Thursday, August 30, 2007

The World According to Garp

Para engendrar ele, a mãe de Garp, enfermeira da Nova Inglaterra que odeia os homens, usa um artilheiro da Segunda Guerra que jaze no hospital e só tem ativo o membro viril. Este é o inicio dum livro louco -o primeiro romance de John Irving- com: assassinato a tiros (três), assassinato a facadas, estupro (dois), acidente de carro, acidente causado por condutor homicida, olho furado, pênis amputado (dois), braço amputado, orelha arrancada (duas, uma de cachorro), língua cortada (inúmeras). E com muito sexo: infidelidade tradicional, infidelidade moderna ou consentida, intercâmbio de casais, sexo com empregada, sexo com aluno, sexo oral, sexo transexual... O autor parodia pessoas (a mulher de Garp, professora de literatura, é a única personagem "normal"), comportamentos (preocupação com a segurança dos filhos), movimentos (feminismo), profissões (escritor, editor)..., sempre com um pé na realidade: com todo seu exagero, o mundo de Garp não deixa de ser humano e real. Fica longo demais por causa de três contos que o recheiam e que o autor atribui a Garp, mas, mesmo assim, é um livro para não parar de ler, e, a cada três ou quatro páginas, soltar uma gargalhada. A tradução é boa e Garp não se importaria com isso, mas a sexta edição de bolso ainda contém uma montanha de erros tipográficos. E a capa, Maritrini, com essa moldura xadrez, é feia, inclusive para quem gosta de E. Hopper. Posso dar três corações e meio?

Lido em espanhol.

Tuesday, August 28, 2007

Miró

Para Gabriela, artista mironiana.

Interpretación de Juanjo Sáez del cuadro (tríptico) "L'esperança del condemnat a mort", de Joan Miró (del libro El Arte: Conversaciones imaginarias con mi madre).

Saturday, August 25, 2007

Traduções ao português 5 (The Boy With The Thorn In His Side, de Morrissey, Steven, Marr e John)



(Eu gosto desta música dos Smiths. Ela me fez pensar em
Perry Smith, e em várias outras pessoas.)

O menino com a espinha cravada
Atrás do ódio se esconde um desejo assassino de amor

Como podem olhar nos meus olhos
E ainda não acreditar em mim?
Como podem me ouvir dizer essas palavras
E ainda não acreditar em mim?

E se não acreditam em mim agora
Acreditarão em mim alguma vez?
E se não acreditam em mim agora
Acreditarão em mim alguma, alguma vez?

O menino com a espinha cravada
Atrás do ódio se esconde um desejo despojado de amor

Como podem ver o amor em nossos olhos
E ainda não acreditar em nós?
E depois de todo este tempo
Não querem acreditar em nós

E se não acreditam em nós agora
Acreditarão em nós alguma vez?
E quando a gente quer viver, como a gente começa?
Aonde a gente vai, quem é preciso conhecer?

Monday, August 20, 2007

In Cold Blood

Vou tentar falar sobre este livro... Com simplicidade, porque andei visitando uns blogs brasileiros sobre literatura onde tem tudo menos isso. Uf. Só chatice e exibicionismo. Enfim. O livro estava na fila há muito tempo, e queria ler ele em inglês -estava bem atrás na fila porque agora queria ler em espanhol (estava esquecendo minha segunda língua!). Mas li ele agora, e em espanhol, por dois motivos. 1) A Maria, que escreve grandes (e simples! :) resenhas de livros, me aconselhou não adiar mais o momento de lê-lo, apesar de eu não gostar especialmente do assunto. Ela é jornalista (e agora, mãe!) e falou que esse era um dos melhores livros que leu na vida (entre outras observações). 2) No mesmo dia, no jornal que eu estava lendo no café duma livraria, uma tradutora dava como dica de leitura para o verão (cada dia tem dicas de leitura de algum profissional conceituado) a nova tradução ao espanhol de A sangue frio. Nova? Como eu já estava na livraria, fui dar uma olhada. Lá estava, e aqui posso adicionar um motivo 3. 3) Além de ser da editora Anagrama -minha preferida-, a nova tradução era de Jesús Zulaika. Jesús Zulaika é quase um "velho amigo": o tradutor dos melhores escritores anglo-saxões da editora, especializada neles. Mas... ele tinha sumido estranhamente há alguns anos, e muitos desses escritores passaram a ser traduzidos por um tal Jaime Zulaika. Irmão? Talvez, mas as traduções dele, sendo boas, não eram igualmente boas. Li várias vezes o nome para ter certeza que era o Jesús e não o Jaime. Era. Jesús ressuscitado. Pensei: Esse cara deve estar abastado, morando na praia, lendo ou escrevendo, ou esquecido completamente das duas coisas, e só deve ter aceito a encomenda de traduzir uma obra-prima. Comprei o livro, claro. A pesar da capa. Eu gosto dessas capas cor de creme (que não mudaram desde que a editora foi fundada, há mais de 30 anos), mas a Maritrini, minha amiga argentina, cujo senso estético e talento artístico eu respeito e gostaria de ter :p, diz que elas são "feias pra caramba": a esha no le gustan. Eu até que gosto delas, e acho bom poder identificar facilmente os livros da editora que eu mais gosto, e um dia vou juntar todos eles numa estante e vai ficar bonitinho.

Ontem estava trabalhando no quarto do computador, sem conseguir me concentrar, e ouvi que na sala meu irmão Oriol estava vendo Friends (na verdade não estava vendo Friends, estava roncando no sofá). Aí resolvi ver uns minutos o seriado para me desestressar. Era um episódio muuuuuito antigo que eu não tinha visto. Não importa. O que aconteceu foi que apareceu o Joey Tribbiani e pensei, Putz, É O PERRY SMITH!!! Posso ter sido influenciado pela capa (feia?) do livro, que é um fotograma do filme Capote (Perry é o cara do meio, entre os policiais -quem não sabia agora já sabe: ele é preso :o), mas acho que não; acho que, tirando o sentido do humor, porque o Perry é ingênuo, e inculto -se bem que muito inteligente-, mas nunca faria uma piada, vi no Joey a personagem descrita nas páginas do livro. Perry é um dos dois assassinos e aquele a quem Capote dedica mais atenção, mais tempo, e é uma personagem que já não vai sumir da minha cabeça (e isso é raro que aconteça, raro até com os melhores romances). Dick é o colega dele, um cara muito diferente, e, esse sim, piadista. E depois tem o investigador principal. E o pai da família assassinada. E deu. Deu porque as outras personagens, umas 100, são todas secundárias, têm menos espaço e ficam pouco tempo na mente do leitor: são os vizinhos e amigos da família Clutter, os investigadores, os familiares dos criminosos, as pessoas que estes conhecem na sua longa fuga, advogados, presos. Com os cenários acontece uma coisa parecida. A cidadezinha do estado de Kansas onde o crime acontece e recriada vividamente, mas são fugazes (não esquemáticas) as descrições dos lugares visitados pelos fugitivos no seu longo périplo (que os leva até o México, até Nevada, até Florida...).

Tudo bem. Se existe um romance perfeito, é este. Com tudo o que isso tem de bom é de ruim. De ruim, tem que pode parecer frio demais. De bom tem tudo o resto. A escrita é a que eu mais gosto, realista, com atenção ao detalhe, com uma procura da objetividade máxima, sem intromissões do narrador. E só pra completar a informação: como falou um professor muuuuuuuito chato que eu tive no primeiro ano de faculdade (digo o nome? não digo), este é o romance que inaugura o novo jornalismo, que é aquele que explica as noticias como quem escreve um romance e que é a marca da revista The New Yorker. E outra, uma coisa que eu gosto muito: este romance, como The Great Gatsby, foi escrito com a colaboração dum editor, o editor dessa revista. Agora os editores se dedicam ao marketing e nem lêem os originais que publicam; há um tempo, animavam, empurravam os escritores a escrever bons livros; e há ainda mais tempo, quase que dá pra dizer que escreviam junto com seus autores, conversando, trocando montes de cartas com eles. Saudade desse tipo de editor...

Este é o romance ideal para quem não entende o crime. Como alguém pode cometer um crime. Neste caso, um quádruplo assassinato com premeditação. Neste ano, um menino foi arrastado por um carro pelas ruas do Rio de Janeiro durante sete quilômetros. Ficou destruído. Dele só restaram os ossos e a pele em tiras. Foi uma tragédia que os cariocas demoraram em superar -ficaram dias sem nem poder tocar no assunto. Eu cheguei ao Rio sete dias depois disso ter acontecido. E mais tarde, já em Porto Alegre, fiquei indignado com uma coisa. E é que três ou quatro semanas depois desse crime brutal, os mais sérios jornalistas do país ainda se referiam aos criminosos com palavras como "monstros" ou "inumanos". É obvio que não eram isso. E também, que acreditar nisso só leva a não entender nada e a não poder prevenir crimes futuros. A sangue frio ajuda a entender como uma pessoa chega a cometer um crime. E até a sentir simpatia por essa pessoa. E olha que o autor não pretendia isso, senão descrever o que aconteceu da maneira mais objetiva possível. É um livro bom, também, para entender a brutalidade da pena de morte (ups, estou revelando tudo!; mas quem não leu já viu o filme, né?). Mas isso a maioria das pessoas já sabem. Só esses loucos do meio-oeste dos Estados Unidos não entendem. Ontem os texanos comemoraram o assassinato do preso número 400, bem faceiros.

A tradução espanhola é perfeita. Parece um livro escrito diretamente em espanhol. E um detalhe. Tem meia dúzia de frases cafonas. Quem ia dizer isso de Capote! Mas num livro de 400 páginas isso é uma anedota. E outra: depois do juízo, o autor parece começar a se interessar menos pela história. Mas isso também não é tão importante. Livro indispensável para entender como uma pessoa pode se destruir desde a infância. E indispensável para os estudantes de jornalismo. E não sei como a Maria coloca os corações no final das suas resenhas, mas a este livro, eu dou todos.


Lido em espanhol.

Sunday, August 19, 2007

Traduções ao português 4 (Thanks for the Dance, de Anjani, L. Cohen e J. Lissauer)

(Pode ouvir aqui.)


Obrigada pela dança
Lamento que estejas cansado
A noite apenas começou
Obrigada pela dança
Tenta parecer inspirado
Um dois três, um dois três um

Uso uma rosa no cabelo
Meus ombros estão nus
Tenho usado este traje
Desde sempre
Aumenta o volume
Serve todo o vinho
Para na superfície
A superfície é legal
Não precisamos ir mais profundo

Obrigada pela dança
Ouço que estamos casados
Um dois três, um dois três um
Obrigada pela dança
E que o bebê que eu levei
Era quase uma filha ou um filho

E não há nada a fazer
Exceto se perguntar se tu
É tão inútil como eu
E tão decente

Estamos unidos no espírito
Quadris unidos
Unidos no pânico
Nos perguntando se
Temos chegado a algum tipo
De acordo

Foi legal foi rápido
Eu fui a primeira eu fui a última
Na fila no
Templo do Prazer
Mas o verde era tão verde
E o azul era tão azul
Eu era tão eu
E tu era tão tu
A crise foi leve
Como uma folha

Obrigada pela dança
Tem sido um inferno, tem sido um agito
Tem sido genial
Obrigada por todas as danças
Um dois três, um dois três um

Thursday, August 16, 2007

Wednesday, August 15, 2007

Traduccions de Brasil 34 (Pais e filhos, de R. Russo)



(Renato dá um show neste vídeo.
)

Ninguna de estas canciones exige mayor presentación. Están ahí, como si ahí hubieran estado desde siempre. Son canciones incorporadas al inconsciente colectivo, de las que la gente canturrea sin saber por qué -son clásicos.

Arthur Dapieve



Estatuas y cofres
Y paredes pintadas
Nadie sabe qué pasó
Ella se tiró de la ventana del quinto piso
Nada es fácil de entender.

Ahora duerme:
Es sólo el viento ahí afuera.

Cógeme en brazos
Voy a huir de casa
¿Puedo dormir aquí con vosotros?
Tengo miedo
Tuve una pesadilla
Sólo volveré después de las tres.

Mi hijo tendrá nombre de santo
Quiero el nombre más bonito.

Es preciso amar a las personas como si no hubiera mañana
Porque si te paras a pensar,
En realidad no lo hay.

Dime cómo es que el cielo es azul
Explícame la gran furia del mundo.

Son mis hijos quienes cuidan de mí
Yo vivo con mi madre pero papá me viene a visitar
Yo vivo en la calle, no tengo a nadie
Yo vivo en cualquier lugar
Viví en tantas casas que ya ni me acuerdo
Yo vivo con mis padres.

Es preciso amar a las personas como si no hubiera mañana
Porque si te paras a pensar,
En realidad no lo hay.

Soy una gota de agua
Soy un grano de arena
Dices que tus padres no te entienden
Pero tú no entiendes a tus padres.

Culpas a tus padres de todo
Y eso es absurdo
Son niños como tú.
¿Qué vas a ser
Cuando seas mayor?

Traduccions de Brasil 33 (Tempo perdido, de R. Russo)

Cada día al levantarme,
Ya no tengo el tiempo que pasó
Pero tengo mucho tiempo:
Tengo todo el tiempo del mundo.

Cada día antes de acostarme,
Recuerdo y olvido cómo me fue el día:
"Siempre adelante
No hay tiempo que perder".

Nuestro sudor sagrado
Es mucho más bello que esta sangre amarga
Y tan seria
Y salvaje.

Mira el sol de esta mañana ceniza:
La tormenta que llega es del color de tus ojos castaños
Así que abrázame fuerte y dime una vez más
Que ya estamos distantes de todo:
Tenemos nuestro propio tiempo.

No me da miedo la oscuridad,
Pero ahora deja las luces encendidas.
Lo que fue escondido es lo que se escondió,
Y lo que fue prometido, nadie lo prometió.

Ni fue tiempo perdido;
Somos tan jóvenes.


Renato siempre al rescate cuando estoy triste...! =)

(Traducido escuchando The Boy With The Thorn In His Side. El ídolo tenía sus propios ídolos, y uno de ellos era Morrissey.)

(Nunca había traducido esta canción, pero ha estado siempre en la columna de links.)

Agosto en Barcelona

Me da igual lo que piensen quienes odian todo lo que viene de Estados Unidos. Cuando llega el verano y todo Barcelona excepto el centro se convierte en un desierto, y tengo que caminar kilómetros para encontrar un quiosco donde comprar el periódico, y las viejecitas me paran en la calle para preguntarme dónde pueden comprar el periódico y dónde pueden ir a comer un croissant y tomar un café, y cuando todo el mundo cierra y ni se molesta en poner un letrero con información en la puerta, o abre y cierra al tuntún, un día sí, otro no -¡qué lejos, que lejísimos está Barcelona de ser una metrópolis como Londres, París o Nueva York!-, cuando todo eso sucede, nos quedan esos pequeños oasis llamados Starbucks Coffee, con café, con donuts y croissants y muffins de todo tipo, con los periódicos del día, con mesas para trabajar, sofás para leer novelas, música bajita y camareros amables -¿les obligan a ser amables?, ¿es política de la empresa?; me da igual: lo son-, siempre abiertos.

TV

Aqui na Espanha o verão é tri porque ninguém vê TV. Os apresentadores ruins estão em ferias e agora só trabalham os muito ruins ou os que estão aprendendo a ser ruins. E a gente lê.

Tuesday, August 14, 2007

Good Things


W. Haase Wojtyla


There is only one thing better than running and then having a cold shower while emptying a full bottle of water from the fridge.

Sunday, August 12, 2007

Zing Boom

Adoro essa palhaça, adoro ela quando ela não é cool.
Ela conseguiu me animar (obrigado, Ronaldo, pelo envio).
E que comentários hilários, haha!



thisstrongheart (10 hours ago)

the lyrics on bjorks website say "zing boom"
(Reply)

springlemon5 (13 hours ago)
no its zing boom wami!!!!!! younut head !
(Reply)

SolitudexInside
(19 hours ago)
i sure its you blow a fuse SIMPLE
(Reply)

thisstrongheart
(20 hours ago)
nopes its defintely "ZING BOOM" and "WOW BAM"
(Reply)

wynniejay
(1 day ago)
i was sure she was saying simple...
(Reply)

horrorpopsjess
(2 days ago)
Zig boom
(Reply)

Josmery16
(2 days ago)
i'm pretty sure it's ZING, BOOM!
(Reply)

Brittany0414
(2 days ago)
i think its you blow a fuse SIGBOOM
(Reply)

Egyptianhound
(2 days ago)
this is an uktra-random song and video
ahahahahhahaha
(Reply)

Friday, August 10, 2007

Traduções ao português 3 (do romance The Human Stain, de Philip Roth)

Não o Deus hebreu, infinitamente solitário e escuro, com a monomania de ser o único deus que existe, quem não tinha nem terá nunca nada melhor a fazer do que preocupar-se dos judeus. E não o perfeitamente desexualizado homem-deus cristão e sua mãe incontaminada e toda a culpa e a vergonha que inspira um caráter sobrenatural excelente. Em vez deles, o Zeus grego, embrulhado em aventuras, de expressividade vívida, caprichoso, sensual, entregue, exuberante, qualquer coisa menos só e oculto. Em vez da deidade judeo-cristã, a mancha divina. Como diz a fantasia do nosso orgulho desmesurado, estamos feitos à imagem de Deus, sim, mas não do nosso..., senão daquele dos antigos gregos. Deus vicioso. Deus corrompido. Um Deus da vida se jamais existiu. Deus à imagem do homem.














O gralho é uma das personagens do livro, tão interessante e complexa quanto as outras.

Tuesday, August 07, 2007

Traduções ao português 2 (do romance Everyman, de Philip Roth)

Meus dois trechos preferidos do livro. No primeiro, o protagonista, diretor criativo duma agência publicitária, 50 e tantos anos, casado, acaba de transar com a secretaria, de 19 (depois de duas semanas, ele diz, "ela já estava de joelhos no chão do escritório"). Ninguém sabe de nada:

Uma manhã, justo depois dela ter se levantado do chão e voltado à sua mesa na parte externa do escritório, e enquanto ele ainda estava de pé, vermelho, no meio da sala e ajustando-se as roupas, seu chefe, Clarence, gerente da empresa e vice-presidente executivo, abriu a porta e entrou. "Onde é o apartamento dela?", Clarence perguntou. "Eu não sei", ele respondeu. "Use o apartamento dela", Clarence falou severamente e saiu.

O segundo. Este, serio. O protagonista, já com 70 anos, vem de fazer três ligações para consolar três amigos muito doentes:

Se ele tivesse sido consciente do sofrimento mortal de cada homem e mulher que chegou a conhecer durante todos os anos de vida profissional, cada um deles com sua dolorosa história de remorso, perda e estoicismo, de medo e pânico e isolação e pavor, se ele tivesse tido conhecimento de cada pequena coisa que eles perderam que uma vez tinha sido vitalmente sua e de como, sistematicamente, eles estavam sendo destruídos, ele deveria ter ficado no telefone durante todo o dia e até a noite, fazendo outras cem ligações ao menos. A velhice não é uma batalha; a velhice é uma massacre.

Sunday, August 05, 2007

ihateharrypotter.com

... the same useless tangents that don't relate to the rest of the book...

Hoje, domingo de noite, agosto, sem nada pra fazer, meu irmão Oriol sugeriu ver um filme lixo. Eu não queria ir, ele insistiu. Falou que, sendo um programa lixo, a noite devia incluir uma janta no McDonald's que tem perto do cinema. Assim seria trash movie + trash food. McDonald's + Harry Potas. Para embotar as nossas mentes e os nossos corpos de vez. Eu, louco, fui. Acho que é porque achei legal comer um Big Mac com meu irmão.

3 horas depois... (ou foram 6?):

A próxima vez que o Uri queira fazer um programa basura, vou dizer a ele que prefiro comer cinco Big Mac seguidos e ficar como uma vaca do que ver um Harry Potter. Juro, aos 45 minutos eu queria ir embora, teria ido embora se tivesse estado sozinho. Pena que não comentei isso com ele, porque acho que ele teria ido embora também. Três filmes seguidos da época mais chata do Bergman teriam sido menos pesados de ver.

Saí pensando em criar um ihateharrypotter.blogspot, mas imaginei que já existiria. Existem vários, e gostei deste aqui (nele se fala de McDonald's também!). O autor diz algumas das coisas que eu acho, e as diz dum jeito muito mais razoável do que eu seria capaz. E dá dicas de bons livros de literatura fantástica pra ler. (Dois deles eu ganhei uma vez de presente da minha amiga Kris: thank you.)

Wednesday, August 01, 2007

Traduccions de Brasil 32 (Ih, mais fone, de Ivan Lessa)

Yo y un pequeño círculo exclusivo, cult y emblemático formamos el que es el último bastión contra el teléfono móvil.

Somos todos provectos. Todos de un tiempo, para citar al cronista Rubem Braga, que a su vez citaba a otra persona, en que todas las neveras eran blancas y todos los teléfonos eran negros.
Abríamos la nevera blanca y de ella sacábamos una cerveza fría, de chapa oscura, cogíamos el teléfono y llamábamos a un amigo o a la novia, y ahí nos quedábamos, charloteando.
Último bastión, digo. Pues nos llamamos a nosotros mismos el Último Sebastián, ya que es necesario que alguien en alguna parte impida que esa perla onomástica caiga en el olvido.

¿Qué tenemos contra el teléfono móvil?

Respuesta simple: no es sólo hartazgo de todas esas personas que andan diciendo bobadas con ese aire idiota por la calle, aparentemente en animada conversación consigo mismas, como si fueran, no sólo bobas, sino también locas de atar.
El teléfono móvil sólo está justificado como instrumento en manos, boca y oído de agentes inmobiliarios o vendedores de "crack".
Sabemos, como dictan las encuestas y el sentido común, que el 98% de todas las llamadas son absolutamente inútiles, innecesarias, derroches de dinero.
Sabemos más -y en este punto reside nuestra actitud superior-, mucho más.
Sabemos que toda esa charla es la manera que la humanidad tiene de gritar su soledad, de proclamar al margen de sus dependencias lo insoportable de su silencio interior, la falta de asunto de su alma.
Por eso nosotros, último bastión, nos apiadamos de la humanidad.
No vamos a salvar las ballenas, no podemos impedir las emisiones de dióxido de carbono, no sabemos qué hacer para impedir el deshielo de los casquetes polares. Sin embargo, a pesar de los disgustos y fastidios que envuelven la vida por todos los lados, sentimos todavía (antes sentíamos más) algo de lástima.
Una penita, digamos. De todos nosotros. De la gente joven e indómita que un día, hace mucho tiempo, cuando los animales todavía hablaban, fuimos: muy mozos y muy necios, idealistas de medio pelo y sin un duro en el bolsillo, seguros de que la humanidad podía y debía salvarse, fuera a través del pseudocientificismo marxista o de la fe en una (como decíamos entonces) "cosa mayor".
Sí, así es. Nos dolían los dientes sólo de pronunciar la palabra religión.
Juventud, mocedad.
Están por todas partes, esos aparatitos. Reproduciéndose como ratas.
Con ellos se habla, se sacan fotos, se graban vídeos, se naufraga en Internet, se intercambian desafueros por e-mail, se inventa un lenguaje nuevo para decir cosas viejas, se ven peliculitas y peliculotas, se oye o se ve lo que no debería haber sido nunca dicho o mostrado.
"¡Alelados!", grita desde el otro lado de la calle el anciano caduco.
Y ahora llega el iPhone.
De él y con él se habla mucho. Y se hacen muchas otras cosas. Todas vergonzosas o impúdicas.
Llegó primero, como siempre, a Estados Unidos. Hay gente que durmió en la calle para ser la primera en comprarlo.
Nos llega ahora al Reino Unido y, es de creer, a toda Europa.
Los suplementos informáticos de los periódicos van llenos de consideraciones y pálpitos.
Un palique de lo más técnico de gente lega en la vida. Eso es lo que quería decir: quien usa celular, o alguno de sus congéneres, modelos avanzados u obsoletos, es gente lega en la vida, en el vivir.
Vivir se hace en directo, ahí encima en el trapecio, y sin red de ningún tipo: ni arriba, para comunicarse, ni abajo, para frenar la caída.
Pero hay más, y es peor: vivir lo hace uno solo.
Puedes llamar al otro tanto como quieras, que el otro no está allí. A fin de cuentas, no hay otro. No lo había cuando marcábamos el número en el teléfono negro, no lo hay cuando subimos la ladera hablando y riendo solitos.
El otro, por más que tú lo busques, no atiende, no tiene contestador automático, no deja recados.
Nunca hubo un otro. Nunca lo habrá. Sigue buscando en los libros, las películas, la televisión, los bares.
No hay otro, repito e insisto. No hay nadie. Tal vez ni siquiera tú.
He aquí una posible sorpresa: el Último Sebastián puedes ser tú. Olvida el teléfono móvil. No hay nadie en ninguno de los dos lados de la linea.
Habla solito a voluntad. Bajito, por favor. Para que lo sepan el mínimo de personas.

Tuesday, July 31, 2007

Derecho (¿Otro mundo es posible? 2)

Le digo a la estudiante de Derecho: "La ley es igual para todos los harapientos" ("A lei é igual para todos os esfarrapados"). ¿Os enseñan eso en la facultad?

Y ella contesta: Yo me sé otra: "La justicia es como las serpientes; sólo muerde a los descalzos" ("A justiça é como a cobra; só morde os descalços"). La aprendí en el instituto, con una profesora de Filosofía. En la facultad no enseñan nada de eso. De hecho, nos hacen perder la esperanza y la voluntad de cambiar las cosas, cuando empezamos la carrera.

Sunday, July 29, 2007

Traduccions de Brasil 31 (Petróleo do futuro, de R. Russo)

Ah, si supiera decirte lo que soñé ayer por la noche
Tú ibas a querer contarme todo tu sueño también
¿Y qué tengo yo a ver con eso?

Ah, si supiera decirte lo que vi ayer por la noche
Ibas a querer ver más y no te lo podrías creer
¿Y qué tengo yo a ver con eso?

Filósofos suicidas
Agricultores hambrientos
Desapareciendo
Bajo los archivos

Ah, si supiera decirte cual es tu tribu
También sabría cual es la mía
Pero tú tampoco lo sabes
¿Y qué tengo yo a ver con eso?

Soy brasileño equivocado
Viviendo por separado
Contando a los vencidos
De todos los lados

Ah, si supiera decirte
Qué hacer para estar todos juntos
Todos estaríamos juntos hace tiempo
¿Y qué tengo yo a ver con eso?

Filósofos suicidas
Agricultores hambrientos
Desapareciendo
Bajo los archivos

Tuesday, July 24, 2007

Pubis Angelical

Muito tempo depois da resenha de Cacau, continuo tentando emular a Maria.

Achei esse livro meio ruim, Pubis Angelical (seria bem bom se não fosse de Manuel Puig!). Ruim por causa das histórias misturadas que não tem muito a ver uma com a outra e criam confusão. Mas, como sempre, a escrita é muito boa e o livro tem páginas magníficas. Graças a ele já sei o que é o peronismo, nada fácil de entender. E coisas sobre os argentinos que nenhum guia diz. O livro tem duas páginas, por exemplo, que exemplificam como os porteños tem palavras diferentes para as mesmas coisas só pra sublinhar a pertença a uma classe social (queria postar isso, mas não posso porque o texto não é meu -regra deste blog). O argumento, too difficult to tell. O tema: o sofrimento das mulheres, condenadas a soportar e amar os homens em todas os lugares e em todas as épocas. E a participação ou não na revolução e a luta contra a ditadura. Mas também tem ficção científica (uma loucura de mistura...).

Uma obra de Puig que eu achei melhor é Cae la noche tropical. E outra é Boquitas pintadas (essa eu perdi no aeroporto de Barcelona; estava tão imerso na história que fiquei lendo enquanto esperava minhas malas aparecerem; não apareceram -ficaram em Lisboa-, e parece que o livro ficou lá no chão). (Engraçado, porque o primeiro, Cae la noche..., é um livro viajante, eu li e passei pra frente, Gabriela leu e passou pra frente, depois vieram Lúcia, Montse...). Todas essas obras estão cheias de diálogos, são baseadas em diálogos, em falas de personagens maravilhosamente reais.

Lido em espanhol.

Monday, July 23, 2007

Otro mundo es posible 2



En mi mundo ideal las casas serían de adobe.

Las casas de adobe son sostenibles.

(Son, además, bonitas.)


"Sí boludo, pero sólo podríamos vivir en los desiertos..."

"No boluda, hay casas de adobe en California y Nuevo Mexico, y en Turquía..."


"Sí cabezota, desiertos o zonas donde llueve muy poco."

"Mmm..."

"... Tendrías que inventarte un adobe resistente a la lluvia."


"Bueno, vale."



En mi mundo ideal el adobe sería resistente a la lluvia.

Y a la nieve.

Meninas de Floripa

O Ronaldo mandou um vídeo dum cara que parece que está se masturbando vendo uns ursos transando na TV. Aparece a namorada, e vai embora muito braba, e o cara na verdade está limpando um sapato. Daí tinha links pra outros vídeos no youtube. Tinha um sobre umas meninas gostosas numa praia de Floripa, do "Pánico na TV". Eram todas muito lindas, bundas, peitos, e fiquei deprimido, achei que todas essas bundas e todos esses peitos eram iguais, que não tinham graça nenhuma, que todas essas meninas eram sem graça e eram vítimas dalguma coisa (e fiquei triste também porque são brasileiras, porque é no Brasil, no Sul, que muitas meninas são assim...).

Sunday, July 22, 2007

Último dia de Carnaval



Último dia de Carnaval, Baile do Bloco Parado. Eu estou aí, de camiseta vermelha, pulando.

Foi massa (se bem que dá pra notar que a gente já estava um pouco cansada, hehe, bom dia pra o bloco parado!). Lá estiveram o Arnaldo Antunes, o Chico César, e, principalmente, o Ronaldo e a Rose.

Esse dia eu fui feliz.

(Alguém botou no youtube e Ronaldo enviou.)

__________

Sensação esquisita (português: esquisito=estranho)... Tão importante quanto meus pais, meus amigos e meus professores tem sido, na minha formação (?), ou seja, na minha vida, este senhor a quem nunca conheci. Morreu ontem Jesús de Polanco, cujo jornal eu leio desde que eu leio jornais. Importante foi, também, meu avô. Eram da mesma geração, e acho que se pareciam (não só fisicamente). E acho que esse tipo de pessoas (morreu também este ano o senhor Octavio Frias de Oliveira) estão nos deixando sozinhos, não se "fabricam" mais. Tristeza. Obrigado senhor.

PS: Ah, Polanco conhecia e amava enormemente a América Latina, e esse amor se refletiu sempre no jornal...

(Artículos de Juan Luis Cebrián y de Carlos Fuentes.)

Saturday, July 21, 2007

Traduccions de Brasil 30 (Gentileza, de Marisa Monte)



Lo borraron todo
Lo pintaron todo de gris
La palabra en el muro
Quedó cubierta de tinta
Lo borraron todo
Lo pintaron todo de gris
Sólo quedó en el muro
Tristeza y tinta fresca
Nosotros que andamos con prisas
Por las calles de la ciudad
Merecemos poder leer las letras
Y las palabras de gentileza
Por eso yo pregunto
A ti y a todo el mundo
Si es más inteligente
El libro o la sabiduría
El mundo es una escuela
La vida es el circo
Amor la palabra que libera
Ya lo decía el profeta
Lo borraron todo
Lo pintaron todo de gris
La palabra en el muro
Quedó cubierta de tinta
Lo borraron todo
Lo pintaron todo de gris
Sólo quedó en el muro
Tristeza y tinta fresca

(Gentileza do meu querido Professor/Palhaço Ronaldo Luiz.)

(Artículo de Leonardo Boff.)

Friday, July 20, 2007

(Gran) Gus Van Sant

-¿Entonces no renuncia a entretener a los espectadores?

-Claro que no. Yo también busco la aprobación del público, lo que pasa es que les ofrezco otro tipo de entretenimiento, películas que pueden ser incluso más entretenidas que las convencionales. Supongo que hago un cine apto para quien está harto de ver siempre lo mismo. Dicen que mi cine es abstracto pero la abstracción también puede ser diversión.

-Aunque no juzgue, aunque no disponga de explicaciones.

-No es mi función. Y, ¿por qué iba a tener que explicar algo si para una misma cosa hay un millón de explicaciones posibles?


En Elephant, Gus Van Sant ya no explicaba nada, sólo mostraba lo que pudo haber pasado antes y durante una matanza en un instituto como el de Columbine. Y lo que pasaba, básicamente, era que unos chicos compraban rifles automáticos por Internet, iban a su colegio y empezaban a caminar por los pasillos y a entrar en las clases disparando a sus compañeros. Antes, el espectador veía a los adolescentes del colegio hablar entre sí, podía identificar a los distintos tipos de estudiante y de profesor. E incluso los mismos asesinos dialogaban, en casa de uno de ellos.

Pero la propuesta de Last Days es todavía más radical. Porque en esa película se habla mucho menos -casi no se habla. Hablan, muy poco, los personajes secundarios, pero el protagonista, Blake, inspirado en Kurt Cobain, sólo murmura, y la mayor parte del tiempo está en silencio. Lo que sucede, creo, es que el director lleva hasta las últimas consecuencias esa idea del "millón de explicaciones posibles". Viene a decir: no hay una explicación para lo que hizo Kurt Cobain, y ni siquiera su propia explicación sería "la buena"; por lo tanto, no esperes que él te cuente nada, limítate a seguirle, ve lo que hace en sus últimas horas o días, mira cómo se mueve, cómo prepara su arroz..., porque ni yo (director) ni él (protagonista) te podemos contar por qué pasó lo que pasó. La típica (¡típica!, ¿no es curioso que llamemos a esas cartas de "típicas"?) carta del suicida... ¿qué valor tiene? Las explicaciones que una misma persona busca y da, en ese y en otros casos... ¿qué son?, ¿qué relación tienen con la realidad (incluso con la realidad subjetiva)?

Thursday, July 19, 2007

De-evolution (¿Otro mundo es posible?)

(El periódico La Vanguardia sigue llamando a Brasil "el país carioca". Lo hace un corresponsal que, supongo, deve de tener su despacho en la Avenida Diagonal. No es el corresponsal habitual. El corresponsal habitual manda las crónicas sobre Brasil desde Buenos Aires. Estoy cansado. Me gustaría dejar de indignarme por tan pequeñas cosas... En fin, que quede constancia al menos. Carioca es quien vive en Rio de Janeiro -gentilicio de Rio de Janeiro. Es una palabra tupí-guaraní que puede significar, bien "caras blancas", bien "casas blancas"; en ambos casos habría sido usada por los índios que vivían donde se fundó Rio, en la Bahia de Guanabara, para referirse, bien a los portugueses que allí desembarcaron, bien a las primeras casas que éstos contruyeron en el lugar. Y si alguien está interesado en saber qué pasa en Brasil, que lea a Juan Arias o a Carlos Galilea en El País...)

Artículo sobre Devo en El País de hoy (de Iñigo López Palacios).

Jueves 30 de abril de 1970, Kent State University, Ohio. Manifestación contra la guerra de Camboya. Cuatro estudiantes muertos.

Gerald V. Casale: "No creo que Devo existiera si aquello no hubiera ocurrido. Vi que el mundo era básicamente injusto. Comprendí el poder del Estado sobre el individuo y el de la prensa para convencer a todo el mundo de una mentira. Funciona. En aquel momento la gente pensaba que aquellos estudiantes merecían morir. Se dijo que iban armados y la verdad es que los soldados dispararon contra gente que huía".

"Pensábamos que nunca veríamos nada tan malo como Nixon, y estábamos equivocados. Al haber desarrollado la teoría de la de-evolution, debíamos haber previsto que vendría alguien como George Bush y haría que Nixon pareciera listo."

La de-evolution, o la anti-evolución, es el concepto central de Devo, la teoría según la cual el ser humano involuciona hacia un estado prerracional. De ahí su grito de guerra:

"¿Somos hombres? ¡No, somos Devo! Estamos en el camino de la de-evolution."

________


Gabriela: "O pior de tudo é que Porto Alegre, digamos, é uma cidade que falando com duas ou três pessoas, tu já sabe de mais algum que estava no avião...".

:((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((

Wednesday, July 18, 2007

Otro mundo es posible

En mi mundo ideal no habría aviones.

Los aviones no son sostenibles.

(Son, además, feos.)

Sólo habría barcos para cruzar los océanos.

(Habría que tener paciencia.)

¿Cuál es el nombre de ese científico, o filósofo, que dice que no será suficiente con desacelerar -horrenda palabra- el crecimiento, sino que habrá que retroceder, volver atrás?

Eso nadie lo aceptará. O eso sólo lo aceptarán los que no son nadie.

Otra opción es volar de una vez por todas el planeta y volver a empezar.

Sin hacer nada igual.

Tuesday, July 17, 2007

Para que servem os bons amantes

And thanks for the trouble you took from her eyes
I thought that it was there for good so I never tried

Esses versos são da música de Leonard Cohen "Famous Blue Raincoat".

Quem fala é o marido, e fala (agradecido!) para quem foi o amante dela... e já sumiu.

O amante "took the trouble from her eyes", tirou o problema dos olhos dela. O marido nem tentou: achou (burro!) que "the trouble", o problema, era parte dela.

Mas quem ficou com ela?

Sunday, July 15, 2007

Misivistas contumaces

Artículo de la revista Piauí, la New Yorker de Brasil, que salió hace menos de un año y es cada vez mejor. Mandado por Gabriela. Traducción libre. (Yo no escribo tantas cartas a los periódicos –debo de haber escrito unas cinco en toda mi vida. Si lo hiciera, no me quedarían horas para tomar el sol, bajar a la piscina, ir a correr, comer, leer, dormir la siesta, ni hacer ninguna de todas esas actividades a las que dedico mis días.)

Uno de los deseos de María, de 85 años, es que su nieto escriba cartas a los periódicos. Así transmitiría su legado y se mantendría la tradición. Desde 2002, ella ha escrito a mano más de 150 cartas. Su producción aumenta cada año: actualmente manda tres cartas por semana. Eso sin contar las que envía a los políticos e instituciones públicas. Antes de ir a correos o al buzón, llama a los destinatarios y les avisa de la llegada inminente de su misiva. Ella, ama de casa, está convencida de la importancia de su opinión. A Marcelo, de 21 años, el nieto, nada de eso le importa. “Tengo otras cosas que hacer”, dice, fumando un cigarrillo. María suspira pero no se desespera. Tiene otros nietos además de Marcelo, y siete biznietos. Pero se enfada con el rebelde, que dice que no escribe porque eso le quita tiempo para el estudio –estudia biología. “¡Si yo fuera tu madre!...”, dice María. María tiene un hermano, Huldo, que también es escritor contumaz de cartas.

Sentada en una cafetería de Porto Alegre, María levanta el dedo al aire y declara que no tiene miedo de meter caña a nadie. Acaba de recibir la respuesta a una carta enviada a la diputada federal Manuela d’Ávila, del PCdoB. “No es que sea criticona. Es que me gustan las cosas bien hechas. Le dije que se olvidara de Bush y se concentrase en los problemas del país”, aclara, mientras se abanica con una carta. Marcelo muestra tres carpetas azules llenas de correspondencia enviada, respondida y publicada. El material pesa cerca de siete quilos. Él se encarga de escribir las cartas en el ordenador y catalogar todo el material. La abuela está subscrita a un periódico y lee otros dos en el hotel de cinco estrellas que hay delante de su casa, donde vive sola.

María cuenta que escribió a presidentes de la República, vicepresidentes y primeras damas. En la lista de los más importantes están José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso, Lula y José Alencar. Este último recibió una carta muy malhumorada, un rapapolvo por lanzar la idea de cambiar el Himno Nacional. Aunque la información no fuera de fiar, María se manifestó por si las moscas. “Yo es que soy del tiempo en que las personas eran patriotas. ¿Qué es eso de meterse con el ‘Deitado em berço espléndido’”? De sus palos no se salva nadie: van dirigidos a personas, órganos de gobierno (federal, estatal, municipal), empresas privadas y entidades internacionales. “UNICEF nunca responde, nunca tienen dinero.”

Otra víctima fue el senador Jefferson Peres, del PDT, que respondió a una carta de María con un telegrama agrio y sin miedo: “Como la señora misma dice, soy un senador corrupto y garrulo que recibe millones del narcotráfico. Por eso, le pido que no malgaste su precioso tiempo escribiéndome cartas. Saludos, senador Jefferson Peres”. Hoy María es amiga íntima de Peres, aunque no esté de acuerdo con la legalización de las drogas, una de las banderas del senador. “No sería bueno para la integridad de la familia.”

En la cafetería, sentado junto a María, un hombre de 36 años espera impaciente a ser interpelado. Banquero, con dos hijos pequeños, formado en Informática, con una calva que se empieza a insinuar, Antonio Brás Constante se considera un escritor. El apellido le hace justicia. En 2003 empezó a enviar a los periódicos el resultado de su trabajo. Como sus cuentos y poesías eran invariablemente rechazados, decidió dedicarse a las crónicas. Nunca escribió para el pequeño espacio reservado a las cartas. Ni lo necesitó, porque se hizo con latifundios (no remunerados) en media docena de periódicos (gauchos, catarinenses, paranaenses, capixabas, matogrosenses del sur y roraimenses), que empezaron a publicar diariamente sus crónicas y versos. “Fíjate… ¡Él es nacional y completo!”, exclama María, añadiendo enseguida que, aunque se pasara la noche entera mirando la luna, no conseguiría rimar dos versos.

Constante tuvo el honor de ser publicado en una antología colectiva. Pero él quiere más. Quiere un libro sólo suyo, no importa el género: cuento, poesía, crónica. Asegura que es capaz de leer cinco libros en un mes, pero que puede pasar años sin leer nada –depende. Su última investida en el mundo de la literatura ajena data de 2005, cuando, durante una huelga de banqueros, leyó el Código Da Vinci. El horario preferido para pulir sus “perlas textuales”, como él las llama, es entre las 5 y las 7 de la mañana. Calcula que ya ha enviado más de cien textos a por lo menos 200 medios.

Un tercer escritor llega a la cafetería. A pasos pequeños, un hombre de 79 años se une al grupo. En cuatro o cinco sobres, trae algunas cartas escritas en los últimos tiempos. Pocas, considerando las dieciocho carpetas llenas de recortes que ha dejado en casa. “¿Usted es Djalma Beyer?”, pregunta María, que se sabe los nombres de quienes aparecen regularmente en las secciones de cartas. El hombre no la oye. Usa audífono; hay que hablar más alto. Retirado, ex profesor de inglés y ex concejal, es famoso en las secciones del lector, para las cuales despacha contribuciones desde 1971. “Sabes, ahora mismo estoy apasionado por los grandes temas de la humanidad”, dice. Habla de Castro Alves, recita Vozes d’África y es aplaudido por Marcelo y su abuela. Sus temas predilectos, además del poeta abolicionista, son gente como PC Farias o Pasteur, y polémicas contemporáneas como la clonación. Para driblar la cuarentena de 30 días impuesta por los periódicos para frenar a los escritores compulsivos, Beyer ha llegado a adoptar unos siete u ocho pseudónimos. La estrategia le salió bien hasta que empezaron a exigir el DNI, dirección, teléfono. Para horror de María, Brás Constante y Djalma Beyer, el espacio para la obra de los misivistas contumaces ha sido drásticamente reducido.

We Shall Overcome



Esta música é para os amigos da Bahia (vocês já devem conhecer ela; eu não a conhecia).

Foi cantada pelos operários que lutaram pelos direitos civis nos Estados Unidos na década de 50, virou hino da população negra, e é, hoje, cantada pelos imigrantes latinos que moram em cidades como Los Ángeles.

Friday, July 13, 2007

Rudy y Raúl



A falta de buenas noticias, buenas noticias deportivas.

Rudy Fernández, el mejor alero de España, dice no al FC Bar$elona y a sus golpes de talonario (para ellos tan habituales), y se queda en su club, el Joventut.

Raúl Tamudo, uno de los mejores delanteros de la Liga, rechaza los millones que le da el Villarreal (otro que tal: ha aprendido rápido, y mal), y se queda en el equipo de su vida.

Hay clubs con jugadores
que sienten los colores

El dinero
no todo lo puede

Debe de ser la tendencia que llega de Estados Unidos:

Ganar menos
y ser más feliz

(Otro ejemplo: Riquelme. Quedáte en Boca amigo, donde sonreís.)

(Otro ejemplo: O novo Brasil, que não precisa nem do Ronaldinho, nem do Bonitinho.)

Thursday, July 12, 2007

Insolação



Peitão é classe baixa em Peitolandia;
peitinho, aristocracia.

Wednesday, July 11, 2007

Awkward Silence

I just read this funny thing at PostSecret:


PERSON 1:

I don't know how to have a conversation with people; it always ends up with that awkward silence.


PERSON 2 (reply):

I don't know how to have conversations either.

We should talk sometime.

Scarlett

Ms Scarlett Johansson is shooting a film in Barcelona.



And...



I've been lucky enough...



to get a picture with her!!!






Tuesday, July 10, 2007

Meu superpacote cultural de verão





Saí de casa com um jornal (El País) e um conto de três páginas que acabava de imprimir ("This Old House", de David Sedaris), e, lendo a coluna da última página do jornal, encaminhei-me, devagarinho para não suar, para a Fnac. Ia com a intenção de comprar o livro de histórias em quadrinhos 99 ejercicios de estilo, mas, quando cheguei na megaloja, tudo se descontrolou. E acabei fazendo o que faz com freqüência meu irmão Oriol (só que ele tem mais grana): comprando um superpacote cultural. A continuação vem a lista comentada, e depois o final desta narração.

Comprei:

- O dito livro de HQ (não gosto da expressão graphic novel: quadrinhos são quadrinhos, e os quadrinhos são arte, e ninguém tem que se envergonhar, nem é preciso mudar nomes), de Matt Madden. Se trata duma história só, bem simples, narrada em quadrinhos 99 vezes (!). A história básica é assim: um cara sai da frente do computador, vai pra cozinha, e, quando chega perto da geladeira, ouve alguém num outro quarto perguntar: "Que horas são?"; o cara responde "A 1:15"; e abre a porta da geladeira e pensa: "Que diabos eu vim buscar?". A idéia é fazer, usando as possibilidades dos quadrinhos, o que Raymond Queneau fez, com a literatura (e uma outra história básica, sobre um cara num ônibus), no livro Exercices de style, que eu li na faculdade por recomendação dum professor (aliás, horrível) de literatura contemporanea. (Será que eu escrevo o nome dele aqui? Não, deixa.)

- Uma coletânea de histórias em quadrinhos publicada nos Estados Unidos no verão de 2005 e aqui agora: MOME.

- O romance (clássico) The Good Soldier, de Ford Madox Ford, uma triste história de amor que há tempos eu queria ler. É engraçado, porque foi esse mesmo professor (que, juro, era horrível: mau professor, desagradável, complexado, etc.) quem falava muito nesse autor. Eu achava esses nomes esquisitos e misteriosos: Ford Madox Ford, um, e William Carlos Williams, outro.

- O romance Everyman (em espanhol, Elegía), de Philip Roth. O comprei porque ainda não li nada desse Roth (tem vários Roth: acho que já li alguma coisa do Henry), e também porque a diretora catalã Isabel Coixet basea-se em este livro no seu novo filme, e também porque a Penélope Cruz (!), que vai estar no filme, recomendou o livro no jornal.

- O romance Rex, de José Manuel Prieto, cubano, porque também preciso ler em espanhol. Segundo a crítica, é um livro excelente, mas..., vamos ver, porque é uma coisa meio experimental. Tem uma crítica, na faixa do livro, que diz que é uma mistura de Proust e The Sopranos (o que não vou poder comprovar, porque nunca vi The Sopranos).

- E, finalmente, para não ficar só com papéis, para ouvi-lo no apartamento lá na praia, nos tempos mortos, o duplo CD Live in Dublin, de Bruce Springsteen, que acho que é mais folk do que rock, e que inclui o DVD do show.

Saí da megaloja superfeliz com meu superpacote, e fui tomar um pingado. E que é que eu li lá sentadinho? O conto? As contracapas dos livros? Alguma HQ? Que nada. O que eu li foi, claro, o jornal. Sendo que "I'm tired of reading everyday the same old things in the newspapers". E sendo que eu já tinha lido um jornal no café da manhã. O que há de errado comigo?

(Agora me dou conta de que poderia ter intitulado este post "Reasons Why I Love the US". Assim, minha amiga Kris não ficaria triste por esse "Reasons Why I Started to Hate the US" que escrevi há tempos...)

Saturday, July 07, 2007

Sobre o mar (escrito assim, sem pensar)

Coger un barco e ir mar adentro, como aquel pescador de Hemingway. Pero más, más adentro. Sin la intención de pescar, sin la intención de nada. Ir mar adentro solos. Y a lo mejor así llegar a... Nada. Alejarse simplemente de sí y de los demás. Ser hombre es realmente una condena. Tal vez no esté equivocada nuestra religión, puede que no todo sea un cuento. Se nos expulsó de algún lugar, se nos quitó o se nos dio algo. Pero echarse a la mar sería también inútil. La soledad es peor que este mundo. Coger ese barco y al cabo de mucho navegar descubrir otro mundo, un mundo nuevo de verdad, donde los hombres fuéramos... Todo se resume en el mar, que a nuestros ojos lo es todo y es nada. Y a ese impulso de navegar, de acercarse a ese todo y esa nada, y al fin de la condena.


... E sobre o rio (um poema de Dámaso Alonso que vem hoje no jornal, escrito quando ele estava em Harvard, à beira do rio Charles):

Yo me senté en tu orilla:
quería preguntarme, preguntarte, tu secreto:
por qué anhelas, hacia qué resbalas, para qué vives.
Dímelo, río,
y dime, di, por qué te llaman Carlos.

Wednesday, July 04, 2007

Traduccions de Brasil 29 (Canção pra você viver mais, de Pato Fu)


(Maravilha ficar tão perto da Fernanda Takai num show!)


Nunca pensé que llegaría el día
En que te oiría decir
Lo siento
Pero te voy a hacer llorar
Hoy te voy a hacer llorar

No me queda mucho tiempo
Tengo miedo de ser uno solo
Tengo miedo de ser sólo uno
Alguien a quien recordar
Alguien a quien recordar

Hace tiempo quise
Hacer una canción
Para que vivieras más

Dejé que todo desapareciese
Y cerca del fin
No encontré nada más
Y el amor seguía estando allí
El amor seguía estando allí

Monday, July 02, 2007

(We) Stupid Urbanites




Here we are, we stupid thirty-year-old urbanites discovering where rice comes from.

Sure, we knew these green flat flooded fields were rice fields. But where in the plant were the grains?

Someone said the rice plant was like the onion plant. So the rice had to be in the bottom end.

"You mean there's one rice grain in each plant?"

"NO MAN! That would make rice more expensive than oil!!! You'd need thousands of plants to make a kilogram! NO! There are lots of grains in the bottom!"

"You mean like, in a kind of green pocket?"

Fortunately, our guest, Nuria, was from the country (this is not China, it all happened about 200 km south of Barcelona, in the Delta del Ebre) and, after spending a very nice time at the beach, made us stop by the side of the road... and lead us out of ignorance.

We left some broken plants behind us, true, but we went back home a little bit wiser.

"Man, what did they teach us in school?"


PS: I realize that this post has nothing to do with Brazil... Hum. I'm getting wiser in Brazil too. Wait. Now I know how this thing called coffee that I can't live without looks like. And I've also had a cacao fruit in my hands. (But where was the chocolate???)

Tuesday, June 26, 2007

no maR


Ramon Cardús

(Clique na foto para ampliá-la.)


Palíndromo: No mar, Ramon.

(Que bom se a vida fosse uma praia...)

Tuesday, June 19, 2007

Chiste

¿Saben aquel de la actriz joven y guapa,
latina o norteamericana,
que triunfa en Hollywood y dice
que nadie le ha regalado nada?

Saturday, June 16, 2007

De sorrisos e peitos

Hoje, às 10 da manhã, levei minha vó ao médico.

Ao sair do portal, de braços dados, indo pegar o táxi, falei, só por falar: "Ai, ai". E então perguntei:

-Tu saps què diu la Gabriela?
(-Tu sabe o que a Gabriela diz?)

E aí minha vó, que estava olhando pro chão, dando seus passinhos miúdos, levantou a cabeça e olhou de repente pra mim, com os olhos iluminados e um sorriso e muito expectante:

-Què diu?
(-O que?)

(Depois eu pensei que minha vó estava me olhando com o mesmo olhar que eu, lá no hospital, segundo meu pai, dirigia àquela menina que aparecia no quarto e que minha memória não sabia bem onde alocar. Meu pai dizia que então minha cara se iluminava e eu ficava com um sorriso...)

E eu falei:

-Ella diu: "Ai, ai!".
(-Ela diz: "Ai, ai!".)

E ela:

-Ah sí?
(-Ah é?)

E continuamos a caminhar.

(Esse "ai, ai" em tom entre condescendente e divertido, que pode significar várias coisas, tem história. Durante um tempo, achei que fosse propriedade da Gabriela. Depois, ouvi outras meninas usar essa exclamação. Até que, há pouco tempo, a li num romance cuja história se passa no Rio Grande do Sul do século XIX. Ou seja, deve ser coisa gaúcha. Mas não posso mais estar seguro. Qualquer dia vou ouvir um nordestino falando "ai, ai".)

Achei muito legal que minha vó ficasse feliz só de ouvir o nome da Gabriela.

Lá no médico, vi os peitos da minha vó, porque ela quis que eu ficasse com ela. Falou: "Tu já viu tudo!". E é verdade, eu mais de uma vez entrei no seu quarto estando ela pelada (sem avisar e sem ela se importar com isso).

E os peitos dela ainda são lindos. Já sabia isso, porque minha irmã sempre fala isso, mas hoje eu posso dizê-lo com maior certeza: aos 87 anos, os peitos da minha vovó são lindos! Fiquei alegre com isso, sei lá por que.

(Na verdade, eu sei. É porque ela ganhou uma batalha ao tempo. Ela perdeu outras, claro.)

Friday, June 15, 2007

Traduccions de Brasil 28 (O Segundo Sol, de Nando Reis)



Cuando llegue el segundo sol
Para realinear las órbitas de los planetas
Derribando con asombro ejemplar
Lo que los astrónomos dirían que se trata de
Otro cometa

No digo que no me sorprendió
Antes de verlo, lo dijiste y yo no te pude creer
Pero puedes estar segura
De que tu teléfono va a tocar
En tu nueva casa que ahora abriga la banda sonora
Incluida en esta mi reconversión

Yo sólo te quería contar
Que salí ahí afuera y vi dos soles en un día
Y la vida que ardía
Sin explicación
Explicación
No tiene explicación
Explicación
No tiene explicación
No tiene, no tiene explicación
Explicación
No tiene explicación
No tiene explicación

Monday, June 11, 2007

Metáfora: Ser rico é poder marcar gols com as mãos

Post para os amigos do Brasil.

Na foto dá pra ver como marca os gols o F.C. Barcelona.

(Gabriela: acho que não vou usar mais a camiseta da seleção argentina. O Brasil "joga bonito", a Argentina "joga manual".)

Quero lhes contar uma noite de futebol estranha e engraçada e, no final, justa.

O meu Espanhol começou marcando no campo do F.C. Barcelona. Gol de Tamudo ("O Rei", como diz meu irmão Oriol; enfim, depois do Pelé né? :), que com esse gol se convertia no máximo goleador da história do clube.

Depois o Messi empatou desse jeito tão honesto da foto. Os jogadores do Espanhol ficaram indignados, quase queriam parar de jogar. "Qué vergüenza, qué vergüenza", dava pra ler nos lábios deles.

O Messi, no segundo tempo, marcou de novo. Dessa vez, um gol, vamos dizer, mais ortodoxo. Esse resultado dava o título do campeonato espanhol, que acaba na próxima semana, ao F. C. Barcelona.

Mas... apareceu de novo o nosso rei, Tamudo, empatando o jogo no minuto 89. 90.000 pessoas ficaram todas em silêncio. Porque desse jeito o campeonato, se não acontecer nada estranho na última rodada, vai ser para o Real Madrid, que tem um jogo fácil em casa.

Não que eu prefira o Real Madrid ao Barcelona. Simplesmente, é muito bom ganhar (ou quase) do máximo rival da cidade. No caso dos torcedores do Espanhol, ainda mais quando ele é tão podero$o como o F. C. Barcelona. Tanto que até pode marcar gols com as mãos.

(Se eu morasse em Madri, torceria pelo Atlético, porque sempre tive simpatia pelo mais fraco.)

Foi engraçada, também, a resposta do Tamudo a uma entrevistadora depois do jogo. Ela lhe deu os parabéns por ter marcado 112 gols com o Espanhol, e falou que só lhe faltava marcar um com a mão. E ele falou: sim, esse eu ainda não marquei não, mas se o tivesse marcado, teria sido invalidado.

Isso, para mim, é ter consciência da diferencia entre ser rico e ser pobre.

Não como eu, que sou um ingênuo e fico pensando: como um jogador pode marcar um gol desses e ter a cara-de-pau de comemorá-lo e não dizer que foi ilegal!

E outra: segundo a imprensa e a opinião geral, um gol assim não é coisa de tramposo, é coisa de experto. Que sociedade é essa? Quais são os valores do pessoal?

Este não é um post só sobre futebol.

Sunday, June 10, 2007

Tiredness


Ramon Cardús


I'm tired of working. I wanna have...

Saturday, June 09, 2007

Joventut de Badalona (Make an Assist)



I'm proud of my basketball team.

(Mmmm... Now that I see it, this post has nothing to do with Brazil. Well, we've got a good Brazilian player in the team: Marcelinho Huertas, paulistano, "eleito o melhor jogador do Sul-Americano conquistado pelo Brasil em 2006".)

(Quem fala é o armador Elmer Bennett, dos Estados Unidos.)

Wednesday, June 06, 2007

Weariness


Ramon Cardús


I'm tired of reading everyday the same old things in the newspapers.

Tuesday, June 05, 2007

Half Nelson

Ontem aconteceu uma dessas pequenas coisas boas. Fui no cinema com uns amigos. Chegamos lá e não tinha o filme que a gente queria ver. Tinha uns quinze, mas nenhum que a gente tivesse vontade de ver. Tinha filmes dos que a gente não sabia nada, e depois essas merdas (Spiderman 3, Piratas 3...; me desculpe quem goste, mas nem sequer os atores querem repetir essas experiências...). Todo o cartaz está uma merda nestes meses post-fevereiro, é sempre assim (meu irmão Oriol diria que "o cinema", em geral, está uma merda). Então a gente estava lá na bilheteria, na frente, com uma filona atrás de nós, sem saber o que fazer. E foi aí que o Arlo pegou as rédeas e escolheu ao acaso Half Nelson. Tudo bem. Pensei, no mínimo vamos melhorar nosso inglês. E foi bom também porque o filme começava mais tarde e assim eu podia jantar. Meus amigos já tinham comido, mas eu tinha ficado em casa vendo um jogo de basquete e ido direto ao cinema. Comi um sanduíche de sobrasada (não existe isso no Brasil, é coisa de Mallorca), e eles, queridos, me acompanharam comendo umas rações de batatas fritas. A gente conversou sobre viagens (vontade de viajar), amigos não presentes (Àlex, Cristina, Joan...), etc. E fomos ver o filme. Que não foi ruim, mas muito bom. O protagonista é um professor que dá aula de história a uma turma de (pre)adolescentes negros. E a protagonista é sua aluna preferida (e talvez mais inteligente), Drey. Ele, Dan, branco e magrelo, também é o treinador do time de basquete das meninas. E é viciado em crack. E tudo acontece numa periferia pobre duma grande cidade (agora sei que é Brooklyn, New York, mas podia ser qualquer outra urbe). Dan ensina à turma "dialectics", o processo mediante o qual os grandes câmbios teriam se produzido ao longo da Historia (marxismo, né?). Seria tudo um jogo de puxar, tirar, ceder, apertar... (Não é assim também, penso eu, nas relações humanas? Não tem post neste blog, parece ser, sem Renato Russo, e ele escreveu: "Estamos medindo forças desiguais / Qualquer um pode ver / Que só terminou pra você".) Dan, sempre muito dedicado a seus alunos, pede para eles fazerem atenção aos câmbios relativos aos chamados civil rights. Àqueles que, em algum momento da história dos Estados Unidos, favoreceram aos negros, aos homossexuais, ás mulheres. Mas... a história acontece num gueto, e esses câmbios são pouco perceptíveis. Dan é um homem solitário e viciado em drogas, como já falei. A escola, uma bagunça. Os alunos, todos pobres. O irmão da Drey está encarcerado por causa dum traficante "amigo"; a mãe trabalha como enfermeira 16 horas por dia; o pai... cadê o pai? O filme conta a história da amizade entre esses dois, menina e professor; uma amizade cheia de silêncios (que, engraçado, acho que chega ao ponto máximo quando ela, de fora do carro, chama ele de "asshole", e ele, de dentro, chama ela de "bitch"), em que a menina acaba sendo quem presta a ajuda maior. E conta, também, como o negro continua sendo discriminado. Os negros continuam sendo discriminados tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Ah!, mas tem esse Barak Obama running for President!, alguém dirá. Ao que o Chris Rock poderá responder (num de seus hilários e revoltados monólogos): BULLSHIT. E ao que a Oprah dirá... (mas vamos deixar a Oprah em paz, não gosto dela; aliás, ela é objeto de algumas piadinhas no filme...). A igualdade fica longe. Mas, o que eu gostei do filme, além dela e ele serem pessoas boas, queridas, e a paisagem, extranhamente, bonita (é lindo ver a menina andar de bicicleta pelas ruas do seu bairro), é que as personagens lutam. Não é como nesses filmes tipo American Beauty em que brancos de classe média vivem infelizes em subúrbios sem saber o que fazer. Não. Aqui a pobreza é maior, mas as pessoas lutam. Mesmo estando sós, mesmo não tendo perspectivas de futuro ou sendo viciadas em crack. Ao sair do cinema ganhei uma guloseima da Anna, e ao chegar em casa vi que o site de críticas Rotten Tomatoes dava ao filme um 91% fresh.

Monday, June 04, 2007

Traduccions de Brasil 27 (Contato imediato, de A. Antunes)



Aquest és un videoclip que m'ha enviat avui la meva amiga Rose. La Rose comenta el següent: "O Arnaldo fica dançando daquele jeitinho básico dele (feito um louquinho livre, soltando a criança que ele nunca aprisionou) hehehehe...". Sempre que veig l'Arnaldo Antunes recordo el concert de l'últim dia de Carnaval, a Salvador. Ell només era un dels convidats, però la manera com ballava i anava d'una banda a l'altra de l'escenari, saltant com un nen, amb els cabells de punta i la seva camisa blanca, deixant anar els braços, va ser el que em va emocionar més (la Rose ho descriu més bé: louquinho livre, soltando a criança). Va cantar amb el Carlinhos Brown i altres i després va fer sol, més quietet, una versió de "Bésame mucho". Coincideix que vaig regalar el CD on hi ha "Contato Imediato", Qualquer, al meu germà Oriol el dia del seu aniversari, fa dues setmanes. Vaig anar a la Fnac i no trobava res de bo res de bo nou: ni novel·les, ni còmics, ni pel·lícules, ni CD. Vaig acabar comprant-li dos llibres d'art del segle XX de la Taschen, una selecció de contes en anglès feta per l'Haruki Murakami (Birthday Stories) i música brasilera: aquest nou CD de l'Arnaldo Antunes i el nou del Caetano Veloso, Cê.

A la cançó es mencionen els globus de Sant Joan. Per Sant Joan, al Brasil, és tradició fabricar globus de paper (com petits globus aerostàtics), encendre'ls i deixar-los anar volant. Jo encara no ho he vist, i sé que a alguns llocs ho estan prohibint perquè cada any es produeixen incendis. Hi ha un conte molt divertit del Rubem Fonseca, "O balão fantasma", en què dos agents de la brigada d'intel·ligència de Rio de Janeiro han de descobrir on s'està fabricant el globus (balão) més gran que s'ha fet mai que ells anomenen O Fodão (El Jodido); globus que, llançat des d'una de les faveles, temen que pugui arribar a cremar tota la floresta da Tijuca (la selva que envolta Rio).


Contacto inmediato

Pido por favor
Si alguien de lejos me escucha
Que venga aquí a buscarme
Y me lleve a pasear

En su platillo volante
Como un enorme tiovivo
Atravesando el azul del cielo
Hasta aterrizar en mi patio

Si mi pensamiento dudase
Todos mis poros dirán
Que estoy dispuesto a embarcar
Sin preocuparme y sin temer

Ven a llevarme
A un lugar
Lejos de aquí
Libre para navegar
En el espacio sideral
Porque sé que soy

Parecido a ti
Diferente a ti
Pasajero de ti
A la espera de ti

En tu globo de San Juan
Que caiga aquí en mis manos
O en una pipa de papel
Llévame más allá del cielo

Si el corazón se disparase
Al levantar los pies del suelo
La inmensidad me abrazará
Y calmará mi pulsación

Lejos de mí
Suelto en el aire
En el amor
Libre para navegar
Yendo adonde sea
En tu platillo volante

Traduccions de Brasil 26 (Giz, de R. Russo)



Y a pesar de no verte
Creo hasta que me está yendo bien
Sólo aparezco, por decir así,
Cuando conviene
Aparecer o cuando quiero.

Dibujo en toda la acera
Se acaba la tiza, hay ladrillos de construcción
Dibujo el sol que la lluvia borró

Quiero que sepas que me acuerdo
Querría hasta que me pudieras ver
Eres parte aún de lo que me hace fuerte
Y, para ser honesto,
Sólo un poco infeliz.

Pero está bien
está bien
está bien

Ahí viene ahí viene ahí viene
Otra vez:
Creo que hay alguien que me gusta

Y es de ti que no me olvidaré.

Sunday, June 03, 2007

Traduccions de Brasil 25 (Vamos fazer um filme, de R. Russo)

Encontré una foto carnet tuya y no quise creer
Que había sido hace tanto tiempo
Un ejemplo de bondad y respeto
De lo que el verdadero amor es capaz

En mi escuela no hay personajes
En mi escuela hay gente de verdad
Alguien habló del fin del mundo
El fin del mundo ya pasó
Vamos a empezar de nuevo
Uno para todos y todos para uno

El sistema es malo, pero mi grupo es legal
Vivir es jodido, morir es difícil
Verte es una necesidad
Hagamos una película

Y hoy en día, ¿cómo se dice "Te amo"?

Sin aquello de: "Estoy muy solo"
Somos mucho más que eso
Somos pingüino, somos delfín
Hombre, sirena y colibrí
León, leona y león marino
Yo necesito y quiero tu cariño, libertad y respeto
Basta de opresión
Quiero vivir mi vida en paz

Quiero un millón de amigos
Quiero hermanos y hermanas
Debe de ser obsesión mía
Pero la única manera todavía
De imaginar mi vida
Es verla como un musical de los años treinta
Y en medio de una depresión
Verte y tener belleza y fantasía

Y hoy en día, ¿cómo se dice "Te amo"?
Hagamos una película

Te amo
Te amo
Te amo

Saturday, June 02, 2007

Traduccions de Brasil 24 (Lugar nenhum, de Titãs)

(Hoy y mañana en la Sala Razzmatazz de Barcelona.)

No soy brasileño
No soy extranjero
No soy brasileño
No soy extranjero
No soy de ningún lugar
Soy de ningún lugar
No soy de São Paulo, no soy japonés
No soy carioca, no soy portugués
No soy de Brasilia, no soy de Brasil
Ninguna patria me parió
Yo no estoy allí
Yo no estoy aquí

(Oncinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto é que vai ter!)

(Estas letras podrían ser de Arnaldo Antunes, ex de Titãs...)