a Dios
Yo soy así, con esta voz desafinada
Pido a Dios que me perdone en el camarín
Yo soy así
Canto para mostrar
Mi presunción

Cuando yo esté cantando
No te aproximes
Cuando yo esté cantando
Mantén silencio
Cuando yo esté cantando
No cantes conmigo

(Y ahora, ésta es para todos nosotros. Cazuza amaba esta canción.

My love,
There's only you in my life
The only thing that's bright
My first love,
You're every breath that I take
You're every step I make

And I
I want to share
All my love with you
No one else will do
And your eyes
They tell me how much you care
Ooh yes, you will always be
My endless love)

Hay gente que recibe a Dios cuando canta
Hay gente que canta buscando a Dios
Pido a Dios que me perdone en el camarín
Yo soy así
Canto para mostrar
Mi vanidad

Cuando yo esté cantando
No te aproximes
Cuando yo esté cantando
Mantén silencio
Cuando yo esté cantando
Canta siempre conmigo.


FELIZ NAVIDAD, BOAS FESTAS A TODOS.

Wednesday, December 20, 2006

Iraq, desembre de 2006

Feia temps que no llegia el blog de Riverbend, una noia que escriu des de Bagdad. El seu epígraf és magnífic, i em recorda la cançó Clarisse, que vaig traduir l'altre dia (malament): ... I'll meet you 'round the bend my friend, where hearts can heal and souls can mend... A l'últim post, del dia 5 de novembre, diu que "Irak has not been this bad in decades". Cada dia surt als diaris el nombre de morts del dia anterior, i cada vegada és més alt, però ja no ens hi fixem. Riverbend diu que, comparat amb ara, el mes de març de 2003 va ser "a honeymoon". I jo recordo molt bé aquell 15 de febrer del mateix any (dia en què vaig deixar de fumar!), quan un milió i mig de persones vam omplir els carrers de Barcelona per manifestar-nos contra l'inici d'aquella guerra (i molts milions de persones es manifestaven a altres ciutats). (Recordo, també, les mirades condescendents de persones que no ho van fer.) Nosaltres, ciutadans, sabíem què passaria, com acabaria tot si arribava a començar; i resulta que els qui manaven no. Ara, a Espanya, la gent s'exclama pels casos de corrupció immobiliària (que, com sempre, la dreta nega), però poca gent parla dels morts a l'Iraq. En fi. Jo només volia subscriure l'opinió que Josep Fontana, historiador i professor meu a la facultat d'Humanitats de l'UPF, manifestava fa pocs dies a El Periódico. Fontana deia que aquell senyor que manava a Espanya (no escriuré el seu nom al meu blog) hauria de ser processat, que algú l'hauria de dur als tribunals. Va mentir a tots els ciutadans i va dur el país a la guerra, i és increïble que quedi impune.

______


Ara, al bar, mentre esmorzava, acabo de xerrar amb una cambrera veneçolana. Aquesta és la Barcelona que m'agrada.

Sunday, December 17, 2006

Porque la vida puede ser maravillosa



O Inter é campeão, o Inter é campeão!!!!!!!

E onde eles vão colocar essa sexta estrela? Não tem mais espaço! Hahaha!

El presupuesto del Bar$a debe de ser 20 veces mayor...

But who's the fucking Champion of the World??????????

O Sport Club Internacional de Porto Alegre!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

I love you Clemer!, I love you all!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(E amo o Ronaldinho gaúcho, e amo o Deco!, mas deveriam ter ficado no Brasil!)

Beijos para ti, João, para ti, Jonas (don't get drunk), para ti, Gabi, para a familia toda de colorados!

Wednesday, December 13, 2006

Traduccions de Brasil 10 (Clarisse, de R. Russo)

Aquesta cançó és la més significativa de l’últim disc de Legião Urbana, Uma outra estação, de 1996, any de la mort de Renato Russo, i va ser prohibida a ràdios i televisions per evitar una onada de suïcidis.

(Ei, el meu estat d’ànim no té res a veure amb aquesta lletra; senzillament, era de traducció fàcil; o jo l’he fet fàcil, molt literal.)

(Divendres comença un cicle de cinema brasiler als cines Verdi. No sé si és una bona pel·lícula, però si algú va a veure Cazuza. O tempo não pára, sobre un cantant que també va morir de sida, sentirà bones cançons.)

Estoy cansado de ser vilipendiado, incomprendido y descartado
Quien dice que me entiende nunca quiso saber
Aquel niño fue internado en una clínica
Dicen que por falta de atención de los amigos, de los recuerdos
De los sueños que se configuran tristes e inertes
Como un reloj de arena inmóvil, no se mezcla, no se mueve, no trabaja
Y Clarisse está encerrada en el baño
Y hace marcas en su cuerpo con su pequeño cuchillo
Echada en un canto, sus tobillos sangran
Y el dolor es menor del que parece
Cuando ella se corta ella se olvida
Que es imposible tener en la vida calma y fuerza
Vivir en dolor, lo que nadie entiende
Intentar ser fuerte ante todo y a cada amanecer
Una de sus amigas ya se fue
Simplemente una ocurrencia policial
Nadie lo entiende, no me mire así
Con este semblante de buen samaritano
Cumpliendo su deber, como si yo estuviese enfermo
Como si todo este dolor fuese diferente, o inexistente
Nada existe para mí, no intente
Usted no sabe ni entiende
Y cuando los antidepresivos y los calmantes ya no hacen efecto
Clarisse sabe que la locura está presente
Y siente la esencia extraña de lo que es la muerte
Pero conoce muy bien ese vacío
De cuando en cuando un nuevo tratamiento
Pero el mundo continúa siempre el mismo
El miedo de volver de noche a casa
Los hombres que se friegan asquerosos
En el camino de ida y vuelta de la escuela
La falta de esperanza y el tormento
De saber que nada es justo y poco es cierto
Y que estamos destruyendo el futuro
Y la maldad anda siempre muy cerca
La violencia y la injusticia que existen
Contra todas las niñas y mujeres
Un mundo en que la verdad es el reverso
Y la alegría ya no tiene dirección
Clarisse está encerrada en su cuarto
Con sus libros y sus discos, su cansancio
Yo soy un pájaro
Me encierran en la jaula
Y esperan que cante como antes
Yo soy un pájaro
Me encierran en la jaula
Pero un día me consigo resistir
Y voy a volar por el camino más bonito
Clarisse sólo tiene catorce años

Tuesday, December 12, 2006

Traduccions de Brasil 9 (Correr, de Fernanda Young)

Corro porque soy kantiana. No sigo los instintos de mi naturaleza; al contrario, me vuelvo aquello que no soy por una razón mayor. Procuro controlar mis defectos, y la pereza es el mayor de ellos. Sería totalmente perezosa, pero no lo soy.

Otro motivo es que soy triste. Pero no puedo estar triste, ya que debo, a mi obra, cierto discernimiento, y a mis hijas, la fuerza para criarlas fuertes. Así que corro también porque si no lo hiciera me pondría a llorar, reclamar sin hacer nada y fumar mil cigarros.

Dicen que quienes, como yo, tienen la luna en Piscis, tienen tendencia al vicio. Corro, por lo tanto, para huir de la caída en la autodestrucción, porque no existe química mejor contra la depresión que la endorfina.

Correr es, así, mi remedio. Mi meditación. Corriendo sola, estoy en la mejor compañía. Hace más de diez años que soy fiel a esta rutina. Cogí una sesamoiditis crónica, pero tengo un buen podólogo y plantillas especiales.

Dicen los envidiosos que correr envejece. Bien: el tiempo envejece. Y yo prefiero enfrentarlo en la mejor forma. Nunca he sido bonita, y, corriendo, jamás me volveré fea.

Algunos dicen que correr es una moda urbana. No lo creo, si no no me hubiera vuelto adepta. Repudio las cosas “in”.

Y, como tampoco soy dada a lo colectivo, ni siquiera acostumbro a correr en grupo.

Incluso en las corridas en las que a veces participo, si no voy sola, voy con un amigo silencioso.

Corro, por encima de todo, porque me gusta. A veces, casi llego a llorar, tamaña es la emoción. La sensación es de dejar atrás lo que fui –mi pasado es un residuo que defiendo, pero no cargo–; y mi cuerpo lo agradece, renovado. Los músculos a punto para defenderme, o defender a aquellos que precisen de mí.

Y, claro, corro porque puedo. Se lo agradezco a mis buenas rodillas, que me sustentan sin reclamar. Tengo mis métodos, mis cuidados, mis rutas preferidas. Pongo lo mejor de mí en este proyecto, porque dependo de él para vivir. Porque corro, dejé de fumar. Porque corro, me alimento mejor. Porque corro, no pierdo los viernes en tonterías. Adoro correr los sábados.

Para terminar, corro para no ofrecer un perfil obvio. Ya que correr, en mi caso, es prácticamente una contradicción. Sin embargo insisto en ello, encarándolo como una manifestación política; tal vez más significativa que votar.

Corro, por esta causa, con toda la elegancia y la humildad. Aprendiendo a cuidar bien de este cuerpo que Dios habita.

Finalmente, corro porque me gusta ver a la gente corriendo, y quiero que mis hijas sepan que somos capaces de cambiar. Y porque no aguanto hacer régimen. Es eso: me encanta comer pizza por la noche.