Daqui a umas horas estarei voando para Barcelona. Se preparem, amigos catalães, que logo estou aí! Se preparem, amigos brasileiros, que daqui a pouco eu volto, não vão se livrar de mim!
Here you'll find comments and stories about my stay in Brazil; translations of Brazilian songs, poems, short stories and pieces of news; photographs. Also, some film and book reviews. In Spanish, Catalan, Portuguese and English.
Thursday, November 29, 2007
Mais um pôr-do-sol no Guaíba (ah!, mas é sempre diferente!)
Daqui a umas horas estarei voando para Barcelona. Se preparem, amigos catalães, que logo estou aí! Se preparem, amigos brasileiros, que daqui a pouco eu volto, não vão se livrar de mim!
Saturday, November 24, 2007
Aborto
"Se as pessoas que são a favor do aborto tivessem sido abortadas, hoje teríamos menos gente a favor do extermínio e mais gente a favor do respeito à vida."
Hein?
Aborto elétrico pra ela!
PS: O ministro da Saúde do governo Lula, José Gomes Temporão, a favor da descriminalização do aborto e de tratar o problema como uma questão não ética e sim de saúde pública, é chamado de "ministro da Morte" por pessoas como a assinante da carta.
Cada ano, centenas de mulheres pobres morrem no Brasil em operações de aborto realizadas em condições ruins; cada ano são realizadas centenas de milhares de operações de aborto (segundo a ONU, mais de um milhão); mulheres ricas abortam em clínicas privadas ou em paises onde o aborto é permitido.
...
Wednesday, November 21, 2007
A partida
Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.
Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa. Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!
Aluguei um apartamento longe do centro da cidade, longe da praia. Um apartamento que, ao tudo, tinha o tamanho do quarto na casa que acabava de abandonar. Era bom morar sozinho, cuidar de mim. Não ter de responder a ninguém mais por meus atos, somente a mim. Era revigorante! Sem demorar, já na primeira semana, dediquei-me em corpo e alma a percorrer as agências da cidade, me oferecendo para o trabalho de jornalista, aquele que tanto ansiava. Mulheres bonitas, muito enfeitadas, atenciosas, recusavam invariável e gentilmente meus serviços e me animavam a não desistir. Eu insistia e insistia, e no fim do dia ainda conservava o bom humor, e ficava pensando no dia seguinte enquanto bebia cerveja num boteco perto de casa, da minha nova casa.
Aos poucos cansei-me de sair em busca de emprego, de usar elevadores, de sorrir para jornalistas que, mesmo devolvendo meu sorriso e dirigindo-me algumas palavras amáveis, não tinham interesse real em mim. Então comecei a perambular pelas ruas, e não raro acabava caminhando à beira mar, onde homens e mulheres de corpos jovens e elásticos conversavam deitados na areia, fruindo o sol, bebendo suco, longe da rebentação. Eu, passeando ou sentado num dos bancos da calçada, olhava-os com uma mistura de inveja e desdém, perguntando-me qual era sua ocupação, porque não estavam nesses escritórios dos prédios altos do centro, digitando relatórios, atarefados, subindo e descendo pelo elevador.
Unir-me ao grupo de corpos morenos e lânguidos deitados na praia parecia-me inalcançável, e as portas das fervilhantes redações dos jornais não estavam abertas para mim. Depois de um mês, recebi uma carta da minha avó, que reclamava veladamente do tédio e da solidão encontrados no asilo, na Serra, e interessava-se por minha nova vida, vida “cheia de emoção”. Não percebi ironia nas suas palavras, e deu-me um aperto ver que a velhinha olhava ainda pela minha saúde, que ela sempre pensou que fosse fraca, sem eu ter lhe dado nunca motivos para isso. Provavelmente por causa da morte prematura de meus pais, ela me via como um bicho temerário, um animal sem carapaça abandonado num mundo demasiado incompreensível e cruel.
Meus passeios fizeram-se cada vez mais longos, e roubavam as horas e os dias antes dedicados à busca por trabalho. À falta de oportunidades somou-se uma vontade cada vez menor de me encerrar num escritório, e tive a hilariante sensação de poder viver, quem sabe!, ociosamente para sempre, à imitação daqueles jovens das praias. Familiarizei-me com todos os recantos do meu bairro, e dos bairros da vizinhança, e de alguns morros; só não voltei às ruas e avenidas cinzentas do centro da cidade. Ao anoitecer, conversava com minhas únicas amizades, amigos do boteco: pessoas tão desocupadas quanto eu. E dormia sem pensar no que ia fazer ao acordar.
Quando o dinheiro acabou chegou-me a notícia da morte da minha avó, que partiu sem nunca saber de meu fracasso, embora talvez o suspeitasse, pois tinha me criado e amado e no fundo conhecia-me bem. A oportunidade dessa morte me deixou incomodado, fez-me sentir culpado, embora a notícia não fosse inesperada: minha avó era velha e sofria de uma estranha doença. Fiquei mais apenado ainda por não poder assistir ao enterro, e encontrei uma justificação na minha paupérrima situação econômica. Essa, contra minhas inconfessáveis expectativas, não mudou. A casa havia sido vendida para custear o asilo, e minha avó deixou-me em herança somente três trajes surrados de seu marido, morto antes de eu nascer.
O que eu havia considerado uma liberdade forçada chegou ao fim. Vendi os trajes e todos os pertences que achei que podia dispensar, e o apartamento quedou reduzido a um mero e triste colchão no chão. A partida da velha, minha única parenta, converteu-me em uma pessoa desiludida, conformada, paciente, sem ambição, sem nada: um asceta. Passei fome, estive doente. Era livre, mas que liberdade era essa! Nesse mesmo mês comecei a trabalhar. Durante um ano fui varredor de rua, pedreiro, assistente de mecânico, vigia noturno num armazém de fogos de artifício, vendedor de livros para crianças, aprendiz de cabeleireiro. O dinheiro que ganhei foi pouco, mas minhas despesas não iam além do aluguel e uma comida por dia.
Vejo hoje que a morte de minha avó, cujos cuidados, atenções e afagos tanto me haviam irritado, cujo amor asfixiante me havia levado a tomar a decisão de partir, fez de mim a pessoa que eu achava que eu era quando subi a esse trem. Me dou conta hoje que esses bens difusos, que eu pressentia mas não sabia exatamente quais eram, mulheres?, praias?, fascinantes amizades?, não estavam esperando por mim; que o que encontrei não foi aquilo que eu buscava, só o pareceu, nos primeiros meses, quando a cidade ofereceu-se-me como um oasis, uma ilusão. O que vai ser da minha vida agora, só Deus sabe. Seja! Eu só sei que não vou embora daqui.
Sunday, November 18, 2007
POATV
Nueva emisión de la TV de Roger: Porto Alegre Te Ve
Segunda parte do programa: "Dança no pátio da Usina do Gasômetro" / "Danza en el patio de la Usina do Gasômetro"
PS: Minha querida Rose, de Salvador, escreve que nem imagina o nome do grupo, mas que a música, que eu também não sabia qual era, é "Eu quero é botar meu bloco na rua", de Sérgio Sampaio. Ela explica que até um tempinho seu carnaval só começava de verdade quando escutava essa música, fosse na rádio ou na rua. E manda a letra da música, que é esta aqui. Obrigadão, Rose!!!
Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender
Saturday, November 17, 2007
POATV
Nueva emisión de la TV de Roger: Porto Alegre Te Ve
Programa: "Dança no pátio da Usina do Gasômetro" / "Danza en el patio de la Usina do Gasômetro"
PS: Se alguém souber o nome do grupo, por favor informe.
Wednesday, November 14, 2007
Armas
Vuelvo al tema. O no sé, no sé si vuelvo porque quizás en su día no lo traté. Puede ser que estuviera demasiado estupefacto como para tratarlo. En octubre de 2005 el gobierno Lula realizó un referendum para prohibir la comercialización de armas de fuego en todo el país (estoy preparando una lista con todo lo que el gobierno Lula ha hecho y está haciendo bien, a pesar de lo que digan las clases A y B). El resultado fue desalentador (y, en el caso de la región Sur, donde yo estoy, para mí, vergonzoso): el 64% votó contra la prohibición, es decir, a favor de poder seguir comprando armas (en el Sur, el 80%). De nada sirvieron mis intentos de convencer a personas cercanas de que las armas que acababan en manos de criminales eran al principio compradas legalmente; ni éste, ni otros argumentos más de sentido común (más armas, más muertos). Sólo me consoló (consuelo estúpido) que algunos escritores y músicos a quienes admiro opinaran como yo, y que también opinara como yo uno de los amigos más cultos de Gabriela (¡sólo uno!). Pero eso es cosa del pasado.Vuelvo al tema porque hoy sale en los periódicos que irá a votación en el Congreso una propuesta para flexibilizar todavía más la venta de armas. Voy a escribir el nombre de ese señor aquí (él es el principal impulsor de la propuesta, no el único: a su lado están otros 20 diputados). El diputado gaucho (¡cómo no!) Pompeo de Mattos, del PDT, propone que se exima a los compradores de escopetas del examen psicológico y técnico; que se amplíe de tres a cinco el plazo de vigencia del registro de un arma; que se reduzca el número de documentos necesarios para el registro, como la comprobación de que no se está respondiendo a una investigación policial o a un proceso criminal (es serio, no me lo estoy inventando: edición del periódico Zero Hora de hoy).
Integrantes del Movimiento Viva Rio, que trabaja en las favelas de Río de Janeiro, ya están en Brasilia para intentar convencer a los diputados de que voten en contra de la propuesta, pero probablemente fracasarán, como fracasaron con ocasión del referendum de 2005. Fracasarán, y Río de Janeiro, junto con el resto de grandes capitales del país, seguirá presentando números de muertes violentas propios de los países en guerra civil. Porque Brasil vive de facto una guerra civil. Si no, que se lo pregunten a los cariocas de la periferia de Río que cada día van a trabajar al centro o a la zona sur y vuelven a casa arriesgando sus vidas bajo lluvias de balas (revista Piauí, edición del mes de septiembre, testimonio de un joven dependiente del supermercado Zona Sul de la plaza General Osório, Ipanema -al que yo iba cuando viví en casa de Isabel).
Pra frente, Brasil!
Saturday, November 10, 2007
El niño araña
El niño de la foto, llamado Riquelme (gran Riquelme, ya me cae simpático; tengo que escribir un día sobre los niños latinoamericanos llamados Suarzeneguer, JFK, etc.) Wesley dos Santos, de cinco años, salvó ayer a un "bebé de un año y diez meses" (¿bebé o niño pequeño?) sacándolo, o sacándola, porque es niña, de su casa, que estaba siendo "consumida por el fuego" (sinónimo de "siendo pasto de las llamas"). (En fin, los periodistas con su lenguaje...) Sucedió en Santa Catarina, Estado al norte de Rio Grande do Sul, y la casa se quemó casi totalmente: barrio pobre, casa de madera. El caso es que la madre de la niña se puso a gritar, y Riquelme, que estaba jugando ahí al lado vestido de hombre araña, le dijo que se tranquilizara que él salvaría a su hija. Se metió dentro de la casa (de la que la madre había tenido que salir, porque estaba realmente ardiendo), agarró a la niña por la pierna y la sacó de allí. Los bomberos llegaron tarde. Preguntaron al niño si no tuvo miedo, y éste contestó:
- Claro que no. El hombre araña es fuerte y no tiene miedo de nada.
Ahora el niño de cinco años es un héroe nacional, pero alguien debería quitarle el disfraz, si no no va a llegar a cumplir los 15.
Traduccions de Brasil 38 (Alguns toureiros, de João Cabral de Melo Neto)
(Los antitaurinos pueden leer este poema, porque trata del arte de escribir poemas.)
Yo vi a Manolo González
y Pepe Luís, de Sevilla:
precisión dulce de flor,
graciosa, pero precisa.
Vi también a Julio Aparicio,
de Madrid, como Parrita,
ciencia fácil de flor,
espontánea, pero estricta.
Vi a Miguel Báez, Litri,
del confín de Andalucía,
que cultivaba otra flor
angustiosa y explosiva.
Y también a Antonio Ordoñez
que cultiva flor antigua:
perfume de encaje viejo
de flor en libro dormida.
Pero vi a Manuel Rodríguez,
Manolete, el más desierto,
el torero más agudo
más mineral y despierto,
el de nervios de madera,
de puños secos de fibra,
el de figura de leña,
leña seca de catinga,
el que a la tragedia dio número
al vértigo, geometría
decimales a la emoción
y al susto, peso y medida.
Sí, vi a Manuel Rodríguez,
Manolete, el más asceta,
no sólo cultivar su flor
sino demostrar a los poetas:
cómo dominar la explosión
con mano serena y contenida,
sin dejar que se derrame
la flor que trae escondida,
y cómo, entonces, trabajarla
con mano cierta, poca y extrema:
sin perfumar su flor,
sin poetizar su poema.
Thursday, November 08, 2007
De la vida a la novela a la vida...
La historia me dejó maravillado porque es la misma -y más interesante todavía, más excepcional, más dura...- que Manuel Puig cuenta en El beso de la mujer araña, novela sobre las películas que el preso más viejo, homosexual, intelectual, cuenta al preso más joven, revolucionario, poco interesado en la cultura, para sobrevivir en la prisión, en Buenos Aires.
Wednesday, November 07, 2007
Traduccions de Brasil 37 (parte de la poesía Os três mal-amados, de João Cabral de Melo Neto)
El amor comió mis ropas, mis pañuelos, mis camisas. El amor comió metros y metros de corbatas. El amor comió la medida de mis trajes, el número de mis zapatos, el tamaño de mis sombreros. El amor comió mi altura, mi peso, el color de mis ojos y de mis cabellos.
El amor comió mis remedios, mis recetas médicas, mis dietas. Comió mis aspirinas, mis resonancias magnéticas, mis rayos x. Comió mis tests mentales, mis exámenes de orina.
El amor comió en la estantería todos mis libros de poesía. Comió en mis libros de prosa las citas en verso. Comió en el diccionario las palabras que podrían juntarse en versos.
Hambriento, el amor devoró los utensilios de mi uso: peine, navaja, cepillos, tijeras de uñas. Todavía hambriento, el amor devoró el uso de mis utensilios, mis baños fríos, la ópera cantada en la ducha, el pequeño calentador de gas que parecía una fábrica.
El amor comió las frutas puestas sobre la mesa. Bebió el agua de los vasos y de las cisternas. Comió el pan escondido a propósito. Bebió las lágrimas de los ojos que, nadie lo sabía, estaban llenos de agua.
El amor volvió para comer los papeles en que irreflexivamente yo volví a escribir mi nombre.
El amor royó mi infancia, los dedos sucios de tinta, cabellos cayendo sobre los ojos, botas nunca embetunadas. El amor royó al niño esquivo, siempre en los rincones, y que rayaba los libros, mordía el lápiz, andaba por la calle chutando piedras. Royó las conversaciones, al lado de la bomba de gasolina de la plaza, con los primos que lo sabían todo sobre los pájaros, sobre una mujer, sobre marcas de automóvil.
El amor comió mi Estado y mi ciudad. Drenó el agua muerta de los manglares, abolió la marea. Comió los manglares rizados y de hojas duras, comió el verde ácido de las plantas de caña que cubrían los cerros regulares, cortados por las barreras, por el trencito negro, por las chimeneas. Comió el olor de caña cortada y el olor de mar. Comió hasta las cosas que me desesperaban por no poder hablar de ellas en verso.
El amor comió hasta los días todavía no anunciados en las hojas de calendario. Comió los minutos de adelanto de mi reloj, los años que las líneas de mi mano aseguraban. Comió al futuro gran atleta, al futuro gran poeta. Comió los futuros viajes alrededor de la tierra, las futuras estanterías alrededor de la sala.
El amor comió mi paz y mi guerra. Mi día y mi noche. Mi invierno y mi verano. Comió mi silencio, mi dolor de cabeza, mi miedo de la muerte.
Thursday, November 01, 2007
Uma canoa, um rio
Terceiro exercício do curso de criação literária da Faculdade de Letras da PUCRS. Estrutura inversa.
Para Gabriela.
Era uma vez uma mãe que levou um filho a uma bienal.
- Mamãe, o que é uma bienal? - o filho tinha perguntado.
- Uma bienal é um lugar cheio de obras esquisitas e modernas. Que nem um museu, só que muito mais divertido - explicou a mãe. - Você sabe o que é, moderno?
Mãe e filho chegaram a um dos armazéns que sediavam a bienal e encaminharam-se para um espaço chamado "Terceira margem". Era domingo, de manhã cedo, e, excetuando duas mediadoras, não havia ninguém mais.
- Olha - falou a mãe, chamando a atenção do filho para umas letras pretas, grandes, coladas numa parede branca.
A mãe leu devagar:
- O que aconteceria se...? Uma família aparentemente comum: um pai, uma mãe, um casal de filhos. Uma canoa. Um rio. Um pedaço qualquer do mundo. O que aconteceria se o pai entrasse de repente na canoa e não saísse, nunca mais?
A mãe olhou para o filho com os olhos bem abertos, a boca meio aberta também. O filho, quieto, continuava a olhar as letras pretas.
- O que aconteceria?
Do lado, na mesma parede, havia, penduradas em cordéis, que nem roupa a secar, filas de folhas escritas por crianças.
A mãe pegou a primeira e leu:
- "A família ficaria desnorteada e pensaria que foi castigo por alguma coisa". Você acha que foi castigo, filho?
O filho encolheu os ombros. A mãe leu outra folha:
- "O pai subiu na canoa em desespero por suas dívidas mensais".
E outra:
- "Joaninha, a filha mais velha, falou: Mãe, o pai enlouqueceu! Entrou na canoa, diz que de lá não sai nunca mais!".
- O que é enlouqueceu? - perguntou o filho.
- Enlouquecer é virar louco - respondeu a mãe. - Você acha que o homem da canoa enlouqueceu?
O filho olhou para ela pensativo, e falou:
- Não acho.
- Então o que lhe aconteceu?
O filho levantou os braços no ar:
- Não sei!
- Hmmm... Sabe que eu acho que eu sei?
- Sabe?
- Quer saber?
- Quero!
E mãe e filho sentaram-se em dois cubos pretos que não pareciam cadeiras.
Era uma vez um pai..., começou a mãe. E parou. Mas vamos começar pelo final, disse. O pai, que se chamava Alcindo, alimentava-se daquilo que a filha mais velha, Joaninha, deixava-lhe cada dia à margem do rio. Mas Alcindo tinha esquecido o nome da filha. Havia muito tempo não falava com ninguém, pois morava no meio do rio. E tinha esquecido todos os nomes, inclusive o seu.
O filho interrompeu-a:
- Que nem o vovô?
Que nem o avô.
Joaninha vivia sozinha na casa da beira do rio. O irmão havia casado e morava na cidade, e a mãe havia ido morar com ele anos depois de que o pai, segundo ela, enlouquecera.
- Mas ele não enlouqueceu...! - protestou o filho.
Nós sabemos isso, falou a mãe. Mas, sabe que o próprio Alcindo às vezes acreditava que sim?
Um dia, de manhã, Alcindo desceu à cozinha, onde a mulher estava. Reconheceu os cabelos e a roupa colorida dela, mas a cara, ele pensou, não era exatamente a cara de sua mulher. Assustado, saiu de casa, foi para a roça e não voltou até o anoitecer.
- E então foi para o rio? - perguntou o filho.
Escuta.
Alcindo desconfiava que isso fosse acontecer. Meses atrás, havia chamado a mulher de Maria, de Joaquina, de Noélia e de Lúcia, sendo que o nome dela, eu não lhe contei, era Isabel.
- Que nem o vovô faz comigo! - riu o filho.
É. Contigo e comigo. Nesse momento Isabel riu, como você está rindo. Achou que fosse uma piadinha do marido. Alcindo sorriu, mas logo subiu ao seu quarto e chorou.
Outras vezes ele esquecia o que fazia. Um ano antes do que acabei de contar, estando na roça, na pequena horta da família, foi pegar uma enxada no depósito. Queria cavar a terra e plantar berinjelas. Mas então, com a enxada na mão, não soube para que a precisava. E ficou lá no escuro, olhando uma atrás da outra o resto de ferramentas penduradas. Esse tipo de esquecimentos lhe aconteciam igualmente em casa.
- Eu esqueço coisas também.
Você é distraído, filho, sorriu a mãe. E adicionou: Todo o mundo esquece. É normal.
Não era a primeira vez. Alcindo adorava cuidar da horta e passear na roça, só que já não o fazia com a alegria habitual, porque não se lembrava dos nomes dos pássaros e das árvores. Para não esquecê-los, ideou uma estratégia: joão de barro para ele virou jô, muito mais fácil, bentevi virou bi. Os jequitibás converteram-se em ibás. E encurtou seu próprio nome para Al. Foi nessa época que mandou construir a canoa.
A estratégia era inteligente, serviu-lhe durante muitos meses. Mas depois aconteceu o que contei. E no dia em que não reconheceu a mulher, levou a cabo o que havia começado a planejar tanto tempo atrás, quando esqueceu para sempre o nome de todas as árvores. Despediu-se da mulher, despediu-se da filha, e remou até o meio do rio na canoa que havia mandado construir.
- E o que lhe aconteceu?
Ficou lá no meio do rio, longe e perto da família, e não voltou a falar. À noite, recolhia a comida que Joaninha, às escondidas da mãe, deixava à margem do rio. Isabel, que nada entendia, desesperou-se e acabou indo morar com o filho. Al, quando as águas cresciam, amarrava a canoa no toco duma árvore, numa ilha.
- Mas o que lhe aconteceu?
Um dia, quando já tinha esquecido quem era Joaninha, esqueceu também seu propósito. As águas baixavam tranqüilas, a canoa quase não se mexia, e Al olhou os remos estranhado. Não sabia o que eram, nem para que serviam. E as mãos dele, ao mesmo tempo, também perderam a força necessária para sustê-los. Deixou-os cair. Encolheu-se no fundo da canoa, que nem um bebê, deixou que o rio o levasse.
- Foi para o mar?
Foi levado suavemente até o mar.
Mãe e filho viram também - e nessa hora o armazém já estava cheio - uma longa parede pintada de verde e azul, representando a cor da terra e a cor do céu, que para os índios que moram perto do rio Uruguai são uma cor só. Depois, na loja de lembranças da bienal, compraram uma xícara. Saíram do armazém ao meio-dia.
Caminharam pela rua da Praia, subiram a rua General Bento Martins. Passaram pela confeitaria para recolher uma torta de maracujá. Aos domingos era costume almoçar na casa dos avós. Ele, homem alto, recebeu-os no portão. Deu dois beijos na filha e apertou a bochecha do neto. Chamou-os de Cristina e de Daniel. Que não eram exatamente seus verdadeiros nomes.
Wednesday, October 31, 2007
:(
Aquest és un blog sobre la meva estada al Brasil.
Intento no explicar-hi coses molt personals, o almenys no directament.
Però vaig venir aquí a Porto Alegre per la Gabriela, i he estat amb ella aquests dos anys i mig.
Ara s'ha acabat. Fa dues setmanes vaig escriure un post semblant i després el vaig esborrar.
Aquest no l'esborraré, és part de la meva estada al Brasil. Amb la Gabriela s'ha acabat, i jo en principi continuaré aquí.
Si el Pasqual Maragall pot lluitar contra l'Alzheimer, i si tantes persones lluiten contra tantes coses greus, jo puc lluitar contra la tristesa que deixa el final d'una relació.
Demà tinc classe d'escriptura creativa -i el professor elogiarà el conte que li vaig donar la setmana passada, que no vaig penjar aquí perquè el vull enviar a una editorial- i el dia 9 de novembre tinc l'examen d'accés al màster de literatura.
Un petó.
Esto no es un cuadro de Edward Hopper

Monday, October 29, 2007
El niño con el pijama de rayas
La semana pasada leí un best-seller llamado El niño con el pijama de rayas. Leí en el periódico que estaba muy bien, que era un éxito y que había sido traducido a mil lenguas, pero a mi me pareció una mierda. El periódico decía que era súper original (de hecho en la contraportada no hay sinopsis porque dicen que la historia es tan original que no se puede revelar nada), y en realidad es el libro más previsible que he leído en un montón de años (creo que no hay sinopsis porque si la hubiera ya se sabría toda la historia). Además, es un libro mentiroso (el personaje es un niño de 9 años que cuando al autor le conviene se comporta como un pequeño subnormal y cuando al autor le conviene habla y piensa como un premio Nobel de Literatura), es evidente, de tema y desenlace fácil y lleno de tópicos y bromas fáciles. En lo único que no mentía la crítica es en que se lee rápido (2 días), pero es que si no lo habría dejado a la mitad. En definitiva: una vez más pensé en lo mal que está la gente y en cómo son las más grandes mierdas las que la gente considera grandes obras. Desastroso. Cualquier cuento de cualquier alumno de tu clase exige más que esta novela.PS: Luego mi hermano habla de "cruzar genéticamente un elefante con una mantis religiosa y metérsela por el culo a algunos críticos", pero se refiere a críticos de cine. (Aquí detecto un trauma con la película Elephant, de Gus Van Sant.)
PPS: Y este post que no he escrito yo es el número 200.
Traduccions de Brasil 36 (Belo Belo, de Manuel Bandeira)
Tengo todo cuanto quiero
Tengo el fuego de constelaciones extintas hace milenios.
Y el riesgo brevísimo —¿qué fue? pasó— de tantas estrellas candentes.
La aurora se apaga,
Y guardo las lágrimas más puras de la aurora.
El día llega, y día adentro
Continúo poseyendo el gran secreto de la noche.
Bello bello bello
Tengo todo cuanto quiero
No quiero el éxtasis ni los tormentos.
No quiero lo que la tierra sólo da con trabajo.
Las dádivas de los ángeles son inaprovechables:
Los ángeles no comprenden a los hombres.
No quiero amar,
No quiero ser amado.
No quiero combatir,
No quiero ser soldado.
— Quiero la delicia de poder sentir las cosas más simples.
Saturday, October 27, 2007
Cómics o histórias em quadrinhos
Ronaldo escribe:
Muy de mañana fui a caminar por la playa. Más tarde, fui a la biblioteca a leer cómics. La sección que más me gusta es la de Infantil, porque ahí no hay terroristas, traficantes, policías, políticos, robos, etc.; ahí hay héroes derrotando a villanos, fantasía, tonterías, color y más tonterías. Eso me encanta, y echaba de menos las bibliotecas, sobre todo ésta de Rio Vermelho, que tiene vistas al mar. Aquí cargo las baterías, algunas historias me recuerdan mi infancia. ¡Son tan infantiles, pero taaaan divertidas! Me paso horas leyéndolas...
Luego Ronaldo cuenta su "lucha" con los niños que quieren quitarle las revistas de HQ:
Odio cuando viene un niño a quitarme las revistas de la mesa, las que he separado. ¿No ve que estoy leyendo? ¡Las que no estoy leyendo las voy a leer! ¡Que cojan otras o vengan más temprano! HAHAHA!
Jorge Coli, (gran) crítico de arte de la Folha de S. Paulo, escribió un día algo así:
Mi página preferida del periódico es la penúltima del cuaderno "Ilustrada": ahí es donde están los quadrinhos.
A mí siempre me han gustado los cómics. Y cada día me da un gran placer leer esa penúltima página. No leo las tiras de Garfield o de Hagar, porque tienen poca gracia al lado de las de sus compañeros brasileños: Angeli, Laerte, Glauco, Adão Iturrasgarai, Fernando Gonsales, Caco Galhardo, Alan Sieber... Son todos unos monstruos.
Friday, October 26, 2007
Sobre a revista Veja
Quero agradecer a David Coimbra seu artigo sobre a revista Veja, a revista mais lida e, segundo minha opinião, mais reacionária do Brasil. A semana passada, distorcendo a imagem do Che Guevara segundo as receitas da direita mais ultra. Esta semana, relativizando o cambio climático dum jeito que até o próprio George W. Bush deixou de fazer. A revista está prejudicando muito o bom jornalismo do país. Cheguei ao Brasil em 2003, e adorei a revista. Agora, quatro anos depois, quando vejo essas capas nas bancas de jornais sinto nojo. Só não concordo com David Coimbra quando exime de culpa a articulistas como Diogo Mainardi. Escrever numa seção de opinião não dá direito a caluniar e difamar, ou a apresentar opiniões questionáveis como fatos comprovados. É verdade que esse articulista já perdeu vários casos na justiça, mas continua lá, ajudando à revista Veja a ser cada vez pior.
Artigo de David Coimbra na Zero Hora (26/10/07)
We Really Should Do These Things More Often
Wednesday, October 24, 2007
Uma canoa. Um rio
(Aquest, si algú el vol li envio. :o)
Sunday, October 21, 2007
Macô
O grande Ronaldo me dedicou esta música do Chico Science e a Nação Zumbi.
Estribillo:
Cadê Roger, Cadê Roger, Cadê Roger, Ô!
(Dónde está Roger, Dónde está Roger, Dónde está Roger oh!)
Obrigadérrimo amigo.
Estou aqui no Sul, mas perto da Bahia.
:(
Programa "No em ratllis" (TV3, 21/03/07)
Pasqual Maragall anuncia que padece Alzheimer
El ex presidente de la Generalitat muestra su voluntad de luchar contra la enfermedad
(El País, 20/10/07)
(Artículo de Jordi Sánchez sobre Maragall.)
"Algunos pronostican que en cinco años aparecerán las primeros fármacos contra dianas terapéuticas específicas. (...) Se sabe que el proceso se inicia, tal vez décadas antes del primer olvido, con una acumulación anormal de una proteína presente en el cerebro, la beta amiloide. Estas acumulaciones interfieren con la comunicación entre neuronas y acaban afectando también a su propia estructura, propiciando la formación de unos ovillos neurofibrilares que acaban provocando su propia muerte. (...) Hay tres genes cuya mutación altera el metabolismo de la proteína amieloide. De modo que, si no la causa, esta proteína es una clara diana terapéutica sobre las que se investigan en estos momentos decenas de fármacos." (Reportaje completo sobre el Alzheimer.)
Friday, October 19, 2007
The American War
Harrell Fletcher, artista nord-americà, té una obra a la 6a Bienal del Mercosur, que s'està celebrant a Porto Alegre, consistent en la reproducció d'un museu sobre la Guerra del Vietnam -els vietnamites l'anomenen "Guerra Americana"- que hi ha a Ho Chi Minh. Ell era de viatge al país, i un nadiu va aconsellar-li que visités el petit museu. Va veure fotos de les atrocitats comeses pels soldats americans, moltes de les quals no havia vist mai, va quedar impressionat i va decidir fer fotos de les fotos. L'obra ara és aquí a Porto Alegre, però, coincidint amb la guerra d'Iraq, ha circulat i continuarà circulant per pobles i ciutats d'Estats Units. Les fotos estan col·locades en una sala blanca, de la mida d'una habitació, amb una única porta amb cortina. A la sala només hi pot haver un determinat nombre de persones alhora, i les preciositats que vigilen l'entrada, curiosament, barren el pas als nens petits (no volen que vegin de què són capaços els papes).
Passin i vegin, The American War.
Wednesday, October 17, 2007
Some wisdom from Hamlet
Abans de les frases sàvies, una curiositat. Pels catalans (Visca Catalunya! <-amb la mà al pit). Cul de sac no és l'única expressió catalana incorporada per la llengua de Shakespeare -mai més ben dit. Vet-ho aquí una altra:
Quan Horatius explica a Hamlet que ha vist el fantasma del seu pare -del pare de Hamlet-, diu el següent:
Two nights together had these gentlemen
(Marcellus and Bernardo) on their watch
In the dead vast and middle of the night
Been thus encountered. A figure like your father
Armed at point exactly, cap-a-pe,
Appears before them and with solemn march
Goes slow and stately by them.
CAP-A-PE!?!?!?!?!?
Look your character. Give your thoughts no tongue,
Nor any unproportioned thought his act.
(...)
Those friends you have, and their adoption tried,
Grapple them unto your soul with hoops of steel.
(...)
Give every man your ear, but few your voice;
Take each man's censure, but reserve your judgement.
(...)
Costly your habit as your purse can buy,
But not expressed in fancy; rich, not gaudy.
(...)
This above all- to your own self be true,
And it must follow, as the night the day,
You can not then be false to any man.
(Polonius: Act I, Scene III)
Tuesday, October 16, 2007
Cecília Meireles, Cântico IV
Acabar.
No ves que se acaba cada día.
Que mueres en el Amor.
En la Tristeza.
En la Duda.
En el Deseo.
Que te renuevas cada día.
En el Amor.
En la Tristeza.
En la Duda.
En el Deseo.
Que eres siempre otro.
Que eres siempre el mismo.
Que morirás por edades inmensas.
Hasta no tener miedo de morir.
Y así serás Eterno.
Caray, caray
"Pasqual Maragall se quedó muy corto cuando en febrero de 2005 acusó a CiU de cobrar comisiones del 3% en las obras públicas que contrataba. Un juez de Barcelona considera que en 2003 un constructor pagó comisiones del 20% cuando trabajó para Adigsa, una empresa de la Generalitat de Cataluña que rehabilita viviendas sociales. Todos los directivos de Adigsa de aquella época están a un paso de sentarse en el banquillo después de que el juez les haya acusado de malversación de caudales públicos, fraude, tráfico de influencias, prevaricación y falsedad en documento oficial y mercantil."
Monday, October 15, 2007
Tropa de elite 2
(La película trata de la lucha contra el tráfico de drogas en Río de Janeiro: sobre los policías corruptos; sobre el Batallón de Operaciones Especiales, un cuerpo de élite, en principio incorruptible, que no duda en usar cualquier método -tortura, etc.- en esa guerra particular; sobre los traumas del capitán del batallón; sobre los pijos consumidores de drogas; etc. -todos los elementos del conflicto aparecen de un modo u otro en la película.)
Primero, un comentario agudo y turbador (me afecta a mí, por ejemplo) del psicólogo Contardo Calligaris sobre el sentimiento de culpa -culpa social. Segundo, un diálogo surrealista entre el director de la película, José Padilha, y un grupo de periodistas, tras el estreno de la película en el Festival de cine de Río.
Calligaris empieza afirmando que la simpatía por el crimen y la antipatía por la policía que sienten algunos miembros de las clases privilegiadas nacen de un fuerte sentimiento de culpa, y se pregunta si ese sentimiento de culpa social es beneficioso o no. En principio, el sentimiento de culpa debería llevar a la acción. Pues el psicólogo argumenta que no, nada de eso. Dice que la culpa no produce acción, sino descargo. "Nos sentimos autorizados a hacer poco o nada para que la situación cambie porque el sufrimiento de nuestra conciencia nos absuelve. Disfrutamos de muchos privilegios, pero sufrimos un gran sentimiento de culpa, y, así, la culpa que sentimos nos dispensa de tener que hacer algo."
Periodista 1: El Capitán Nascimento, con quien el público se identifica y a quien el público aplaude, es un psicópata torturador. ¿El señor ha hecho una película fascista?
Director: No. La película no juzga al Capitán Nascimento. Muestra sus métodos y los de su batallón, cómo se comportan en cada circunstancia.
Periodista 2: Las escenas y los diálogos se suceden a un ritmo veloz, no se da tiempo al espectador para pensar. ¿Eso no hace de Tropa de elite una película fascista?
Director: Esa forma me pareció adecuada para contar la historia. La película cuenta una historia. La intención es que el espectador reflexione después.
Periodista 3: Pero esa banda sonora, ruidosa y agresiva, ¿no cree que impide pensar y es propia de un tipo de cine fascista?
Director: Mire, esa es la música que, precisamente, escuchan esos policías durante los entrenamientos...
El mismo periodista: Pero es fascista, el rock es fascista...
Director: ¿El rock es fascista?
Periodista 4: Bien, ¿y el rap de los títulos de crédito? Eso SÍ que impide reflexionar, ¡eso huele a fascismo!
Director: La letra es contra la injusticia y contra la violencia pol... ¡ESTÁ BIEN, JODIDOS, HE HECHO UNA PELÍCULA FASCISTA!
...
Periodista 5 (portugués): ¿Qué les pasa a estos periodistas de Brasil?
(Continuará.)
Saturday, October 13, 2007
El mayor espectáculo del mundo
Para la mujer, el hijo recién nacido
Para el solitario, la puesta de sol
O el firmamento
Una mirada extranjera a la orilla del río Guaíba
Una mirada extranjera a la orilla del río Guaíba
Opiniones de Charles B. Duff, responsable de la revitalización del puerto y los barrios históricos de Baltimore, Maryland, recogidas por Clarisa Ciarelli, del periódico Zero Hora.
No había oído hablar de Porto Alegre. Peor para mí. La ciudad es maravillosa. Y, fácilmente, podría serlo todavía más.
Podría tener uno de los paseos más bonitos del mundo. En parte, por la belleza del río Guaíba. Me entusiasmaron el color y la textura del agua, la calidad de la luz en los días claros y en los días nublados; las islas, la orilla opuesta... Otras dos cosas me impresionaron también: la longitud del puerto y la diversidad de ambientes.

Gente reunida para ver la puesta de sol.
La pasarela es una obra de la Bienal de 2005
regalada a la ciudad.
La ciudad podría crear una nueva imagen de sí misma -y a gran escala, no a una escala menor. Para mí, el paseo en cuestión empezaría en la estación central de autobuses, e iría mucho más allá, hasta Vila Assunção, Tristeza e Ipanema. Esto incluye el Centro, la Usina do Gasômetro, el Museo Iberê Camargo y varios espacios y locales públicos para la práctica de deportes. Una gran extensión.

Usina do Gasômetro.
El centro de Porto Alegre es una zona de comercio, y la orla de la ciudad tiene un gran potencial para atraer a turistas y habitantes a bares, restaurantes y tiendas, o, simplemente, a disfrutar de un bonito paseo al lado de aguas bonitas.
Porto Alegre tiene la suerte de poseer esos almacenes históricos en el muelle de la Avenida Mauá. Esos bellos edificios pueden albergar restaurantes y tiendas, y espacios para actividades culturales y de ocio, y la zona a la orilla del río convertirse en el mejor lugar para pasear.

(El río está al otro lado de los almacenes.)
Al sur del Centro, la orilla puede convertirse en una sucesión de paseos y parques igualmente atractivos. Sería maravilloso que los visitantes del Museo Iberê Camargo -uno de los edificios más bonitos en que he entrado en mi vida- pudieran añadir a la visita un paseo por el río.

(Al fondo, a la izquierda, el estadio del Internacional, "O Beira-Rio".)
El Centro es, por muchos motivos, maravilloso. Me emocioné al caminar en dirección al Mercado Público. Me encantó la densidad y energía de esa zona de comercios. Los portoalegrenses tienen suerte de poder contar con eso. Pero el Centro no ha desarrollado todo su potencial. Obviamente, es menos elegante y próspero de lo que fue, y menos vital de lo que podría ser. Una fachada revitalizada puede ayudarlo a competir incluso con la zona de Moinhos de Vento en términos de restaurantes y cafeterías, tal vez hasta de tiendas. La experiencia de la mayoría de ciudades con fachada marítima revitalizada muestra que las zonas cercanas se vuelven gradualmente más atractivas. El mercado que gira en torno a convenciones y congresos, de tradición en Porto Alegre, sería el primero en notar la mejora.
No conozco la hidrología del río Guaíba, pero en principio no es buena idea que exista un muro entre el Centro y la fachada fluvial. Aunque el muro sea necesario, la gente de Porto Alegre debería hacer todo lo posible para volver el acceso de los peatones a la orilla más fácil.
Por otro lado, la Avenida Mauá es una arteria muy transitada, y el muro puede ser útil para aislar la nueva fachada del ruido del tráfico. Si el muro es necesario, hay que encontrar maneras de volverlo permeable y bonito.

Puesta de sol en el río Guaíba.
Una buena fachada fluvial devolvería al Centro su encanto. Una vez que los visitantes se sientan cómodos, se darán cuenta de que el Centro ya tiene algunos edificios históricos magníficos -teatros, museos, etc.- cerca de agradables plazas -en las que podría haber más y mejores cafeterías.

Bar flotante.
Recorriendo Porto Alegre, quedé asombrado por la enorme vitalidad de la ciudad y, en particular, su vida cultural. El Museo Iberê Camargo es uno de los edificios nuevos más bonitos del mundo, y la combinación del Festival de Teatro y la Bienal del Mercosur es realmente impresionante. Pero Porto Alegre no es conocida. La gente debería venir a Porto Alegre desde Europa y desde América del Norte. Un puerto revitalizado puede ayudar. Puede dar a la ciudad un espacio abierto, una gran sala de estar.

Museo Iberê Camargo, de Álvaro Siza (todavía no inaugurado).
El muelle ha de ser divertido. Las mejores fachadas urbanas son divertidas. Tiendas, restaurantes y cafeterías son importantes, y la atmósfera debe ser familiar. Las autoridades deben evitar una apariencia fría, con aire de centro financiero. Puerto Madero, en Buenos Aires, es un mal ejemplo. Es grande y caro, pero duro y frío. Y es muy difícil llegar a él desde el centro.
Wednesday, October 10, 2007
E só
-E o que tu faz durante o dia?
-Tomo café e leio jornais.
-Tomas café e lês jornais?
-Ahã.
-E...?
-Só. Vou à internet, vejo os e-mails, escrevo um, dois. Depois saio de novo. Tomo um café, continuo a ler o jornal.
Gostava da cidade. Às vezes, sentia-se sozinho. Mas nunca havia preocupado-se muito com a solidão. Na verdade, costumava procurá-la. Se isso era o que realmente queria, ele não sabia. Em geral, achava que lhe fazia bem.
-Não vai ao cinema?
-Pouco. É que não tem filmes bons.
-Pois é né? Tem poucos. Mas há cinemas em que passam.
-Sim. Sei. Mas não é sempre. É raro poder ver um filme bom.
Gostava de ir ao cinema. Quando um filme muito esperado estreava, não demorava em ir. Quase sempre sozinho. Se era verdadeiramente bom, não gostava de falar na saída, desejava passear. Se era ruim, também não gostava de comentar e ouvir comentários.
-Tem muitos eventos culturais.
-Tem. Já passeei várias tardes pelos museus e os armazéns do cais. Tem muita coisa acontecendo na cidade. É.
-Teatro...
-Ao teatro não fui. Enfim, ultimamente não tenho ido.
Júlia gostava de ir ao teatro. Mas essa atividade requeria previsão, e ele não gostava de prever. Preferia passear à toa e, de repente, se queria, entrar num determinado lugar.
-Mais alguma coisa que tu faça?
-Não. Sim. Correr. Corro pela beira do rio. Quando tenho força. É quando escrevo melhor.
-...?
-É quando as idéias vêm. Eu tento retê-las. E só assim que consigo escrever. Esse conto o escrevi enquanto corria. Acabei-o no ônibus, escrevendo sobre a capa do jornal.
Tuesday, October 09, 2007
Tropa de elite
Hay un desfase entre lo que se pide y lo que se da a los policías. ¿Qué da la sociedad a los policías? Un sueldo de miseria (1.000 reales) y una mala formación. ¿Qué pide la sociedad a los policías? Que se enfrenten a marginados extremadamente bien armados y sin ningún respeto por la vida. En esas condiciones, el policía sólo tiene tres opciones. Una: dejarse corromper. Dos: desentenderse. Tres: ir a la guerra. Si decide ir a la guerra, ésta puede ser en dos sentidos. Uno: contra el propio cuerpo de policía (policías corruptos del mismo batallón). Dos: contra los marginados. Quienes "van a la guerra", como el protagonista de la película, Capitão Nascimento, sin escrúpulos, torturador, están aceptando 1) sufrir síndrome de pánico y otros trastornos psíquicos, 2) la imposibilidad de formar o mantener una familia, 3) el riesgo de morir en cualquier momento, estando de servicio o no.
(Continuará.)
(Vale la pena visitar el site -volumen al máximo; vistas aéreas de las favelas en "Mapa das comunidades". Antes de su estreno la película había sido vista por siete millones de personas; las copias pirateadas se venden a montones en el centro de Porto Alegre.)
Sunday, October 07, 2007
Miaarose cantando em português (Nunca me esqueci de ti, de Rui Veloso)
Quem ia dizer!
(Prêmio para quem entenda o que ela diz entre "Olá" e "que nunca tinha falado português nos meus vídeos".)
É o cais. Flor do cais...
Saturday, October 06, 2007
Fútbol

El Espanyol, a distancia, me da pequeñas alegrías.
Extraño...
(...)
Y ya es quinto (tercero, si descontamos a Bar$a y Madrid).
(...)
¡Uy! ¡¡El Madrid (306 millones €) ha ganado al Recreativo de Huelva (10 millones)!!
(Leo en la Folha de São Paulo que los grandes clubs han enviado una carta a la Unión Europea pidiendo que ignore a Michel Platini, presidente de la UEFA, que pide reglas especiales para librar al fútbol de "la maligna influencia del dinero". No conocía ese plan. Si a los "grandes" no les gusta, ¡que jueguen sólo entre ellos!)
(Por otro lado, eso nos privaría de ganar 3-1 al Bar$a... Mmm. No sé no...)
Tuesday, October 02, 2007
In media res
Perdido, pensou nesse articulista experto que dizia que bastava cortar as primeiras frases para deixar um texto bom. Mas isso não era começar in media res. Tentou lembrar a primeira vez que ouviu essas palavras, no colégio. Não lhe provocaram nenhuma impressão especial; provavelmente anotou-as na folha e continuou olhando a professora, por quem estava apaixonado. Pensou no início de O apanhador no campo de centeio, com esse menino que não tinha vontade de começar a contar sua história pelo começo (ou esse era o Huckleberry Finn?). Um in media res argumentado? De qualquer jeito, era um livro demasiado popular (crime). Veio-lhe à cabeça o início de Cem anos de solidão: “Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento...” Um in media res perfeito. Mas, de tão repetida e imitada, essa frase parecia-lhe ter sido ruim desde o momento de sua criação. Foi então que pensou na possibilidade de plagiar o começo de alguma obra obscura.
Dez anos atrás, quando ainda estava em Barcelona, não se concebia que escrever pudesse ser ensinado. Para aprender a escrever, ele e seus colegas de faculdade concordavam, só era necessário ler. E eles liam aos melhores. E, dos melhores, só o melhor. Lido o Dr. Faustus, já não liam A montanha mágica. Lido O som e a fúria, achavam desnecessário ler Absalom, Absalom. Aprendiam, também, ouvindo o que diziam ou deixaram escrito os escritores mais admirados. Como Josep Pla, que fumava para encontrar “o adjetivo”, e cuja sentença “o mais profundo está na superfície” era das mais repetidas nas conversas no bar. Sentiam-se capazes de chegar a escrever (escrever era escrever bem) e estavam resolvidos a desistir desse objetivo se não o conseguissem. Jovens, engraçados, soberbos com despreocupação, gostavam especialmente das conversas dedicadas a estripar alegremente os escritores que, ainda estando em todas as listas, eles achavam por unanimidade menores.
Assim como estudar escritura criativa, nesses tempos recorrer ao plagio teria lhe parecido uma insensatez. Mas agora ele estava lá, no Brasil, numa aula com dezoito aprendizes de escritor. Que nem numa aula de inglês. E, de alguma forma, precisava demonstrar que ele não era um aprendiz. Convencido, considerava-se a si mesmo um escritor que não escrevia. E foi assim que, consciente de que, por circunstancias da vida, esse estado injusto ia demorar em mudar, e com a vontade escondida de impressionar seus novos colegas, achou justificada sua determinação. Buscaria na internet um bom começo in media res. Deveria haver um monte. Tirando Mercè Rodoreda (alguém era capaz de conhecê-la!), quase qualquer autor catalão serviria. E, no final, plagiar também era uma arte.
Saturday, September 29, 2007
POATV
Empiezan hoy las emisiones de la nueva TV de Roger: Porto Alegre Te Ve
Programa: "Eu sou colorado sim" / "Yo también soy del Internacional"
Wednesday, September 26, 2007
Mano Brown
Comentarios del rapper Mano Brown, líder del grupo Racionais MC's, entrevistado en el programa "Roda Viva", de TV Cultura (24/06/07).Monday, September 24, 2007
Show do Tom Zé (+ Pato Fu)
"Tu vai ao show do Tom Zé
+
=
– Nossa Roger, que legal, acho muito o Tom um artista Alternativo, Autêntico, aliás o único! Vai tirar foto, vai gravar, manda elas pra mim e pra Rose, pois ela também gosta do Tom Zé!" (Ronaldo)
O show do Tom Zé foi estranho... Esse último disco não tem letras (ele fala no vídeo: "Foi feito por causa da juventude que respondendo uma pesquisa da MTV disse que era hedonista, egoísta, consumista... O disco não tem nem uma palavra porque uma das respostas da juventude foi quando perguntaram sobre letra de música eles falaram: 'não gostamos'"). Então tem uma música com espirros, outra que é sempre "why why why", e por aí vai. Nessa parte, gostei mais do que ele falava entre as músicas do que das próprias músicas. Mas depois, fechando os olhos, comecei a curtir a música mesmo, os ritmos, as sonoridades esquisitas, a força... Isso foi bom. E no final a gente acabou dançando o "Xique xique" e o "Companheiro Bush" (Se você já sabe / quem vendeu aquela bomba pro Iraque, / desembuche. / Eu desconfio que foi o Bush...). Gostei também duma canção sobre prostituição infantil, "O PIB da PIB" (Imagine um gringo daquele tamanho / em cima da criança pobre nordestina, / sufocada, magricela, seca, pequenina. / Ah, Nossa Senhora minha).
E a Fernanda... Não falei na Fernanda Takai (Pato Fu) ainda... Ela é realmente uma gatinha, super linda e super simpática. Fui no pocket show, na Livraria Cultura. E fiquei a quatro metros dela, num auditório para umas 100 pessoas só. Cantou 6 músicas, e achei o John muito simpático também. Depois teve sessão de autógrafos, e se formou uma filona. As pessoas não só queriam autógrafo no CD, queriam também foto com eles (todo o mundo com sua câmera digital, e os artistas sempre sorrindo -paciência!). Desisti, fiquei olhando a Fernanda de perto mais um tempo, e, em vez do CD, comprei o livro Ninguém é inocente em São Paulo, do Ferréz, muito bom, sobre a vida na periferia paulistana.
E... maravilha! Acabei de descobrir que alguém gravou uma música desse pocket show ao que eu assisti! A mais fantástica, com a Fernanda usando um boneco comprado no Japão e um Casiotone!!!! (Maravilha mesmo! A gente nem precisa levar sua câmera pra os lugares!)
E TEM MAIS, EU APAREÇO!!! HAHAHAHAHAHA
Friday, September 21, 2007
Da Folha para vocês 4 (Piloto genial, gênio nem tanto, de Fábio Seixas)
Una de las varias idiosincrasias de la Fórmula 1, una de las más perceptibles en los bastidores de la categoría, son los ciclos de periodistas que frecuentan las salas de prensa.
Ingleses e italianos siempre han sido parte del paisaje, siempre lo serán. El resto fluctúa en función de los resultados.
A principios de los 90, los bancos estaban llenos de franceses y brasileños. Y no hace falta mucha perspicacia para imaginar el flujo siguiente: alemanes. Hace cuatro años, llegaron los españoles. "As", "Marca", "El País", "Tele 5", "Mundo Deportivo", todos, hoy, viajan a los Grandes Premios.
Mucho antes de esta última invasión, sin embargo, estaba José María Rubio. Periodista y fotógrafo, Rubio iba contra la marea. En un país que rendía culto al motociclismo, se empeñaba en cubrir su pasión, la F-1, y fue, durante años y años, el único español en el Mundial.
Hasta que llegó Alonso.
Un chico humilde de Oviedo, medio perdido en ese gran mundo.
¿Un compatriota necesitado de ayuda? Rubio no lo dudó. Sin esconder su satisfacción, se olvidó por un tiempo de su faceta de periodista y lo adoptó.
Era él quien explicaba y enseñaba al joven piloto los entresijos y trampas de aquel ambiente. Era él quien transportaba a Alonso arriba y abajo, quien le presentaba a las personas.
Recuerdo la alegría juvenil del viejo periodista cuando Alonso obtuvo su única victoria en la F-3000, en Spa. Y recuerdo haber invitado a un emocionado Rubio a hablar en la radio Bandeirantes cuando Alonso daba la última vuelta el día de su primera victoria en la F-1, en 2003, en Hungría. Y recuerdo cruzarme con el colega en el aeropuerto de Bahrein en 2004: era de madrugada, estreno en ese país de la F-1, y él, receloso de que su amigo se perdiera, estaba allí, en el desembarque, con prontitud.
Y recuerdo a un fastidiado Rubio, en un minibús en Hockenheim, en 2005. Fastidiado, arrasado y triste.
Días antes, había publicado alguna crónica que desagradó a Alonso. Cuando llegó al motor-home de Renault, en vez de al amigo-pupilo-protegido, se encontró a un hostil piloto a punto de conquistar el Mundial. La entonces sensación de la F-1, la novedad que llegaba para desafiar al establishment, se negó a conversar con Rubio. Y lo expulsó del lugar.
Este mismo Alonso dividió al equipo Renault el año pasado, en el GP de Japón. Y ahora, en McLaren, no se habla con su jefe.
Piloto genial, frío y habilidoso, Alonso todavía no ha sido perjudicado por su temperamento. Todavía. Porque la F-1 ya ha dado muestras de saber librarse rápidamente de los estorbos, por más geniales que sean.
¿Ganará este Mundial? Mi apuesta es que sí. ¿Correrá en Renault en 2008? También creo que sí.
Entre una cosa y otra, unas vacaciones en las Islas Canarias o en Cuba, por ejemplo, le irían bien para colocar la cabeza en su sitio. Y salvar el pescuezo.
Thursday, September 20, 2007
Traduccions de Brasil 35 (A vida é um moinho, de Cartola)
Daniel de Oliveira interpretando a Cazuza interpretando la canción de Cartola (de la película Cazuza)
Hace aproximadamente un mes, entré en la cocina y le pregunté a mi abuela:
- Abuela, la vida es...
No esperaba que contestara "un molino", ni "un sueño"... Esperaba que dijera: "una noria"; o: "una tómbola".
Pero me miró y dijo como si me insultara:
- ¡UNA MIERDA!
Aún es pronto amor
Sólo empezaste a conocer la vida
Y ya anuncias la hora de partida
Sin saber qué rumbo tomarás
Presta atención, querida
Aunque sepa que estás decidida
En cada esquina pierdes un poco de vida
Y en poco tiempo no serás lo que eres hoy
Óyeme bien, amor
Presta atención, el mundo es un molino
Va a triturar tus sueños tan mezquinos
Va a reducir a polvo tu ilusión
Presta atención, querida
De cada amor heredarás sólo el cinismo
Sin darte cuenta estás al borde del abismo
Abismo que cavaste con tus pies
Saturday, September 15, 2007
As quatro estações
Várias coisas eu gostei no documental sobre Renato Russo ("Por Toda a Minha Vida") que passou ontem na TV Globo (algumas eu sabia por ter lido o livro de Arthur Dapieve em que o documental está baseado). 1) Renato cortou os pulsos quando era o Trovador Solitário, antes de formar a Legião Urbana. Provavelmente não com a intenção de se matar, mas... 2) Durante a gravação do primeiro CD, dois produtores desistiram, cansados de brigar com a banda. O terceiro quis fazê-lo também. Na dramatização, ele aparece no carro, sob a chuva, indo embora do estúdio, com Renato e Bonfá correndo atrás dele para tentar lhe convencer de voltar. "Você quer que a Legião seja a maior banda do rock nacional?", pergunta o produtor, chateado. "Quero." "Então segura a onda, Renato." Gostei muito dessa expressão, segura a onda, que eu tinha lido e até ouvido algumas vezes, mas cujo sentido só entendi realmente ontem. Não saberia traduzi-la. Segurar em espanhol é "agarrar", "sujetar"; onda é "ola", "ola del mar". (O "Força sempre!" com que Renato encerrava os shows seria uma versão desse "segura a onda"). 3) O último CD da Legião, A Tempestade, meu preferido, foi gravado três meses antes da morte de Renato, quando ele estava já muito doente. O que não sabia é que quase todas as músicas desse álbum foram first takes (Renato se recusou a regrava-las). 4) Foi legal ver de novo o trecho da entrevista em que Dado-Villalobos explica o que significa em português Legio Urbana Omnia Vincit, porque ele faz isso dum jeito muito querido, devagar, como falando para criança, como se ele mesmo estivesse descobrindo o significado da frase nesse momento. 5) O breve depoimento do filho, Giuliano, cuja música preferida, ele diz, é "Perfeição". (Só faltou, para mim, o depoimento que a mãe de Renato fez uma vez num outro programa, em que ela dizia que aquilo do que sentia mais saudade era do abraço do seu filho, um abraço muito forte que a envolvia. 6) Os peitinhos da Fernanda Lima, apresentadora do documental, quando aparece vestida de macacão (em espanhol, mono; mono de mecánico, tchê).
Friday, September 14, 2007
Tower of the Dead

Monoblock, 2003
This is the work I liked best at the exhibition dedicated to Argentinean artist Jorge Macchi in the 6ª Bienal do Mercosul, happening in Porto Alegre (September 1 - November 18, 2007).
(There is a very tiny space between the newspaper pages -you can't see that well in the pictures. And the pages are delicately pinned with needles.)
Tuesday, September 11, 2007
Abre caminho
Linda Bahia, lindo Rio Vermelho, lindo mar, lindo luar...
E isto, bem diferente, também é Bahia: Rebeca Matta cantando Tom Zé.
(Obrigadão, Rose.)
PS: Ganhei um ingresso para um show do Tom Zé aqui em Porto Alegre. Já vou contar.

