Friday, April 18, 2008

O ritmo da chuva

Mas COMO a Fernanda é LINDA!

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

(E mais um exercício curto, feito em sala de aula a partir de uma pergunta surreal do professor.) (Amigos da Bahia: podem fazer correções!) (E para quem não é brasileiro: "comer" tem significado duplo. E "fantasia" significa "disfraz".)

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

A queimei, seu sem-vergonha. Seu desgraçado, seu imbecil. Ou pensa o que? Cê acha que eu sou boba? Cê acha que a gente não vê? Puta, Gil! Eu sou motivo de piada em todo o bairro! O povo sabe disso em toda Salvador! Gorila, Gil! Não tinha outra? Olha que tem um pessoal esquisito, lá no Pelô! Caras de latão! Mascarados de todo tipo! Gringos que não precisam de fantasia, que parecem de Plutão! E ninguém repara neles, meu! Mas onde você viu, gorila peludo beijando neguinha? Gorila na Praça Teresa Batista! Puta que o pariu! Que lugar pouco concorrido! Pegando menina feito um animal! Orangotango pulando na Quincas! O bicho foi visto no beco do Quebra-Bundão! Eu até ia sabendo o roteiro! Que só não saiu no jornal! Olha, vou lhe dizer: eu só a corna, a maior corna, mas pena eu tenho das doidinhas que cê pegou. Mulher inteligente o senhor não pega não. Só esta aqui sua senhora. A dona da casa do grande mandril. Até que devia ficar bonito. Deviam é tê-lo capturado. Largado numa jaula. Viu, vou comprar-lhe de novo a fantasia. Crianças vão ver gorila comendo gorila no zôo.

Thursday, April 17, 2008

Juliana ri

(Conto/exercício escrito para a Oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS.)


Juliana desce e ele vai atrás, câmera na mão. Está praticamente sozinha no trecho final. É a última descida. E está tão feliz! Porque não faz mais “o pêndulo”, como no início. Agora está indo reto, desce reto, deixando a prancha correr antes de virar. Com os braços abertos em cruz, para manter o equilíbrio, vira à direita, varrendo a neve, e vai, vai, se afastando dele. Não olha para trás, só dá rápidas espiadas em frente – hihihi –, a cabeça escondidinha no colarinho do anoraque; há um instante passaram por ela duas crianças que nem raios, de capacete, cabeções; já ouve só seus gritos. Ainda não ergue a cabeça, olha a neve deslizar sob seus pés. Ela nunca tinha estado na neve. Agora está adorando. Deslizar não é um obstáculo, não. Olha para baixo, sorrindo, vê os flocos de neve brilhar, cor de laranja. Neve cálida! Lembra que está sendo filmada e segue em frente, não vai parar; quer se aprimorar, mas logo esquece. Escuta o som suave e rasgado da neve, que a corteja, docemente. E o vento que embrulha o anoraque. Seu anoraque vermelho, tão bonito. Nunca se sentiu tão leve assim. Sorri; desliza e vai abrindo o sorriso. Não pára. Aproxima-se muito dos abetos, sente o coração acelerar. Vira, vira à esquerda, olhando a prancha, vê se obedece! Vê passar um pedaço de azul de anoraque. O anoraque dele. Se sente linda, linda. E sorri tanto porque é a primeira vez. E está se dando bem. Tu-do tão na-tu-ral. Certamente ele está olhando, e ainda gravando – bobo! –: ela não vai olhar. Vira de novo, e escapa, mais uma vez não pára. Não quer, não quer parar. Ela nunca viu a neve, nem se sentiu deslizar. Fraquejam-lhe as pernas, está chegando abaixo, agora é que vai se jogar. Ele passa reto, trava a prancha, perto, perto. Ah, ela não pode mais! Cai de costas na neve, protegida no anoraque. Nunca foi tão linda – sabe, sente – como embaixo desse céu, sobre essa neve. “Pára!”, grita; porque não quer ser filmada, porque somente ela sabe, porque isso que ela sente não vai aparecer. Ouve sua própria gargalhada; seu peito que se abre, que dói. Vira a cabeça para o sol, sente frio na orelha. A bola vermelha vazando nas telhas de ardósia – o refúgio. Lembra o sabor do chocolate, tão quente, tão bom. Tudo tão bom, agora. Olha de novo para cima. As pontas verde-azuis dos abetos. O céu claro e sem nuvens. Alguns fios de cabelo. E essa cara de bobalhão!

Tuesday, April 15, 2008

Da Folha para vocês 6 (Crack no Rio, de Elio Gaspari)

La presencia de crack en las calles de Río y otras grandes ciudades será un factor de reducción de la criminalidad en un plazo de tres a cinco años.

El motivo es triste y simple: quien empieza a tomar crack difícilmente lo deja, y quien no lo deja muere.

La droga puede llegar a la clase media, pero en pocos meses el adicto cambia de clase, ya que, a diferencia de la cocaína y la marihuana, el crack incapacita a la persona para cualquier otra cosa que no sea tomar crack.

El temps

Entre ahir i avui he passat de caminar buscant l'ombra a caminar buscant el sol. I això no és cap cony de metàfora. És que ha canviat el temps. Ara hauré d'anar a comprar roba, cagumcony. I demanar més mantes.

Monday, April 14, 2008

No elevador

No elevador, hoje, depois da aula, éramos eu e umas oito colegas, e eu estava perto da porta. Chegamos ao térreo, e fiquei na dúvida, com um pé adiantado. Mas deixei passar todas elas. Quando a última passou por mim, ela falou, rindo: "É muita mulher para ser cavalheiro!". Gostei da frase. Lhe disse que gostei da frase e que ia usá-la. Mas não, acho que não vou saber. Já interiorizei esse tipo de gestos. Nem sei se elas gostam ou não.

Sunday, April 13, 2008

Dos mesos després, a Itàlia...

... Campions de la Copa ULEB.

Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!

Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.

Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!

(No és un post repetit, és que ara la Penya guanya sempre :)

Show Inclassificáveis

Fui ao show do Ney Matogrosso! Três dias de teatro lotado, sem ingressos segundo o jornal. Mas consegui ingresso de pé. (Simples desejo...)



Simples desejo (de Luciana Mello)


Que tal abrir a porta do dia-a-dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...

Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Thursday, April 10, 2008

O que aconteceu com Baleia?

Estou de novo na oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS, desta vez como aluno do mestrado em Letras. E, finalmente, depois de duas ou três aulas sem entregar NADA, produzi este conto, um texto breve escrito em pouco tempo, na sala de aula, a partir somente de um título misterioso dado pelo professor: O que aconteceu com Baleia? (assim, sem artigo). Os mini contos que resultaram desse título foram bem interessantes!

Baleia virou assunto de documentário. Nenhum exemplar sobreviveu à última guerra. Houve quem culpasse exclusivamente aos japoneses, que teriam dizimado a população enchendo-se a comer filés de cetáceo em suas cadeias de fast-food. Porém, historiadores conceituados acreditam que os exemplares sobreviventes teriam bastado para repovoar o planeta, não tivesse sido pelos mísseis subaquáticos que durante o conflito cruzaram os mares dos cinco continentes. Golfinho também desapareceu, virou assunto de livro de biologia. E nem pôde dar tchau a Baleia, pois seu extermínio foi anterior. Nesse caso não há acordo entre a comunidade científica, estando norte-americanos e chineses ainda divididos quanto à responsabilidade dos hábitos alimentares nipônicos e, portanto, às medidas a adotar.

Wednesday, April 09, 2008

Haicai

Estou lendo uns livros chatos do Roland Barthes para uma disciplina do mestrado; textos, na verdade, que não são chatos-chatos, parece que ele se moderou na velhice. Nesses livros, que são os textos dos últimos cursos que ele ministrou na França, A preparação do romance I e II, ele dedica muito tempo a falar dos haicai, e se deleita com a imediatez que encontra em eles (de novo: fica esquisito isso, esse deleite pela imediatez e simplicidade, sendo ele quem foi...). Enfim, gostei dalguns deles e queria compartilhá-los, se bem que talvez não pareçam tão bonitos fora do contexto em que Barthes os coloca. Uma citação de Valery pode ajudar: "Os poetas do Extremo-Oriente parecem ter se tornado mestres na arte de reduzir à sua essência o prazer infinito de estar emocionado". (O que tem a ver o haicai com o romance? Não sei porque ainda não li a parte II.) (Ah, e este post e para o Yuji, de São Paulo, que se perdeu na Internet depois de passar o vestibular. Dá um oi se passar por aqui...)


Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizo no oto

Tá, estou brincando (ou então esse só vai entendê-lo a Cristina; e o Yuji, claro).


Deitado
Vejo passarem as núvens
Quarto de verão

(Yaha)


O vento do inverno sopra
Os olhos dos gatos
Piscam

(Bashô)


O riacho de verão
Passado a pé que felicidade
Tamancos na mão

(Buson)


Para o Ronaldo, que gosta de olhar as estrelas:

As flores de verbena branca
Também em plena noite
A via láctea

(Gonsui)


Um haicai moderno:

Empregados de banco de manhã
Fosforescentes
Como moluscos

(Kaneko Tôta)


Portinha de treliça
Flores num vaso
Cabana da paz

(?)


Para quem gosta de andar descalço:

Frescor
Na parede a planta de meus pés nus
Sesta

(Bashô)


Estação das chuvas. Olhamos a chuva
Eu e atrás de mim, de pé,
Minha mulher

(Rinka)


Chego pela senda da montanha
Ah! Isto é lindo
Uma violeta

(Bashô)


Em meu copo de saquê
Nada uma pulga
Absolutamente

(Issa)


"Isto, Isto"
Foi tudo o que pude dizer
Diante das flores do monte Yoshino

(Teishitsu)

Tuesday, April 08, 2008

Wednesday, April 02, 2008

Cancer (a poem)

Cancer, that worst of words
How many members of how many families
That didn't speak to each other or look at each other's face
Has that only illness had the power
To reconcile, in all the world, all these years?

Tuesday, April 01, 2008

Adriana (a poem)

(This came to my mind this morning while I was still asleep - it came in English, maybe because yesterday I wrote an e-mail to Kris.)


Adriana went to the market
Went to the bank
Went to the library
And went to the store

And by the end of the day
She had four lines of poetry
That she gave to her creative writing teacher
With whom she was in love

O mercado não resolveu! :o)

Este post é dedicado àqueles (na Espanha, no Brasil, nos EUA) que ainda gostam de defender o livre mercado desregularizado. (Estou sem tempo para traduzir o artigo para o espanhol.) (Eu, como meu pai, estou indignado pelo jeito como o Estado teve que ir ao resgate dos especuladores; eles, que sempre o desprezaram (mas a vida é cheia de ironias); todo o mundo deveria estar indignado, porque é todo o mundo, o cidadão, quem paga, agora, pelas loucuras que os especuladores fizeram para se enriquecer - com a aquiescência dos economistas neoliberais até agora no comando.) (É só clicar sobre a imagem para poder ler o artigo.)

Monday, March 31, 2008

Sobre beijos, marinheiros e Jorge Amado

1. Costumo contar em Barcelona como são os beijos na boca que homens e mulheres se dão em Salvador. Beijos apaixonadíssimos, beijos de minutos, beijos que eu nunca vi - nem no cinema. Não é só durante a folia do Carnaval. Também no shopping, no ônibus, em todo lugar. Impressiona. E sabem o que? Encontrei uma explicação - uma explicação que bem pode não ser a boa, mas que é tão bonita que seria legal que o fosse. Está - e continuo monotemático - no livro Mar morto, do baiano Jorge Amado, um de cujos parágrafos diz assim (traduzo para o espanhol, senão não tem graça e o post não é mais meu):


Judith solloza en el cuarto. Es el destino de todas ellas. Los hombres de la vera del puerto sólo tienen un camino en la vida: el camino del mar. Por él se adentran, ese es su destino. El mar es el dueño de todos ellos. Del mar vienen toda la alegría y toda la tristeza porque el mar es el misterio que ni los más viejos marineros entienden, que no entienden ni aquellos antiguos maestros de barcos de pesca que no viajan más, y apenas remiendan velas y cuentan historias. ¿Quién consiguió descifrar el misterio del mar? Del mar viene la música, viene el amor y viene la muerte. ¿Y no es sobre el mar que la luna es más bella? El mar es inestable. Como él es la vida de los hombres de los barcos pesqueros. ¿Quién de ellos tuvo un fin de vida igual al de los hombres de tierra, que acarician a sus nietos y reúnen a las familias en almuerzos y cenas? Ninguno de ellos anda con ese paso firme de los hombres de tierra. Cada uno tiene algo en el fondo del mar: un hijo, un hermano, un brazo, un barco que volcó, una vela que el viento de la tormenta despedazó. Pero, del mismo modo, ¿cuál de ellos no sabe cantar esas canciones de amor en las noches del puerto? ¿Cuál de ellos no sabe amar con violencia y dulzura? Porque cada vez que cantan y aman, bien puede ser la última vez. Cuando se despiden de las mujeres no dan rápidos besos, como los hombres de tierra que van para sus negocios. Dan largos adioses, agitan las manos, como todavía llamando.

(Acabei de fazer a pesquisa: para quem se interessar, existe uma edição em espanhol da Editorial Losada, de Buenos Aires, de 2005, à venda em La Casa del Libro, Barcelona.)


2. Um escritor gaúcho atual falou que nos romances dele não tem mais cenas de sexo. Disse que já foi tudo escrito, que não há como escrever nada novo sobre isso. Jorge Amado escreveu esse romance, um dos seus primeiros, nos anos 30, quando tudo "já tinha sido escrito" também. E ele colocou isto em uma frase só, menos de 10 palavras. É depois da primeira noite de sexo na vida do protagonista, marinheiro macho:

"Ele era homem, dobrava uma mulher aos seus pés."


3. Capitães da Areia foi o primeiro livro em português que eu li: chegou por correio a Barcelona, em 2001, presente de minha amiga carioca Isabel, graças a quem eu vim pela primeira vez ao Brasil, em 2003. Depois eu li Gabriela, cravo e canela, presente de Gabriela, que fez questão de dar-me o livro em capa dura, porque assim eu tinha os Capitães. Foi em 2005. Já em 2007, ganhei Cacau do meu amigo Ronaldo, baiano, que quis que eu soubesse como era a vida dos escravos nas fazendas de cacau. Ronaldo, o maior presenteador de livros que eu conheço (maior que o meu pai!), é quem deu quase todos os livros de Amado à Rose [Ups! A Rose me corrigiu: o que ela ganhou do Ronaldo foram todos os livros do García Márquez - além de muitos outros.] E eu agora pretendo tê-los também, nas novas edições da editora Companhia das Letras, que ganhou em leilão os direitos da obra completa do escritor, até há pouco da Record. Os primeiros quatro volumes que saíram, entre os quais Mar Morto, Dona Flor e seus dois maridos e A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, são lindérrimos (não que os da Record não o fossem, mas a Cia. se puxou). Foram apresentados num show em São Paulo, no maior evento feito até agora por uma editora, a semana passada, com mais de 1.000 pessoas e a presença de Chico Buarque e Caetano Veloso, que cantaram e leram trechos dos livros. O editor da Cia. das Letras, Luiz Schwarcz, chegou a dizer nessa noite, brincando: "Bem-vindos à inauguração da Companhia das Letras!". Amado é muito Amado, e não importa o que digam os acadêmicos, os estetas, os leitores mais elitistas que gostam de se afastar do que cai na graça do povo: talvez não seja o melhor escritor, mas ele é, a meu ver (quem sabe, junto a Érico Verissimo), o melhor romancista do país.

Saturday, March 29, 2008

Un text boig del meu germà

Pels qui es queixen, amb raó, que no escric en català, un text boig del meu germà Ramon (editat i, ho sento, censurat).

Ja ho veuen... El germà fotògraf està tan ocupat que no té temps ni d'escriure... Ahhhhhhhhh... Alerta... Però no. Aquí estic de cos present. Per escriure't. Per enyorar-te. De nit, Porto Alegre en somnis. Esmorzo a Ipanema. Dino sota la palmera a Copacabana. Mentre sopo, Salvador. I a totes hores, tu, germà. Et voldria enviar versos, però sóc a Barcelona i no me'n surten. Et voldria enviar pernil, però no tinc diners per comprar-ne. Et voldria enviar amor, però la vida fa temps que em va gelar el cor. Nooooooooooooooooooooooo. La vida, si hi penses, què és? Records, experiències viscudes, coneixements adquirits, records. Un home està fet de records. Els records són allò que més temps conviu amb un mateix. La família, t'estimi o no, hi és, però passa. Les nòvies, te la [censurat], i passen, els amics, hi són, però passen. En canvi, el record de l'olor d'aquella fleca oberta de matinada que arribava a l'habitació de l'hotel de Bucarest et fa costat sempre. Encara que et tallin el nas. Perquè ja no és una olor. La vida és el que fas. Però sobretot el que has fet. Perquè el record normalment supera la il·lusió, per bé o per mal. Si ara jo penso en demà, penso en un dia. Però quan demà hagi passat, que també en podríem dir demà passat (potser ve d'aquí), ahir no serà només ahir, sinó que serà ahir durant tots els teus dies. De fet, poc ens hauríem de preocupar pels diners o tot allò tangible. Això ho vaig llegir ahir al Nou Testament. Emprèn el viatge, i no et preocupis de què menjaràs o què beuràs, perquè això t'impedirà assolir allò que realment busques. Déu, si estàs al seu costat, et proveirà de menjar i beguda, perquè Déu t'estima i Déu et protegeix. Em sembla que era una cosa així. Té raó en moltes coses, la paraula de Déu. Quants cops quedes amb una noia i estàs dos dies sense dormir, pensant com anirà tot, si li faràs un petó o si directament la posaràs de cara a [censurat]. En aquest cas, si segueixes el camí de la fe, no t'has de preocupar de res. Et [censurat] a qui t'hagis de [censurat]. Això em portaria a parlar del destí, però em fa mandra. Prefereixo explicar-te que l'Oriol segueix obsessionat amb el canvi climàtic. Em penso que li hauré de fer una broma... Potser algun dia es llevarà amb els ous vermells i súper inflats. Avui ja em deia que l'esquí s'està acabant... Com si a mi això em preocupés massa... Alerta, ja ho veuen. Nooooooooooooooooo. I ara t'escriuré un poema en binari: 111111111111000010 / 000100001000100000 / 000011111111111100 / 000000001111111000. Vés preparant un verset per la teva cunyada / que de nit i de dia me l'he [censurat]. El Mas ha guanyat un vot, dues convergents s'han fumat un puro amb bigoti [mmm, va, no ho censuro] i un repartidor ha descobert que el cel, si existeix, s'ha d'assemblar molt a [censurat]. Una abraçada, germà.


PS do Roger (em português): Um colega de aula, cara legal, me perguntou no café por que eu tinha dito duas vezes que eu era espanhol. Eu nem tinha me dado conta. "Ah é?". Parece que ele conheceu dois catalães, no sul da França ou na própria Catalunha, não me lembro bem, que fizeram questão que ele entendesse que eram só isso, catalães. Aí eu tive que explicar que eu também era catalão. Disse que na minha viagem ao Perú e à Bolívia, eu era "de Barcelona", porque lá emcima não gostam de espanhóis. Que no Chile, Argentina e Uruguai voltei a ser espanhol e catalão, mas que geralmente o melhor passaporte era sempre dizer Barcelona. Barcelona funciona como uma palavra mágica, gera simpatias, abre portas. E às vezes eu brinco e digo que sou baiano, carioca ou gaúcho (gaúcho na Bahia, baiano no Sul: só pra implicar). Enfim, o que eu quero dizer é que, inclusive aqui, no Brasil, por ser catalão, ou é espanhol?, preciso me explicar, dizer o que eu "sou". Não deveria ser necessário. Nacionalismos, patriotismos, bairrismos... Estou fora, viu?

Friday, March 28, 2008

É doce morrer no mar

(Música de Dorival Caymmi, letra de Jorge Amado.) (Existen versiones de Caetano Veloso, de Marisa Monte y de muchos otros.) (La letra reproduce la canción que un viejo marinero negro canta, de noche, en el puerto de Salvador, y que Lívia oye mientras espera la vuelta de su marido, Guma, en la novela Mar morto.) (Ah, y el vídeo es de un tal vazvazvazvazvaz.)



Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

La noche que él no volvió fue
Fue de tristeza para mí
El barco volvió sin él
Triste noche para mí

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

El barco partió de noche y fue
De madrugada no volvió
Al marinero bonito
La sirena del mar se lo llevó

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

En las olas verdes del mar mi amor
Mi querido se fue a ahogar
Hizo su cama de novio
En el regazo de Iemanjá

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

Mini post con frase romántica

(¡Y en español! Es que me dicen que mi padre acerca la cara a la pantalla para ver si entiende lo que escribo: "Joder, aquest tio ho fa sempre en portuguès!".)

Leí una vez una frase, pintada en letras grandes en un muro, que me atrajo especialmente por la rima y por su significación:

CHICA DEL CIELO
TE ESPERO

El chico debe de estar esperando todavía, claro. Si no ha muerto ya. Pero la frase sigue pareciéndome bonita.

(Me pongo romántico (como diría Maritrini, en su español particular) porque estoy leyendo Mar morto, de Jorge Amado.)

Sunday, March 23, 2008

A melancolia

Na aula da disciplina de Narrativa dedicada ao ensaio A filosofia da composição, de E. A. Poe, a dupla de estudantes encarregada da apresentação incluiu, no final, quatro perguntas relativas ao texto. Uma delas questionava a afirmação de Poe de que a melancolia era o sentimento mais intenso que qualquer poesia podia expressar; ou, dito de outro jeito, o tema por excelência da poesia universal. A maioria de alunos acharam que não, mas eu fiquei na dúvida. O Corvo, que é a poesia analisada pelo autor em seu ensaio, é sobre a morte da mulher amada, e logo me vieram à cabeça poemas de outros autores, de outros amantes que não conseguiram realizar seu amor e escreveram cheios de melancolia. Falei nos trovadores, falei em Petrarca e Laura, e disse que, se bem que a melancolia podia não ser o grande tema da poesia, ela aparecia uma e outra vez ao longo da história da poesia ocidental. Alguns alunos pareciam não saber exatamente definir melancolia. Não que não soubessem o que era, pois qualquer pessoa tem se sentido melancólica alguma vez; mas não a diferenciavam da tristeza, por exemplo. Eu, para muitos desses conceitos (a piedade, o sublime, etc.), tenho gravadas na memória as definições dos filósofos que me deram aula durante a graduação ou daqueles cujos livros li nesse período. E melancolia é, para mim, aquele estado de espírito, ou, melhor, de ânimo, que não se adequa ao estado das coisas do mundo ao redor; aquele estado em que alguém se sente em desacordo ou desconforto íntimo com o mundo. Estar melancólico seria o contrario de estar ou se sentir em harmonia com o mundo. E, sendo assim, minha resposta seria que sim, que muitos poemas nascem da melancolia. Ou, inclusive, que o poeta é um ser melancólico (menos dramaticamente, alguém com tendência à melancolia). Não só Poe, os trovadores, Petrarca, o primeiro Dante, o Shakespeare dos sonetos, etc. teriam fundado seus poemas na melancolia: também, grandes personagens da literatura universal criadas por estes e outros autores seriam melancólicos. Madame Bovary é uma personagem melancólica. A melancolia de Hamlet é tão grande que o leva a pensar em alcançar a harmonia com o mundo através da morte, como tantos outros. E os rebeldes, os desconformes - a literatura está repleta deles -, o que são? Dom Quixote? Voltando aos autores: o poeta não é um ser "deslocado", que olha o mundo "de fora", de um "outro lugar"? Claro que tem poetas que exaltam a beleza, a bondade, etc.; ou que inclusive acham sentido na vida :) Mas é em momentos raros nas suas obras. Em geral, quando o poeta, ou a pessoa, está feliz - feliz da vida-, não escreve, dedica-se a viver. Mais do que contar esse momento de plenitude, o mais provável e sensato é que o curta. Que vá curtir um banho de mar, passear com a namorada. ... A não ser que esteja em Salvador. Se estiver em Salvador de Bahia, então, mesmo feliz, nesses momentos de calor insuportável, no meio-dia, depois do almoço,... achará a melhor opção ficar em um lugar tranqüilo, à sombra, e, tomando um suco de abacaxi, acerola ou manga, escrever alegremente sobre a felicidade experimentada durante a noite ou a tarde passadas ou por vir.


Este post poderia ser para o meu pai, que hoje faz 60 anos, e que, em muitos aspetos - não em todos! ;) - tem sido - e é - um modelo para mim. É para ele, que fez 60 anos e me disse que é feliz.

Thursday, March 20, 2008

Na PUCRS

Esta semana foi muito pesada, estou muito cansado, chateado até. Digo foi porque amanhã já não temos aula, ainda bem. Essa questão da bolsa integral que perdi. Acho que não fui informado bem, portanto não fui tratado bem. Dois alunos falaram comigo e foram muito legais, explicaram-me tudo direitinho, sem eu pedir, sem eu conhecer eles. O que os professores responsáveis deveriam ter feito no seu momento e não fizeram. Depois, voltar a falar com a coordenadora foi outra história. Chato, pesado. E depois com o pró-reitor de sei lá o quê. Ele me dedicou todo o tempo do mundo, então sim. Quando o assunto não tinha mais volta.

E as aulas, o nível. Hoje até falei com a Raquel (que vai me ajudar com o romance :): "E com o mestrado faço o quê?" :(


PS: Lido em Lima Barreto:

Eu não tenho nenhuma espécie de superstição pelos nossos títulos escolares ou universitários; eles dão algumas vezes algum saber profissional, muito restrito e ronceiro, e nunca uma verdadeira cultura.

PS2: E lido no blog da Carol, que cita Faulkner:

Que o escritor se dedique à cirurgia ou à profissão de pedreiro, caso se interesse pela técnica. Não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. O jovem escritor seria um tolo se seguisse uma teoria.