Tuesday, July 10, 2007

Meu superpacote cultural de verão





Saí de casa com um jornal (El País) e um conto de três páginas que acabava de imprimir ("This Old House", de David Sedaris), e, lendo a coluna da última página do jornal, encaminhei-me, devagarinho para não suar, para a Fnac. Ia com a intenção de comprar o livro de histórias em quadrinhos 99 ejercicios de estilo, mas, quando cheguei na megaloja, tudo se descontrolou. E acabei fazendo o que faz com freqüência meu irmão Oriol (só que ele tem mais grana): comprando um superpacote cultural. A continuação vem a lista comentada, e depois o final desta narração.

Comprei:

- O dito livro de HQ (não gosto da expressão graphic novel: quadrinhos são quadrinhos, e os quadrinhos são arte, e ninguém tem que se envergonhar, nem é preciso mudar nomes), de Matt Madden. Se trata duma história só, bem simples, narrada em quadrinhos 99 vezes (!). A história básica é assim: um cara sai da frente do computador, vai pra cozinha, e, quando chega perto da geladeira, ouve alguém num outro quarto perguntar: "Que horas são?"; o cara responde "A 1:15"; e abre a porta da geladeira e pensa: "Que diabos eu vim buscar?". A idéia é fazer, usando as possibilidades dos quadrinhos, o que Raymond Queneau fez, com a literatura (e uma outra história básica, sobre um cara num ônibus), no livro Exercices de style, que eu li na faculdade por recomendação dum professor (aliás, horrível) de literatura contemporanea. (Será que eu escrevo o nome dele aqui? Não, deixa.)

- Uma coletânea de histórias em quadrinhos publicada nos Estados Unidos no verão de 2005 e aqui agora: MOME.

- O romance (clássico) The Good Soldier, de Ford Madox Ford, uma triste história de amor que há tempos eu queria ler. É engraçado, porque foi esse mesmo professor (que, juro, era horrível: mau professor, desagradável, complexado, etc.) quem falava muito nesse autor. Eu achava esses nomes esquisitos e misteriosos: Ford Madox Ford, um, e William Carlos Williams, outro.

- O romance Everyman (em espanhol, Elegía), de Philip Roth. O comprei porque ainda não li nada desse Roth (tem vários Roth: acho que já li alguma coisa do Henry), e também porque a diretora catalã Isabel Coixet basea-se em este livro no seu novo filme, e também porque a Penélope Cruz (!), que vai estar no filme, recomendou o livro no jornal.

- O romance Rex, de José Manuel Prieto, cubano, porque também preciso ler em espanhol. Segundo a crítica, é um livro excelente, mas..., vamos ver, porque é uma coisa meio experimental. Tem uma crítica, na faixa do livro, que diz que é uma mistura de Proust e The Sopranos (o que não vou poder comprovar, porque nunca vi The Sopranos).

- E, finalmente, para não ficar só com papéis, para ouvi-lo no apartamento lá na praia, nos tempos mortos, o duplo CD Live in Dublin, de Bruce Springsteen, que acho que é mais folk do que rock, e que inclui o DVD do show.

Saí da megaloja superfeliz com meu superpacote, e fui tomar um pingado. E que é que eu li lá sentadinho? O conto? As contracapas dos livros? Alguma HQ? Que nada. O que eu li foi, claro, o jornal. Sendo que "I'm tired of reading everyday the same old things in the newspapers". E sendo que eu já tinha lido um jornal no café da manhã. O que há de errado comigo?

(Agora me dou conta de que poderia ter intitulado este post "Reasons Why I Love the US". Assim, minha amiga Kris não ficaria triste por esse "Reasons Why I Started to Hate the US" que escrevi há tempos...)

2 comments:

Anonymous said...

E... Esse é o Rugê!
Mesmo com uma supersacola cheia de supercoisas, ele ainda prefere ler o jornal...

ai, ai

roger said...

É que eu acho a atualidade muito atraente :o)

E também, a leitura de jornais é a menos exigente :p