Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Para quem gosta de ler e escrever, é uma sorte não ser anglófono. Hoje tem na Folha uma crítica de um livro de Nick Hornby: Frenesi Polissilábico. O livro reúne resenhas que ele fez para a revista norte-americana The Believer (nota: nunca ouvi falar; segundo o crítico, é "uma das revistas mais bacanas do mundo" - também não sei o que isso quer dizer), com a imposição dos editores de que as resenhas fossem sempre positivas. Por isso ele resolveu escrever sobre livros escolhidos por ele (o título da coluna era "Stuff I've Been Reading"). Preciso dizer que eu não sou leitor de Hornby (comecei a ler A Long Way Down, não gostei, parei: acho que ele escreve voltado para um público muito jovem), mas sei que ele é um bom escritor, respeitado, premiado, etc. Então. O que eu quero destacar é o que aparece em último lugar na crítica da Folha. O crítico diz que, entre os mais de 100 títulos lidos por Nick Hornby, se encontram "apenas algumas cartas de Flaubert e Tchekov, um romance do israelense Amos Oz e outro do espanhol Javier Cercas". E em traduções ao inglês. Já sabia mais ou menos disso, pois colegas que eu tive em Nova York (colegas leitores) também só liam livros em inglês e de autores anglófonos (todos tinham lido One Hundred Years of Solitude, isso sim). My point is - porque já estou me alongando demais - que nós, fãs da literatura norte-americana e inglesa, conhecemos a literatura deles e várias outras: ao menos as européias, as latino-americanas...; e até podemos ler as obras nos idiomas originais. Ou seja: em princípio, estamos muito mais capacitados do que eles - os anglófonos, que não aprendem outras línguas porque "não precisam" - para adquirir uma bagagem cultural maior, o que pode significar ter uma visão mais abrangente, uma visão mais aproximada do real (e do fantástico, por que não). E, em segundo lugar, que é assustador pensar que o país que dominou o mundo no século XX esteve, quanto à criação literária e à leitura, tão isolado do resto de países e culturas. Imagino - só pode ser assim - que os grandes autores (Hemingway, Fitzgerald, T.S. Eliot, Faulkner, etc.) foram exceções (os três primeiros moraram na França, por exemplo) a essa "regra". Mas os leitores anglófonos... eles cresceram e crescem desconhecendo um mundo, o que não pode ser (nem tem sido!) nada bom.
O que eu achei de mais interessante no bate-papo com Arnaldo Antunes, músico e poeta, conduzido por L. A. Fischer, ontem na UFRGS. Primeiro, um garoto perguntou-lhe o que achava das músicas com conteúdo político ou social; se a musica devia ser engajada. Arnaldo - que não faz música diretamente engajada - respondeu de modo pouco original (só que na voz e no jeito inteligente e espontâneo dele tudo soa original): que ele não tinha nada contra a música engajada, mas que transformar a sociedade não era a função principal da música, nem se encontrava dentro de sua capacidade; porém, ele disse, qualquer música podia ter um efeito político, no sentido em que a arte tem efeitos sobre a consciência de cada um. Houve aplausos de uma parte da platéia. E então (e isso é o que eu achei mais legal) um outro garoto fez uma piadinha, falou que a música para o que servia era para conquistar garotas. Ao que Arnaldo respondeu: "Não, você não faz uma canção para conquistar garotas. Você até pode usar uma canção já feita para conquistar alguém. Daí você consegue ou não. Mas isso não é o que importa. Importa é que você tem UMA PUTA CANÇÃO"*.
*Maiúsculas dele. (Elevou a voz.) PS: Ele também falou coisas interessantes sobre S. Paulo, mas ficam para um outro post. PS2: Eu não pude ir ao show do dia seguinte. Mas a Anna foi!!! (O Salão de Atos da UFRGS lotou, os ingressos foram vendidos em uma manhã. Aliás, era só levar um kilo de alimentos. E Arnaldo Antunes é um dos poucos grandes artistas que fez isso em Porto Alegre, em vez de cobrar 100 reais ou mais.)
Hoje eu estava lá no Café A Brasileira da rua Uruguai (meu preferido, e o preferido do meu pai; já não existem cafés desse tipo, lá na Espanha) quando uma garota me abordou. "Por que você está lendo o Estado?" Não foi assim tão brusco, mas essas são as primeiras palavras que eu registrei. Ela, que estava tomando café com uma amiga na mesa ao lado, disse que era de S. Paulo. Repetiu a pergunta e se explicou. Trabalhava no departamento de marketing do jornal Zero Hora, e queria saber não só por que eu lia o Estado de S. Paulo, mas também, principalmente, por que não lia a ZH. Era simpática e bonita, então, estava fora da questão responder algo como "porque eu acho a ZH um ..." (Iiih, não dava, não.) Falei que gostava de artigos e reportagens mais longos, com espaço para aprofundar nos assuntos..., algo assim, chato, bem a minha cara. E disse que eu lia a ZH no bar, para saber o que acontecia na cidade (ela tinha perguntado: e como tu te informa dos assuntos mais locais?). Perguntou meu nome, elas se apresentaram, perguntou de onde eu era, o que eu fazia, e logo disse para a amiga: "Claro, é o perfil". Eu tinha esquecido que para algumas pessoas nós somos todos perfis. Então: de Barcelona + estudante de mestrado (e ainda em Letras!) = leitor de um jornal nacional. Ela era formada em publicidade; a amiga, em relações públicas. Ela falou brincando: "Bom, você vem de ser objeto de uma pesquisa de marketing". Era o momento de dar a ela meu telefone por se queria pesquisar mais, só que, bom, nasci e vou morrer tímido. Só aproveitei para dizer que era uma opinião comum de meus colegas de aula que na ZH faltavam críticas de livros e filmes. (Mas também nem sei se meus colegas de aula lêem muitos jornais.) Ela se defendeu dizendo que no caderno de sábado havia, mas concordou que era um ponto fraco do jornal. Eu continuei lendo sobre o G20 (nada sobre o G20 na ZH de hoje que eu li no bar) e elas continuaram tomando seu café. Eu não soube puxar mais assunto. E, óbvio, não houve troca de telefone nenhum - mas, também, nesses casos, tres son multitud. (Em defesa da Zero Hora, quando eu era novo em Porto Alegre e no Brasil, o lia com prazer.)
I don't feel like talking about the crisis, but after all I've read and all I've seen, I'm starting to believe that it wouldn't be so bad to see this whole filthy system sink.
Chico Buarque, ao contrário de Zé Ramalho (ver post antigo), está na mídia, e a Folha de S. Paulo ontem dedicou três páginas inteiras (com mais letra do que foto, o que é raro) a seu novo romance, Leite Derramado. A crítica de Roberto Schwarz ocupa cinco (!) colunas de texto, e eu a guardei como exemplo do que deve ser uma crítica de uma obra literária. Ela é bem escrita, bem argumentada, detalhada, ordenada, rigorosa, abrangente, esclarecedora, com citações ilustrativas (só as necessárias), etc. Como digo: um exemplo de crítica. E ele considera o livro "ótimo" (isso é coisa do jornal, que no fim coloca a avaliação em uma palavra: ruim, regular, bom, ótimo). Ao lado dessa crítica positiva, está a crítica negativa de Eduardo Giannetti (se bem que no final a avaliação em uma palavra é "bom"). Essa crítica é mal escrita, cheia de clichês, esquemática e preconceituosa. (Não conheço Eduardo Giannetti, mas ao lado de Roberto Schwarz escreve como um aluno universitário.) Enfim, o caso é que eu já pensava em comprar o livro, que é uma saga familiar, quando fui ver, na primeira página do caderno (onde há a simples notícia da publicação), qual era o número de páginas. Pensava que não iam ser menos de 400, pois a história começa com o trisavô do protagonista chegando ao Brasil na comitiva de dom João 6º, passa pela República, etc. e termina com o tataraneto do protagonista, traficante de drogas. E sendo que a obra, segundo Schwarz, é "ambiciosa", com "seqüências e análises memoráveis", com "desdobramentos" e "digressões", com "momentos de crítica social indireta"; e que compõe "um panorama social amplo, de muita vivacidade"; e que é escrita com uma "carpintaria realista e controlada até o último pormenor"; sendo, enfim, tudo isso, achei que o livro podia chegar às 500 páginas. Tem 200. Pensei: Não. É impossível. Não pode ser. Não vou comprar. Tudo isso? Em um livro só 20 vezes mais longo do que esta crítica?
Hoje, no Estado de S. Paulo, Daniel Piza se ocupa brevemente do mesmo livro. Escreve que o personagem principal, o narrador, é desperdiçado "com o modo ao mesmo tempo apressado e monótono da linguagem", que os outros personagens "não ganham vida", que "a galeria humana promete mais do que cumpre". Pior: "Nenhum tema é explorado, implícita ou explicitamente". Ah! Para isso sim!: para isso há espaço em 200 páginas! Mas o que há com Roberto Schwarz, que escreveu essa crítica exemplar? O que significa que o leitor de jornal possa deduzir mais de saber o número de páginas de um livro do que de ler duas críticas? Quantas críticas é preciso ler para não pagar por um livro ruim ou deixar de pagar por um livro bom? O que é uma crítica bem feita, se, no fim, nem essa de Schwarz é? A crítica bem feita está errada e a crítica mal feita está certa? Como assim? Isso não foi nunca assim! (O jornal Zero Hora faz bem ao dedicar um espaço tão limitado às críticas?, se é que essas resenhas mínimas podem ser chamadas disso?)
PS: Quem sabe o texto de Schwarz, que apesar de tudo eu vou guardar, me sirva mais "em si" do que como crítica do livro de Chico Buarque. Porque vai até além do livro, e inclui observações como a seguinte, úteis para um estrangeiro como eu: "Ainda aqui estamos em águas machadianas, onde também a fibra amatória é a exceção que escapa a certo rebaixamento genérico e derrisório imposto pela condição de ex-colônia às elites brasileiras. Como marca local, a desproporção entre a intensidade da vida amorosa e a irrelevância da vida do espíritu é uma caracterização profunda, com alcance histórico, a que o romance de Chico Buarque acrescenta uma figura".
Demorei horas (sério!) para achar este quadro no Google. Finalmente apareceu esta foto, lá pela página 45 de "Imagens". É minha obra preferida da Fundação Miró, que espero que um dia possas conhecer. Uma das últimas que ele pintou. Um tríptico, três linhas pretas sobre três fundos brancos (tem que clicar para ver melhor). As linhas não fecham, não chegam a tocar as margens (isso é importante, eu li no catálogo :) e representam (segundo o próprio pintor) tudo, ou o infinito, ou tudo o que é possível.
Ontem, a escritora Susana Vernieri, que foi entrevistada pelo professor Assis Brasil em seu programa de TV, deu-me de presente um exemplar do livro que está lançando, As grades do céu (pela editora Libretos). É um livro pequenino, com treze contos muito curtos. De uns gostei mais, de outros, menos; de alguns gostei muito mesmo (de "O unicórnio", por exemplo; ou "A bóia"; ou "Classificado"). O início do conto "Da estante", com o qual me identifiquei, me fez sorrir (sorriso triste, né?). O copio a seguir, só o início.
Da estante
Livros. O apartamento de um quarto estava abarrotado de livros.
A melhor amiga alertou:
- Como vais arrumar namorado assim?
- Como assim?
- Assim. O cara entra aqui e dá de frente com essa estante cheia de livros.
Prof. Marcelo: Oi, querida! Te achei no computador! Hmmm...
Rose: Como assim, querido Professor?
Prof. Marcelo: Estava procurando imagens do Museu Afro, e encontrei fotos de máscaras Gueledés, lá do Museu...
Rose: E lembrou de mim quando viu as máscaras, é? rsrsrs. Que que tem as máscaras?
Prof. Marcelo: Então... Vi as máscaras. As fotos feitas sem minha permissão. E ainda tem ele falando sobre o Jayme Fygura. Com foto e tudo! Tô lendo aqui.
Rose: Ah... Já sei! Você encontrou o blog do Roger.
Prof. Marcelo: Foi você quem levou ele no museu, né? Então vai ter que pagar por ele ter feito as fotos sem permissão. rsrsrs!!
Rose: Não fui eu, não! Oxe! Tá maluco e decidiu me perturbar hoje, assim via celular, né? rsrsrs!!
Prof. Marcelo: Olha! Tem ele falando dos olhos da tua irmã. Onde é que anda esse gringo? Já tinha até esquecido dele.
Rose: Está em Porto Alegre. Na PUC, no mestrado.
Prof. Marcelo: Ah... Tô zoiando o blog dele. rsrsrs.
Hoje, caminhando pela Rua da Praia em direção à Praça da Alfândega, vi, em um portal próximo ao Museu do Exército, uma mulher jogando a ponta do cigarro - com aquele disparar do dedo indicador - três metros à sua frente, intentando acertar uma lixeira. E achei tudo nojento: o fato de jogar a ponta do cigarro desse jeito, o fato de não recolhê-la ou pisá-la (caiu no chão), o próprio fato de a mulher fumar. Então pensei: Só um pouco: Achar que fumar é nojento, não é a mídia que o pus em minha cabeça, nestes últimos anos? Vieram-me à mente atores e atrizes de cinema, mas logo viajei no tempo até o colégio: Não era charmoso fumar? Quem fumava não era mais charmoso? Pensei logo em C. e em L. Vendo C. ou L. fumar, cigarro era charme! Então pensei: Só um pouco: C. e L. não eram... as garotas mais bonitas da turma? Claro que eram! Lindérrimas! Então? Não seriam seus cabelos?, seus olhos...? (C. continua linda, e parou de fumar na mesma época que eu, seis anos atrás; com L. perdi o contato.) No caminho de volta, também na Rua da Praia, um jovem jogou, de maneira parecida com a da mulher - longe -, a ponta do cigarro. No seu caso, usando o polegar e o indicador, e sem lixeira à vista. Mais nojento ainda.
El Papa se va a África y continúa negando la utilidad del preservativo para frenar la epidemia de sida. Y ahora ésta, hoy en El País: "El Papa defiende la liturgia católica frente a las 'alegres' celebraciones africanas". Subtitular: "Benedicto XVI expresa en Camerún su preocupación por la diversidad de ritos del continente que provocan 'distorsión'". ¿Por qué no se va a predicar a los pocos fieles que quedan de su Iglesia? ¿Pero el Papa de quién se ha creído que es?
Stencil de la época de la visita de Ratzinger a Brasil, en homenaje a sus discursos neonazis.
1. Há tanto tempo que estou no Brasil, que por vezes toca uma música (hoje, em um restaurante) e me entra uma saudade que já é de anos atrás - e nem sei de onde ou de quem.
2. O Nando Reis se apresenta junto com a Ana Cañas, daqui a poucos dias, no Anfiteatro Pôr do Sol, na beira do rio Guaíba, onde eu vou correr. Esse dia eu não vou correr. Vou ir lá, sentar na grama e ficar escutando.
3. Esta semana li no jornal ou vi na TV (não lembro) alguém que dizia (acho que era uma velha atriz): "A vida é um drama. Quem diz que é uma comédia não sabe nada da vida. Você até pode dar muita risada, mas não por isso deixa de ser um drama".
4. O Zé Ramalho também vai se apresentar aqui em março. (Mas eu não gosto de shows em teatros, e Porto Alegre não tem nada como uma Concha Acústica ou um Circo Voador.) Engraçado: escutei muito ele em 2003, e depois nunca mais se soube. Foi Dimitri, um suíço que eu conheci em Salvador, apaixonado pela música brasileira, quem me deu a dica. E ontem um tio da Gabriela que também gosta muito dele me disse: "Nunca mais ouviu falar nele porque ele não está na mídia".
Margareth Menezes e Zélia Duncan cantando "Frevo Mulher", de Zé Ramalho, no Circo Voador, janeiro de 2007.
En casa, Porfiria le pellizcó el brazo al marido: ¿Por qué tanta alegría, amor? Él sacó los dólares de la lata de queroseno (...) y contó su plan: comprarían una granja (...), criarían cerdos y gallinas, plantarían mandioca, frutas.
Ella no estuvo de acuerdo: quería ver a los músicos y bailar.
¿Y nuestro futuro?
Ese dinero no es para el futuro, es para el placer.
Discutieron. Miralvo todavía argumentó: una escopeta para cazar, una canoa, un pequeño motor de popa chino.
¿Y después, amor? Todo eso se termina: el arma, la canoa, el motor. El placer dura una noche, pero el recuerdo es para siempre.
¿Iban a desafiar a la suerte?
Porfiria no se amedrentó: Lo que haremos es divertirnos, eso sí. Suerte es nacer de buena familia y poder estudiar.
Porfiria supo que El Gran Combo de Colombia daría un concierto el día 15 de noviembre. Cuando la empleada reservó una noche en la suite imperial del New Horizon, el gerente le preguntó de dónde había sacado tanto dinero.
Del vientre de una serpiente, 'mano.
(...)
Ordené mil veces este cuarto de reina.
Mañana lavarás platos y paellas, dijo Miralvo.
(...)
Al ver al Gran Combo en el escenario, Porfiria aplaudió de pie, mientras Miralvo todavía se lamentaba por los dólares despilfarrados; pero cuando los músicos gritaron: A bailar, a bailar, ella lo agarró por la cintura y la pareja dio varias vueltas hasta el medio del salón. (...) Ya entrada la noche, algunos huéspedes salieron (...), otros se durmieron acodados en las mesas, pero Porfiria y Miralvo no pararon. Cuando el lago estuvo más negro que el cielo, los músicos anunciaron un bolero para que la pareja bailara apechugado. Tocaron "Toda una vida", y los dos, abrazados, mojados de sudor y placer, bailaron despacio, frente al lago y la selva (...).
Como um texto envelhece mal quando o estilo não é realista!
(Ainda não consigo entender que alguém considere melhores os contos do que os romances de Machado - como M. Hatoum, por exemplo, domingo em uma entrevista no Estado de S. Paulo.)
¡Rompió mi corazón!
Este conto ou novela satírica (mesmo sendo um texto mais ou menos curto, não um tijolão) é ideal para continuar com a série "Para quem não gosta de ler os clássicos".
O Alienista, de Machado de Assis
Em português: De perto ninguém é normal. Em espanhol de Argentina: De médico y loco todo el mundo tiene un poco. Che. Em espanhol de España: De poeta y de loco todo el mundo tiene un poco. Mais: De genio y de loco todo el mundo tiene un poco.
PS: Como em Updike, o desejo como motor: "Lo importante es desear / y no ser un muerto vivo".
PPS: O desejo não só move as pessoas, também move as personagens de ficção.
PS2: Ontem no programa de TV Saia Justa pareceram chegar à conclusão (uma apresentadora apoiando-se em Lacan) de que certo grau de inveja é positivo porque leva ao desejo. O desejo seria uma espécie de reverso da inveja. Não. A inveja é destrutiva e destrutora. O desejo é um sentimento com uma outra origem - mais autônoma.
Um dos, por vários motivos (todos humanos, se dá para entender), colegas mais queridos do mestrado me disse hoje que sua dissertação ia ser sobre o Dante e sobre Boécio. Perguntei-lhe se já tinha lido a Commedia. Me disse que estava lendo-a. Disse-lhe se sabia que a Igreja não aceitou bem a obra, que, não sem razão, tachou de profana. Pois o Dante colocou no topo do Paraíso a Beatriz: no lugar da Virgem, seu grande amor terreno. Pensei para mim (pois a gente estava falando também de amor): tadinho do Dante, nem chegou a comê-la. Mas logo me corrigi: tinha coisas mais importantes a fazer: escreveu a Commedia.
PS: No hauria de perdre ni un segon parlant de l'Església o de religió, però aprofito per informar de la notícia més comentada la setmana passada al Brasil. L'Església Catòlica va excomunicar la mare que va permetre i l'equip de metges que va realitzar l'avortament d'una nena de nou anys violada pel seu padrastre. (El padrastre no, perquè "la violació no és tan greu", va dir l'arquebisbe, i la nena tampoc, perquè "no sabia el que feia".) L'Església sempre indicant-nos el camí... :)