Saturday, December 06, 2008

A casa dos espelhos e A rainha dos cárceres da Grécia

Romance de Sergio Kokis sobre a vida de um pintor exilado em um país da América do Norte – supostamente o Canadá – e sua infância e adolescência no Rio de Janeiro; sobre a pobreza e a miséria em todas suas facetas; sobre a educação e formação do indivíduo, a persistência das lembranças, a construção da identidade, a desumanização, o desenraizamento.

Com muitos seios, bundas, cheiros, cores, sexo, sonhos, buscas. Mas também com mortos, mendigos, afogados, prostitutas, famintos, crianças disformes, cadáveres anônimos.




OK, falta um coração para o máximo (segundo o sistema de cotações de Maria, Rainha da Suécia - como Sergio Kokis, carioca "exilada"). Mas é que cinco corações eu guardo para meu descobrimento do ano, Osman Lins (ai, espanhol ignorante), de quem li A rainha dos cárceres da Grécia.


O livro de Osman Lins não é sobre rainhas, nem sobre cárceres, nem sobre a Grécia (ainda bem que não é nada disso, eu estava com medo quando o comprei). É sobre um escritor que intenta contar o romance que sua amante falecida escreveu e não publicou. Metaficção, então. Mas (atenção!) surpreendentemente não chata. Muito pelo contrário: várias histórias de amor intensas, uma incrível recriação do Recife de hoje e do passado e de seus habitantes, e uma humana descrição das dificuldades e os prazeres da escrita.





PS: Ambos os livros estavam na lista da disciplina da professora de literatura da PUCRS Ana Mello, a quem agradeço por tê-los escolhido. (Mas Angústia, de Graciliano Ramos, não precisava. E aquele outro do Cony, também não.)

PS2: Todos os livros de Kokis podem ser lidos em francês - ganharam todos os prêmios possíveis no Canadá, devem ser bons. Le pavillon des miroirs foi o único traduzido ao português. De repente não traduziram os outros por ele descrever um Brasil... não muito bonito?

9 comments:

Anna Faedrich said...

Puxa... "pelas ruas de minha memória"... não consta nada a respeito da tua leitura do Quase Memória... rsrsrsrsrs
mas pelo menos agora eu JÁ sei por que tu implica com o CONY!
hehehehehe

;)

O Kokis foi o prazer do semestre, né? Principalmente pela parceiria de trabalho, fala sério!! rsrsrsrs

p.s.: vou traduzir os outros romances do Kokis, podeixá! ;)

Até 2015 eu faço isso. rsrsrsrs

Estrangeiro de toda parte, ser de lugar nenhum: beijo pra ti!

Roger said...

Obrigado pelo beijo, mas eu não quero ser nem um estrangeiro de toda parte, nem um ser de lugar nenhum.

O Cony,... tem livros que não é preciso ler, né? Ao contrário daquele que dizia que "la chair est triste, et j'ai lu tous les livres", a vida é curta e há muitos livros bons para ficar lendo os que não o são...

Beijo!

Roger said...

"pelas ruas de minha memória"... uma criança escreve uma metáfora melhor...

Anna Faedrich said...

só pra deixar claro aos que não sabem: não é minha a metáfora... rsrsrs ;)

quanto ao "estrangeiros para nós mesmos", isso é novidade pra mim. Depois conversamos.

Outro beijo, então.
:p

Anna Faedrich said...

ah, só coloquei isso do "desenraizado" em referência a Kristeva.

Roger said...

Não, a metáfora (que está entre aspas!, Anninha!) é do cony (<- catalão) do Cony (<- português). :p

Anna Faedrich said...

"mas pelo menos agora eu JÁ sei por que tu implica com o CONY!"... era por causa disso: cony (<- catalão)

rsrsrsrs

entendeu?

hehehehehe

bises

Anna Faedrich said...
This comment has been removed by the author.
Anna Faedrich said...

siiiiiiiiiim, mas poderia estar entre aspas referindo alguma coisa que euzinha teria falado anteriormente... rsrsrs

tudo bem, nem me importaria de ter dito que minha memória tem ruas... ;)

11:33 AM