Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Friday, April 18, 2008
O ritmo da chuva
Que você fez com a minha fantasia de gorila?
Que você fez com a minha fantasia de gorila?
Thursday, April 17, 2008
Juliana ri
Juliana desce e ele vai atrás, câmera na mão. Está praticamente sozinha no trecho final. É a última descida. E está tão feliz! Porque não faz mais “o pêndulo”, como no início. Agora está indo reto, desce reto, deixando a prancha correr antes de virar. Com os braços abertos em cruz, para manter o equilíbrio, vira à direita, varrendo a neve, e vai, vai, se afastando dele. Não olha para trás, só dá rápidas espiadas em frente – hihihi –, a cabeça escondidinha no colarinho do anoraque; há um instante passaram por ela duas crianças que nem raios, de capacete, cabeções; já ouve só seus gritos. Ainda não ergue a cabeça, olha a neve deslizar sob seus pés. Ela nunca tinha estado na neve. Agora está adorando. Deslizar não é um obstáculo, não. Olha para baixo, sorrindo, vê os flocos de neve brilhar, cor de laranja. Neve cálida! Lembra que está sendo filmada e segue em frente, não vai parar; quer se aprimorar, mas logo esquece. Escuta o som suave e rasgado da neve, que a corteja, docemente. E o vento que embrulha o anoraque. Seu anoraque vermelho, tão bonito. Nunca se sentiu tão leve assim. Sorri; desliza e vai abrindo o sorriso. Não pára. Aproxima-se muito dos abetos, sente o coração acelerar. Vira, vira à esquerda, olhando a prancha, vê se obedece! Vê passar um pedaço de azul de anoraque. O anoraque dele. Se sente linda, linda. E sorri tanto porque é a primeira vez. E está se dando bem. Tu-do tão na-tu-ral. Certamente ele está olhando, e ainda gravando – bobo! –: ela não vai olhar. Vira de novo, e escapa, mais uma vez não pára. Não quer, não quer parar. Ela nunca viu a neve, nem se sentiu deslizar. Fraquejam-lhe as pernas, está chegando abaixo, agora é que vai se jogar. Ele passa reto, trava a prancha, perto, perto. Ah, ela não pode mais! Cai de costas na neve, protegida no anoraque. Nunca foi tão linda – sabe, sente – como embaixo desse céu, sobre essa neve. “Pára!”, grita; porque não quer ser filmada, porque somente ela sabe, porque isso que ela sente não vai aparecer. Ouve sua própria gargalhada; seu peito que se abre, que dói. Vira a cabeça para o sol, sente frio na orelha. A bola vermelha vazando nas telhas de ardósia – o refúgio. Lembra o sabor do chocolate, tão quente, tão bom. Tudo tão bom, agora. Olha de novo para cima. As pontas verde-azuis dos abetos. O céu claro e sem nuvens. Alguns fios de cabelo. E essa cara de bobalhão!
Tuesday, April 15, 2008
Da Folha para vocês 6 (Crack no Rio, de Elio Gaspari)
El motivo es triste y simple: quien empieza a tomar crack difícilmente lo deja, y quien no lo deja muere.
La droga puede llegar a la clase media, pero en pocos meses el adicto cambia de clase, ya que, a diferencia de la cocaína y la marihuana, el crack incapacita a la persona para cualquier otra cosa que no sea tomar crack.
El temps
Monday, April 14, 2008
No elevador
Sunday, April 13, 2008
Dos mesos després, a Itàlia...
... Campions de la Copa ULEB.Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!
Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.
Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!
(No és un post repetit, és que ara la Penya guanya sempre :)
Show Inclassificáveis
Simples desejo (de Luciana Mello)
Que tal abrir a porta do dia-a-dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...
Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem
Thursday, April 10, 2008
O que aconteceu com Baleia?
Baleia virou assunto de documentário. Nenhum exemplar sobreviveu à última guerra. Houve quem culpasse exclusivamente aos japoneses, que teriam dizimado a população enchendo-se a comer filés de cetáceo em suas cadeias de fast-food. Porém, historiadores conceituados acreditam que os exemplares sobreviventes teriam bastado para repovoar o planeta, não tivesse sido pelos mísseis subaquáticos que durante o conflito cruzaram os mares dos cinco continentes. Golfinho também desapareceu, virou assunto de livro de biologia. E nem pôde dar tchau a Baleia, pois seu extermínio foi anterior. Nesse caso não há acordo entre a comunidade científica, estando norte-americanos e chineses ainda divididos quanto à responsabilidade dos hábitos alimentares nipônicos e, portanto, às medidas a adotar.
Wednesday, April 09, 2008
Haicai
Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizo no oto
Tá, estou brincando (ou então esse só vai entendê-lo a Cristina; e o Yuji, claro).
Deitado
Vejo passarem as núvens
Quarto de verão
(Yaha)
O vento do inverno sopra
Os olhos dos gatos
Piscam
(Bashô)
O riacho de verão
Passado a pé que felicidade
Tamancos na mão
(Buson)
Para o Ronaldo, que gosta de olhar as estrelas:
As flores de verbena branca
Também em plena noite
A via láctea
(Gonsui)
Um haicai moderno:
Empregados de banco de manhã
Fosforescentes
Como moluscos
(Kaneko Tôta)
Portinha de treliça
Flores num vaso
Cabana da paz
(?)
Para quem gosta de andar descalço:
Frescor
Na parede a planta de meus pés nus
Sesta
(Bashô)
Estação das chuvas. Olhamos a chuva
Eu e atrás de mim, de pé,
Minha mulher
(Rinka)
Chego pela senda da montanha
Ah! Isto é lindo
Uma violeta
(Bashô)
Em meu copo de saquê
Nada uma pulga
Absolutamente
(Issa)
"Isto, Isto"
Foi tudo o que pude dizer
Diante das flores do monte Yoshino
(Teishitsu)
Tuesday, April 08, 2008
Wednesday, April 02, 2008
Cancer (a poem)
How many members of how many families
That didn't speak to each other or look at each other's face
Has that only illness had the power
To reconcile, in all the world, all these years?
Tuesday, April 01, 2008
Adriana (a poem)
Adriana went to the market
Went to the bank
Went to the library
And went to the store
And by the end of the day
She had four lines of poetry
That she gave to her creative writing teacher
With whom she was in love
O mercado não resolveu! :o)
Monday, March 31, 2008
Sobre beijos, marinheiros e Jorge Amado
Judith solloza en el cuarto. Es el destino de todas ellas. Los hombres de la vera del puerto sólo tienen un camino en la vida: el camino del mar. Por él se adentran, ese es su destino. El mar es el dueño de todos ellos. Del mar vienen toda la alegría y toda la tristeza porque el mar es el misterio que ni los más viejos marineros entienden, que no entienden ni aquellos antiguos maestros de barcos de pesca que no viajan más, y apenas remiendan velas y cuentan historias. ¿Quién consiguió descifrar el misterio del mar? Del mar viene la música, viene el amor y viene la muerte. ¿Y no es sobre el mar que la luna es más bella? El mar es inestable. Como él es la vida de los hombres de los barcos pesqueros. ¿Quién de ellos tuvo un fin de vida igual al de los hombres de tierra, que acarician a sus nietos y reúnen a las familias en almuerzos y cenas? Ninguno de ellos anda con ese paso firme de los hombres de tierra. Cada uno tiene algo en el fondo del mar: un hijo, un hermano, un brazo, un barco que volcó, una vela que el viento de la tormenta despedazó. Pero, del mismo modo, ¿cuál de ellos no sabe cantar esas canciones de amor en las noches del puerto? ¿Cuál de ellos no sabe amar con violencia y dulzura? Porque cada vez que cantan y aman, bien puede ser la última vez. Cuando se despiden de las mujeres no dan rápidos besos, como los hombres de tierra que van para sus negocios. Dan largos adioses, agitan las manos, como todavía llamando.(Acabei de fazer a pesquisa: para quem se interessar, existe uma edição em espanhol da Editorial Losada, de Buenos Aires, de 2005, à venda em La Casa del Libro, Barcelona.)
2. Um escritor gaúcho atual falou que nos romances dele não tem mais cenas de sexo. Disse que já foi tudo escrito, que não há como escrever nada novo sobre isso. Jorge Amado escreveu esse romance, um dos seus primeiros, nos anos 30, quando tudo "já tinha sido escrito" também. E ele colocou isto em uma frase só, menos de 10 palavras. É depois da primeira noite de sexo na vida do protagonista, marinheiro macho:
"Ele era homem, dobrava uma mulher aos seus pés."
3. Capitães da Areia foi o primeiro livro em português que eu li: chegou por correio a Barcelona, em 2001, presente de minha amiga carioca Isabel, graças a quem eu vim pela primeira vez ao Brasil, em 2003. Depois eu li Gabriela, cravo e canela, presente de Gabriela, que fez questão de dar-me o livro em capa dura, porque assim eu tinha os Capitães. Foi em 2005. Já em 2007, ganhei Cacau do meu amigo Ronaldo, baiano, que quis que eu soubesse como era a vida dos escravos nas fazendas de cacau. Ronaldo, o maior presenteador de livros que eu conheço (maior que o meu pai!), é quem deu quase todos os livros de Amado à Rose [Ups! A Rose me corrigiu: o que ela ganhou do Ronaldo foram todos os livros do García Márquez - além de muitos outros.] E eu agora pretendo tê-los também, nas novas edições da editora Companhia das Letras, que ganhou em leilão os direitos
da obra completa do escritor, até há pouco da Record. Os primeiros quatro volumes que saíram, entre os quais Mar Morto, Dona Flor e seus dois maridos e A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, são lindérrimos (não que os da Record não o fossem, mas a Cia. se puxou). Foram apresentados num show em São Paulo, no maior evento feito até agora por uma editora, a semana passada, com mais de 1.000 pessoas e a presença de Chico Buarque e Caetano Veloso, que cantaram e leram trechos dos livros. O editor da Cia. das Letras, Luiz Schwarcz, chegou a dizer nessa noite, brincando: "Bem-vindos à inauguração da Companhia das Letras!". Amado é muito Amado, e não importa o que digam os acadêmicos, os estetas, os leitores mais elitistas que gostam de se afastar do que cai na graça do povo: talvez não seja o melhor escritor, mas ele é, a meu ver (quem sabe, junto a Érico Verissimo), o melhor romancista do país.
Saturday, March 29, 2008
Un text boig del meu germà
Ja ho veuen... El germà fotògraf està tan ocupat que no té temps ni d'escriure... Ahhhhhhhhh... Alerta... Però no. Aquí estic de cos present. Per escriure't. Per enyorar-te. De nit, Porto Alegre en somnis. Esmorzo a Ipanema. Dino sota la palmera a Copacabana. Mentre sopo, Salvador. I a totes hores, tu, germà. Et voldria enviar versos, però sóc a Barcelona i no me'n surten. Et voldria enviar pernil, però no tinc diners per comprar-ne. Et voldria enviar amor, però la vida fa temps que em va gelar el cor. Nooooooooooooooooooooooo. La vida, si hi penses, què és? Records, experiències viscudes, coneixements adquirits, records. Un home està fet de records. Els records són allò que més temps conviu amb un mateix. La família, t'estimi o no, hi és, però passa. Les nòvies, te la [censurat], i passen, els amics, hi són, però passen. En canvi, el record de l'olor d'aquella fleca oberta de matinada que arribava a l'habitació de l'hotel de Bucarest et fa costat sempre. Encara que et tallin el nas. Perquè ja no és una olor. La vida és el que fas. Però sobretot el que has fet. Perquè el record normalment supera la il·lusió, per bé o per mal. Si ara jo penso en demà, penso en un dia. Però quan demà hagi passat, que també en podríem dir demà passat (potser ve d'aquí), ahir no serà només ahir, sinó que serà ahir durant tots els teus dies. De fet, poc ens hauríem de preocupar pels diners o tot allò tangible. Això ho vaig llegir ahir al Nou Testament. Emprèn el viatge, i no et preocupis de què menjaràs o què beuràs, perquè això t'impedirà assolir allò que realment busques. Déu, si estàs al seu costat, et proveirà de menjar i beguda, perquè Déu t'estima i Déu et protegeix. Em sembla que era una cosa així. Té raó en moltes coses, la paraula de Déu. Quants cops quedes amb una noia i estàs dos dies sense dormir, pensant com anirà tot, si li faràs un petó o si directament la posaràs de cara a [censurat]. En aquest cas, si segueixes el camí de la fe, no t'has de preocupar de res. Et [censurat] a qui t'hagis de [censurat]. Això em portaria a parlar del destí, però em fa mandra. Prefereixo explicar-te que l'Oriol segueix obsessionat amb el canvi climàtic. Em penso que li hauré de fer una broma... Potser algun dia es llevarà amb els ous vermells i súper inflats. Avui ja em deia que l'esquí s'està acabant... Com si a mi això em preocupés massa... Alerta, ja ho veuen. Nooooooooooooooooo. I ara t'escriuré un poema en binari: 111111111111000010 / 000100001000100000 / 000011111111111100 / 000000001111111000. Vés preparant un verset per la teva cunyada / que de nit i de dia me l'he [censurat]. El Mas ha guanyat un vot, dues convergents s'han fumat un puro amb bigoti [mmm, va, no ho censuro] i un repartidor ha descobert que el cel, si existeix, s'ha d'assemblar molt a [censurat]. Una abraçada, germà.
PS do Roger (em português): Um colega de aula, cara legal, me perguntou no café por que eu tinha dito duas vezes que eu era espanhol. Eu nem tinha me dado conta. "Ah é?". Parece que ele conheceu dois catalães, no sul da França ou na própria Catalunha, não me lembro bem, que fizeram questão que ele entendesse que eram só isso, catalães. Aí eu tive que explicar que eu também era catalão. Disse que na minha viagem ao Perú e à Bolívia, eu era "de Barcelona", porque lá emcima não gostam de espanhóis. Que no Chile, Argentina e Uruguai voltei a ser espanhol e catalão, mas que geralmente o melhor passaporte era sempre dizer Barcelona. Barcelona funciona como uma palavra mágica, gera simpatias, abre portas. E às vezes eu brinco e digo que sou baiano, carioca ou gaúcho (gaúcho na Bahia, baiano no Sul: só pra implicar). Enfim, o que eu quero dizer é que, inclusive aqui, no Brasil, por ser catalão, ou é espanhol?, preciso me explicar, dizer o que eu "sou". Não deveria ser necessário. Nacionalismos, patriotismos, bairrismos... Estou fora, viu?
Friday, March 28, 2008
É doce morrer no mar
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
La noche que él no volvió fue
Fue de tristeza para mí
El barco volvió sin él
Triste noche para mí
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
El barco partió de noche y fue
De madrugada no volvió
Al marinero bonito
La sirena del mar se lo llevó
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
En las olas verdes del mar mi amor
Mi querido se fue a ahogar
Hizo su cama de novio
En el regazo de Iemanjá
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
Mini post con frase romántica
Leí una vez una frase, pintada en letras grandes en un muro, que me atrajo especialmente por la rima y por su significación:
CHICA DEL CIELO
TE ESPERO
El chico debe de estar esperando todavía, claro. Si no ha muerto ya. Pero la frase sigue pareciéndome bonita.
(Me pongo romántico (como diría Maritrini, en su español particular) porque estoy leyendo Mar morto, de Jorge Amado.)
Sunday, March 23, 2008
A melancolia
Este post poderia ser para o meu pai, que hoje faz 60 anos, e que, em muitos aspetos - não em todos! ;) - tem sido - e é - um modelo para mim. É para ele, que fez 60 anos e me disse que é feliz.
Thursday, March 20, 2008
Na PUCRS
E as aulas, o nível. Hoje até falei com a Raquel (que vai me ajudar com o romance :): "E com o mestrado faço o quê?" :(
PS: Lido em Lima Barreto:
Eu não tenho nenhuma espécie de superstição pelos nossos títulos escolares ou universitários; eles dão algumas vezes algum saber profissional, muito restrito e ronceiro, e nunca uma verdadeira cultura.
PS2: E lido no blog da Carol, que cita Faulkner:
Que o escritor se dedique à cirurgia ou à profissão de pedreiro, caso se interesse pela técnica. Não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. O jovem escritor seria um tolo se seguisse uma teoria.