Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Tuesday, June 10, 2008
Eu sou uma mulher Almodóvar
- A senhora ainda não acredita, né? - fala de novo o travesti. E a seguir interpreta com voz grave, em um espanhol duvidoso: - "Sho antes era camionero. Luego me hise puta".
A mulher ao lado dele olha ao seu redor mais uma vez - todas as fileiras lotadas -, e logo à direita, para o filho, que tem um HQ no colo e observa as nuvens da janelinha do avião.
- Dessa também não lembra? Era eu! - diz o travesti. - Dez anos mais nova e com mais tetas. - E olha seus próprios seios com cara de resignação, segurando-os por baixo com ambas as mãos.
A mulher se inclina levemente para tapar a visão do filho e lança um olhar furioso ao travesti, que se faz de desentendido.
- Já lhe disse: Pedro e eu, íííntimos.
- Está bem - diz a mulher, bufando, o olhar fixo no encosto do assento da frente.
- Desde os tempos da movida madrilenha - diz o travesti, se esforçando para pronunciar bem a enha. - A senhora sabe, né?, aquelas orgias.
- Faça o favor - pede a mulher, encarando o travesti de novo. Faz-se o silêncio por alguns instantes.
- Ai, mas como a senhora se irrita facilmente - diz o travesti, voltando a vista para o corredor. Faz o gesto de quem vai pegar uma revista do bolso do assento, mas dirige-se de novo à mulher:
- Mulheres à beira de um ataque de nervos, a senhora assistiu?
- Acredito que sim - ela concede.
- Nessa apareço também. De costas, é verdade. Mas juro pela Virgem Maria que sou eu.
- Parabéns - diz a mulher. - Não precisa jurar.
- Não tem como não lembrar - suspira o travesti, pondo os olhos em branco - do boquete no Antonio. Ííííntimos também, o Banderas e eu.
Olhos esbugalhados, a mulher se vira feito uma fera. Fala com os dentes apertados:
- Você não está vendo que tem criança aqui do lado?
- Ai desculpe minha senhora - diz o travesti. E acrescenta, ao ouvido dela: - Mas Virgem Maria, foi tão bom! É só lembrar e ficar molhada.
A mulher olha para o corredor à procura de uma aeromoça. Vira-se para o menino, que parece absorto em seu HQ. Crava os olhos no travesti.
- Senhora não me olhe assim, não seja careta - diz ele.- Olhe, seu filho não está nem aí...
- Se não cala essa boca suja vou gritar, seu filho da...
- Óóótimo, já estou sendo xingada. Eu ainda não falei mal da senhora, viu? E minha vida já é bastante dura assim.
Zangado, o travesti cruza os braços e fica calado. A mulher vira-lhe as costas e passa a mão nos cabelos do filho. Minutos depois, uma aeromoça chega ao lado do travesti com o carrinho das bebidas.
- A senhora vai querer...
- Um suco de laranja, obrigada - diz ele. E inclinando o pescoço, fitando a cara da moça, pergunta: - Adivinho você é de Salvador.
- Mais ou menos - diz a aeromoça, sorridente. - Eu sou de Santo Amaro.
- Puxa - diz o travesti. - Sabe que eu sou íííntima do Caetano?
- Ah, é? Como é isso?
- Pois olhe só, eu sou atriz, pode crer? E já trabalhei com o Almodóvar, conhece, não? Pois ele é ííííntimo do Caetano. Eu é que sou íííntima dos dois!!!
- Mas que maravilha! Depois assinaria um autógrafo para mim?
- Claro! Imagine! - diz se empertigando travesti.
- E o menino, o que esse menino vai tomar? - pergunta a aeromoça.
- Para o menino somente um copo de água, obrigada - responde a mãe.
- E a senhora...?
- Para a senhora - se adianta o travesti - um homem tão macho quanto puder encontrar.
A mulher, o rosto incendiado, se joga em cima do travesti, o agarra pelo pescoço e intenta afogá-lo. A aeromoça pede socorro. O filho, com a água derramada sobre o HQ, olha para sua mãe surpreso, com cara de não reconhecê-la mais.
Saturday, June 07, 2008
Leituras de mestrado
Traduccions de Brasil 48 (O que você vê?, de Rebeca Matta)
Si sientes y callas quién va a saber
Qué color de azul tú ves?
Yo sé que sé que un día moriré
Que no sé casi nada
Que cualquier cosa puede suceder
Qué color de azul tú ves?
Mira a tu alrededor
Y dime lo que ves
Dime lo que ves
Cierra los ojos
Dime lo que ves
Ya son más de las tres
Y no consigo parar de funcionar
Miro a mi alrededor y veo las luces de la ciudad
Luces que surgen, que se apagan, que pasan ligeras
Cierro los ojos y tengo la sensación de que todo es pasajero
Mira a tu alrededor
Dime lo que ves
Dime lo que ves
Cierra los ojos
Dime lo que ves
Tuesday, June 03, 2008
Macaco tomando banho de água termal

Da mostra "AGUA", no Parque del Retiro de Madri até 30 de junho. Foto de Sylvain Cordier.
É um macaco japonês, o símio que mora na latitude mais fria do planeta, a vários graus abaixo de zero e em meio a tempestades de neve. Ele aproveita as águas termais para manter a saúde e esquentar o corpo. Mas não parece que ele está triste?
Monday, June 02, 2008
Most of the Time
Now. Apart from making me happy, Kris' present has been very appropriate. Because, as the movie, most of the songs are about breaking up with people we love, and I've had this experience recently.
So, most of the time...
Note: I like the song and the lyrics, not the Eternal Sunshine of the Spotless Mind fan trailer (sorry, fan; I did like the movie). But I couldn't post the most recent video, Dylan's voice has changed a lot since he recorded Oh Mercy.
Fifteen lines (Class of 93 15-Year Party)
On Friday, people from my High School Class met in Barcelona. Class of 93 15-year party. Some 90 people went, 50% of the Class. And for a month I've been receiving 15-line summaries of all these people's 15 last years of life. Most of them I didn't read, didn't feel like it, I don't know why. I just read the ones from the people I'm still friends with - from my friends, that is. Of course I couldn't have gone even if I wanted. But I didn't want. And I didn't even write my 15 lines, I also don't know why.
Friday, May 30, 2008
Intensamente sempre
Sonho muito
Sou muito amigo (tento ser)
Quando namoro, ou me apaixono, faço-o totalmente
Talvez não tenha fé
Mas acredito muito
Wednesday, May 28, 2008
Vantagens de morar num apart-hotel relativamente caro
PS: Eu não sabia nada de cupins, para dizer verdade. Agora estou com pena, porque leio que eles são "uma sociedade inteligente de insetos" (e eu respeito a vida inteligente, tão rara). Mas ao mesmo tempo, sinto um medo novo, porque sei que cupim é assim:

PS2: E estou lembrando que eu tenho alguma cueca de celulose...
Tuesday, May 27, 2008
Da Folha para vocês 7 (Contardo Calligaris)
"El verdadero perdedor es el que, al final de sus días, mira hacia atrás y ve que ha desperdiciado el viaje. Lo que haya acumulado me parece bastante superfluo. Para mí, el perdedor es aquel que no consiguió vivir su vida con toda la intensidad que ésta merece. Y eso no tiene relación con la felicidad. El proyecto de ser feliz está equivocado, concebido para mantenernos en la insatisfacción, algo absolutamente necesario en la sociedad de consumo. El ganador es quien tiene una alta calidad de experiencia, sea la que sea. Que haya sido intensamente. Estoy en contra de la felicidad. El sexo no es felicidad, es alegría."
"No creo que exista ninguna oposición de fondo entre la psiquiatría, o la neuroquímica, y el psicoanálisis o las terapias por la palabra en general. Las investigaciones realizadas señalan que esas intervenciones se fortalecen una a la otra. Otra cuestión de fondo: soy materialista. Creo que el afecto, la emoción o el pensamiento tendrán algún día una descripción neuroquímica absolutamente apropiada."
"No tengo nada contra el uso de medicamentos, pero no me parece bien el uso indiscriminado de psicotrópicos, sobre todo en los casos de depresión. Creo que los antidepresivos deben ser prescritos en casos de depresión, y no simplemente porque alguien no es feliz. Hay cierta tendencia en sentido contrario. Y es peor en el caso de la adolescencia y la infancia, en que el uso de psicotrópicos está convirtiéndose en un problema serio. Porque los padres no soportan en ningún grado la infelicidad de sus hijos, sea cual sea su edad. Existe una intervención neuroquímica cada vez mayor en adolescentes. En la infancia y la adolescencia las personas viven momentos alegres y tristes. Y una de las razones por las que la gente tiene hijos es para que ellos escenifiquen una felicidad que no tenemos. Si alguien no sonríe, pastilla. Estoy en contra de eso."
"La adolescencia, de hecho, como una edad separada de la vida adulta, es reciente, post Segunda Guerra Mundial, cuando los adultos empiezan a crear una fase de la vida específica a la que atribuyen algunas características, como la rebeldía o la insubordinación. Lo que quedó del deseo, de las ganas de aventura, se cargó a las espaldas de los adolescentes. Ellos se encargarían de nuestro deseo de ser otros, de realizar sueños que no conseguimos confesarnos ni a nosotros mismos. Los adolescentes se encargaron de eso muy bien, no por nada son excelentes intérpretes del deseo de los adultos."
"La vida de los niños y adolescentes no es divertida. No me parece una buena edad: esa es una visión idealizada de los adultos. La infancia y la adolescencia son épocas muy problemáticas de la vida. En la infancia estamos lejos de corresponder físicamente y simbólicamente a lo que la gente desea; hablamos de manera atropellada. En la adolescencia todavía es peor. Son épocas de extremo conflicto interno, definición de la identidad, descubrimientos de fantasías y orientación sexual. Creo que los adultos deberían parar de pedir a los jóvenes que sean felices, porque eso sólo sirve al deseo que ellos tienen de ver en los niños un espectáculo de felicidad."
"Según el imaginario social, la persona a partir de cierta edad debería estar por encima del sexo, dejarse de 'porquerías'. Durante décadas, la menopausia era considerada no el fin de la fecundidad, sino el fin de la feminidad. Yo fui enseñado muy bien. Tuve una abuela a quien el sexo le encantaba. Y que a los 70, 75 años todavía recibía piropos por la calle. Una vez, estábamos sentados en el cine y vi que llegó un tipo y se sentó a su lado. Me pareció extraño porque había hileras vacías. De repente, ella se levantó y le insultó, me cogió de la mano y fuimos a sentarnos en otra hilera. Él le había puesto la mano encima, lo que demuestra que a los 75 años seguía funcionando. Y es que era muy bonita."
"Vivir solo o acompañado. No me he planteado esa pregunta de modo radical, pero de alguna forma está siempre ahí, es una cuestión siempre presente. Las personas siempre tienen momentos en que necesitan una cierta soledad, un recogimiento interior. Siempre viví con alguien, pero no soy gregario. Tengo una alergia seria a los grupos grandes. Situación gregaria es cualquier situación en que un grupo me manda hacer cosas que no son exactamente las que quiero hacer. Cuando el grupo amenaza mi individualidad."
"En Mayo del 68 yo militaba en la izquierda italiana. Pero tenía más contacto con la contracultura norteamericana que con la cultura política europea, porque estaba casado con una norteamericana e iba a ese país con frecuencia. Lo que más importaba era la revolución en la manera de pensar y de relacionarse, era la utopía concreta, que estaba en la manera de convivir de quien militaba. Y esa utopía creo que se realizó. Fue la única verdadera revolución del siglo XX, o la única que tuvo éxito."
"Brasil cambió enormemente desde 1968 hasta hoy. Llegué a un país donde sucedían cosas que para mí eran completamente inauditas. Pero el país nunca me pareció provinciano. Ni en aquella época. Especialmente São Paulo, que es una de las ciudades menos provincianas del mundo. Mucho menos que París y, en cierto sentido, menos provinciana que Nueva York. Y ciertamente menos que cualquier ciudad italiana."
"Detesto las bigamias, trigamias, cuatrigamias y compañía. Sólo creo en las monogamias sucesivas. Idealmente, con el menor intervalo de tiempo posible entre una y otra."
"No sé si, cuando llegue una cierta decrepitud, voy a querer la compañía de alguien o estar solo. A veces pienso que estar solo es todavía un resquicio de un cierto narcisismo."
Saturday, May 24, 2008
Friday, May 23, 2008
Avalanche anodina de modas cada vez menos inteligentes e críticas
"Depois de Mimesis, daquela Introdução aos Estudos Literários que era lida nos cursos de letras nos anos 70 e que foi banida por uma avalanche anodina de modas cada vez menos inteligentes e críticas, e ainda dos estudos sobre Dante, tem agora o leitor brasileiro acesso a alguns decisivos ensaios, como aquele sobre Montaigne ou sobre Baudelaire, de leitura inadiável." L. A. Fischer
Leio isto na Folha dez dias depois de ter escrito a mesma coisa no exame de seleção ao mestrado.
Pena que o Fischer está na UFRGS e não na PUCRS...
Aigua
A Catalunya l’aigua és aigua. Si la vols amb gas, l’has de demanar. Aquí no, aquí no hi ha "aigua": hi ha "aigua amb gas" o "aigua sense gas". Potser és l’expressió que he sentit més en els últims tres anys: "Com ou sem gás?".
PS: La segona és: "Crédito ou débito?".
Thursday, May 22, 2008
Gentileza gera Gentileza (já o dizia o Profeta)
- Sem problema. Crédito ou débito?
- Crédito. Quer a Identidade?
- Imagina querido! Logo de ti!
Travelling in Time and Space
Traduccions de Brasil 47 (Marcianos invadem a Terra, de Legião Urbana)
Salimos volando después de las dos
Las cervezas se acabaron, los cigarrillos también
Cuidado con la cosa que escuece por ahí
La cosa escuece siempre, escuece también por aquí
Secuestro tu rescate
Enveneno tu atención
El verbo es substantivo, adjetivo, imprecación
Y el tío de la radio no quiere cerrar la boca
Y quiere mi dinero
Y mis opiniones
Mira, si te quieres divertir
Inventa tus propias canciones
¿Será que existe vida en Marte?
Ventanas de hoteles, garajes vacíos
Fronteras, granadas, sábanas
Existen muchos formatos
Que sólo tienen barniz
Y ninguna invención
Y todo aquello contra lo que siempre luchan
Exactamente todo aquello que ellos son
¡Marcianos invaden la Tierra!
Están inflando mi ego con aire
Y cuando creo que estoy casi llegando
Tengo que doblar aún otra esquina
Y aunque dispusiera de mi libertad
Tampoco tengo tanto tiempo
Y aunque dispusiera de mi libertad
¿Será que existe vida en Marte?
Carga fiscal no Brasil
10% mais pobres (renda média mensal de 49,8 R$) pagam 32,8% de sua renda em impostos.
10% mais ricos (renda média mensal de 2.178,00 R$) pagam 22,7% de sua renda em impostos.
Saiu na Folha a semana passada (dados do IPEA, de 2002 e 2003) e depois em vários jornais do mundo.
Isso por aquilo de os impostos indiretos serem altos e o imposto sobre a renda para a pessoa física baixo (27,5% máximo). (Verdade.) (Europeus ricos, venham pra cá.)
O Lula vai fazer agora uma reforminha do imposto direto, reforma grande não vai poder. (Não a fez o Fox no México, de direita, porque "as elites iriam derrubar o governo", como vai fazê-la ele?)
Mas gente, isso é uma vergonha.
Wednesday, May 21, 2008
Supõe-se que em uma ilha ninguém faz mal a ninguém
1. À tarde
– Você não vai dançar forró? – pergunta o motorista, virando-se para o estrangeiro. Sentado na traseira do buggy, agarrado à barra de aço que o separa da parte dianteira e coberta do veículo, o estrangeiro dobra-se sobre si mesmo para amortecer o impacto dos pingos na cara. – As garotas da ilha vão estar todas lá!
– Acho que não, com esta chuva! – ele grita.
– Mesmo com chuva! Elas gostam de dançar quando chove! Eu fui proprietário do Bar do Cachorro. Sei bem! E meu amigo aqui – o motorista assinala o co-piloto –, ele foi proprietário da praia!
– Da praia?!
– Isso! Da Praia do Cachorro! Nós somos todos ricos, na ilha! – diz o motorista, soltando uma gargalhada.
2. À noite
Ninguém ainda no Bar do Cachorro. Só música, música saindo de torres de alto-falantes a altura de dois homens. Embaixo do pórtico, no escuro, esvoaçando, uma camiseta listrada de mangas compridas.
– A gente vai vir se parar de chover – diz o homem, jovem, grande, negro, oferecendo uma cerveja ao estrangeiro. Seu nome é Cícero, e é o encarregado do local. Em um instante estão sentados como velhos amigos, um ao lado do outro, bebendo aos golinhos e escutando a música, tão alta que mascara o som da chuva. Um casal chega. De mãos dadas, atravessa o chão molhado da pista de dança e vá sentar-se sob um guarda-sol, longe do olhar deles.
O estrangeiro quer dançar forró, mas não aparece nenhuma menina. Cícero fuma e mira em frente, onde as luzes brilham no chão, onde as folhas se dobram nas árvores que separam a varanda e o mar. Cícero se volta para o estrangeiro e conta que já esteve casado e que tem um filho morando em Natal com a mãe. Não tem visto ele em anos, diz. Mas não parece estar desesperado por essa causa ou chateado com ninguém. Fala como se as coisas acontecessem inevitavelmente e tivessem que ser aceitas com um meio sorriso. Para dizer a idade do filho – sete –, ele se concentra e usa os dedos das mãos – ele usa os dedos para contar qualquer coisa. Depois fala sobre as meninas da ilha, as que lhe deram o apelido de Legal. Afirma ser um bailarino experiente, “pena que elas não estejam aqui”.
– Algum dia eu vou voltar – diz o estrangeiro antes de ir.
– Vá com Deus – Cícero responde, estendendo-lhe a mão –. Vai me encontrar sempre aqui.
3. Na madrugada
No caminho até a pousada, cansado de ter a roupa empapada pelo aguaceiro tropical, o estrangeiro tira a camisa e caminha sob a chuva. Agita a cabeça com fúria e olha para o céu. Cheira o frescor do ar, ouve milhares de rãs cantando. Vê uma sombra vindo no outro sentido, mas não vacila – supõe-se que em uma ilha ninguém faz mal a ninguém. Passa os dedos entre os cabelos. E imagina Cícero dançando: um homem negro, grande e jovem, de braços grossos e suaves, como os de um urso – tudo ritmo, os dedos dos pés polindo o chão – gentilmente envolvendo meninas até fazê-las desaparecer.
Tuesday, May 20, 2008
Nacionalistas
Antes me perguntavam: tu por que escreve em espanhol, se é catalão? Agora eles dirão: mas por que escreve em português? Tu não é normal!
Friday, May 16, 2008
Caminhos do coração
O Roger à Rose: Diz pra Elen que eu vi como o filho do lobisomem, mostrando o amor pelo pai, conseguia que o pai voltasse a ser um homem. Agora estou preocupado porque os mutantes da Liga do Mal ofereceram uma aliança aos mutantes da Liga do Bem para juntos acabar com a raça humana.
A Rose ao Roger: Meu Deus!! Você já se contaminou com essa novela maluca, foi??
A Rose à Elen: Elen, o Roger escreveu. Ele está preocupado porque os mutantes da Liga do Mal estão se aliando aos mutantes da Liga do Bem...
A Elen à Rose: Ele assistiu mesmo! O Roger é uma viagem!
Elen, mas como eu não ia assistir, depois do jeito maravilhoso com que você me contou essa história?
Elen, outra coisa. Sabe que encontrei outra fã? A filha da Cris, dona do cibercafé onde eu vou, cujo nome é Morgana (tem nome de mutante, não tem?), de 10 anos, como você, não perde um capítulo da novela.
Thursday, May 15, 2008
Fósforos de cor azul maia e palito tão fino que dá medo de usar
Fósforos de cor azul maia e palito tão fino que dá medo de usar. Azul fusão entre o índigo e a paligorsquita: o menino disse. Eu, eu não sei o que é. Fósforos da cor mais bela que eu já vi: azul maia de Chichén Itzá. Cor sagrada maia. Fósforos, quem sabe, sagrados também. 23 fósforos escondidos em uma caixinha pequenina que não lhes faz justiça, com as cores banais da bandeira colombiana e a frase “Cerillas de Colombia”. Caixinha bonitinha. Com, na outra face, uma coruja de olhos amarelos exorbitantes sobre fundo preto. Comprada em Tuluá.
Cortázar
"Yo tengo la convicción profunda, y cada día que pasa la siento más profundamente, de que estamos embarcados en una vía, en un camino equivocado. Es decir que la humanidad se equivocó de camino. Estoy hablando sobre todo de la humanidad occidental porque de la oriental no sé gran cosa. Embarcados en un camino históricamente falso que nos está llevando directamente a la catástrofe definitiva, a la aniquilación por cualquier motivo: bélico, polución del aire, contaminación, cansancio, suicidio universal, lo que tú quieras. Entonces, en Rayuela sobre todo, hay ese sentimiento continuo de estar en un mundo que no es lo que debería ser..."
Rayuela es de 1963 y la entrevista de 1978. Che.
PS: "Olhe ao seu redor, me diga o que você vê."
Tuesday, May 13, 2008
120 anos da Lei Áurea
Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
E domingo (11 de maio de 2008) li na Folha de São Paulo:
Negros têm só 3,5% dos cargos de chefia (negras: 0,5%)
Preconceito e acesso limitado à educação são apontados como grandes barreiras para os negros, que são 49,5% da população.
(Pesquisa do Ibope com o Instituto Ethos, dados de 2007)
Querem saber a percentagem de negros nos presídios brasileiros? (Não precisa, verdade?)
Ou a percentagem de negros mortos em operações policiais?
Querem saber quem varre as ruas de Porto Alegre, quem serve meus cafés, quem limpa meu apartamento?
"O Brasil deve muito aos negros, não só a faculdade. A faculdade é só um detalhe. As cotas para negros são o mínimo."
(Mano Brown, rapper, TV Cultura, 24/09/07)
"No Brasil a pobreza tem cor."
(Renato Russo em uma entrevista, mas a frase é antiga.)
"Eu olho para as platéias dos meus shows e não vejo minha família. Cadê a negrada? Ligo a TV e saltam uns olhos azuis em cima de mim. Esta terra não é minha. (...)
Não sei porque nunca me convidaram. Não sabem a atriz que estão perdendo. Mas não tem papel para crioulo em novela. Vão me botar limpando o chão, ralando o joelho?"
(Elza Soares, cantora, Folha de S. P., 26/09/07)
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
E vai de graça pro subemprego
("A carne", de Marcelo Yuka / Seu Jorge / Wilson Capellete)
(Essa também não sai na Globo!)
Este post é dedicado às pessoas que relativizam a existência de racismo no Brasil, assim como àquelas que são contra a política de cotas ou discriminação positiva nas universidades brasileiras. (São contra porque não querem discriminação de nenhum tipo. Só que a discriminação já existe.)
Monday, May 12, 2008
Mudança climática
E ele a amava
Chovia
E ele não queria ficar só
Sunday, May 11, 2008
Sono
Tempo
Thursday, May 08, 2008
Ná en la nevera
1. Ná en la nevera
Na geladeira da cozinha não há nada, ou quase nada – uma garrafa de água, às vezes bananas ou maçãs, café – e isso é o que chama a atenção do visitante, embora não ao primeiro olhar, claro. Primeiro vê-se a geladeira por fora, gorda, antiga; e, à sua direita, a pia; e, à direita da pia, o fogão. Há um armário pequenino pendurado na parede, sobre o fogão – mal situado: pode ser. Mas o que é mesmo interessante da cozinha, além de não haver “ná” na geladeira, é a janela, em cima da pia. Mais exatamente, o que desde a janela pode se ver.
2. Y se despertó, ay, de esa pesadilla, y estaba a gustito aunque la nevera estuviera vacía
Acorda do pesadelo e senta-se à beira da cama, para não cair nele de novo. Para livrar-se de uma vez dos cães que o perseguem. Caminha ao redor do sofá. Sente fome, entra na cozinha. Pára na frente da geladeira, lembra que dentro não há nada (ou quase nada – uma garrafa de água, café...). Pela janela, porém, entra luz, e ele acha estranho. Recorta-se na janela da cozinha do outro apartamento uma cabeça de mulher: a vizinha, comendo uma banana. Acordada como ele às 5 da manhã. Feliz, felicíssima coincidência! Não pela banana, que ele nunca vai pedir. Só por ter visto ela, o que vai permitir-lhe dormir.
Wednesday, May 07, 2008
Monday, May 05, 2008
Pete
Sunday, May 04, 2008
Sistema vampiro
Esse sistema é um vampiro oooo
Ah! O sistema é um vampiro oooo
Eh! Vive sugando todo povo
Vem cá, meu Deus, desça de novo
Ouça meu grito de socorro
Pai, escuta a voz desse teu povo
Que clama
Um centenário de oh falsa libertação
Cativeiro mental
Estamos metidos nos buracos
Estamos jogados nas favelas da vida
Pendurados lá no morro
Velho pai, só nos resta teu socorro
...
Na quinta-feira, chegando de táxi no albergue, fiquei deprimido ao ver tantas crianças fumando crack nas ruas do Centro de Salvador. Isso acontece em qualquer grande cidade do Brasil, mas não é sempre tão visível.
Depois esqueci. Passeando com a Rose, fiquei chateado por estar sendo perseguido o tempo todo por crianças e homens pedindo esmola. E hoje até fiquei irritado por não poder passear e comer sorvete tranqüilo - enquanto a Rose dava um pouco de seu sorvete a duas pessoas que pediam.
...
Thursday, May 01, 2008
Vou viajar!
Friday, April 25, 2008
O barulho
O barulho da cadela acorda Elvira, que olha, aos pés da cama, a hora no relógio azul do som. São 03h00. Vira-se para a irmã, que continua a dormir, com a cara para o lado da parede. Respira fundo. Puxa levemente o lençol, aparece o ombro desnudo e fino, mas a irmã não se mexe. Elvira suspira. Olha para o teto, meio desmanchado. E volta a fechar os olhos, apertando as pálpebras.
A cadela late de novo e Elvira, murmurando um palavrão, ergue-se na cama. Sem acender a luz, de pés descalços, sai ao corredor. Ouve os roncos do irmão mais velho, deitado no sofá, e misturando-se a eles, atravessando a sala, a respiração forte e entrecortada da mãe. Eles e todos os outros dormem, alheios aos latidos da cadela.
Elvira sobe as escadas até a porta de entrada da casa. Encontrando-a aberta, abana a cabeça. Sob o céu, anda com cuidado para não escorregar no chão, gasto pela ação da chuva. Avança até a grade de ferro. Sonolenta e com o cabelo revolto, os cachos a dificultar-lhe a visão, demora em encaixar a chave na fechadura.
Sobe à laje olhando para os degraus e tateando as paredes. Lá em cima, acha os dois cachorros velhos deitados. Um deles entreabre os olhos quando Elvira aparece. O segundo rosna, fica quieto. A cadela, em pé, com as patas sobre a beirada, pára de latir e começa a pular de um lado para o outro, enlouquecida. No final, vai encostar na menina. "Ai, Preta".
Elvira observa os olhos da cadela. Aquele que não existe mais, cujas pálpebras têm sido costuradas uma à outra, e o outro, velado por uma película cinzenta. Preta tem o corpo cheio de ferimentos, mordidas, chagas. Elvira faz-lhe um afago e a desamarra, e ela some atropeladamente pela escada, rumo à rua. Os outros dois erguem as orelhas e viram-se para a menina, em sinal de protesto, mas ela os manda dormir de novo.
Ainda de cócoras, com as mãos sobre as coxas, Elvira repara nos dois tanques de água, vazios, secos, e em seguida desvia a vista para os três baldes ao lado. Morde os lábios. Pensativa, olha para o chão de concreto, embranquecido pelo luar, e logo para o céu, através dos varais nus. Levanta-se e vai devagar até os baldes, pega os três em uma mão. Olha ao redor, onde as luzes de algumas casas ainda estão acesas. E fala, em tom neutro e conformado: “Mas que merda”.
Refaz o caminho e deixa os baldes ao pé da porta de entrada, junto à pilha de roupas sujas e os sapatos. Anda silenciosamente até a cozinha, pega uma banana do cacho sobre o balcão e come, atenta à respiração da mãe. Bebe um resto de suco de umbu direto do jarro. Volta para o quarto com a irmã. Deita-se ao seu lado, de barriga para cima. Olha sem querer as horas no som. Dá uma mexida nos cabelos, esfregando os dedos na raiz. Fecha os olhos e fica imóvel. Não há mais latidos. Só barulhos distantes, alguns reconhecíveis, outros não.
O Mãe de Deus
- Eu estava tão bem! O atendimento é tão bom... que eu não queria sair de lá!
E eu falei:
- Eu também não!
E ela:
- Sério! Eu estou falando sério!
E eu:
- Eu também! Eu adorei estar no Mãe de Deus! Quando já estava curado queria ainda ficar lá!
E Ana:
- Pois é, é muuuito legal. Eu pedia: Mais uma semaninha, por favor?
Sério: as pessoas que trabalham nesse hospital são uma maravilha.
Só tenho boas lembranças...
Ainda às vezes quero ir lá almoçar, para lembrar. Dá para acreditar nisso, de um hospital?
É claro que foi muito importante, muito mais importante, eu estar acompanhado por quem eu estava acompanhado, mas essa é outra história. E essas pessoas, que sem dúvida sofreram mais do que eu, acho que não pensariam a mesma coisa...
Thursday, April 24, 2008
Na rua
Agora à noite eu ia andando rápido pela rua da Praia, com uma sacola com livros numa mão e uma pasta na outra, quando, na esquina com a Borges (a chamada "esquina democrática", se não estou errado), apareceu à minha esquerda uma guria, andando muito rápido também. Fiz uma paradinha, ela passou, e eu fui presenteado com um sorriso que... bem, não sei dizer. É tão bom, um sorriso assim, de uma desconhecida!
PS: Não longe da Casa de Cultura, na mesma rua, vi pessoas com notebooks em mesas colocadas na calçada (muitas mesas onde antes não havia). Porto Alegre está mudando!
PS2: Voltando ao tema do post, lembrei da música que cantou o Ney Matogrosso: Pra viver e pra ver / Não é preciso muito / Atenção, a lição / Está em cada gesto / Tá no mar, tá no ar / No brilho dos seus olhos / Eu não quero tudo de uma vez / Eu só tenho um simples desejo.
PS3: E a Rose me mandou este comentário, que ela não deixou aqui, mas que acho que não vai se importar com que eu copie, porque é lindo:
PS da Rose: Recebi um sorriso de uma desconhecida ontem, enquanto almoçava. Era uma garota que aparentava ter problemas mentais, e foi tão legal quando ela sorriu pra mim (eu estava almoçando sozinha mas daí, depois desse sorriso, me senti acompanhada).
Monday, April 21, 2008
Carnaval 2008: Recebi agorinha estas lindas fotos
Joilson diz: O bicho pegou no Crocodilo!
Daniela Mercury disse: "No meu bloco pode tudo!"
Mariene de Castro disse: "Vamos dançar? Ou vocês sempre pensam naquilo?"
Saturday, April 19, 2008
Crisis? What crisis?

(Nunca visto antes.)
PS: E este, quase sem palavras, é meu post n° 300.
PS2: Obrigado à Cris do cibercafé pelo escaneio artístico.
Friday, April 18, 2008
Meu pai

Eu geralmente não posto fotos minhas, ou de familiares, amigos e tal, mas não podia não postar esta, tão bo-ni-ta, tão bo-ni-to. Parece o Japão, né? É o Valle del Jerte, Extremadura, Spain.
Ele escreveu: "L'endemà vam anar a parar a la vall del costat, el 'Valle del Jerte', que és una vall no gaire ampla i que està plena de cirerers (un milió) que en aquest moment estaven tots florits i era preciós". Um milhão (!) de cerejeiras em flor.
O ritmo da chuva
Que você fez com a minha fantasia de gorila?
Que você fez com a minha fantasia de gorila?
Thursday, April 17, 2008
Juliana ri
Juliana desce e ele vai atrás, câmera na mão. Está praticamente sozinha no trecho final. É a última descida. E está tão feliz! Porque não faz mais “o pêndulo”, como no início. Agora está indo reto, desce reto, deixando a prancha correr antes de virar. Com os braços abertos em cruz, para manter o equilíbrio, vira à direita, varrendo a neve, e vai, vai, se afastando dele. Não olha para trás, só dá rápidas espiadas em frente – hihihi –, a cabeça escondidinha no colarinho do anoraque; há um instante passaram por ela duas crianças que nem raios, de capacete, cabeções; já ouve só seus gritos. Ainda não ergue a cabeça, olha a neve deslizar sob seus pés. Ela nunca tinha estado na neve. Agora está adorando. Deslizar não é um obstáculo, não. Olha para baixo, sorrindo, vê os flocos de neve brilhar, cor de laranja. Neve cálida! Lembra que está sendo filmada e segue em frente, não vai parar; quer se aprimorar, mas logo esquece. Escuta o som suave e rasgado da neve, que a corteja, docemente. E o vento que embrulha o anoraque. Seu anoraque vermelho, tão bonito. Nunca se sentiu tão leve assim. Sorri; desliza e vai abrindo o sorriso. Não pára. Aproxima-se muito dos abetos, sente o coração acelerar. Vira, vira à esquerda, olhando a prancha, vê se obedece! Vê passar um pedaço de azul de anoraque. O anoraque dele. Se sente linda, linda. E sorri tanto porque é a primeira vez. E está se dando bem. Tu-do tão na-tu-ral. Certamente ele está olhando, e ainda gravando – bobo! –: ela não vai olhar. Vira de novo, e escapa, mais uma vez não pára. Não quer, não quer parar. Ela nunca viu a neve, nem se sentiu deslizar. Fraquejam-lhe as pernas, está chegando abaixo, agora é que vai se jogar. Ele passa reto, trava a prancha, perto, perto. Ah, ela não pode mais! Cai de costas na neve, protegida no anoraque. Nunca foi tão linda – sabe, sente – como embaixo desse céu, sobre essa neve. “Pára!”, grita; porque não quer ser filmada, porque somente ela sabe, porque isso que ela sente não vai aparecer. Ouve sua própria gargalhada; seu peito que se abre, que dói. Vira a cabeça para o sol, sente frio na orelha. A bola vermelha vazando nas telhas de ardósia – o refúgio. Lembra o sabor do chocolate, tão quente, tão bom. Tudo tão bom, agora. Olha de novo para cima. As pontas verde-azuis dos abetos. O céu claro e sem nuvens. Alguns fios de cabelo. E essa cara de bobalhão!
Tuesday, April 15, 2008
Da Folha para vocês 6 (Crack no Rio, de Elio Gaspari)
El motivo es triste y simple: quien empieza a tomar crack difícilmente lo deja, y quien no lo deja muere.
La droga puede llegar a la clase media, pero en pocos meses el adicto cambia de clase, ya que, a diferencia de la cocaína y la marihuana, el crack incapacita a la persona para cualquier otra cosa que no sea tomar crack.
El temps
Monday, April 14, 2008
No elevador
Sunday, April 13, 2008
Dos mesos després, a Itàlia...
... Campions de la Copa ULEB.Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!
Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.
Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!
(No és un post repetit, és que ara la Penya guanya sempre :)
Show Inclassificáveis
Simples desejo (de Luciana Mello)
Que tal abrir a porta do dia-a-dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...
Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem
Thursday, April 10, 2008
O que aconteceu com Baleia?
Baleia virou assunto de documentário. Nenhum exemplar sobreviveu à última guerra. Houve quem culpasse exclusivamente aos japoneses, que teriam dizimado a população enchendo-se a comer filés de cetáceo em suas cadeias de fast-food. Porém, historiadores conceituados acreditam que os exemplares sobreviventes teriam bastado para repovoar o planeta, não tivesse sido pelos mísseis subaquáticos que durante o conflito cruzaram os mares dos cinco continentes. Golfinho também desapareceu, virou assunto de livro de biologia. E nem pôde dar tchau a Baleia, pois seu extermínio foi anterior. Nesse caso não há acordo entre a comunidade científica, estando norte-americanos e chineses ainda divididos quanto à responsabilidade dos hábitos alimentares nipônicos e, portanto, às medidas a adotar.
Wednesday, April 09, 2008
Haicai
Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizo no oto
Tá, estou brincando (ou então esse só vai entendê-lo a Cristina; e o Yuji, claro).
Deitado
Vejo passarem as núvens
Quarto de verão
(Yaha)
O vento do inverno sopra
Os olhos dos gatos
Piscam
(Bashô)
O riacho de verão
Passado a pé que felicidade
Tamancos na mão
(Buson)
Para o Ronaldo, que gosta de olhar as estrelas:
As flores de verbena branca
Também em plena noite
A via láctea
(Gonsui)
Um haicai moderno:
Empregados de banco de manhã
Fosforescentes
Como moluscos
(Kaneko Tôta)
Portinha de treliça
Flores num vaso
Cabana da paz
(?)
Para quem gosta de andar descalço:
Frescor
Na parede a planta de meus pés nus
Sesta
(Bashô)
Estação das chuvas. Olhamos a chuva
Eu e atrás de mim, de pé,
Minha mulher
(Rinka)
Chego pela senda da montanha
Ah! Isto é lindo
Uma violeta
(Bashô)
Em meu copo de saquê
Nada uma pulga
Absolutamente
(Issa)
"Isto, Isto"
Foi tudo o que pude dizer
Diante das flores do monte Yoshino
(Teishitsu)
Tuesday, April 08, 2008
Wednesday, April 02, 2008
Cancer (a poem)
How many members of how many families
That didn't speak to each other or look at each other's face
Has that only illness had the power
To reconcile, in all the world, all these years?
Tuesday, April 01, 2008
Adriana (a poem)
Adriana went to the market
Went to the bank
Went to the library
And went to the store
And by the end of the day
She had four lines of poetry
That she gave to her creative writing teacher
With whom she was in love
O mercado não resolveu! :o)
Monday, March 31, 2008
Sobre beijos, marinheiros e Jorge Amado
Judith solloza en el cuarto. Es el destino de todas ellas. Los hombres de la vera del puerto sólo tienen un camino en la vida: el camino del mar. Por él se adentran, ese es su destino. El mar es el dueño de todos ellos. Del mar vienen toda la alegría y toda la tristeza porque el mar es el misterio que ni los más viejos marineros entienden, que no entienden ni aquellos antiguos maestros de barcos de pesca que no viajan más, y apenas remiendan velas y cuentan historias. ¿Quién consiguió descifrar el misterio del mar? Del mar viene la música, viene el amor y viene la muerte. ¿Y no es sobre el mar que la luna es más bella? El mar es inestable. Como él es la vida de los hombres de los barcos pesqueros. ¿Quién de ellos tuvo un fin de vida igual al de los hombres de tierra, que acarician a sus nietos y reúnen a las familias en almuerzos y cenas? Ninguno de ellos anda con ese paso firme de los hombres de tierra. Cada uno tiene algo en el fondo del mar: un hijo, un hermano, un brazo, un barco que volcó, una vela que el viento de la tormenta despedazó. Pero, del mismo modo, ¿cuál de ellos no sabe cantar esas canciones de amor en las noches del puerto? ¿Cuál de ellos no sabe amar con violencia y dulzura? Porque cada vez que cantan y aman, bien puede ser la última vez. Cuando se despiden de las mujeres no dan rápidos besos, como los hombres de tierra que van para sus negocios. Dan largos adioses, agitan las manos, como todavía llamando.(Acabei de fazer a pesquisa: para quem se interessar, existe uma edição em espanhol da Editorial Losada, de Buenos Aires, de 2005, à venda em La Casa del Libro, Barcelona.)
2. Um escritor gaúcho atual falou que nos romances dele não tem mais cenas de sexo. Disse que já foi tudo escrito, que não há como escrever nada novo sobre isso. Jorge Amado escreveu esse romance, um dos seus primeiros, nos anos 30, quando tudo "já tinha sido escrito" também. E ele colocou isto em uma frase só, menos de 10 palavras. É depois da primeira noite de sexo na vida do protagonista, marinheiro macho:
"Ele era homem, dobrava uma mulher aos seus pés."
3. Capitães da Areia foi o primeiro livro em português que eu li: chegou por correio a Barcelona, em 2001, presente de minha amiga carioca Isabel, graças a quem eu vim pela primeira vez ao Brasil, em 2003. Depois eu li Gabriela, cravo e canela, presente de Gabriela, que fez questão de dar-me o livro em capa dura, porque assim eu tinha os Capitães. Foi em 2005. Já em 2007, ganhei Cacau do meu amigo Ronaldo, baiano, que quis que eu soubesse como era a vida dos escravos nas fazendas de cacau. Ronaldo, o maior presenteador de livros que eu conheço (maior que o meu pai!), é quem deu quase todos os livros de Amado à Rose [Ups! A Rose me corrigiu: o que ela ganhou do Ronaldo foram todos os livros do García Márquez - além de muitos outros.] E eu agora pretendo tê-los também, nas novas edições da editora Companhia das Letras, que ganhou em leilão os direitos
da obra completa do escritor, até há pouco da Record. Os primeiros quatro volumes que saíram, entre os quais Mar Morto, Dona Flor e seus dois maridos e A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, são lindérrimos (não que os da Record não o fossem, mas a Cia. se puxou). Foram apresentados num show em São Paulo, no maior evento feito até agora por uma editora, a semana passada, com mais de 1.000 pessoas e a presença de Chico Buarque e Caetano Veloso, que cantaram e leram trechos dos livros. O editor da Cia. das Letras, Luiz Schwarcz, chegou a dizer nessa noite, brincando: "Bem-vindos à inauguração da Companhia das Letras!". Amado é muito Amado, e não importa o que digam os acadêmicos, os estetas, os leitores mais elitistas que gostam de se afastar do que cai na graça do povo: talvez não seja o melhor escritor, mas ele é, a meu ver (quem sabe, junto a Érico Verissimo), o melhor romancista do país.
Saturday, March 29, 2008
Un text boig del meu germà
Ja ho veuen... El germà fotògraf està tan ocupat que no té temps ni d'escriure... Ahhhhhhhhh... Alerta... Però no. Aquí estic de cos present. Per escriure't. Per enyorar-te. De nit, Porto Alegre en somnis. Esmorzo a Ipanema. Dino sota la palmera a Copacabana. Mentre sopo, Salvador. I a totes hores, tu, germà. Et voldria enviar versos, però sóc a Barcelona i no me'n surten. Et voldria enviar pernil, però no tinc diners per comprar-ne. Et voldria enviar amor, però la vida fa temps que em va gelar el cor. Nooooooooooooooooooooooo. La vida, si hi penses, què és? Records, experiències viscudes, coneixements adquirits, records. Un home està fet de records. Els records són allò que més temps conviu amb un mateix. La família, t'estimi o no, hi és, però passa. Les nòvies, te la [censurat], i passen, els amics, hi són, però passen. En canvi, el record de l'olor d'aquella fleca oberta de matinada que arribava a l'habitació de l'hotel de Bucarest et fa costat sempre. Encara que et tallin el nas. Perquè ja no és una olor. La vida és el que fas. Però sobretot el que has fet. Perquè el record normalment supera la il·lusió, per bé o per mal. Si ara jo penso en demà, penso en un dia. Però quan demà hagi passat, que també en podríem dir demà passat (potser ve d'aquí), ahir no serà només ahir, sinó que serà ahir durant tots els teus dies. De fet, poc ens hauríem de preocupar pels diners o tot allò tangible. Això ho vaig llegir ahir al Nou Testament. Emprèn el viatge, i no et preocupis de què menjaràs o què beuràs, perquè això t'impedirà assolir allò que realment busques. Déu, si estàs al seu costat, et proveirà de menjar i beguda, perquè Déu t'estima i Déu et protegeix. Em sembla que era una cosa així. Té raó en moltes coses, la paraula de Déu. Quants cops quedes amb una noia i estàs dos dies sense dormir, pensant com anirà tot, si li faràs un petó o si directament la posaràs de cara a [censurat]. En aquest cas, si segueixes el camí de la fe, no t'has de preocupar de res. Et [censurat] a qui t'hagis de [censurat]. Això em portaria a parlar del destí, però em fa mandra. Prefereixo explicar-te que l'Oriol segueix obsessionat amb el canvi climàtic. Em penso que li hauré de fer una broma... Potser algun dia es llevarà amb els ous vermells i súper inflats. Avui ja em deia que l'esquí s'està acabant... Com si a mi això em preocupés massa... Alerta, ja ho veuen. Nooooooooooooooooo. I ara t'escriuré un poema en binari: 111111111111000010 / 000100001000100000 / 000011111111111100 / 000000001111111000. Vés preparant un verset per la teva cunyada / que de nit i de dia me l'he [censurat]. El Mas ha guanyat un vot, dues convergents s'han fumat un puro amb bigoti [mmm, va, no ho censuro] i un repartidor ha descobert que el cel, si existeix, s'ha d'assemblar molt a [censurat]. Una abraçada, germà.
PS do Roger (em português): Um colega de aula, cara legal, me perguntou no café por que eu tinha dito duas vezes que eu era espanhol. Eu nem tinha me dado conta. "Ah é?". Parece que ele conheceu dois catalães, no sul da França ou na própria Catalunha, não me lembro bem, que fizeram questão que ele entendesse que eram só isso, catalães. Aí eu tive que explicar que eu também era catalão. Disse que na minha viagem ao Perú e à Bolívia, eu era "de Barcelona", porque lá emcima não gostam de espanhóis. Que no Chile, Argentina e Uruguai voltei a ser espanhol e catalão, mas que geralmente o melhor passaporte era sempre dizer Barcelona. Barcelona funciona como uma palavra mágica, gera simpatias, abre portas. E às vezes eu brinco e digo que sou baiano, carioca ou gaúcho (gaúcho na Bahia, baiano no Sul: só pra implicar). Enfim, o que eu quero dizer é que, inclusive aqui, no Brasil, por ser catalão, ou é espanhol?, preciso me explicar, dizer o que eu "sou". Não deveria ser necessário. Nacionalismos, patriotismos, bairrismos... Estou fora, viu?
Friday, March 28, 2008
É doce morrer no mar
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
La noche que él no volvió fue
Fue de tristeza para mí
El barco volvió sin él
Triste noche para mí
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
El barco partió de noche y fue
De madrugada no volvió
Al marinero bonito
La sirena del mar se lo llevó
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
En las olas verdes del mar mi amor
Mi querido se fue a ahogar
Hizo su cama de novio
En el regazo de Iemanjá
Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar
Mini post con frase romántica
Leí una vez una frase, pintada en letras grandes en un muro, que me atrajo especialmente por la rima y por su significación:
CHICA DEL CIELO
TE ESPERO
El chico debe de estar esperando todavía, claro. Si no ha muerto ya. Pero la frase sigue pareciéndome bonita.
(Me pongo romántico (como diría Maritrini, en su español particular) porque estoy leyendo Mar morto, de Jorge Amado.)
Sunday, March 23, 2008
A melancolia
Este post poderia ser para o meu pai, que hoje faz 60 anos, e que, em muitos aspetos - não em todos! ;) - tem sido - e é - um modelo para mim. É para ele, que fez 60 anos e me disse que é feliz.
Thursday, March 20, 2008
Na PUCRS
E as aulas, o nível. Hoje até falei com a Raquel (que vai me ajudar com o romance :): "E com o mestrado faço o quê?" :(
PS: Lido em Lima Barreto:
Eu não tenho nenhuma espécie de superstição pelos nossos títulos escolares ou universitários; eles dão algumas vezes algum saber profissional, muito restrito e ronceiro, e nunca uma verdadeira cultura.
PS2: E lido no blog da Carol, que cita Faulkner:
Que o escritor se dedique à cirurgia ou à profissão de pedreiro, caso se interesse pela técnica. Não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. O jovem escritor seria um tolo se seguisse uma teoria.
Pau no Lula Department
... "Eu não acompanho o Brasil", disse. A declaração é útil e contém, pelo menos, duas revelações. Primeiro, sabe-se que um dos principais economistas dos EUA é desinformado deliberadamente sobre o Brasil. Segundo, que o otimismo panglossiano do presidente Lula e de seu governo ainda não atingiu nem contagiou parte do establishment do mundo desenvolvido.
É isso aí redator: pau nele quando convém e quando não convém também.
Book Quotations Department
FOLHA - Mas há alguma diferença identificável entre a crise atual e as outras que os EUA enfrentaram nas décadas passadas?
SUMMERS - Tólstoi dizia que cada família feliz é igual e que cada família infeliz é também semelhante de alguma forma.
Hein?
Sunday, March 16, 2008
De como é duro ser uma lôrabúrra
Thursday, March 13, 2008
Da Folha para vocês 5 (É prohibido viajar, de Contardo Calligaris)
En el episodio de los jóvenes investigadores brasileños a los que se prohibió la entrada en Madrid, las autoridades españolas actuaron como si el cónsul general de Brasil se inventara historias para facilitar el tránsito de inmigrantes ilegales. Esa falta de respeto justifica las represalias brasileñas.
Pero cada día las fronteras del mundo (no sólo del primero) se cierran para alguien que intenta viajar, sobre todo si es joven, soltero y sin la apariencia de "tener una vida hecha".
Al cruzar una frontera, el pasaporte prueba que estamos en paz con la Justicia de nuestro país. Las otras naciones deben decidir si somos huéspedes deseables. En las últimas décadas, las "condiciones" para ser deseable se han multiplicado. Hoy, en el caso de España: 1) 70 euros por día de permanencia; 2) pasaje de vuelta; 3) reserva de hotel, ya pagado; 4) para quien se hospeda con parientes, formulario rellenado por los mismos; 5) quien se desplaza para trabajar debe disponer de un contrato firmado. Normas muy parecidas valen en la mayoría de países.
El escándalo es que esas condiciones pueden parecernos "aceptables". A fin de cuentas, cualquier Estado quiere proteger el empleo de sus ciudadanos impidiendo la llegada de inmigrantes no autorizados, ¿no es así?
Si es así, Michel Foucault es realmente el pensador para nuestros tiempos: el sistema social y productivo dominante ordena nuestras vidas furtivamente, convenciéndonos de que no hay opresión, sino sólo necesidades "racionales". Si encontramos esas normas "aceptables", es porque ya hemos adoptado la idea de que, en nuestro mundo, sólo es legítimo tener residencia fija y profesión estable.
Las personas con residencia fija pueden, cuando disponen de los medios necesarios, adquirir un billete de ida y vuelta y salir de su hogar siguiendo un programa preestablecido -es decir, pueden ser, ocasionalmente, turistas.
Escarnio: se prefiere que los turistas sean burros, que paguen por adelantado. ¿Hay una posada mejor que la que habían previsto? ¿Quieren acortar su viaje? Qué pena, ya pagaron. Pero eso es lo de menos.
Lo que importa es lo siguiente. La modernidad, que empezó con la circulación (libre o forzada) de todos los agentes económicos, acaba pariendo ni más ni menos que la prohibición del viaje. ¿Cómo?
Pues sí, viajar no tiene nada que ver con pasar vacaciones en un resort o con ser transportado de ciudad en ciudad para que los cicerones nos muestren las cosas "memorables".
Para empezar, viajar es usar un billete sólo de ida.
-¿Cuánto tiempo va a quedarse?
-No tengo ni idea. ¿Un día? ¿Tres meses? ¿Un año?
-¿Y adónde va?
-No sé. Tal vez me quede en alguna playa, alquile un cuarto en una casa de pescadores y me pase días comiendo cangrejos con los pies en la arena. Tal vez, en el avión o por las calles de Barcelona, me enamore de una holandesa, un ruso o una argelina y les siga hasta su país, por una semana o un mes. Y si la pasión dura, me quede por ahí.
-¿Y el dinero?
-No lo sé, amigo. Toco la guitarra, puedo ganar algo tocando en una esquina o en el metro. También puedo lavar platos, ayudar en la cosecha, cortar leña, lavar coches y vender pullovers. Y si la cosa se pone difícil, tengo las direcciones de parientes y conocidos que ni saben que estoy viajando, pero que no me negarán una sopa o un baño caliente. Además, en París, cuando cierra el mercado de la rue Saint Antoine, sobran en la acera las frutas y verduras no vendidas durante el día; en São Paulo, Londres y Nueva York, conozco docenas de iglesias que ofrecen pan con mantequilla; en Varanasi, al mediodía, distribuyen arroz con curry y carne a los peregrinos.
Cien años después de la invención del pasaporte con fotografía, llegamos a esto: una orden que sólo permite moverse para consumir vacaciones o para reubicarse según los imperativos de la producción.
Las normas que cierran el paso al viajante expresan nuestra propia miseria colectiva: perdemos de golpe el sentimiento de que la vida es una aventura. Preferimos la vida hecha a la vida por hacer.
Para quien quiera leer sobre la historia de la documentación de viaje, una sugerencia: "Invention of the Passport: Surveillance, Citizenship and the State" (invención del pasaporte: vigilancia, ciudadanía y el Estado), de Torpey, Chanuk y Arup (Cambridge University Press).
Para quien quiera viajar, otra sugerencia: la mentira, en un mundo opresivo, es una forma aceptable de resistencia.
Monday, March 10, 2008
Saturday, March 08, 2008
Traduccions de Brasil 46 (Socorro, de A. Antunes)
Socorro!
No estoy sintiendo nada
Ni miedo, ni calor, ni fuego
No voy a poder llorar
Ni reír...
Socorro!
Que alguna alma
Aunque apenada
Me preste sus penas
Ya no siento amor
Ni dolor
Ya no siento nada...
Socorro!
Que alguien me dé un corazón
Que éste ya no bate
Ni se rompe
Por favor!
Una emoción pequeña
Cualquier cosa!
Cualquier cosa
Que se sienta...
Hay tantos sentimientos
Habrá alguno que sirva
Cualquier cosa
Que se sienta...
Hay tantos sentimientos
Habrá alguno que sirva
Socorro!
Alguna calle que me dé sentido
En algún cruce
Arcén, encrucijada
Socorro!
Yo ya no siento nada
Socorro!
No estoy sintiendo nada
Ni miedo, ni calor, ni fuego
Ni ganas de llorar
Ni de reír...
Socorro!
Que alguna alma
Aunque apenada
Me preste sus penas
Ya no siento amor
Ni dolor
Ya no siento nada...
Friday, March 07, 2008
Hoje na Espanha
El ex concejal socialista de la localidad guipuzcoana de Mondragón Isaías Carrasco ha muerto en el hospital tras recibir varios impactos de bala (tres o cuatro) por la espalda en presencia de su mujer y su hija a pocos metros de la puerta de su casa. Según ha confirmado el consejero de Interior del Gobierno vasco, Javier Balza, los disparos fueron efectuados por un único individuo, mientras una segunda persona esperaba en un vehículo.
:'-(
Que nojo. Nós na Espanha podemos nos orgulhar por termos o terrorismo mais gratuito e mais covarde do mundo.
PS: Nojo também dos policiais que estão impedindo a entrada de brasileiros em Madri.
Thursday, March 06, 2008
Traduccions de Brasil 45 (Balada do Louco, de Arnaldo Baptista e Rita Lee)
(Pensando no meu pai, que hoje em um e-mail me escreveu: "Eu sou feliz".)
Dicen que estoy loco
Por pensar así
Dicen que estoy loco
Porque soy feliz
Pero loco es quien lo dice
Y no es feliz, no es feliz
Si ellos son bonitos, soy Alain Delon
Si ellos son famosos, soy Napoleón
Pero loco es quien me dice
Que no es feliz, no es feliz
Juro que es mejor
No ser normal
Si puedo pensar que Dios soy yo
Si ellos tienen tres coches, yo puedo volar
Si ellos rezan mucho, yo estoy en el cielo
Pero loco es quien me dice
Que no es feliz, que no es feliz
Juro que es mejor
No ser normal
Si puedo pensar que Dios soy yo
Sí, estoy muy loco, no me voy a curar
Ya no soy el único que encontró la paz
Pero loco es quien me dice
Que no es feliz
Eu sou feliz
Fun Home: A Family Tragicomic
Para não continuar sendo chato falando em filmes que eu não gosto: recomendo MUITO a HQ (comic, novela gráfica) Fun Home (que apesar do título tem muito pouco de fun), de Alison Bechdel. É o melhor livro que eu li no último ano. O melhor filme que eu vi.Uma citação da NYT Book Review, na contracapa, diz quase tudo de um jeito exato: "Uma obra pioneira, que eleva dois gêneros (quadrinhos e relato autobiográfico) a novos patamares, com quadros que combinam o detalhismo e o apuramento técnico de R. Crumb com uma seriedade, complexidade emocional e um espíritu inovador totalmente pessoais".
Um capítulo do livro estava na coletânea de HQ The Best American Comics 2007 que eu comentei em dezembro e achei fraca. Eu gostei desse capítulo, mas fui bastante burro para não procurar o livro, talvez achando que não ia encontrá-lo, ou desapontado pela coletânea em si. Gostei até porque o tema do capítulo escolhido, uma neurose da garota protagonista, me era próximo.
Felizmente, já no Brasil, meu amigo Pedro me emprestou o livro, na versão em português (vi agora que não saiu ainda em espanhol, mas vai sair: tem livros anteriores da autora editados por La Cúpula). E estou escrevendo isto antes de chegar ao final. Não quero chegar ao final. E acho que não devolvo o livro ao Pedro. :p
É uma ótima leitura para todo o mundo, mas mais ainda para quem gosta de literatura. Porque fragmentos de Camus, Proust, Wilde, Colette ou Joyce (nunca chatos) servem de ajuda à protagonista, em diferentes momentos de sua adolescência e juventude, para entender o que se passa - ou o que dá para entender do que se passa - na casa e na vida dela - e na cabeça da outra grande personagem: seu pai.
Monday, March 03, 2008
Cinema está cada vez pior 2
Acredito que estes posts também podem servir de ajuda a algumas pessoas, para que elas não caiam na tentação de gastar seu dinheiro em filmes..., vamos dizer, medíocres.
(Que olhar hein? :)Que o cinema anda mal, ele diz, é uma idéia que compartilho contigo. É o que eu sempre digo: o cinema está precisando de mim [tá bom, irmão! :o); mas, vamos ver, é verdade que o primeiro projeto sério seu está começando a andar; espero que a atriz escolhida seja bonita, tipo Alice Braga ou Fernanda Machado, na foto]. Mas não consigo deixar de ir ao cinema. E sim, vou ver alguns dos filmes indicados ao Oscar. O cinema é um dos prazeres da vida moderna, e não posso renunciar a ele assim tão facilmente, apesar de ter de engolir mediocridades que só me deixem um pouco entretido. Além de que, como dizia um professor que eu tive, dos filmes bons se aprende, e dos ruins se aprende mais [eu não concordo; qual professor?; na literatura não é assim, por que no cinema seria?].
Vou te dizer, ele diz: na terça, em um ataque de irracionalidade momentânea, entrei sem motivo explicável em uma sala onde projetavam Sweeney Todd, e só posso dizer três coisas. 1) Não vá não! 2) Pega a grana e investe na criação de formigas vermelhas africanas: será uma aportação melhor à humanidade [não sei se ele falou por falar, ou se as formigas vermelhas africanas servem a algum propósito]. 3) Por que me deixei enganar mais uma vez pela fama do Tim Burton, quando eu não gostei de nenhum dos seus filmes? [E Edward Scissorhands? Esse é um dos poucos que eu não vi; será que é o único filme verdadeiramente bom que ele fez?; eu também me deixei enganar muitas vezes.] Bom: perdi a consciência antes de entrar, e dentro também, porque acabei dormindo na sala.
E aqui meu irmão Oriol passa a me dar notícias sobre os nossos times de basquete e futebol preferidos, que -eles sim- estão dando prazer à torcida, ao menos este ano.
Ele ainda recomenda um vídeo do youtube. Ele é fã de Hank e John Green, os vlogbrothers's, dois irmãos que mantém um videodiario para se comunicar, porque um está morando no Canadá -acho- e o outro nos Estados Unidos. Eu gosto do Hank, ele é MUITO criativo e engraçado, e este vídeo é massa.
Adaptação de "Travessa do Eixão" (Legião)
Nossa Senhora Do Cerrado
Protetora dos pedestres
Que sobem a ladeira
Às seis horas da tarde
Fazei com que eu chegue sã e salva
Na casa dos meus pais
(PS para os fãs da Legião Urbana:
SHOWBIZZ [1996]: E "Travessa Do Eixão", de onde saiu?
Bonfá: Isso é de um grupo chamado Liga-Tripa, faz parte de uma época legal em Brasília. Eles eram os mais malucos de todos, eram hippies. Diziam: "Ah, que legal, vai ter show, né? A gente pode tocar também?" E nós: "Que nada, cara! Tu é hippie, xará!" Mas eles estavam cagando se a gente era punk, eram muito legais.
Dado: Essa música é o seguinte: tem uma outra música que não entrou nesse disco. (Olhando para Bonfá) Acho que vai entrar no próximo (risos cúmplices dos dois): "Setor De Diversões Sul"!
Bonfá: Era a baixaria de Brasília.
Dado: Você ia lá, tinha os puteiros, os bares, os recos, os travestis... A letra fala de um cara que se acabou lá, no esquema "mais uma dese de gim". Ele gostava mesmo é de fazer xixi na rua, essas coisas... E aí, ele tá lá, caído na calçada, pára um carro e - quem é? Eduardo e Mônica, que eram amigos dele, já casados. Eles falam assim: "A gente vai te levar no A. A. e fazer sua cura". E no meio do caminho eles começam a cantar: "Nossa Senhora Protetora..." A gente acabou só pegando esse finalzinho.)
