Do Ramon, 2000.
De Oriol Sais, 1989.
Do El País, 1998.
De um desenhista de Les Rambles, 1998.
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
"A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas. (...) Existem talvez três medidas desse tipo: derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela. Algo desse tipo é indispensável."



Há dias que queria comentar este livro, sobre o que já escrevi alguma coisa. O comprei no Botequim das Letras, a segunda vez que eu fui lá. A primeira vez, quando achei o livro por acaso, a atendente não sabia o preço, o livro acabava de chegar; ligou para a dona, a ligação caiu; então, sem preço, não pude comprá-lo. A segunda vez, a dona estava ali. Tirou o livro do bolso, disse que esteve lendo o prefácio e que lhe parecia muito bom. Essa dona é uma mulher jovem, uma guria, e então já gostei dela (uma dona de livraria que lê os livros!), mas gostei mais ainda quando, dias depois, a vi sendo entrevistada em uma TV local. Disse que na sua livraria (que é muito pequenina) só tinha livros escolhidos: de ficção, ensaios, algo de psicologia, algo de crítica literária; e que não tinha auto-ajuda, por exemplo, nem best-sellers (só alguns: Leite derramado, ela tinha; as mulheres, aqui como no Leblon, entram loucas nas livrarias pedindo o leite derramado do Chico (hihi, essa piada não é minha, é do Simão)).

Li em duas sentadas este livro de Juan José Saer, o segundo "anti-Borges" (o primeiro e mais querido é, para mim, Manuel Puig). Lendo o início, esperei uma obra mestra. Talvez não o seja, mas é um romance muito bom. O assunto, a viagem de um médico alemão, com uma caravana formada por índios, soldados e prostitutas, para levar cinco loucos desde uma aldeia cem léguas ao norte de Buenos Aires até uma nova clínica psiquiátrica fundada por ele e seu mestre, com "métodos novos, mais humanos". O tema, a relatividade da loucura. E a loucura de se aventurar pelo pampa - que, descrito por Saer (a história se passa no início do século XIX) é o próprio inferno. O narrador é o médico, mas neste trecho inicial, que me maravilhou (e que agora, ao transcrever, achei proustiano), o autor se refere em 3a pessoa a quem encontra o manuscrito da viagem, nos dias atuais - o romance é de 1997; Saer morreu em 2005. (Trad. de Heloisa Jahn.) (Estou lendo autores argentinos e uruguaios em português, quem diria. A tradução é muito boa, mas seria legal que livros de Buenos Aires estivessem à venda aqui; estamos tão perto...)


Há anos, mais de cinco, li alguns textos de Lobo Antunes. Eles encerravam o caderno cultural Babelia, do El País. Não gostei, não entendi nem do que tratavam, os achei poéticos demais, achei quase ridículo, fora de moda, que fossem escritos sem pontuação. Deixei de os ler.






Depois de muito olhá-lo na Cultura, um dia comprei este livro como um dever (não era leitura obrigatória*, mas no mestrado tínhamos uma disciplina sobre literatura autobiográfica); o comecei a ler com algum receio; de fato, o achei chato; lá pela página 200, quase o abandonei; e agora só espero a hora de deitar para continuar a devorá-lo.



