Sunday, July 04, 2010

Notícias da Copa do Mundo 6

O Naranjito está feliz. Porque a Espanha já fez sua melhor campanha em Copas do Mundo. (Ele já estava muito faceiro, na verdade, quando virou imagem de camisetas vintage, alguns anos atrás.)

E o Brasil está triste... Por quê está triste o Brasil?

Culpados das derrotas, em qualquer esporte, são os jogadores e, em grau maior, o treinador (junto com, às vezes, a má sorte).

Mas quem é que botou na cabeça dos brasileiros que o Brasil ia ser hexacampeão? Quem é que deixou as pessoas com toda essa empolgação prematura, que no fim as levou às lágrimas? Todas essas crianças chorando. (E os adultos. Mas os adultos têm, ou deveriam ter, capacidade de discernimento.)

Jornalistas, empresários, lojistas... Meses antes da Copa começar e, é claro, durante a mesma, aqui só se falou em hexa. Nos artigos e as reportagens dos jornais, nos anúncios de jornal e comerciais de TV, nas vitrines das lojas e suas promoções para vender o que for... Hexa, hexa! Hexa Copa é nossa! Só faltou vender camisetas com seis estrelas em vez de cinco. (Nem as seleções, nem os jornais dos países cujas seleções estão nas semifinais pensaram ou falaram nisso antes da hora, e nem o fazem agora, a duas partidas do fim; por quê o Brasil sim?) Toda essa turma do hexa...: não sabia que na Copa chegam 31 seleções, além do Brasil?

Um dia depois da derrota contra a Holanda, li num anúncio de jornal: "Faltam 48 meses para o Hexa". Hein? O Dunga pode ser burro e mal-educado, mas essa turma que empolgou o Brasil inteiro deveria reconsiderar o que fez (por enquanto não li nada ao respeito, nenhum mea culpa; como se todos pensassem que, de fato, o Brasil devia ter sido hexa); reconsiderar seu oba-oba ao ver as pessoas chorando, ou quietas e tristes. Só não posso dizer que eles são burros - jornalistas, empresários, lojistas - porque atuaram em seu próprio interesse.

4 comments:

Anna Faedrich said...

É verdade, Roger!
Saí logo após o jogo do Brasil (e sua desclassificação), e as caras na rua não eram das melhores... (não sei se pela derrota ou por que tinham que voltar a trabalhar hehehe).
Já parada do ônibus, um senhor que eu senti que tava querendo conversar (e, por isso, fiquei bem na minha, pois não tava pra papo), disse pra um cara que passou na rua com a camiseta do Brasil: "E essa camiseta aí?", e o cara respondeu "ah, vou usar ainda hoje, fazer o quê, né?".
Bom, daí fui analisando o povo triste. No bar, que tem na frente da parada, um dos garçons dizia: "Viu no que dá, não colocou o Ronaldinho Gaúcho... Se eu fosse o Dunga colocava o fulano, o beltrano". Daí, percebi que todo mundo teria a solução pro Brasil não ter perdido. E cada um teria uma seleção diferente. Um teria feito aquilo, o outro aquilo outro...
É engraçado. De se ver e de se ouvir.
Bom, no sábado, quando voltada pra casa, entrei num bar e tava um fuzuê. Todo mundo feliz porque a Argentina tava tomando gol. Mas uma vibração intensa. Nooossa, de impressionar. Passavam as pessoas pelo bar e perguntavam: "quanto tá? quem tomou gol?". O dono do bar respondia. E as pessoas vibravam, como se fosse o Hexa brasileiro.
Pensei: "Bah, que triste essa rivalidade, e que recalque ter que vibrar com a derrota do outro, já que não ganhamos a nossa vitória". Depois pensei: não é tão grave assim, não deve ser contra a Argentina, mas sim contra o Maradona.
Ah, daí até concordei! :p

Beijo (de quem não entende nadica de nada de futebol, mas quis comentar aqui)! ;)

uri said...

you're right bro'

i el millor (o el pitjor) és que aquí molts mitjans de comunicació van del mateix pal amb espanya!!! Per sort els únics que semblen tocar de peus a terra i diuen que no hi ha res fet i que cal anar pas a pas són els jugadors i l'entrenador!!!!

veurem què passa amb alemanya...

uri

PD.- i el naranjito tampoc va de guais, està content, però no va de guais!!!!

Sergio Lulkin said...

Anna, que bela crônica de vários sentimentos compartilhados, vivi um tanto disso. Acho que o silêncio e a cabeça baixa nos fazem voltar o olhar para o trabalho, os trabalhos, como olhando os próprios passoa, pas a pas, o próprio chão e seus desvios. A derrota é um ensinamento fundamental, quando se joga. E concordo com as disputas, as rivalidades, também fazem parte do que chamamos jogo. Mas a violência é que me assusta: o ódio, a vontade de aniquilar. Por que?
Recém li "A vida dos animais", de Coetzee. Estou sob esse impacto e penso nisso. Agradeço e felicito.

Roger said...

Eu acho que esses comentários dizem mais do que o post! :) Adorei! Beijões!