Eu estava procurando a forma correta de escrever "cabo-verdiana", para o relatório de um curso de poesia africana ao que assisti, e dei com esta cantora, Mayra Andrade. (Como é bom googlear... :) (Essa, a Rose, que conhece tudo, não deve conhecer. ;)
Tuesday, July 14, 2009
Monday, July 13, 2009
Thursday, July 09, 2009
Um irmão em busca de si, parte e 4
Este vídeo é um presente para meu irmão Uri, que terminou o Camino de Santiago, mas, ao não conseguir adiar o vôo de volta a Barcelona, não pôde caminhar mais uns dias, até Finisterre, como ele queria. Uri, aqui tens o vôo, pelas paisagens quase virgens da Galícia, até o fim da terra, onde espera o mar - ou uma mulher.
Esta é sua crônica:
Sei que parece impossível, sei que muitos não acreditavam em mim, sei que sua fé em minhas pernas não era superior à minha, mas a vida é assim, surpreendente e maravilhosa.
730 km a pé dão muitas histórias, e a palavra escrita não basta. Mas, vou dizer. Neste mês fui benzido mais vezes do que em toda minha vida. Por 300 km caminhei ao lado de Frodo, o portador do anel, deveriam ter visto seus pés. Lavaram e beijaram meus pés como Jesus fez com os apóstolos, fui ordenado cavaleiro da ordem dos Templários, dormi em chãos duros de ginásios e chãos ainda mais duros, de pedra. Caminhei de dia e de noite, sob a chuva e sob o sol, só e em companhia, com hobbits e com bruxas, e enfrentei cachorros e outros animais. Vi uma cabeça aberta ser fechada com grampos. Dansei e bebi e cantei à saúde da vida, dormi em lugares que nunca imaginariam, ouvi sons horríveis produzidos por homens. Conheci pessoas dos cinco continentes. Caminhei 41 km em um dia. Furei minhas bolhas, passei creme em minhas coxas, isso foi o mais perto que estive do sexo. E depois de 31 dias, cheguei a Santiago.
Não virei maluco, não saí dos trilhos. Nunca estive tão são, e o Camino me ensinou que a loucura é o dia a dia que vivemos neste mundo ocidental, que pirou. Não vou fazer discursos. São as ações, não as palavras as que valem. Mas minha vida a partir de agora vai seguir um caminho mais Tao, porque o Camino de Santiago é somente o mais curto dos caminhos que devemos recorrer. Mas é importante, porque é o primeiro.
Minha barriga não sumiu, deve ser genética, porque eu emagreci, e ela segue aqui, tão redondinha, bonitinha, orgulhosa de si. Fiquei bronzeado, mas o bronzeado pelegrino é antiestético, vou ter que ir à praia de manga comprida. Aprendi que não importa quanto tempo a gente fique esfregando sabão, se ao lado, na única privada, 60 pelegrinos defecam. Como caminhar tanto deixa o interior do corpo podre! Posso dizer que The North Face gasta mais em propaganda do que em produtos, e que os Compeed estão superestimados. E já não tenho mais vergonha de entrar na farmácia e pedir dois potes de vaselina, por favor. [Antes tinhas, Uri, irmão?]
O Camino é grande e rico em experiências. Mas não é assim que a vida deveria sempre ser?
Finalmente, é bom lembrar: a vida passa, mas o caminho se faz.
PS nada a ver: Roger índio:
PS 2 nada a ver (divulgando a literatura em catalão):
Monday, July 06, 2009
Last Chance Harvey
Sexta-feira, antes da compra do CD na Cultura, fui com a Anna (ela fez suas compras na Cultura antes: que agendas lotadas!) ver o filme Last Chance Harvey. O filme mais cheio de humanidade e amor que eu vi desde Away From Her. Foi mais uma recomendação do psicólogo Contardo Calligaris, que está sempre ali, na Folha, para falar sobre filmes ou romances que desvelam aspectos dos relacionamentos humanos (vou ver se depois recupero alguma coisa do que ele escreveu). Aqui se fala não só da possibilidade do amor entre um homem e uma mulher de mais de 50 anos, desiludida, ela, e "derrotado", ele, mas também do relacionamento de um homem e sua ex-mulher e, sobretudo, de um pai e uma filha por muito tempo afastados. (O trailer não faz justiça ao filme - quer vendê-lo como uma comédia -, e o título em português, Tinha que ser você, também não.)
Sunday, July 05, 2009
Pelo sabor do gesto
Comprei o novo CD de Zélia Duncan na sexta-feira. A turnê começou este final de semana em Niterói, sua cidade natal, e este vídeo, do primeiro show, foi postado hoje (por "Carmenen"). A música, que dá nome ao CD e à turnê, é uma versão da canção francesa "As-tu déjà aimé?", de Alex Beaupain.
Tuesday, June 30, 2009
Um irmão em busca de si, parte 3
Lo que más lamento es no haber escrito diarios de mis viajes. Nunca pensé tanto, nunca viví tanto, existí tanto, fui tanto yo mismo, si se puede decir así, como en esos viajes que hice solo y a pie. Ir a pie tiene algo que anima y aviva las ideas. Casi no puedo pensar cuando estoy inmóvil. Es necesario que mi cuerpo se mueva para que mi espíritu lo haga. La vista del campo, la sucesión de aspectos agradables, el aire libre, el gran apetito, la buena salud que adquiero al caminar, la libertad de los albergues, el alejamiento de todo lo que me hace sentir dependiente, de todo lo que me recuerda mi situación, todo eso me desembaraza el alma, me da una mayor audacia de pensar, me pone de un cierto modo dentro de la inmensidad de los seres para combinarlos, escogerlos, apropiarme de ellos a mi voluntad, sin incomodidades y sin recelos. Dispongo, como señor, de la naturaleza entera. Mi corazón, errando de cosa en cosa, se une, se identifica con lo que le agrada, se envuelve de imágenes encantadoras, se embriaga con sentimientos deliciosos.
Uri ya debe de estar llegando a Santiago pero no ha vuelto a escribir. Tal vez tenga llagas también en las manos, de tanto masajear piernas peregrinas. O a lo mejor está tan iluminado, después de tantos días de camino, que no puede expresarse con palabras (el viaje, al fin y al cabo, él lo dijo, es interior). Así que, para continuar la serie de posts sobre la búsqueda de sí, aprovecho para compartir otro fragmento de Rousseau, que escribe mejor que mi hermano (Confissões, Livro quarto). Esta vez en castellano.
Uri ya debe de estar llegando a Santiago pero no ha vuelto a escribir. Tal vez tenga llagas también en las manos, de tanto masajear piernas peregrinas. O a lo mejor está tan iluminado, después de tantos días de camino, que no puede expresarse con palabras (el viaje, al fin y al cabo, él lo dijo, es interior). Así que, para continuar la serie de posts sobre la búsqueda de sí, aprovecho para compartir otro fragmento de Rousseau, que escribe mejor que mi hermano (Confissões, Livro quarto). Esta vez en castellano.
Sunday, June 28, 2009
Friday, June 26, 2009
Monday, June 22, 2009
Pacote cultural
Quinta-feira fui trocar o livro Suicídios Exemplares, do escritor espanhol Enrique Vila-Matas. O comprei porque saiu agora no Brasil e porque achei que era da época de antes dele virar chato. Mas bastou ler um dos contos para ver que não, que então ele já era chato. E o troquei. (Vila-Matas, não me enganas mais.) (Nota: Há quem possa gostar dele, não é que ele seja um escritor ruim.)
O troquei pela HQ O chinês americano, de Gene Luen Yang, indicado ao National Book Award americano. Muito bom. Não é como esses comics autobiográficos sobre problemas pessoais do autor. É isso, e muito mais, porque à história da adaptação de um garoto chinês a um colégio norte-americano se mistura uma antiga lenda chinesa, a do Rei Mono, maravilhosamente contada e ilustrada (dá para ver o Rei Mono, sob uma montanha de pedras, de braços esticados, no fundo amarelo da capa). Com ambas histórias, entrelaçando-as, o autor faz uma reflexão bem pé no chão sobre a aceitação da identidade individual. Os desenhos e as cores, em cada página, são um prazer.



Esse mesmo dia, de tarde, fui com a Anna à Fnac. Chegou a Fnac a Porto Alegre, e me senti como se estivesse na Illa Diagonal, em Barcelona, foi esquisito. Lá só comprei a New Yorker e a Esquire. Por que comprei a Esquire? Não sei. Bom, a comprei porque tinha um conto de Stephen King, com uma chamada muito atraente na capa: as primeiras linhas do conto pintadas no corpo de uma modelo brasileira. E porque Stephen King tem prestígio nos Estados Unidos (não na Europa, onde é considerado um escritor de best-sellers). O conto não é nada demais, mas tudo bem, valeu a pena lê-lo. Mas a revista? Quero criticar aqui essas revistas para homens. Para que tipo de homens são? E se a Esquire é a melhor de todas elas... nossa, eu quero descer. Parece uma revista escrita por crianças para crianças. Por babacas para babacas. Com textos de meia página supostamente engraçados sobre os temas mais banais (tipo, a cor das meias). Fiquei indignado. Desfiz a revista: guardei só o conto e uma reportagem sobre um menino narcotraficante e assassino na fronteira USA-México.
A New Yorker está ótima, como sempre. O número é de meados do mês de abril, e estamos quase em julho, e isso chateia um pouco, mas as reportagens não têm data de vencimento. Li uma dedicada ao uso de estimulantes pelos estudantes das melhores universidades. Não são estimulantes tradicionais. São medicamentos geralmente receitados a pessoas com doenças como o déficit de atenção, ou o Alzheimer, que circulam pelos campi como antes circulava a cocaína. São, em inglês, neurohenancers, potenciadores neuronais. E quem os toma pode ficar a noite inteira escrevendo papers. Em algumas faculdades, 25% dos estudantes estão dopados. E isso levanta questões, é claro: os outros estudantes, por exemplo, acham o uso desses medicamentos pelos colegas injusto. Mas parece que os expertos não são muito contra, e alguns dizem que, assim como foi aceita a cirurgia estética, será aceita esta "cirurgia neuronal". Interessante, mas eu não quero problemas, fico com o café (que é um neuroenhancer, também).






Tuesday, June 16, 2009
Um irmão em busca de si, parte 2
Coisas que o meu irmão Uri, que está fazendo o Camino de Santiago, escreveu em seu último e-mail:- A luz é o caminho e o apóstolo meu destino.
- Eu sou o irmão peregrino, mas em verdade vos digo que isto não é mais do que uma redundância, pois não é que somos todos peregrinos, nesta vida?
- Estivemos em Burgos, em cuja plaza mayor parece ter caído uma bomba atômica. Está se repetindo o seguinte padrão: paisagem maravilhosa - cidadezinha horrível.
- Não vou dar nenhuma explicação das revelações extraordinárias que eu tenho, pois o caminho é interior e é difícil explicar esse tipo de coisas.
- Caminhamos 20 kilometros de noite, com chuva, na companhia de três peregrinos, bebendo cerveja, muy chulo.
- Cada dia que passa cresce a minha determinação de não voltar jamais ao mundo da publicidade.
- Hoje é o dia em que me ordenam templário, desde agora serei um cavalheiro e levarei a cruz.
- Enquanto passeio pelas bonitas paisagens que este país desconhecido me oferece, rezo cada dia por vocês.
- 20 minutos de internet custam um euro peregrino.
- O Camino não tem preço.
- Quanto a meus progressos espirituais (é isso, e não outra coisa, o que está escrito em meu passaporte peregrino: "motivos espirituais"), vão indo. Os primeiros dias, meu cérebro era um torrente de revelações tão grande que achei que não ia ser capaz de assimilar tudo. Mas as coisas estão entrando em seu ritmo e agora as revelações são mais pausadas.
- Tenho sonhos perturbadores (três por noite).
- Como pode o ressonar humano ser mais forte do que o rugido dos animais?
- Uri 1 - Bolhas 0. O segredo é a vaselina. (Foto acima.)
- Agora vem a parte mais dura do Camino, o páramo castellano: etapas planas, retas, tediosas, à beira da estrada, através de polígonos industriais, sob um sol de 40 graus. Etapas em que o peregrino se questiona sobre o sentido da vida ou as perversões sexuais das baleias.
- Meu amigo peregrino só fala: "Podia ser pior".
- Amai-vos e amai os vossos irmãos.
- O Quixote é uma obra-prima. Diminui tudo o que eu já li.
PS: "Só viajei a pé nos meus dias felizes, e sempre com delícias." (Confissões, Rousseau)
Sunday, June 14, 2009
"Qual é o seu nome?" Ao que ele respondeu: "Meu nome é Legião, porque somos muitos."
Adoro trabalhar neste cibercafé. O melhor computador fica reservado para mim. Os cafés, para mim são de graça. A música é quase sempre Legião, canções que, de tão escutadas, ouço sem escutar, não me atrapalham, são como afagos passados.
Friday, June 12, 2009
Y hoy es el día de los enamorados!
En Brasil! Y J. Simão dice: Habrá overbooking en los moteles! Que amor empieza en motel y termina en pensión! Y sabes cómo hacer que tu novia siga gritando después del coito? Límpiate la picha en la cortina! Hahaha! Y una amiga me dijo que su primer novio fue un pastor. Un pastor alemán. Hahaha! Y hay otra que quiere pasar el Día de los Enamorados en estado de coma. Que venga alguien y me COMA, por el amor de Dios! Y otra que quiere tener orgasmos múltiples CON ECO. Para que todo el edificio se entere de que tiene novio! Si no no tiene gracia! Y el mejor novio del mundo es el manco. Porque cuando te da la patada el que se cae es él. Y sabes qué le dice el manco a la manca? Ponte de tres patas! Hahaha! Y la recomendación de cada año: si tu novio te traiciona no te tires por la ventana! Tienes cuernos y no alas! Y sabes cuándo la pareja se va al garete? Cuando te comes más sapos que conejos! Es flojo? Es flojo pero agita que verás lo que sucede! Y aquí en São Paulo hay una boate perfecta para el Día de los Enamorados llamada BAKANAL! Perfecto para un momento romántico a dos. Dos en cada lado. Dos por minuto. Hahaha! Sufrimos, pero gozamos!
PS do Roger: E eu vou fazer uma tortilla de patatas para a minhaNNamorada!!!!
PS do Roger: E eu vou fazer uma tortilla de patatas para a minhaNNamorada!!!!
Tuesday, June 09, 2009
Thursday, June 04, 2009
Um irmão em busca de si

Meu irmão Oriol partiu para uma viagem diferente da minha. Foi fazer o Camino de Santiago. Tem muita gente no Brasil interessada em ir a Espanha para fazer esse caminho (em vez de, sei lá, visitar Barcelona, Madri, ou Al-Andalus; ou de ir até o Cusco, que fica mais perto, e fazer o caminho do Inca), então, enquanto espero alguma das crônicas que ele disse que ia mandar, vou comentar um pouco sobre sua partida.
Meu irmão é um maldito ateu, ou seja, não esta cumprindo nenhuma penitência. Não é um peregrino, como ele me disse no último e-mail. Também não é um hippy, longe disso. Então, o que ele foi fazer? O que o levou a querer caminhar durante um mês e meio, até os pés ficar cheios de bolhas, calos e sangue? (Nota: Meus pais são mais inteligentes. Uma vez por ano, vão de carro até um ponto do caminho; caminham por cinco dias; voltam a Barcelona, e até o ano que vem. Fazem o caminho por trechos. E tem mais: um cara da turma que não caminha faz o roteiro do dia de carro, carregando as malas dos outros, comida, etc. E isto eu não deveria dizer, mas... acho que dormem em hotéis! Como a Igreja Católica aceita qualquer coisa, eles têm seus documentos carimbados igualmente...)
O Oriol escreveu aquele verso: "Caminante no hay camino, se hace camino al andar", mas isso serve mais para a minha viagem (a escrita de um romance) do que para entender a sua. E, também: "El camino está en el corazón de quien lo hace", que é uma cafonice que nem dá para entender. Mas ele já me avisou: "Muito tem se escrito sobre os caminhos e a vida, e não é a minha intenção me pôr a fazer frases".
Diz que é um desafio pessoal e espiritual... "bastante espetacular para minha humilde natureza". (Eu acho que é mais uma espécie de procrastinação enfeitada, mas não vou dizer isso.)
O que ele busca? "Paz, amor e fé." (Podia ter voltado a Salvador de Bahia.) Fé não católica, ele acrescenta (já disse: maldito ateu!). Quer, também, "carregar as baterias" para enfrentar uma nova etapa vital "mais ativa e produtiva sobretudo pelo que diz respeito à arte cinematográfica, e menos pelo que diz respeito à publicidade". (Ainda bem que ele não escreveu "a arte da"; mesmo assim, eu fiquei puto, porque nessa frase está implícito um não abandono total dessa atividade que, em meu entender, poderia ser extirpada da face da terra e ninguém sentiria sua falta; o cinema, entretanto, está precisando urgentemente de pessoas que o tirem do fundo do poço.)
Ele procura, também (mas acho que ele diz isso de cara a la galería, isto é, para que as pessoas vejam), "um rencontro com um estilo de vida mais simples e natural", que o leve "longe do doente mundo ocidental" e perto de "coisas tão básicas quanto dormir com sono, comer com fome, descansar por cansaço, e sentir o trino dos pássaros ao amanhecer".
Não sabe o que vai encontrar, mas acredita que vai encontrar alguma coisa, pois escreve, cheio de mistério: "Todo o mundo que fez o caminho me disse que encontrou coisas".
Eu não sei o que ele vai encontrar, mas lhe adverti por telefone que dois preservativos era pouco. Respondeu que a aventura era espiritual, e que de qualquer jeito no caminho havia farmácias...
Não vai sozinho, vai com seu amigo Gerard, "e com todos aqueles irmãos que o destino ponha em paralelo aos meus passos, que tenham vontade de bater um papo e esquecer as dores do corpo (se são irmãs e lindas, muito melhor)" (ele que disse).
Prometeu à minha avó que não ia virar padre.
Não vai sozinho, vai com seu amigo Gerard, "e com todos aqueles irmãos que o destino ponha em paralelo aos meus passos, que tenham vontade de bater um papo e esquecer as dores do corpo (se são irmãs e lindas, muito melhor)" (ele que disse).
Prometeu à minha avó que não ia virar padre.
Disse que ver que tudo aquilo do que ia precisar cabia em uma mochila de 9 kilos lhe fez pensar.
Jurou aos irmãos (aos irmãos de sangue) que não tinha enlouquecido.
E, por último, me disse ao telefone que, como leitura, levava o Quixote. Eu lhe disse que melhor do que isso só os sete volumes de Proust, e ele me mandou calar a boca, me contou sua estratégia: não ia carregar o tijolão o tempo todo: ia ler e arrancar as páginas lidas. Eu só posso me curvar ante idéia tão engenhosa.
Vou pensar em uma recompensa para ti, irmão, se daqui a 45 dias chegas inteiro a Santiago.
Jurou aos irmãos (aos irmãos de sangue) que não tinha enlouquecido.
E, por último, me disse ao telefone que, como leitura, levava o Quixote. Eu lhe disse que melhor do que isso só os sete volumes de Proust, e ele me mandou calar a boca, me contou sua estratégia: não ia carregar o tijolão o tempo todo: ia ler e arrancar as páginas lidas. Eu só posso me curvar ante idéia tão engenhosa.
Vou pensar em uma recompensa para ti, irmão, se daqui a 45 dias chegas inteiro a Santiago.
Thursday, May 28, 2009
Contadores de histórias
Uma parte do público; Jéssica; Anna; Ariane; Cibele; Carol; André;
Celso (o professor); Tiago; alguns dos contadores, no fim do dia.
Ontem, no espaço do CELIN, na universidade, foi a jornada de contação de histórias, em que um grupo de alunos de mestrado e graduação (principalmente de Letras, mas não só) mostraram tudo o que aprenderam na Oficina de Contação de Histórias ministrada nos últimos dois meses por Celso Cisto, contador de histórias, escritor e colega de mestrado também. Eles, como a Anna escreveu no seu blog, fizeram a ponte entre as histórias e o público (nós, os tímidos). Durante os dois meses, diz a Anna, descobriram talentos que nem imaginavam que tinham, e viram como é possível tocar, emocionar as pessoas com uma coisa "tão simples, tão primitiva, tão comum" como contar uma história. "Essa turma de oficina, com certeza, se sente como se tivesse matado um 'dragão', pois o desafio foi grande (decorar, enfrentar o público, exposição, atitude, etc.). Mas o resultado foi lindo e o grupo formado segue numa sintonia e harmonia sem igual. Como diz o ditado, 'a união faz a força', e quando sentimos isso... é muito bom!" Foi um baita sucesso, especialmente para eles, profissional e pessoal. Para o público foi um prazer. E para mim foi muito emocionante, uma honra, pois a Anna escolheu contar, e contou com muito carinho, Uma canoa, um rio, com participação do Tiago no violão: eles e parte do público cantaram "A canoa virou":
A canoa virou,
Quem deixou ela virar?
Foi por causa do Alcindo
Que não soube remar.
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Eu tirava o Alcindo
Lá do fundo do mar...
PS: O dia depois:
Carol, Anna e Cibeli: o trio maravilha.
PS2: Minha mãe adorou a letra de "A canoa virou". Então, para ela saber como é a melodia, vai aqui uma versão que achei no YouTube.
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Tuesday, May 26, 2009
Per molts anys, Uri
Perdí veinte de 29 amistades
Por culpa de una piedra en mis manos
Me emborraché y morí 29 veces
Estoy aprendiendo a vivir sin ti
Ya que tú no me quieres más.
Pasé 29 meses en un barco
Y 29 días en prisión
Y a los 29, con la vuelta de Saturno
Decidí empezar a vivir.
Cuando tú me dejaste de amar
Aprendí a perdonar
Y a pedir perdón.
Y 29 ángeles me saludaron
Y tuve 29 amigos otra vez.
Saturday, May 23, 2009
Nossas antigas escolas

Foto de Uri.
Meu irmão Oriol levou um exemplar de meu livro (meu e da Raquel) à minha professora de literatura espanhola de segundo grau, Carme. Eu queria muito que ela o tivesse, pois foi quem, junto com os meus pais, despertou em mim o interesse pela literatura. Ele, o Uri, ficou feliz, porque além de falar com ela e com um outro professor também muito querido (professor de filosofia, marido dela), aproveitou a chance para visitar aquele que foi o nosso colégio (que, depois de mais de trinta anos, abandona o prédio da Av. Josep Tarradellas, muda-se para um novo endereço). Ele me escreveu sobre a experiência, disse que o simples cheiro do colégio lhe trouxe um monte de sensações e lembranças - todas boas - que lhe deixaram no rosto "um sorriso estúpido". Rever o Fórum (espaço central do colégio; lugar suficientemente grande para que os estudantes do mesmo ano pudéssemos nos reunir), o corredor ("passadís del silenci", era chamado, porque no corredor não se podia falar, quem era pego falando era levado para a sala de coordenação), as salas de aula, etc. significou para ele uma baita viagem ao passado - feita em um momento especial, porque, como digo, o colégio inteiro se traslada para a outra ponta da cidade; deixa de ser como foi para mim, ele e meus outros irmãos (e muitos de meus melhores amigos).
O Uri aproveitou para tirar a fotografia acima, que pediu que eu postasse no blog. É linda, e muito representativa do colégio. Essa parede é um enorme horário no qual estão representados todos os anos (seis: os alunos entram com 12 e saem com 18 anos), todos os dias da semana, todas as horas, todas as disciplinas, os tipos de classe (teórica, prática, seminário, prova), as salas de aula. Nunca uma semana é igual a outra (e isso tem um valor educativo), os alunos só sabem as aulas que têm na semana em curso (se olham o horário; também é bom não olhar). Não sabem o que têm na outra semana, e assim terça nunca é a mesma terça, quinta pode ser um dia chato, ou o melhor dia da semana...
Dois dias antes do e-mail e a foto de meu irmão Oriol - coincidência -, recebi, da minha irmã (ou seja, da África) o artigo de um jornal de Barcelona que comemora a criação de um novo parque para a cidade. Só que... esse parque foi uma vez o pátio da nossa escola de primeiro grau. O lindo e antigo prédio da foto era a escola - há dez anos deixou de ser, por perigo de desabamento, mas continua em pé. E esse espaço tão enorme era exclusivo para nós, era o nosso pátio, com figueiras e outras árvores, com chão de terra, com uma quadra de basquete e futebol, onde tínhamos aula de ginástica. Mas, como conta o artigo, talvez o mais interessante fosse o que fica (ficava: agora isso é parque também) fora da foto, às margens direita e inferior: atrás dos muros da escola havia uma pequena floresta urbana, e os alunos pulávamos a barreira para ir brincar de exploradores. A maior aventura era entrar em um túnel escuro, de uns quatro metros de diâmetro, que era ao mesmo tempo riacho e parte da rede de esgoto; nós, meninos, dávamos as mãos às meninas e íamos avançando pelas estreitas passagens laterais, cuidando de não cair na água nojenta; avançávamos até não ver mais a entrada (escuridão quase total), até o túnel se bifurcar em outros, até descobrir amplas salas onde, às vezes, vimos homens! Os primeiros preservativos que vimos na vida estavam lá, no chão dessa "floresta", assim como as primeiras seringas usadas. E tínhamos medo dos sapos e as cobras, e de velhos solitários que às vezes apareciam do nada. Agora isso é um parque municipal, e, como diz o artigo, o parque infantil (na foto, o espaço com chão de areia) mais parece um jardim de esculturas de um museu de arte moderna.Minha irmã se indignou. Não gosta da Barcelona fashion, que, ela diz, acaba com os espaços naturais, ordena e higieniza tudo. Não gosta dos novos arquitetos, que "destroem os espaços de mistério", "fazem de Barcelona uma cidade asséptica, sem segredos"... E compara as crianças da cidade com as crianças que ela vê na Guiné Equatorial, pendurando-se nas árvores, brincando no barro e na água, jogando futebol sob a chuva, "ágeis e integradas com a natureza", "crescendo mais espertas que as crianças catalãs".
Wednesday, May 20, 2009
"Ela também lê Una barca...
Tuesday, May 19, 2009
Si paseas una tarde por la nueva Barcelona
[De mi querido hermano Ramon (las fotos y el texto).]
Estos últimos días, mi compañero y fiel amigo Maiol y yo hemos salido a fotografiar la que para mí es y será la nueva Barcelona. Ni Fòrum, ni Diagonal Mar [Ramon: no es lo mismo?]. La zona de Gran Vía de entrada a la ciudad ha sufrido un cambio espectacular. Empezó con la Fira, luego el Hotel Evo de Sir Richard Rogers y el nuevo delta del río Llobregat; y ahora estrenamos, finalmente, la Torre del maestro Ito (para mí el mejor edificio moderno de la ciudad) y la Ciutat de la Justícia. Y eso, evidentemente, acompañado de la creación de parques y zonas verdes y nuevos equipamientos. Te envío unas fotos porque creo que el blog merece un artículo sobre este cambio. La verdad es que empezaba a estar hasta los **** de los socialistas, pero si paseas una tarde por la nueva Barcelona, se te revienta el **** de felicidad y admiración (el título del artículo, si me permites, "Si paseas una tarde por la nueva Barcelona).
Recuerda que tu ciudad te echa de menos.

Fira de Barcelona.

Hotel Congress.

Ciutat de la Justícia. (Ramon pide
disculpas por la calidad de la foto,
dice que fue tirada con el iPhone,
siempre está comprándose cosas
inútiles. Yo lo que veo es que falta
un acento en "justícia", Ramon,
díselo al alcalde.)

Torre Toyo Ito.
[... Y para contrarrestar tanta frialdad arquitectónica, una foto en otro estilo (con personas!... aunque muertas) también de Ramon.]

(Todavía no me ha contado la historia de esta foto. Me dijo que
era un trabajo sobre la Biblia, pero en la Biblia no salen pistolas.)
Estos últimos días, mi compañero y fiel amigo Maiol y yo hemos salido a fotografiar la que para mí es y será la nueva Barcelona. Ni Fòrum, ni Diagonal Mar [Ramon: no es lo mismo?]. La zona de Gran Vía de entrada a la ciudad ha sufrido un cambio espectacular. Empezó con la Fira, luego el Hotel Evo de Sir Richard Rogers y el nuevo delta del río Llobregat; y ahora estrenamos, finalmente, la Torre del maestro Ito (para mí el mejor edificio moderno de la ciudad) y la Ciutat de la Justícia. Y eso, evidentemente, acompañado de la creación de parques y zonas verdes y nuevos equipamientos. Te envío unas fotos porque creo que el blog merece un artículo sobre este cambio. La verdad es que empezaba a estar hasta los **** de los socialistas, pero si paseas una tarde por la nueva Barcelona, se te revienta el **** de felicidad y admiración (el título del artículo, si me permites, "Si paseas una tarde por la nueva Barcelona).
Recuerda que tu ciudad te echa de menos.

Fira de Barcelona.

Hotel Congress.

Ciutat de la Justícia. (Ramon pide
disculpas por la calidad de la foto,
dice que fue tirada con el iPhone,
siempre está comprándose cosas
inútiles. Yo lo que veo es que falta
un acento en "justícia", Ramon,
díselo al alcalde.)

Torre Toyo Ito.
[... Y para contrarrestar tanta frialdad arquitectónica, una foto en otro estilo (con personas!... aunque muertas) también de Ramon.]

(Todavía no me ha contado la historia de esta foto. Me dijo que
era un trabajo sobre la Biblia, pero en la Biblia no salen pistolas.)
Thursday, May 14, 2009
Praise for Una barca, un riu
"Feia tres anys que no llegia literatura i tu m'has obert els ulls. Sí senyor! Poca lletra i gran. Per a totes les edats. Amb molts dibuixos. I que es llegeix en dos minuts... Less is more. Ara sí que em pots considerar teu! Perquè faràs que a casa meva els llibres deixin de ser paper de WC." (Ramon) (<- És el meu germà. Només llegeix llibres de fotografia.)"No l'he entès." (Uri) (<- És el meu germà, més petit que el Ramon.)
"Estic molt orgullosa. Però parlo català una miqueta. Què és 'aixada'?" (Gabriela) (<- És la meva amiga i ex nòvia.)
"Que tonteta que estic avui, però es que m'ha fet molta il·lusió!!!" (Montse) (<- És la meva amiga.)
"Has publicat a la competència!!!" (Cristina) (<- És la meva amiga, que treballa a la competència.)
"Indubtablement la versió original és la versió original, té una musicalitat que no acaba d'aconseguir la traducció." (Rosa) (<- És la meva mare, que es pensa que domina el portuguès.)
"J'adore la mise en page et les illustrations de Raquel Marín qui non seulement accompagnent ton récit mais le met en valeur. J'aime les plans (coupés) audacieux et les textures (dont elle n'abuse pas - s'agraeix perquè estem una mica cansats del joc de les textures que es veu per tot arreu i molt poques vegades encertat, com aquí!)... et la gamme de couleurs... Mais surtout j'aime ce que transmettent (l'expression) ces images ou mieux dit le sentiment. Je pense qu'elle a aimé ton texte, qu'il a su l'inspirer et qu'elle est très fidèle à ton écriture. Quel joli livre!" (Clotilde) (<- És la meva amiga i ex editora en cap, que escriu molt i barreja francès i català.)
"Aquest nen no entén que a la gent gran se'ns obliden les coses?" (Montserrat) (<- És la meva àvia paterna, enfadada amb el protagonista del conte.)
"Bueno quan pugui me'l llegiré." (Rous) (<- És la meva germana.)
"Una historia triste y tierna." (Raquel Marín) (<- És la il·lustradora, coautora del llibre.)
"Un clàssic des del seu llançament." (El País) (<- És broma.)
"Ara ja ets un home." (Josep) (<- És el meu pare.)
Roberto Carlos (Vou ficar nu pra chamar sua atenção)
Sempre tive um preconceito negativo com relação a Roberto Carlos. Aqui é chamado de "O Rei" (há dois reis na República Federativa do Brasil: ele e o Pelé). Na Espanha é pouco conhecido (durante anos "Roberto Carlos" foi somente "o jogador do Real Madrid"). E eu sempre o relacionei com uma espécie de Julio Iglesias, que para muitos espanhóis é brega, piegas,... e até ruim. Continuo não sabendo nada de Roberto Carlos; ou quase nada: ao menos agora escutei esta canção, composta por ele e Erasmo Carlos (conheci primeiro a versão de Simone; a do vídeo é de Andreia Dias). E gostei. Vou ver se escuto mais músicas dele, cantadas por ele mesmo. Não posso não conhecer O Rei.
(La traducción es literal.)
Todas las veces que pasas y ni me ves
Pienso en lo que haría para tenerte
Para tenerte de cualquier forma
De cualquier modo, cualquier manera
No te imaginas lo infeliz que soy
No puedo guardarme los versos que hice
Para contarte mi amor
También fui yo quien te mandó aquella flor
Vivo haciendo millones de cosas
Cualquier locura para tenerte
Y los días pasan corriendo, voy a acabar perdiéndote
Necesito descubrir un modo
De llamar tu atención
Te di mi mejor sonrisa, no lo viste
Grité tu nombre, ni así me oíste
Por más que haga no sirve de nada
Tú ni notas mi existencia
Y los días pasan corriendo y de esperar voy muriendo
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención...
(La traducción es literal.)
Todas las veces que pasas y ni me ves
Pienso en lo que haría para tenerte
Para tenerte de cualquier forma
De cualquier modo, cualquier manera
No te imaginas lo infeliz que soy
No puedo guardarme los versos que hice
Para contarte mi amor
También fui yo quien te mandó aquella flor
Vivo haciendo millones de cosas
Cualquier locura para tenerte
Y los días pasan corriendo, voy a acabar perdiéndote
Necesito descubrir un modo
De llamar tu atención
Te di mi mejor sonrisa, no lo viste
Grité tu nombre, ni así me oíste
Por más que haga no sirve de nada
Tú ni notas mi existencia
Y los días pasan corriendo y de esperar voy muriendo
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención
Voy a acabar desnudándome para llamar tu atención...
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