Friday, April 18, 2008

Meu pai



Eu geralmente não posto fotos minhas, ou de familiares, amigos e tal, mas não podia não postar esta, tão bo-ni-ta, tão bo-ni-to. Parece o Japão, né? É o Valle del Jerte, Extremadura, Spain.

Ele escreveu: "L'endemà vam anar a parar a la vall del costat, el 'Valle del Jerte', que és una vall no gaire ampla i que està plena de cirerers (un milió) que en aquest moment estaven tots florits i era preciós". Um milhão (!) de cerejeiras em flor.

O ritmo da chuva

Mas COMO a Fernanda é LINDA!

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

(E mais um exercício curto, feito em sala de aula a partir de uma pergunta surreal do professor.) (Amigos da Bahia: podem fazer correções!) (E para quem não é brasileiro: "comer" tem significado duplo. E "fantasia" significa "disfraz".)

Que você fez com a minha fantasia de gorila?

A queimei, seu sem-vergonha. Seu desgraçado, seu imbecil. Ou pensa o que? Cê acha que eu sou boba? Cê acha que a gente não vê? Puta, Gil! Eu sou motivo de piada em todo o bairro! O povo sabe disso em toda Salvador! Gorila, Gil! Não tinha outra? Olha que tem um pessoal esquisito, lá no Pelô! Caras de latão! Mascarados de todo tipo! Gringos que não precisam de fantasia, que parecem de Plutão! E ninguém repara neles, meu! Mas onde você viu, gorila peludo beijando neguinha? Gorila na Praça Teresa Batista! Puta que o pariu! Que lugar pouco concorrido! Pegando menina feito um animal! Orangotango pulando na Quincas! O bicho foi visto no beco do Quebra-Bundão! Eu até ia sabendo o roteiro! Que só não saiu no jornal! Olha, vou lhe dizer: eu só a corna, a maior corna, mas pena eu tenho das doidinhas que cê pegou. Mulher inteligente o senhor não pega não. Só esta aqui sua senhora. A dona da casa do grande mandril. Até que devia ficar bonito. Deviam é tê-lo capturado. Largado numa jaula. Viu, vou comprar-lhe de novo a fantasia. Crianças vão ver gorila comendo gorila no zôo.

Thursday, April 17, 2008

Juliana ri

(Conto/exercício escrito para a Oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS.)


Juliana desce e ele vai atrás, câmera na mão. Está praticamente sozinha no trecho final. É a última descida. E está tão feliz! Porque não faz mais “o pêndulo”, como no início. Agora está indo reto, desce reto, deixando a prancha correr antes de virar. Com os braços abertos em cruz, para manter o equilíbrio, vira à direita, varrendo a neve, e vai, vai, se afastando dele. Não olha para trás, só dá rápidas espiadas em frente – hihihi –, a cabeça escondidinha no colarinho do anoraque; há um instante passaram por ela duas crianças que nem raios, de capacete, cabeções; já ouve só seus gritos. Ainda não ergue a cabeça, olha a neve deslizar sob seus pés. Ela nunca tinha estado na neve. Agora está adorando. Deslizar não é um obstáculo, não. Olha para baixo, sorrindo, vê os flocos de neve brilhar, cor de laranja. Neve cálida! Lembra que está sendo filmada e segue em frente, não vai parar; quer se aprimorar, mas logo esquece. Escuta o som suave e rasgado da neve, que a corteja, docemente. E o vento que embrulha o anoraque. Seu anoraque vermelho, tão bonito. Nunca se sentiu tão leve assim. Sorri; desliza e vai abrindo o sorriso. Não pára. Aproxima-se muito dos abetos, sente o coração acelerar. Vira, vira à esquerda, olhando a prancha, vê se obedece! Vê passar um pedaço de azul de anoraque. O anoraque dele. Se sente linda, linda. E sorri tanto porque é a primeira vez. E está se dando bem. Tu-do tão na-tu-ral. Certamente ele está olhando, e ainda gravando – bobo! –: ela não vai olhar. Vira de novo, e escapa, mais uma vez não pára. Não quer, não quer parar. Ela nunca viu a neve, nem se sentiu deslizar. Fraquejam-lhe as pernas, está chegando abaixo, agora é que vai se jogar. Ele passa reto, trava a prancha, perto, perto. Ah, ela não pode mais! Cai de costas na neve, protegida no anoraque. Nunca foi tão linda – sabe, sente – como embaixo desse céu, sobre essa neve. “Pára!”, grita; porque não quer ser filmada, porque somente ela sabe, porque isso que ela sente não vai aparecer. Ouve sua própria gargalhada; seu peito que se abre, que dói. Vira a cabeça para o sol, sente frio na orelha. A bola vermelha vazando nas telhas de ardósia – o refúgio. Lembra o sabor do chocolate, tão quente, tão bom. Tudo tão bom, agora. Olha de novo para cima. As pontas verde-azuis dos abetos. O céu claro e sem nuvens. Alguns fios de cabelo. E essa cara de bobalhão!

Tuesday, April 15, 2008

Da Folha para vocês 6 (Crack no Rio, de Elio Gaspari)

La presencia de crack en las calles de Río y otras grandes ciudades será un factor de reducción de la criminalidad en un plazo de tres a cinco años.

El motivo es triste y simple: quien empieza a tomar crack difícilmente lo deja, y quien no lo deja muere.

La droga puede llegar a la clase media, pero en pocos meses el adicto cambia de clase, ya que, a diferencia de la cocaína y la marihuana, el crack incapacita a la persona para cualquier otra cosa que no sea tomar crack.

El temps

Entre ahir i avui he passat de caminar buscant l'ombra a caminar buscant el sol. I això no és cap cony de metàfora. És que ha canviat el temps. Ara hauré d'anar a comprar roba, cagumcony. I demanar més mantes.

Monday, April 14, 2008

No elevador

No elevador, hoje, depois da aula, éramos eu e umas oito colegas, e eu estava perto da porta. Chegamos ao térreo, e fiquei na dúvida, com um pé adiantado. Mas deixei passar todas elas. Quando a última passou por mim, ela falou, rindo: "É muita mulher para ser cavalheiro!". Gostei da frase. Lhe disse que gostei da frase e que ia usá-la. Mas não, acho que não vou saber. Já interiorizei esse tipo de gestos. Nem sei se elas gostam ou não.

Sunday, April 13, 2008

Dos mesos després, a Itàlia...

... Campions de la Copa ULEB.

Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!

Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.

Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!

(No és un post repetit, és que ara la Penya guanya sempre :)

Show Inclassificáveis

Fui ao show do Ney Matogrosso! Três dias de teatro lotado, sem ingressos segundo o jornal. Mas consegui ingresso de pé. (Simples desejo...)



Simples desejo (de Luciana Mello)


Que tal abrir a porta do dia-a-dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar,
Pensar em nada...

Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem

Thursday, April 10, 2008

O que aconteceu com Baleia?

Estou de novo na oficina de escritura criativa da Faculdade de Letras da PUCRS, desta vez como aluno do mestrado em Letras. E, finalmente, depois de duas ou três aulas sem entregar NADA, produzi este conto, um texto breve escrito em pouco tempo, na sala de aula, a partir somente de um título misterioso dado pelo professor: O que aconteceu com Baleia? (assim, sem artigo). Os mini contos que resultaram desse título foram bem interessantes!

Baleia virou assunto de documentário. Nenhum exemplar sobreviveu à última guerra. Houve quem culpasse exclusivamente aos japoneses, que teriam dizimado a população enchendo-se a comer filés de cetáceo em suas cadeias de fast-food. Porém, historiadores conceituados acreditam que os exemplares sobreviventes teriam bastado para repovoar o planeta, não tivesse sido pelos mísseis subaquáticos que durante o conflito cruzaram os mares dos cinco continentes. Golfinho também desapareceu, virou assunto de livro de biologia. E nem pôde dar tchau a Baleia, pois seu extermínio foi anterior. Nesse caso não há acordo entre a comunidade científica, estando norte-americanos e chineses ainda divididos quanto à responsabilidade dos hábitos alimentares nipônicos e, portanto, às medidas a adotar.

Wednesday, April 09, 2008

Haicai

Estou lendo uns livros chatos do Roland Barthes para uma disciplina do mestrado; textos, na verdade, que não são chatos-chatos, parece que ele se moderou na velhice. Nesses livros, que são os textos dos últimos cursos que ele ministrou na França, A preparação do romance I e II, ele dedica muito tempo a falar dos haicai, e se deleita com a imediatez que encontra em eles (de novo: fica esquisito isso, esse deleite pela imediatez e simplicidade, sendo ele quem foi...). Enfim, gostei dalguns deles e queria compartilhá-los, se bem que talvez não pareçam tão bonitos fora do contexto em que Barthes os coloca. Uma citação de Valery pode ajudar: "Os poetas do Extremo-Oriente parecem ter se tornado mestres na arte de reduzir à sua essência o prazer infinito de estar emocionado". (O que tem a ver o haicai com o romance? Não sei porque ainda não li a parte II.) (Ah, e este post e para o Yuji, de São Paulo, que se perdeu na Internet depois de passar o vestibular. Dá um oi se passar por aqui...)


Furu ike ya
Kawazu tobikomu
Mizo no oto

Tá, estou brincando (ou então esse só vai entendê-lo a Cristina; e o Yuji, claro).


Deitado
Vejo passarem as núvens
Quarto de verão

(Yaha)


O vento do inverno sopra
Os olhos dos gatos
Piscam

(Bashô)


O riacho de verão
Passado a pé que felicidade
Tamancos na mão

(Buson)


Para o Ronaldo, que gosta de olhar as estrelas:

As flores de verbena branca
Também em plena noite
A via láctea

(Gonsui)


Um haicai moderno:

Empregados de banco de manhã
Fosforescentes
Como moluscos

(Kaneko Tôta)


Portinha de treliça
Flores num vaso
Cabana da paz

(?)


Para quem gosta de andar descalço:

Frescor
Na parede a planta de meus pés nus
Sesta

(Bashô)


Estação das chuvas. Olhamos a chuva
Eu e atrás de mim, de pé,
Minha mulher

(Rinka)


Chego pela senda da montanha
Ah! Isto é lindo
Uma violeta

(Bashô)


Em meu copo de saquê
Nada uma pulga
Absolutamente

(Issa)


"Isto, Isto"
Foi tudo o que pude dizer
Diante das flores do monte Yoshino

(Teishitsu)

Tuesday, April 08, 2008

Wednesday, April 02, 2008

Cancer (a poem)

Cancer, that worst of words
How many members of how many families
That didn't speak to each other or look at each other's face
Has that only illness had the power
To reconcile, in all the world, all these years?

Tuesday, April 01, 2008

Adriana (a poem)

(This came to my mind this morning while I was still asleep - it came in English, maybe because yesterday I wrote an e-mail to Kris.)


Adriana went to the market
Went to the bank
Went to the library
And went to the store

And by the end of the day
She had four lines of poetry
That she gave to her creative writing teacher
With whom she was in love

O mercado não resolveu! :o)

Este post é dedicado àqueles (na Espanha, no Brasil, nos EUA) que ainda gostam de defender o livre mercado desregularizado. (Estou sem tempo para traduzir o artigo para o espanhol.) (Eu, como meu pai, estou indignado pelo jeito como o Estado teve que ir ao resgate dos especuladores; eles, que sempre o desprezaram (mas a vida é cheia de ironias); todo o mundo deveria estar indignado, porque é todo o mundo, o cidadão, quem paga, agora, pelas loucuras que os especuladores fizeram para se enriquecer - com a aquiescência dos economistas neoliberais até agora no comando.) (É só clicar sobre a imagem para poder ler o artigo.)

Monday, March 31, 2008

Sobre beijos, marinheiros e Jorge Amado

1. Costumo contar em Barcelona como são os beijos na boca que homens e mulheres se dão em Salvador. Beijos apaixonadíssimos, beijos de minutos, beijos que eu nunca vi - nem no cinema. Não é só durante a folia do Carnaval. Também no shopping, no ônibus, em todo lugar. Impressiona. E sabem o que? Encontrei uma explicação - uma explicação que bem pode não ser a boa, mas que é tão bonita que seria legal que o fosse. Está - e continuo monotemático - no livro Mar morto, do baiano Jorge Amado, um de cujos parágrafos diz assim (traduzo para o espanhol, senão não tem graça e o post não é mais meu):


Judith solloza en el cuarto. Es el destino de todas ellas. Los hombres de la vera del puerto sólo tienen un camino en la vida: el camino del mar. Por él se adentran, ese es su destino. El mar es el dueño de todos ellos. Del mar vienen toda la alegría y toda la tristeza porque el mar es el misterio que ni los más viejos marineros entienden, que no entienden ni aquellos antiguos maestros de barcos de pesca que no viajan más, y apenas remiendan velas y cuentan historias. ¿Quién consiguió descifrar el misterio del mar? Del mar viene la música, viene el amor y viene la muerte. ¿Y no es sobre el mar que la luna es más bella? El mar es inestable. Como él es la vida de los hombres de los barcos pesqueros. ¿Quién de ellos tuvo un fin de vida igual al de los hombres de tierra, que acarician a sus nietos y reúnen a las familias en almuerzos y cenas? Ninguno de ellos anda con ese paso firme de los hombres de tierra. Cada uno tiene algo en el fondo del mar: un hijo, un hermano, un brazo, un barco que volcó, una vela que el viento de la tormenta despedazó. Pero, del mismo modo, ¿cuál de ellos no sabe cantar esas canciones de amor en las noches del puerto? ¿Cuál de ellos no sabe amar con violencia y dulzura? Porque cada vez que cantan y aman, bien puede ser la última vez. Cuando se despiden de las mujeres no dan rápidos besos, como los hombres de tierra que van para sus negocios. Dan largos adioses, agitan las manos, como todavía llamando.

(Acabei de fazer a pesquisa: para quem se interessar, existe uma edição em espanhol da Editorial Losada, de Buenos Aires, de 2005, à venda em La Casa del Libro, Barcelona.)


2. Um escritor gaúcho atual falou que nos romances dele não tem mais cenas de sexo. Disse que já foi tudo escrito, que não há como escrever nada novo sobre isso. Jorge Amado escreveu esse romance, um dos seus primeiros, nos anos 30, quando tudo "já tinha sido escrito" também. E ele colocou isto em uma frase só, menos de 10 palavras. É depois da primeira noite de sexo na vida do protagonista, marinheiro macho:

"Ele era homem, dobrava uma mulher aos seus pés."


3. Capitães da Areia foi o primeiro livro em português que eu li: chegou por correio a Barcelona, em 2001, presente de minha amiga carioca Isabel, graças a quem eu vim pela primeira vez ao Brasil, em 2003. Depois eu li Gabriela, cravo e canela, presente de Gabriela, que fez questão de dar-me o livro em capa dura, porque assim eu tinha os Capitães. Foi em 2005. Já em 2007, ganhei Cacau do meu amigo Ronaldo, baiano, que quis que eu soubesse como era a vida dos escravos nas fazendas de cacau. Ronaldo, o maior presenteador de livros que eu conheço (maior que o meu pai!), é quem deu quase todos os livros de Amado à Rose [Ups! A Rose me corrigiu: o que ela ganhou do Ronaldo foram todos os livros do García Márquez - além de muitos outros.] E eu agora pretendo tê-los também, nas novas edições da editora Companhia das Letras, que ganhou em leilão os direitos da obra completa do escritor, até há pouco da Record. Os primeiros quatro volumes que saíram, entre os quais Mar Morto, Dona Flor e seus dois maridos e A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, são lindérrimos (não que os da Record não o fossem, mas a Cia. se puxou). Foram apresentados num show em São Paulo, no maior evento feito até agora por uma editora, a semana passada, com mais de 1.000 pessoas e a presença de Chico Buarque e Caetano Veloso, que cantaram e leram trechos dos livros. O editor da Cia. das Letras, Luiz Schwarcz, chegou a dizer nessa noite, brincando: "Bem-vindos à inauguração da Companhia das Letras!". Amado é muito Amado, e não importa o que digam os acadêmicos, os estetas, os leitores mais elitistas que gostam de se afastar do que cai na graça do povo: talvez não seja o melhor escritor, mas ele é, a meu ver (quem sabe, junto a Érico Verissimo), o melhor romancista do país.

Saturday, March 29, 2008

Un text boig del meu germà

Pels qui es queixen, amb raó, que no escric en català, un text boig del meu germà Ramon (editat i, ho sento, censurat).

Ja ho veuen... El germà fotògraf està tan ocupat que no té temps ni d'escriure... Ahhhhhhhhh... Alerta... Però no. Aquí estic de cos present. Per escriure't. Per enyorar-te. De nit, Porto Alegre en somnis. Esmorzo a Ipanema. Dino sota la palmera a Copacabana. Mentre sopo, Salvador. I a totes hores, tu, germà. Et voldria enviar versos, però sóc a Barcelona i no me'n surten. Et voldria enviar pernil, però no tinc diners per comprar-ne. Et voldria enviar amor, però la vida fa temps que em va gelar el cor. Nooooooooooooooooooooooo. La vida, si hi penses, què és? Records, experiències viscudes, coneixements adquirits, records. Un home està fet de records. Els records són allò que més temps conviu amb un mateix. La família, t'estimi o no, hi és, però passa. Les nòvies, te la [censurat], i passen, els amics, hi són, però passen. En canvi, el record de l'olor d'aquella fleca oberta de matinada que arribava a l'habitació de l'hotel de Bucarest et fa costat sempre. Encara que et tallin el nas. Perquè ja no és una olor. La vida és el que fas. Però sobretot el que has fet. Perquè el record normalment supera la il·lusió, per bé o per mal. Si ara jo penso en demà, penso en un dia. Però quan demà hagi passat, que també en podríem dir demà passat (potser ve d'aquí), ahir no serà només ahir, sinó que serà ahir durant tots els teus dies. De fet, poc ens hauríem de preocupar pels diners o tot allò tangible. Això ho vaig llegir ahir al Nou Testament. Emprèn el viatge, i no et preocupis de què menjaràs o què beuràs, perquè això t'impedirà assolir allò que realment busques. Déu, si estàs al seu costat, et proveirà de menjar i beguda, perquè Déu t'estima i Déu et protegeix. Em sembla que era una cosa així. Té raó en moltes coses, la paraula de Déu. Quants cops quedes amb una noia i estàs dos dies sense dormir, pensant com anirà tot, si li faràs un petó o si directament la posaràs de cara a [censurat]. En aquest cas, si segueixes el camí de la fe, no t'has de preocupar de res. Et [censurat] a qui t'hagis de [censurat]. Això em portaria a parlar del destí, però em fa mandra. Prefereixo explicar-te que l'Oriol segueix obsessionat amb el canvi climàtic. Em penso que li hauré de fer una broma... Potser algun dia es llevarà amb els ous vermells i súper inflats. Avui ja em deia que l'esquí s'està acabant... Com si a mi això em preocupés massa... Alerta, ja ho veuen. Nooooooooooooooooo. I ara t'escriuré un poema en binari: 111111111111000010 / 000100001000100000 / 000011111111111100 / 000000001111111000. Vés preparant un verset per la teva cunyada / que de nit i de dia me l'he [censurat]. El Mas ha guanyat un vot, dues convergents s'han fumat un puro amb bigoti [mmm, va, no ho censuro] i un repartidor ha descobert que el cel, si existeix, s'ha d'assemblar molt a [censurat]. Una abraçada, germà.


PS do Roger (em português): Um colega de aula, cara legal, me perguntou no café por que eu tinha dito duas vezes que eu era espanhol. Eu nem tinha me dado conta. "Ah é?". Parece que ele conheceu dois catalães, no sul da França ou na própria Catalunha, não me lembro bem, que fizeram questão que ele entendesse que eram só isso, catalães. Aí eu tive que explicar que eu também era catalão. Disse que na minha viagem ao Perú e à Bolívia, eu era "de Barcelona", porque lá emcima não gostam de espanhóis. Que no Chile, Argentina e Uruguai voltei a ser espanhol e catalão, mas que geralmente o melhor passaporte era sempre dizer Barcelona. Barcelona funciona como uma palavra mágica, gera simpatias, abre portas. E às vezes eu brinco e digo que sou baiano, carioca ou gaúcho (gaúcho na Bahia, baiano no Sul: só pra implicar). Enfim, o que eu quero dizer é que, inclusive aqui, no Brasil, por ser catalão, ou é espanhol?, preciso me explicar, dizer o que eu "sou". Não deveria ser necessário. Nacionalismos, patriotismos, bairrismos... Estou fora, viu?

Friday, March 28, 2008

É doce morrer no mar

(Música de Dorival Caymmi, letra de Jorge Amado.) (Existen versiones de Caetano Veloso, de Marisa Monte y de muchos otros.) (La letra reproduce la canción que un viejo marinero negro canta, de noche, en el puerto de Salvador, y que Lívia oye mientras espera la vuelta de su marido, Guma, en la novela Mar morto.) (Ah, y el vídeo es de un tal vazvazvazvazvaz.)



Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

La noche que él no volvió fue
Fue de tristeza para mí
El barco volvió sin él
Triste noche para mí

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

El barco partió de noche y fue
De madrugada no volvió
Al marinero bonito
La sirena del mar se lo llevó

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

En las olas verdes del mar mi amor
Mi querido se fue a ahogar
Hizo su cama de novio
En el regazo de Iemanjá

Es dulce morir en el mar
En las olas verdes del mar

Mini post con frase romántica

(¡Y en español! Es que me dicen que mi padre acerca la cara a la pantalla para ver si entiende lo que escribo: "Joder, aquest tio ho fa sempre en portuguès!".)

Leí una vez una frase, pintada en letras grandes en un muro, que me atrajo especialmente por la rima y por su significación:

CHICA DEL CIELO
TE ESPERO

El chico debe de estar esperando todavía, claro. Si no ha muerto ya. Pero la frase sigue pareciéndome bonita.

(Me pongo romántico (como diría Maritrini, en su español particular) porque estoy leyendo Mar morto, de Jorge Amado.)

Sunday, March 23, 2008

A melancolia

Na aula da disciplina de Narrativa dedicada ao ensaio A filosofia da composição, de E. A. Poe, a dupla de estudantes encarregada da apresentação incluiu, no final, quatro perguntas relativas ao texto. Uma delas questionava a afirmação de Poe de que a melancolia era o sentimento mais intenso que qualquer poesia podia expressar; ou, dito de outro jeito, o tema por excelência da poesia universal. A maioria de alunos acharam que não, mas eu fiquei na dúvida. O Corvo, que é a poesia analisada pelo autor em seu ensaio, é sobre a morte da mulher amada, e logo me vieram à cabeça poemas de outros autores, de outros amantes que não conseguiram realizar seu amor e escreveram cheios de melancolia. Falei nos trovadores, falei em Petrarca e Laura, e disse que, se bem que a melancolia podia não ser o grande tema da poesia, ela aparecia uma e outra vez ao longo da história da poesia ocidental. Alguns alunos pareciam não saber exatamente definir melancolia. Não que não soubessem o que era, pois qualquer pessoa tem se sentido melancólica alguma vez; mas não a diferenciavam da tristeza, por exemplo. Eu, para muitos desses conceitos (a piedade, o sublime, etc.), tenho gravadas na memória as definições dos filósofos que me deram aula durante a graduação ou daqueles cujos livros li nesse período. E melancolia é, para mim, aquele estado de espírito, ou, melhor, de ânimo, que não se adequa ao estado das coisas do mundo ao redor; aquele estado em que alguém se sente em desacordo ou desconforto íntimo com o mundo. Estar melancólico seria o contrario de estar ou se sentir em harmonia com o mundo. E, sendo assim, minha resposta seria que sim, que muitos poemas nascem da melancolia. Ou, inclusive, que o poeta é um ser melancólico (menos dramaticamente, alguém com tendência à melancolia). Não só Poe, os trovadores, Petrarca, o primeiro Dante, o Shakespeare dos sonetos, etc. teriam fundado seus poemas na melancolia: também, grandes personagens da literatura universal criadas por estes e outros autores seriam melancólicos. Madame Bovary é uma personagem melancólica. A melancolia de Hamlet é tão grande que o leva a pensar em alcançar a harmonia com o mundo através da morte, como tantos outros. E os rebeldes, os desconformes - a literatura está repleta deles -, o que são? Dom Quixote? Voltando aos autores: o poeta não é um ser "deslocado", que olha o mundo "de fora", de um "outro lugar"? Claro que tem poetas que exaltam a beleza, a bondade, etc.; ou que inclusive acham sentido na vida :) Mas é em momentos raros nas suas obras. Em geral, quando o poeta, ou a pessoa, está feliz - feliz da vida-, não escreve, dedica-se a viver. Mais do que contar esse momento de plenitude, o mais provável e sensato é que o curta. Que vá curtir um banho de mar, passear com a namorada. ... A não ser que esteja em Salvador. Se estiver em Salvador de Bahia, então, mesmo feliz, nesses momentos de calor insuportável, no meio-dia, depois do almoço,... achará a melhor opção ficar em um lugar tranqüilo, à sombra, e, tomando um suco de abacaxi, acerola ou manga, escrever alegremente sobre a felicidade experimentada durante a noite ou a tarde passadas ou por vir.


Este post poderia ser para o meu pai, que hoje faz 60 anos, e que, em muitos aspetos - não em todos! ;) - tem sido - e é - um modelo para mim. É para ele, que fez 60 anos e me disse que é feliz.

Thursday, March 20, 2008

Na PUCRS

Esta semana foi muito pesada, estou muito cansado, chateado até. Digo foi porque amanhã já não temos aula, ainda bem. Essa questão da bolsa integral que perdi. Acho que não fui informado bem, portanto não fui tratado bem. Dois alunos falaram comigo e foram muito legais, explicaram-me tudo direitinho, sem eu pedir, sem eu conhecer eles. O que os professores responsáveis deveriam ter feito no seu momento e não fizeram. Depois, voltar a falar com a coordenadora foi outra história. Chato, pesado. E depois com o pró-reitor de sei lá o quê. Ele me dedicou todo o tempo do mundo, então sim. Quando o assunto não tinha mais volta.

E as aulas, o nível. Hoje até falei com a Raquel (que vai me ajudar com o romance :): "E com o mestrado faço o quê?" :(


PS: Lido em Lima Barreto:

Eu não tenho nenhuma espécie de superstição pelos nossos títulos escolares ou universitários; eles dão algumas vezes algum saber profissional, muito restrito e ronceiro, e nunca uma verdadeira cultura.

PS2: E lido no blog da Carol, que cita Faulkner:

Que o escritor se dedique à cirurgia ou à profissão de pedreiro, caso se interesse pela técnica. Não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. O jovem escritor seria um tolo se seguisse uma teoria.

Pau no Lula Department

Do perfil de Larry Summers (professor em Harvard, ex-secretário do Tesouro no governo Clinton), hoje na Folha Dinheiro.

... "Eu não acompanho o Brasil", disse. A declaração é útil e contém, pelo menos, duas revelações. Primeiro, sabe-se que um dos principais economistas dos EUA é desinformado deliberadamente sobre o Brasil. Segundo, que o otimismo panglossiano do presidente Lula e de seu governo ainda não atingiu nem contagiou parte do establishment do mundo desenvolvido.

É isso aí redator: pau nele quando convém e quando não convém também.

Book Quotations Department

Da entrevista a Larry Summers (professor em Harvard, ex-secretário do Tesouro no governo Clinton), hoje na Folha Dinheiro.

FOLHA - Mas há alguma diferença identificável entre a crise atual e as outras que os EUA enfrentaram nas décadas passadas?

SUMMERS - Tólstoi dizia que cada família feliz é igual e que cada família infeliz é também semelhante de alguma forma.


Hein?

Sunday, March 16, 2008

De como é duro ser uma lôrabúrra

Estive em uma festa de aniversário, à noite, um churrasco em casa de um parente do aniversariante. Com jovens e adultos. Umas 40 pessoas ao total, distribuídas, na hora da janta, entre a mesa da sala de festas e as mesinhas colocadas sob céu aberto, no pátio, à beira da piscina. Lá pela metade da festa chegaram um garoto, parente, e sua acompanhante, uma lôrabúrra (loira burra, rubia burra, stupid blonde: existe em todos os idiómas e em todos os lugares, ao que parece). A menina usava um vestido vermelho curto e decotado, e seus grandes seios, apertados, pereciam prestes a explodir; e estava com muita maquiagem. A primeira frase que um dos adultos falou, ao receber o casal, foi, dirigindo-se ao garoto: "Pô, cara, tu está com uma namorada nova a cada semana!". Ele não pareceu se incomodar. Respondeu, rindo: "Nem tanto! Só a cada duas, três!" (ou alguma coisa parecida). Ela, quieta. Até sorrindo, achei. Mais tarde, alguém da mesa dos adultos, de dentro da sala de festas, gritou: "Menina, com as mãos não! Tem garfo e faca!". É que a menina estava comendo uma costela com as mãos, no pátio, sentada com o namorado. E o mesmo homem falou à mulher ao lado: "E tu que achava que tinha arrumado uma princesa como nora! Ha ha!". Mais tarde ainda, a menina passou a estar sozinha, de braços cruzados mas sempre sorrindo, na mesinha em que tinha estado jantando com o namorado. A turma de jovens estava reunida, batendo papo, em uma mesa atrás da dela, namorado incluído. E ela ficou lá, olhando para o nada e sorrindo, um tempão. Abandonada que nem um objeto ou um velho troféu. É verdade que houve um momento em que ele se mostrou atencioso. E é que depois de deixá-la sozinha por uns quinze minutos, aproximou-se um momento para jogar em cima de seus ombros e seus seios um blusão. A noite estava ficando mais fria...

Thursday, March 13, 2008

Da Folha para vocês 5 (É prohibido viajar, de Contardo Calligaris)

[Leí una vez en un blog que alguien se preguntaba: "Y en vez de suscribirme a la Folha... ¿no podría suscribirme solamente a Calligaris?". Yo no consigo dejar de leer el periódico, o periódicos, cada día, pero es cierto que el jueves es el día en que sé que comprar la Folha valdrá la pena, porque es el día del artículo de Calligaris, que siempre es bueno y a veces es un regalo. Gracias a él he leído buenos libros (Falling Man), he visto películas que de algún modo me han marcado (Little Children), o he revisado o intentado cambiar alguna de mis actitudes. Lo que Calligaris escribió en un artículo sobre viajes (como el de hoy), por ejemplo, acompañó a Gabriela cuando se fue al Canadá; y otro artículo suyo hizo temblar a mi hermano Oriol, inseguro de lo que estaba haciendo con su vida profesional.]


En el episodio de los jóvenes investigadores brasileños a los que se prohibió la entrada en Madrid, las autoridades españolas actuaron como si el cónsul general de Brasil se inventara historias para facilitar el tránsito de inmigrantes ilegales. Esa falta de respeto justifica las represalias brasileñas.

Pero cada día las fronteras del mundo (no sólo del primero) se cierran para alguien que intenta viajar, sobre todo si es joven, soltero y sin la apariencia de "tener una vida hecha".

Al cruzar una frontera, el pasaporte prueba que estamos en paz con la Justicia de nuestro país. Las otras naciones deben decidir si somos huéspedes deseables. En las últimas décadas, las "condiciones" para ser deseable se han multiplicado. Hoy, en el caso de España: 1) 70 euros por día de permanencia; 2) pasaje de vuelta; 3) reserva de hotel, ya pagado; 4) para quien se hospeda con parientes, formulario rellenado por los mismos; 5) quien se desplaza para trabajar debe disponer de un contrato firmado. Normas muy parecidas valen en la mayoría de países.

El escándalo es que esas condiciones pueden parecernos "aceptables". A fin de cuentas, cualquier Estado quiere proteger el empleo de sus ciudadanos impidiendo la llegada de inmigrantes no autorizados, ¿no es así?

Si es así, Michel Foucault es realmente el pensador para nuestros tiempos: el sistema social y productivo dominante ordena nuestras vidas furtivamente, convenciéndonos de que no hay opresión, sino sólo necesidades "racionales". Si encontramos esas normas "aceptables", es porque ya hemos adoptado la idea de que, en nuestro mundo, sólo es legítimo tener residencia fija y profesión estable.

Las personas con residencia fija pueden, cuando disponen de los medios necesarios, adquirir un billete de ida y vuelta y salir de su hogar siguiendo un programa preestablecido -es decir, pueden ser, ocasionalmente, turistas.

Escarnio: se prefiere que los turistas sean burros, que paguen por adelantado. ¿Hay una posada mejor que la que habían previsto? ¿Quieren acortar su viaje? Qué pena, ya pagaron. Pero eso es lo de menos.

Lo que importa es lo siguiente. La modernidad, que empezó con la circulación (libre o forzada) de todos los agentes económicos, acaba pariendo ni más ni menos que la prohibición del viaje. ¿Cómo?

Pues sí, viajar no tiene nada que ver con pasar vacaciones en un resort o con ser transportado de ciudad en ciudad para que los cicerones nos muestren las cosas "memorables".

Para empezar, viajar es usar un billete sólo de ida.

-¿Cuánto tiempo va a quedarse?
-No tengo ni idea. ¿Un día? ¿Tres meses? ¿Un año?
-¿Y adónde va?
-No sé. Tal vez me quede en alguna playa, alquile un cuarto en una casa de pescadores y me pase días comiendo cangrejos con los pies en la arena. Tal vez, en el avión o por las calles de Barcelona, me enamore de una holandesa, un ruso o una argelina y les siga hasta su país, por una semana o un mes. Y si la pasión dura, me quede por ahí.
-¿Y el dinero?
-No lo sé, amigo. Toco la guitarra, puedo ganar algo tocando en una esquina o en el metro. También puedo lavar platos, ayudar en la cosecha, cortar leña, lavar coches y vender pullovers. Y si la cosa se pone difícil, tengo las direcciones de parientes y conocidos que ni saben que estoy viajando, pero que no me negarán una sopa o un baño caliente. Además, en París, cuando cierra el mercado de la rue Saint Antoine, sobran en la acera las frutas y verduras no vendidas durante el día; en São Paulo, Londres y Nueva York, conozco docenas de iglesias que ofrecen pan con mantequilla; en Varanasi, al mediodía, distribuyen arroz con curry y carne a los peregrinos.

Cien años después de la invención del pasaporte con fotografía, llegamos a esto: una orden que sólo permite moverse para consumir vacaciones o para reubicarse según los imperativos de la producción.

Las normas que cierran el paso al viajante expresan nuestra propia miseria colectiva: perdemos de golpe el sentimiento de que la vida es una aventura. Preferimos la vida hecha a la vida por hacer.

Para quien quiera leer sobre la historia de la documentación de viaje, una sugerencia: "Invention of the Passport: Surveillance, Citizenship and the State" (invención del pasaporte: vigilancia, ciudadanía y el Estado), de Torpey, Chanuk y Arup (Cambridge University Press).

Para quien quiera viajar, otra sugerencia: la mentira, en un mundo opresivo, es una forma aceptable de resistencia.

Saturday, March 08, 2008

Traduccions de Brasil 46 (Socorro, de A. Antunes)

(Maravilloso una vez más Arnaldo Antunes. Gabriela me regaló "Ao vivo no estúdio".) (Acontece comigo que quero compartilhar tudo. Estava deitado na cama vendo o DVD, e levantei-me para escrever este post, e depois continuar assistindo.)



Socorro!
No estoy sintiendo nada
Ni miedo, ni calor, ni fuego
No voy a poder llorar
Ni reír...

Socorro!
Que alguna alma
Aunque apenada
Me preste sus penas
Ya no siento amor
Ni dolor
Ya no siento nada...

Socorro!
Que alguien me dé un corazón
Que éste ya no bate
Ni se rompe
Por favor!
Una emoción pequeña
Cualquier cosa!
Cualquier cosa
Que se sienta...

Hay tantos sentimientos
Habrá alguno que sirva
Cualquier cosa
Que se sienta...
Hay tantos sentimientos
Habrá alguno que sirva

Socorro!
Alguna calle que me dé sentido
En algún cruce
Arcén, encrucijada
Socorro!
Yo ya no siento nada

Socorro!
No estoy sintiendo nada
Ni miedo, ni calor, ni fuego
Ni ganas de llorar
Ni de reír...

Socorro!
Que alguna alma
Aunque apenada
Me preste sus penas
Ya no siento amor
Ni dolor
Ya no siento nada...

Friday, March 07, 2008

Hoje na Espanha

Muere el ex concejal socialista Isaías Carrasco, tiroteado en Mondragón

El ex concejal socialista de la localidad guipuzcoana de Mondragón Isaías Carrasco ha muerto en el hospital tras recibir varios impactos de bala (tres o cuatro) por la espalda en presencia de su mujer y su hija a pocos metros de la puerta de su casa. Según ha confirmado el consejero de Interior del Gobierno vasco, Javier Balza, los disparos fueron efectuados por un único individuo, mientras una segunda persona esperaba en un vehículo.


:'-(

Que nojo. Nós na Espanha podemos nos orgulhar por termos o terrorismo mais gratuito e mais covarde do mundo.


PS: Nojo também dos policiais que estão impedindo a entrada de brasileiros em Madri.

Thursday, March 06, 2008

Traduccions de Brasil 45 (Balada do Louco, de Arnaldo Baptista e Rita Lee)

Um grande artista (Ney Matogrosso) cantando uma grande música de um grupo que foi muito grande: Os Mutantes. (A procurar na fnac L'Illa.)

(Pensando no meu pai, que hoje em um e-mail me escreveu: "Eu sou feliz".)



Dicen que estoy loco
Por pensar así
Dicen que estoy loco
Porque soy feliz

Pero loco es quien lo dice
Y no es feliz, no es feliz

Si ellos son bonitos, soy Alain Delon
Si ellos son famosos, soy Napoleón
Pero loco es quien me dice
Que no es feliz, no es feliz

Juro que es mejor
No ser normal
Si puedo pensar que Dios soy yo

Si ellos tienen tres coches, yo puedo volar
Si ellos rezan mucho, yo estoy en el cielo

Pero loco es quien me dice
Que no es feliz, que no es feliz

Juro que es mejor
No ser normal
Si puedo pensar que Dios soy yo

Sí, estoy muy loco, no me voy a curar
Ya no soy el único que encontró la paz
Pero loco es quien me dice
Que no es feliz
Eu sou feliz

Fun Home: A Family Tragicomic

Para não continuar sendo chato falando em filmes que eu não gosto: recomendo MUITO a HQ (comic, novela gráfica) Fun Home (que apesar do título tem muito pouco de fun), de Alison Bechdel. É o melhor livro que eu li no último ano. O melhor filme que eu vi.

Uma citação da NYT Book Review, na contracapa, diz quase tudo de um jeito exato: "Uma obra pioneira, que eleva dois gêneros (quadrinhos e relato autobiográfico) a novos patamares, com quadros que combinam o detalhismo e o apuramento técnico de R. Crumb com uma seriedade, complexidade emocional e um espíritu inovador totalmente pessoais".

Um capítulo do livro estava na coletânea de HQ The Best American Comics 2007 que eu comentei em dezembro e achei fraca. Eu gostei desse capítulo, mas fui bastante burro para não procurar o livro, talvez achando que não ia encontrá-lo, ou desapontado pela coletânea em si. Gostei até porque o tema do capítulo escolhido, uma neurose da garota protagonista, me era próximo.

Felizmente, já no Brasil, meu amigo Pedro me emprestou o livro, na versão em português (vi agora que não saiu ainda em espanhol, mas vai sair: tem livros anteriores da autora editados por La Cúpula). E estou escrevendo isto antes de chegar ao final. Não quero chegar ao final. E acho que não devolvo o livro ao Pedro. :p

É uma ótima leitura para todo o mundo, mas mais ainda para quem gosta de literatura. Porque fragmentos de Camus, Proust, Wilde, Colette ou Joyce (nunca chatos) servem de ajuda à protagonista, em diferentes momentos de sua adolescência e juventude, para entender o que se passa - ou o que dá para entender do que se passa - na casa e na vida dela - e na cabeça da outra grande personagem: seu pai.

Monday, March 03, 2008

Cinema está cada vez pior 2

Existem pessoas que fazem comentários sobre o que eu escrevo neste blog; não comentam aqui -são leitores tímidos, ou "silenciosos", como se autodenominaram alguns leitores do blog da Maria (ela sim, tem comentários) quando nasceu o Max-, mas me escrevem. Um deles é meu irmão Oriol, e como os comentários dele costumam ser engraçados, e como eu não tenho nada melhor para fazer agora, e como ele não vai se importar, vou traduzi-los e editá-los a seguir, com alguns comentários meus. Ele faz, ou quer fazer, cinema -no momento o que ele faz é publicidade, ajudando a piorar este nosso mundo, mas chegará um dia em que...

Acredito que estes posts também podem servir de ajuda a algumas pessoas, para que elas não caiam na tentação de gastar seu dinheiro em filmes..., vamos dizer, medíocres.

(Que olhar hein? :)

Que o cinema anda mal, ele diz, é uma idéia que compartilho contigo. É o que eu sempre digo: o cinema está precisando de mim [tá bom, irmão! :o); mas, vamos ver, é verdade que o primeiro projeto sério seu está começando a andar; espero que a atriz escolhida seja bonita, tipo Alice Braga ou Fernanda Machado, na foto]. Mas não consigo deixar de ir ao cinema. E sim, vou ver alguns dos filmes indicados ao Oscar. O cinema é um dos prazeres da vida moderna, e não posso renunciar a ele assim tão facilmente, apesar de ter de engolir mediocridades que só me deixem um pouco entretido. Além de que, como dizia um professor que eu tive, dos filmes bons se aprende, e dos ruins se aprende mais [eu não concordo; qual professor?; na literatura não é assim, por que no cinema seria?].

Vou te dizer, ele diz: na terça, em um ataque de irracionalidade momentânea, entrei sem motivo explicável em uma sala onde projetavam Sweeney Todd, e só posso dizer três coisas. 1) Não vá não! 2) Pega a grana e investe na criação de formigas vermelhas africanas: será uma aportação melhor à humanidade [não sei se ele falou por falar, ou se as formigas vermelhas africanas servem a algum propósito]. 3) Por que me deixei enganar mais uma vez pela fama do Tim Burton, quando eu não gostei de nenhum dos seus filmes? [E Edward Scissorhands? Esse é um dos poucos que eu não vi; será que é o único filme verdadeiramente bom que ele fez?; eu também me deixei enganar muitas vezes.] Bom: perdi a consciência antes de entrar, e dentro também, porque acabei dormindo na sala.

E aqui meu irmão Oriol passa a me dar notícias sobre os nossos times de basquete e futebol preferidos, que -eles sim- estão dando prazer à torcida, ao menos este ano.

Ele ainda recomenda um vídeo do youtube. Ele é fã de Hank e John Green, os vlogbrothers's, dois irmãos que mantém um videodiario para se comunicar, porque um está morando no Canadá -acho- e o outro nos Estados Unidos. Eu gosto do Hank, ele é MUITO criativo e engraçado, e este vídeo é massa.

Adaptação de "Travessa do Eixão" (Legião)

A Rosa avisou à Rose, que estava na faculdade: "O bicho está pegando no Engenho [Velho da Federação]". :(

Nossa Senhora Do Cerrado
Protetora dos pedestres
Que sobem a ladeira
Às seis horas da tarde
Fazei com que eu chegue sã e salva
Na casa dos meus pais


(PS para os fãs da Legião Urbana:

SHOWBIZZ [1996]: E "Travessa Do Eixão", de onde saiu?

Bonfá: Isso é de um grupo chamado Liga-Tripa, faz parte de uma época legal em Brasília. Eles eram os mais malucos de todos, eram hippies. Diziam: "Ah, que legal, vai ter show, né? A gente pode tocar também?" E nós: "Que nada, cara! Tu é hippie, xará!" Mas eles estavam cagando se a gente era punk, eram muito legais.
Dado: Essa música é o seguinte: tem uma outra música que não entrou nesse disco. (Olhando para Bonfá) Acho que vai entrar no próximo (risos cúmplices dos dois): "Setor De Diversões Sul"!
Bonfá: Era a baixaria de Brasília.
Dado: Você ia lá, tinha os puteiros, os bares, os recos, os travestis... A letra fala de um cara que se acabou lá, no esquema "mais uma dese de gim". Ele gostava mesmo é de fazer xixi na rua, essas coisas... E aí, ele tá lá, caído na calçada, pára um carro e - quem é? Eduardo e Mônica, que eram amigos dele, já casados. Eles falam assim: "A gente vai te levar no A. A. e fazer sua cura". E no meio do caminho eles começam a cantar: "Nossa Senhora Protetora..." A gente acabou só pegando esse finalzinho.)

Friday, February 29, 2008

Traduccions de Brasil 44 (As mortes sucessivas, de Adélia Prado)

(Versió millorada...)

Cuando mi hermana murió, lloré mucho
y me consolé deprisa. Tenía un vestido nuevo
y había maleza en el patio donde yo iba a existir.
Cuando mamá murió, tardé más en consolarme.
Tenía una perturbación recién hallada:
mis senos conformaban dos montículos
y quedé muy desnuda,
cruzando los brazos sobre mis senos lloré.
Cuando mi padre murió, ya no me consolé.
Miré retratos antiguos, busqué a conocidos,
parientes que me recordaran su habla,
su modo de apretar los labios y estar seguro.
Reproduje el encogimiento de su cuerpo
en su último sueño y repetí las palabras
que él dijo cuando toqué sus pies:
"Deja, está bien así".
¿Quién me consolará de este recuerdo?
Mis senos se cumplieron
y la maleza en que existo
es pura zarza ardiente de memoria.

Eleições

Notícia do Yahoo!:

"Los políticos Ridao, Herrera y Rivera admiten haber fumado porros." (Para quem não saiba: há eleições ao governo da Espanha no próximo dia 9.)

Isto me intriga. Qual é a relação entre ser político e ter ou não ter fumado baseado? Qual a relação entre a maconha e quaisquer eleições? Qual é o significado oculto de ter fumado maconha?

O Lula já fumou maconha?

Por que não perguntam a eles se já fizeram sexo a três???

Thursday, February 28, 2008

Cinema está cada vez pior

Jurei-me - e jurei para meu irmão Oriol - que não iria ver nenhum dos filmes indicados ao Oscar deste ano (ou similares: isto não é nada contra os Oscar). Porque é um fato: cinema está cada vez pior. Se a TV já é ruim para caramba ("57 Channels and Nothing On", cantava Bruce Springsteen há anos, e acabava fazendo explodir o televisor; eu aqui tenho 100, e é a mesma coisa), o cinema está chegando perto, e aqueles que, como eu, não têm "paciência para televisão", vão acabar não tendo paciência para ir às salas de cinema também. Voltando ao início. Jurei-me que não iria porque sabia que não seriam bons filmes, suspeitava que não seriam bons filmes. Acabei indo claro. Duas vezes. Justificação: depois do almoço, lá pelas 14:30, era isso ou dormir la siesta, e não gosto de dormir durante o dia. Vi Juno. Dei umas risadinhas durante a primeira metade do filme, mas depois me pareceu convencional e até meloso. (O Oriol escreveu que Juno "is pretty good": isso é que é "to lower one's standards", mas talvez seja o que devamos fazer...) E ontem vi No Country For Old Men. (O título até que é bonito, né? É um verso de Keats, ou Yeats...) Deus, que alguém me diga o que tem de bom esse filme. Tinha falado para meu irmão: deve ser pior do que Million Dollar Baby (que também ganhou o Oscar); mas no fundo pensava que podia ser legal. E estava a fim de ver ao Bardem. Bom: depois de meia hora estava querendo que aquilo acabasse, não sabia como me colocar na poltrona, só não sei por que não saí antes da hora. Não fiquei chateado, não, porque o erro foi meu. Minha culpa ter perdido duas horas. Já em casa, fui procurar as críticas no Rotten Tomatoes. Todo o mundo falando maravilhas, inclusive o Scott. Todo o mundo? Não! Meu segundo crítico favorito, Anthony Lane, também não gostou. Ele escreveu: "I found myself in the same predicament with the film as with the book - approaching both in a state of rare excitement, yet willing myself, all too soon, to be more engaged than I actually was". Que no meu português significa: Tédio (Com um T bem grande para os Coen). En fim. A única alegria que o cinema tem me dado ultimamente é o Urso de Ouro à Tropa de Elite. Não percam, lá na Europa.

Wednesday, February 27, 2008

Cidade Baixa (O filme)

Bom, já estou familiarizado com os seios da Alice Braga, huahau hauhaua! Vi ontem Cidade Baixa (em inglês, Lower City), de Sérgio Machado, e tive a sorte que meu laptop não resolveu se desligar em momento nenhum. Gostei. Não tanto quanto esperava, mas é que eu sou muito exigente, e quando o filme estava em cartaz, e eu já queria muito assistir, tinha lido críticas excelentes... Gostei muito da personagem dela, que está ótima, mas não acreditei muito na(s) história(s) de paixão. Não acho que role bastante "química" entre ela e as personagens do Lázaro Ramos e o Wagner Moura. Não sei não. (E essa barriga de cerveja do Wagner? Que coisa menos sexy!) Mas gostei de ver essa parte de Salvador que eu não conhecia, embora algumas coisas as conhecesse, sim, como o mercado ou feira de São Joaquim, ou esses meninos se jogando na água desde o cais ao lado do Mercado Modelo (isso só sai nos créditos finais). Gostei da imagem, da montagem, da música... E fiquei meio desapontado com o desfecho da história. Ah!, e o que mais me interessou foi ver como é hoje em dia essa antiga relação de marinheiros com prostitutas. Essas viagens das prostitutas até os barcos ancorados na bahia, em vez dos românticos passeios dos marinheiros pelos sujos cais dos portos...

Mas, voltando à Alice Braga (sobrinha da Sônia Braga). Eu tinha comprado a revista Bravo! de fevereiro, que por acaso inclui uma reportagem sobre ela. Li-a ontem depois de ver o filme. Alice está triunfando em Hollywood. Fez quatro filmes em um ano, e é a brasileira que, depois da Carmen Miranda, triunfou mais rápido lá. E tudo porque A. O. Scott, do New York Times, falando sobre Cidade Baixa escreveu: "Ela faz o filme".

E Alice continua me perseguindo, porque soube hoje, lendo a Zero Hora, que numa curta-metragem titulada Rummikub que o Jorge Furtado fez para a Internet em 2007 (não sei ainda se dá para ver), aparecem como protagonistas o filho dele, Pedro Furtado, amigo da Gabriela, e... adivinhem quem. Dá para dizer que o Jorge escolhe bem as contracenantes do filho, haha!!! Eu, se não me lembro mal (a encefalite apagou algumas coisas...) até já joguei Rummikub com o Pedro, mas a Alice não estava lá, pena! :))))

Tuesday, February 26, 2008

Anna Karénina

Finalmente acabei de ler esse longo, grande romance de Tolstoi com que meu irmão Oriol me presenteou no Natal. Demorei muito, e li-o aos trancos e barrancos (houveram coisas mais interessantes no meio: Barcelona, os amigos, o Carnaval,...), e por isso, desde já, digo que não sei se minhas impressões são muito confiáveis...

Comecei a leitura emocionado, sem poder parar, achando o livro algo semelhante a uma boa novela de TV (em espanhol, culebrón) -dessas que, segundo alguns cronistas de jornais brasileiros, não existem mais. Reparei no jeito em que Tolstoi usa as expressões faciais e corporais mais sutis para fazer as personagens "falarem", e reparei também no uso das repetições, essa coisa proibida nas oficinas de criação literária: repetição não só de palavras, senão inclusive de expressões no mesmo parágrafo. (Isso não é da tradução espanhola: segundo a revista New Yorker, foi feita há pouco uma ótima tradução ao inglês de Guerra e paz que respeita essas repetições, que haviam sido eliminadas, "corrigidas" pelos tradutores ou editores de versões anteriores.) E vi como Tolstoi vê todas as personagens com o mesmo respeito, todas as ações como compreensíveis, normais, "humanas". E há no livro grandes descrições, por exemplo nas cenas de caça.

Mas... estava querendo acabar esse livro porque tinha uma filona de livros que, se não melhores, certamente iam ser mais frutíferos para mim, tanto no sentido de me dar prazer, quanto de me dar conhecimento (porque os livros servem também, sim, para conhecer um pouco melhor as pessoas e o nosso mundo). O problema com Anna Karénina é que muitas das questões morais apresentadas, convenções, etc. não existem mais, ou existem mas adquiriram outras formas; e, assim, os assuntos centrais do livro ficam meio ultrapassados... Há pouco, com as leituras de seleção ao mestrado, voltei ao costume de marcar passagens, e neste livro, de quase 1.000 páginas, marquei apenas umas dez (muitas mais, é verdade, no final do livro, nos capítulos em que a personagem de Lievin -para alguns alter ego de Tolstoi- fica mais introspectiva). Sendo que quando li Proust na faculdade marcava quase tudo. Para comparar Tolstoi com outro grande escritor do século XIX, eu diria que os romances de Machado de Assis, por exemplo, são muito mais "modernos", têm mais a dizer ao leitor de hoje.

E mais uma: por que Anna Karénina? Anna não é a personagem principal! Há cinco ou seis personagens tão importantes quanto ela! Lievin é mais importante e a ele são dedicadas mais páginas! E é só um dos amigos do irmão de Anna!

El agua según Melville

He encontrado, en un ensayo sobre Melville y Moby Dick (E. L. Doctorow, Creadores), una posible explicación de por qué a algunos nos atrae tanto el mar -o, cuando no lo hay, los lagos y ríos, o hasta las fuentes. Yo, aquí en Porto Alegre, estoy pagando demasiado por mi apartamento... simplemente porque está cerca del río. Dice así:

Melville, ya en el primer capítulo, "Espejismos" [el título ya es parte de la "explicación"...], menciona a hombres en los muelles de Manhattan [¡en Manhattan también me escapaba siempre a ver el río!] absortos en "sueños oceánicos" y aduce la atracción narcisista [ay, ay] ejercida por ríos, lagos y mares, relacionándolos con el agua como "imagen del fantasma inasible de la vida".

Sunday, February 24, 2008

Sonhei que estava na Bahia

Hoje, pouco antes de acordar, sonhei que estava na praça Castro Alves, caminhando em direção à amurada, e, em chegando lá, levava as mãos aos lados dos olhos para protegê-los do forte sol. Então, olhando a Bahia de Todos os Santos, falava: "Que linda bahia!". Sendo que essas palavras cheguei a pronunciá-las.

Perspectiva aérea

Voltando um momentinho à Espanha.

Impressionou-me como meu admirado irmão Ramon recriou, neste auto-retrato fotográfico (ele é fotógrafo), a perspectiva aérea que inventou Velázquez -também admirado, mas nem tanto. :)

Monday, February 18, 2008

Traduccions de Brasil 43 (del poema "Leitura", de Adélia Prado)

(...)

Siempre sueño que una cosa genera,
nunca nada está muerto.
Lo que no parece vivo, abona.
Lo que parece estático, espera.

Ressaca de Carnaval

Neste primeiro vídeo, um bloco de mulheres velhas fantasiadas com vestidos feitos com papel e alumínio de embalagem (de cerveja, café, bolachas, etc.) desfila pelo Pelourinho no dia da "Passarela da Alegria Pernambuco-Bahia":





Neste segundo vídeo, detalhe da decoração carnavalesca do Pelourinho:





PS: Ontem foi a vez do show (gratis) de Alceu Valença, músico pernambucano, no Largo do Pelourinho. Nunca estive em show tão lotado, não dava para mexer um pé. Talvez por isso não curti muito as músicas, ou talvez porque não as conhecia, só tinha ouvido falar no cantor.

Saturday, February 16, 2008

Menina, Céu, Rosa

Criança aqui é muito ligada. Uma menina de uns cinco anos, bonitinha, de cabelo afro (isso quer dizer alguma coisa?) e diadema, estava olhando um banco de peixes sentada junto à borda da escuna que levava à gente de volta do Forte São Marcelo. Quem parecia ser sua tia, tão entusiasmada quanto ela, falou para outra mulher, sentada no centro do barco: "Vem ver os peixiiiinhos!". E esta falou: "Cê é que nem criança...!". E aquela: "Cê tá vendo o que está atrás de você?". E antes de eu me virar para ver o que era isso, a menina bonita falou: "Ó, salvavidas!".


Ontem foi a noite de Céu. Show na Concha Acústica, espaço maravilhoso, não temos nada parecido com isso para música popular em Barcelona, e até a cantora ficou impressionada. Ela é paulista, e seu primeiro CD teve um grande sucesso, há tempos via-o em todas as lojas, mas eu não sabia mais nada. Foi, segundo o Ronaldo, um show nota 10 (segundo eu também, mas eu só me sinto capaz de opinar sobre as letras; quanto à música, fico naquela coisa simples de gosto/não gosto...; posso opinar sobre ela: achei-a linda, simpática e carismática, e meio palhaça). Ronaldo acha que, das banda da Bahia ou das que vieram aqui, são duas as fortes: a da própria Céu e a de Mariane de Castro, que "agitam sem precisar muito das cantoras". Deve ser verdade, porque a intensidade nunca diminuiu, e o público não deixou de dançar nem quando a cantora sumiu atrás do palco. Esta é uma das músicas que a gente ouviu, Ave Cruz (de um show no Rio, mas parece o show de ontem):




E esta é a foto que eu pedi à Rosa num post anterior: uma foto onde desse para ver seu olhar de cobra. Bom, ela me enganou, mandou uma foto onde aparece bonita. Não que ela não seja bonita quando lança esse olhar, mas este não é seu olhar de cobra... (Já viu uma cobra sorrindo?!?)

Friday, February 15, 2008

Vista de Salvador desde 1695 até hoje








(As fotos antigas foram tomadas sem problemas -estava permitido fotografar- no Museu Arqueológico.

Já a atual... Quando acabei de tirar umas fotos de um pescador que estava jogando sua rede no porto e me virei, deparei-me com o olhar fixo de um cara que, parado a um metro de mim, fardado de verde e usando boina, sustinha uma metralhadora com ambas as mãos. "Como o senhor entrou aqui!" Pelo que parece, sem eu saber e sem que ninguém tivesse reparado em mim quando passei pela guarita de entrada (acho que foi isso o que incomodou mais o soldado: a "distração" dele), estava em uma área reservada da Marinha do Brasil. Mas tudo se resolveu bem. ;)

Thursday, February 14, 2008

Trinta e três



Largo de Santana, Rio Vermelho, Salvador. Onde a gente se conheceu há quase cinco anos.

Rose, Rosa, Eliana, Ronaldo e eu.

Quem sabe amanhã encontre as palavras para definir como eles me fizeram feliz essa noite...

A noite começou com o Ronaldo e eu tomando cervejas. Várias. Eu já tinha comido um acarajé, ele também comeu um quando chegou. Conversamos um monte, enquanto uma banda de jovens ia se preparando para tocar. Nos disseram que iam tocar reggae, e que todos eram argentinos, menos a menina, que era portoalegrense. Ela falou que tinha morado na Cidade Baixa (de POA), mas que agora não tinha um lugar de residência fixo. Rodava o mundo junto com a banda. A Rose apareceu lá pelas 9, e depois chegaram a Eliana e a Rosa. A Rosa chegou com um bolo imenso de chocolate, e vinha direto do shopping onde ela trabalha. Gostei muito de ver a mulher de olhar de cobra :p aparecer com esse bolo, porque na verdade eu não tinha certeza se a Eliana e a Rosa iam vir. Mas elas são também minhas amigas, mesmo não participando dessa troca de e-mails tão longos e freqüentes que existe desde há tanto tempo entre a Rose, o Ronaldo e eu. Essa troca, e a sinceridade, e a amizade, é o mais importante. Mas, sendo meu aniversário, eu também ganhei presentes. O presente da Rose eu já o tinha ganho uma noite em que fomos jantar: o terceiro CD da Rebeca Matta (Rosa Sônica) e uma foto-cartão. (A Rose é uma grande escritora de cartões com frases dela, eu invejo a coleção que o Ronaldo tem.) O Ronaldo me deu uma caneta única da loja LDM, um protótipo, numa linda cor vermelha (fizeram uma série de canetas promocionais cor de rosa, mas o Ronaldo acha elas cafonas). (Espero que seu chefe não acesse este blog.) Mas do Ronaldo eu já tinha ganho também tantos livros! Entre os que eu trouxe e os que ele me deu, meu quarto no albergue parece uma biblioteca. E, na noite anterior a essa, ainda me deu dois colares, um com as cores dos orixás (ou seja, todas as cores), e um com as cores dos Filhos de Ghandy (azul e branco; essa eu vou poder levar para os jogos do Espanyol em Barcelona...). A Eliana me deu uma caneca muito linda porque sabe que eu gosto muito de café. E a Rosa, uma cueca comprida de cor azul escura, muito linda também, que eu estou usando como pijama (até agora eu dormia pelado: está um calorão). (Parentese: estou escrevendo no albergue, e na frente fica a escola do Olodum; mas agora, em vez de timbais, da rua chega o som da Legião Urbana :) Cortei o bolo, pedi um desejo, e a gente o devorou (vejam a foto da Rose! :p). Bebemos, conversamos um monte, rimos um monte, principalmente com as frases e as caras "sérias" do Ronaldo e a Rosa, ambos capazes dos mais inesperados comentários, brincalhões, e fomos embora quando na praça, que no início da noite estava lotada, quase não restava ninguém... ("E é só você que tem a cura de meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo o que eu ainda não vi...")

Wednesday, February 13, 2008

Relax

Algumas pessoas em Salvador dizem assim: em vez de "obrigado", "paz e amor".

-Paz e amor!
-Paz e amor.

Tuesday, February 12, 2008

Traduccions de Brasil 42 (Caos, de Rebeca Matta)

Hay siempre una risa, un riesgo,
un minuto diferente en el tiempo
que trae en la mirada un brillo, un movimiento.
Refleja el sol,
que refleja el caos,
refleja el cielo.

Sólo hay un modo de vivir,
con el pecho y el alma desnudos.
Ahí afuera hasta puede llover.
A veces
está frío y oscuro,
pero aquí dentro tiene que haber sol,
aquí dentro tiene que ser día.

Monday, February 11, 2008

Presente da Gabriela



Este é o presente que eu ganhei da Gabriela. Ela diz que é um cartão de aniversário com "influências clotildeanas". :) Eu vejo, também, influências torres-garcianas. :)) E viram essa coisinha na bandeira da Espanha, substituindo o feio escudo? Isso é um Tàpies. :))) A Gabi é uma artista. (Pena que não quer que poste seus quadros...)

E ela (tu, linda, que acompanha sempre meu blog) me deixa =)

Mais uma noite boa no Rio Vermelho

Ontem o Ronaldo, a Rose e eu comemos beiju no largo de Santana, no Rio Vermelho, onde a gente se conheceu... cinco anos atrás. Beiju é feito que nem crèpe, só que a massa é de farinha de tapioca. E depois de experimentá-lo pela primeira vez (eu, de presunto e queijo; eles de queijo e banana) posso dizer que, onde tiver beiju, ninguém precisa de crèpe. É uma coisa muito, mas muito boa...

Depois ficamos sambando num bar. Na verdade, na terraza dum bar. Cheio de meninas bonitas e alguns meninos. Voltando do balcão, onde fui pedir umas cervejas, ganhei um "gostoso!" dum maluco, na orelha, que quase me fez pular. O Ronaldo ganhou um belisco na bunda, também dum garoto. E a Rose, olhares maliciosos de algumas das meninas que nos cercavam. Sem saber, estávamos num bar GLS, de gays, lésbicas e simpatizantes. Tudo bem, nada contra, só que a gente não sabia. O nome da banda?: Samba de Mulher. A música que a banda, composta só por mulheres, claro, cantou no final?: "Samba é pra mulher só, samba é pra mulher só, samba é pra mulher só".

Sunday, February 10, 2008

Campions!

14 anys després de guanyar la Copa d'Europa, i 11 anys després de guanyar l'última Copa del Rei...

... Campions de la Copa del Rei 2008!



Gràcies Rudy, Gràcies Penya!!!

El meu primer, bé, segon, regal d'aniversari, amb un dia d'anticipació.

Felicitats al papa, a l'Uri, al Jorge, a tota la ciutat de Badalona, a tothom a qui li agrada el bàsquet.

Visca la Penya, i Visca Badalona!!!!!!!!

Encontros com celebridades

Todos estes encontros foram no mesmo dia. Na noite de dia que começou com eu, cedo de manhã, tomando banho de cueca vermelha (!) na praia do Farol da Barra, com três espinhos de ouriço-do-mar cravados no dedão do meu pé.


Celebridade 1. Jayme Figura. Eu conhecia esta fantástica personagem por ter sido entrevistada pela Rose e suas amigas da Faculdade de Museologia, mas até ontem não tinha visto ela. É a celebridade menos célebre e mais exótica, e a única com quem eu consegui me fotografar. A Rose, uma vez, descreveu o Jayme assim: "Artista baiano exótico, essa figura chamada Jayme Fygura é uma obra representativa do movimento de Performance Art, ele é uma obra de arte ambulante, que caminha pelas ruas de Salvador com uma indumentária, no mínimo, estranha". "Muita gente pensa que ele é um louco que gosta de aparecer, um lixo, etc., mas eu sempre o vi como alguém que propositalmente causa reações e expressões diversas nas pessoas, e também está de certa forma gritando para a sociedade através de seus trapos e de sua face coberta." "Não é um louco como pensam." "O Jayme provoca uma sensação muito interessante. A necessidade que temos de olhar nos olhos das pessoas, de perceber pra onde elas direcionam seu olhar... Com o Jayme isso é provocador. A cara toda coberta, mascarado mesmo. E você buscando os olhos dele, imaginando como ele te vê." Eu encontrei o Jayme há três dias, à noite, na praça Quincas, e, excitado, liguei logo para a Rose: "Rose, imagina com quem acabei de cruzar!". Encontrei ele, de novo, há dois dias, dessa vez em plena luz, no Terreiro de Jesus, e parei para lhe dizer que uma amiga minha estava procurando ele para lhe dar o trabalho que sobre ele e outros artistas ela fez. (A Rose não conseguia encontrar ele.) Mas a maior surpresa foi encontrar ele ontem (pela terceira vez em três dias!) ... entrando no café do albergue onde eu estou! A gente tinha combinado de se encontrar na frente da Casa de Jorge Amado, mas liguei para a Rose e falei, vem cá!, tem alguém que você conhece! Aqui um vídeo com ele. E aqui a foto de nós dois:



Celebridade 2. Regina Casé. OK, eu não sou fã dela, mas acho o programa dela, Central da Periferia, que mostra aquilo que acontece nas favelas que os noticiários não mostram, ou seja, tudo o que de bom acontece nas favelas, um programa muito interessante e necessário. (Gostei, especialmente, do programa dedicado à favela carioca onde cresceu o ator Douglas Silva, sobre quem escrevi um post.) Ela estava assistindo ao show do Jota Veloso (e amigos) na praça Pedro Arcanjo, um pátio interior do Pelourinho, lugar pequeno, e eu fui cumprimentá-la e parabenizá-la pelo programa. Achei-a meio seca, o acompanhante dela sorria mais. Mas enfim, na verdade fui cumprimentar ela como treino para parabenizar logo depois a pessoa mais importante que estava lá.

Celebridade 3. Caetano Veloso. Sim, ele, que ficou meio sumido durante o Carnaval, estava lá, assistindo ao show do filho, sentado numa mesa com mais umas oito pessoas, escondidinho atrás da turma que lotava o espaço e dançava de pé. "Será que é ele?", perguntei à Rose. "Acho que é!" "Sério?" "Eu acho! Que saco que a gente não tem uma caneta!" "Eu vou lá ver." "Vai!" "Vou." E lá fui eu. Mesmo pertinho, sabendo já que era ele, ainda duvidei. (Eu sempre fico com medo de confundir uma pessoa com outra.) Então, perguntei a um homem preto, magrelo, vestido de branco e com um chapéu branco esquisito, redondo e plano, sem abas, se aquele senhor era o Caetano. Ele falou que sim, e que ia fazer umas canjas (participar no show). Me aproximei, sorri para ele, e antes de eu esticar o braço, o Caetano já estava meio erguido, sorrindo e estendendo sua mão. We shoke hands! Ho ho ho ho! Cumprimentei-o, falei-lhe que era espanhol, e agradeci-lhe por todas as músicas que ele fez. Foi muuuito querido. Vestia uma camisa de linho azul escura e seus óculos finos; estava com seus cabelos grisalhos, seu bronzeado, e um sorriso de pessoa que ainda se sente jovem. E eu, que não sou um cara de pedir autógrafos ou coisa parecida, fiquei mais feliz que criança de 15 anos.

Celebridade 4. O Rei Momo. Essa pessoa esquisita que me falou que o Caetano era o Caetano e em quem eu não reparei, olhando como estava para o "astro"? Era ele. O Rei Momo deste Carnaval, que pela primeira vez na história do Carnaval de Salvador foi um Rei Momo magro.

Saturday, February 09, 2008

Traduccions de Brasil 41 (Restos, de Ildásio Tavares)

Ildásio Tavares, poeta, novelista, dramaturgo, traductor, es conocido como el poeta de Itapuã. (Itapuã es uno de los barrios costeros más famosos del norte de Salvador.) Además, según el periódico A Tarde, abre semanalmente las puertas de su casa a jóvenes escritores baianos que desean charlar con él o pedir consejos sobre sus textos. Es decir: su casa es una especie de taller de escritura al lado del mar. Y él, otra coincidencia, se parece físicamente al escritor y profesor de creación literaria gaucho Luiz Antonio de Assis Brasil.


Hay un resto de noche por la calle
Que se disuelve en bruma y madrugada

Hay un resto de tedio inevitable
Que se abraza a la tenue mañana

Hay un resto de sueño en cada paso
Que antes de ser se fue, ya no existe

Hay un resto de ayer en la calzada
Que fue día de fiesta y de disfraces

Hay un resto de mí en cada parte
Que nunca pude ser enteramente

Friday, February 08, 2008

Olhar de cobra

Este post é para a irmã da Rose, Rosa, e para a minha irmã, também Rosa.

Para Rosa (Cortês), porque ela tem, segundo a Eliana (e segundo eu, porque eu concordo, porque experimentei-o), olhar de cobra; para Rosa (Cardús), porque ela estuda antropologia, gosta de e vai viajar à África.




Este é o objeto que mais me impressionou do Museu Afro-Brasileiro, na Antiga Faculdade de Medicina da Bahia (gostei tanto que fui lá de novo para fotografá-lo). É uma máscara Guelede, da etnia Yoruba, da República Popular do Benín. É feita em madeira pintada. O painel diz o seguinte: "Os animais representados simbolizam virtudes e comportamentos humanos". E aqui vem o interessante: "A cobra, por sua frieza, está associada à calma, a tranqüilidade, qualidades desejadas para o comportamento das la Mi (mães feiticeras) e das mulheres em geral".

Eu entendo que esse olhar que a Rosa faz tão bem (que pode ser assustador quando dedicado a algum garoto numa noite de samba, por exemplo, ou a alguém que falou alguma coisa sobre a qual ela tem dúvidas, mas que na maioria das vezes é brincalhão, obra de uma grande palhaça, garota muito engraçada a quem este ano eu conheci melhor), pode muito bem ser o olhar de uma pessoa calma e tranqüila. Porque a Rosa é assim, calma, leve, tranqüila; virtudes que não estavam entre as que eu costumava atribuir às cobras...

Ela também é ágil, inteligente, e também como as cobras, de reações rápidas e exatas (e fala rápido; quem diz que baiano fala devagar?), mas essas são já caraterísticas compartilhadas com a sua irmã gêmea, minha querida Rose.


PS: Também interessante: "A máscara é mais do que uma máscara e mais do que a máscara e o vestido: É o próprio mascarado quando se põe em movimento".

PS2: Rosa, faz um olhar de cobra e me manda para eu postar? :D

Thursday, February 07, 2008

Sólo es tuyo aquello que das

Ésta es una de las canciones que tocaron los Lampirônicos la noche del viernes, en Rio Vermelho, después del concierto de Rebeca Matta. (Ronaldo y yo bailábamos y saltábamos como la gente que sale en el videoclip, grabado en el Elevador Lacerda, uno de los símbolos de Salvador, ascensor que comunica la Cidade Alta y la Cidade Baixa.)

Dedicada a todos aquellos que acumulan y acumulan y acumulan bienes materiales. Con amor. :P



Pop Zen

(De Alexandre Leão, Manuca Almeida e Lalado)

Nada de lo que tienes es tuyo
Nada de lo que guardas
Te pertenece o te pertenecerá
Nada de lo que tienes es tuyo
Todo lo que guardas
Pertenece al tiempo que todo lo transformará

Sólo es tuyo aquello que das
Sólo es tuyo aquello que das

Todo aquello que no percibiste
Todo lo que no quisiste mirar
Es como el tiempo que dejaste pasar
Todo lo que escondiste
Todo lo que no quisiste mostrar
El tiempo con tiempo lo va a revelar

Sólo es tuyo aquello que das
Sólo es tuyo aquello que das

Y el beso que diste es tuyo
Y el beso que diste es tuyo

Tuesday, February 05, 2008

Tantas coisas

Pipocão, ontem, na Orla. O Pipocão é o trio do Carlinhos Brown, e é bom por ser um dos poucos que não é pago: todo o mundo pode ir, não há cordas, etc. A gente dançou bastante, e foi divertido, se bem que talvez fosse mais fraco que o ano passado, mais tranqüilo, por haverem menos pessoas: muitas foram para o outro circuito, no Campo Grande.


Carlinhos Brown no Pipocão.

Para ir juntos à orla, marcamos de encontrarmos na ladeira que sobe até a casa da Rose, no Engenho Velho da Federação, mas eu cheguei antes e fui encontrar as meninas na casa delas. Imagina eu, tão branquinho, tão turista, subindo essa ladeira empinada! Lá ficamos conversando a Rose, a Rosa, a Nana (ela é outra das irmãs, não saiu; e lembrou da minha dor nas costas, do ano passado, querida) e o irmão delas, que está com o joelho recém operado. Depois chegou um primo delas, que está azulejando a fachada da casa. E embaixo da ladeira encontramos o Ronaldo e a Eliana, amiga deles (e minha também, depois de dois carnavais...). Nós cinco fomos para a orla. Me senti muito baiano, hehe. E durante a noite achei que essas meninas magricelas e patricinhas do sul e sudeste, ao lado das baianas, têm muita pouca graça!


Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.

Isso foi ontem. Anteontem visitei uma igreja, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, com sua fachada barroca de pedra arenisca (a única de pedra arenisca e a preferida da Rose). É que eu sou desses turistas que vem "também para fazer outras coisas". O comentário (abestalhado, dá pra dizer, porque ela usa muito esta palavra) é da Rosa: "Também tem gente que vem para fazer outras coisas". Significando: Há alguns loucos que vem ao Carnaval por motivos que não são ficar com baianas. :o)

Ao meio-dia conversei com uns moleques que estavam pulando na água e pescando peixe pequeno e caranguejo no porto, perto do Mercado Modelo; comi uma moqueca de camarão muito boa num restaurante do mercado; vi a saída do bloco Filhos de Ghandy na rua Chile (esse bloco só de homens, com turbantes, roupa branca e colares de contas brancas e azuis). E jantei em casa da Rose, conversando com ela e a Rosa. O Ronaldo, freelance como eu (bem, ele tem um bom trabalho na livraria e distribuidora LDM; eu ganhei seis ou sete livros dele! :))), foi fazer um trabalho de digitação numa cidade a cinco horas daqui: um contrato para um espanhol que comprou uma casa na costa.


Moqueca de camarão. (Foto de P. Book, Flickr.)

Ah! Fiquei feliz, também, porque uma criancinha achou que eu era daqui. Eu estava na estação de onde saem os barcos para as ilhas da bahia, na frente do mercado, e ela perguntou se eu era o dono daquilo. Aquilo era um posto, do outro lado das bilheterias, de bebidas: um posto meio sujo. Falei que não, e expliquei que eu morava em Porto Alegre, que isso ficava no Sul, etc. Então ela, vendo que eu não era o dono do boteco, apontou para uma garota com uma mala, uma turista sentada num banco, e falou: "Ela é sua?". Que idéia das mulheres têm aqui?

Monday, February 04, 2008

Rio, madrugada de segunda-feira

E isto é o que está acontecendo no Rio...


Escola da Mangueira. Enredo "100 do Frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar...".


Escola do Salgueiro. Enredo "O Rio de Janeiro continua sendo...".


Escola da Portela. Enredo "Reconstruindo a Natureza, Recriando a Vida: O sonho vira realidade".

(Todas as fotos são de O Globo.)

Sunday, February 03, 2008

Carnaval no Rio Vermelho

OK, vou escrever rápido, que a Internet aqui está cara e tem muita coisa para fazer. Anedota: Ontem no café da manhã, no albergue, sentou-se na minha frente uma menina alemã. Acabou seu semestre de estudante de "design" (ela falou) em Curitiba, e está voltando para Alemanha. Quando falei que eu morava em POA, outra menina da mesa falou: "Pô, eu também!". Eu: "Bah! Eu moro no Centro". Ela fez sinal de "o Centro é muuuito legal" com a mão, e falou que morava no Centro também, com um sorriso. Eu: "Na Demétrio Ribeiro". A cara dela mudou da noite pro dia, até pareceu assustada: "Como você sabe?????". Eu quis tranqüilizá-la: "Não, eu moro na Demétrio". "Mas eu também!". Eu: "Que altura na Demétrio?". Ela: "Na volta do Gasômetro". Eu: "Bah, eu tambéeem!". A menina e eu moramos na mesma quadra. Mas eu nunca tinha visto ela, lá no meu bairro. Então a alemã falou alguma coisa parecida com "el mundo es un pañuelo"...

Agora já sei o que eu posso mandar para o "Irritando Fernanda Young". O que realmente me irrita? PASSAGEM DE SOM. Depois de dançar desde as seis até as doze, a gente teve que esperar duas horas até o último show, para ouvir à Mariene de Castro (samba) num palco montado na praia do Rio Vermelho. DUAS HORAS. Os ambulantes acabaram as águas, as cervejas, o Ronaldo gritando para o cara do som: "Esquece a guitarra, porra!". O show foi legal, ela tem um vozarrão, e a gente que ficou sambou bastante, mas a maioria já estava mais pra lá que pra cá.

Antes disso, Ronaldo e eu assistimos ao melhor show que eu já vi aqui em Salvador, talvez no Brasil. Num palco bem pequeno, também no bairro do Rio Vermelho, onde está tendo um Carnaval alternativo, cantou a Rebeca Matta. Eu tenho dois CD dela, gravados pela Rose, mas só ontem entendi por que a Rose adora ela. É que eu nunca tinha visto ela AO VIVO. Ela ARRASOU. Ela é um furacão, essa baixinha. O avesso da Fernanda Takai. O lado escuro da Fernanda Takai. Cantou várias músicas do Tom Zé, alguma de Caetano, as suas. E a gente não parou nem um momento de cantar e pular junto com ela (e com a banda, muito boa). Aconteceu aquela coisa da "sintonia total". (Rose, você perdeu!). Vou botar aqui uma música dela, mas não é a mesma coisa, não é a mesma coisa não. (Esqueci o nome da banda de rock baiana que tocou depois, que também arrasou: logo coloco aqui.) (Lampirônicos.)