Thursday, April 02, 2009

Uma puta canção

O que eu achei de mais interessante no bate-papo com Arnaldo Antunes, músico e poeta, conduzido por L. A. Fischer, ontem na UFRGS. Primeiro, um garoto perguntou-lhe o que achava das músicas com conteúdo político ou social; se a musica devia ser engajada. Arnaldo - que não faz música diretamente engajada - respondeu de modo pouco original (só que na voz e no jeito inteligente e espontâneo dele tudo soa original): que ele não tinha nada contra a música engajada, mas que transformar a sociedade não era a função principal da música, nem se encontrava dentro de sua capacidade; porém, ele disse, qualquer música podia ter um efeito político, no sentido em que a arte tem efeitos sobre a consciência de cada um. Houve aplausos de uma parte da platéia. E então (e isso é o que eu achei mais legal) um outro garoto fez uma piadinha, falou que a música para o que servia era para conquistar garotas. Ao que Arnaldo respondeu: "Não, você não faz uma canção para conquistar garotas. Você até pode usar uma canção já feita para conquistar alguém. Daí você consegue ou não. Mas isso não é o que importa. Importa é que você tem UMA PUTA CANÇÃO"*.


*Maiúsculas dele. (Elevou a voz.)
PS: Ele também falou coisas interessantes sobre S. Paulo, mas ficam para um outro post.

PS2: Eu não pude ir ao show do dia seguinte. Mas a Anna foi!!!
(O Salão de Atos da UFRGS lotou, os ingressos foram vendidos em uma manhã. Aliás, era só levar um kilo de alimentos. E Arnaldo Antunes é um dos poucos grandes artistas que fez isso em Porto Alegre, em vez de cobrar 100 reais ou mais.)

7 comments:

Ana (Santos) said...

só passei pra dizer olá! o blog é muito bonito :)

Roger said...

olá! que bom que tu passou, e que acha o blog bonito! :)) sabes que daqui a três ou quatro vai ser o post número 500? Ufa!

É um vício, isso do blog. Pena que tu não tenhas um. (Para quem leia isto e não saiba: a Ana escreve muuuuuuuuuito bem.)

Marinella said...

Olha a Ana aí, aproveito e dou "oi" aos dois!

Gosto muito de ler o que os colegas mais cultos escrevem, o blog é muito elegante.

Roger, viu que o Fischer escreveu hoje na ZH sobre o livro que tu decidiu não comprar? :)

ana said...

Roger, obrigada pelos uuuuuuuuu, hehe. Fico lisonjeada.
Pois é, duvido da minha capacidade de criar um blog legal, assim... Talvez um dia.
(Marinella, oi pra ti também!)

Roger said...

Oi Marinella! Obrigado pelos elogios! Mas não tem isso de colegas "mais cultos", né? Eu visito cada dia loscaracoles, acho muito bom! Vou ver se acho esse artigo do Fischer! Beijo!

Por nada, Ana! :)

Anna Faedrich said...

Ru!
Adorei o post, adorei o show tbém! E o link pro meu blog! :))

Mas o Arnaldo não é tãããão bonzinho assim... acredito eu... a UFRGS paga pra ele o cachê que ele cobra, porém o projeto UNIMÚSICA (que sim, merece os aplausos) arrecada o quilo para, através desse preço simbólico para nós, ajudar mais pessoas!

Great!
Ajuda a gente, que não pode ga$tar muito, e ajuda mais gente!

;)

No próximo tu tem que ir!
AProveito pra agradecer todo o tempo que você deixou o DVD comigo :))) graças a ele, eu sabia as letras das músicas (de tanto que eu vi/ouvi teu dvd)!

Merci mon ami!
Je t'embrasse!

Roger said...

Oi Anna! Ele merece aplausos, eu acho que sim. Alguém paga a ele seu cachê (que nesses casos deve ser menor, mas existe, claro, arte se paga, apesar do que pensem os piratas da Internet), mas o importante é que ele consegue que pessoas que não poderiam ir aos seus shows vão. Eu até acho que deveria haver um jeito de discriminar quem pode pagar um ingresso normal e quem só pode pagar esse preço simbólico. Porque no fim acabam indo ao show as pessoas que poderiam pagar mais. Mas o Arnaldo faz a sua parte. Em Salvador existe esse sistema de discriminação de preços: com dez notas fiscais, tu tem um ingresso; ou então, tu paga o ingresso. Só a Marisa Monte não faz isso. Show dela, só pagando.

De nada! :) DVD é para emprestar, né? "Só é seu aquilo que você dá"... No próximo eu vou.

Je t'embrasse aussi.