Saturday, November 07, 2009

Capítulo 7 (novo rascunho)

A pergunta adquiria diferentes matizes. O que eu disse? O que eu quis dizer? O que eu sentia quando o disse? Resolvê-la era indispensável para me ver livre dela e começar a viver em Nova York. Mas era uma pergunta que eu não podia responder. Tinha a experiência acumulada de um sem fim de perguntas mais simples e ridículas. Para mim, nem sequer dois mais dois haviam sido quatro. Houve um tempo em que, para contar, comecei a reparar em qualquer coisa, em quatro pedras, por exemplo, em quatro lápis, em quatro árvores na rua. Só então "quatro" tinha algum significado. Ou me agarrava os dedos. Com vinte e tantos anos, voltei a contar com os dedos. (Ocasionalmente, a realidade relativizava meu mal. Em casa de Lídia, certa tarde de início de verão, tomando café sob os pinheiros do quintal, vários amigos se puseram a contar com os dedos os dias que faltavam para sair de férias. Para eles bastava, porém, fazê-lo uma vez.) Eu havia magoado muito Lídia e precisava averiguar se o tinha feito sabendo-o. Qualquer amante escrupuloso poderia se fazer tal pergunta, cansei-me de dizer a J.-P.: as perguntas são agora de uma outra categoria, seu objeto é exclusivamente Lídia, a pessoa que mais amo no mundo.

6 comments:

Anonymous said...

:) Muito bom!

"Houve um tempo em que, para contar, comecei a reparar em qualquer coisa, em quatro pedras, por exemplo, em quatro lápis, em quatro árvores na rua. Só então "quatro" tinha algum significado. Ou me agarrava os dedos."
- meu trecho preferido, nesse capitulo.

E Lídia...Mmm... Começo a alimentar mais o perfil que criei do personagem principal. =D


A.E

Ronaldo said...
This comment has been removed by the author.
Ronaldo said...

Deste teus textos as imagens soltam fácil da minha caixinha de ilusões... Tão perfeito eles Ru, suave de se ler... gostoso mesmo. Prometo agora (q sei postar e graças a nossa Bruxinha viu - rsrsrs) fazer isso com + atenção ok.
Abraços Fortes - e nunca pare de nos brindar com este dom que tu tem amigo.

Anna Faedrich said...

Puxa, Rô!
Que lindas as tuas palavras! Só podiam ser tuas mesmo! :)

Eu concordo contigo em relação à suavidade do texto do Ru :)

Que bom que agora temos acesso a eles!!! :) :) :) Eu que choramingava tanto por um paragrafozinho...

... agora temos vários rascunhos a nossa disposição!!!

:) :) :)
Very gooooood!

;)

Beijão aos R's!!!

Roger said...

Obrigadão, A. E.!

Lídia vai ser importante, hehe.

Suave de se ler é o que eu quero, Rô. Obrigado. Mas, amigo, sabe que quem tem boas histórias para contar é você? Com tudo o que já me escreveu ou me contou aí em Salvador, dava para vários romances...

Anna, espero de ti uma crítica negativa, OK? Deve haver muitas coisas para melhorar por aqui! Beijão!

Anna Faedrich said...

Ooooookay!

Pode deixar, vou fazê-la...

Assim que acalmar a tormenta rsrs

Vou fazer aquela leitura de sem-número-de-vezes ;)

Beijão!