Tuesday, July 08, 2008

Solidão, que nada

Aquesta cançó, enviada per la Rose (obrigadão!), l'estava guardant perquè parla d'aeroports, i sempre que viatjo m'agrada fer un post d'aquesta mena. És del gran Cazuza, de 1987, i aquesta vegada no la tradueixo perquè em carregaria totes les rimes. I no sé ni com traduir el títol. En català seria: "Soledat?, i ara!". O: "Soledat, què dius!". O "Soledat?, què carai!" (Aquí es fan patents els problemes d'aquesta llengua materna meva - o els meus, OK. Potser... "Solitud, ruc?") L'expressió "que nada!", rere un verb o un substantiu, es fa servir molt en portuguès, almenys aquí al Brasil. I el sentit equival més aviat a un "què cony!",... és clar que el "que nada" no té res de barroer. Bé: el més important de la cançó, en la llengua de Camões (que no és cap futbolista, Uri, ignorant! - desculpem meu irmão... :)

Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada

Sunday, July 06, 2008

Interior vazio da Usina do Gasômetro



Interior vazio, amplo, lindo, da Usina do Gasômetro, agora excepcionalmente sem mostras ou exposições.




PS: O curador da próxima Bienal de São Paulo pretende deixar, nesse caso propositalmente, um andar totalmente vazio, sem obras. Acho uma boa idéia...

Saturday, July 05, 2008

Traduccions de Brasil 50 (Iemanjá Rainha do Mar, de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro)


Maria Bethânia


¿Cuántos nombres tiene la Reina del Mar?
¿Cuántos nombres tiene la Reina del Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
María, Doña Iemanjá.

¿Y dónde vive?
¿Y dónde habita?

En las aguas,
En una cueva de piedra,
En un palacio encantado,
En el fondo del mar.

¿Y qué le gusta?
¿Y qué adora?

Perfume, flor,
Espejo y peine,
Cualquier tipo de presente
Para poderse adornar.

¿Cómo se saluda a la Reina del Mar?
¿Cómo se saluda a la Reina del Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d'água,
Odoyá!

¿Cuál es su día
Nuestra Señora?

El día dos de febrero
Cuando a la orilla de la playa
Yo la voy a honrar.

¿Qué canción canta?
¿Y por qué llora?

Canta cantigas bonitas
Llora cuando está afligida
Si te ve llorar

¿Quién vio algún día a la Reina del Mar?
¿Quién vio algún día a la Reina del Mar?

Pescador y marinero,
Quien escucha a la Sirena cantar.
Es con el pueblo playero
Que Iemanjá se quiere casar.

Friday, July 04, 2008

200 anos da família Fagundes em quinze linhas

(Exercício feito na aula de Escrita Criativa.)


Lídia Fagundes não tem descendência. Casou-se, separou-se, e casou-se de novo, mas não teve filhos porque acha que o mundo está prestes a acabar. Teve nove irmãos, dos quais oito já morreram – na guerra. Salvou-se só Bernardo, que sempre foi diferente, nunca teve o sentimento de pertencer à uma comunidade, nem sequer à família – imaginem então se ia lutar pelo país. Em vez disso, isolou-se em seu mundinho de fumadores de maconha, e por isso foi imediatamente repudiado pelo pai, Odílio Fagundes, coronel do 6º Batalhão de Engenharia de Combate do Exército. Odílio dedicou toda sua vida ao Exército, mas foram, esses, tempos de paz. Deixou seus dez filhos ao cuidado de Marília, seguindo nisso o exemplo de seu pai, Rodrigo, também militar. Rodrigo Fagundes nunca disse com exatidão quantos filhos teve – às vezes eram cinco, às vezes eram seis –, nem se os teve todos com Raquel, sua mulher. Rodrigo era filho de um padre, o Padre João Ambrósio, da Igreja da Santa Maria da Puríssima Conceição, que foi excomungado pela Santa Sede por não cumprir os votos e por outros desmandos. Da união dele e uma mulher cujo nome se perdeu nasceu Rodrigo, e dizem as más línguas que ele teve outros seis irmãos, bastardos. O Padre Ambrósio sempre o negou. Difícil saber, só resta a lenda, já se passaram quase 200 anos.

Wednesday, July 02, 2008

Salada espanhola

Cadê a massa fervida e com manteiga?



... Hoje caprichei: salada de alface, rúcula, queijo ricota, salsicha bock e pistachos.

+ Viva a seleção espanhola de futebol. E viva a Folha, que deu-lhe o espaço merecido. E viva os brasileiros, que, segundo Geraldo Couto, "gostamos de futebol bem jogado, não importa a cor da camisa ou a língua dos praticantes".

PS: Não é o prato que é pequeno, é o jornal que é grande.

Tuesday, July 01, 2008

No colégio de Christiane

Christiane me contou que, quando dava aulas, como estagiária, em um colégio público do Centro de Porto Alegre, uns policiais interromperam a classe para levar um aluno. Na mochila dele acharam uma faca com sangue embrulhada em papéis: o aluno, de dezesseis anos, tinha esfaqueado um colega na frente do colégio, antes de entrar no prédio. Ela me contou, também, que uma menina, grávida de muitos meses, se jogou escadas abaixo, rolou quatro andares e perdeu o bebê. O aluno mais inteligente da aula era catador de lixo, me disse Christiane. Seus colegas gozavam dele, chamavam-lhe de "lixeiro". Um dia ele se cansou, quis bater em um dos caras. Christiane reprendeu-o, falou com ele depois da aula. Ele deixou de reagir, e os colegas deixaram de implicar com ele. Outro dia apresentou um magnifico robô de lata. Outra menina ficou muito triste quando o estágio de Christiane terminou. Morava sozinha, sem pai nem mãe, e cada dia esperava a professora no ponto de ônibus, deixava escapar todos eles até Christiane aparecer e ela poder viajar junto.

Monday, June 30, 2008

Traduccions de Brasil 49 (A pequena praça, de Sophia de Mello Breyner Andresen*)

Mi vida había tomado la forma de la pequeña plaza
En ese otoño en que tu muerte se organizaba meticulosamente
Yo me agarraba a la plaza porque tú amabas
La humanidad humilde y nostálgica de las pequeñas tiendas
Donde los cajeros doblan y desdoblan cintas y telas
Procuraba volverme tú porque tú ibas a morir
Y la vida toda dejaba ahí de ser la mía
Procuraba sonreír como tú sonreías
Al vendedor de periódicos al vendedor de tabaco
Y a la mujer sin piernas que vendía violetas
Pedía a la mujer sin piernas que rezara por ti
Y encendía velas en todos los altares
De las iglesias que hay en el rincón de esta plaza
Y cuando abrí los ojos y vi fue para leer
La vocación de lo eterno escrita en tu rostro
Yo convocaba las calles los lugares las personas
Que fueron testimonios de tu rostro
Para que te llamaran, para que deshicieran
El tejido que la muerte entrelazaba en ti


*Portuguesa.

Saturday, June 28, 2008

Hoje à noite sonhei com Cesc

Cesc Fábregas é grande. Talvez não seja genial como Riquelme, nem tão soturno, e por isso eu gosto mais do argentino. Mas ele é um dos melhores meias do mundo. (Ele tem outra coisa em comum com Román: O Barcelona deixou escapar os dois, hahshuhauhauhau!)


Uri, Cesc e o colega cabeludo do Uri.

Este é o comercial da Smint. Não atirem contra o mensageiro meu irmão, OK? O Uri fez coisas muito melhores, ele vai concordar. E quem faz publicidade sabe que o cliente é quem manda, e o cliente nem sempre... enfim, deixa pra lá.



O protagonista, óbvio, também fez coisas melhores. E algumas maravilhas eu pude ver no segundo tempo do Espanha-Rússia, quinta-feira passada (que bom que matei o "segundo tempo" da minha aula, hehe). Maravilhas como esta (Cesc não é quem marca, é quem assiste, o "10"):



Sobre o que dizem os jornais do Brasil (pergunta do meu pai), traduzo da Zero Hora:

"La Eurocopa se encamina a la gran final, que hace justicia a la lógica superior de los acontecimientos. Rusia tuvo una actuación vigorosa y llena de talento, pero sucumbió delante de una notable exhibición colectiva de España, con individualidades destacadas y autoritarias. Y fue bueno para la autoestima española, tan perjudicada por los últimos fracasos. (...) La Eurocopa fue un gran evento, que termina este domingo en Viena con un partido de los que no hay que perderse. (...) España llega como favorita, pero tumbar a equipos favoritos y 'equipos sensación' no es ninguna novedad para Alemania."


PS: Jonas, apostar pelos russos... só no basquete! :)

Friday, June 27, 2008

The Swimmer, Cheever and an Odd Writers' Workshop



"The day was lovely, and that he lived in a world so generously supplied with water seemed like a clemency, a beneficence."

(John Cheever, "The Swimmer")

"C'était une merveilleuse journée, et il ressentait comme une faveur, un privilège, le fait de vivre dans un monde si généreusement approvisionné en eau."

(John Cheever, "Le Nageur")

(Envoyé par Clotilde.)


Now, from The New Yorker's report "Hungry Minds", by Ian Frazier:

The Church of the Holy Apostles, at the corner of Twenty-eighth Street and Ninth Avenue in Manhattan, is a church only two-sevenths of the time. The other five-sevenths—every weekday (...) is the largest soup kitchen in New York City. It serves an average of about twelve hundred meals a day.

(...)

I know about the soup kitchen because I am one of the teachers of a writers' workshop that meets there after lunch on Wednesdays in the spring. I started the workshop fourteen years ago, with the help of a grant. I wanted to do something with the soup kitchen because I admired the people there and the way it is run and the whole idea of it.

(...)

Once when I was sitting at my table by the door, a tall, thin, long-faced black man with deep-set eyes made deeper-looking by the hood of his dark sweatshirt stopped at my table. As he was adjusting his clothing for outside, he looked at my sign. "Writers' work-shop!" he said, in a tone indicating that he was not impressed by the idea.

"Yes, we meet every Wednesday at twelve-thirty in the narthex, that little room in the front of the church. Would you like to join?" I asked.

"Uh-uh, no," he said. "I ain't doin' no writers' workshop. I done that shit before."

"Really? You were in a writers' workshop before?"

"Hell yes I was. And my teacher was a better writer than you."

"Oh? What writer was that?"

"John Cheever."


Apparently, the guy had been in a workshop that Cheever taught at the prison in Ossining, back in the seventies. I had met Cheever once, and the guy and I talked about him for a while. I asked the guy what he had learned from the workshop with Cheever, and he said, "Cheever, you understan', he was a brilliant writer. When he wrote something, he always had two things going on at a time. He told us, when you writin', you got this surface thing, you understan', goin' on up here"—he moved his left hand in a circle with his fingers spread apart, as if rubbing a flat surface—"an' then once you get that goin' on, now you got to come under it"—he brought his right hand under his left, as if throwing an uppercut—"come under this thing here that's goin' on up here, you understan'. That was how John Cheever said you write."

"John Cheever had that writers' workshop at Ossining," he continued, "and later he wrote a book about the prison, Falconer, and it was a No. 1 best-seller. I ain't in that book. He got a best-seller from the workshop, and I didn't get shit. I ain't doin' writers' workshops no more."

Complete story

Wednesday, June 25, 2008

Sereias de Fortaleza

(Conto para a Oficina de Criação Literária.)


De manhã, nas dunas

– Com emoção ou sem emoção? – pergunta o motorista do buggy, alargando o sorriso, ao chegar ao topo da primeira duna.
– Hmmm... Com um pouquinho de emoção – responde o turista, de Salvador.
– Sem emoção nenhuma – corrige-o, severa, a namorada paulistana.
O forasteiro não diz nada. Pensa que é assim que as coisas são.

De tarde, na pousada

Mulheres Apaixonadas. Capítulo 124. O homem diz à mulher alguma coisa importante, alguma coisa em seu interesse (que ela deveria ser persistente e gravar as músicas que tem escrito, ou que deveria terminar o livro em que tem trabalhado tanto tempo), e ela olha para ele com olhos bovinos, sem processar o que está escutando, sem ligar a mínima para o que está escutando, porque o que quer – a única coisa que ela quer – é o beijo. Assim, ela fecha os olhos, seus olhos rendidos, e precipita-se sobre os lábios dele. Para obter mais um simples beijo – para continuar beijando-o.

De noite, no restaurante

Fortaleza é uma cidade cheia de europeus feios, de meia-idade, relativamente abastados, chegados com o propósito de ter sexo com meninas brasileiras pobres. Três deles, italianos, estão sentados em uma mesa próxima à do forasteiro. Bronzeados, de cabelo engomado, usam camisas brancas de algodão desabotoadas no colo e não fazem nada exceto rir espalhafatosamente e mostrar seus relógios caros às meninas negras com quem estão jantando – duas meninas muito jovens que simulam pendurar-se de palavras que nem sequer entendem.

De madrugada, no boteco

O forasteiro lembra-se dos italianos ao encontrar, de madrugada, um homem semelhante: um belga careca e com a cara rosada, pingando suor, cujo nome não retém. O homem tem plena confiança em ter sexo com Simone – garota muito magra, morena, de dezoito anos, diz ela – e ridiculariza as meninas com quem está tomando drinques por não saberem nada de Lucky Luke ou Simenon.
Então diz berrando ao forasteiro, indicando-lhe Simone:
– C’est domage son visage!
Espalhadas na cara da menina há algumas marcas de acne juvenil.
Alerta, maternalmente protetoras e expertas, as duas amigas mais velhas fazem com que o belga saia espantado e correndo do bar.

De manhã, na praia

O forasteiro bóia de costas na água, com a esperança de que a corrente o leve perto de onde nadam as sereias. Quase chegando ao seu lado, não levanta a cabeça. Sob a água ouve o cric-cric das pedrinhas do fundo, revoltas pelas ondas, e as gargalhadas delas, que não lhe prestam atenção. Pensa em fazer um movimento engraçado, mas logo desiste. Tudo bem considerado, retorna à areia. Lá outras sereias tomam banho de sol. Pensa em ir até elas, falar para elas. Mas não vai. Fica a olhar àquela que repousa meio erguida na sua frente. Sereia quase nua olhando para o horizonte. O sol deve estar deixando-a cega.

Tuesday, June 24, 2008

Da Folha para vocês 8 (resenha do livro Fieldnotes From a Catastrophe, de Elizabeth Kolbert)

(Reseña de Claudio Angelo, editor de Ciencia.)

Son muy pocas las personas que pueden decir que vieron el fin del mundo y volvieron para contarlo. La periodista americana Elizabeth Kolbert es una de ellas. Y qué historia cuenta: quien todavía tiene alguna duda sobre la dimensión del estrago que el calentamiento global ya está causando debería leer inmediatamente Fieldnotes From a Catastrophe, libro de Kolbert que acaba de ser publicado en Brasil (Planeta Terra em Perigo - O que está, de fato, acontecendo no mundo, ed. Globo, 214 p.).
Quien cree, por otro lado, que la crisis climática puede o va a ser solucionada antes de que sea demasiado tarde tal vez no debería ni abrir el libro: en lugar de ofrecer una visión optimista del futuro de la humanidad, como hace Al Gore, Kolbert prefiere atenerse a los hechos.
Y los hechos son feos.
La americana, que pasó años escribiendo sobre política antes de volcarse en la cuestión ambiental, fue enviada por la revista The New Yorker a recorrer el mundo en busca de evidencias del calentamiento global. Eso fue en 2004, antes de que Gore estrenase su película.
Kolbert viajó de Groenlandia a la Antártica, visitó pueblos de esquimales que tuvieron que trasladarse a otro lugar debido al deshielo marino en el Ártico, vio casas agrietadas por la desintegración del permafrost en Alaska. Y habló con científicos, decenas de científicos. El resultado fue la serie de tres reportajes "The Climate of Man", aumentada y editada en 2005 en Estados Unidos en forma de libro.
Lo que vio la reportera fue el comienzo del fin del mundo como lo conocemos. Tal vez la elevación sin precedentes de los niveles de dióxido de carbono en la atmósfera no sea el momento final de la civilización o signifique la extinción de la especie humana. Pero con certeza el calentamiento global del Antropoceno (periodo geológico marcado por la transformación de la Tierra por el hombre) cambiará la faz del planeta a una velocidad nunca observada.
Cambios climáticos bruscos, explica la autora, siempre los hubo en la historia de la Tierra. Pero la civilización humana, iniciada con la invención de la agricultura, hace 10 mil años, coincidió con un periodo de estabilidad impar del clima, después de la última era glacial.
Del clima benigno dependieron los asentamientos humanos permanentes que dieron origen a las ciudades y, con el tiempo, a la sociedad moderna. Al lanzar gas carbónico en el aire para generar energía y usar vehículos y fábricas, los seres humanos ya están rompiendo esa estabilidad. Y clima inestable significa hambre, guerra y muerte.
Que lo diga el imperio acadio, creado hace 4.300 años en Mesopotamia. Kolbert cuenta que las investigaciones científicas llevaron a la conclusión de que los acadios se extinguieron debido a un cambio climático brusco - natural - alrededor del año 2200 a.C.
"Cogidos por sorpresa, los acadios atribuyeron su suerte a una venganza divina", escribe. "En cambio, las alteraciones climáticas previstas para el próximo siglo pueden ser atribuidas a fuerzas cuyas causas son conocidas y cuya magnitud podemos determinar."
Determinar el tamaño del impacto ha sido mucho más fácil que convencer a los gobiernos a actuar a tiempo de evitarlo. En un capítulo del libro, Kolbert describe en tono de tragicomedia su encuentro con Paula Dobriansky, funcionaria de George W. Bush encargada durante ocho años de bloquear cualquier tentativa de un acuerdo internacional contra emisiones. Dobriansky responde a todas las preguntas de la periodista con la misma frase: "Nosotros actuamos, aprendemos y después volvemos a actuar". Kolbert no necesita muchas palabras y no usa siquiera un adjetivo para calificar la posición del gobierno de su país sobre el tema.
Las críticas, sin embargo, no son sólo contra Estados Unidos. La expansión de las termoeléctricas de carbón en China, relata la autora, anulan "en menos de dos horas y media" el ahorro de energía de una década de la ciudad norteamericana de Burlington, en el ecológicamente correcto Estado de Vermont.
Por su sobriedad, Fieldnotes From a Catastrophe funciona aparentemente como una especie de antídoto contra el alarmismo escatológico de las ONG. Se trata, sin embargo, de mera apariencia. Kolbert expresa sus opiniones por boca de sus entrevistados. Uno de ellos, Robert Socolow, de la Universidad de Princeton, da la puntilla: "Ya trabajé en varios campos en los que había opiniones de legos y opiniones de científicos. Casi siempre los legos están más ansiosos (...). En el caso del clima, los especialistas son justamente los más preocupados".

Sunday, June 22, 2008

Sempre presentes

Eis o que um colega e amigo da faculdade, o Márcio, escreveu em um ensaio sobre criação literária que me deu a ler. Há tempos eu disse alguma coisa parecida a alguns amigos. Se eles acreditaram, eu não sei...

"[Quem escreve] sempre está só, materialmente falando. Quer dizer, os que estão com ele não estão aí fisicamente, mas permanecem em sua mente e em seu coração. Ele sempre está só - apenas fisicamente - e nunca está."


Eu "lutando" com as irmãs Huguet
em uma praia ao sul de Barcelona.

Paranoid Park

"What else can one demand of cinema when it becomes an art? A simple blend (the gest of a body fixed and its state of mind punctuated by a song) that creates a new thought, a formal device. Joyous." (Aguadilu)

Saturday, June 21, 2008

Thursday, June 19, 2008

Conversa entre irmãos

(Breve exercício de aula.)


– Ó pai, você não gostaria de companhia? – disse Natalia, a irmã mais velha.
– Eu já tenho companhia, minha filha – disse o pai –. Tenho o Max...
– Mas não quer morar só com o cachorro...
– Por que não?
– O senhor anda comendo bem? – disse Camila.
– Tanto como quando sua mãe vivia – disse o pai –. Não concordam que a Daniela me trata como um rei?
– A Daniela não vai ser sempre sua assistente. O senhor sabe que está cursando Direito?
– Ela não me falou nada ao respeito...
– Pai, não tem saudade do Damião? – disse o irmão caçula.
– Do Damião? Esse cafajeste? Não! – O homem pensou, e falou: – E mesmo se tivesse. Vocês sabem onde ele foi parar?
Os três irmãos se entreolharam.
– Nesse asilo para velhos impotentes, coitadinho do Damião...

Wednesday, June 18, 2008

Divulgando a literatura em catalão

Hoje no ônibus lembrei dos últimos dois versos deste poema e resolvi que iria traduzi-los. (Estava mais do que na hora, também, de começar a divulgar literatura em catalão.) Per al meu amic Josep (a qui li agradava), e para minha amiga Gabriela Farias (porque sei que vai gostar).


Principis i finals

Un temps, vaig ser una noia de futur.
Podia llegir Horaci i Virgili en llatí,
recitar de memòria tot Keats.
Però, entrant en les coves dels adults,
em van caçar i vaig començar a parir
els fills d'un home estúpid i cregut.
Ara m'empleno el vas sempre que puc
i ploro si recordo un vers de Keats.
Una no sap, de jove, que cap lloc
no és el lloc on podrà restar per sempre.
També s'estranya quan no arriba mai
aquell o aquella en qui trobar descans.
Una ignora, de jove, que els principis
no tenen res a veure amb els finals.


Inícios e finais

Um tempo, fui uma moça com futuro.
Podia ler Horácio e Ovídio em latim,
recitar de memória todo Keats.
Mas, entrando nas cavernas dos adultos,
caçaram-me e comecei a parir
os filhos de um homem burro e convencido.
Agora quando eu posso encho meu copo
e choro se lembro versos de Keats.
Não sabemos, quando jovens, que não existe
um lugar onde poder ficar para sempre.
Também é estranho quando não chega nunca
aquele ou aquela em quem achar a paz.
Ignoramos, quando jovens, que os inícios
não têm nada que ver com os finais.


Joan Margarit

Teamwork



None of these guys is better than the others. It's teamwork. Ubuntu*. I'm glad the Celtics won - destroyed the 1-star team, 131-92 (one star, e ainda fominha: wasn't Magic Johnson there, to teach him to assist?). I'm glad I could see it, living in the same meridian time.

*An African ethic or humanist philosophy focusing on people's allegiances and relations with each other.

Tuesday, June 17, 2008

Para os amigos freelance

Para os amigos freelance. (I especialment per la Tineta, que està entre ser o no ser.) Me desculpem os amigos que não são. Não resisti. É a melhor tira que eu li em muito tempo. :D

Caiu a fita do Senhor do Bonfim

Hoje caiu minha fita do Senhor do Bonfim, a que ganhei do Ronaldo, a Rose e a Rosa no Carnaval de 2007. :( Enganchou-se em um cabide quando pendurava minha calça de pijama... :( Eu me sentia protegido, com esse fita. E meus desejos se cumpriram. :)

Me senti despido quando saí à rua, também. E ainda me sinto.

O Ronaldo escreveu.

Falou, "calma homem, sua fita caiu". Disse que não foi por causa do cabide, e sim "porque já era a hora dela ir". Disse que a fitinha cumpriu com seu papel. Eu concordo. Pede para eu me relaxar, diz que "todas elas tem seu início e seu fim, como todas as coisas". E que é "muito chato se apegar demais as Fitinhas do Senhor do Bonfim".

Mesmo assim, para eu não ficar triste, mandou estas fitas para meu computador. São tantas porque "o computa tem tantas placas, partes, chipes, etc.". Justo. Obrigado, Ro. Tu é massa.



E a Rose disse, hoje: "Entendo que a forma que ela se foi (enganchada no cabide, você praticamente a assassinou!) deve ter sido muito traumática. Mas ela tinha que te deixar mesmo. E essa foi a forma encontrada. Não foi culpa sua. rsrsrsrsr.". A Rose é incrível. Mas ela não sabe. (Bom, essa é uma das condições para ser incrível...)

Monday, June 16, 2008

For the money-mad pirates*

Poema leído en el autobús (aquí en Porto Alegre, ya comenté alguna vez, hay poemas en las ventanas de los autobuses), traduzco:

¿Vale de veras la pena?
Por cada millón ganado
Dos puentes de safena.

(Rafael Vecchio)


*Orson Welles, Citizen Kane.

Para quem não gosta de ler os clássicos

Descobri esta página, engraçada e malvada, para quem não gosta de ler os clássicos. Os clássicos são, segundo os autores do site, livros tijolões tão entediantes quanto "pescar em um lago vazio", e, a metade das vezes, "sem um enredo discernível". Mas eles - os autores e colaboradores do site - estão aqui para dar uma mão.


Lord of the Flies (Não é um tijolão, mas é um clássico.)

(Some boys crash on an island.)
Ralph: We need a fire.
(They make a fire. It goes out.)
Ralph: We need a fire.
(They make a fire. It goes out.)
Jack: Forget the fire. Let's kill each other.
Other boys: Yeah!
(They do.)


The Catcher in the Rye

Holden Caulfield: Angst angst angst swear curse swear crazy crazy angst swear curse, society sucks, and I'm a stupid jerk.


King Lear

Lear: I am senile and old. Flatter me, and I'll write my will.
Regan and Goneril: Daddy, you are way the oh too awesome bomb. We would totally not ever, like, backstab you and take your land.
Cordelia: Dad, if you believe that, you're a fool.
Fool: I can dance. Bye.
Lear: I give everything to the suck-ups.
Regan and Goneril: We're in charge now, pops. Go away and go insane.
(Everyone dies.)


A Midsummer Night's Dream

Hermia, Lysander, Demetrius, and Helena: We're all in love with each other the wrong way around.
(Everyone goes into the woods. They have wacky experiences, pair off correctly, and live happily ever after.)


War and Peace

Lev Tolstoi: History controls everything we do, so there is no point in observing individual actions. Let's examine the individual actions of over 500 characters at great length.


Huckleberry Finn

Goes rafting. Goes home.


... E a minha preferida:

The Collected Works of Virginia Woolf

Life is beautiful and tragic. Let's put flowers in a vase.

Friday, June 13, 2008

Carácter y clase social

Pedro, como buen guionista, está siempre con la vista y el oído atentos y captó esta conversación, que traduzco sin pedirle permiso (se lo pediré después; original en portugués en su blog, link en la columna a la derecha).

"En la parada del autobús, veo a un niño embarazado. Es un niño (aparentemente muy pobre) con una pelota de fútbol debajo de un jersey de lana. Un niño (también pobre) está a su lado, con una mochila en la espalda. El niño embarazado se levanta el jersey y muestra la pelota al niño de la mochila:

- Métela en tu mochila, rápido.
- Está llena.
- Saca lo que tengas dentro que yo cargo tus cosas y pon la pelota en tu mochila, rápido, que viene.
- Está llena, tío.

El carácter es independiente de la clase social."

Tuesday, June 10, 2008

Eu sou uma mulher Almodóvar

Conto que eu vou entregar amanhã na Oficina de Criação Literária. Dedicado à incrível Rose, que foi a primeira em lê-lo e fez algumas sugestões. :p (Nota: HQ = história em quadrinhos = comic.)


- A senhora ainda não acredita, né? - fala de novo o travesti. E a seguir interpreta com voz grave, em um espanhol duvidoso: - "Sho antes era camionero. Luego me hise puta".
A mulher ao lado dele olha ao seu redor mais uma vez - todas as fileiras lotadas -, e logo à direita, para o filho, que tem um HQ no colo e observa as nuvens da janelinha do avião.
- Dessa também não lembra? Era eu! - diz o travesti. - Dez anos mais nova e com mais tetas. - E olha seus próprios seios com cara de resignação, segurando-os por baixo com ambas as mãos.
A mulher se inclina levemente para tapar a visão do filho e lança um olhar furioso ao travesti, que se faz de desentendido.
- Já lhe disse: Pedro e eu, íííntimos.
- Está bem - diz a mulher, bufando, o olhar fixo no encosto do assento da frente.
- Desde os tempos da movida madrilenha - diz o travesti, se esforçando para pronunciar bem a enha. - A senhora sabe, né?, aquelas orgias.
- Faça o favor - pede a mulher, encarando o travesti de novo. Faz-se o silêncio por alguns instantes.
- Ai, mas como a senhora se irrita facilmente - diz o travesti, voltando a vista para o corredor. Faz o gesto de quem vai pegar uma revista do bolso do assento, mas dirige-se de novo à mulher:
- Mulheres à beira de um ataque de nervos, a senhora assistiu?
- Acredito que sim - ela concede.
- Nessa apareço também. De costas, é verdade. Mas juro pela Virgem Maria que sou eu.
- Parabéns - diz a mulher. - Não precisa jurar.
- Não tem como não lembrar - suspira o travesti, pondo os olhos em branco - do boquete no Antonio. Ííííntimos também, o Banderas e eu.
Olhos esbugalhados, a mulher se vira feito uma fera. Fala com os dentes apertados:
- Você não está vendo que tem criança aqui do lado?
- Ai desculpe minha senhora - diz o travesti. E acrescenta, ao ouvido dela: - Mas Virgem Maria, foi tão bom! É só lembrar e ficar molhada.
A mulher olha para o corredor à procura de uma aeromoça. Vira-se para o menino, que parece absorto em seu HQ. Crava os olhos no travesti.
- Senhora não me olhe assim, não seja careta - diz ele.- Olhe, seu filho não está nem aí...
- Se não cala essa boca suja vou gritar, seu filho da...
- Óóótimo, já estou sendo xingada. Eu ainda não falei mal da senhora, viu? E minha vida já é bastante dura assim.
Zangado, o travesti cruza os braços e fica calado. A mulher vira-lhe as costas e passa a mão nos cabelos do filho. Minutos depois, uma aeromoça chega ao lado do travesti com o carrinho das bebidas.
- A senhora vai querer...
- Um suco de laranja, obrigada - diz ele. E inclinando o pescoço, fitando a cara da moça, pergunta: - Adivinho você é de Salvador.
- Mais ou menos - diz a aeromoça, sorridente. - Eu sou de Santo Amaro.
- Puxa - diz o travesti. - Sabe que eu sou íííntima do Caetano?
- Ah, é? Como é isso?
- Pois olhe só, eu sou atriz, pode crer? E já trabalhei com o Almodóvar, conhece, não? Pois ele é ííííntimo do Caetano. Eu é que sou íííntima dos dois!!!
- Mas que maravilha! Depois assinaria um autógrafo para mim?
- Claro! Imagine! - diz se empertigando travesti.
- E o menino, o que esse menino vai tomar? - pergunta a aeromoça.
- Para o menino somente um copo de água, obrigada - responde a mãe.
- E a senhora...?
- Para a senhora - se adianta o travesti - um homem tão macho quanto puder encontrar.
A mulher, o rosto incendiado, se joga em cima do travesti, o agarra pelo pescoço e intenta afogá-lo. A aeromoça pede socorro. O filho, com a água derramada sobre o HQ, olha para sua mãe surpreso, com cara de não reconhecê-la mais.

Saturday, June 07, 2008

Leituras de mestrado

Lendo Roman Ingarden em tarde de chuva. Esse estripar a linguagem para ver o que é - o que "ontologicamente" é - está me parecendo meio absurdo e despropositado. Mas filosofia é assim, não é? Filósofos são que nem crianças...

Traduccions de Brasil 48 (O que você vê?, de Rebeca Matta)



Si sientes y callas quién va a saber
Qué color de azul tú ves?
Yo sé que sé que un día moriré
Que no sé casi nada
Que cualquier cosa puede suceder
Qué color de azul tú ves?

Mira a tu alrededor
Y dime lo que ves
Dime lo que ves
Cierra los ojos
Dime lo que ves

Ya son más de las tres
Y no consigo parar de funcionar
Miro a mi alrededor y veo las luces de la ciudad
Luces que surgen, que se apagan, que pasan ligeras
Cierro los ojos y tengo la sensación de que todo es pasajero

Mira a tu alrededor
Dime lo que ves
Dime lo que ves
Cierra los ojos
Dime lo que ves

Tuesday, June 03, 2008

Macaco tomando banho de água termal

Posto só porque gosto.


Da mostra "AGUA", no Parque del Retiro de Madri até 30 de junho. Foto de Sylvain Cordier.

É um macaco japonês, o símio que mora na latitude mais fria do planeta, a vários graus abaixo de zero e em meio a tempestades de neve. Ele aproveita as águas termais para manter a saúde e esquentar o corpo. Mas não parece que ele está triste?

Monday, June 02, 2008

Most of the Time

About three weeks ago, I got by mail the Original Soundtrack of High Fidelity. Kris sent it to me because we saw that film together, in 2000, and has always said that these songs remind her of our summer in New York.

Now. Apart from making me happy, Kris' present has been very appropriate. Because, as the movie, most of the songs are about breaking up with people we love, and I've had this experience recently.

So, most of the time...

Note: I like the song and the lyrics, not the Eternal Sunshine of the Spotless Mind fan trailer (sorry, fan; I did like the movie). But I couldn't post the most recent video, Dylan's voice has changed a lot since he recorded Oh Mercy.

Fifteen lines (Class of 93 15-Year Party)

(From a letter written to Kris.)

On Friday, people from my High School Class met in Barcelona. Class of 93 15-year party. Some 90 people went, 50% of the Class. And for a month I've been receiving 15-line summaries of all these people's 15 last years of life. Most of them I didn't read, didn't feel like it, I don't know why. I just read the ones from the people I'm still friends with - from my friends, that is. Of course I couldn't have gone even if I wanted. But I didn't want. And I didn't even write my 15 lines, I also don't know why.

Friday, May 30, 2008

Intensamente sempre

Eu amo muito
Sonho muito
Sou muito amigo (tento ser)
Quando namoro, ou me apaixono, faço-o totalmente
Talvez não tenha fé
Mas acredito muito

Wednesday, May 28, 2008

Vantagens de morar num apart-hotel relativamente caro

Ontem de manhã, lá pelas 11, me ligaram no quarto. Era a zeladora, informando que no meu armário tinham achado cupim, e perguntando se eu me importava com, na quinta, esvaziá-lo e deixar as minhas coisas na cama para poder fazer a troca por um outro novo. Eu já tinha reparado, tinha visto vários dias esse pozinho no carpete, aos pés do armário, enquanto alongava depois de correr. Mas nunca dei bola, não protestei. Estava me dando bem com o cupim. Afinal, eles são silenciosos, não comem a roupa... Pois bem: agora vou ficar livre do bichinho, e vou ganhar um novo armário. Vantagens de morar num apart-hotel relativamente caro.



PS: Eu não sabia nada de cupins, para dizer verdade. Agora estou com pena, porque leio que eles são "uma sociedade inteligente de insetos" (e eu respeito a vida inteligente, tão rara). Mas ao mesmo tempo, sinto um medo novo, porque sei que cupim é assim:

PS2: E estou lembrando que eu tenho alguma cueca de celulose...

Tuesday, May 27, 2008

Da Folha para vocês 7 (Contardo Calligaris)

Desta vez não é a coluna de quinta-feira. É o resumo de uma entrevista (sabatina) que lhe fizeram no próprio jornal (Folha de S. Paulo, 21 de maio), com perguntas dos próprios leitores (o texto é transcrição de um discurso oral). Vale muito a pena. No mínimo há duas pessoas que lêem este blog que são fãs dele. Comigo, três. Então, é especialmente para elas. Ainda mais porque, agora me dou conta, uma fez anos ontem, e a outra vai fazê-los no sábado que vem. Mais motivos ainda: para elas então. (Ups. Esqueci de dizer, para os que não são fãs e também não conhecem ele, que Contardo Calligaris é psicanalista e escritor. E escreve colunas maravilhosas nas quintas, na última página do caderno Ilustrada, Folha de S. P.)


"El verdadero perdedor es el que, al final de sus días, mira hacia atrás y ve que ha desperdiciado el viaje. Lo que haya acumulado me parece bastante superfluo. Para mí, el perdedor es aquel que no consiguió vivir su vida con toda la intensidad que ésta merece. Y eso no tiene relación con la felicidad. El proyecto de ser feliz está equivocado, concebido para mantenernos en la insatisfacción, algo absolutamente necesario en la sociedad de consumo. El ganador es quien tiene una alta calidad de experiencia, sea la que sea. Que haya sido intensamente. Estoy en contra de la felicidad. El sexo no es felicidad, es alegría."

"No creo que exista ninguna oposición de fondo entre la psiquiatría, o la neuroquímica, y el psicoanálisis o las terapias por la palabra en general. Las investigaciones realizadas señalan que esas intervenciones se fortalecen una a la otra. Otra cuestión de fondo: soy materialista. Creo que el afecto, la emoción o el pensamiento tendrán algún día una descripción neuroquímica absolutamente apropiada."

"No tengo nada contra el uso de medicamentos, pero no me parece bien el uso indiscriminado de psicotrópicos, sobre todo en los casos de depresión. Creo que los antidepresivos deben ser prescritos en casos de depresión, y no simplemente porque alguien no es feliz. Hay cierta tendencia en sentido contrario. Y es peor en el caso de la adolescencia y la infancia, en que el uso de psicotrópicos está convirtiéndose en un problema serio. Porque los padres no soportan en ningún grado la infelicidad de sus hijos, sea cual sea su edad. Existe una intervención neuroquímica cada vez mayor en adolescentes. En la infancia y la adolescencia las personas viven momentos alegres y tristes. Y una de las razones por las que la gente tiene hijos es para que ellos escenifiquen una felicidad que no tenemos. Si alguien no sonríe, pastilla. Estoy en contra de eso."

"La adolescencia, de hecho, como una edad separada de la vida adulta, es reciente, post Segunda Guerra Mundial, cuando los adultos empiezan a crear una fase de la vida específica a la que atribuyen algunas características, como la rebeldía o la insubordinación. Lo que quedó del deseo, de las ganas de aventura, se cargó a las espaldas de los adolescentes. Ellos se encargarían de nuestro deseo de ser otros, de realizar sueños que no conseguimos confesarnos ni a nosotros mismos. Los adolescentes se encargaron de eso muy bien, no por nada son excelentes intérpretes del deseo de los adultos."

"La vida de los niños y adolescentes no es divertida. No me parece una buena edad: esa es una visión idealizada de los adultos. La infancia y la adolescencia son épocas muy problemáticas de la vida. En la infancia estamos lejos de corresponder físicamente y simbólicamente a lo que la gente desea; hablamos de manera atropellada. En la adolescencia todavía es peor. Son épocas de extremo conflicto interno, definición de la identidad, descubrimientos de fantasías y orientación sexual. Creo que los adultos deberían parar de pedir a los jóvenes que sean felices, porque eso sólo sirve al deseo que ellos tienen de ver en los niños un espectáculo de felicidad."

"Según el imaginario social, la persona a partir de cierta edad debería estar por encima del sexo, dejarse de 'porquerías'. Durante décadas, la menopausia era considerada no el fin de la fecundidad, sino el fin de la feminidad. Yo fui enseñado muy bien. Tuve una abuela a quien el sexo le encantaba. Y que a los 70, 75 años todavía recibía piropos por la calle. Una vez, estábamos sentados en el cine y vi que llegó un tipo y se sentó a su lado. Me pareció extraño porque había hileras vacías. De repente, ella se levantó y le insultó, me cogió de la mano y fuimos a sentarnos en otra hilera. Él le había puesto la mano encima, lo que demuestra que a los 75 años seguía funcionando. Y es que era muy bonita."

"Vivir solo o acompañado. No me he planteado esa pregunta de modo radical, pero de alguna forma está siempre ahí, es una cuestión siempre presente. Las personas siempre tienen momentos en que necesitan una cierta soledad, un recogimiento interior. Siempre viví con alguien, pero no soy gregario. Tengo una alergia seria a los grupos grandes. Situación gregaria es cualquier situación en que un grupo me manda hacer cosas que no son exactamente las que quiero hacer. Cuando el grupo amenaza mi individualidad."

"En Mayo del 68 yo militaba en la izquierda italiana. Pero tenía más contacto con la contracultura norteamericana que con la cultura política europea, porque estaba casado con una norteamericana e iba a ese país con frecuencia. Lo que más importaba era la revolución en la manera de pensar y de relacionarse, era la utopía concreta, que estaba en la manera de convivir de quien militaba. Y esa utopía creo que se realizó. Fue la única verdadera revolución del siglo XX, o la única que tuvo éxito."

"Brasil cambió enormemente desde 1968 hasta hoy. Llegué a un país donde sucedían cosas que para mí eran completamente inauditas. Pero el país nunca me pareció provinciano. Ni en aquella época. Especialmente São Paulo, que es una de las ciudades menos provincianas del mundo. Mucho menos que París y, en cierto sentido, menos provinciana que Nueva York. Y ciertamente menos que cualquier ciudad italiana."

"Detesto las bigamias, trigamias, cuatrigamias y compañía. Sólo creo en las monogamias sucesivas. Idealmente, con el menor intervalo de tiempo posible entre una y otra."

"No sé si, cuando llegue una cierta decrepitud, voy a querer la compañía de alguien o estar solo. A veces pienso que estar solo es todavía un resquicio de un cierto narcisismo."

Friday, May 23, 2008

Avalanche anodina de modas cada vez menos inteligentes e críticas

Anotação no Moleskine (desembro de 2007):

"Depois de Mimesis, daquela Introdução aos Estudos Literários que era lida nos cursos de letras nos anos 70 e que foi banida por uma avalanche anodina de modas cada vez menos inteligentes e críticas, e ainda dos estudos sobre Dante, tem agora o leitor brasileiro acesso a alguns decisivos ensaios, como aquele sobre Montaigne ou sobre Baudelaire, de leitura inadiável." L. A. Fischer

Leio isto na Folha dez dias depois de ter escrito a mesma coisa no exame de seleção ao mestrado.


Pena que o Fischer está na UFRGS e não na PUCRS...

Aigua

El Yuji, de São Paulo, per estar despert una nit, estudiant, ha fet cafè amb aigua amb gas. :o) S'ha equivocat. És difícil no equivocar-se.

A Catalunya l’aigua és aigua. Si la vols amb gas, l’has de demanar. Aquí no, aquí no hi ha "aigua": hi ha "aigua amb gas" o "aigua sense gas". Potser és l’expressió que he sentit més en els últims tres anys: "Com ou sem gás?".

PS: La segona és: "Crédito ou débito?".

Thursday, May 22, 2008

Gentileza gera Gentileza (já o dizia o Profeta)

- Hoje eu trouxe cartão...
- Sem problema. Crédito ou débito?
- Crédito. Quer a Identidade?
- Imagina querido! Logo de ti!

Travelling in Time and Space

This song (like Mary Queen of Arkansas and others from his first album) takes me back to the summers I spent in Dublin. I will never be able to thank my parents enough.

Traduccions de Brasil 47 (Marcianos invadem a Terra, de Legião Urbana)

Despídete y cruza la calle
Salimos volando después de las dos
Las cervezas se acabaron, los cigarrillos también

Cuidado con la cosa que escuece por ahí
La cosa escuece siempre, escuece también por aquí
Secuestro tu rescate
Enveneno tu atención
El verbo es substantivo, adjetivo, imprecación

Y el tío de la radio no quiere cerrar la boca
Y quiere mi dinero
Y mis opiniones

Mira, si te quieres divertir
Inventa tus propias canciones

¿Será que existe vida en Marte?
Ventanas de hoteles, garajes vacíos
Fronteras, granadas, sábanas
Existen muchos formatos
Que sólo tienen barniz
Y ninguna invención

Y todo aquello contra lo que siempre luchan
Exactamente todo aquello que ellos son

¡Marcianos invaden la Tierra!
Están inflando mi ego con aire
Y cuando creo que estoy casi llegando
Tengo que doblar aún otra esquina

Y aunque dispusiera de mi libertad
Tampoco tengo tanto tiempo
Y aunque dispusiera de mi libertad
¿Será que existe vida en Marte?

Carga fiscal no Brasil

(Isto já me surpreendeu quando cheguei ao Brasil em 2003, um IR tão baixo...)

10% mais pobres (renda média mensal de 49,8 R$) pagam 32,8% de sua renda em impostos.

10% mais ricos (renda média mensal de 2.178,00 R$) pagam 22,7% de sua renda em impostos.

Saiu na Folha a semana passada (dados do IPEA, de 2002 e 2003) e depois em vários jornais do mundo.

Isso por aquilo de os impostos indiretos serem altos e o imposto sobre a renda para a pessoa física baixo (27,5% máximo). (Verdade.) (Europeus ricos, venham pra cá.)

O Lula vai fazer agora uma reforminha do imposto direto, reforma grande não vai poder. (Não a fez o Fox no México, de direita, porque "as elites iriam derrubar o governo", como vai fazê-la ele?)

Mas gente, isso é uma vergonha.

Wednesday, May 21, 2008

Supõe-se que em uma ilha ninguém faz mal a ninguém

(Esta semana não temos aula de escrita criativa porque quinta é feriado, mas eu tenho conto para postar. É um conto que vai sair em uma revista, só espero que o editor não ache incorreto. Afinal, os leitores vão ser outros. Faço-o porque estou precisando me dar ânimos. Coisas chatas da faculdade :( - Ainda bem que meu time de basquete avançou às semifinais do campeonato espanhol. :p)


1. À tarde

– Você não vai dançar forró? – pergunta o motorista, virando-se para o estrangeiro. Sentado na traseira do buggy, agarrado à barra de aço que o separa da parte dianteira e coberta do veículo, o estrangeiro dobra-se sobre si mesmo para amortecer o impacto dos pingos na cara. – As garotas da ilha vão estar todas lá!
– Acho que não, com esta chuva! – ele grita.
– Mesmo com chuva! Elas gostam de dançar quando chove! Eu fui proprietário do Bar do Cachorro. Sei bem! E meu amigo aqui – o motorista assinala o co-piloto –, ele foi proprietário da praia!
– Da praia?!
– Isso! Da Praia do Cachorro! Nós somos todos ricos, na ilha! – diz o motorista, soltando uma gargalhada.

2. À noite

Ninguém ainda no Bar do Cachorro. Só música, música saindo de torres de alto-falantes a altura de dois homens. Embaixo do pórtico, no escuro, esvoaçando, uma camiseta listrada de mangas compridas.
– A gente vai vir se parar de chover – diz o homem, jovem, grande, negro, oferecendo uma cerveja ao estrangeiro. Seu nome é Cícero, e é o encarregado do local. Em um instante estão sentados como velhos amigos, um ao lado do outro, bebendo aos golinhos e escutando a música, tão alta que mascara o som da chuva. Um casal chega. De mãos dadas, atravessa o chão molhado da pista de dança e vá sentar-se sob um guarda-sol, longe do olhar deles.
O estrangeiro quer dançar forró, mas não aparece nenhuma menina. Cícero fuma e mira em frente, onde as luzes brilham no chão, onde as folhas se dobram nas árvores que separam a varanda e o mar. Cícero se volta para o estrangeiro e conta que já esteve casado e que tem um filho morando em Natal com a mãe. Não tem visto ele em anos, diz. Mas não parece estar desesperado por essa causa ou chateado com ninguém. Fala como se as coisas acontecessem inevitavelmente e tivessem que ser aceitas com um meio sorriso. Para dizer a idade do filho – sete –, ele se concentra e usa os dedos das mãos – ele usa os dedos para contar qualquer coisa. Depois fala sobre as meninas da ilha, as que lhe deram o apelido de Legal. Afirma ser um bailarino experiente, “pena que elas não estejam aqui”.

– Algum dia eu vou voltar – diz o estrangeiro antes de ir.
– Vá com Deus – Cícero responde, estendendo-lhe a mão –. Vai me encontrar sempre aqui.

3. Na madrugada

No caminho até a pousada, cansado de ter a roupa empapada pelo aguaceiro tropical, o estrangeiro tira a camisa e caminha sob a chuva. Agita a cabeça com fúria e olha para o céu. Cheira o frescor do ar, ouve milhares de rãs cantando. Vê uma sombra vindo no outro sentido, mas não vacila – supõe-se que em uma ilha ninguém faz mal a ninguém. Passa os dedos entre os cabelos. E imagina Cícero dançando: um homem negro, grande e jovem, de braços grossos e suaves, como os de um urso – tudo ritmo, os dedos dos pés polindo o chão – gentilmente envolvendo meninas até fazê-las desaparecer.

Tuesday, May 20, 2008

Nacionalistas

Sabiam que existe uma literatura nacional brasileira? Olha que eu li livros e escritores. Pois só fui me dar conta agora, quando li os historiadores.

Antes me perguntavam: tu por que escreve em espanhol, se é catalão? Agora eles dirão: mas por que escreve em português? Tu não é normal!

Friday, May 16, 2008

Caminhos do coração

Caminhos do coração é a novela preferida da Elen. Quem é a Elen? A Elen é a sobrinha da Rose. E a menina de 10 anos mais inteligente de Salvador. Ela foi quem me contou a história dos mutantes da Liga do Bem e da Liga do Mal. Por isso agora eu sei que esse da foto é Golias. "Você tem noções de mitologia? Então. Temos o Golias. Ele é um dos meus preferidos. Golias é um gigante com gênio de elefante. Você quer saber quais são seus super poderes?" Assim fiquei sabendo de Marcelo, Tatiana, Maria, Iara (que é minha preferida, a Elen sabe: mulher sereia, com genes de peixes), Cris (que controla a terra, a água, o fogo e o ar), Vavá (o menino-lobo), Gór (que hipnotiza qualquer um: muuuuito inteligente: quer dominar o mundo), Meduso (que lança raios pelos olhos), Metamorfo, Minotauro, Isis (que tem o poder de ficar invisível), Demétrio, Homem Gelo, Fúria (que namora Vlado), Vlado (o vampiro), Sócrates, Platão. E muitos mais que agora não lembro.


O Roger à Rose: Diz pra Elen que eu vi como o filho do lobisomem, mostrando o amor pelo pai, conseguia que o pai voltasse a ser um homem. Agora estou preocupado porque os mutantes da Liga do Mal ofereceram uma aliança aos mutantes da Liga do Bem para juntos acabar com a raça humana.

A Rose ao Roger: Meu Deus!! Você já se contaminou com essa novela maluca, foi??

A Rose à Elen: Elen, o Roger escreveu. Ele está preocupado porque os mutantes da Liga do Mal estão se aliando aos mutantes da Liga do Bem...

A Elen à Rose: Ele assistiu mesmo! O Roger é uma viagem!

Elen, mas como eu não ia assistir, depois do jeito maravilhoso com que você me contou essa história?

Elen, outra coisa. Sabe que encontrei outra fã? A filha da Cris, dona do cibercafé onde eu vou, cujo nome é Morgana (tem nome de mutante, não tem?), de 10 anos, como você, não perde um capítulo da novela.

Thursday, May 15, 2008

Fósforos de cor azul maia e palito tão fino que dá medo de usar

(Outro conto/exercício escrito na aula.)


Fósforos de cor azul maia e palito tão fino que dá medo de usar. Azul fusão entre o índigo e a paligorsquita: o menino disse. Eu, eu não sei o que é. Fósforos da cor mais bela que eu já vi: azul maia de Chichén Itzá. Cor sagrada maia. Fósforos, quem sabe, sagrados também. 23 fósforos escondidos em uma caixinha pequenina que não lhes faz justiça, com as cores banais da bandeira colombiana e a frase “Cerillas de Colombia”. Caixinha bonitinha. Com, na outra face, uma coruja de olhos amarelos exorbitantes sobre fundo preto. Comprada em Tuluá.

Paligorsquita, o menino repetiu. Três vezes: Pa-li-gors-quita. Qui-ta. Usté no entiende? Vu né comprené pá? O menino não se desesperou, quis fazer-se entender. Só não falava português. Mas quando soube que éramos de São Paulo falou de uma assentada os nomes e sobrenomes de todos os presidentes do Brasil. Crianças pobres espertas da América do Sul. A coruja, ele disse, esticando o braço, aproximando-a do meu nariz, era um deus maia. Isso eu não sei se acreditar. Difícil acreditar nessas crianças. Mas o azul maia. Esse índigo com paliguinquita, que mesmo que fosse combustível eu não queimaria. Não sou religiosa. Mas aquela criança, aqueles olhos.

Cortázar

Leyendo una entrevista a Julio Cortázar para preparar una clase encontré lo siguiente:

"Yo tengo la convicción profunda, y cada día que pasa la siento más profundamente, de que estamos embarcados en una vía, en un camino equivocado. Es decir que la humanidad se equivocó de camino. Estoy hablando sobre todo de la humanidad occidental porque de la oriental no sé gran cosa. Embarcados en un camino históricamente falso que nos está llevando directamente a la catástrofe definitiva, a la aniquilación por cualquier motivo: bélico, polución del aire, contaminación, cansancio, suicidio universal, lo que tú quieras. Entonces, en Rayuela sobre todo, hay ese sentimiento continuo de estar en un mundo que no es lo que debería ser..."

Rayuela es de 1963 y la entrevista de 1978. Che.


PS: "Olhe ao seu redor, me diga o que você vê."

Tuesday, May 13, 2008

120 anos da Lei Áurea

Hoje se comemoram os 120 anos da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. Uma lei com dois artigos:

Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.


E domingo (11 de maio de 2008) li na Folha de São Paulo:

Negros têm só 3,5% dos cargos de chefia (negras: 0,5%)

Preconceito e acesso limitado à educação são apontados como grandes barreiras para os negros, que são 49,5% da população.

(Pesquisa do Ibope com o Instituto Ethos, dados de 2007)


Querem saber a percentagem de negros nos presídios brasileiros? (Não precisa, verdade?)

Ou a percentagem de negros mortos em operações policiais?

Querem saber quem varre as ruas de Porto Alegre, quem serve meus cafés, quem limpa meu apartamento?


"O Brasil deve muito aos negros, não só a faculdade. A faculdade é só um detalhe. As cotas para negros são o mínimo."

(Mano Brown, rapper, TV Cultura, 24/09/07)


"No Brasil a pobreza tem cor."

(Renato Russo em uma entrevista, mas a frase é antiga.)


"Eu olho para as platéias dos meus shows e não vejo minha família. Cadê a negrada? Ligo a TV e saltam uns olhos azuis em cima de mim. Esta terra não é minha. (...)

Não sei porque nunca me convidaram. Não sabem a atriz que estão perdendo. Mas não tem papel para crioulo em novela. Vão me botar limpando o chão, ralando o joelho?"

(Elza Soares, cantora, Folha de S. P., 26/09/07)


A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
E vai de graça pro subemprego

("A carne", de Marcelo Yuka / Seu Jorge / Wilson Capellete)

(Essa também não sai na Globo!)


Este post é dedicado às pessoas que relativizam a existência de racismo no Brasil, assim como àquelas que são contra a política de cotas ou discriminação positiva nas universidades brasileiras. (São contra porque não querem discriminação de nenhum tipo. Só que a discriminação já existe.)

Monday, May 12, 2008

Mudança climática

O sol brilhava
E ele a amava
Chovia
E ele não queria ficar só

Sunday, May 11, 2008

Sono

Hoje acordei cedo de novo, lá pelas 8, o que não é cedo, mas como tinha acordado também às 6, sentia-me cansado. E o que eu fiz? Enrolei-me no lençol, no cobertor 1 e no cobertor 2, e joguei-me no chão! E dormi até as 10 e meia! Acho que vou repetir. Foi bom dormir no carpete duro!

Tempo

A professora diz: Temos pouco tempo. E eu penso (só não canto, mas sinto vontade): Temos todo o tempo do mundo. Temos nosso próprio teeeempo.

Thursday, May 08, 2008

Ná en la nevera

(Mais um exercício/conto escrito na aula.)


1. Ná en la nevera

Na geladeira da cozinha não há nada, ou quase nada – uma garrafa de água, às vezes bananas ou maçãs, café – e isso é o que chama a atenção do visitante, embora não ao primeiro olhar, claro. Primeiro vê-se a geladeira por fora, gorda, antiga; e, à sua direita, a pia; e, à direita da pia, o fogão. Há um armário pequenino pendurado na parede, sobre o fogão – mal situado: pode ser. Mas o que é mesmo interessante da cozinha, além de não haver “ná” na geladeira, é a janela, em cima da pia. Mais exatamente, o que desde a janela pode se ver.

2. Y se despertó, ay, de esa pesadilla, y estaba a gustito aunque la nevera estuviera vacía

Acorda do pesadelo e senta-se à beira da cama, para não cair nele de novo. Para livrar-se de uma vez dos cães que o perseguem. Caminha ao redor do sofá. Sente fome, entra na cozinha. Pára na frente da geladeira, lembra que dentro não há nada (ou quase nada – uma garrafa de água, café...). Pela janela, porém, entra luz, e ele acha estranho. Recorta-se na janela da cozinha do outro apartamento uma cabeça de mulher: a vizinha, comendo uma banana. Acordada como ele às 5 da manhã. Feliz, felicíssima coincidência! Não pela banana, que ele nunca vai pedir. Só por ter visto ela, o que vai permitir-lhe dormir.

Monday, May 05, 2008

Pete

I thought I had one of the best jobs possible. What, being paid for reading (and criticizing) and translating, and now for writing and studying! ... And I still think so, at least some days (well I'm so stupid). But I met this guy during breakfast at the hostel (hostels, specially HI hostels, are great for meeting interesting people from every part of the world): Pete. A tall, long blond haired, handsome guy. Pete's from Colorado, and works as a skiing teacher. But that is only one of his jobs. Last month, for instance, he was working in Barcelona. Of course working is just a way of saying, because what he was is traveling around Spain taking care of one of his clients' daughters - which I imagined being very sexy. So this guy Pete is paid for skiing, and for traveling and looking after beautiful girls. Who knows for what else. (Here I must add, for any American girl who may be reading this some time, that Spain is not such a dangerous place: you can go there alone.) Since the ski season in Colorado only starts in November, Pete has got lots of free months, which he spends traveling around. After getting to know Salvador, he'll go to Rio, and after that he'll be living for two months in Buenos Aires. I told him that he could go to Bariloche, Argentina, or to Chile, and teach skiing during the Southern winter, but he didn't seem to be very interested. Good for Pete! Of course it's not all flowers (there are all those moments of feeling alone, for one thing), and it takes some courage, but the whole of this kind of life is worth it. So thumbs up for Pete!

Sunday, May 04, 2008

Sistema vampiro

Agora à noite ouvi o moço do bar do albergue cantando esta canção-lamento. Perguntei-lhe de quem era. Ele cantou mais um pouco para mim:

Esse sistema é um vampiro oooo
Ah! O sistema é um vampiro oooo

Eh! Vive sugando todo povo
Vem cá, meu Deus, desça de novo
Ouça meu grito de socorro
Pai, escuta a voz desse teu povo

Que clama

Um centenário de oh falsa libertação
Cativeiro mental

Estamos metidos nos buracos
Estamos jogados nas favelas da vida

Pendurados lá no morro
Velho pai, só nos resta teu socorro

...

Na quinta-feira, chegando de táxi no albergue, fiquei deprimido ao ver tantas crianças fumando crack nas ruas do Centro de Salvador. Isso acontece em qualquer grande cidade do Brasil, mas não é sempre tão visível.

Depois esqueci. Passeando com a Rose, fiquei chateado por estar sendo perseguido o tempo todo por crianças e homens pedindo esmola. E hoje até fiquei irritado por não poder passear e comer sorvete tranqüilo - enquanto a Rose dava um pouco de seu sorvete a duas pessoas que pediam.

...

Thursday, May 01, 2008

Vou viajar!

Bom feriadão para todos! (Bon pont per tothom!)

Friday, April 25, 2008

O barulho

(Outro conto/exercício escrito para a Oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS. Desta vez as restrições eram importantes, o narrador não podia ser omnisciente. Obrigado à senhorita Parker pela revisão do português... e à "menina" soteropolitana por todos seus e-mails :) O único problema para o leitor espanhol pode ser a palavra "laje", que é a parte de cima da casa, a céu aberto. E barulho = ruido.)


O barulho da cadela acorda Elvira, que olha, aos pés da cama, a hora no relógio azul do som. São 03h00. Vira-se para a irmã, que continua a dormir, com a cara para o lado da parede. Respira fundo. Puxa levemente o lençol, aparece o ombro desnudo e fino, mas a irmã não se mexe. Elvira suspira. Olha para o teto, meio desmanchado. E volta a fechar os olhos, apertando as pálpebras.

A cadela late de novo e Elvira, murmurando um palavrão, ergue-se na cama. Sem acender a luz, de pés descalços, sai ao corredor. Ouve os roncos do irmão mais velho, deitado no sofá, e misturando-se a eles, atravessando a sala, a respiração forte e entrecortada da mãe. Eles e todos os outros dormem, alheios aos latidos da cadela.

Elvira sobe as escadas até a porta de entrada da casa. Encontrando-a aberta, abana a cabeça. Sob o céu, anda com cuidado para não escorregar no chão, gasto pela ação da chuva. Avança até a grade de ferro. Sonolenta e com o cabelo revolto, os cachos a dificultar-lhe a visão, demora em encaixar a chave na fechadura.

Sobe à laje olhando para os degraus e tateando as paredes. Lá em cima, acha os dois cachorros velhos deitados. Um deles entreabre os olhos quando Elvira aparece. O segundo rosna, fica quieto. A cadela, em pé, com as patas sobre a beirada, pára de latir e começa a pular de um lado para o outro, enlouquecida. No final, vai encostar na menina. "Ai, Preta".

Elvira observa os olhos da cadela. Aquele que não existe mais, cujas pálpebras têm sido costuradas uma à outra, e o outro, velado por uma película cinzenta. Preta tem o corpo cheio de ferimentos, mordidas, chagas. Elvira faz-lhe um afago e a desamarra, e ela some atropeladamente pela escada, rumo à rua. Os outros dois erguem as orelhas e viram-se para a menina, em sinal de protesto, mas ela os manda dormir de novo.

Ainda de cócoras, com as mãos sobre as coxas, Elvira repara nos dois tanques de água, vazios, secos, e em seguida desvia a vista para os três baldes ao lado. Morde os lábios. Pensativa, olha para o chão de concreto, embranquecido pelo luar, e logo para o céu, através dos varais nus. Levanta-se e vai devagar até os baldes, pega os três em uma mão. Olha ao redor, onde as luzes de algumas casas ainda estão acesas. E fala, em tom neutro e conformado: “Mas que merda”.

Refaz o caminho e deixa os baldes ao pé da porta de entrada, junto à pilha de roupas sujas e os sapatos. Anda silenciosamente até a cozinha, pega uma banana do cacho sobre o balcão e come, atenta à respiração da mãe. Bebe um resto de suco de umbu direto do jarro. Volta para o quarto com a irmã. Deita-se ao seu lado, de barriga para cima. Olha sem querer as horas no som. Dá uma mexida nos cabelos, esfregando os dedos na raiz. Fecha os olhos e fica imóvel. Não há mais latidos. Só barulhos distantes, alguns reconhecíveis, outros não.

O Mãe de Deus

Ontem estive conversando com uma guria da faculdade, Ana, que esteve ingressada um mês no hospital Mãe de Deus, e falou:
- Eu estava tão bem! O atendimento é tão bom... que eu não queria sair de lá!
E eu falei:
- Eu também não!
E ela:
- Sério! Eu estou falando sério!
E eu:
- Eu também! Eu adorei estar no Mãe de Deus! Quando já estava curado queria ainda ficar lá!
E Ana:
- Pois é, é muuuito legal. Eu pedia: Mais uma semaninha, por favor?

Sério: as pessoas que trabalham nesse hospital são uma maravilha.
Só tenho boas lembranças...
Ainda às vezes quero ir lá almoçar, para lembrar. Dá para acreditar nisso, de um hospital?
É claro que foi muito importante, muito mais importante, eu estar acompanhado por quem eu estava acompanhado, mas essa é outra história. E essas pessoas, que sem dúvida sofreram mais do que eu, acho que não pensariam a mesma coisa...

Thursday, April 24, 2008

Na rua

(Este seria o episódio 2 daquele "No elevador", sobre ser cavalheiro ou não, e as mulheres...)

Agora à noite eu ia andando rápido pela rua da Praia, com uma sacola com livros numa mão e uma pasta na outra, quando, na esquina com a Borges (a chamada "esquina democrática", se não estou errado), apareceu à minha esquerda uma guria, andando muito rápido também. Fiz uma paradinha, ela passou, e eu fui presenteado com um sorriso que... bem, não sei dizer. É tão bom, um sorriso assim, de uma desconhecida!


PS: Não longe da Casa de Cultura, na mesma rua, vi pessoas com notebooks em mesas colocadas na calçada (muitas mesas onde antes não havia). Porto Alegre está mudando!

PS2: Voltando ao tema do post, lembrei da música que cantou o Ney Matogrosso: Pra viver e pra ver / Não é preciso muito / Atenção, a lição / Está em cada gesto / Tá no mar, tá no ar / No brilho dos seus olhos / Eu não quero tudo de uma vez / Eu só tenho um simples desejo.

PS3: E a Rose me mandou este comentário, que ela não deixou aqui, mas que acho que não vai se importar com que eu copie, porque é lindo:

PS da Rose: Recebi um sorriso de uma desconhecida ontem, enquanto almoçava. Era uma garota que aparentava ter problemas mentais, e foi tão legal quando ela sorriu pra mim (eu estava almoçando sozinha mas daí, depois desse sorriso, me senti acompanhada).

Monday, April 21, 2008

Carnaval 2008: Recebi agorinha estas lindas fotos

A Rose diz: Salvador é cor de rosa mesmo! rsrsrsrs
Joilson diz: O bicho pegou no Crocodilo!
Daniela Mercury disse: "No meu bloco pode tudo!"
Mariene de Castro disse: "Vamos dançar? Ou vocês sempre pensam naquilo?"




Saturday, April 19, 2008

Crisis? What crisis?



(Nunca visto antes.)


PS: E este, quase sem palavras, é meu post n° 300.
PS2: Obrigado à Cris do cibercafé pelo escaneio artístico.

Friday, April 18, 2008

Meu pai



Eu geralmente não posto fotos minhas, ou de familiares, amigos e tal, mas não podia não postar esta, tão bo-ni-ta, tão bo-ni-to. Parece o Japão, né? É o Valle del Jerte, Extremadura, Spain.

Ele escreveu: "L'endemà vam anar a parar a la vall del costat, el 'Valle del Jerte', que és una vall no gaire ampla i que està plena de cirerers (un milió) que en aquest moment estaven tots florits i era preciós". Um milhão (!) de cerejeiras em flor.

O ritmo da chuva

Mas COMO a Fernanda é LINDA!

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

(E mais um exercício curto, feito em sala de aula a partir de uma pergunta surreal do professor.) (Amigos da Bahia: podem fazer correções!) (E para quem não é brasileiro: "comer" tem significado duplo. E "fantasia" significa "disfraz".)

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

A queimei, seu sem-vergonha. Seu desgraçado, seu imbecil. Ou pensa o que? Cê acha que eu sou boba? Cê acha que a gente não vê? Puta, Gil! Eu sou motivo de piada em todo o bairro! O povo sabe disso em toda Salvador! Gorila, Gil! Não tinha outra? Olha que tem um pessoal esquisito, lá no Pelô! Caras de latão! Mascarados de todo tipo! Gringos que não precisam de fantasia, que parecem de Plutão! E ninguém repara neles, meu! Mas onde você viu, gorila peludo beijando neguinha? Gorila na Praça Teresa Batista! Puta que o pariu! Que lugar pouco concorrido! Pegando menina feito um animal! Orangotango pulando na Quincas! O bicho foi visto no beco do Quebra-Bundão! Eu até ia sabendo o roteiro! Que só não saiu no jornal! Olha, vou lhe dizer: eu só a corna, a maior corna, mas pena eu tenho das doidinhas que cê pegou. Mulher inteligente o senhor não pega não. Só esta aqui sua senhora. A dona da casa do grande mandril. Até que devia ficar bonito. Deviam é tê-lo capturado. Largado numa jaula. Viu, vou comprar-lhe de novo a fantasia. Crianças vão ver gorila comendo gorila no zôo.

Thursday, April 17, 2008

Juliana ri

(Conto/exercício escrito para a Oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS.)


Juliana desce e ele vai atrás, câmera na mão. Está praticamente sozinha no trecho final. É a última descida. E está tão feliz! Porque não faz mais “o pêndulo”, como no início. Agora está indo reto, desce reto, deixando a prancha correr antes de virar. Com os braços abertos em cruz, para manter o equilíbrio, vira à direita, varrendo a neve, e vai, vai, se afastando dele. Não olha para trás, só dá rápidas espiadas em frente – hihihi –, a cabeça escondidinha no colarinho do anoraque; há um instante passaram por ela duas crianças que nem raios, de capacete, cabeções; já ouve só seus gritos. Ainda não ergue a cabeça, olha a neve deslizar sob seus pés. Ela nunca tinha estado na neve. Agora está adorando. Deslizar não é um obstáculo, não. Olha para baixo, sorrindo, vê os flocos de neve brilhar, cor de laranja. Neve cálida! Lembra que está sendo filmada e segue em frente, não vai parar; quer se aprimorar, mas logo esquece. Escuta o som suave e rasgado da neve, que a corteja, docemente. E o vento que embrulha o anoraque. Seu anoraque vermelho, tão bonito. Nunca se sentiu tão leve assim. Sorri; desliza e vai abrindo o sorriso. Não pára. Aproxima-se muito dos abetos, sente o coração acelerar. Vira, vira à esquerda, olhando a prancha, vê se obedece! Vê passar um pedaço de azul de anoraque. O anoraque dele. Se sente linda, linda. E sorri tanto porque é a primeira vez. E está se dando bem. Tu-do tão na-tu-ral. Certamente ele está olhando, e ainda gravando – bobo! –: ela não vai olhar. Vira de novo, e escapa, mais uma vez não pára. Não quer, não quer parar. Ela nunca viu a neve, nem se sentiu deslizar. Fraquejam-lhe as pernas, está chegando abaixo, agora é que vai se jogar. Ele passa reto, trava a prancha, perto, perto. Ah, ela não pode mais! Cai de costas na neve, protegida no anoraque. Nunca foi tão linda – sabe, sente – como embaixo desse céu, sobre essa neve. “Pára!”, grita; porque não quer ser filmada, porque somente ela sabe, porque isso que ela sente não vai aparecer. Ouve sua própria gargalhada; seu peito que se abre, que dói. Vira a cabeça para o sol, sente frio na orelha. A bola vermelha vazando nas telhas de ardósia – o refúgio. Lembra o sabor do chocolate, tão quente, tão bom. Tudo tão bom, agora. Olha de novo para cima. As pontas verde-azuis dos abetos. O céu claro e sem nuvens. Alguns fios de cabelo. E essa cara de bobalhão!

Tuesday, April 15, 2008

Da Folha para vocês 6 (Crack no Rio, de Elio Gaspari)

La presencia de crack en las calles de Río y otras grandes ciudades será un factor de reducción de la criminalidad en un plazo de tres a cinco años.

El motivo es triste y simple: quien empieza a tomar crack difícilmente lo deja, y quien no lo deja muere.

La droga puede llegar a la clase media, pero en pocos meses el adicto cambia de clase, ya que, a diferencia de la cocaína y la marihuana, el crack incapacita a la persona para cualquier otra cosa que no sea tomar crack.

El temps

Entre ahir i avui he passat de caminar buscant l'ombra a caminar buscant el sol. I això no és cap cony de metàfora. És que ha canviat el temps. Ara hauré d'anar a comprar roba, cagumcony. I demanar més mantes.

Monday, April 14, 2008

No elevador

No elevador, hoje, depois da aula, éramos eu e umas oito colegas, e eu estava perto da porta. Chegamos ao térreo, e fiquei na dúvida, com um pé adiantado. Mas deixei passar todas elas. Quando a última passou por mim, ela falou, rindo: "É muita mulher para ser cavalheiro!". Gostei da frase. Lhe disse que gostei da frase e que ia usá-la. Mas não, acho que não vou saber. Já interiorizei esse tipo de gestos. Nem sei se elas gostam ou não.

Sunday, April 13, 2008

Dos mesos després, a Itàlia...

... Campions de la Copa ULEB.

Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!

Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.

Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!

(No és un post repetit, és que ara la Penya guanya sempre :)

Show Inclassificáveis

Fui ao show do Ney Matogrosso! Três dias de teatro lotado, sem ingressos segundo o jornal. Mas consegui ingresso de pé. (Simples desejo...)



Simples desejo (de Luciana Mello)


Que tal abrir a porta do dia-a-dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...

Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Thursday, April 10, 2008

O que aconteceu com Baleia?

Estou de novo na oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS, desta vez como aluno do mestrado em Letras. E, finalmente, depois de duas ou três aulas sem entregar NADA, produzi este conto, um texto breve escrito em pouco tempo, na sala de aula, a partir somente de um título misterioso dado pelo professor: O que aconteceu com Baleia? (assim, sem artigo). Os mini contos que resultaram desse título foram bem interessantes!

Baleia virou assunto de documentário. Nenhum exemplar sobreviveu à última guerra. Houve quem culpasse exclusivamente aos japoneses, que teriam dizimado a população enchendo-se a comer filés de cetáceo em suas cadeias de fast-food. Porém, historiadores conceituados acreditam que os exemplares sobreviventes teriam bastado para repovoar o planeta, não tivesse sido pelos mísseis subaquáticos que durante o conflito cruzaram os mares dos cinco continentes. Golfinho também desapareceu, virou assunto de livro de biologia. E nem pôde dar tchau a Baleia, pois seu extermínio foi anterior. Nesse caso não há acordo entre a comunidade científica, estando norte-americanos e chineses ainda divididos quanto à responsabilidade dos hábitos alimentares nipônicos e, portanto, às medidas a adotar.

Wednesday, April 09, 2008

Haicai

Estou lendo uns livros chatos do Roland Barthes para uma disciplina do mestrado; textos, na verdade, que não são chatos-chatos, parece que ele se moderou na velhice. Nesses livros, que são os textos dos últimos cursos que ele ministrou na França, A preparação do romance I e II, ele dedica muito tempo a falar dos haicai, e se deleita com a imediatez que encontra em eles (de novo: fica esquisito isso, esse deleite pela imediatez e simplicidade, sendo ele quem foi...). Enfim, gostei dalguns deles e queria compartilhá-los, se bem que talvez não pareçam tão bonitos fora do contexto em que Barthes os coloca. Uma citação de Valery pode ajudar: "Os poetas do Extremo-Oriente parecem ter se tornado mestres na arte de reduzir à sua essência o prazer infinito de estar emocionado". (O que tem a ver o haicai com o romance? Não sei porque ainda não li a parte II.) (Ah, e este post e para o Yuji, de São Paulo, que se perdeu na Internet depois de passar o vestibular. Dá um oi se passar por aqui...)


Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizo no oto

Tá, estou brincando (ou então esse só vai entendê-lo a Cristina; e o Yuji, claro).


Deitado
Vejo passarem as núvens
Quarto de verão

(Yaha)


O vento do inverno sopra
Os olhos dos gatos
Piscam

(Bashô)


O riacho de verão
Passado a pé que felicidade
Tamancos na mão

(Buson)


Para o Ronaldo, que gosta de olhar as estrelas:

As flores de verbena branca
Também em plena noite
A via láctea

(Gonsui)


Um haicai moderno:

Empregados de banco de manhã
Fosforescentes
Como moluscos

(Kaneko Tôta)


Portinha de treliça
Flores num vaso
Cabana da paz

(?)


Para quem gosta de andar descalço:

Frescor
Na parede a planta de meus pés nus
Sesta

(Bashô)


Estação das chuvas. Olhamos a chuva
Eu e atrás de mim, de pé,
Minha mulher

(Rinka)


Chego pela senda da montanha
Ah! Isto é lindo
Uma violeta

(Bashô)


Em meu copo de saquê
Nada uma pulga
Absolutamente

(Issa)


"Isto, Isto"
Foi tudo o que pude dizer
Diante das flores do monte Yoshino

(Teishitsu)

Tuesday, April 08, 2008

Wednesday, April 02, 2008

Cancer (a poem)

Cancer, that worst of words
How many members of how many families
That didn't speak to each other or look at each other's face
Has that only illness had the power
To reconcile, in all the world, all these years?

Tuesday, April 01, 2008

Adriana (a poem)

(This came to my mind this morning while I was still asleep - it came in English, maybe because yesterday I wrote an e-mail to Kris.)


Adriana went to the market
Went to the bank
Went to the library
And went to the store

And by the end of the day
She had four lines of poetry
That she gave to her creative writing teacher
With whom she was in love

O mercado não resolveu! :o)

Este post é dedicado àqueles (na Espanha, no Brasil, nos EUA) que ainda gostam de defender o livre mercado desregularizado. (Estou sem tempo para traduzir o artigo para o espanhol.) (Eu, como meu pai, estou indignado pelo jeito como o Estado teve que ir ao resgate dos especuladores; eles, que sempre o desprezaram (mas a vida é cheia de ironias); todo o mundo deveria estar indignado, porque é todo o mundo, o cidadão, quem paga, agora, pelas loucuras que os especuladores fizeram para se enriquecer - com a aquiescência dos economistas neoliberais até agora no comando.) (É só clicar sobre a imagem para poder ler o artigo.)